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sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Concentração de metano sofre aumento brusco na atmosfera, diz estudo

O metano, um dos principais gases do efeito estufa que causam a mudança climática, registrou aumento brusco no ano passado, após uma década de níveis estáveis, afirma um estudo divulgado pela revista "Geophysical Review Letters".

Os níveis na atmosfera desse gás formado por átomos de carbono e hidrogênio (CH4) dobraram nos dois últimos séculos. No entanto, há até pouco tempo se acreditava que a emissão gerada pelas indústrias era neutralizada pelo grau de destruição do gás na atmosfera.

Mas esse equilíbrio se alterou desde o começo de 2007, o que somou milhões de toneladas de metano na atmosfera, segundo Matthew Rigby e Ronald Prinn, cientistas do Instituto Tecnológico de Massachusetts e autores do trabalho.

O metano é produzido por pântanos, arrozais, pelo gado, pelo gás e pelo carbono emitido pelas indústrias. É destruído na atmosfera pela reação com radicais livres.

"Este aumento do metano é preocupante, pois a recente estabilidade tinha ajudado a compensar o aumento inesperadamente rápido das emissões de dióxido de carbono", disse Drew Shindell, do Instituto Goddard de Estudos do Espaço na Nasa (agência espacial norte-americana).

O estudo determinou que o aumento dos níveis de metano ocorreu de forma simultânea em todo o planeta, apesar de a maior parte das emissões ter acontecido no Hemisfério Norte.

Segundo os pesquisadores, isto se deve a um aumento das temperaturas na Sibéria durante todo o ano de 2007, o que provocou uma maior emissão bacteriana nos pântanos dessa região. Outra explicação, segundo os cientistas, poderia ser, pelo menos parcialmente, uma queda das concentrações de radicais livres na atmosfera.

Fonte: Folha Online

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Aquecimento faz Ártico liberar metano, dizem cientistas

Cientistas que viajam a bordo de um navio russo dizem ter provas de que milhões de toneladas de metano, um gás do efeito estufa vinte vezes mais potente que o dióxido de carbono, está escapando para a atmosfera a partir das profundezas do Oceano Ártico.

Depósitos de metano aprisionado nas profundezas emergem sob a forma de grandes bolhas, fenômeno que coincide com o aquecimento da região e o desaparecimento das capas de gelo que cobriam as águas da região, diz informe divulgado pelo jornal britânico The Independent.

Os depósitos de metano são importantes porque cientistas acreditam que, no passado, uma liberação semelhante teria sido responsável por uma elevação rápida das temperaturas, mudanças climáticas abruptas e extinções em massa, diz o jornal.

Cientistas que percorreram toda a costa norte da Rússia descobriram grandes concentrações de metano em várias regiões que cobrem milhares de quilômetros quadrados da plataforma continental siberiana.

Recentemente foram avistadas bolhas na superfície do mar, produzidas por "chaminés de metano".

Os especialistas acreditam que isso se deve ao derretimento das camadas de solo congelado que impediam o metano de escapar dos depósitos submarinos. Há o temor de que a liberação maciça desse metano venha a acelerar o aquecimento global e gerar um círculo vicioso, no qual as temperaturas maiores aumentariam o derretimento do solo, liberando mais metano, que aceleraria o aquecimento.

A quantia de metano depositada sob o Ártico pode superar o carbono armazenado nas reservas mundiais de carvão.

O pesquisador Örjan Gustafsson, da Universidade de Estocolmo, um dos chefes da equipe científica do navio Jacob Smirnitskyi, disse ter descoberto o primeiro campo em que a liberação de metano é tão intensa que o gás não tinha tempo de dissolver-se na água do mar, emergindo em grandes bolhas.

(Fonte: Estadão Online)