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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Mudança climática: Sem participação indígena esforços são inúteis

Por Haider Rizvi, da IPS

Nova York, 05/12/2008 – Os esforços contra a mudança climática serão em vão enquanto os povos indígenas continuarem de fora do debate sobre medidas paliativas, afirmam ativistas que participam da conferência da Organização das Nações Unidas que acontece esta semana na cidade polonesa de Poznan. “As comunidades indígenas adaptam-se às mudanças ambientais há séculos e podem ajudar na criação de estratégias que a ONU pretende incluir no novo tratado”, disse Mark Lattimer, da organização Minority Rights Group International, com sede em Londres. Com vistas à Convenção das Nações Unidas sobre Mudança Climática, que começou segunda-feira, a MRG divulgou um estudo onde se conclui que um novo tratado ficará “seriamente comprometido” se os governos continuarem silenciando os mais afetados pelo fenômeno.

Cerca de 800 delegados participam desta conferência, que terminará no próximo dia 12, segundo a ONU. Nas diferentes reuniões são discutidas estratégias para combater a mudança climática e como financiá-las. Na semana passada funcionários das Nações Unidas descreveram os encontros como um “marco pelo caminho do sucesso”, em relação ao processo de negociação lançado nas conferências anteriores. Defensores dos direitos dos povos indígenas têm grande cepticismo a respeito.

“O processo da ONU está viciado porque as comunidades que sofrem diretamente os efeitos da mudança climática não participam dele”, ressaltou Lattimer. “É incompreensível que os governos cheguem a um acordo sobre objetivos sem contar com a opinião dos que sofrem as conseqüências do fenômeno”. A Conferência de Poznan prevê fixar objetivos de restrição às emissões de dióxido de carbono na atmosfera, mas os líderes indígenas que vivem na selva se queixam que não foram consultados nas discussões sobre os planos e as estratégias com vistas ao futuro.

“Sofremos as piores conseqüências da mudança climática sem termos contribuído” para o fenômeno, disse por e-mail Ben Powless, ativista canadense pelos direitos dos indígenas, desde a Polônia, onde observa o desenrolar da conferência. Segundo ele, as estratégias e os planos para minimizar o problema não são mais do que “soluções falsas. Colocam em risco nossos direitos e nossa própria existência”, alegou, acrescentando que vários projetos para produzir combustível vegetal, promovidos por governos e pelo setor privado, são levados adiante sem “o consentimento prévio, livre e informado dos indígenas”.

A maioria dos projetos de desenvolvimento feitos na selva objetiva, de fato, roubar os recursos dos indígenas para obter lucro comercial, mais do que contribuir para a preservação do meio ambiente, segundo Lattimer e Powless. Vários estudos feitos nos últimos anos mostram que a maioria dos 370 milhões de indígenas do mundo vive em áreas de grande diversidade ecológica e que dependem totalmente dos recursos naturais. Mas a aceleração da mudança climática reduz as fontes sobre as quais baseiam seu sustento.

“É dada muita atenção aos danos que a mudança climática causa ao meio ambiente e à perda de espécies de plantas e animais, mas não se reconhece a verdadeira dimensão do prejuízo sobre as pessoas”, destacou Farah Mihlar, que escreveu o estudo do MRG. “As soluções, metodologias e tecnologias científicas para mitigar e se adaptar às mudanças climáticas discutidas pelos políticos não refletem o conhecimento nem a concepção ancestral” dos indígenas, acrescentou.

“Violam ou ameaçam violar nossos direitos humanos”, disse Powless. “Teremos de discutir, em algum momento, a dívida ecológica que, em especial, as nações industrializadas têm conosco. As consultas que nos fazem costumam tomar a forma de simples informação”. A pesquisa do MRG mostra que aborígines de todo o mundo costumam constituir as populações mais pobres e marginalizadas e com mais probabilidades de serem discriminadas quando ocorre algum tipo de desastre natural. “Comunidades inteiras podem ser perdidas”, diz a declaração de Mihlar, acrescentando que “culturas e línguas podem ser apagadas da face da Terra”.

Na conferência anterior da ONU sobre mudança climática, realizada na ilha de Bali, na Indonésia, em dezembro de 2007, ativistas em defesa dos indígenas protestaram por sua exclusão das negociações oficiais. Destas atividades participaram muitos representantes de comunidades selváticas em todo o mundo. Na conferência se mostraram preocupados com os planos de governos e instituições financeiras internacionais para controlar a degradação das selvas, em especial uma iniciativa do Banco Mundial que oferece incentivos em grande escala para reduzir as emissões liberadas pelo desmatamento.

Nas selvas tropicais e subtropicais, onde se concentra a iniciativa do Banco, vivem cerca de 160 milhões de indígenas, considerados guardiões e administradores de sua biodiversidade por muitos cientistas. “Pode ser uma boa iniciativa, mas por nossa experiência negativa nos preocupa como funcionar´”, disse Victoria Tauli-Corpuz, presidente do Fórum Permanente para as Questões Indígenas da ONU. A Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas aprovada pela ONU reconhece o direito de as comunidades controlarem seus territórios e recursos, incluídas as selvas, mas muitos governos e corporações continuam transgredindo-as. “Continuamos em uma situação muito vulnerável, porque muitos governos desconhecem nossos direitos sobre as selvas e os recursos que há nelas”, disse Tauli-Corpuz.

Entre os países onde governo e corporações violam mais os direitos indígenas estão Brasil, Botswana, Estados Unidos, Malásia, Nova Zelândia, Paraguai e Peru, segundo avaliação do ano passado da organização Survival International, com sede em Londres. Ao contrário do que ocorre no processo de negociação sobre mudança climática, as comunidades indígenas gozam de um papel relativamente importante nas discussões em matéria de biodiversidade. A secretaria do Convenio sobre Diversidade Biológica da ONU criou, inclusive, um grupo de trabalho para garantir esse papel.

Os representantes indígenas que participam da Conferência de Poznan expressaram o desejo de que as Nações Unidas incluam as comunidades afetadas pela mudança climática no processo de negociação de medidas para conter o fenômeno. “Reclamamos uma participação total na implementação de medidas em tudo o que diz respeito à mudança climática e às selvas”, disse Powless.

Fonte: IPS

ONU faz campanha sobre impacto do efeito estufa

Por Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York

Uma campanha do Escritório das Nações Unidas de Assistência Humanitaria, Ocha, está pedindo mais investimentos no preparo de países mais vulneráveis às tragédias climáticas.

Segundo o Ocha, Moçambique, no sul da África, é um bom exemplo de nação que conseguiu lidar de maneira positiva com os desastres naturais.

Perdas

A ONU afirma que nos últimos 20 anos, os desatres naturais dobraram passando de 200 para 400 por ano.

O subsecretário-geral de Assuntos Humanitarios, John Holmes, lembrou que o mundo já está sentindo os efeitos das mudanças climáticas.

Entre 1988 e 2007, mais de 75% de todas as tragédias ocorridas no mundo estavam relacionadas ao clima. E mais da metade das perdas econômicas foi causada por desastres naturais.

Fonte: Envolverde/Rádio ONU

Milhares de pessoas protestam em Londres contra o aquecimento global

Milhares de pessoas realizaram uma marcha neste sábado em Londres para protestar contra o aquecimento blobal, numa manifestação que coincide com a conferência sobre a mudança climática organizada pela ONU em Poznan (Polônia).

O protesto, no qual participaram 5.000 pessoas segundo a polícia e 10.000 segundo os organizadores, terminou diante da sede do parlamento.

O objetivo do movimento é pedir uma ação urgente aos delegados da XIV Conferência da ONU sobre o Clima, segundo Phil Thornhill, da Campanha contra a Mudança Climática.

Fonte: Yahoo!

2008 deverá ser o ano mais frio da década, dizem britânicos

Dados preliminares da média global de temperatura do Escritório de Meteorologia (Met Office) do governo britânico indicam que 2008 será o ano mais frio da década, de acordo com reportagem do jornal The Guardian. A divulgação oficial do relatório do Met Office está prevista para a próxima semana.

De acordo com o jornal, a temperatura média do planeta Terra ficará, em 2008, em 14,3º C, ou 0,14º C abaixo da média apurada entre 2001 e 2007. Segundo o cientista Peter Smith, do Centro Hadley, ligado ao Met Office, o resultado não representa uma refutação do fenômeno do aquecimento global. "Para entender a mudança climática, é preciso olhar para as tendências de longo prazo", disse ele ao Guardian.

Segundo gráfico histórico elaborado pelo Centro Hadley, praticamente todos os anos, de 1860 e até a década de 90, foram mais frios que uma média apurada de 1961 a 1990. Já a partir dos anos 80 a curva se inverte, com anos consistentemente mais quentes que a média do século passado. Mesmo sendo o ano mais frio da década, 2008 ainda será excepcionalmente quente na comparação com as temperaturas normais dos 150 anos anteriores.

Em artigo publicado em 2007 na revista científica Science, pesquisadores do Centro Hadley já previam que o aquecimento global daria uma breve trégua de alguns poucos anos. Mas o modelo de previsão climática descrito no texto indica ainda que metade do período entre 2009 e 2014 será mais quente do que 1998, ano em que foram registradas as temperaturas mais altas da história.

Mais recentemente, cientistas realizaram um estudo confirmando que a Antártida quanto o Ártico estão menos gelados devido ao aquecimento global. Os pesquisadores estimam que o derretimento total do gelo da Antártida e da Groenlândia poderia fazer o nível global do mar subir cerca de 70 metros. O Painel Climático da ONU estima uma subida de 18-59 centímetros no nível do mar neste século, parte de um novo padrão que também deve incluir mais secas, inundações, ondas de calor e tempestades.

Brasil - A temperatura mais baixa para o mês de janeiro dos últimos 26 anos, na cidade de São Paulo, foi registrada neste ano, no dia 29. Segundo dados da Estação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), no Mirante de Santana, zona norte da capital paulista, no dia os termômetros apontaram a máxima de 19,4ºC - a mesma de 3 de janeiro de 1982.

De acordo com o instituto, entre os dias 20 e 30 de janeiro, as máximas variaram entre 19ºC e 26ºC, o que representa o período mais longo com temperaturas abaixo dos 26ºC em janeiro desde 1987.

Fonte: Estadão Online

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Mudança climática pode elevar nº de refugiados, diz ONU

A mudanças climáticas podem se tornar a principal causa do deslocamento de refugiados, fazendo com que milhares de pessoas deixem seus locais de origem a cada ano, disse na quarta-feira (3) um funcionário da Organização das Nações Unidas (ONU), quando a ONU e a Cruz Vermelha fizeram um apelo por fortes esforços globais para ajudar pessoas a enfrentar as conseqüências do aquecimento global.

Segundo as entidades, tempestades mais fortes, mais inundações e diminuição das chuvas, situações que devem atingir mais pesadamente as pessoas mais pobres, estão dentre as conseqüências esperadas com a intensificação das mudanças climáticas. Acordos sobre como ajudar países pobres a adaptarem-se são o principal desafio dos negociadores de um novo tratado sobre o clima que deve entrar em vigor em 2013.

"O clima sempre foi um elemento, uma das razões que forçam as pessoas a se moverem, mas não a razão primária", disse Jose Riera, conselheiro sênior de políticas do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados. "O que tememos é que nos próximos anos o clima repentinamente torne-se a principal razão desses movimentos migratórios."

Segundo Riera, estimativas conservadoras prevêem que cerca de 250 milhões de pessoas terão sido forçadas a deixarem seus locais de origem por causa das mudanças climáticas até 2050 e "se dividirmos isso por ano, são cerca de 6 milhões de pessoas migrando" além dos cerca de 10 milhões de refugiados que o Alto Comissariado cuida atualmente. "Muitas dessas pessoas devem se deslocar dentro de seus próprios países", disse ele. "E os países mais vulneráveis estão no mundo em desenvolvimento e são aqueles com menores condições de reagir a esses problemas."

Ele acrescentou que é importante começar a discutir com os países questões como "quem irá cuidar dessas pessoas, que tipos de direitos elas terão e se elas serão forçadas a voltar a seus países mesmo se não houver condições para isso". A ONU e a Cruz Vermelha também apontaram para maior necessidade de esforços mais amplos na preparação dessas populações para os riscos que elas enfrentarão em razão das mudanças climáticas.

Medidas de proteção - As entidades indicaram medidas como a proteção de fontes de água antes de enchentes, o plantio de árvores para evitar deslizamentos de terra ou desertificação, impedir que casas sejam construídas em áreas de alto risco e simplesmente disseminar informações sobre como lidar com inundações.

"O projeto para reduzir os riscos de desastres pode economizar dezenas de milhares de dólares ao ano", disse Reid Basher, da Estratégia Internacional da ONU para Redução de Desastres. "Para cada US$ 1 investido em redução de riscos, podemos economizar entre US$ 3 e US$ 10 em custos de resposta a desastres", disse Bekele Geleta, secretário-geral da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. "Grandes catástrofes climáticas não têm necessariamente de levar a desastres devastadores ou catastróficos", apontou.

Fonte: Estadão Online

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Uma reflexão sobre a Tragédia em Santa Catarina

Por Professores de Universidades Catarinenses

As imagens de morros caindo, de desespero e morte, de casas, animais e automóveis sendo tragados por lama e água, vivenciadas por centenas de milhares de pessoas no Vale do Itajaí e Litoral Norte Catarinense nos últimos dias, são distintas, e muito mais graves, das experiências de enchentes que temos na memória, de 1983 e 1984.

Por que tudo aconteceu de forma tão diferente e tão trágica? Será que a culpa foi só da chuva, como citam as manchetes? Nossa intenção não é apontar culpados, mas mencionar alguns fatos para reflexão, para tentar encaminhar soluções mais sábias e duradouras, e evitar mais e maiores problemas futuros.

Houve muita chuva sim. No médio vale do Itajaí ocorreu mais que o dobro da quantidade de chuva que causou a enchente de agosto de 1984. Aquela enchente foi causada por 200 mm de chuva em todo o Vale do Itajaí. Agora, em dois dias foram registrados 500 mm de precipitação, ou seja, 500 litros por metro quadrado, mas somente no Médio Vale e no Litoral.

A quantidade de chuva de fato impressiona. Segundo especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), a floresta amazônica é a principal fonte de precipitações de grande parte do continente e tudo o que acontecer com ela modificará de maneira decisiva o clima no Sul e no norte da América do Sul. Assim, as inundações de Santa Catarina e a seca na Argentina seriam atribuídas à fumaça dos incêndios florestais, que altera drasticamente o mecanismo de aproveitamento do vapor d'água da floresta amazônica. Outros especialistas discordam dessa hipótese e afirmam que houve um sistema atmosférico perfeitamente possível no Litoral Catarinense.

Existe uma periodicidade de anos mais secos e anos mais úmidos, com intervalo de 7 a 10 anos, e entramos no período mais úmido no ano passado. Esse mecanismo faz parte da dinâmica natural do clima. De qualquer forma, outros eventos climáticos como esse são esperados e vão acontecer.

Mas o Vale do Itajaí sabe lidar com enchentes melhor do que qualquer outra região do país. Claro que muito pode ser melhorado no gerenciamento das cheias, à medida que as prefeituras criarem estruturas de defesa civil cada vez mais capacitadas e à medida que os sistemas de monitoramento e informação forem
sendo aperfeiçoados.

De todos os desastres naturais, as enchentes são os mais previsíveis, e por isso mais fáceis de lidar. Os deslizamentos e as enxurradas não. Esses são praticamente imprevisíveis, e é aí que reside o real problema dessa catástrofe.

É preciso compreender que chuvas intensas são parte do clima subtropical em que vivemos. E é por causa desse clima que surgiu a mata atlântica. Ela não é apenas decoração das paisagens catarinenses, tanto como as matas ciliares não existem apenas para enfeitar as margens de rios. A cobertura florestal natural das encostas, dos topos de morros, das margens de rios e córregos existe para proteger o solo da erosão provocada por chuvas, permite a alimentação dos lençóis d´água e a manutenção de nascentes e rios, e evita que a água da chuva provoque inundações rápidas (enxurradas).

A construção de habitações e estradas sem respeitar a distância de segurança dos cursos d’água acaba se voltando contra essas construções como um bumerangue, levando consigo outras infra-estruturas, como foi o caso do gasoduto. Esse é um dos componentes da tragédia.

Já os deslizamentos, ou movimentos de massa, são fenômenos da dinâmica natural da Terra. Mas não é o desmatamento que os causa. A chuva em excesso acaba com as propriedades que dão resistência aos solos e mantos de alteração para permanecerem nas encostas. O grande problema de ocupar encostas é fazer cortes e morar embaixo ou acima deles. Há certas encostas que não podem ser ocupadas por moradias, principalmente as do vale do Itajaí, onde o manto de intemperismo, pouco resistente, se apresenta muito profundo e com vários planos de possíveis rupturas (deslizamento), além da grande inclinação das encostas. E é aí que começa a explicação de outra parte da tragédia que estamos vivendo.

A ocupação dos solos nas cidades não tem sido feita levando em conta que estão assentadas sobre uma rocha antiga, degradada pelas intempéries, e cuja capacidade de suporte é baixa. Através dos cortes aumenta a instabilidade. As fortes chuvas acabaram com a resistência e assim o material deslizou.

A ocupação do solo é ordenada por leis municipais, os planos diretores urbanos. Esses planos diretores definem como as cidades crescem, que áreas vão ocupar e como se dá essa ocupação. Por falta de conhecimento ecológico dos poderes executivo, judiciário e legislativo (ou por não leva-lo em consideração), o código florestal tem sido desrespeitado pelos planos diretores em praticamente todo o Vale do Itajai, e também no litoral catarinense, sob a alegação de que o município é soberano para decidir, ou supondo que a mata é um enfeite desnecessário. Da mesma forma, as encostas têm sido ocupadas, cortadas e recortadas, à revelia das leis da Natureza.

Trata-se de uma falta de compreensão que está alicerçada na idéia, ousada e insensata, de que os terrenos devem ser remodelados para atender aos nossos projetos, em vez de adequarmos nossos projetos aos terrenos reais e sua dinâmica natural nos quais irão se assentar.

A postura não é diferente nas áreas rurais, onde a fiscalização ambiental não tem sido eficiente no controle de desmatamentos e intensidade de cultivos em locais impróprios, como mostram as denúncias frequentes veiculadas nas redes que conectam ambientalistas e gestores ambientais de toda região. A irresponsabilidade se estende, portanto, para toda a sociedade.

Deslizamentos, erosão pela chuva e ação dos rios apresentam fatores condicionantes diferentes, mas todos fazem parte da dinâmica natural. A morfologia natural do terrreno é uma conquista da natureza, que vai lapidando e moldando a paisagem na busca de um equilíbio dinâmico. Erode aqui, deposita ali e assim vai
conquistando, ao longo de milhões de anos, uma estabilidade dinâmica. O que se deve fazer é conhecer sua forma de ação e procurar os cenários da paisagem onde sua atuação seja menos intensa ou não ocorra.

As alterações desse modelado pelo homem foram as principais causas dos movimentos de massa que ocorreram em toda a região. Portanto, precisamos evoluir muito na forma de gestão urbana e rural e encontrar mecanismos e instrumentos que permitam a convivência entre cidade, agricultura, rios e
encostas.

Por isso tudo, essa catástrofe é um apelo à inteligência e à sabedoria dos novos ou reeleitos gestores municipais e ao governo estadual, que têm o desafio de conduzir seus municípios e toda Santa Catarina a uma crescente robustez aos fenômenos climáticos adversos. Não adianta reconstruir o que foi destruído, sem considerar o equívoco do paradigma que está por trás desse modelo de ocupação. É necessário pensar soluções sustentáveis. O desafio é reduzir a vulnerabilidade.

Uma estranha coincidência é que a tragédia catarinense ocorreu na semana em que a Assembléia Legislativa concluiu as audiências públicas sobre o Código Ambiental, uma lei que é o resultado da pressão de fazendeiros, fábricas de celulose, empreiteiros e outros interesses, apoiados na justa preocupação de pequenos agricultores que dispõe de pequenas extensões de terra para plantio.

Entre outras propostas altamente criticadas por renomados conhecedores do direito constitucional e ambiental, a drástica redução das áreas de preservação permanente ao longo de rios, a desconsideração de áreas declivosas, topos de morro e nascentes, além da eliminação dos campos de altitude (reconhecidas paisagens de recarga de aqüíferos) das áreas protegidas, são dispositivos que aumentam a chance de ocorrência e agravam os efeitos de catástrofes como a que estamos vivendo. Alega o deputado Moacir Sopelsa que a lei ambiental precisa se ajustar à estrutura fundiária catarinense, como se essa estrutura fundiária não fosse, ela mesma, um produto de opções anteriores, que negligenciaram a sua base de sustentação.

Sugerimos que os deputados visitem Luiz Alves, Pomerode, Blumenau, Brusque, só para citar alguns municípios, para aprender que a estrutura fundiária e a urbana é que precisam se ajustar à Natureza. Dela as leis são irrevogáveis e a tentativa de revogá-las ou ignorá-las custam muitas vidas e dinheiro público e privado.

É hora de ter pressa em atender os milhares de flagelados. Não é hora de ter pressa em aprovar uma lei que torna o território catarinense ainda mais vulnerável para catástrofes naturais.

Prof. Dra. Beate Frank (FURB, Projeto Piava)
Prof. Dr. Antonio Fernando S. Guerra (UNIVALI)
Prof. Dra. Edna Lindaura Luiz (UNESC)
Prof. Dr. Gilberto Valente Canali (Ex-presidente da Associação Brasileira de Recursos Hídricos)
Prof. Dr. Hector Leis (UFSC)
João Guilherme Wegner da Cunha (CREA/CONSEMA)
Prof. Dr. Juarês Aumond (FURB)
Prof. Dr. Julio Cezar Refosco (FURB)
Prof. Dr. Lino Fernando Bragança Peres (UFSC)
Prof. Dra. Lúcia Sevegnani (FURB)
Prof. Dr. Luciano Florit (FURB)
Prof. Dr. Luiz Fernando P. Sales (UNIVALI)
Prof. Dr. Luiz Fernando Scheibe (UFSC)
Prof. Dr. Marcus Polette (UNIVALI)
Prof. Dra. Noemia Bohn (FURB)
Núcleo de Estudos em Serviço Social e Organização Popular - NESSOP (UFSC)
Prof. Dra. Sandra Momm Schult (FURB)
Equipe do Projeto Piava (Fundação Agência de Água do Vale do Itajaí).

Se você também quer uma discussão mais aprofundada sobre o Código Ambiental e deseja que os parlamentares saibam disso, acesse o site www.comiteitajai.org.br/abaixoassinado


Fonte: Apremavi

Cruzada pessoal pela natureza

Por Daniela Estrada*

Santiago, 1º de dezembro (Terramérica) - A chilena Elba Muñoz resgata e cuida de macacos maltratados, a peruana Trinidad Vela reviveu uma área seca que acabou salvando sua comunidade da seca, o argentino Rubén Pablos há 12 anos restaura a floresta nativa patagônia e a cubana Ângela Corvea semeia consciências.

“Algumas pessoas me vêem como heroína e outras como uma louca”, conta ao Terramérica a parteira Elba Muñoz, de 58 anos, fundadora do Centro de Resgate e Reabilitação de Primatas de Peñaflor, 40 quilômetros a oeste da capital chilena.

Dos US$ 6 mil que o Centro gasta mensalmente, 70% são desembolsados por Elba e sua família. O restante é doado por mais de 240 “padrinhos”. Hoje abriga 145 macacos de dez espécies, a maioria vítima do tráfico de animais, que chegam doentes e feridos.

A história começou no dia 8 de dezembro de 1994, quando bateram à sua porta oferecendo Cristóbal, um pequeno macaco barrigudo (Lagothrix lagotheicha). Ela comprou o animal e cuidou dele como se fosse um filho, sem imaginar que à sua casa chegariam outros primatas resgatados do tráfico e abandonados. Em 1996, criou o Centro, que acolhe macacos de circos, zoológicos e inclusive de um laboratório de universidade.

Estudou sobre primatas, visitou santuários, escreveu um livro, colaborou com publicações acadêmicas e fez exposições em seminários. Hoje busca patrocínio do governo para obter financiamento privado, conta esta mulher casada e mãe de quatro filhos. O Centro abriga a única colônia de macacos barrigudos que se reproduziram em cativeiro na América Latina. Elba acredita que sua obra serviu para sensibilizar a população sobre maus-tratos de animais. O tráfico de macacos diminuiu muito, garante. Paradoxalmente, a meta do Centro é desaparecer quando os animais morrerem de velhice. “Todos os macacos em cativeiro estão mal. O Centro é uma prisão, a melhor do Chile, mas uma prisão”, diz com tristeza.

Certas pessoas tornam possível que no epicentro da destruição surja a vida. No Peru, Trinidad Vela é uma delas. Nasceu há 72 anos no povoado amazônico de Juanjuí, cortado pelo Rio Huallaga, que nos anos 80 se converteu em cemitério de vítimas do conflito interno, encurralado pelos narcotraficantes e pelo desmatamento. Ali, em uma área depredada por pastagens na região de San Martín, esta filha de agricultores com formação escolar incompleta, plantou, há 14 anos, uma floresta que conseguiu ressuscitar o caudal de um riacho seco. Em 2005, essa água salvou seus vizinhos agricultores da pior seca vivida pela Amazônia.

“No começo, todos pensavam que eu estava louca porque não queria cortar nem queimar o mato, e comecei a plantar espécies para recuperar o caudal de nosso riacho. Diziam ‘como desperdiça terreno e não trabalha a terra?”, conta Vela ao Terramérica. Enquanto outros plantavam coca ou laranja, ela plantava árvores de mogno e cedro para que as águas e as aves, mamíferos e insetos que alguma vez saíram do lugar voltassem para seu hábitat.

Construiu seu sonho acompanhada da filha Karina, com perseverança e poucos recursos, até convertê-lo na única experiência registrada de restauração de paisagem em uma área de pastagens. Hoje o lugar é a primeira área de conservação privada da região e tem o nome da ressuscitado riacho: Pucunucho. “Depois daqueles dias sem água, as pessoas começaram a compreender a importância das florestas, que são necessárias para nossas vidas”, afirma Vela.

Na Argentina, Rubén Pablos lidera, desde 1996, um projeto de reflorestamento da floresta nativa na cidade de San Carlos de Bariloche. Os incêndios, que na década de 90 arrasavam dez mil hectares por ano do Parque Nacional Nahuel Huapí, sacudiram sua consciência. Pablos nasceu no subúrbio de Buenos Aires. Em 1982 combateu na guerra contra a Grã-Bretanha pelas Ilhas Malvinas/Falkland Islands e em 1990, sem emprego nem profissão, foi trabalhar como artesão em Bariloche. “Sempre me interessei pela natureza, mas em Bariloche me preocupava com a floresta que se degradava”, conta ao Terramérica.

Inicialmente canalizou sua inquietação como bombeiro florestal voluntário. Essa experiência lhe permitiu ver que nenhum órgão trabalhava para recuperar o que o fogo destruía. Assim, nasceu o Projeto de Restauração da Floresta Nativa Andino-Patagônia. A iniciativa inclui o Viveiro Florestal Bariloche, que produz 50 mil mudas de diversas espécies para reflorestamento. “Fazemos palestras em escolas sobre as funções da floresta e levamos duas mil crianças por ano para plantar árvores em áreas afetadas pelos incêndios”, disse Pablos, que se define como “autodidata” e agora dirige a Associação Civil Semear.

Em 2004, conseguiu criar o Dia da Floresta Nativa. Desde então, por determinação municipal, no segundo domingo de maio acontece em Bariloche uma campanha de reflorestamento. A iniciativa foi copiada por outros municípios patagônios. Atualmente, o Parlamento argentino estuda um projeto para que a data seja comemorada em todo o país.

Em Cuba, Ângela Corvea, de 59 anos, semeia conscientização. Bióloga marinha aposentada, com duas décadas trabalhando com educação ambiental, Corvea divide seu tempo entre palestras e trabalhos práticos em escolas e outros locais, a coordenação em seu município da campanha internacional “Limpando o mundo”, e o Acualina, seu projeto líder, criado em 2003. Tudo isto sem descuidar de sua filha Elisa, de 24 anos, que sofre seqüelas de uma paralisia cerebral infantil. Sua mensagem é dirigida às crianças. “São como esponjas, recebem tudo o que se coloca em suas mentes. Minha intenção é alertá-los e preocupá-los, e também ocupá-los”, disse ao Terramérica.

Com Acualina, uma personagem que a televisão estatal difunde em seus canais educativos, pôde levar suas idéias a todo o país. Trata-se de uma menina filósofa que, vestida à moda da antiga Grécia e com as cores da bandeira de Cuba, ensina e aconselha sobre o que fazer para preservar o meio ambiente. Essa musa ambiental também está em cartazes, caixas de fósforos, almanaques, cartões telefônicos pré-pagos, em uma página da internet e em dois livros, “Acualina 1” e “Acualina 2”. Atualmente, cuida dos detalhes finais de um orçamento para poder enviar à gráfica o “Acualina 3”, enquanto alguns amigos redesenham o site.

Não é uma atividade que possa ser quantificada, nem tampouco aumenta sua pensão de aposentada. Porém, Corvea considera que o mais importante é ir criando consciência entre os cidadãos, somar e multiplicar esforços, porque amanhã poderá ser tarde.

* A autora é correspondente da IPS. Com as colaborações de Patricia Grogg (Cuba), Milagos Salazar (Lima) e Marcela Valente (Buenos Aires).

LINKS

Borboletas no jardim
http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=port&idnews=232

Centro de Primatas Peñaflor
http://www.macacos.cl

Associação Civil Semear
http://www.sembrar.org.ar/

Acualina
http://www.acualina.org/

Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.


Fonte: Terramérica

Estudos prevêem que as mudanças globais vão amplificar os fenômenos climáticos

Por Paula Cassandra, da Agência Chasque

A quantidade de chuvas que vem ocorrendo há uma semana em Santa Catarina vem preocupando tanto a população do Estado quanto de outras regiões do país. Até a tarde de sexta-feira (28), foram registrados 78.707 casos de pessoas desalojadas e desabrigadas. A Defesa Civil do Estado também registrou 100 óbitos e 19 desaparecidos. No total, são mais de 1,5 milhão derpessoas afetadas.

Pesquisadores apontam que o motivo da enxurrada é resultado de uma seqüência de eventos meteorológicos. O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônica (INPA), Antonio Manzi, explica que um bloqueio atmosférico foi o responsável pelo início das chuvas. No entanto, ainda não é possível dizer porque o fenômeno ocorreu em Santa Catarina, já que a intensidade de chuva no local não é comum nesta época do ano.“Há algumas situações atmosféricas da variação do tempo no dia-a-dia que estabelecem uma massa de ar com alta pressão sobre uma região, e aí ela não deixa passar, por exemplo, as frentes frias que vem do sul, que chegam até a região e não conseguem avançar. Isso produz chuva no local”, diz.Manzi argumenta que é possível relacionar a enxurrada catarinense com as mudanças climáticas globais. Mesmo que ainda não existam dados suficientes, estudos prevêm que as mudanças globais vão aumentar os fenômenos climáticos.

O meteorologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Olívio Bahia do Sacramento, relata que o fato dos eventos meteorológicos ocorrerem por dias consecutivos, acentuou a quantidade das chuvas. “Nós tivemos um intenso anti-ciclone atuando sobre o Atlântico e a circulação associada a ele trazia muita umidade do oceano para o continente. Além desses ventos, tivemos outro sistema meteorológico atuando em torno de quatro, cinco mil metros de altura, que era o vórtice ciclônico, que intensificava ainda mais a instabilidade provocando grande volume de chuva ”, explica.

Diante da calamidade que tomou o Estado durante a enxurrada, os pesquisadores concordam que um planejamento urbano, que preveja eventos de tal magnitude, é o único modo de minimizar os efeitos. Sacramento, do INPE, pondera que, assim como outros Estados, Santa Catarina não está preparada para agir numa situação de emergência deste tipo.

Imagem: Agência Chasque/Paula Cassandra

Fonte: Envolverde/Agência Chasque

Clima fará 200 milhões de refugiados ambientais, diz estudo

Um estudo da Universidade de Oxford, na Inglaterra, alerta que 200 milhões de pessoas em todo o mundo poderão ter de abandonar suas cidades até meados do século por causa de chuvas, tempestades e outros desastres naturais. O fenômeno registrado em Santa Catarina seria um desses exemplos de desastres naturais que estariam ganhando novas proporções e ocorrendo de forma cada vez mais freqüentes.

Esses desastres estariam ficando cada vez mais freqüentes por causa das mudanças climáticas, fato que foi confirmado no ano passado pelos estudos do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). Norman Myers, autor do estudo da Oxford, aponta que a fuga dessas 200 milhões de pessoas também seria gerada por secas prolongadas em outras regiões do planeta e mesmo pelo aumento dos níveis do mar.

Na prática, isso significaria que 2% da população mundial até 2050 teria já passado pela experiência de perder sua casa por causa de um desastre natural ou ter de abandonar sua terra simplesmente por ele ter se transformado em uma zona semi-árida. As estimativas ainda apontam que o número de "refugiados ambientais" se multiplicará por dez em apenas 50 anos. No final dos anos 90, as estimativas da Oxford era de que existiam 25 milhões de pessoas que saíram de suas regiões por problemas climáticos.

A região de Santa Catarina já entrou para o mapa das zonas consideradas como passíveis de desastres naturais pela Organização Meteorológica Mundial. Isso ocorreu depois do furacão que atingiu a região em 2004. Naquele ano, o Estado brasileiro foi incluído em um mapa utilizado pela agência internacional para demonstrar que o número de eventos meteorológicos extremos estava aumentando em todo o planeta.

Apesar disso, a porta-voz da ONU para desastres humanitários, Elisabeth Byrs, confirmou ao Estado que o Brasil não pediu ajuda internacional para lidar com a crise.

Fonte: Jamil Chade/ Estadão Online

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Ocupação humana contribui para a tragédia de Santa Catarina

Por Paula Scheidt, do CarbonoBrasil

Especialistas afirmam que o processo de urbanização inadequada ajudou a provocar o desastre no estado, especialmente no Vale do Itajaí, e alertam que ainda é precipitado relacionar o problema às mudanças climáticas.

Ainda é cedo para relacionar a tragédia das chuvas em Santa Catarina com possíveis mudanças no clima causadas pelo aquecimento global, porém a ação humana é um fator que, para muitos especialistas, aumenta indiscutivelmente a vulnerabilidade a eventos climáticos extremos e pode ser incluída como um dos fatores que provocaram este desastre.

“O Sul do Brasil é uma região de chuvas abundantes, então cada vez mais terá que se pensar no processo de ocupação urbana”, comenta a coordenadora de previsão do tempo do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina (Ciram/Epagri), Laura Rodrigues, que destaca ser precipitado relacionar este evento ao aquecimento global.

“Tivemos um volume muito grande de chuvas, mas já tivemos condições atmosféricas similares, como em dezembro de 1995, que provocou enchentes na Grande Florianópolis”, afirma.

Apesar das condições atmosféricas anormais, Laura ressalta que não se pode apenas querer culpar a chuva pelo problema. O modo como crescem as cidades, sem a devida atenção para os limites ambientais, aumenta a vulnerabilidade a desastres. “Cada vez mais, com a maior ocupação, construções irregulares, a situação ficará pior. Fatores como desmatamento também acabam contribuindo com o desastre”, diz Laura, ressaltando que, uma inundação como esta a 10 anos atrás não causaria tantos estragos.

O processo de urbanização aumenta a impermeabilização do solo que, nas áreas planas, reforça o problema das enchentes e, nas de encostas, acelera a velocidade de descida da água. A professora de Arquitetura e Urbanismo Maria Inês Sugai, da Universidade Federal de Santa Catarina, alerta também para a ocupação inadequada nos morros.

Maria Inês explica que a construção de servidões perpendiculares que cortam o morro na vertical ao invés de acompanhar as curvas de níveis fragiliza a estrutura ambiental e coloca a área em risco de deslizamentos. “É uma prática que herdamos dos portugueses, nos séculos 18 e 19. Porém hoje temos tecnologia, regulamentações e sabemos que isto é inadequado. A prefeitura não poderia aceitar este tipo de ocupação”, afirma. Ao invés de linhas verticais, o correto seria a construção de estradas como a Serra do Rio do Rastro, no planalto catarinense.

A falta de muros de contenção, inclusive nas estradas, e o desmatamento também são fatores que contribuem para o desastre. “A vegetação ajuda a segurar a terra e dependendo do tipo de solo, varia o recorte que deve ser feito no morro”, afirma Maria Inês.

A metereologista Cláudia Camargo, também da Ciram/Epagri, reforça que a alteração do solo é um fator muito importante para explicar esta tragédia, principalmente devido ao grande número de deslizamentos registrados. “No momento em que você retira o solo do morro e coloca asfalto, constrói uma casa, você altera a drenagem natural e colabora para que o efeito do excesso de chuvas seja mais drástico”, afirma.

Chuvas em excesso

Laura explica que, com relação ao sistema climático, foram diversos fatores que convergiram para esta situação, como a primavera chuvosa no estado, que deixou os solos encharcados; a maré alta, que dificultou o escoamento das águas do rio para o oceano, além, é claro, do volume elevado de chuvas, que em três ou quatro dias alcançou 500 mm. “Isto significa jogar 500 litros de água em um metro quadrado, praticamente uma caixa d´água”, compara. No mês de novembro o volume de chuvas passou de 900 mm no Vale do Itajaí, enquanto que a média para o mês de novembro é de 150 mm.

Itajaí fica debaixo d´águaDe acordo com o Ciram/Epagri, entre sexta e domingo (21 e 23/11) choveu até o dobro da média prevista para todo o mês em municípios catarinenses como Balneário Camboriú (455 mm), Itajaí (403 mm), Blumenau (300 mm), São José (254 mm) e Florianópolis (216 mm).

Com base em estudos que mostram os efeitos das mudanças do clima em Santa Catarina nos últimos anos, Cláudia não descarta a hipótese de que as mudanças climáticas possam ter influenciado estas enchentes. “Pode haver uma relação, até porque outros estudos tendem a um aumento nas temperaturas, mas tudo precisa ser cientificamente comprovado antes de tirarmos qualquer conclusão”, afirma.

Reflexo para o futuro das cidades

O cientista Carlos Nobre, do Instituto de Pesquisas Aeroespaciais (Inpe), coordenador dos estudos sobre mudanças climáticas no país, afirma que a tragédia que acontece em Santa Catarina é um espelho do futuro das cidades brasileiras. “Seriam necessários estudos com dados de cem anos. Mas já é possível dizer que, se o aquecimento continuar, as cenas de Santa Catarina serão muito repetidas”, disse. Segundo Nobre, as indicações são de extremos de chuvas torrenciais e grandes secas.

Para o jornalista Washington Novaes, entrevistado pelo Projeto "Percepção de Risco, a descoberta de um novo olhar", "estamos despreparados, desinformados e desatentos para as mudanças que já estão acontecendo. As reuniões da Convenção do Clima têm falado muito em mitigação e adaptação. Mitigação no sentido de como é que vai se fazer para reduzir esses impactos e segundo, como fazer para se adaptar aos impactos que já se tem". O projeto é desenvolvido pelo Departamento Estadual de Defesa
Civil e Centro de Estudos e Pesquisas sobre Desastres da UFSC.

Entenda o sistema atmosférico que causou as chuvas em Santa Catarina - http://ciram.epagri.rct-sc.br/portal/Controlador?command=ExibirNoticia&module=website&idNotic=441&tipo_notic=meteorologia&ixFoto=0&pag=0

Estudo “Mudanças climáticas globais e seus efeitos sobre a biodiversidade”, do Ministério do Meio Ambiente - http://www.mma.gov.br/estruturas/imprensa/_arquivos/livro%20completo.pdf


Crédito de imagem: Neiva Daltrozo/Secom


Fonte: Envolverde/CarbonoBrasil

Mudanças climáticas podem reduzir economia do Nordeste em até 11% até 2050

Por Alana Gandra, da Agência Brasil

Rio de Janeiro - As mudanças climáticas terão efeito sobre a economia brasileira, especialmente a do Nordeste, de acordo com o estudo Migrações e Saúde: Cenários para o Nordeste Brasileiro- 2000/2050. O estudo foi elaborado para a Embaixada Britânica pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar) da Universidade Federal de Minas Gerais e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Esse efeito, medido ano após ano, sinaliza que o Produto Interno Bruto (PIB) do Nordeste vai cair 11,4% até 2050, como resultado das variações do clima. O PIB é a soma das riquezas produzidas no país. “Ano após ano, até 2050, o efeito das mudanças climáticas, por meio do choque no setor agropecuário, seria uma queda de 11,4% do PIB”, afirmou à Agência Brasil o professor Alisson Barbieri, coordenador da pesquisa pelo Cedeplar/UFMG.

De acordo com o estudo, essa perda equivaleria a dois anos de crescimento econômico da região, com base no desempenho registrado entre 2000 e 2005.

A pesquisa mostra que a redução que as mudanças climáticas tendem a provocar na disponibilidade de terras agricultáveis no Nordeste será mais drástica nos estados do Ceará (-79,6%) e Piauí (-70,1%), seguidos da Paraíba (-66,6%) e de Pernambuco (-64,9%). Barbieri esclareceu que no caso do Ceará e Piauí deve ocorrer limitação das chamadas “terras aptas” para os principais tipos de cultivo na região nordestina, conforme denominam os técnicos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que participaram do trabalho.

Em termos de PIB, o estudo revela que as maiores perdas serão registradas em Pernambuco (-18,6%), na Paraíba (-17,7%), no Piauí (-17,5%) e Ceará (-16,4%). Barbieri disse que a metodologia adotada pelos pesquisadores permitiu captar o efeito de uma variação do PIB agrícola e sua repercussão sobre todos os outros setores agrícolas.

Em razão disso, os setores que poderão ser mais afetados são os de serviços e indústria, principalmente aquela voltada para o processamento de alimentos, mais vinculada à agricultura. “Esses estados apresentam uma articulação forte com o setor agrícola. Então, haveria o que os economistas chamam de encadeamento entre os choques traçados para o setor agrícola e a economia como um todo”.

O professor da UFMG explicou que, em contrapartida, o estado de Sergipe deve ser o menos atingido pelos choques climáticos. A projeção é de que até 2050 o PIB estadual caia apenas 3,6%. “No caso de Sergipe, haveria uma variação menor em termos de terras inaptas para a agricultura em função das mudanças climáticas. Isso quer dizer que os efeitos climáticos sobre Sergipe seriam menos intensos quanto à redução da aptidão das terras”. O estudo prevê que o estado perderia apenas 5,3% de terras agricultáveis.


Fonte: Envolverde/Agência Brasil

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Brasil terá saldo ambiental positivo em 2050, diz estudo

Por Redação Akatu

O Brasil e a Rússia são os únicos países do mundo que projetam saldos positivos resultantes da combinação entre o crescimento da economia e a conservação dos recursos naturais para 2050. O dado consta do estudo “Balanço das Nações: uma reflexão sobre o cenário das mudanças climáticas”, realizado pela Universidade de São Paulo (USP).

No caso brasileiro, investimentos em matrizes energéticas mais limpas e a abundância de florestas conferem o crédito positivo de 544 bilhões de dólares, o que garante ao país condições melhores para enfrentar as mudanças climáticas e mais oportunidades de negócios. O estudo foi apresentado durante o evento “Amazônia - Dilemas e Oportunidades”, promovido pela Câmara Americana de Comércio (Amcham), em São Paulo.

“Trata-se do excedente de créditos de carbono em relação ao que se polui. O valor é positivo graças às florestas brasileiras, especialmente à Amazônia”, afirma José Roberto Kassai, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA/USP) e coordenador da pesquisa. Uma situação privilegiada, segundo o professor, que precisa ser levada em conta pelos brasileiros: “é dela que dependemos, é nossa maior riqueza”.

Baseada na metodologia básica de contabilidade empresarial, o estudo avaliou os excedentes de sete países (Brasil, Rússia, Índia, China, Estados Unidos, Alemanha e Japão) até 2050. A análise envolveu seis pesquisadores da Universidade de áreas que vão de contabilidade a biologia.

Cenário preocupante

Os números projetados para o Brasil e Rússia são uma exceção no cenário mundial, pois o resto do mundo apresenta um déficit de mais de 15 trilhões de dólares por ano. “O balanço planetário aponta um patrimônio líquido negativo de cerca de dois mil dólares anuais para cada um dos mais de seis bilhões de habitantes, ou seja, eles não terão renda insuficiente para honrar seus compromissos com a preservação do meio ambiente, o que colocará a necessidade de redução das emissões ou negociação de créditos de carbono de outras nações”, explica Kassai.

Para Kassai, as situações privilegiadas do Brasil e da Rússia não serão suficientes para suportar o cenário geral, pois, juntos, os dois países representam menos de 5% do déficit total. “É fundamental que países como os Estados Unidos e a China comecem a tomar medidas concretas para diminuir as emissões”, diz Kassai.

O Estudo

A amostra considerada para o estudo incluiu sete países de grande relevância no mundo moderno. Juntos, eles representam 32% da área emersa do planeta, 50% da população mundial e 68% do Produto Interno Bruto (PIB) global. Os cenários futuros relativos ao meio ambiente empregados no levantamento são os gerados pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês), órgão da Organização das Nações Unidas (ONU).

A grande inovação do estudo foi a metodologia usada: através da equação básica da contabilidade empresarial, os pesquisadores calcularam o patrimônio líquido ambiental de cada país, buscando saber o custo do crescimento econômico em relação à preservação e manutenção dos recursos naturais. No cálculo, entraram variáveis como o PIB, o consumo médio de energia da população per capita de cada país, suas reservas florestais e matriz energética.


Fonte: Envolverde/Instituto Akatu

Aumento do nível do mar leva Maldivas a procurar território

O presidente eleito da República das Maldivas, Mohamed Nasheed, anunciou planos para comprar um novo território para o seu povo.

Ele está tão preocupado com o aumento do nível do mar causado pelo aquecimento global que acredita que os habitantes das ilhas que formam o país podem acabar tendo que se estabelecer em outros países.

Com suas praias de areias brancas, palmeiras e mais de mil ilhas e atóis de coral banhados pelas águas do Oceano Índico, as Maldivas, um ex-protetorado britânico, parecem um paraíso.

Mas seu território está encolhendo a cada ano. No último século, o nível do mar em partes do arquipélago subiu quase 20 centímetros.

As Maldivas são a nação com a costa mais próxima ao nível do mar no mundo - seu relevo mais alto fica dois metros acima do nível do mar.

A Organização das Nações Unidas (ONU) estimam que o nível do mar pode subir globalmente até quase 60 centímetros este século.

Nasheed teme que até uma elevação pequena possa levar à inundação de algumas ilhas. "Nós não podemos fazer nada para impedir as mudanças climáticas sozinhos, então temos que comprar terra em outro lugar. É uma apólice de seguros para o pior quadro possível", afirmou.

O turismo traz milhões de dólares para o país anualmente. O plano do presidente eleito é criar o que ele qualifica como um "fundo soberano" - aplicação de parte das reservas internacionais em investimentos de maior risco e retorno - gerado pela "importação de turistas" da forma como os países árabes fizeram com a exportação de petróleo. "O Kuwait investiu em empresas, nós vamos investir em terras", afirmou.

Nasheed procura um lugar próximo com cultura, culinária e clima semelhantes - possivelmente na Índia ou Sri Lanka. Mas a Austrália também está sendo levada em conta por causa das dimensões de territórios não ocupados. Ele teme que, se não tomar medidas prevendo o futuro, os descendentes dos 300 mil habitantes das ilhas Maldivas podem se tornar refugiados ambientais.

"Nós não queremos deixar as Maldivas, mas não queremos ser refugiados vivendo em tendas por décadas", concluiu Nasheed.

Fonte: G1

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Futuro do planeta preocupa jovens cientistas

Por Talita Mochiute, do Aprendiz

A questão ambiental esteve no centro da atenção dos jovens cientistas do Ensino Médio e Técnico que participaram da Mostra Internacional de Ciências e Tecnologia (Mostratec), que terminou no dia 1 de novembro em Novo Hamburgo (RS). Dos 220 projetos apresentados na feira, 50 deles estavam inscritos na área de meio ambiente.

Trabalhos de outras áreas também se relacionavam à preocupação ambiental. Por exemplo, os estudantes Everton Hörlle, Michel Rocha e Henrique Kolling, do Centro Tecnológico do Couro Senai, da cidade de Estância Velha (RS), com projeto inscrito na área de Química, estudaram uma alternativa para o reuso de óleo de cozinha. Por meio de tratamento químico, conseguiram transformar o óleo de soja em óleo para engraxar couros.

Já as alunas Luciana Canova e Maila Cardoso, da Fundação Liberato, de Novo Hamburgo (RS), desenvolveram um processo de reciclagem de CDs e DVDs. “Sempre lia as notícias sobre apreensão de mídias piratas e ficava pensando qual era o destino desse lixo”, comentou Luciana. “O nosso objetivo era reaproveitar o policarbonato, um tipo de plástico, presente nestas mídias”, explicou Maila.

Segundo as estudantes, após pesquisas bibliográficas e experimentos, chegaram a um processo eficiente e viável de reciclagem do policarbonato. “Primeiro, realizamos limpeza por jato de microesfera nos CDs. Removida a tintura da mídia, o plástico passa por moagem e secagem. Em seguida, levamos as partículas para uma máquina de injeção. Neste processo, o plástico é derretido e injetado em moldes utilizados na indústria”, descreveu Luciana. As jovens ainda testaram a qualidade da matéria-prima reciclada e os resultados foram positivos. A próxima parte da pesquisa é realizar o estudo dos custos desse processo em grande escala.

Também preocupados com o impacto ambiental os estudantes Gustavo Link, Giácomo Bonorino e Lucas Piffer, da Fundação Liberato (RS), pesquisaram a quantidade da poluição causada pelo desgaste das pastilhas de freio. “Consultamos um artigo do Instituto Fraunhofer, da Alemanha, que discutia o perigo da liberação do cobre, zinco e chumbo (componentes dos freios) ao meio ambiente. Esses metais pesados têm ainda efeito acumulativo no corpo humano”, explicou Lucas.

O estudo levantou a emissão desses poluentes apenas em Novo Hamburgo (RS). Outro recorte foi estimar poluição de veículo de passeios. Os cálculos estatísticos dos jovens cientistas mostraram que cerca de quatro mil toneladas de metais pesados foram emitidas ao meio ambiente. “Com esses resultados, queremos justificar nossa futura pesquisa. O objetivo agora é propor melhorias na composição das pastilhas de freio”, afirmou Lucas.

Os estudantes chilenos Dylan Jeremy Noriega Duran e Daniela Patrícia Pizarro Pumarino, da Escola D-65 Padre Gustavo Le Paige, criaram um forno solar. “Em nossa cidade, Antofogasta, o clima é desértico e a temperatura elevada. Considerando esses dois fatores, fizemos uma pesquisa estatística e descobrimos um total desconhecimento de como utilizar a energia solar”, explicou Dylan sobre o surgimento da idéia.

Para a construção do forno solar, os alunos utilizaram caixa de madeira, papel alumínio, espelho e vidro. De acordo com os estudantes, o alimento deve ser colocado no interior da caixa e permanecer por uns 20 minutos. A luz entra pela tampa de vidro. O alumínio, o espelho e a pintura preta ajudam absorver e difundir o calor. “É uma proposta para pensarmos mais no uso da energia solar em nosso cotidiano”, conclui Dylan.

Conscientização e ação

As irmãs Cassanti, Ana Claudia e Ana Clara, e Felipe Fernandes, do Colégio Dante Alighieri (SP), apresentaram na Mostratec o trabalho realizado no programa Embaixadores do Clima. Realizado pelo British Council, organização internacional do Reino Unido para Educação e relações culturais, o programa oferece treinamento a estudantes sobre as mudanças climáticas para serem multiplicadores do tema.

“Acreditamos ser importante o conhecimento sobre a problemática do aquecimento global para todos. Nós disseminamos aos alunos de nossa escola o que aprendemos nas palestras e também propomos a eles ações”, explicou Ana Claudia.

Uma dessas atividades foi plantar mudas de árvores com estudantes do próprio colégio e do Ensino Público. No momento, as irmãs estão criando uma sacola feita de garrafas PET para ser colocada nos carrinhos de supermercado. “A proposta é conscientizar as pessoas para substituição de sacolas plásticas por sacolas PETs”, comentou Ana Clara.
Fonte: Envolverde/Aprendiz

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Mudanças Climáticas - Princípios Humanitários e Solidários

Por Israel Klug

Objetivando promover o engajamento e criação de uma rede formada por pessoas e instituições relacionadas com o tema das mudanças climáticas e em encontrar soluções práticas para a mobilização de comunidades locais em torno desta temática, a IFES - International Fellowship of Evangelical Students promoveu de 20 a 25 de outubro o "IFES - Symposium on Climate Change" na cidade de Montego Bay - Jamaica.

Estiveram presentes cientistas de reconhecida atuação no tema e pós graduandos de dezenove países. A conferência de abertura foi presidida pelo Sir John Houghton, professor da Universidade de Oxford, que participou da direção do IPCC - International Panel on Climate Change - Nações Unidas.

Nos cinco dias houveram conferências a respeito do cenário atual e modelos de previsão das mudanças climáticas, enfatizando impactos globais e locais. Foram feitas apresentações importantes sobre os países em desenvolvimento e a pobreza, onde são estimados, a curto prazo, os impactos mais desastrosos.

As discussões científicas subsidiaram reflexões a respeito da necessidade de um novo modelo de vida, baseado em princípios humanitários e solidários para com a biosfera. O escritor e teólogo Vinoth Ramachandra - Sri Lanka - conduziu reflexões a respeito dos princípios necessários a um engajamento que ultrapasse o sentimento egoísta baseado na necessidade de sobrevivência. Esses princípios foram inspirados em Cristo, e conduziram críticas sobre o distanciamento histórico da comunidade cristã e os ensinamentos de Cristo relativos ao ambiente e a humanidade solidária.

As principais declarações e conclusões do simpósio reconhecem as mudanças climáticas e seus resultados negativos sobre a biosfera, identificando princípios necessários a uma nova forma de vida e organização social para o enfrentamento global deste tema.

Os participantes declararam que os ensinamentos de Cristo trazem importantes direcionamentos para a humanidade solidária com sua casa - o Planeta Terra - e todos os seus habitantes. Reconhecendo que a comunidade Cristã tem falhado no engajamento prático destes princípios, mas que o seu engajamento ao redor do mundo pode contribuir com o enfrentamento das mudanças climáticas.

Neste sentido, houveram apresentações sobre projetos ambientais em comunidades cristãs. O Brasil demonstrou vanguarda apresentando as ações do Programa de Educação Ambiental e Mobilização Social nas Igrejas Evangélicas Brasileiras, coordenado pela ONG conservacionista A Rocha Brasil.

Desde o Fórum Social Mundial - 2005 ocorrem mobilizações em torno deste tema no Brasil, onde foi lançada a rede Jubileu da Terra com a presença da então ministra do meio ambiente Marina Silva. Culminando em 2006 e 2007 na realização do "Fórum Missão Integral: Ecologia e Sociedade" que congrega pessoas e instituições em torno das questões ambientais.

Para saber mais:

http://ifessocc.wordpress.com/
http://www.arocha.org/br-pt/176-DSY.html
http://www.ultimato.com.br/?pg=show_conteudo&util=1&categoria=1&registro=850

Sociedade civil quer que o governo defina metas de redução de emissões de gases de efeito estufa

Por Redação do ISA

Documento a ser entregue ao Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, nessa quarta-feira (29), considera o Plano Nacional de Mudanças Climáticas do governo insuficiente para atender a urgência de redução de emissões de gases que causam o aquecimento global. Pede ainda que seja elaborado um novo plano.

As principais organizações da sociedade civil ligadas ao tema das mudanças climáticas entregam nesta quarta-feira (29), ao ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, um "manifesto" exigindo que o país assuma posição firme e imediata em prol da fixação de metas de redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE), que devem ser quantificáveis, reportáveis e verificáveis. A iniciativa deve constar do Plano Nacional de Mudanças Climáticas a ser alinhavado pelo Executivo, da Política Nacional de Mudanças Climáticas (em elaboração no Congresso Nacional) e da posição brasileira nas tratativas para fixação de compromissos internacionais nas próximas Conferências das Partes.

A definição de metas segundo os signatários do manifesto proporciona oportunidade para a criação de soluções tecnológicas inovadoras, garantindo a médio e longo prazo a competitividade da economia brasileira. O manifesto também considera que a formulação de um Plano sem um marco legal inovador e criador de instrumentos jurídicos é insuficiente. As ONGs reafirmam a necessidade da aprovação urgente da Lei de Política Nacional de Mudanças Climáticas no Congresso Nacional, antes de se fixar o conteúdo definitivo do Plano. A expectativa da sociedade é que a lei represente um avanço significativo do compromisso da sociedade brasileira no combate ao aquecimento global, reafirmando a liderança brasileira no tema nas negociações internacionais e no plano interno do país.

Demandam ainda que o governo federal dê mais prazo para que a sociedade possa apresentar suas propostas e participar de modo efetivo da consulta pública ao Plano Nacional de Mudanças Climáticas. Com apenas 30 dias para a manifestação da sociedade, a consulta pública se encerra esta semana. A falta de tempo para uma discussão mais profunda por parte da sociedade desagradou os ambientalistas, que consideram o prazo exíguo dado pelo governo “incompatível com um trabalho sério e conseqüente para a construção de uma matéria de tal magnitude, de alto impacto socioeconômico e ambiental”.

No documento, eles repudiam a hipótese de que o Plano governamental, da maneira como foi elaborado, seja levado à próxima Conferência das Partes da Convenção do Clima no mês em Dezembro na Polônia devido à sua “incompletude, falta de consulta pública adequada e ausência de metas de redução das emissões de gases de efeito estufa”. Essas são algumas das críticas das ONGs que assinam o manifesto, entre elas: Instituto Socioambiental (ISA), Conservation International (CI), Fundação O Boticário, Governos Locais pela Sustentabilidade (ICLEI), Greenpeace, Instituto de Pesquisas da Amazônia (IPAM), SOS Mata Atlântica, Instituto Internacional de Educação do Brasil - IEB, Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem - SPVS, The Nature Conservancy (TNC), Instituto Bioatlântica (IBIO). O manifesto foi articulado pelo Observatório do Clima (http://www.oc.org.br).

Manifesto por outro Plano Nacional de Mudanças Climáticas

As entidades signatárias do presente documento vêm a público afirmar que o país deve assumir posição firme e imediata em prol da fixação de metas de redução de emissões de gases de efeito estufa, que devem ser quantificáveis, reportáveis e verificáveis. Tais iniciativas devem constar da Política e do Plano Nacional de Mudanças Climáticas e dos compromissos internacionais a serem fixados nas próximas Conferências das Partes. A definição de metas proporciona oportunidade de soluções tecnológicas inovadoras, garantindo a médio e longo prazo a competitividade da economia brasileira.

O Plano não apresenta "adicionalidade" e representa apenas um bom levantamento das iniciativas em curso. Revela graves deficiências, tais como:

  • ausência de avanços sobre as principais fontes de emissões brasileiras, a mudança do uso do solo e desmatamento;
  • omissão quanto ao papel dos estados e municípios;
  • não estabelecimento de medidas específicas para biomas não-amazônicos;
  • absoluta falta de prazos e alocação de recursos para medidas prioritárias no bioma amazônico, tais como regularização fundiária, implantação das Unidades de Conservação e iniciativas que inibam a impunidade dos desmatadores;
  • inclusão indevida da expansão da energia nuclear;
  • ausência de propostas de melhoria dos programas existentes para energias renováveis e de mecanismos efetivos para ampliação da base tecnológica de geração desse tipo de energia;
  • indefinição de um plano para geração descentralizada de energia elétrica;
  • negligência da importância dos oceanos como maiores sumidouros do planeta;
  • inexistência de previsões sobre transporte sustentável, de modo a melhorar o transporte público nas cidades brasileiras, desestimular o transporte individual e reduzir emissões provenientes do setor;
  • falta de instrumentos econômicos e financeiros suficientes e significativos para viabilização da implementação do Plano;
  • abordagem insuficiente de questões relativas a resíduos sólidos e saneamento;
  • negligência quanto aos impactos na saúde e ausência de medidas preventivas e ações práticas;
  • não inclusão do mapeamento de vulnerabilidades como instrumento para medidas de adaptação;
  • falta de salvaguardas socioambientais para produção de biocombustíveis.


Esses fatores, entre outras deficiências, revelam que a formulação de um Plano sem um marco legal inovador e criador de instrumentos jurídicos é insuficiente. Registra-se, portanto, a necessidade da aprovação urgente da Lei de Política Nacional de Mudanças Climáticas no Congresso Nacional, que represente um avanço significativo do compromisso da sociedade brasileira no combate ao aquecimento global, reafirmando a liderança brasileira no tema nas negociações internacionais e no plano interno do país.

Considera-se o prazo exíguo dado pelo governo para comentários e contribuições ao Plano Nacional de Mudanças Climáticas incompatível com um trabalho sério econseqüente para a construção de uma matéria de tal magnitude, de alto impacto socioeconômico e ambiental. Espera-se que o governo não apresente o referido Plano como definitivo, antes de ampliar a consulta à sociedade brasileira.

Repudia-se também a hipótese de apresentação do documento na próxima Conferência das Partes da Convenção do Clima, dada sua incompletude, falta de consulta pública adequada, e ausência de metas de redução das emissões de gases de efeito estufa.

Assinam: Instituto Socioambiental (ISA), Conservation International (CI), Fundação O Boticário, ICLEI Governos Locais pela Sustentabilidade, Greenpeace, Instituto de Pesquisas da Amazônia (IPAM), SOS Mata Atlântica, Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem (SPVS), The Nature Conservancy (TNC), Instituto Bioatlântica - IBIO. O manifesto foi articulado pelo Observatório do Clima (http://www.oc.org.br).

Fonte: Envolverde/Instituto SocioAmbiental

Mudança climática pode alterar área cultivo agrícola do Brasil

Por Redação da Agência Brasil

Brasília - As mudanças climáticas causadas pelo aquecimento global podem forçar a migração de culturas agrícolas típicas de determinadas regiões do Brasil. O Alerta do especialista em mudanças climáticas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Carlos Nobre ao falar no Painel Intergovernamental da ONU para a Mudança Climática (IPCC).

"O Brasil é uma potência agrícola, que tem um potencial muito grande a ser explorado, talvez o maior do mundo. E as mudanças climáticas diretamente afetam a agricultura", disse Nobre a jornalistas após apresentação na sede do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em Brasília. Com a elevação de temperuatura será possível produzir café até mesmo em estados dos Sul, como Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Além da agricultura, segundo o pesquisador, a saúde da população também deve ser impactada pelas mudanças no clima. "Os Estados mais frios, que não tem um problema muito grave ainda de doenças transmitidas por vetores --insetos como os de malária, dengue e outras--, vão ter um clima adequado em 50 anos", comentou.

O desmatamento é o principal responsável pelas emissões brasileiras dos gases do efeito estufa e, nesta quarta-feira, dados do Inpe apontaram queda no desmatamento da Amazônia, para 587 quilômetros quadrados em setembro, contra os 756 quilômetros quadrados do mês anterior.

"Tenho dois recados sérios: precisamos reduzir muito as emissões e precisamos reduzir já", disse Martin Parry, um dos coordenadores do painel, para quem um atraso de 10 anos na tomada de providências contra as emissões resultará no aumento de 0,5 grau Celsius na temperatura média do planeta.

Fonte: Envolverde/Agência Brasil

Jovens querem ação contra mudanças climáticas

Por Marco Alfaro, da Rádio ONU

Pesquisa do Pnuma revela que 88% dos jovens no Brasil, Índia, Rússia, África do Sul e Estados Unidos, querem atitudes mais firmes dos líderes mundiais. O questionário disponível na internet foi respondido por jovens, com idade entre 12 e 18 anos, do Brasil, da Índia, da Rússia, da África do Sul e dos Estados Unidos.

Ações

Os resultados revelam que 88% dos entrevistados querem atitudes mais firmes dos líderes mundiais para combater as mudanças climáticas.

Segundo a pesquisa, os jovens brasileiros, americanos e sul-africanos são os mais críticos. Entre os entrevistados brasileiros, 73% acreditam que os governantes mundiais não estão fazendo o suficiente.

Além disso, quatro em cada cinco jovens acreditam que podem fazer uma diferença para o futuro. Mas, a maioria afirma que precisa de mais informação sobre o que pode ser feito no combate ao efeito estufa.

Para ouvir esta notícia clique em http://downloads.unmultimedia.org/radio/pt/real/2008/0810276i.rm ou acesse: http://www.unmultimedia.org/radio/portuguese/detail/7620.html


Fonte: Envolverde/Rádio ONU

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Europa: Limpeza ambiental diante de um possível retrocesso

Por David Cronin, da IPS

Bruxelas, 07/10/2008 – A União Européia parece ter encontrado um mecanismo para descumprir a promessa de reduzir em 20% suas emissões de gases causadores do efeito até 2010. O Parlamento Europeu analisa a partir de hoje a possível transferência desta meta para projetos “verdes” em países pobres. Os presidentes e primeiros-ministros da UE assumiram no ano passado essa meda de redução nas emissões de dióxido de carbono e outros gases responsáveis pelo aquecimento global, em relação aos índices de 1999, no prazo de 13 anos.


José Manuel Barroso, presidente da Comissão Européia – braço executivo do bloco – disse na oportunidade que o continente deveria se transformar em uma economia de reduzidas emissões de carbono. Mas, em lugar de exigir que as reduções sejam obtidas dentro da UE, uma proposta mais recente permitiria aos países-membros comprar “créditos externos” para que até 8% das reduções aconteçam mediante o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) em países mais pobres.

Previsto no Protocolo de Kyoto, o MDL permite que governos e empresas das nações industriais obrigadas a reduzir suas emissões cumpram em parte investindo em projetos limpos em países em desenvolvimento, para obter reduções certificadas de emissões a custos menores. Alguns ambientalistas acreditam que se o comitê aceitar esta iniciativa e alguns outros esforços para enfraquecer um “pacote de clima e energia”, a reputação da União Européia como auto-proclamada campeão do meio ambiente será afetada.

O não-governamental Fundo Mundial para a Natureza (WWF) disse que a votação representará o maior esforço legislativo para enfrentar a mudança climática que o mundo já viu. Segundo a organização, a UE deve situar-se em um espaço que lhe permita cobrar de outros contaminadores que assumam suas responsabilidades nas conversações internacionais sobre mudança climática que acontecerá em dezembro na cidade polonesa de Poznan e no próximo ano em Copenhague.

As discussões mundiais estão projetadas para servirem de contexto a um tratado que avence em relação ao Protocolo de Kyoto (assinado em 1997 e em vigor desde 2005), que estabelece objetivos de redução nas emissões para um período que terminará em 2012. Delia Villagrasa, assessora de políticas do WWF, disse que a UE deveria se concentrar em garantir que a “vasta maioria” de suas reduções ocorra dentro de seu próprio território. “A União Européia terá de ser líder nas negociações globais se quisermos um tratado global. Que a UE seja vista enfraquecendo seu pacote climático realmente prejudica sua credibilidade nas negociações internacionais”, afirmou.

Nas últimas semanas houve intensas negociações após embates entre europarlamentares especialistas em meio ambiente e indústria. Muitos integrantes dos principais partidos do Parlamento Europeu, os centro-direitistas do Grupo Popular e os centro-esquerdistas socialistas, pedem urgência para que as medidas acordadas não punam as empresas européias. O Parlamento é pressionado para encerrar suas deliberações sobre o pacote climático com rapidez. A França, atualmente na presidência do bloco, é categórica quanto ao trabalho sobre o informe estar completado até o final deste ano.

Entre as questões mais polêmicas figura quais regras deveriam ser aplicadas ao Sistema de Comércio de Emissões do bloco, que fixa um limite geral sobre a quantidade de dióxido de carbono que as empresas podem liberar e que depois lhes permite adquirir permissões para suas emissões. Embora os ecologistas insistam que essas autorizações deveriam ser vendidas e o dinheiro usado para combater a pobreza e proteger o meio ambiente, algumas companhias que consomem grande quantidade de energia alerta que ficarão em desvantagem competitiva caso não recebam gratuitamente essas autorizações.

Fabricantes de produtos químicos, metal, papel, e cimento insinuaram que terão de abandonar a Europa para se instalar em países com padrões ambientais mais baixos se o Sistema de Comércio Exterior lhes for muito caro. Mas, um novo estudo feito pelo centro de pesquisas Climate Strategies indica que os riscos de recolocação são exagerados, estipulando ser improvável que as empresas dedicadas ao aço embalem seu maquinário e abandonem áreas onde têm grandes investimentos de capital. E também, que outros fatores além das leis ambientais têm mais probabilidades de determinar onde uma empresa opera.

Karim Harris da organização Climate Action Network-Europe, disse que alguns lobistas industriais recorrem ao alarmismo. “Se alguém se fixar nas razões pelas quais diferentes empresas abandonaram a Europa no passado verá que não foi por causa de medidas ambientais. Habitualmente isto tem a ver com mão-de-obra mais barata”, ressaltou. Mas, Robert Jeekel, da Eurometaux, que representa os fabricantes de alumínio e outros metais, descreveu o argumento de alarmista como “ridículo”.

Jeekel prevê que o aumento dos custos para a indústria levará as empresas do ramo do alumínio se instalarem na China, que está expandindo seu uso de carvão, uma das fontes de energia mais prejudiciais para a ecologia. O efeito será de perda total, tanto para a indústria européia quanto para o meio ambiente, acrescentou. No entanto, a França apresentou uma nova proposta para adiar a implementação de novas normas sobre as emissões de dióxido de carbono procedentes dos automóveis.

Enquanto o veículo médio na UE emite atualmente 158 gramas de dióxido de carbono por quilômetros. A Comissão Européia quer que isto caia para 130 gramas/Km até 2015. Após a feroz pressão exercida pelas montadoras de veículos pesados, a França recomendou na semana passada que o objetivo fique suspenso até 2015 para dar à indústria mais tempo de se adequar. O Greenpeace reagiu com indignação a esse plano.

“O presidente francês, Nicolas Sarkozy, não pode ignorar o contínuo aumento das emissões do transporte se quer ajudar a Europa a atingir seus objetivos climáticos. Esse acordo será uma notícia ruim para os consumidores europeus e para o meio ambiente”, disse a especialista em transporte do Greenpeace, Franziska Achterberg.

Fonte: IPS

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Cidades: não tão culpadas pelo aquecimento global

Por Redação Agência Fapesp

As cidades são as grandes responsáveis pelo aquecimento global? Sim, mas não da maneira como se imaginava, segundo um estudo que acaba de ser divulgado. A pesquisa aponta que as cidades estão sendo acusadas injustamente por conta das emissões de gases causadores do efeito estufa.

Publicado na edição de outubro da revista Environment and Urbanization, o trabalho afirma que o peso das cidades no total das emissões é de cerca de 40%, muito menos do que os 75% a 80% que têm sido constantemente apontados.

Segundo o estudo, o potencial das cidades de ajudar nas políticas para enfrentar o aquecimento global tem sido prejudicado por conta desse erro de avaliação.

“Acusar unicamente as cidades pelas emissões de gases estufa ignora o papel importante delas como parte da solução para o problema. Cidades bem planejadas e bem administradas podem fornecer altos níveis de vida que não impliquem emissões elevadas”, disse o autor da pesquisa, David Satterthwaite, do Instituto Internacional para Ambiente e Desenvolvimento (IIED, na sigla em inglês).

Agências das Nações Unidas, a iniciativa contra mudanças climáticas lançada pelo governo de Bill Clinton, nos Estados Unidos, e o atual prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, são alguns dos exemplos mencionados pela pesquisa que apontaram ser as cidades responsáveis por mais de 75% das emissões.

Satterthwaite usou dados do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) para demonstrar que dois quintos dos gases têm origem em atividades humanas nas cidades. A agricultura e o desflorestamento seriam responsáveis por cerca de 30%, enquanto os demais 30% derivariam de indústrias pesadas, da queima do carvão e de estações energéticas, entre outras atividades localizadas em áreas rurais ou em centros urbanos menores.

Mas o novo estudo também destaca que simplesmente apontar locais como fontes de emissão pode levar a equívocos. Por exemplo, emissões de estações de energia deveriam ser alocadas para aqueles que consomem a eletricidade, segundo Satterthwaite, e não para os locais onde estão as instalações. Emissões de indústrias também deveriam ser incluídas para os consumidores dos bens fabricados.

“A demanda de consumo dirige a produção de bens e serviços e, por conseqüência, a emissão de gases estufa. Alocar emissões para consumidores, no lugar dos produtores, indicaria que o problema não está nas cidades, mas em uma minoria da população mundial com elevados níveis de consumo. E uma grande parte desses consumidores não vive em cidades, mas ao redor delas”, disse Satterthwaite.

Ao mesmo tempo, alocar as emissões para os consumidores aumentaria as parcelas de emissões globais derivadas da Europa e da América do Norte, evidenciando as pequenas taxas na África, Ásia e América Latina.

Segundo o pesquisador inglês, em geral as pessoas mais ricas, que vivem fora das cidades, são responsáveis por mais emissões de gases causadores do efeito estufa. Além de morar em casas maiores, que gastam mais para serem aquecidas ou resfriadas, esses moradores de condomínios e cidades -dormitório têm mais automóveis e rodam mais por conta do deslocamento para as cidades.

“As formas como as cidades são projetadas e administradas fazem grande diferença. A maioria das cidades nos Estados Unidos usa de três a cinco vezes mais gasolina por habitante do que as européias, mas não têm padrões de vida de três a cinco vezes superiores”, disse Satterthwaite.

O pesquisador destaca que as cidades oferecem muitas possibilidades de reduzir a emissão per capita de gases estufa, como a promoção do uso de bicicletas, de caminhar ou do transporte público, além da construção de edifícios que precisem de muito menos energia para aquecimento ou resfriamento.

“Atingir as reduções necessárias nas emissões mundiais depende de realizar o potencial das cidades em combinar alta qualidade de vida com baixas emissões de gases estufa”, destacou.

O artigo Cities' contribution to global warming: notes on the allocation of greenhouse gas emissions, de David Satterthwaite, pode ser lido por assinantes da Environment and Urbanization em http://eau.sagepub.com.


(Agência Fapesp)