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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

TERRAMÉRICA - Energia sob nossos pés

Por Lester Brown* 


Uma fabulosa fonte de energia está dez quilômetros abaixo de nossos pés, diz neste artigo o premiado ambientalista e escritor Lester Brown.

Washington, Estados Unidos, 6 de setembro (Terramérica).- O calor concentrado nos quase dez quilômetros superiores da crosta terrestre contém 50 mil vezes a energia combinada das reservas mundiais de petróleo e gás. Mas são aproveitados apenas cerca de 10.700 megawatts da geotermia. Em parte pelo predomínio do petróleo, do gás e do carvão, que oferecem combustível barato se são omitidos os custos da mudança climática e da contaminação do ar, se investe pouco no desenvolvimento de fontes geotérmicas.

Na última década, este tipo de energia cresceu apenas 3% ao ano. Quase a metade da capacidade de geração está nos Estados Unidos e nas Filipinas, e a restante quase toda pertence a Indonésia, México, Itália e Japão. Apenas 24 países convertem energia geotérmica em eletricidade. El Salvador, Islândia e Filipinas obtêm, respectivamente, 26%, 25% e 18% de sua eletricidade de centrais geotérmicas. O potencial elétrico, de calefação e calor industrial é vasto.

Boa parte da riqueza geotérmica se encontra no Cinturão de Fogo do Pacífico (Chile, Peru, Colômbia, México, Estados Unidos, Canadá, Rússia, China, Japão, Filipinas, Indonésia e Austrália), no africano Grande Vale do Rift (Quênia e Etiópia) e no Mediterrâneo oriental. Para além da geração elétrica, cerca de cem mil megawatts geotérmicos são consumidos diretamente, não sendo transformados em eletricidade, para calefação doméstica, invernadas e caldeiras industriais: os banhos termais no Japão, as casas na Islândia e as invernadas da Rússia.

Uma equipe interdisciplinar de 13 cientistas e engenheiros, reunidos em 2006 pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), avaliou o potencial de geração elétrica geotérmica nos Estados Unidos. Apoiada nas técnicas mais avançadas usadas pelas empresas de petróleo e gás, a equipe estimou que é possível controlar a energia geotérmica em escala maciça. O método consiste em perfurar a crosta de rochas quentes e nelas injetar água, que em seguida é extraída superaquecida para alimentar uma turbina a vapor.

Segundo a equipe do MIT, com esta tecnologia os Estados Unidos obteriam suficiente energia geotérmica para atender duas mil vezes suas necessidades elétricas. Embora ainda seja cara, esta técnica pode ser usada quase que em qualquer parte para transformar o calor geotérmico em eletricidade. A Austrália é líder em plantas-piloto que a utilizam, seguida de Alemanha e França. Para que os Estados Unidos aproveitem plenamente este potencial, os cientistas do MIT estimaram que o governo teria que investir, nos próximos anos, US$ 1 bilhão em pesquisa e desenvolvimento, aproximadamente o custo de uma central elétrica movida a carvão.

Enquanto esta técnica se universaliza, ocorrem investimentos promovendo tecnologias existentes. Durante muitos anos, a energia geotérmica norte-americana esteve relegada ao projeto dos gêiseres do norte da cidade de São Francisco. Trata-se do maior complexo geotérmico do mundo, com capacidade de geração de 850 megawatts. No país, são gerados mais de três mil megawatts e estão em construção 152 unidades em 13 Estados, que praticamente triplicarão sua capacidade geotérmica.

A Indonésia chamou a atenção em 2008 quando anunciou um plano para desenvolver uma capacidade geotérmica de 6.900 megawatts. As Filipinas também planejam vários projetos. Na África, o Quênia é o líder. Agora pode gerar cem megawatts e prevê mais 1.200 para 2015. Isto quase duplicará sua capacidade atual de geração elétrica de 1.300 megawatts, considerando a soma de todas as fontes. O Japão, com capacidade total de 535 megawatts, foi um dos primeiros líderes. Agora, após quase três décadas de inatividade, este país muito conhecido por seus milhares de banhos termais, está voltando a construir centrais geotérmicas.

A Alemanha tem cinco pequenas usinas deste tipo, e cerca de 150 em estudo. “As fontes geotérmicas podem atender cerca de 600 vezes as necessidades de eletricidade deste país”, disse Werner Bussmann, diretor da Associação Geotérmica Alemã. Atualmente são muito usadas as bombas para calefação e refrigeração e o fazem com um consumo de eletricidade entre 25% e 50% menor do que os sistemas convencionais. Esta técnica aproveita a notável estabilidade de temperatura que tem a crosta terrestre próxima à superfície e a usa como fonte de calor no inverno, quando a temperatura do ar é baixa, e como fonte de refrigeração no verão, quando o ar está muito quente.

Islândia e França estão na vanguarda do uso direto do calor terrestre. Na Alemanha, 178 mil bombas funcionam em prédios residenciais e comerciais, e a cada ano 25 mil novas são instaladas. Se os quatro países mais povoados do Cinturão do Fogo – Estados Unidos, Japão, China e Indonésia – investissem seriamente no desenvolvimento deste recurso, poderiam facilmente convertê-lo em uma das principais fontes de energia do mundo.

* Lester Brown é fundador e presidente do Earth Policy Institute. Este artigo é uma adaptação de um capítulo de seu livro “Plano B 4.0: Mobilizing to Save Civilization”, disponível no site http://www.earthpolicy.org/index.php?/books/pb4.

Crédito da imagem: Claudius


Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.

(IPS/Envolverde)

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Fontes alternativas não conseguirão substituir combustíveis fósseis, diz secretário do MME

Por Anna Beatriz Thieme, da Agência Rio 
O secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura Filho, disse ontem (3) que ainda não existem no mundo fontes alternativas em quantidade suficiente para substituir os combustíveis fósseis. Segundo ele, as fontes alternativas têm, apenas, um papel complementar em termos mundiais.

Altino participou do Seminário de Internacional de Biocomustíveis e Energia Nuclear, que acontece no Rio de Janeiro até esta sexta-feira (4). De acordo com o secretário, o esforço para desenvolver combustíveis alternativos ao petróleo é uma questão de mercado e do preço do petróleo no cenário externo.

"O esforço para desenvolver outros tipos de combustíveis passa pelo preço do petróleo no mercado internacional, é a chamada lei da oferta e da procura. O que acontece, em termos práticos, é que as fontes alternativas que sejam competitivas como o petróleo serão desenvolvidas, como estão de fato sendo", disse o secretário.

Durante o evento, o embaixado francês para Negociações Climáticas e ex-ministro do Meio Ambiente, Brice Lalonde, disse que o Brasil deveria tomar cuidado com a euforia do pré-sal, que poderia significar um risco, fazendo com que o País se esquecesse da energia alternativa, questão na qual o Brasil ia muito bem, com o desenvolvimento do etanol ou o uso de hidrelétricas para geração de eletricidade.

Quando questionado sobre a posição do embaixador francês, Altino disse aos jornalistas que "o Brasil está ganhando muito com o etanol, que tem preço livre de mercado" e destacou ainda a energia eólica e a biomassa.  "O desenvolvimento das fonte alternativas se processarão desde que apresentem tecnologia, como algumas delas já apresentam, além de custos que possam ser competitivos", afirmou.

Ainda segundo Altino, o mundo continuará com o domínio dos combustíveis fósseis. "Cerca de 40% da fonte de energia elétrica do mundo vêm do carvão, que é abundante e tem um preço competitivo. O mundo não encontrou ainda saída para combustíveis líquidos derivados de petróleo, o Brasil fez o primeiro esforço, com o etanol", disse o secretário de Minas e Energia.

Durante sua apresentação no evento, Altino destacou que, dentro do setor energético, o Brasil é atualmente um baixo emissor de CO2 e que continuará neste horizonte até 2030. O secretário disse ainda não ter dúvidas de que o programa nuclear brasileiro deve ser estabelecido no país, com a usina de Angra 3, já em fase de licitação, e as unidades previstas para o Nordeste.

No entanto, de acordo com Altino, a grande prioridade do País para a geração de energia ainda é a hidroeletricidade. "Continuaremos desenvolvendo essa fonte de energia como assim fizemos nos útlimos 30 anos", afirmou.

(Envolverde)