quinta-feira, 3 de julho de 2008

Crescimento no transporte aéreo desafia o controle de emissões de CO2

Por Paula Scheidt, do CarbonoBrasil

Sem obrigações para reduzir as emissões de gases do efeito estufa (GEE), o setor de transporte aéreo caminha no sentido inverso, movido pela necessidade de circulação global de pessoas e bens e pelo barateamento das passagens em algumas regiões do mundo, como na Europa. Um relatório divulgado na última semana pela Agência Ambiental Européia (EEA) mostra que tais emissões são as que aumentam mais rapidamente, cerca de 5% ao ano.

De 1990 a 2005, as emissões de dióxido de carbono (CO2) da aviação cresceram 73% no bloco. "Se não fizermos nada com relação ao aumento das emissões nos transportes – em especial nas estradas, aviação e navegação – o setor sozinho irá produzir mais emissões em 2050 que o total de permissões para Europa em todas as fontes", disse a diretora executiva da EEA, Jacqueline McGlade, durante o seminário "Nos trilhos certos – escolhendo a opção de transporte mais ecologicamente correta", realizado esta semana em Copenhague, na Dinamarca.

A União Internacional de Companhias Ferroviárias (UIC), organizadora do evento, escolheu a data para lançar duas ferramentas on-line inovadoras - EcoPassenger e EcoTransIT - que permitem ao passageiro comparar o consumo energético de determinada viagem, dependendo do transporte escolhido. Além disso, os usuários podem calcular as reais emissões de CO2 e outros poluentes para escolher a alternativa com menor impacto ambiental no seu itinerário na Europa.

Vôos baratos

De uma maneira geral, todos os tipos de viagens aéreas estão aumentando, incluindo jatos corporativos privados e vôos de carga carregando frutas para todos os mercados do mundo. A indústria de vôos baratos na União Européia, no entanto, é o principal motor, com crescimento de 9% ao ano, segundo o pesquisador da Universidade de Oxford Christian Brand.

O número de passageiros de companhias baratas dobrou nos últimos dois anos, passando de 60 milhões em 2005 para 120 milhões em 2007, de acordo com a Associação Européia de Companhias Aéreas com baixas tarifas. Este número representa quase um terço do total de passageiros transportados em vôos domésticos no Brasil em 2006 (perto de 43 milhões).

O crescimento é impulsionado justamente pelas diferenças de custos entre regiões turísticas de cada país. Para um britânico ou alemão, um final de semana no litoral quente espanhol pode custar muito menos que viajar de carro dentro do próprio território.

Os vôos nestas companhias giram em torno de 50 euros (R$124) com taxas, mas podem custar apenas 10 euros (R$25). "Com acomodações variando entre 80 a 110 libras (R$252 a 350) à noite, é mais barato viajar a Espanha para um fim de semana do que dirigir até a região dos lagos (na Inglaterra), então existe uma inacreditável demanda latente", compara Brand.

(Envolverde/Carbono Brasil)

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