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domingo, 19 de dezembro de 2010

Mudanças Climáticas alteram o modo de vida de espécies e podem levá-las à extinção


A Terra é casa para 20 milhões de espécies, número bem maior se considerarmos as que cientistas nunca conseguiram identificar. Segundo eles, as extinções das espécies são cada vez mais frequentes e podem repercutir na vida do homem.

Podendo pesar mais de 700 kg e medir 2,5 m, a Tartaruga-de-couro é a maior espécie de tartaruga do mundo. Entretanto, o seu tamanho não é suficiente para livrá-la da extinção. Seus padrões de reprodução são extremamente sensíveis ao aumento da temperatura: a areia em muitos lugares está tão quente que os ovos não resistem. E tem mais: é a temperatura da areia que determina o sexo do animal. Ou seja, se a areia onde deixarem seus ovos esquentar demais, mais fêmeas irão nascer, destruindo assim o balanço natural dos gêneros, pondo em risco a reprodução e a própria existência da espécie.

Outro problema é a perda dos ninhos e das áreas de alimentação devido ao aumento do nível do mar. Com tudo isso, o número de animais está diminuindo dramaticamente. Recentemente, a espécie entrou na “lista vermelha” de espécies ameaçadas da International Union for Conservation of Nature – IUCN. De acordo com especialistas, se nenhuma medida for tomada para proteger a Tartaruga-de-couro, esses répteis, que existem por mais de 65 milhões de anos, irão desaparecer ainda em nossa geração.

Mudanças Climáticas e Biodiversidade

A ONU declarou 2010 como o Ano Internacional da Biodiversidade, com pesquisas que indicam que, por sua contribuição no aquecimento global, o homem é responsável pela maior extinção da vida selvagem desde a era dos dinossauros, aproximadamente 1/5 de todas as extinções enfrentadas pelos vertebrados, de acordo com a IUCN.

De fato, o papel do aquecimento global nessas transformações é um debate importante. Muitos cientistas acreditam que outros fatores também contribuem, como a caça e pesca ilegal, além do fato de que as consequências das mudanças climáticas acabam sendo intensificadas com a poluição.

As mudanças de temperatura também têm severos impactos nas espécies migratórias. “Ultimamente, você encontra espécies em lugares onde elas nunca existiram antes”, afirma Wendy Foden, do Programa Espécies da IUCN. “Algumas delas estão migrando para regiões mais frias”, continua.

A vida marinha é igualmente afetada, mas os animais têm ainda menos opções de regiões para migrar. O aumento dos níveis de CO2 na atmosfera está mudando os níveis de Ph do oceano, um processo que altera o habitat de muitas espécies. Helen Foden lembra o exemplo do peixe-palhaço: “quando a água está mais ácida que o normal, os peixes-palhaço começam a perder seu olfato”. Como outras espécies, o peixe-palhaço é levado de seus recifes para o mar aberto ainda quando filhotes, e assim usam seu acurado olfato para achar seu caminho de volta. As pequenas larvas dependem do rastro do aroma na água para ajudá-las a localizar o habitat dos adultos.

A ideia é usar a popularidade do peixe-palhaço para conscientizar acerca do impacto das mudanças climáticas nos ecossistemas. “Graças ao filme ‘Procurando Nemo’ todos conhecem o peixe-palhaço”, diz Foden.

Fonte: Threats to biodiversity are costly and widespread“.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Os passos miúdos da dança global.


Durante a Rio 92 – que levou à aprovação das Convenções do Clima e da Diversidade Biológica – o secretário-geral do encontro, Maurice Strong, foi dramático: disse que era a última oportunidade de os governos encaminharem soluções para os gravíssimos problemas naquelas duas áreas e para a questão da miséria no mundo. Por isso, além de criarem as duas convenções, os chefes de Estado aprovaram a Agenda 21 Global. E ela fornecia um roteiro para enfrentar os dramas do subdesenvolvimento e da pobreza. Incluía a decisão de os países industrializados aumentarem de 0,36% para 0,70% de seu produto interno bruto (PIB) a contribuição anual para os países mais pobres. Com isso, doariam US$ 120 bilhões anuais, a que se somariam US$ 480 bilhões em recursos dos países receptores. E com US$ 600 bilhões anuais seria possível avançar em todas as áreas.

Só a Suécia cumpriu a sua parte. Os demais países industrializados reduziram porcentualmente sua contribuição média para uns 0,3% do PIB anual. E passadas duas décadas, ao fazer a avaliação dos Objetivos do Milênio, diz a ONU que, embora tenha havido progresso, é “um escândalo” que 952 milhões de pessoas no mundo continuem a enfrentar a miséria e que morra uma criança a cada oito segundos por problemas relacionados com a desnutrição. Um quadro ainda tão grave que levou o presidente da França, Nicolas Sarkozy, a ressuscitar outra proposta da década de 90, do economista James Tobin, que sugeria criar uma taxa mundial sobre transações financeiras e destinar o resultado ao combate à pobreza. Porque esta ainda atinge 19% da população mundial, segundo a ONU; 1 bilhão de pessoas vive com menos de US$ 1,25 (pouco mais de R$ 2,10) por dia.

Mesmo nos Estados Unidos, onde a crise econômica eliminou 5 milhões de empregos (a taxa de desemprego está em 14,3%), há 43,6 milhões de pobres, considerado o padrão de lá, que classifica como pobre quem tenha renda anual bruta de até US$ 10.830 (uns R$ 18,5 mil, pouco mais de R$ 1.500 mensais, mais do que a renda média de quem trabalha no Brasil, quase três salários mínimos nossos). Por aqui, a renda média do trabalho chegou a R$ 1.472. Ainda temos 28,8% dos que trabalham recebendo até meio salário mínimo mensal – sem considerar as graves condições de moradia e saneamento dos lugares que habitam.

Sobre a situação da biodiversidade no mundo e no País duas décadas depois, este espaço já foi ocupado na semana passada com números estarrecedores. E quanto ao clima, avança-se para a reunião da convenção, daqui a poucas semanas, no México, sem vislumbrar acordo algum. Numa reunião preliminar de 17 países, em Nova York, o delegado norte-americano, Todd Stern, foi claro: sem a adesão da China, da Índia e de outros países “em desenvolvimento” (o Brasil incluído), não haverá, nem em Cancún nem depois, nenhum acordo “vinculante”, que obrigue as nações a reduzir suas emissões de poluentes. Já o delegado russo deixou claro que, se Estados Unidos e China não aderirem a uma nova etapa do Protocolo de Kyoto, este expirará.

Nos mesmos dias, numa reunião da Clinton Global Initiative – que tenta romper impasses nessa área -, a nova secretária da Convenção do Clima, a costa-riquenha Christiana Figueres, foi surpreendentemente direta. As negociações não avançam por dois motivos, disse ela: 1) Tensões e desacordos entre países desenvolvidos e em desenvolvimento; e 2) “business” (UN Dispatch, 22/9). O “business” porque fica à espera de que os governos criem marcos regulatórios. E os governos, “enquanto olham nervosos para os próprios pés, dizem que o business não os está pressionando. É uma espécie de dança, em que cada um diz: “Você primeiro! Você primeiro!”” Na opinião dela, as áreas de negócios deveriam assumir a iniciativa e a liderança, porque têm muito a perder.

Não é muito diferente em qualquer lugar, inclusive no Brasil. Em meio ao fogo que tomou conta de metade do País, em meio à estiagem que secou rios na Amazônia, em meio à perda de parte das colheitas, continua-se a olhar passivamente o panorama. No lançamento de um programa de emergência para o fogo no Cerrado, na presença do presidente da República e da ministra do Meio Ambiente, por três vezes faltou energia no recinto, com os incêndios no Cerrado do Distrito Federal interferindo nas linhas de transmissão. Enquanto isso, dizia o boletim do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) (23/9) que desmatamentos e queimadas causam 75% das emissões de carbono no País. Que os problemas nessa área poderão levar a perdas consideráveis no produto bruto nacional. E que o aquecimento global “poderá elevar a temperatura no Norte e Nordeste até 8 graus, em consequência do desmatamento da floresta amazônica”.

Há quem esteja perdendo a esperança. Um deles é o famoso cientista James Lovelock, autor da “Teoria de Gaia”. Há algum tempo, afirmou ele que não haveria tempo para esperar que acordos entre países levassem a uma redução de emissões, dada a gravidade da situação. Por isso, ele, que durante décadas se opusera à utilização da energia nuclear, passou a defendê-la, por não emitir poluentes que se concentram na atmosfera e por entender que o problema de resíduos por ela gerados é menor. Os resíduos de uma usina cabem num pequeno veículo, passou a dizer.

Agora, Lovelock vai, perigosamente, ainda mais fundo. Como cita o ex-secretário do Meio Ambiente do Espírito Santo Luiz Prado (Portal do Meio Ambiente, 18/9), Lovelock agora diz: “Eu tenho a sensação de que mudanças climáticas são um evento tão grave quanto uma guerra; talvez seja necessário suspender a democracia por algum tempo.”

Certamente não é o caso de concordar. Mas é preciso ter urgência, antes que a tese ganhe muitos defensores. Nunca faltam partidários da força.

Washington Novaes é jornalista.

Artigo originalmente publicado em O Estado de S.Paulo

sábado, 12 de dezembro de 2009

Fome de ar, água e comida

Os donos do mundo e seus sábios reunidos em Copenhague ainda não se entenderam sobre como salvar o planeta. A COP15 já funcionou, porém, como uma martelada na cabeça dos líderes, alertando-os para a superlotação da Terra e a dramática escassez de recursos naturais.
 
Por Ronaldo França, de Copenhague
 
Fotos cortesia Royal Hollway/Universidade de Londres; Lain D. Willians/Reuters

 

ELES DEVORAM MESMO
 
Na fotografia acima, feita no Alasca, um urso-polar arrasta a carcaça de outro. Os ursos-polares costumam matar e devorar seus pares em lutas por dominação sexual e para controle populacional. Os pesquisadores suspeitam que o degelo precoce do Ártico, atribuído ao aquecimento global, tornou o canibalismo mais frequente entre os ursos. O quadro abaixo, do inglês Edwin Landseer, do século XIX, retrata uma cena descrita por sobreviventes de um naufrágio. O urso da direita tem entre as presas um osso humano ainda com carne. Que contraste. A ideia de animais selvagens como vítimas da ação do homem é recentíssima.

Antes que você acabe de ler esta frase, terão nascido no mundo quarenta bebês, enquanto vinte de nós terão deixado o plano material para prestar contas a Deus. O saldo é a chegada, a cada dez segundos, de vinte novos moradores da Terra, prontos para crescer, estudar, trabalhar, namorar, casar e ter filhos. Há dez anos, em 1999, o planeta estava na confortável situação de receber cada novo morador com comida e água na quantidade necessária para que ele conseguisse atingir seus sublimes objetivos na vida. De lá para cá, começou a se delinear um novo e desafiador cenário para a espécie humana. A demanda por comida e outros bens naturais passou a crescer mais rapidamente do que a oferta, como mostram as curvas desenhadas no globo da página anterior. Elas não foram parar ali por acaso. Aquele globo esverdeado e translúcido é, até agora, a imagem que melhor identifica a COP15, a reunião de representantes de 192 países que tem lugar em Copenhague, na Dinamarca. Esses senhores e seus assessores científicos têm como missão chegar a um acordo mundial para conter o ritmo do aquecimento global. Esse fenômeno é normalmente benéfico, mas saiu de controle, aparentemente como resultado da atividade industrial humana, e agora pode desarranjar o clima da Terra a ponto de ameaçar a sobrevivência de inúmeras espécies e impor um modo de vida mais áspero e severo à própria humanidade.

A COP15 acaba no fim da próxima semana, e seu encerramento está sendo esperado com tal ansiedade que muitos nem sequer cogitam, por assustadora, a possibilidade de um fracasso. Talvez se deva começar a pensar com mais realismo nessa possibilidade. Por razões metodológicas e ideológicas, e também para não ampliar em demasia a pauta das discussões, dificultando ainda mais um acordo final, a questão populacional está em plano secundaríssimo em Copenhague. É estranho que ela tenha sumido dos debates sobre as soluções do aquecimento global, quando se sabe que esteve na base do seu diagnóstico desde o primeiro momento em que o aquecimento global foi visto como um perigo potencial. Quando o físico sueco Svante Arrhenius concluiu seus cálculos pioneiros sobre o efeito das moléculas de gás carbônico (CO2) no aumento da temperatura média do planeta, em 1896, a Terra era habitada por cerca de 1 bilhão de pessoas. Arrhenius foi o primeiro a perceber que o aumento na concentração de CO2 poderia aquecer demais o planeta. Pouco mais de um século depois do trabalho do sueco, a Terra tem 6,8 bilhões de habitantes e caminha para os 9,2 bilhões por volta de 2050. Serão 2,5 bilhões de pessoas a mais, e, graças ao sucesso da globalização econômica, a maioria delas atingirá um padrão de consumo de classe média. Isso tem um peso extraordinário não apenas na equação do aquecimento global, mas no frágil equilíbrio que a civilização ainda consegue manter em suas relações de rapina com o mundo natural. É enorme o impacto da explosão populacional aliado à emergência social e econômica de imensas massas humanas antes fadadas à miséria. Seus efeitos já se fazem sentir no aumento da demanda de alimentos em ritmo superior ao da oferta, como mostram as curvas do gráfico sobreposto ao globo-símbolo da COP15 nas páginas de abertura desta reportagem.

Vivo estivesse, o sueco Svante Arrhenius enfatizaria em Copenhague o fator populacional no descontrole aparente em que se encontra o efeito estufa global. A cada dia que passa, o mundo tem de sustentar 213 000 pessoas a mais. Cada ser humano adulto produz, em média, 4,3 toneladas de gás carbônico por ano sem fazer nada de mais - apenas ao acender uma lâmpada, andar de carro ou ônibus, alimentar-se e vestir-se. Esses novos passageiros da espaçonave Terra, em conjunto, passarão a responder, então, por 880 000 toneladas a mais de carbono arremessado na atmosfera. As estimativas de aumento de emissões de gases de efeito estufa contemplam o choque populacional. O documento final do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU diz com clareza que "o crescimento do produto interno bruto per capita e o da população foram os principais determinantes do aumento das emissões globais durante as últimas três décadas do século XX". Outro relatório divulgado há menos de um mês pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) chama a atenção para o equívoco de desprezar o aumento populacional no debate sobre o aquecimento: "Os gases de efeito estufa não estariam se acumulando de modo tão perigoso se o número de habitantes da Terra não aumentasse tão rapidamente, mas permanecesse em 300 milhões de pessoas, a população mundial de 1 000 anos atrás". O intrigante é que, nas ações propostas para os próximos anos, o fator aumento da população desaparece.

O tema é realmente explosivo e tem conotações sombrias, por erros cometidos no passado. Com razão ou não, muitas pessoas encaram qualquer sugestão para conter o ritmo de aumento populacional como uma interferência indevida de forças estranhas no livre-arbítrio de países, famílias e das próprias mães. Razões culturais e socioeconômicas contribuem para tirar qualquer efeito prático das assombrosas constatações do crescimento populacional desenfreado. São dois os motivos principais para isso. O primeiro é que existe uma inegável disparidade no volume de emissões individuais quando se comparam cidadãos de países ricos e pobres. Um americano joga, em média, 19 toneladas de gás carbônico na atmosfera anualmente. Um afegão morador das montanhas de seu belo país contribui com modestíssimos 26 quilos de CO2. Como exigir do montanhês afegão que - quando não foi recrutado pelo Talibã para plantar papoula, matéria-prima do ópio - vive do leite de suas cabras e da hortinha no quintal que refreie seus impulsos reprodutivos usando como argumento o peso que o pobre coitado está colocando sobre o planeta? É ridículo. A maior força moral está em convencer o bem-educado e bem nutrido americano médio a repensar seu modo de vida, optando por uma sobrevivência mais frugal. Vale dizer que, embora as conversões ao naturalismo e à alimentação orgânica se contem aos milhares todos os meses nos Estados Unidos, elas são insignificantes do ponto de vista global.

A segunda razão do encalacramento da questão populacional vem da noção, bastante razoável, diga-se, de que os avanços educacionais e os saltos tecnológicos são muito mais eficientes nesse caso do que qualquer política governamental. O dinamarquês Bjorn Lomborg, estrela no grupo dos cientistas céticos quanto aos efeitos do aquecimento global e à responsabilidade humana nele, está entre os que acreditam que a solução virá do avanço tecnológico. Disse Lomborg a VEJA: "Realmente o tema não é tratado aqui. Pela ordem, eu diria que conter o consumo é um pouco mais prioritário, mas, definitivamente, apressar a busca por novas tecnologias limpas é o mais importante de tudo". O economista carioca Sérgio Besserman, ex-presidente do IBGE, que participa da COP15, descrê de qualquer política centralizada que vise a determinar ou influenciar os casais a respeito do número de filhos que devem ter. Ele lembra que a elevação do padrão cultural e educacional da população sempre coincide com a diminuição da taxa de fecundidade. "Quan-do se torna mais amplo o acesso à educação, à cultura e ao conhecimento, as populações passam a crescer em ritmo menor e até a decrescer", diz.

O caso brasileiro é ilustrativo dessa constatação. Há trinta anos, as mulheres brasileiras apre-sentavam taxas de fecundidade que se contavam entre as maiores do mundo, rivalizando com os padrões africanos. No começo da década de 90, a situação apresentava melhoras, mas ainda era preocupante. As mulheres do Brasil rural tinham então, em média, 4,3 filhos - dois a mais do que as mães urbanas. Uma década mais tarde, a diferença entre o número de filhos de mães rurais e urbanas se reduziu para 1,2. Em 2006, a taxa geral de fecundidade no Brasil havia estacionado em dois filhos por mulher. Um avanço cujo progresso só pode ser explicado pelos fatores apontados por Besserman, uma vez que as campanhas de controle de natalidade há muito foram desativadas no Brasil.

Fenômeno semelhante deve ocorrer na Ásia e na África com as melhorias educacionais e com o aumento da proporção da população urbana em relação à rural. Viver em cidades é um grande fator de diminuição do número de filhos. A ONU calcula que o somatório desses fatores terminará por estabilizar a população do planeta na casa dos 9 bilhões a partir do ano 2050. A questão é como chegar até lá sem grandes traumas. O prognóstico não é bom. Estudos científicos mostram que o mundo natural está sendo testado em seu limite para sustentar os atuais 6,8 bilhões de passageiros da espaçonave Terra. Segundo o OPT, organização inglesa que desenvolveu um indicador confiável de sustentabilidade, nos níveis tecnológicos atuais, o máximo que o planeta comporta sem risco de exaustão são 5,1 bilhões de pessoas. No fim da próxima semana, de Copenhague, virá a sinalização se a humanidade captou o dramático pedido de socorro que a Terra está emitindo.



Muita esperança, poucos resultados

Nem sempre as reuniões de líderes mundiais e seus
sábios chegam a resultados positivos e duradouros

Bettmann/Corbis/Latinstock


Liga das Nações (1919)

O que era: com o fim da I Guerra, 42 países assinaram uma declaração com o objetivo de garantir a paz no mundo. Tentava-se evitar uma nova escalada de desentendimentos como a que levou ao sangrento conflito na Europa. Os países deveriam submeter à arbitragem da Liga qualquer desavença internacional.
 
Em que resultou: foi um fracasso. A Liga das Nações não se mexeu para tentar evitar os movimentos expansionistas da Itália, do Japão e da Alemanha que tiveram como desfecho a II Guerra. Aperfeiçoado, o modelo da Liga resultou, em 1945, na criação da Organização das Nações Unidas (ONU). 
 
Bettmann/Corbis/Latinstock


Conferência de Bretton Woods (1944)

O que foi: representantes de 44 governos se reuniram com o objetivo de estabelecer as bases para a reconstrução econômica da Europa devastada pela II Guerra. Adotou-se o câmbio fixo entre o dólar e as demais moedas.
 
Em que resultou: os acordos costurados em Bretton Woods deram origem à criação do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, organismos que lançaram as sementes da globalização. Mas as medidas tomadas para estabilizar o câmbio foram abandonadas no início dos anos 70. 
 
Sergio Zalis


Eco 92 (1992)

O que foi: Representantes de 179 países se reuniram no Rio de Janeiro a fim de estabelecer metas para combater os males causados pelo uso predatório dos recursos naturais.
 
Em que resultou: O encontro produziu um documento aplaudido por todos, mas que, na prática, ficou restrito ao terreno das boas intenções. O crescimento da economia global, desde então, foi proporcional à degradação causada ao ambiente.

Fonte: VEJA


quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Terra pode enfrentar nova Era do Gelo, diz estudo

O planeta pode enfrentar um resfriamento pior que o da Era Glacial dentro de apenas 10 mil anos, o que trará às futuras sociedades um desafio contrário à atual luta contra o aquecimento global, disseram cientistas da Grã-Bretanha e do Canadá na quarta-feira (12).

Eles disseram que os gases do efeito estufa, vilões do atual aquecimento, podem no futuro evitar que grande parte da América do Norte, da Europa e da Rússia virem uma imensa pedra de gelo.

A previsão se baseia no estudo de minúsculos fósseis marinhos e nas alterações da órbita terrestre, e não deve ser entendida como justificativa para não combater o aquecimento provocado por atividades humanas, especialmente a queima de combustíveis fósseis.

"Não há justificativa para dizer: 'Vamos continuar injetando dióxido de carbono na atmosfera'", disse por telefone à Reuters o cientista norte-americano Thomas Crowley, da Universidade de Edimburgo, um dos autores do estudo publicado na revista Nature.

Segundo ele, o resfriamento deve começar num prazo de 10 mil a 100 mil anos. "Geologicamente, é amanhã. Mas temos muito tempo para discutir sobre os níveis adequados de gases do efeito estufa."

O eventual congelamento de enormes pedaços do Hemisfério Norte e de todo o mar em volta da Antártida também iria reduzir o nível dos mares, talvez em até 300 metros - deixando Rússia e Alasca ligados por terra, por exemplo.

ASCENSÃO E QUEDA

Na última Era Glacial, o nível do mar caiu cerca de 130 metros. Os cientistas podem presumir o nível do mar por causa da composição química dos fósseis, que varia junto com a química dos oceanos - num mar mais raso e com menos água, por exemplo, o sal é mais concentrado.

"Provavelmente, as futuras sociedades podem evitar esta transição indefinidamente com ajustes muito modestos no nível de CO2 atmosférico", escreveram eles.

O efeito estufa retém o calor junto à Terra, uma tendência que nas próximas décadas deve levar a ondas de calor, secas e elevação dos mares. O CO2, emitido principalmente pela queima de combustíveis, é o principal dos gases que provocam o efeito estufa.

Os cientistas disseram que recentes oscilações dos últimos 900 mil anos entre Eras Glaciais e períodos mais aquecidos, como o atual, estão se tornando mais acentuadas. Modelos sugerem que a instabilidade pode prenunciar um novo estado, bem mais frio e estável.

Uma mudança semelhante aconteceu há mais de 34 milhões de anos, quando a Antártida se cobriu de gelo pela primeira vez, segundo os cientistas. Isso pode começar por causa de um ligeiro crescimento das camadas polares, pois o gelo e a neve refletem mais o calor solar na direção do espaço. Isso pode acelerar o resfriamento.

Os seres humanos, segundo Crowley, se desenvolveram há cerca de 150 mil anos, e portanto nunca experimentaram um ambiente tão frio quanto o prenunciado.

Ele alertou que as projeções ainda precisam ser mais testadas.

Fonte: Estadão Online

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Cogumelos podem ser 'aliado contra aquecimento global'

Cogumelos podem se tornar um aliado inesperado na luta contra o aquecimento global, segundo uma pesquisa publicada na revista acadêmica Global Change Biology.

Segundo o repórter de meio ambiente da BBC Matt McGrath, havia a expectativa de que à medida que as temperaturas subissem, as florestas do Hemisfério Norte passariam a liberar mais dióxido de carbono, mas a pesquisa realizada por cientistas americanos mostrou o contrário, provavelmente devido à ação dos cogumelos no processo.

As florestas do Hemisfério Norte agem como um depósito vital de dióxido de carbono, absorvendo cerca de 30% da substância contida no solo da Terra.

O aquecimento global deve ter um impacto grande em florestas do Alasca, Canadá e Escandinávia, com a expectativa de que as temperaturas subam em até 7º C até 2100.

Os cientistas acreditavam que um clima mais quente acabasse por fazer com que essas florestas liberassem grande parte do dióxido de carbono que armazenam.

Em um experimento realizado no Alasca, os pesquisadores aumentaram a temperatura do solo em 1º C e descobriram que a liberação de dióxido de carbono caía pela metade se comparada com o que acontece quando o solo está mais frio.

Eles acreditam que cogumelos que crescem no solo dessas florestas podem ajudar a desacelerar a liberação do dióxido de carbono.

Segundo os pesquisadores, os cogumelos secam quando se aquecem e produzem menos CO2.

Segundo McGrath, os cientistas se disseram surpresos com a descoberta, mas dizem que o fenômeno pode contrabalançar parte do dióxido de carbono sendo liberado na atmosfera.

Eles acreditam que processos naturais como esse podem ajudar o mundo a ganhar tempo até que políticas efetivas sejam implementadas.

Fonte: Estadão Online

Mudança climática pode mudar habitat de pandas gigantes

O Fundo Mundial da Natureza (WWF, na sigla em inglês) alertou que a mudança climática pode obrigar os pandas gigantes de Sichuan a buscarem outro habitat, o que afetaria negativamente o turismo dessa província, situada no sudoeste da China.

A conclusão é de um estudo feito pela WWF e apresentado no simpósio internacional sobre a mudança climática e o habitat dos pandas que acontece em Chengdu, capital de Sichuan.

Segundo o WWF, as temperaturas cada vez mais elevadas, unidas às intensas chuvas nas áreas onde os pandas vivem, podem fazer com que este animal, símbolo da China, se mude de Sichuan.

Cheng Li, pesquisador da Universidade de Sichuan, disse durante o simpósio que 33,2% da receita gerada pelo turismo na província e 29% dos empregos do setor estão, de alguma maneira, relacionados aos pandas, razão pela qual o êxodo da espécie traria impactos à atividade turística.

Atualmente, cerca de 1,5 mil pandas vivem em liberdade nas florestas da China, concentrados principalmente em Sichuan, onde fica a reserva de Wolong - a maior do mundo para exemplares da espécie -, e nas províncias de Shaanxi e Gansu.

Fonte: Estadão Online

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Animais salvando o planeta

Uma série de vídeos de animação do Animal Planet está fazendo um grande sucesso na TV e na Internet.




















sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Biodiversidade: Além da mudança climática

Por Ramesh Jaura, da IPS

Barcelona, 16/10/2008 – Enquanto o caos financeiro atrai a atenção mundial, falta determinar o custo da persistente perda de biodiversidade. Mas, especialistas afirmam que é muito, muito superior ao da crise desatada em Wall Street e, em muitos casos, também é irreparável. A União Internacional para a Conservação da Natureza prevê obter evidência incontroversa sobre o valor de preservar a biodiversidade e o custo de perdê-la. A maior e mais antiga rede ambiental do mundo encarregará desta tarefa suas comissões científicas. Este é um pilar fundamental das prioridades imediatas e estratégicas da IUCN, especificadas por seu novo presidente, Ashok Khosla.

A idéia, aprovada pelo congresso que a IUCN realizou entre 5 e 14 deste mês em Barcelona, é proteger a biosfera, com particular ênfase na conservação da biodiversidade em todas suas manifestações. “Faremos o que for preciso para colocar a questão da biodiversidade no cenário central da consciência pública e da mídia e nos âmbitos de tomada de decisões locais, nacionais e mundiais”, disse Khosla ao encerrar o congresso. As deliberações deste encontro deixam entrever lições apreendidas do debate sobre mudança climática aplicáveis à luta pela conservação da biodiversidade.


Embora muitos duvidassem da base científica do vinculo entre mudança climática e atividade humana, foi o ponto de vista autorizado e definido pelo Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudança Climática (IPCC) que pôs fim a esse debate. O IPCC, vinculado à Organização das Nações Unidas, conta com cerca de três mil cientistas. E a IUCN é a organização que pode e deve fazer no plano da biodiversidade o que este grupo está fazendo com a mudança climática.

A mensagem do congresso foi que “a biodiversidade objetiva o bem-estar das sociedades humanas e de suas economias”, disse a diretora-geral da IUCN, Julia Marton-Lefèvre. “Mas a conservação somente pode ter sucesso se atacarmos as causas subjacentes da perda de biodiversidade e, também, ao mesmo tempo agirmos para reduzir os impactos dessa perda”, acrescentou.


O programa da IUCN para 2009-2012, intitulado “Dar forma a um futuro sustentável”, diz que a organização contribuirá diretamente com os objetivos acordados internacionalmente pelos governos para reduzir a perda de biodiversidade. Também acrescentará uma perspectiva ambiental ao êxito dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio da ONU (acordados por 189 países em 2000), o plano para a implementação da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável (acordado em setembro de 2002 em Johannesburgo) e outros compromissos internacionais relevantes.


Criada em 1948 na localidade suíça de Fontainelbeau, três anos após a criação da Organização das Nações Unidas, a IUCN conta com cerca de mil membros de todo o mundo, entre eles governos e organizações não-governamentais internacionais. Esta rede está decidida a adaptar-se às realidades do mundo globalizado que mudaram ou estão mudando rapidamente. A IUCN enfrenta não apenas os problemas ambientais mais graves da história (mudança climática e redução de biodiversidade), mas seus membros também pedem mudanças fundamentais em seu funcionamento.

Khosla preside o Grupo de Alternativas para o Desenvolvimento, organização sem fins lucrativos com sede na Índia e criada em 1983 “para gerar meios de vida sustentáveis em grande escala”. Também preside o Clube de Rom,a organização de especialistas mundiais e centro de inovação e iniciativa. Uma de suas prioridades é estabelecer uma comissão mundial em colaboração com o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). O objetivo da comissão será investigar as implicações mais profundas da captura de carbono, o REED (mecanismo para compensar países por reduzirem as emissões do desmatamento e a degradação das florestas) e os biocombustíveis.

A iniciativa reunirá – seguindo o modelo da Comissão Mundial de Represas – personalidades de diferentes setores sociais e de opinião dedicadas a analisar ações em matéria de mudança climática e biodiversidade. Outro ponto importante na agenda da IUCN para os próximos anos é “formar novas alianças entre as melhores instituições para reunir seus diferentes pontos de vista e para gerar soluções significativas que abordem de modo efetivo as questões inter-relacionadas de população, recursos naturais, meio ambiente e desenvolvimento”. A IUCN também tentará esclarecer seu vínculo com as empresas.

A julgar pelos debates a esse respeito no Congresso de Barcelona, parece haver um consenso considerável de que a IUCN deve se comprometer com corporações grandes médias e pequenas. Mas os termos desse compromisso devem levar a resultados positivos em matéria de conservação, e garantir que a organização mantenha intocada sua integridade e capacidade de ação. “A IUCN foi criada pra influir, incentivar e ajudar a sociedade na hora de tratar com a natureza e os recursos naturais da maneira mais sustentável e socialmente eqüitativa”, explicou Marton-Lefèvre à IPS. “As empresas são uma parte da sociedade embora alguns de nossos membros não gostem. Assim, devemos nos comprometer, mas sem perdermos nossa voz ao fazê-lo”, acrescentou.


Khosla foi além. “Os comitês nacionais e regionais terão que desempenhar os papeis tanto de especialistas quanto de vigilantes em nível da sociedade civil”, afirmou, ao finalizar o congresso. Prevê-se a criação de um grupo de trabalho para definir os termos desse compromisso e as mudanças requeridas no funcionamento do conselho de 32 membros que dirige a organização. O congresso deste mês avançou na promoção da governabilidade em alto mar. Já que essas áreas ficam fora das jurisdições nacionais, frequentemente são exploradas por todos e administradas por ninguém.


Os direitos de comunidades vulneráveis, entre elas as indígenas, tiveram alta prioridade nas deliberações de Barcelona. Membros da IUCN exortaram os governos a considerarem as conseqüências nos direitos humanos em todas as atividades relacionadas com a conservação. O congresso abriu um debate para definir um contexto ético para as atividades de conservação, no qual a redução da pobreza, os direitos humanos e o princípio de redução de danos sejam aplicáveis em uma redefinição do relacionamento com a natureza. Com um olho posto na conferência sobre mudança climática que acontecerá em dezembro na Polônia, a IUCN exigiu objetivos de redução das emissões de gases causadores do efeito estufa mais específicos, em linha com o Plano de Ação de Bali.

Este plano estipula redução de 50% a 85% nas emissões de dióxido de carbono até 2050, bem como manter um aumento da temperatura global abaixo dos dois graus centígrados. Vários compromissos de alto perfil foram assumidos no congresso para apoiar a missão da IUCN: a Fundação McArthur investirá US$ 50 milhões em mitigação e adaptação à mudança climática, e o Fundo Mohammed Bin Zayed para a Conservação de Espécies vai investir 25 milhões de euros (US$ 33,4 milhões) para a diversidade mundial.

Fonte: Envolverde/IPS

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Aprendendo a voar

O grou-azul é o pássaro símbolo da África do Sul, mas começou a desaparecer subitamente nos anos 80, e agora está na lista de espécies em extinção.


Learn To Fly from Christian Letruria on Vimeo.

Fonte: Technorati Links

Ambiente: Alerta diante de planos para fertilizar oceanos

Por Julio Godoy, da IPS

Barcelona, 10/10/2008 – Ambientalistas criticam novidades para reduzir a concentração de dióxido de carbono na atmosfera. Entre elas a “fertilização” artificial dos oceanos por meio de técnicas de geoengenharia. A maioria dos cientistas especializados em questões climáticas atribui a elevada concentração de dióxido de carbono ao efeito estufa, que consideram causador da atual fase de aquecimento do planeta. Cientistas presentes no Congresso Mundial da Natureza, que acontece em Barcelona até o próximo dia 14, alertaram que os projetos de fertilização artificial devem ser proibidos.

Estes projetos, apresentados por algumas corporações privadas e governos dos países industrializados, consistem em despejar nos oceanos ferro e produtos químicos para acelerar o processo natural do seqüestro de dióxido de carbono por fotossíntese. O processo, novamente debatido neste congresso organizado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), ajudaria – segundo seus defensores – a multiplicar os organismos microscópicos chamados fitoplâncton, que representa cerca da metade de toda a absorção de dióxido de carbono por parte das plantas. Através da fotossíntese, o plâncton captura carbono e luz solar para o crescimento, liberando oxigênio na atmosfera.

A produtividade do fitoplâncton nos oceanos diminui devido ao aumento da temperatura. A quantidade de ferro naturalmente depositada nos oceanos por nuvens de pó atmosférico, proporcionando nutrientes para o fitoplâncton, também diminuiu drasticamente nas últimas décadas. A australiana Ocean Nourishment Corporation e a empresa norte-americana Climos disseram que despejar “nutrientes” como ferro, nitrogênio e uréia nas águas marinhas promoveria o surgimento de novo fitoplâncton. A Climos anunciou no mês passado que assumirá seu primeiro projeto de fertilização oceânica nos próximos 18 meses.

De todo modo, Margaret Leinen, da Climos, explicou que se serão necessárias novas pesquisas. “A mudança climática constitui um enorme desafio para nós. Não podemos nos dar ao luxo de nada fazer”, afirmou. Um seqüestro adicional de dióxido de carvão através da fertilização dos oceanos “pode ajudar a reduzir a concentração atmosférica de carbono até que a economia mundial, baseada na energia, possa fazer a transição para menores emissões de gases que provocam o efeito estufa”, acrescentou Leinen. Mas, o planto é totalmente ilegal, disse à IPS Philomene Verlaan, professora de políticas oceânicas na Universidade do Hawaii. “A Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar proíbe toda ação intencional de contaminação marinha”, explicou.

Ambientalistas e cientistas temem que a fertilização oceânica também tenha efeitos colaterais negativos, como perda de biodiversidade marinha maior do que a atual. “N ao compreendemos o alcance total do impacto biogeoquímico e ecológico, buscado e não buscado, da fertilização oceânica artificial”, disse o cientista Ken Buesseler, do Instituto Oceanográfico Woods Hole (EUA), em um painel sobre o assunto no congresso da UICN. As conseqüências não buscadas podem incluir a transformação de habitat marinho ao introduzir espécies de fora ou destruindo as nativas, afirmou.

David Santillo, cientista da organização Greenpeace Internacional e da britânica Universidade de Exeter, disse que “a pesquisa científica só pode ser legítima para compreender os processos naturais, mas não para preparar o terreno de atividades comerciais que transformarão o meio ambiente de maneira que não entendemos e que, muito seguramente, não poderemos controlar”. Verlaan disse que, além da ilegalidade da “fertilização” do mar, no contexto do Protocolo de Kyoto (assinado em 1997 e em vigor desde 2005) os países industrializados “estão legalmente obrigados” a reduzir as emissões desde sua fonte. “O que faremos ao fertilizar os oceanos será, simplesmente, transferir a contaminação de um lugar a outro”, concluiu.

Fonte: Envolverde/IPS/TerraViva

Enfermidades pouco conhecidas ameaçam sobrevivência de espécies animais

Numerosas espécies animais, já ameaçadas pelo desaparecimento de seu meio natural, vêm sendo obrigadas, também, a enfrentar enfermidades pouco conhecidas, às vezes vinculadas à mudança climática com conseqüências potencialmente graves para os seres humanos.

"A maior ameaça da mudança climática provavelmente seja a propagação de enfermidades emergentes", declarou em Barcelona Steven Sanderson, presidente da Wildlife Conservation Society, WCS, com sede em Nova York.

"Toda a perturbação no meio ambiente tem efeitos imediatos sobre os animais selvagens porque não podem se adaptar rapidamente", destacou o médico William Karesh, diretor de programas de saúde da WCS.

Um estudo da Sociedade apresentado no congresso da UICN (União Internacional para a Conservação da Natureza) mostra uma lista de 12 agentes patógenos, como a peste e o cólera, que um aumento das temperaturas e das precipitações contribuiria para propagar rapidamente entre a fauna selvagem.

Entre as doenças citadas, figuram também a tuberculose e a febre amarela, o vírus Ebola, causadores de epidemias mortais em homens e primatas na África Equatorial, os parasitas externos e intestinais, o Mal de Lyme, transmitido pelo carrapato nos mamíferos, ou as "marés vermelhas" fatais para a vida marinha, devido à proliferação de uma alga (Karenia brevis) produtora de uma neurotoxina.

A mudança climática poderia também contribuir indiretamente para a propagação do vírus H5N1 da gripe aviária levando as aves migratórias a modificar suas rotas, entrando em contacto, assim, com aves domésticas, explicou.

Esta lista de enfermidades mortais da fauna selvagem é apenas "uma mostra", elaborada em função de seu impacto potencial sobre a saúde humana, destacou o doutor Karesh.

Assim, o chamado diabo da Tasmânia (Sarcophilus harrisii), um marsupial carnívoro, viu cair sua população em 60% nos últimos dez anos, devido a um misterioso tumor cancerígeno facial de que ninguém sabe a origem.

Fonte: Yahoo!

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Mamíferos regeneram clareiras abertas nas matas da Amazônia Por Antonio Fausto, da Agência Museu Goeldi A regeneração de áreas florestais devastadas

Por Antonio Fausto, da Agência Museu Goeldi

A regeneração de áreas florestais devastadas pela indústria madeireira, pecuária, mineração e, mais recentemente, pela abertura de frentes para exploração petrolífera representa um desafio para a ciência brasileira. Porém, as instituições de pesquisa vêm unindo esforços para dar uma resposta à altura, a exemplo de estudo desenvolvido no âmbito do Museu Paraense Emilio Goeldi (MPEG) e da Universidade Federal (UFPA), intitulado “Estudo da Comunidade de Mamíferos de Médio e Grande Porte e o Potencial desta Fauna na Regeneração de Clareiras Artificiais na Região do Rio Urucu, Coari, Amazonas”. A pesquisa se propõe a avaliar as influências que os mamíferos, animais que se alimentam de plantas e dispersam sementes, podem exercer na recuperação dessas paisagens alteradas.

Desenvolvida no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Zoologia, mantido por convênio firmado entre Museu Goeldi e UFPA, o estudo integra a Rede CTPETRO Amazônia e é de autoria da mestranda Fernanda da Silva Santos, que conta com a orientação da especialista em Mastozoologia – ramo da Biologia que estuda os mamíferos - Ana Cristina Mendes de Oliveira, professora da UFPA e pesquisadora colaboradora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).

A pesquisa foi dividida em duas etapas, que incluem o inventário dos mamíferos de médio e grande porte na região e o monitoramento de como essa fauna se comporta nas chamadas clareiras artificiais - áreas desmatadas pela ação humana em meio à cobertura florestal. Fernanda Santos explica que a regeneração dessas áreas alteradas depende das taxas de germinação, crescimento e mortalidade das plantas e predação de sementes. “As clareiras criam novas condições ambientais”, afirma.

Para realizar o levantamento dos mamíferos existentes na região do Rio Urucu, a pós-graduanda analisou os vestígios deixados pelos animais ao longo de quatro trilhas percorridas diariamente, totalizando 12 quilômetros. Pegadas, fezes e carcaças atestaram a presença de primatas, roedores, veados, porcos-do-mato e grandes predadores na região analisada.

Até o momento, foram 35 espécies inventariadas, o que equivale a 11,25% das 311 espécies de mamíferos registradas na Amazônia até agora. Os primatas foram os que mais se mostraram presentes no inventário, com 12 espécies registradas. ”É o grupo mais diverso na área”, comenta Fernanda, que verificou também registros de ariranhas, quatis, esquilos, antas e tamanduás.

A segunda etapa rumo à obtenção do grau de mestra é analisar como esses mamíferos se comportam nas clareiras. Para isso, a jovem cientista lançou mão de armadilhas fotográficas, com a instalação de câmeras no interior de cada clareira para registrar a presença dos animais, e da construção de plataformas para observação in loco. Tudo para descrever, da forma mais precisa possível, a locomoção, alimentação e defecação dos mamíferos dentro das clareiras. “É um estudo difícil de realizar em função da diversidade dessa fauna”, destaca a futura mestra.

Seminário – O resultado final da tese “Estudo da Comunidade de Mamíferos de Médio e Grande Porte e o Potencial desta Fauna na Regeneração de Clareiras Artificiais na Região do Rio Urucu, Coari, Amazonas” só será conhecido em meados de 2009. O trabalho de Fernanda Santos foi um dos 20 apresentados durante o V Seminário de Pós-Graduação em Zoologia, realizado entre os dias 17 e 19 de setembro, quando os futuros mestres e doutores do Programa de Pós-Graduação em Zoologia do Goeldi e da UFPA tiveram a chance de expor os caminhos trilhados até agora para a elaboração de suas teses. O evento teve lugar no Auditório Paulo Cavalcante, do Campus de Pesquisa do Museu, na Terra Firme.

Coordenado pelos pesquisadores Luciano Montag, da Universidade Federal do Pará (UFPA), e Francílio da Silva Rodrigues, do Museu Goeldi, o Seminário também serviu para que os alunos do Programa compartilhassem experiências e informações com os colegas. Na oportunidade, eles ouviram também as contribuições de renomados pesquisadores de instituições científicas locais e nacionais, convidados para o evento, que avaliaram a metodologia e os resultados preliminares das 20 pesquisas. Segundo Montag, dos 20 trabalhos apresentados, dois constituem teses de doutorado. As demais exposições comporão dissertações de mestrado. O prazo para defesa dos trabalhos é o final de 2009.

De fora, vieram para participar do Seminário os pesquisadores Antonio Brescovit, do Instituto Butantã (SP); Adrian Garda, da Conservação Internacional – Brasil; e Roberto Reis, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Marlúcia Martins, pesquisadora da Coordenação de Zoologia (CZO), do Museu Goeldi, também participou da avaliação representando o Programa de Pós-Graduação em Zoologia. Para Roberto Reis, da PUC-RS, os trabalhos apresentados no seminário são, “sem exceção, de alta qualidade”.

Vice-coordenadora do Programa de Pós-graduação, a herpetóloga Ana Prudente, da CZO do Museu Goeldi, diz que a participação de avaliadores externos ao Programa é de grande importância. “Todos têm feito excelentes comentários sobre a qualidade das teses. Isso é bom, pois o Seminário representa um fórum onde os alunos podem apresentar seus trabalhos e ouvir a opinião de pessoas externas ao Programa, que é o principal objetivo do evento”, destaca. Graças a essa contribuição, “o evento se torna muito mais interessante do ponto de vista científico”, acrescenta a pesquisadora.

“Certamente, os alunos do Programa conseguirão transformar suas teses em publicações científicas em pouco tempo. A qualidade é compatível”, complementa o estudioso da PUC-RS, que também ministrou a palestra “As Bases da Sistemática: História e Filosofia” para os participantes do evento na tarde de sexta-feira, dia 19. Adrian Garda, da CI, proferiu na tarde de quinta-feira, dia 18, a palestra “Sistemática das Rãs Paradoxais: O Papel de Caracteres ‘Tradicionais’ na Era ‘Molecular’”. O primeiro dia do evento foi marcado pela apresentação de Antonio Brescovit, do Instituto Butantã.

O V Seminário de Pós-Graduação em Zoologia encerrou na tarde de sexta-feira, dia 19, com a coordenadora do Programa, Maria Cristina dos Santos Costa, da UFPA, ressaltando a necessidade de os pós-graduandos atentarem para as contribuições feitas aos trabalhos durante o evento.

Crédito de imagem: Arquivo Museu Emílio Goeldi
Fonte: Museu Emílio Goeldi

Aquecimento global pode difundir doenças letais, diz ONG

Doze doenças letais devem ganhar uma difusão maior no mundo por causa das mudanças climáticas, alertou a Sociedade de Conservação da Vida Selvagem na terça-feira (7).

A entidade com sede em Nova York e atuação em 60 nações disse que é preciso monitorar melhora a vida selvagem para que seja possível detectar prematuramente a forma de propagação dos agentes patogênicos nas novas condições climáticas.

As doze doenças citadas no estudo são: gripe aviária, babesiose transmitida por carrapatos, cólera, ebola, parasitas, peste, doença de Lyme, maré vermelha (por contaminação de algas), febre do vale do Rift, doença do sono, tuberculose e febre amarela.

"Mesmo distúrbios menores podem ter consequências abrangentes sobre quais doenças poderiam encontrar e transmitir conforme o clima mudar", disse Steven Sanderson, diretor da entidade.

"O termo 'mudança climática' evoca imagens de calotas de gelo derretendo e níveis do mar aumentando para ameaçar cidades e nações costeiras, mas tão importante quanto isso é como o aumento das temperaturas e a flutuação dos níveis de precipitação vão alterar a distribuição de agentes patogênicos perigosos", disse ele.

"Monitorar a saúde da vida selvagem vai nos ajudar a prever onde esses pontos de perturbação vão ocorrer e planejar como nos preparar", disse ele em nota.

O Painel Climático da ONU diz que as emissões de gases do efeito estufa, principalmente pela queima de combustíveis fósseis, estão elevando a temperatura, com consequências como secas, ondas de calor e derretimento de geleiras.

"Durante milênios as pessoas souberam de uma relação entre saúde e clima", disse William Karesh, membro da entidade, durante entrevista coletiva em Barcelona por ocasião do lançamento de um relatório que está sendo lançado no congresso da União Internacional para a Conservação da Natureza.

Segundo ele, o estudo não é uma lista exaustiva, e sim uma ilustração da variedade de doenças infecciosas que podem ameaçar humanos e animais.

Fonte: Estadão Online

Mudança climática pode aumentar dengue no Brasil

Relatório elaborado pelo Banco Mundial (BM) e divulgado nesta terça-feira (7) afirma que falta de água potável e aumento das temperaturas, em conseqüência de mudança climática, causarão o crescimento de doenças tropicais como malária e dengue, fortemente presente no Brasil. A vice-presidente do BM para a América Latina e o Caribe, Pamela Cox, que apresentou o relatório, advertiu que uma mudança climática terá conseqüências "devastadoras" ao meio ambiente e à economia destas regiões, assim como à saúde de centenas de milhões de pessoas. A estes fatores, ela somou o aumento das catástrofes naturais, como a maior intensidade dos grandes furacões, provocando grandes perdas, dificilmente assimiláveis por países em desenvolvimento, sem contar o grande número de mortes causadas. Os efeitos da mudança climática sobre o meio ambiente, na proliferação de doenças e no desenvolvimento dos países latino-americanos tomaram conta dos debates no segundo dia do Congresso Mundial da Natureza, realizado em Barcelona, na Espanha. Especialistas da Wildlife Conservation Society (WCS) alertaram para a existência de 12 doenças que podem levar à morte tanto o homem quanto animais selvagens, e que poderiam se espalhar por novas áreas por causa da mudança climática. Entre estas doenças, estão a gripe aviária, o cólera, o ebola, os parasitas intestinais, a doença de lyme, a tuberculose e a febre amarela. Segundo o vice-presidente da WCS, William Karesh, mudanças de temperaturas e de níveis das chuvas em grandes regiões do planeta estão facilitando o deslocamento dessas doenças o que, segundo ele, terá conseqüências não apenas sobre a saúde humana e animal, mas também sobre a economia. O relatório do BM, destacou ainda que os países latino-americanos serão alguns dos que mais sofreram os efeitos de mudança climática pois, apesar de emitirem apenas 6% dos gases do efeito estufa, cerca de 77 milhões de pessoas destes territórios terão problemas de acesso a água em 2020. Cox ressaltou "o cruel e irônico" fato de que países sem quase nenhuma responsabilidade sobre o problema sejam, ao mesmo tempo, os mais vulneráveis e que menos recursos têm para se adaptar.

Fonte: Estadão Online

domingo, 5 de outubro de 2008

Mudança climática ameaça um terço das espécies vivas

A mudança climática ameaça matar até um terço das espécies do planeta até o final do século se uma ação urgente não for feita para restaurar os ecossistemas mais frágeis, proteger os animais ameaçados e administrar o crescimento econômico, disseram cientistas na quarta-feira (1º) na abertura de uma cúpula sobre vida silvestre.

"Muitas das previsões são apocalípticas. O raio de esperança, no entanto, é que ainda não perdemos a oportunidade. Ainda teremos tempo, se agirmos agora", disse a cientista Jean Brennan, que está com o grupo Defensores da Vida Silvestre e faz parte do Painel Intergovernamental para a Mudança Climática (IPCC).

A cúpula de três dias, patrocinada pela Comissão de Conservação de Peixes e Animais Silvestres da Flórida, reuniu dezenas de especialistas e pesquisadores da mudança climática para trocar idéias sobre como salvar espécies num planeta em aquecimento.

A Flórida, entre os Estados mais próximos do nível do mar nos EUA, é cercada de água por três lados e tem a única barreira corais vivos da América do Norte. Além disso, os pântanos do Estado, os Everglades, abrigam pelo menos 67 espécies ameaçadas.

A comissão estadual convocou a cúpula para aprender como melhor proteger a vida silvestre da Flórida e os recursos naturais do Estado. A elevação do nível do mar ameaça inundar a costa e as ilhas da barreira de coral, dizimando uma economia baseada no turismo.

Os especialistas destacaram que muitas requerem temperaturas específicas de seus habitats. Uma mudança de poucos graus pode extingui-las ou forçá-las a migrar.

(Fonte: Estadão Online)

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

O custo climático de um copo de leite

Forragens que levam a menos emissão de metano e substâncias inibidoras da nitrificação do solo figuram entre as soluções buscadas pelo setor agropecuário para reduzir sua contribuição para a mudança climática.Montevidéu, 28 de julho (Terramérica) - Um simples copo de leite na mesa do café da manhã pode representar um grande custo ambiental para o planeta. Por isso, produtores e cientistas buscam reduzir o impacto da agropecuária, responsável por 12% a 14% das emissões mundiais de gases que aquecem a atmosfera. Já há pesquisas para medir o custo climático desse copo de leite, ou da produção geral de leite de um país, desde a cria até à mesa.

As emissões do setor agropecuário cresceram quase 17% entre 1990 e 2005 em todo o mundo, e o maior aumento foi no Sul em desenvolvimento (32%).A fermentação intestinal do gado ruminante libera na atmosfera metano e óxido nitroso, dois potentes gases causadores do efeito estufa, também gerados pelo esterco e pela urina dos animais, pela queima de biomassa vegetal, pelo cultivo de arroz e por processos biológicos e químicos nos solos agrícolas. Ambos gases representam 70% da poluição que leva à mudança climática procedente da agricultura.

O metano e o óxido nitroso possuem, respectivamente, 21 e 300 vezes mais efeito estufa do que o dióxido de carbono, principal gás vinculado à mudança climática, liberado principalmente pelo transporte, indústria e produção de energia.Enquanto os países buscam formas de produzir mais alimentos e superar a atual carestia, especialistas da rede Learn (Rede de Pesquisa para a Redução das Emissões Pecuárias) estudam como reduzir as emissões do setor sem ameaçar sua produtividade. Disso falaram os funcionários e pesquisadores reunidos no Uruguai, entre 21 e 24 deste mês, no painel internacional Emissões Agrícolas de Gases com Efeito Estufa, organizado pela Learn.

O Terramérica foi o único meio de imprensa presente no segmento técnico desse encontro.No Uruguai, a agropecuária gera 91% das emissões nacionais de metano, e na Argentina é responsável por 44% da produção de gases causadores do efeito estufa. Com se trata de um setor muito sensível para países agropecuários como o Uruguai, a redução de gases deve garantir que o pastoreio tenha um "caráter natural", disse ao Terramérica o coordenador da Unidade de Mudança Climática do Uruguai, Luis Santos. Uma opção é modificar a dieta dos animais, substituindo forragens por variedades que levem a gerar menos emissão de metano, afirmou.Os sistemas pastoris ocupam entre 26% e 40% do total de terras produtivas do planeta.

E a pecuária emite 37% do metano e 65% do óxido nitroso gerados por atividades humanas. A grande maioria destes gases provém dos sistemas de pastoreio da América Latina e Ásia. "A concentração atmosférica de óxido nitroso continua aumentando em 0,26% ao ano. No plano global, o volume de óxido nitroso está dominado pelas fontes agrícolas. É preciso conseguir uma redução urgente destas emissões", afirmou o cientista neozelandês Tim Clough."As fontes predominantes de óxido nitroso nas pastagens incluem os excrementos dos animais e os fertilizantes nitrogenados.

O óxido nitroso é produzido nos solos por processos microbianos como a nitrificação" (conversão de amônia em nitrato), acrescentou Clough, do Grupo de Ciências Físicas e de Solos da Universidade de Lincoln, na Nova Zelândia. Clough sugeriu, como já se aplica em seu país, a utilização de inibidores da nitrificação, substâncias químicas acrescentadas a fertilizantes nitrogenados (minerais ou orgânicos) ou aplicadas diretamente no solo, que inibem as bactérias, causadoras parciais deste processo microbiológico, e o tornam mais lento.A Learn foi criada no ano passado na Nova Zelândia e é integrada por representantes da política, ciência e indústria de aproximadamente 40 paises, incluindo os grandes produtores agropecuários, como Brasil, Estados Unidos, Austrália, Índia, China e Argentina.

Seu propósito é definir métodos de medição, verificação, comunicação e mitigação dos gases causadores do efeito estufa do setor pastoril. "O primeiro objetivo é, no contexto da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática, determinar os fatores de emissão para poder realizar um inventário dos gases causadores do efeito estufa liberados pelo setor", explicou Santos."Os países do Sul, segundo a Convenção, devem tomar medidas mas não estão obrigados, como os industrializados, a reduzir suas emissões.

Por isso, nesta reunião queremos saber quanto emitem e como vão minimizar as emissões os países a isso obrigados, como a Nova Zelândia", que tem uma dependência econômica do setor pecuário semelhante à do Uruguai, acrescentou o especialista uruguaio.Neste caminho, uma pesquisa neozelandesa apresentada neste encontro mostrou os procedimentos para seguir a pista dos gases causadores do efeito estufa do setor agropecuário.

Desde a produção de leite, por exemplo, que inclui as emissões próprias do gado, até sua industrialização e transporte, que têm suas próprias contribuições de dióxido de carbono.

(Fonte: Brasil & Mundo)

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Lista oficial traz 472 espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção

Por Daniela Mendes, do MMA

A nova Lista Oficial das Espécies da Flora Brasileira Ameaçadas de Extinção elaborada pela Fundação Biodiversitas sob encomenda do Ministério do Meio Ambiente relaciona 472 espécies, quatro vezes mais que a lista anterior de 1992. Os biomas com maior número de espécies ameaçadas são a Mata Atlântica (276), o Cerrado (131) e a Caatinga (46). A Amazônia aparece com 24 espécies, o Pampa com 17 e o Pantanal com duas. Nenhuma espécie da lista anterior foi excluída.

A instrução normativa atualizando a lista foi assinada, nesta sexta-feira (19), pelo ministro Carlos Minc em solenidade no Instituto Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), com a presença do presidente do JBRJ, Lizst Vieira; da secretária de Biodiversidade e Florestas do MMA, Maria Cecília Wey de Brito; da Sociedade Botânica do Brasil, Paulo Guínter Wíndish; do diretor de pesquisa científica do JBRJ, Fábio Scarano, e do diretor de Conservação da Biodiversidade do MMA, Bráulio Dias, entre outros representantes da academia e da sociedade civil.

Segundo Minc, o desafio agora é coibir o crime ambiental, criar mais unidades de conservação, estimular a criação de RPPNs e tomar medidas para impedir o corte, o transporte e a comercialização de espécies ameaçadas. "Essa lista coloca para nós uma série de desafios para revertermos o quadro da destruição da biodiversidade e todos temos um papel importante a desempenhar", disse o ministro.

De acordo com a instrução normativa, que deve ser publicada no Diário Oficial da União na próxima semana, as espécies constantes da lista são consideradas prioritárias para efeito de concessão de apoio financeiro à conservação pelo governo federal e sua coleta será efetuada somente com autorização do órgão ambiental competente.

Também constam da lista das ameaçadas, 12 espécies de importância madeireira que já integram a lista de 1992. A nova lista adiciona uma única espécie de interesse madeireiro, o "pau-roxo" (Peltogyne maranhensis), da Amazônia. Entre as outras espécies de uso econômico estão algumas de uso alimentício (caso do palmito/juçara), medicinal (jaborandi), cosmético (pau-rosa) e também ornamental. O jaborandi e o pau-rosa também já constam da lista de 1992.

O crescimento no número de espécies em relação à lista anterior reflete não apenas o aumento das pressões antrópicas sobre a vegetação de diferentes regiões brasileiras ocorrido ao longo das últimas três décadas, mas também um melhor nível de conhecimento sobre a flora brasileira e a participação de uma parcela mais expressiva da comunidade científica no processo de elaboração da lista.

No que se refere às regiões brasileiras, o Sudeste apresenta o maior número de espécies ameaçadas (348), seguido do Nordeste (168), do Sul (84), do Norte (46) e do Centro-Oeste (44). Neste contexto, Minas Gerais (126), Rio de Janeiro (107), Bahia (93), Espírito Santo (63) e São Paulo (52) são os estados com maior número de espécies ameaçadas.

Este fato é um reflexo da presença, particularmente nas regiões Sudeste e Nordeste, dos biomas com maior número de espécies ameaçadas, caso da Mata Atlântica, bem como o fato de essas duas regiões concentrarem os estados cuja biodiversidade é mais bem conhecida.

Espécies com deficiência - Uma segunda lista elaborada pela Fundação Biodiversitas inclui as espécies com deficiência de dados (Anexo II da Instrução Normativa assinada pelo ministro Carlos Minc disponível no site do MMA), composta de 1.079 espécies. Este grupo refere-se a espécies cujas informações (distribuição geográfica, ameaças/impactos e usos, entre outras) são ainda deficientes, não permitindo seu enquadramento com segurança na condição de ameaçadas. As espécies constantes do anexo II da lista de flora ameaçada não estarão sujeitas às restrições previstas na legislação em vigor.

De acordo com a secretária de Biodiversidade e Florestas, Maria Cecília Wey de Brito, um dos importantes desafios que o MMA assume ao editar novas listas de espécies ameaçadas é assegurar que essas espécies sejam retiradas das listas e, da mesma forma, as que estão com dados insuficientes sejam esclarecidas.

Para isso, o MMA, juntamente com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e com o Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro e, em parceria com outros ministérios e a sociedade civil organizada, estão aprimorando mecanismos para a integração de esforços visando incrementar ações voltadas ao conhecimento da biodiversidade presente nos diversos biomas brasileiros e a recuperação das espécies ameaçadas.

Com a divulgação da nova lista, o MMA planeja desenvolver, juntamente com suas vinculadas, um plano estratégico coordenado pelo JBRJ voltado à efetiva conservação e recuperação das espécies ameaçadas. Este plano seguirá as diretrizes estabelecidas pelas Metas Nacionais de Biodiversidade para 2010, da Conabio, que incluem, entre outros pontos, a elaboração de planos de ação e a criação de Grupos Assessores para todas as espécies ameaçadas de extinção; a conservação efetiva da totalidade das espécies ameaçadas em Áreas Protegidas; a conservação em coleções ex situ de 60% das espécies de plantas ameaçadas e a inclusão de 10% das espécies de plantas ameaçadas em programas de recuperação e restauração.

A primeira lista das Espécies da Flora Brasileira Ameaçadas de Extinção foi editada em 1968 (Portaria IBDF nº 303), com a inclusão de 13 espécies. A segunda ocorreu em 1980 (Portaria IBDF nº 1471), com a adição de uma espécie à lista anterior. Em janeiro de 1992 foi publicada uma nova lista, (Portaria Ibama nº 6-N), desta vez com a inclusão de 107 espécies. Três meses após, por meio da Portaria Ibama nº 37-N, foi editada uma nova lista, com 108 espécies.

- Veja Lista Oficial das Espécies da Flora Brasileira Ameaçadas de Extinção em http://www.mma.gov.br/estruturas/ascom_boletins/_arquivos/83_19092008034949.pdf

Crédito da imagem: Jefferson Rudy/MMA.

Satélite indica áreas com espécies ameaçadas na Amazônia

Por Redação da Agência Amazônia

BELÉM, PA — Com a ajuda de imagens de satélites, um estudo do Museu Emílio Goeldi identificou áreas geográficas onde há maior ocorrência de espécies ameaçadas no Pará. O levantamento, baseado na modelagem ambiental, localizou a distribuição potencial para 32 espécies amazônicas ameaçadas de extinção. A novidade é assunto dos Seminários Interdisciplinares do Goeldi desta quarta-feira, 24.

As espécies identificadas constam do Extinção Zero. O programa foi lançado este ano pelo governo do Pará para monitorar plantas e animais ameaçados de desaparecer. O trabalho de modelagem ambiental é uma das ações do Projeto de Espécies Ameaçadas do Pará, realizado em parceria com a Conservação Internacional (CI).

Segundo Jorge Luís Araújo Martins, a técnica de modelagem ambiental é uma das ferramentas mais modernas e poderosas para o estudo de áreas potenciais de ocorrência de espécies animais e vegetais. “O uso de algoritmos e das informações ambientais e climáticas projetar onde se encontram as condições mais favoráveis para a ocorrência de espécies”, explica Araújo Martins, bolsista da Coordenação de Ciências da Terra e Ecologia do Museu Goeldi.

Com esse trabalho, os especialistas em biodiversidade buscam entender quais as variáveis que estão mais intimamente correlacionadas à ocorrência das espécies da Amazônia. Segundo Araújo Martins, o uso das ferramentas da modelagem ajuda a nortear os planos de ação para proteção das espécies.

A integração de dados gerados por modelagem é feita com outras bases, entre as quais o Prodes — programa criado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que usa imagens de satélite para fazer o levantamento da interferência humana sobre a floresta amazônica. Por meio do Prodes, os pesquisadores podem calcular a cobertura florestal e o potencial de ocorrência das espécies, inclusive nas unidades de conservação e terras indígenas.

Ainda segundo com Araújo Martins, as informações geradas pelos estudos sobre as mudanças climáticas globais ajudarão a entender como essas áreas de nichos evoluirão no futuro e quais serão os desafios enfrentados pelas espécies e os ecossistemas amazônicos.

Câmara técnica

A amanhã, o governo do Pará instala a Câmara Técnica Permanente das Espécies Ameaçadas de Extinção do Pará. Dois pesquisadores do Museu Goeldi — Teresa Cristina Ávila-Pires e Alexandre Aleixo — integram a Câmara. Aleixo foi um dos coordenadores do banco de dados geo-referenciado com mais de 900 espécies candidatas e a formulação da Lista Vermelha definitiva.

A criação da Câmara Técnica foi coordenada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). Cientistas e pesquisadores de várias instituições participaram o levantamento das espécies. Eles indicaram 181 espécies de plantas e animais em três categorias de risco: criticamente em perigo (CR); em perigo (EN); e vulnerável (VU).

O objetivo da Câmara é acompanhar e avaliar permanentemente a lista, propondo a inclusão ou a exclusão de espécies, ou ainda modificações de categoria de ameaça.

* Com informações fornecidas pela Agência Museu Emílio Goeldi.


(Agência Amazônia)

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Projeto busca plantas à prova de mudanças climáticas

Um projeto de âmbito global começou a procurar por plantas que tenham características que as ajudem a resistir a mudanças climáticas para, assim, desenvolver colheitas capazes de suportar o aquecimento global.

Coordenado pela organização Global Crop Diversity Trust, o projeto de US$ 1,5 milhão está realizando buscas em bancos nacionais de sementes para encontrar variedades "à prova do clima" de vários produtos, entre eles milho e arroz.

A equipe busca sementes que sejam resistentes a eventos extremos, como enchentes, secas ou mudanças constantes de temperatura.

Os pesquisadores esperam que essas variedades ajudem a proteger a produção de alimentos do impacto das mudanças climáticas.

Segundo a Global Crop Diversity Trust, a falta de material preciso e disponível prejudica os esforços de produtores para identificar o que pode ser usado para desenvolver variedades que possam resistir a condições futuras.

"Nossas plantações devem produzir mais alimento, na mesma quantidade de terra e com menos água", disse o diretor organização, Cary Fowler.

"Não há um cenário possível no qual nós possamos continuar a produzir os alimentos que precisamos sem diversidade", afirmou.

Acesso aberto - O projeto representa o mais recente estágio de um plano mais amplo da organização para conservar a variedade de plantas produzidas ao redor do mundo.

Nos últimos anos, a organização realizou uma série de encontros com especialistas na produção de alimentos básicos como trigo, arroz, lentilha e milho, com o objetivo de identificar a melhor estratégia de conservação para cada produto.

"Esses especialistas nos ajudaram a identificar quais são as mais importantes coleções de sementes em termos de diversidade genética", disse Fowler à BBC.

A informação ajudou a organização a estabelecer quais características são necessárias para que as espécies tenham as melhores chances de sobreviver no futuro.

Fowler disse que um exemplo é quando uma planta mostra um bom nível de resistência ao calor durante o período de florescimento - um estágio no qual a planta passa por mais estresse -, mas para o qual havia pouca informação.

Banco de dados - Nos próximos 24 meses, os pesquisadores esperam construir um perfil completo das várias características "resistentes ao clima" e em quais plantas elas podem ser encontradas.

"Depois disso, teremos de usar as variedades que têm essas características em programas de produção", afirmou Fowler.

Ele disse que os dados estarão disponíveis para todos - organizações públicas e privadas - em um banco de dados online.

"Os produtores poderão acessar esse banco de dados e colocar o critério de busca, daí eles receberão os detalhes de amostras que batem com as suas exigências, como resistência à seca e ao calor", afirmou.

Desenvolver plantas que produzirão mais alimentos e poderão lidar melhor com as mudanças climáticas é um caminho também seguido pelo setor de biotecnologia e grupos a favor da produção de alimentos modificados geneticamente.

Questionado sobre a possibilidade de o projeto ser usado por esses grupos, Fowler afirmou que ninguém sabe exatamente o que será necessário em 100 ou 500 anos em termos de produção agrícola e que a melhor alternativa agora é manter todas as opções possíveis.

(Fonte: Folha Online)

Ursos polares recorrem ao canibalismo

Como o verão acabou no hemisfério norte, chegou a hora dos pesquisadores computarem como o aumento da temperatura mexeu com o ártico. Um pesquisador do National Snow and Ice Data Center do Colorado afirma que a situação do continente gelado não foi tão ruim quanto no ano passado, quando se chegou ao segundo menor nível da história, mas ainda está 30% abaixo do que é considerado normal.

O monitoramento do continente é feito por satélite há 50 anos e os resultados dos últimos 5 anos preocupam muito pesquisadores e cientistas. Mesmo que este ano não tenhamos tido um verão tão rigoroso quanto no ano passado nesta parte do mundo, ainda se está perdendo muito da camada de gelo que cobre o continente. Atualmente se perde 10 por cento de gelo por década, o que é uma grande quantidade se for comparada com os resultados de 2003. Acredita-se que o gelo do Ártico derreterá completamente no verão em poucos anos.

A camada de gelo do Ártico ajuda a manter a temperatura em diversas partes do mundo. Quanto menos gelo, maior será o impacto nestes locais. Os cientistas prevêem que com o fim desta camada os raios solares não mais serão refletidos e então muitas partes dos mares, onde a água era escura e fria, passarão a absorver o calor do Sol, esquentando ainda mais o clima de todo o planeta.

Para se ter uma idéia de quanto gelo desapareceu os cientistas afirmam que há menos de 30 anos existia uma camada congelada de aproximadamente 7 milhões de quilômetros quadrados, hoje este número diminuiu 40%.

Os maiores prejudicados que conhecemos com todo este processo são os ursos polares, afinal trata-se do habitat deles. Já é de conhecimento geral que os ursos estão perdendo seus lares e que muitos estão se afogando. Agora começam a serem registrados casos de canibalismo entre ursos pois eles não tem mais acesso a suas fontes habituais de comida.

O governo americano já os colocou na lista de animais ameaçados de extinção, o que é um alívio uma vez que eles são caçados no Alaska. Mas resta saber se vai ser suficiente, porque o fim do habitat dos ursos polares pode significar também o fim da própria espécie.

Fonte: CNN