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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Brasileiro está ficando mais preocupado com o aquecimento global

Pesquisa mostra que para 60% dos entrevistados mudanças climáticas são algo muito grave

O aquecimento global está deixando o brasileiro mais preocupado. Pesquisa da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e do Ibope apresentada nesta terça-feira (7) na Conferência do Clima, em Cancún, mostrou que o aquecimento global foi considerado muito grave por 60% dos entrevistados. Na pesquisa realizada no ano passado, 47% pensavam dessa forma.

Mas é o desmatamento das florestas o tema ambiental que mais preocupa o brasileiro. Ele foi citado por 44% dos entrevistados, seguido pela poluição da água (32%) e pelo aquecimento global (26%).

A pesquisa também mostrou que 47% dos entrevistados acreditam que é possível conciliar proteção ambiental com crescimento econômico, e 51% aceitariam pagar mais por produtos ecologicamente corretos.

“Isto desmente algumas antigas crenças de as pessoas achassem que o desenvolvimento pode ser barrado pela preservação do meio ambiente”, disse Heloisa Menezes, diretora de Relações Institucionais da CNI.

A maioria dos pesquisados (78%) atribui às ações humanas o fato de a temperatura da Terra estar aumentando; 11% acreditam que o aquecimento global é um processo natural; e os outros 11% não souberam responder.

Fonte: Maria Fernanda Ziegler - IG

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Cancún: Países em desenvolvimento acusam Japão de bloquear as negociações

Os países em desenvolvimento acusam o Japão de bloquear as negociações sobre as alterações climáticas depois do país ter recusado qualquer prolongamento ao Protocolo de Quioto.
O Japão afirmou, ontem, pela voz do conselheiro do ministro do Ambiente, que não vai apoiar um prolongamento do Protocolo de Quioto além de 2012, que não inclua os Estados Unidos e a China.

"Cancún não chegará a nenhum acordo bem sucedido", se o Japão mantiver a recusa de prolongar o Protocolo de Quioto, afirmou do grupo que representa 77 países em desenvolvimento e a China, Abdulla Alsaidi, citado pela Reuters.

O vice-ministro do Ambiente japonês, Hideki Minamikawa, afirmou, hoje, em conferência de imprensa, que "não faz sentido" prolongar Quioto. O responsável defendeu que é necessário um acordo mais amplo, já que, actualmente, Quioto, representa apenas 27% das emissões globais. "Precisamos de alcançar reduções globais", defendeu.

O Protocolo de Quioto envolve 37 países em desenvolvimento, excepto os Estados Unidos, e a União Europeia e prevê o corte de 5,2% das emissões, entre 2008 e 2012, face aos níveis de 1990.

Os Estados Unidos nunca ratificaram este acordo e aos países em desenvolvimento não são exigidas metas de redução de emissões.

Christiana Figueres, representante máxima das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, afirmou que a posição do Japão sobre esta questão já era conhecida antes da Cimeira de Cancún.

"Dada a diversidade de posições sobre o Protocolo de Quioto, não vai ser possível alcançar um decisão sobre o protocolo durante a Cimeira de Cancún", afirmou Christiana Figueres.

Sucesso de Cancún é "remoto" sem prolongamento de Quioto

A Índia também reagiu às afirmações do representante japonês em Cancún. O ministro do Ambiente indiano sublinhou que o sucesso de Cancún é "remoto" se os países não aceitarem prolongar Quioto.

"Se não existir um compromisso para um segundo período do Protocolo de Quito, então as perspectivas de um resultado positivo em Cancún são muito remotas", afirmou Jairim Ramesh.

"O Protocolo de Quioto é a principal base do trabalho para resolver as alterações climáticas através da cooperação internacional. Se o pilar entrar em colapso, podem imaginar as consequências", afirmou o enviado chinês a Cancún, Su Wei.

Já o representante do Brasil, Luiz Alberto Machado, defendeu que o Protocolo de Quioto "tem que continuar". "De outra forma, as negociações podem desmoronar", alertou.

A posição adoptada pelo Japão, já que qualquer acordo terá que ser tomado por unanimidade, e o Japão é o quarto maior emissor do mundo, depois da China, dos Estados Unidos e da Rússia.

Por Ana Luísa Marques - Negócios On line - Pt.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Fórum anuncia reforço na Política para a área de Mudanças Climáticas

  
O Brasil emitiu 2,192 bilhões de toneladas de gás carbônico equivalente (tCO2eq), em 2005, e devido as novas políticas na área ambiental, deve alcançar a redução de 1,775 bilhões de tCO2eq enviados à atmosfera em 2009. A informação foi dada nesta terça-feira (26) pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, na Reunião Anual do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, no Palácio do Planalto, em Brasília. Pelos cálculos do ministro, a queda pode chegar a 0,9 (33,6%) em relação a 2004, quando houve um pico das emissões brasileiras, de 2,6 bilhões de toneladas de CO2eq. A estimativa de redução está baseada na queda da taxa de desmatamento da Amazônia.

"Em 2009, o número do desmatamento na Amazônia foi de sete mil quilômetros quadrados aproximadamente. Um número bem menor quando comparado com os quase 20 mil verificados em 2005 e 25 mil em 2004. A tendência é de que tenhamos uma redução para cinco mil km² na taxa de 2010. Uma queda estimada de 25 a 30%", disse Rezende, baseado em levantamento do Programa de Monitoramento da Floresta Amazônica (Prodes), coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT), a ser consolidado no mês que vem.

Na avaliação do governo, o novo quadro coloca o País em boas condições para cumprir o compromisso voluntário de redução das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) entre 36 e 39% em 2020. A proposta foi apresentada pelo Brasil na 15ª Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP15), realizada em Copenhague, na Dinamarca, em 2009. Segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o país deve antecipar em quatro anos o compromisso assumido. "Mesmo com o crescimento, o Brasil tem o menor índice de desmatamento dos últimos 21 anos, com isso vamos antecipar a meta para 2016", projetou.

Além da apresentação da publicação com as informações referentes à Segunda Comunicação Nacional do Brasil à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima a ser enviada, em março de 2011, à Convenção sobre Mudança do Clima, também foi assinado na reunião do Fórum o Decreto de Regulamentação do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, e as diretrizes e ações estratégicas voltadas para cinco setores específicos: energia, siderurgia, agricultura e combate ao desmatamento na Amazônia e no Cerrado.

Inventário

A Segunda Comunicação Nacional apresenta dados sobre os programas e ações relativos à mudança do clima, desenvolvidos até 2010 e inclui o Inventário Nacional de Emissões Antrópicas por Fontes e Remoções por Sumidouros de Gases de Efeito Estufa, para o período de 1990 a 2005.

O inventário é um dos principais instrumentos para a definição de ações previstas na Política Nacional sobre Mudança do Clima porque reúne informações sobre as emissões nos diversos setores da atividade econômica. O documento avançou em cinco anos além do período estabelecido pelas diretrizes da Convenção que era de 1990 a 2000. O segundo inventário atualiza os dados de 1990 a 1994 e apresenta novas informações para o período de 1995 a 2005. Mais de 600 instituições e cerca de 1.200 especialistas de diversos setores (energético, industrial, florestal, agropecuário e de tratamento de resíduos) foram mobilizados para sua elaboração.

O documento aponta crescimento de 57,8% das emissões de 1990 para 2005, mas na avaliação do coordenador geral de mudanças globais de clima do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), José Miguez, uma análise mais precisa desse comportamento deve levar em conta outras variantes relacionadas ao avanço da economia e da população brasileira no mesmo período. "O PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil cresceu 46,7% e a população 24,2%", informa.

O levantamento utiliza como diretriz técnica básica documentos elaborado pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Global do Clima (IPCC). Pela avaliação, o setor de Mudanças no Uso da Terra e Florestas foi responsável por 61% das emissões, seguido de Agricultura (19%), Energia (15%), Processos Industriais (3%) e Tratamento de Resíduos (2%).

Fundo Clima

O Decreto de regulamentação do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (FNMC ou Fundo Clima) institui o Comitê Gestor do Fundo com o objetivo de administrar, acompanhar e avaliar a aplicação de recursos. O Comitê decidirá sobre a destinação dos recursos para projetos, estudos e empreendimentos de mitigação e adaptação da mudança do clima e seus efeitos. O Comitê será composto por representantes governamentais, comunidade científica, empresários, trabalhadores e organizações não governamentais, tendo orçamento inicial de R$ 226 milhões para 2011.

COP 16

A reunião do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas ainda abordou as estratégias do Brasil para a 16ª Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP16), que se realizará de 29 de novembro a 10 de dezembro em Cancun, no México. Com as novas ações, o Brasil pretende consolidar uma posição de liderança nas discussões de emissões de gases de efeito estufa no evento internacional. Na avaliação do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, não há o mesmo clima de expectativa de um acordo mundial como havia na COP15.

"As expectativas são modestas, sem grandes ambições. O Brasil chegará com uma posição moral elevada na COP16", destacou Amorim, sustentando que o País já assumiu posição de vanguarda na COP15 ao ser o primeiro a apresentar uma proposta de redução das emissões.MCT/EcoAgência


 

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

EUA consideram negociações de Tianjin abaixo das expectativas

TIANJIN, China (AFP) - As negociações sobre o clima que acontecem em Tianjin (China), última etapa antes da grande reunião de Cancún em novembro, não estão à altura das expectativas e será necessário muito trabalho para chegar a um resultado, afirmou o principal negociador americano, Jonathan Pershing.

"O tempo passa e há menos acordos do que poderíamos esperar nesta etapa das discussões", declarou Pershing à imprensa.

"Vamos precisar de muito trabalho para alcançar até o fim de semana um resultado que leve a um resultado significativo em Cancún", completou.

Negociadores de mais de 170 países estão reunidos desde segunda-feira e até sábado em Tianjin para preparar a grande reunião da ONU sobre o clima de Cancún (29 de novembro a 10 de dezembro), da qual se espera um resultado que permita superar o fracasso da COP-15, a reunião de Copenhague no fim de 2009.

Apesar dos negociadores concordarem que é praticamente impossível obter um acordo global que permita combater de modo eficaz as mudanças climáticas, eles esperam algumas decisões concretas sobre temas como a luta contra o desmatamento ou a transferência de tecnologia.

"O que é frustrante nestas negociações é que países voltam a insistir sobre coisas que considerávamos decididas nas negociações de Copenhague", disse o americano.

Pershing, assim como outros negociadores, teme que um fracaso em Cancún desacredite todo o processo de negociações da ONU, já muito criticado depois de de Copenhague pela lentidão, complexidade e lógica de consenso.

"Não alcançar um acordo teria consequências que devem nos deixar preocupados, que devemos levar em consideração seriamente".

Fonte: AFP - /br.noticias.yahoo.com

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

ONU afirma que chegou o momento de decidir sobre o clima

TIANJIN, China — A principal autoridade da ONU para o clima, Christiana Figueres, enviou nesta segunda-feira, em Tianjin (norte da China), uma mensagem urgente aos governos do mundo: "Vocês podem parar ou avançar, o momento das decisões chegou".

A secretária executiva da Convenção para o Clima das Nações Unidas (UNFCCC) - fórum mundial de negociações criado em 1994 para examinar as mudanças climáticas - fez o alerta aos negociadores dos mais de 190 países reunidos para a abertura da última sessão de negociações antes da grande reunião de Cancún, México, que acontecerá de 29 de novembro a 10 de dezembro.

Quase 3.000 delegados de todo o mundo - governos, centros de pesquisa, grupos industriais e organizações não governamentais - permanecerão reunidos até sábado em Tianjin, a 150 km de Pequim.

Esta é a primeira vez que a China, maior emissor mundial de gases que provocam o efeito estufa, recebe uma conferência internacional sobre o clima.

"Em Cancún, vamos precisar de resultados concretos e urgentes", advertiu.

Quase um ano depois do fracasso relativo da conferência de Copenhague, a secretária costarriquenha afirmou que é necessário "restaurar a confiança na capacidade das partes para levar adiante este processo, para que o multilateralismo não seja percebido como um beco sem saída, para evitar que as divergências permanentes terminem como uma inação inaceitável".

Ela citou os pontos sobre os quais a reunião de Cancún pode tomar decisões, como um fundo de ajuda aos países mais vulneráveis ou a aplicação de um mecanismo para combater o desmatamento.

Mas também destacou as questões que são cruciais, mas não avançam, como o futuro do Protocolo de Kyoto, cujo primeiro período de compromisso termina em 2012, ou a continuidade dos compromissos assinados por vários governos para reduzir ou limitar as emissões de poluentes.

O acordo de Copenhague fixou a meta de limitar o aumento da temperatura do planeta a dois graus, mas sem calendário e de maneira evasiva sobre as modalidades para alcançar o objetivo.

"Peço que demonstrem flexibilidade e espírito de compromisso. Senhoras e senhores, é chegado o momento", concluiu a secretária.