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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Carbono sem fim

Por Redação Agência Fapesp 


Agência FAPESP – As tecnologias atuais de geração de energia não são suficientes para reduzir as emissões de carbono aos níveis considerados necessários para evitar os riscos ao planeta promovidos pelo aquecimento global.

A afirmação é de um artigo publicado por cientistas dos Estados Unidos e do Canadá na edição desta sexta-feira (10/9) da revista Science. Estima-se que, para evitar os riscos das mudanças climáticas globais, seria preciso evitar que a temperatura média do mundo chegasse a 2º C acima dos níveis anteriores à Revolução Industrial.

Modelos climáticos atuais indicam que, para atingir esse objetivo, será preciso limitar as concentrações de dióxido de carbono na atmosfera em menos de 450 partes por milhão (ppm).

O problema é que permanecer abaixo desse nível implica diminuir substancialmente as emissões de combustíveis fósseis, algo que os países industrializados não estão conseguindo fazer. O nível atual é de aproximadamente 385 pp. Antes da Revolução Industrial, estava abaixo de 280 ppm.

Steven Davis, da Instituição Carnegie, de Washington, e colegas avaliaram o que ocorreria com o planeta se nenhum outro dispositivo emissor de CO2 fosse fabricado.

Nessa situação hipotética sem uma única fábrica ou automóvel novo, a infraestrutura energética atual do mundo emitiria cerca de 496 bilhões de toneladas de CO2 nos próximos 50 anos. Isso seria suficiente para estabilizar os níveis do gás na atmosfera em 430 ppm e deixaria a temperatura média em 1,3º C acima dos níveis pré-industriais.

Os riscos do aquecimento global teriam sido vencidos, mas, segundo os cientistas, o cenário hipotético ilustra bem a situação atual vivida pelo planeta. Somente de veículos automotivos, o mundo ganha a cada dia não um, mas cerca de 170 mil novos – isso segundo dados da International Organization of Motor Vehicle Manufacturers de 2009, que representaram, em meio à crise econômica mundial, queda de 13,5% em relação à produção do ano anterior.

“Até agora, os esforços feitos para diminuir as emissões por meio de regulações e de acordos internacionais não funcionaram. As emissões estão aumentando mais do que nunca e os programas para desenvolver fontes de energia ‘neutras em carbono’ estão, nos melhores casos, ainda muito incipientes”, disse Martin Hoffert, professor emérito do Departamento de Física da Universidade de Nova York, em artigo comentando o estudo de Davis e colegas na mesma edição da Science.

Mas a pior notícia é que a situação tende a se agravar ainda mais. Segundo os pesquisadores, as fontes das emissões mais ameaçadoras ao planeta ainda não foram construídas. Isso porque o mundo e suas economias simplesmente continuarão a crescer. Um exemplo é o carvão.

“À medida que o pico na produção de petróleo e de gás natural se aproxima, a produção de carvão aumenta, com novas usinas movidas a carvão sendo construídas na China, Índia e nos Estados Unidos”, disse Hoffert.

“Investimentos maciços serão cruciais para permitir que a pesquisa básica encontre e desenvolva tecnologias possíveis de serem aplicadas comercialmente e em massa. Mas a introdução de tecnologias neutras em carbono também exige, no mínimo, que sejam revertidos incentivos perversos, como os atualmente existentes para subsidiar a produção de combustíveis fósseis e que se estima serem 12 vezes maiores do que os aplicados para a energia renovável”, afirmou.

(Envolverde/Agência Fapesp)

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Biomassa evita emissão de 63 mil toneladas de C02 em 2009

 
Da Agência Ambiente Energia - O setor sucroenergético produziu, em 2009, 292 megawatts médios (MW médios) ou aproximadamente 2,6 terawatt/hora (TWh), evitando a emissão de 63 mil toneladas de CO2 equivalentes, segundo dados do boletim Análise de Conjuntura dos Biocombustíveis, relativo ao período janeiro de 2009 a março de 2010, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). No caso do uso de combustíveis renováveis, o nível de emissões evitadas chegou a 48 milhões de CO2 equivalentes.

“O uso de biocombustíveis na matriz energética nacional proporciona uma significativa redução nas emissões de gases de efeito estufa. Com a entrada expressiva de veículos flex fuel na frota brasileira, houve uma consolidação do uso do etanol hidratado como combustível”, destaca o documento.
 

terça-feira, 13 de abril de 2010

Desmatamento em fevereiro resultou na emissão de 5 milhões de ton de CO2, diz Imazon

O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) divulgou na última sexta-feira (9) os dados do desmatamento da Amazônia no mês de fevereiro de 2010, e a quantidade de emissões de gases de efeito estufa que foram causadas por essa devastação.

Segundo o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), a devastação da floresta em fevereiro resultou na emissão de 5,8 milhões de toneladas de CO2 equivalente.

As emissões provenientes da devastação nos sete primeiros meses do calendário do desmatamento (agosto de 2009 a fevereiro de 2010) foram de 60 milhões de toneladas de CO2 equivalente.

Segundo o Imazon, a emissão de gases de efeito estufa, entre agosto de 2009 e fevereiro de 2010, foi maior que a do mesmo período do ano passado.  Isso indica que o desmatamento está ocorrendo em áreas com maiores estoques de carbono.

Desmatamento aumenta em 2010

Segundo o SAD, foram desmatados 88 km2 de florestas em fevereiro de 2010, um aumento de 41% em relação ao mesmo mês de 2009, quando o desmatamento somou 62 km2.

Os dados do Imazon diferem dos dados oficiais, medidos pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe).  A ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira anunciou, na semana passada, que, segundo o Inpe ,o desmatamento caiu 51% no primeiro bimestre do ano.

Já de acordo com o Imazon, nos sete primeiros meses do calendário do desmatamento, 924 km2 foram desmatados, representando um aumento de 23% em comparação com o mesmo período do ano anterior, quando foram desmatados 749 km2.

Em fevereiro de 2010, o vilão do desmatamento foi Mato Grosso: 75% da derrubada de árvores ocorreram no Estado.  Em seguida, vêm Pará (15%) e Roraima (8%).  O SAD também registrou 99 km2 de degradação florestal - florestas que sofreram intensa exploração ou ação de queimadas, mas não foram totalmente derrubadas.  Quase toda a degradação (99%) ocorreu também em Mato Grosso.

Segundo o SAD, 60% da Amazônia estavam cobertos por nuvens em fevereiro, e por isso não puderam ser monitorados.  A região não mapeada corresponde a parte do Amapá, Rondônia, Pará e Amazonas.  Portanto, os dados nesses Estados podem estar subestimados.

Amazônia.org.br

Comissão quer impulsionar mercado de crédito de carbono no Brasil

Por Daniel Mello e Elaine Patricia Cruz, da Agência Brasil 


A comissão criada nesta segunda-feira (7/4) para elaborar as normas técnicas a fim de regulamentar o mercado voluntário de carbono do Brasil se reuniu pela primeira vez na sede da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp). Estavam presentes representantes da Associação Brasileira de Normas Técnicas, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e especialistas do setor.

Segundo o coordenador, Marco Antonio Fujihara, a “mecânica da transação” com crédito de carbono é um dos principais assuntos em discussão pelos integrantes da comissão. Ele disse que o objetivo é estabelecer metodologias para certificar os créditos, que deverão deixar o mercado mais transparente. Fujihara prevê que a regulação mais transparente poderá impulsionar o mercado de carbono no Brasil. “Os investidores se sentem mais propelidos a trabalhar em ambientes regulados”, afirmou.

Na avaliação do coordenador da comissão, o mecanismo de financiamento privado, por meio de compra e venda de créditos pode ser a maneira mais eficaz de financiar o desenvolvimento de tecnologias que emitam menos gases causadores de efeito estufa.

Para Fujihara, esse modelo seria mais importante do que os fundos públicos de adaptação climática. “Os países emergentes já têm um mercado que regula esses processos e melhor relação custo benefício, o [modelo] mais barato possível, é por meio do mercado, e não pelos fundos públicos”, disse.

Agência Brasil

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Mata fragmentada absorve menos gás carbônico enquanto cresce


Por Nibberth Silva, da Agência USP


Depois que sofre fragmentação, a mata atlântica passa a absorver menos carbono da atmosfera. A conclusão é de um estudo feito por brasileiros e alemães que simularam a evolução de fragmentos de florestas por até 400 anos e compararam-na com a de áreas florestais mais extensas.

Atualmente, cerca de um terço da mata atlântica está preservada em fragmentos de até 100 hectares. A distância média entre os fragmentos é de 1,4 quilômetros.  Segundo a Fundação SOS Mata Atlântica, o bioma cobria originalmente 1.300.000 quilômetros quadrados (km²), englobando 17 estados brasileiros, mais porções do Paraguai e Argentina. Com a destruição, sobraram cerca de 20% da cobertura original.

A redução da absorção de carbono reflete-se no “peso” da floresta. A mata atlântica intocada contém 250 toneladas de biomassa por hectare (ha). Os pesquisadores descobriram que fragmentos de 100 ha, depois de 100 anos, terão 228 toneladas de biomassa por hectare, 8,8% menos. Já um fragmento de 1 ha tem uma redução de 44%, com apenas 140 toneladas de biomassa por hectare. Fragmentos com biomassa menor também têm menor variedade de espécies, pois possuem menos recursos para alimentar a fauna e menos ambientes onde animais possam habitar.

“A mata fragmentada é como uma criança doente, que não consegue engordar. Se a floresta não está bem, o acúmulo de gás carbônico é incompleto”, compara Jean Paul Metzger, professor do Instituto de Biociências (IB) da USP que cooperou com a pesquisa. O estudo foi feito pelo Centro Helmholtz para Pesquisa Ambiental (UFZ), da Alemanha, em parceria com o IB.

A biomassa diminui nas áreas fragmentadas por que elas sofrem mais com as perturbações que acontecem nas bordas da mata. Nessas regiões, chega mais luz e vento e há maior perturbação externa, como pisoteamento pelo gado e entrada de fogo. As árvores maiores acabam morrendo e são substituídas por espécies que conseguem sobreviver nessas condições. Essas plantas, chamadas pioneiras, absorvem menos carbono, têm menor biomassa e morrem mais rápido.

Outra causa da diminuição da biomassa é que as partes centrais dos fragmentos podem ficar isoladas. Nesta condição, a população de plantas de maior porte desaparece mais facilmente com doenças e catástrofes naturais, como inundações. A perda de espécies acontece, mas o processo é mais lento do que aquele da borda.

Simulação
Para chegar aos resultados, os pesquisadores construíram um programa de computador e simularam como a floresta afetada pela fragmentação se desenvolve durante 100 a 400 anos. Eles alimentaram o programa a partir de um banco de dados da USP com informações sobre árvores em fragmentos de mata atlântica localizados em Ibiúna (SP) e numa área de mata com cerca de 10 mil ha em Cotia (SP), a Reserva Florestal do Morro Grande. O banco de dados detalha as espécies, números de plantas, altura, características ecológicas de mais de 7 mil árvores. O programa consegue determinar a influência de fatores externos e internos na evolução da floresta.

Crédito da imagem: Dr. Henning Steinicke,UFZ

Fonte: Envolverde/Agência USP de Notícias

terça-feira, 6 de abril de 2010

TERRAMÉRICA - Florestas na incerteza climática


Por Stephen Leahy* 


O uso de florestas para combater a mudança climática desperta cada vez mais desconfianças.

Montpellier, França, 5 de abril (Terramérica).- Milhares de milhões de dólares são mobilizados para proteger e multiplicar as florestas do planeta sob a iniciativa REDD (Redução de Emissões de Carbono Causadas pelo Desmatamento e pela Degradação das Florestas) contra a mudança climática. Mas alguns especialistas não crêem que funcione e outros temem que seja um desastre. A REDD “traz consigo muitos riscos”, afirma Anne Larson, que trabalha na Nicarágua como associada do Centro de Pesquisa Florestal Internacional (Cifor), instituto com sede na Indonésia.

“A maioria dos países não está pronta. Não têm políticas para proteger os direitos das populações locais e indígenas, para determinar a posse da terra ou mesmo para decidir de quem são os “créditos de carbono de uma floresta”, disse Larson em uma conferência sobre reflorestamento comunitário realizada em Montpelleir, na França, entre 24 e 26 de março. Mediante a iniciativa REDD, os países mais ricos pagariam para manter florestas tropicais, como forma de compensar suas emissões de carbono, o principal gás entre os responsáveis pelo aquecimento global. Assim, as nações obteriam “créditos de carbono” que os ajudariam a cumprir seu compromisso de redução dos gases-estufa.

O desmatamento é responsável por 20% das emissões mundiais de gases-estufa, mais do que todo o setor de transporte. Na conferência sobre mudança climática realizada em Copenhague, em dezembro do ano passado, seis países – entre eles Estados Unidos e França – anunciaram um fundo de US$ 3,5 bilhões para financiar programas REDD+, que incluem conservação e aumento dos depósitos de carbono de florestas existentes. No final de março, outro US$ 1 bilhão foi acrescentado ao fundo e foi criado um comitê de dez nações para conduzir um programa mundial REDD+, que poderia ser aprovado em novembro, na conferência sobre mudança climática que as Nações Unidas realizarão no México.

Para Larson pode ser muito cedo, segundo um estudo de três anos realizado em dez países tropicais, para documentar a evolução dos direitos agrários das comunidades e de pequenos agricultores nas duas últimas décadas. “Mesmo quando o Estado reconhece o direito de posse, depois não respeita nem apoia”, disse Larson ao Terramérica. O estudo “Forests for people: community rights and forest tenure reform” (Florestas para as pessoas: direitos comunitários e reforma da posse florestal) foi apresentado na conferência de Montpellier, organizada pelo Cifor junto com duas entidades francesas.

Apesar de várias reformas agrárias, que nas últimas décadas reconheceram direitos de posse a populações locais, houve poucas mudanças em muitas regiões devido a vazios legais, descumprimento das leis, corrupção e burocracia, afirma o estudo. “Sim, há novas oportunidades para algumas comunidades, mas não podemos dizer que o reconhecimento de seus direitos resolveu o problema”, afirma Larson. Há questões cruciais no desenho e na aplicação da REDD, insiste. A maior parte dos governos a veem do plano nacional e não levam em conta os impactos nas comunidades locais.

Muitas outras nem mesmo identificam mecanismos para distribuir de maneira justa a renda e os benefícios desses programas. “Quem decidirá para onde vai todo esse dinheiro?”, pergunta Larson. Por outro lado, o desmatamento acabou, na última década, com 13 milhões de hectares por ano. A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) informou, no dia 25 de março, uma ligeira redução: na década de 90 eram 16 milhões de hectares anuais. “Já que nada deteve o desmatamento, talvez a REDD consiga”, admite Larson. É uma grande oportunidade e um grande perigo, afirma.

Há muita especulação, segundo David Bray, professor e presidente-adjunto do departamento da Terra e do Meio Ambiente da Florida International University. A REDD é uma tarefa complexa e “os mercados de carbono exigem créditos verificáveis”, disse Bray ao Terramérica. Verificar quanto carbono há em uma floresta e quanto é retido em 40, 60 ou 80 anos é um assunto técnico muito difícil. “Para as comunidades que vivem nela, será muito árduo”, alerta.

Vários projetos-piloto estão em andamento com o programa ONU-REDD de US$ 50 milhões que as Nações Unidas implementaram para ajudar países em desenvolvimento a conceber como poderia ser garantido o beneficio para a nação, a selva e as comunidades locais. Um deles é aplicado na selva de Budongo, uma floresta tropical chuvosa do noroeste de Uganda.

O economista ambiental Glenn Bush, do norte-americano Woods Hole Research Center, estudou as comunidades próximas a Budongo para determinar se o dinheiro da REDD pode compensar as perdas sofridas para deter o uso tradicional da floresta. “É muito complicado. Depende da situação no lugar e inclusive da época do ano”, disse Bush em Montpellier. “Há momentos do ano, por exemplo, durante as secas, em que nenhum dinheiro pode proporcionar o que as pessoas precisam e obtêm da floresta, como comida e água”, afirmou.

* O autor é correspondente da IPS.

LINKS

Florestas entram no comércio de carbono
http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=port&idnews=1477

Florestas são muito mais que depósitos de carbono
http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=port&idnews=3303&olt=445

Indígenas pressionam por florestas e selvas – 2009, em espanhol
http://ipsnoticias.net/nota.asp?idnews=90717

Centro de Pesquisa Florestal Internacional, em inglês
http://www.cifor.cgiar.org/

Programa ONU-REDD, em inglês
http://www.un-redd.org

Diretrizes operacionais para o Programa ONU-REDD: Participação dos povos indígenas e outras comunidades dependentes das florestas, PDF em espanhol
http://www.un-redd.org/Portals/15/documents/events/20090309Panama/Documents/UN%20REDD%20IP%20Guidelines%20%5BSp%5D%2026Mar09.pdf

Avaliação dos Recursos Florestais Mundiais 2010 da FAO, em inglês, francês e espanhol
http://www.fao.org/forestry/fra/fra2010/es/

Woods Hole Research Center, em inglês
http://www.whrc.org/

Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.

Fonte: Envolverde/Terramérica

Mata fragmentada absorve menos gás carbônico enquanto cresce


Por Nibberth Silva, da Agência USP 


Depois que sofre fragmentação, a mata atlântica passa a absorver menos carbono da atmosfera. A conclusão é de um estudo feito por brasileiros e alemães que simularam a evolução de fragmentos de florestas por até 400 anos e compararam-na com a de áreas florestais mais extensas.

Atualmente, cerca de um terço da mata atlântica está preservada em fragmentos de até 100 hectares. A distância média entre os fragmentos é de 1,4 quilômetros.  Segundo a Fundação SOS Mata Atlântica, o bioma cobria originalmente 1.300.000 quilômetros quadrados (km²), englobando 17 estados brasileiros, mais porções do Paraguai e Argentina. Com a destruição, sobraram cerca de 20% da cobertura original.

A redução da absorção de carbono reflete-se no “peso” da floresta. A mata atlântica intocada contém 250 toneladas de biomassa por hectare (ha). Os pesquisadores descobriram que fragmentos de 100 ha, depois de 100 anos, terão 228 toneladas de biomassa por hectare, 8,8% menos. Já um fragmento de 1 ha tem uma redução de 44%, com apenas 140 toneladas de biomassa por hectare. Fragmentos com biomassa menor também têm menor variedade de espécies, pois possuem menos recursos para alimentar a fauna e menos ambientes onde animais possam habitar.

“A mata fragmentada é como uma criança doente, que não consegue engordar. Se a floresta não está bem, o acúmulo de gás carbônico é incompleto”, compara Jean Paul Metzger, professor do Instituto de Biociências (IB) da USP que cooperou com a pesquisa. O estudo foi feito pelo Centro Helmholtz para Pesquisa Ambiental (UFZ), da Alemanha, em parceria com o IB.

A biomassa diminui nas áreas fragmentadas por que elas sofrem mais com as perturbações que acontecem nas bordas da mata. Nessas regiões, chega mais luz e vento e há maior perturbação externa, como pisoteamento pelo gado e entrada de fogo. As árvores maiores acabam morrendo e são substituídas por espécies que conseguem sobreviver nessas condições. Essas plantas, chamadas pioneiras, absorvem menos carbono, têm menor biomassa e morrem mais rápido.

Outra causa da diminuição da biomassa é que as partes centrais dos fragmentos podem ficar isoladas. Nesta condição, a população de plantas de maior porte desaparece mais facilmente com doenças e catástrofes naturais, como inundações. A perda de espécies acontece, mas o processo é mais lento do que aquele da borda.

Simulação
Para chegar aos resultados, os pesquisadores construíram um programa de computador e simularam como a floresta afetada pela fragmentação se desenvolve durante 100 a 400 anos. Eles alimentaram o programa a partir de um banco de dados da USP com informações sobre árvores em fragmentos de mata atlântica localizados em Ibiúna (SP) e numa área de mata com cerca de 10 mil ha em Cotia (SP), a Reserva Florestal do Morro Grande. O banco de dados detalha as espécies, números de plantas, altura, características ecológicas de mais de 7 mil árvores. O programa consegue determinar a influência de fatores externos e internos na evolução da floresta.

Crédito da imagem: Dr. Henning Steinicke,UFZ

Fonte: Envolverde/Agência USP de Notícias

"Ambientalista cético" propõe comprar ar-condicionado como solução inteligente de adaptação ao aquecimento global

Por Aldrey Riechel, do Amazônia.org.br



O autor do livro "O Ambientalista Cético" e professor adjunto da Copenhagen Business School, Bjorn Lombor, defendeu nesta terça-feira (29) soluções "inteligentes" para que as pessoas se adaptem ao aquecimento global.  Para ele, investir em medidas como compra de ar-condicionados e pintar as cidades de brancos seria mais eficaz do que diminuir as emissões de gases de efeito estufa.

Lombor abriu o segundo dia do Fórum Internacional de Estudos Estratégicos para o Desenvolvimento Agropecuário e Respeito ao Clima (FEED), organizado pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA).  O evento começou neste domingo (28) e acontece até terça-feira (30) em São Paulo.

Algumas das medidas eficazes e inteligentes, segundo Lombor seriam: pintar as cidades de branco para economizar energia e diminuir o calor decorrente do aumento da temperatura, tornar os ar-condicionados disponíveis para toda a população para diminuir o impacto do aumento da temperatura, modificar geneticamente bois e vacas para diminuir a emissão de gases que causam o efeito estufa da atividade pecuária, dentre outras.

Para ele, soluções que resultariam na diminuição das emissões de gases de efeito estufa seriam um desperdício de dinheiro e significariam paralisar o desenvolvimento dos países.  Lombor acredita que o aquecimento global não é um problema que deveria preocupar o mundo.  Ele ironizou a frase "como você quer ser lembrado pelas gerações futuras", utilizada por Al Gore em seu documentário sobre o aquecimento global, ao dizer que se o mundo investir 180 bilhões de dólares em redução de emissão de gases, será lembrado como a geração que investiu grande quantidade de dinheiro e não alcançou resultados.

Resolvendo o aquecimento global

Um dos pontos mais destacados por Lombor é que o aquecimento global iria salvar milhares de pessoas que deixariam de morrer por causa do frio.  "Al Gore diz que, com o aumento da temperatura, pessoas vão morrer de calor.  Não é muito difícil chegar a esta conclusão.  Temos um estudo que diz que em cada ano vão morrer umas 2 mil pessoas por causa do calor, mas não dizem que, com o aumento da temperatura, menos pessoas vão morrer por causa do frio!".  Segundo ele, somente no Reino Unido serão 20 mil mortes evitadas pelo calor.

O professor também deu a solução para salvar os ursos polares: parar de matá-los. Ele admite que o aquecimento global irá prejudicar também esses animais, mas afirma que diminuir as emissões não irá salvar mais do que 1 urso polar por ano.  "Mas todos nós matamos, atiramos em cerca de 300 a 500 ursos polares. Não sei vocês, mas eu pensaria em uma solução mais eficiente como parar de atirar nesses ursos", explica.

Dessa forma, o palestrante tentou alertar o público de que o aquecimento global é um problema, mas não "é o pior do século".  Segundo Lombor, a forma como esse tema é tratado pelos cientistas, ambientalistas e pela imprensa serve para causar terror nas pessoas.  Mas, isso não representa uma tentativa de conspiração contra o mundo.  "Eles querem o bem para o mundo, nós também queremos e vamos pensar em como fazer da melhor maneira", diz Lombor.  Para ele, as propostas atuais envolvem muito dinheiro, não fazem bem e nem chegarão a ser implementadas.

Além disso, ele afirma que os acordos mundiais para redução de emissão nunca chegarão a ser cumpridos.  Lombor diz que reduzir CO2 custa caro e a maioria dos países que prosperaram aumentaram suas emissões.  "Um país rico produz mais CO2, mas se você tentar reduzir vai crescer menos".  Para ele, a experiência com a ECO 92, realizada no Rio de Janeiro, e com o Protocolo de Quioto, mostrou que as metas não serão atingidas, já que os países não têm interesses em cumpri-las.

Fonte: Amazônia.org.br

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Entra em vigor resolução que obriga inspeção veicular em todo o País

A Resolução nº 418, de 25 de novembro de 2009, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que torna obrigatória a inspeção veicular nos estados e cidades do país com mais de 3 milhões de veículos, foi publicada na edição desta quinta-feira, 26 de novembro, do Diário Oficial da União.

Com a publicação, estados e municípios ficam obrigados a elaborar planos para realizar a inspeção de suas frotas de veículos. Atualmente, só a cidade de São Paulo e estado do Rio de Janeiro fazem a fiscalização. Segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), referentes a maio de 2009, tem mais de 3 milhões de veículos os estados de Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul.

"O ministério está muito imbuído politicamente para que a Resolução seja implantada em todo o país", diz Rudolf de Noronha, gerente de projetos do Departamento de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente. De acordo com o documento, devem passar pela inspeção para controle de poluição todos os veículos automotores, motociclos e veículos similares, independentemente do tipo de combustível que utilizem.

As condições da inspeção serão definidas no Plano de Controle de Poluição Veicular (PCPV), que deverá ser elaborado pelos estados em até 12 meses contados a partir da publicação da Resolução no DOU. E, a partir de sua implantação, veículos que não tenham passado pela fiscalização não terão o licenciamento anual renovado. "Esperamos que, em um ano, todos os estados já estejam com seus planos prontos", diz Noronha. "Estaremos à disposição para colaborar tecnicamente no que for preciso", reforça.

Uma espécie de guia para a gestão do controle da poluição veicular, o PCPV deverá ter por base, quando houver, o inventário de emissões de fontes móveis e o monitoramento da qualidade do ar. O plano vai estabelecer, ainda, a extensão geográfica e as regiões a serem priorizadas; a frota-alvo e respectivos embasamentos técnicos e legais; o cronograma preliminar de implantação; a periodicidade da inspeção; a análise econômica; e a forma de integração, quando for o caso, com programas de inspeção de segurança veicular.

Com o controle, o Conama pretende reduzir os casos de poluição decorrentes de falhas de manutenção e de alteração nos projetos originais dos veículos. Os resultados esperados são a melhoria da qualidade do ar, com a consequente melhoria da saúde pública e aumento da expectativa de vida dos habitantes das grandes cidades. A redução das emissões veiculares reflete diretamente na questão do aquecimento global e na questão da concentração de ozônio na troposfera, responsável pelo efeito estufa.

ASCO/MMA

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Obama irá à COP para falar sobre 'intenção' de corte de CO2 em 17%




Presidente americano passará por Copenhague dia 9, a caminho de Oslo.
Ele deve fazer discurso sobre números que constam de projeto de lei.

As grandes decisões sobre compromissos e eventuais metas só serão tomadas no final da COP, entre os dias 17 e 18 de dezembro.

Segundo o jornal 'The New York Times', também citando um funcionário da Casa Branca, Obama fará um discurso aos delegados afirmando que seu país pretende reduzir as emissões de gases-estufa em 17% até 2020, na comparação com os níveis vigentes em 2005. A meta constava de projeto de lei aprovado pela Câmara dos Representantes no dia 26 de junho (por 219 votos contra 212). Em debate no Senado, uma emenda alterou a meta para 20%.

Ou seja, se o teor do discurso se confirmar, Obama estará sendo mais modesto que os senadores em seus objetivos de contenção dos gases-estufa.

Entre analistas, a avaliação é que a aprovação da legislação até o início da conferência é praticamente impossível. Obama vai falar, portanto, sobre intenções que ainda dependerão do aval dos parlamentares americanos.

Lei parada no Senado americano fixa a redução das emissões de gases-estufa dos EUA em 3% até 2012; 20% até 2020; 42% até 2030 e 83% até 2050

"Nosso objetivo lá... não é um acordo parcial ou uma declaração política, mas sim um acordo que cubra todas as questões presentes nas negociações e um que tenha efeito operacional imediato"

Líderes de mais de 60 países já tinham confirmado presença no encontro - no qual representantes de mais de 190 países pretendem chegar a um acordo para combater as mudanças climáticas a partir de 2012, quando vence o Protocolo de Kyoto -, mas o presidente americano era a grande incógnita. Na sexta-feira, o chefe das Nações Unidas para mudança climática, Yvo de Boer, havia afirmado que a presença de Obama "faria uma enorme diferença".

Na terça-feira da semana passada, Obama declarou, em visita à China, que as negociações para enfrentar o aquecimento global devem chegar a um novo acordo com “efeito operacional imediato”, ainda que o objetivo original de um pacto com efeito jurídico vinculante (ou seja, um tratado, com metas compulsórias) esteja ao que tudo indica fora do alcance.

"Nosso objetivo lá... não é um acordo parcial ou uma declaração política, mas sim um acordo que cubra todas as questões presentes nas negociações e um que tenha efeito operacional imediato", disse. O presidente americano não especificou, porém, o que seria um acordo com efeito operacional imediato. Sem uma lei aprovada em seu país, não há como os EUA se empenharem imediatamente em um programa de redução de emissões.

EUA e China respondem juntos por 40% das emissões mundiais de gases causadores do efeito estufa, principalmente dióxido de carbono (CO2) emitido pela queima de combustíveis fósseis.

Histórico

A legislação sobre energia limpa dos Estados Unidos está em debate no Senado . Avalia-se que a Conferência do Clima não tem condição de decidir muita coisa se o Congresso dos EUA não tiver resolvido se aprova ou rejeita o projeto de lei.

Além de estabelecer limites para emissões de gases-estufa, o projeto de lei proposto pelos democratas no dia 31 de março cria um mercado nacional de créditos de carbono.

De autoria dos parlamentares Henry Waxman (Califórnia) e Edward Markey (Massachusetts), a Lei de Energia Limpa e Segurança da América, de 1.200 páginas, fixa um compromisso de redução de emissões de 17% até 2020, em relação aos níveis de 2005. Também fixa a redução das emissões de gases do efeito estufa pelas principais fontes dos EUA em 3% até 2012; 42% até 2030 e 83% até 2050.

Os compromissos delineados pelo Protocolo de Kyoto, ao qual os EUA nunca aderiram, referem-se aos níveis vigentes em 1990.

Já no Senado, a meta de corte subiu 3 pontos porcentuais, para 20%, por iniciativa da senadora democrata Barbara Boxer. A meta pedida por Obama no primeiro esboço do projeto era redução de pelo menos 25%.

Fonte: G1.

Aquecimento Global, Efeito estufa, CO2

Wilson Luiz Bonalume P.h.D. - Doutorado em Ciências Ambientais - Alumni: New York University – Columbia University Sherwood University of London – Prof. Direito Ambiental. Pós-Grad. Universidade de São Paulo – Univer. Federal Fluminense . Pesquisador Universidade de Alfenas, M.G. – O.A.B. 11.320- SP


O clima da terra tem apresentado grandes variações no decurso de sua história, causadas por fatores diversos, alguns de origem natural em sua composição, outros por mudanças na alteração e posição de alguns continentes, variações nas bacias marítimas e até na interferência da radiação solar, que influenciaram sua posição geográfica.

Mas, a humanidade só tem causado os maiores problemas, face à elevação da temperatura do planeta em 4ºC, depois do século XX.

AS causas principais que provocaram, entre outras, a continua emissão de gases, denominados de EFEITO ESTUFA foram a queima de combustíveis dos veículos, tudo que perturba o ambiente. A poluição do ar é facilmente constatável pela emissão de fumaça poluente.

Nos Estados Unidos os combustíveis utilizados pelos veículos são causadores da emissão de 68% de monóxido de carbono (CO), bem como 42% de óxidos de nitrogênio NOx, 52% de gases relativos orgânicos, 24% de materiais particulados e 6 % de dióxido de enxofre (SO3) e 29% de dióxido de carbono (CO2), o responsável básico do aquecimento global, cujo aumento anual é aproximadamente 0,4%.

Originando a emissão excessiva do gás CO2 e também as que originam incêndios na floresta, para uso do imóvel em pastagens, que a prática condenou por franqueza da terra, ante a ausência dos elementos, nutrientes naturais.

Como conseqüência, enorme quantidade de mata nativa está se transmudando em savanas e campos estéreis e até a fauna e flora estão em processo de extinção, face á derrubada de seu meio de vida, que são as florestas, principalmente na Amazônia.

E as calotas polares estão se derretendo por causa do aumento da temperatura, sendo que o nível dos oceanos já subiu 1 metro, ameaçando as cidades praianas!

Mas quando todo o gelo polar derreter, os oceanos subirão por 30 metros, acabando com todas as cidades do litoral!

Vamos esperar que isso aconteça? Como evitar uma autentica catástrofe? Já estamos passando da hora de consertar o problema...

“A pesquisadora Raquel Ghini, da Embrapa Meio Ambiente, escreveu o livro “Mudanças climáticas globais e doenças de plantas”, que enfatiza a necessidade da tomada de providências pró-ativas, evitando o aparecimento ou ressurgimento de doenças no reino vegetal. O livro está dividido em oito capítulos, que tratam das mudanças climáticas na agricultura, os efeitos dessas mudanças sobre o ciclo das relações patógeno/hospedeiro e os impactos nas doenças das plantas. Descreve o efeito do CO2 sobre as doenças das plantas e discute os métodos de pesquisa mais adequados para esses estudos.

Esta publicação estabelece, de maneira didática, a necessidade de intervenção imediata para impedir o agravamento do problema, sendo o incentivo à agro-energia uma das maneiras mais adequadas de enfrentar o desafio.

Para uma avaliação mais precisa dos benefícios ambientais do biodiesel, é necessário levar em conta todo seu ciclo de vida envolvendo a produção de sementes, fertilizantes, agrotóxicos, preparo do solo, plantio, processo produtivo, colheita, armazenamento, transporte e consumo desse combustível renovável. Quanto ao efeito estufa, deve-se avaliar a quantidade de gases emitida em todas as fases desse ciclo e deduzi-la do volume capturado na fotossíntese da biomassa que lhe serve de matéria-prima.”

Por Fim:

“Os benefícios ambientais podem, ainda, gerar vantagens econômicas para o país. O Brasil poderia enquadrar o biodiesel nos acordos estabelecidos no protocolo de Kyoto e nas diretrizes dos Mecanismos de Desenvolvimento Limpo - MDL. Existe, então, a possibilidade de venda de cotas de carbono por meio do Fundo Protótipo de Carbono - PCF, pela redução das emissões de gases poluentes, e também de créditos de seqüestro de carbono, por meio do Fundo Bio de Carbono - CBF, administrados pelo Banco Mundial.

Países como Japão, Espanha, Itália e países do norte e leste europeu têm demonstrado interesse em produzir e importar biodiesel, especialmente, pela motivação ambiental. Na União Européia, a legislação de meio ambiente estabeleceu que, em 2005, 2% dos combustíveis consumidos deverão ser renováveis e, em 2010, 5%.

Ressalte-se, contudo a matriz energética brasileira é uma das mais limpas do mundo. No ano de 2001, 35,9% da energia fornecida no Brasil é de origem renovável. No mundo, esse valor é de 13,5%, enquanto que nos Estados Unidos é de apenas 4,3%.”
Fonte: BiodieselBr.com

A propósito ver nosso estudo,

“BIODIESEL A SOLUÇÃO DO AGRONEGÓCIO.”

Fonte: O autor

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Alemanha e França selam acordo sobre emissão de CO2

Um telefonema entre Nicolas Sarkozy, presidente da França, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, selou no domingo (7) um acordo entre os dois países em torno do Pacote Energia-Clima, que será analisado na quinta (11) e na sexta (12) pelos 27 líderes da União Européia, em Bruxelas. A decisão sobre o projeto, que prevê a redução das emissões de CO2 em 20% até 2020, é importante porque pode influenciar os rumos da 14ª Conferência do Clima em Poznan, na Polônia.

A confirmação do pacto entre os dois países foi feito por meio de um comunicado distribuído na noite de domingo pelo Palácio do Eliseu. "Sobre o Pacote Energia-Clima, eles (Sarkozy e Merkel) confirmaram o desejo de fechar o acordo no Conselho Europeu", diz a nota. Também chamado de 3x20, o Pacote Energia-Clima é um projeto de lei ambiental que vem sendo analisado pelos 27 países-membros do bloco. Entre suas metas, estão a redução de 20% das emissões de gases de efeito estufa, o uso de 20% de energia renovável, e 20% de redução do consumo de energia.
 
Fonte: Estadão Online

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Agricultura gera 30% de emissões de CO2, diz FAO

Por Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, informou que os setores de agricultura e florestas podem desempenhar um papel maior no combate ao aquecimento global.

Segundo um estudo da FAO, 30% das emissões que causam o efeito estufa são produzidos por florestas e atividades agrícolas como o uso de fertilizantes e a liberação de gás metano.

Desmatamento

O diretor-geral assistente da FAO, Alexander Mueller, disse que o desmatamento e o setor agrícola são um dos maiores responsáveis pela mudança climática.

Mas segundo ele, com a ajuda de agricultores e de trabalhadores que se utilizam da floresta, a tendência pode ser revertida.

No estudo, a FAO pede mais investimentos nos países em desenvolvimento para treinamento de pescadores, pequenos produtores e agricultores.

Biomassa

A agência da ONU afirma que 42% da biomassa terrestre são gerenciados por agricultores e pastores de rebanhos.

Mueller afirmou que o aquecimento global já está afetando a vida de comunidades rurais em várias partes do mundo com redução de rebanhos, perda de plantações e escassez de recursos marinhos

Fonte: Envolverde/Rádio ONU

'Detetives' do carbono rastreiam gases do efeito estufa nos EUA

Enquanto se espremia em um elevador do tamanho de uma cabine telefônica para subir uma torre de 300 metros nas planícies do leste do Colorado, Arlyn Andrews disse, com um sorriso: “Isso me faz querer escalar rochas”.

É bom que ela goste de escalar altas estruturas. Andrews, uma cientista da atmosfera da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, em Inglês) em Boulder, Colorado (EUA), escala a torre periodicamente para assegurar que os finos tubos que ligam a torre a analisadores próximos estejam coletando corretamente amostras de dióxido de carbono, metano e um coquetel de outros gases do efeito estufa.

O elevador rangeu e parou cerca de cinco minutos mais tarde em um posto a 250 metros, onde a delgada sombra da torre avançava sobre um campo de girassóis vizinho nos primeiros raios da manhã. “Somos capazes de detectar toda a mistura de emissões aqui – o que vem do tráfego de automóveis, da indústria, do desenvolvimento residencial e da agricultura”, disse Andrews.

Ela é uma entre muitos 'detetives' do carbono: cientistas que acompanham e analisam de onde vêm os gases do efeito estufa e para onde eles vão com o tempo. Compare isso com suas finanças pessoais. Para planejar um futuro financeiro sadio, é preciso criar um orçamento e acompanhar como o dinheiro está sendo gasto. Da mesma forma, cientistas da atmosfera precisam desenvolver um “orçamento” para gases do efeito estufa.

No entanto, a atmosfera não entrega relatórios mensais sobre a dinâmica dos gases do efeito estufa, então os cientistas precisam retirar a informação de fontes diversas e muitas vezes contraditórias. A tarefa-chave é mensurar as fontes, ou emissões, desses gases que aquecem o planeta, e os “estoques” – florestas, plantações e oceanos que absorvem o elemento. Esse orçamento pode então respaldar uma política inteligente de controle climático, seja gerenciando uma floresta ou desenvolvendo regulamentos nacionais para as emissões.

Meia década de estudo - A jornada para acompanhar o carbono teve início há 50 anos, quando um cientista da atmosfera, David Keeling, através de um analisador, criou o primeiro observatório de medição de dióxido de carbono do mundo, em Mauna Loa, Havaí. Agora, graças a uma crescente combinação de técnicas de medição atmosférica e terrestre, cientistas podem quantificar mais precisamente as fontes e estoques de CO2. Eles também compreendem melhor como os gases que retêm o calor variam de acordo com tempo e espaço, não só globalmente, mas também em escala continental e regional.

Ao aplicar os diversos métodos e compará-los entre si e com modelos de computador, os cientistas também estão distinguindo com mais exatidão certos gases do efeito estufa de causa humana daqueles que derivam de flutuações naturais em ecossistemas terrestres e oceânicos.

As apostas são muito mais altas hoje do que há 50 anos. Globalmente, os estoques de carbono estão sendo ultrapassados pelo aumento de emissões. Instrumentos atmosféricos como a rede de oito torres financiada pela NOAA oferecem aos cientistas do clima uma janela para os processos que controlam as emissões e estoques de gases estufa.

No entanto, a incerteza permanece alta – às vezes tão alta quanto as próprias estimativas. Por exemplo, pesquisadores acreditam que cerca de metade do CO2 emitido na atmosfera é absorvido pelos oceanos e pela terra, mas eles não sabem precisamente de onde vêm os gases e onde eles vão parar. Essa lacuna de conhecimento tem sérias implicações nas políticas públicas; até que fique claro para onde estão indo as emissões, continuará sendo difícil ter créditos verificáveis para seqüestro de carbono.

“Precisamos ter certeza de que os mercados de carbono estejam afetando a mudança do clima, e não apenas colocando dinheiro nas mãos de algumas empresas e pessoas,” disse Lisa Dilling, professora-assistente de ciência ambiental da Universidade do Colorado, Boulder.

Contas que não batem - Um incômodo desafio é que as avaliações de inventário da superfície – baseadas em medições de florestas, campos de agricultura e emissões de chaminés, por exemplo – geralmente não batem com medições atmosféricas.

“Precisamos fechar o orçamento do carbono para saber precisamente o que está indo para onde”, disse Kevin Gurney, professor-assistente de ciências terrestres e atmosféricas da Universidade Purdue, em Indiana.

Com esse objetivo, no último mês de abril, Gurney iniciou o Projeto Vulcan. Com o nome do deus do fogo romano, Vulcan é um banco de dados massivo e um mapagráfico que mostra mudanças de hora em hora em emissões de CO2 derivado da queima de combustíveis fósseis em todos os locais e de todas as fontes, incluindo veículos, usinas e fábricas.

Outra ferramenta que mapeia o orçamento de carbono para cientistas da atmosfera é chamada de CarbonTracker, um sistema de análise de dados iniciado no ano passado por Pieter Tans, um experiente cientista do Laboratório de Pesquisa de Sistemas da Terra e seus colegas da NOAA. O sistema online mostra como o CO2 flui pelos continentes e como isso varia a cada ano.

Tans começou a rede de altas torres em 1992. Ele espera expandi-la das oito estruturas atuais para 30. Os instrumentos mais avançados foram introduzidos no ano passado na Califórnia – um em São Francisco e o outro em San Joaquin Valley, perto de Sacramento.

Neste verão, um estudo continuado em uma torre de medição localizada em campos de milho e soja em West Branch, estado de Iowa, revelou que as plantações sugavam uma quantidade surpreendentemente alta de CO2 da atmosfera durante a estação de cultivo no verão – chegando a 55 partes por milhão, de um nível equivalente de CO2 de 380 partes por milhão.

Todo agricultor sabe que o milho cresce rápido e absorve grandes quantidades de carbono no processo, e mais tarde respira CO2 quando é colhido ou deixado para se decompor. Mas esta foi a primeira vez que os cientistas detectaram uma redução tão grande no inventário de CO2 sobre uma região específica durante a estação de cultivo. O estudo também mostrou uma grande queda na concentração de CO2 desde o verão anterior, provavelmente porque enchentes atrasaram a estação de cultivo deste ano, disse Andrews.

A rede de torres de medição melhorou drasticamente as amostras de ar coletadas por pequenos aviões. E as torres cobrem uma área mais ampla do que instrumentos menores e baseados em terra, como as supostas torres de fluxo, que medem quantas toneladas de CO2 fluem para dentro e para fora de um lote específico de terra, de aproximadamente um quilômetro quadrado.

Do alto - Em janeiro, uma nova fase para os instrumentos atmosféricos de medição de CO2 terá início quando a Nasa lançar o primeiro satélite de rastreamento de carbono, chamado de Observatório de Carbono em Órbita.

Diariamente, o aparelho orbitará a Terra 15 vezes, tomando quase 500 mil medições da “impressão digital” que o CO2 deixa no ar entre o satélite e a superfície terrestre. Os dados serão usados para a criação de um mapa de concentrações de CO2 que ajudará cientistas a determinar precisamente onde estão as fontes e os estoques – mostrando diferenças em gases de menor representatividade com precisão de até uma parte por milhão contra um fundo equivalente de CO2 de 380 partes por milhão.

No final do processo, muitos cientistas esperam que suas descobertas respaldem políticas públicas em relação ao clima, como limites obrigatórios sobre emissões impostos pelo congresso.

“É uma prioridade nacional compreender o orçamento de carbono, de forma que as pessoas possam fazer políticas inteligentes e eficazes”, disse Gurney de Purdue, acrescentando que muitos cientistas se sentem pressionados em expandir as fronteiras do conhecimento deste campo em seus esforços para diminuir o aquecimento global. “É isso o que nos motiva a acordar para trabalhar de manhã.”

Fonte: G1

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Empresas lançam código de boas práticas climáticas

Por Fernanda B Muller, do Carbono Brasil

Instituições financeiras engajadas com os Princípios Climáticos poderão se recusar a oferecer financiamento para projetos que não revelarem as emissões de CO2 que produzem.

Um grupo de grandes bancos, em conjunto com o The Climate Group, lançou ontem o primeiro código de boas práticas para guiar as empresas que desejarem se engajar na luta contra as mudanças climáticas.

As instituições que assumirem os chamados Princípios Climáticos terão que considerar o impacto das suas decisões de investimentos e dos seus serviços sobre as emissões de dióxido de carbono (CO2).

Crédit Agricole, HSBC, Munich Re, Standard Chartered e Swiss Re, algumas das maiores instituições financeiras do mundo, foram as primeiras a se comprometer, podendo agora se recusar a oferecer financiamento para projetos que não revelarem as emissões de CO2.

“A atual instabilidade global reforçou o fato que problemas globais necessitam soluções globais. O reconhecimento antecipado dos riscos e oportunidades das mudanças climáticas é essencial para o sucesso futuro do setor”, esclareceu o CEO do The Climate Group, Steve Howard, quanto aos objetivos do código.

As empresas que buscarem financiamentos nos bancos comprometidos com os Princípios Climáticos terão que revelar as emissões que produzem e buscar maneiras de reduzí-las ou compensá-las sempre que possível.

Mais investimentos em tecnologias limpas

Os bancos também concordaram em maximizar financiamentos para tecnologias com baixas emissões de CO2 e em melhorar a capacitação para o apoio ao comércio de emissões, derivativos climáticos, créditos de energias renováveis e outras commodities relacionadas com o clima.

Os derivativos climáticos são instrumentos financeiros que podem ser utilizados por organizações ou indivíduos como parte de uma estratégia de gerenciamento de risco com o objetivo de reduzir as ameaças associadas às condições climáticas adversas ou inesperadas. As seguradoras terão que oferecer conselhos sobre mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

De acordo com o The Indian Times, os Princípios Climáticos não guiarão apenas os compromissos operacionais de redução das emissões de gases do efeito estufa, mas fornecerão um direcionamento estratégico para toda a gama de produtos e serviços financeiros incluindo pesquisas, gerenciamento de ativos, atividades de bancos corporativos, de investimentos e de varejo, seguros, e financiamento de projetos.

Os princípios são voluntários, mas as empresas que se comprometerem terão que publicar um relatório anual entregue a um comitê que será responsável por avaliar a compatibilidade com o código de boas práticas.

“Os Princípios Climáticos auxiliarão as instituições financeiras globais na redução dos riscos climáticos, sendo eles físicos, regulatórios, comerciais ou reputacionais, e ajudarão os clientes a prosperar com novas oportunidades de investimentos e fontes de crescimento, que conduzirão a transição para uma economia de baixas emissões de carbono”, salientou Nicolas Stern, economista ex-chefe do Banco Mundial que publicou o famoso relatório homônimo.

Dúvidas

A revista online Ethical Corporation questiona o fato de apenas cinco empresas terem se comprometido com os princípios, que, segundo a publicação, estão longe de ser exigentes; o que levanta a dúvida sobre a disposição dos bancos para financiar a transição para uma economia de baixas emissões de carbono.

Outra dúvida é qual será a prioridade dos bancos em um momento em que o foco é a sobrevivência à crise. Ontem, por exemplo, o HSBC anunciou o corte de 500 postos de trabalho no Reino Unido. “É um começo, nada mais”, ressalta o blog de tecnologias limpas Greenbang, alegando que apesar das boas intenções, há uma real falta de metas e detalhes sobre o nível de investimentos que os bancos estão preparados para fazer em apoio a tudo isso.

O Climate Group é uma organização independente que auxilia governos e empresas a desenvolver soluções para as mudanças climáticas e para uma economia com baixas emissões de carbono.

Para mais informações acesse o site do Climate Group (inglês) - http://www.theclimategroup.org/about/corporate_leadership/climate_principles

* Com informações de veíulos internacionais.


Fonte: Envolverde/CarbonoBrasil

Estudo diz que mercado de gases estufa cresceu 41% em 2008

O mercado mundial de compra e venda de cotas de emissão de gases causadores do efeito estufa cresceu 41% na primeira metade deste ano, para 38 bilhões de euros, segundo dados apresentados nesta quarta-feira (3) pela Associação Internacional de Comércio de Emissões (IETA).

As transações de cotas de dióxido de carbono (CO2), o gás mais poluente, também aumentaram nos primeiros seis meses de 2008, passando das 1,2 bilhão de toneladas de 2007 para aproximadamente 1,84 bilhão de toneladas.

O estudo da IETA, divulgado durante a conferência das Nações Unidas para a Mudança Climática, realizada desde segunda-feira, 1, na cidade polonesa de Poznan, assinala que a compra e venda de poluentes poderia se desenvolver ainda mais se os EUA acreditassem em um mercado nacional de CO2.

Atualmente a União Européia centraliza a maior parte dessas operações relacionadas com direitos poluentes, com cerca de 70% do volume total global.

De acordo com o Protocolo de Kioto, os países mais desenvolvidos devem reduzir progressivamente suas emissões de gases causadores do efeito estufa para os níveis de 1990, embora as dificuldades para conseguir essa diminuição faça com que o mercado de compra de direitos de emissão tenha se desenvolvido nos últimos anos como fórmula para evitar sanções por excesso de poluição.

A Conferência das Nações Unidas termina no próximo dia 12 de dezembro, quando se espera que governantes de todo o mundo entrem em acordo para alcançar um pré-pacto que permita fechar um protocolo pós-Kyoto na próxima reunião, em Copenhague, em 2009.

Fonte: Estadão Online

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

UE obtém acordo para reduzir emissões de CO2 em carros

A União Européia obteve na segunda-feira (1º) um acordo para obrigar as montadoras a reduzir as emissões de CO2 de seus veículos novos a partir de 2012.

O compromisso, que faz parte dos esforços da UE para combater o aquecimento global, foi obtido durante negociações entre representantes dos 27 países do bloco, do Parlamento Europeu e da Comissão, após vários meses de discussões.

O acordo prevê um escalonamento entre 2012 e 2015 desta redução imposta às montadoras, até chegar a média de 130 gramas de CO2 por quilômetro (g/km) para a totalidade dos veículos produzidos. Em 2005, a emissão média foi de 159 g/km por veículo produzido.

A Comissão havia proposto inicialmente a redução total a partir de 2012, sem escalonamento, mas a medida foi severamente criticada por montadoras de diversos países.

Pelo acordo fechado na segunda-feira, 65% dos novos veículos estarão adequados em 2012, 75% em 2013, 80% em 2014 e 100% em 2015. Este escalonamento será compensado por um novo objetivo de redução, de 95 g/km para 2020.

Cada montadora deverá atingir um objetivo próprio para que a UE consiga a redução média de 130 g/km.

A italiana Fiat deverá reduzir a 122 g/km, os franceses Renault e Peugeot-Citroën a entre 126 e 127 g/km, e a alemã VW a 132 g/km.

Os construtores de modelos mais caros, como Jaguar, Maserati e Ferrari, também contribuirão para a redução, de maneira diferenciada.

Estão previstas multas progressivas para quem não cumprir as metas, de até 95 euros por veículo por cada 3 g/km.

Fonte: Folha Online

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Brasil quer reduzir em 4,8 bilhões de toneladas emissões de CO2

Plano do clima prevê redução de 72% do índice de desmatamento na Amazônia

O governo brasileiro quer reduzir em 72% o índice de desmatamento na Amazônia até 2017. O Plano Nacional sobre Mudança do Clima, lançado ontem no Palácio do Planalto, prevê a redução de 40% no primeiro quadriênio, 30% no segundo e 30% no terceiro, atingindo cinco mil Km2 em 2017. Isso equivale a 4,8 bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) a menos na atmosfera. O documento aponta outras medidas a serem tomadas nas áreas de produção de energia elétrica, álcool, biodiesel e carvão. "Isso é mais do que o esforço de todos os países desenvolvidos. A Inglaterra, por exemplo, quer reduzir 80% até 2050", avaliou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

O documento, elaborado com a participação de 17 ministérios, traz, pela primeira vez, metas voluntárias nacionais para redução de emissões de gás carbônico provocadas pelo desmatamento. As metas de redução têm como base a média de desmatamento entre 1996 e 2005 que é de 19 mil km².

No Brasil, o desmatamento e as queimadas são responsáveis por 75% das emissões de gases causadores do efeito estufa. Segundo Minc, o estabelecimento de metas de redução de emissões - que enfrentava resistência no governo brasileiro - só foi possível porque mudou a relação política dentro do governo e a percepção da sociedade e de outros segmentos sobre o tema.

"O bom de ter meta é que cada um tem que fazer sua parte", disse Minc ao afirmar que não só o governo federal, mas a sociedade como um todo tem de assumir seu papel, suas responsabilidades e trabalhar para que os objetivos do plano sejam alcançados.

O ministro informou ainda que o plano passará por avaliações anuais. "O plano não é uma obra acabada. Vamos ter acompanhamento setor por setor, meta por meta, todo ano. Assim podemos fazer os ajustes necessários e avaliar nosso desempenho", esclareceu durante sua apresentação do plano aos representantes do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas. A secretária de Mudanças Climáticas do MMA, Suzana Kahn, também participou da reunião.

Segundo Minc, no plano há também metas importantes de redução associadas ao etanol e ao biocombustível que, em 15 anos, vão significar a redução de 508 milhões de toneladas de CO2. "Queremos ampliar em 11% ao ano a participação desses combustíveis na nossa matriz", afirmou o ministro.

Somado ao esforço de combate ao desmatamento haverá estímulo a políticas de incentivo para uso de energias limpas como a solar, incentivo ao uso de automóveis que emitam menos e gastem menos combustível, à reciclagem, além de metas importantes para redução do desperdício de energia.

O aumento do número de árvores plantadas é outra meta importante do plano. "Queremos passar de 5,5 milhões de hectares para 11 milhões de hectares em 2017, sendo 2 milhões de nativas", informou Minc.

O passo seguinte é definir metas setoriais com compromissos por setor e por região. Minc informou que no início de 2010 o plano deverá passar por uma revisão incorporando novas sugestões e os dados do novo inventário de emissões que está em elaboração pelo Ministério de Minas e Energia.

Fonte: MMA

Grande emissor de CO2, Polônia sedia reunião sobre clima

A conferência da Organização das Nações Unidas, ONU, para o aquecimento global, uma reunião fundamental para alcançar um texto que substitua o Protocolo de Kioto, começa nesta semana na Polônia, um dos países mais dependentes de carbono e um das que mais emitem CO2 na atmosfera.

"Estamos otimistas e esperamos que, graças a esta conferência, a política energética de nosso país mude e se reduza o uso do carbono. Esta é a responsabilidade do governo polonês com organizador da assembléia", disse Magdalena Zowsik, do Greenpeace na Polônia.

Não é nenhum exagero falar em dependência de carbono no caso da Polônia, já que 93% da energia do país é obtida deste material, o combustível mais contaminante e maior emissor de gases de efeito estufa, associado com o desenvolvimento industrial do século XX, e engrenagem fundamental da economia polonesa.

Este "amor" desenfreado pelo carbono, uma paixão que é compartilhada com a Austrália, China e África do Sul, coloca o país centro-europeu entre os vinte Estados que mais produzem dióxido de carbono, apesar de contar com uma população que não chega a 40 milhões de habitantes e uma indústria que não tão desenvolvida.

"Nossos governantes nunca se preocuparam com o meio ambiente", lamenta Sowski, que lembra que o Executivo polonês autorizou neste ano a abertura de uma nova mina de carbono a céu aberto, nos limites do parque natural do Milênio, no oeste do país, o que, para os ecologistas, trará conseqüências funestas para a flora, fauna e aos habitantes da região.

Além disso, a Polônia lidera um grupo de países do Leste da Europa que pedem modificações no acordo europeu de luta contra o aquecimento global, ao considerar que este pode frear seu crescimento econômico em um momento de crise financeira mundial, e aumentar sua dependência energética com a vizinha, Rússia, da qual já chega a imensa maioria de gás e de petróleo consumido.

O polêmico plano europeu pretende cortar as emissões de CO2 até reduzir os níveis a equivalentes nos anos 90, o que afetará especialmente os setores energéticos fortemente dependentes do carbono.

Para Grzegorz Wisniewski, diretor do Instituto de Energias Renováveis, IEO, os políticos hão de se conscientizar de que "produzir eletricidade empenhando energias renováveis será menos custoso do que através do carbono e, além disso, permitirá que a Polônia se beneficie da venda de cotas de CO2 não utilizadas, energia verde, biocombustível e tecnologia".

Pelo contrário, outros peritos sustentam que o país não está preparado para o salto das energias renováveis, uma vez que, por enquanto, seria impossível satisfazer a demanda que gera o seu rápido crescimento econômico.

A realidade é que a Polônia conta com 100 vezes menos geradores eólicos que a vizinha Alemanha, apesar de ter condições geográficas similares, e o governo estuda desenvolver uma central nuclear em conjunto com a Lituânia, dentro de uma estratégia de longo prazo.

Desta forma, os delegados de mais de 190 países que estarão presentes no evento terão que trabalhar para superar a dependência do CO2 das centrais de carbono polonesas e, o mais importante, superar a temível crise financeira, que ameaça cortar a distribuição de recursos para lutar contra o aquecimento global.

O secretário geral da Convenção da ONU pelo Aquecimento Global, Yvo de Boes, assegura que a crise econômica é uma oportunidade para que os países se esforcem mais na luta contra as mudanças climáticas.

Fonte: Estadao.com.br

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Emissão de carbono atingiu recorde em 2007, diz estudo

Por João Rosário, da Rádio ONU em Nova York

A Organização Meteorológica Mundial, OMM, anunciou que as emissões de carbono na atmosfera atingiram um nível recorde em 2007. De acordo com um estudo, lançado essa terça feira pela OMM, a quantidade de dióxido de carbono aumentou 0,5% se comparada ao ano anterior.

Radiações

Segundo a agência da ONU, o uso de combustíveis fósseis e outras atividades humanas são responsáveis pela emissão de gases poluentes, que retêm as radiações e levam ao aquecimento do planeta.

O estudo sugere que os níveis de dióxido de carbono na atmosfera aumentaram 37% nos últimos 25 anos.

Mas de acordo com especialistas, ainda é cedo para saber se há também um aumento dos valores de gases como o metano ou outros responsáveis pelo efeito de estufa.

Redução

As Nações Unidas estão liderando negociações para formatar a segunda fase do Protocolo de Kyoto, que prevê a redução de emissões de gases que causam o aquecimento global.

A próxima reunião sobre o tema ocorre em dezembro, em Poznan, na Polônia.

Para ouvir esta notícia clique em http://downloads.unmultimedia.org/radio/pt/real/2008/0811259i.rm ou acesse: http://www.unmultimedia.org/radio/portuguese/detail/7866.html


Fonte: Envolverde/Rádio ONU