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domingo, 30 de janeiro de 2011

Retrospectiva 2010: os principais acontecimentos ambientais do ano


Final de ano é tempo de fazer promessas para ano que se aproxima, além, é claro, de relembrar os fatos que nos marcaram durante o ano que se finda. Infelizmente, não somente coisas boas; mas mesmo as mais difíceis têm seus aspectos positivos.

O ano de 2010 está terminado, e o E esse tal meio ambiente? faz uma retrospectiva de alguns fatos que, em nossa opinião, tiveram grande importância para este ano.

Eleições Presidenciais: o fator Marina Silva 


Embora não tenha sido eleita, e nem ao menos ter chegado ao 2º turno, Marina Silva foi a grande surpresa das eleições. A então candidata do Partido Verde levou à discussão das questões ambientais ao centro do debate eleitoral, fazendo os demais candidatos mudar de postura, e até mesmo de opinião. A ex-senadora Marina Silva teve 20 milhões de votos.

O projeto de construção da Usina de Belo Monte


Apesar de estar em discussão há quase 20 anos, o debate sobre a construção da Usina de Belo Monte tornou-se mais forte este ano. Para realização da obra seria necessário um gasto de mais de R$ 19 bilhões, além do deslocamento de mais de 20 mil indígenas e o desmate de 50 mil hectares em zona de mata na Floresta Amazônica.

Vazamento de petróleo no Golfo do México


O acidente na plataforma Deepwater Horizon, da empresa BP, vitimou 11 pessoas e causou um dos maiores desastres ambientais do mundo. Cerca de 200 milhões de galões de petróleo vazaram no Golfo do México, ao longo de vários meses a partir de abril. O prejuízo financeiro foi de aproximadamente 11, 2 bilhões de dólares, já o ambiental é inestimável.

Mudanças no Código Florestal Brasileiro 
 

As alterações no Código Florestal foram propostas pelo deputado Aldo Rebelo e apresenta mudanças significativas no atual Código, entre elas estão: a redução das áreas de preservação permanente (APPs), como matas ciliares e topos de morro, e as reservas legais (RLs), que são partes de propriedades privadas que não podem ser desmatadas.

A votação do novo Código Florestal deve ocorrer logo no início de 2011.

Política Nacional de Resíduos Sólidos


A Lei de Resíduos Sólidos é um grande progresso para solucionar a questão do lixo no país. Ela deverá incentivar todo um novo setor da economia baseado na reutilização e reciclagem, impulsionando o desenvolvimento sustentável e a geração de “empregos verdes”.

A COP-16 e seu final relativamente positivo 


Apesar da COP-16 não ter terminado com um grande acordo sobre a redução de gases do efeito estufa, algumas surpresas positivas vieram de Cancún.Uma delas foi a criação do “fundo verde” que até 2020 deverá liberar US$ 100 bilhões por ano com o objetivo de apoiar os países em desenvolvimento.

Muitos dos acontecimentos acima ainda terão repercussão nos próximos anos, mas principalmente neste ano que se aproxima. Esperemos as discussões e, quem sabe, o tão esperado acordo climático que vá oficializar e até obrigar os países a reduzirem suas emissões, na COP-17, na África do Sul. Esperemos também uma boa saída em relação ao Código Florestal e às negociações de Belo Monte. É bom lembrar que, junto com o novo ano, um novo governo se inicia… e precisamos torcer e fazer parte dessa mudança.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Novo método de extração pode fraturar o meio ambiente

  
Por William Fisher, da IPS 


Nova York, 30/8/2010 – Com a limpeza do Golfo do México a meio caminho, as empresas de energia já preveem um ataque ambientalista sobre o que asseguram ser o próximo marco em matéria de extração de recursos naturais: o “fracking”, ou “fratura hidráulica”. Trata-se de um processo que implica injetar grandes volumes de água e produtos químicos em reservas subterrâneas para fraturar as rochas e assim liberar gás e petróleo.

Os críticos dizem que este método pode envenenar os fornecimentos de água. Também afirmam que utiliza grande quantidade de água doce e gera muita água residual, com limitadas opções de eliminação. Segundo a indústria do setor, o “fracking” é usado em aproximadamente 90% dos poços em operação hoje em dia, e entre 60% e 80% dos novos terão de usar para continuarem sendo viáveis.

As empresas afirmam que o processo é seguro. Entretanto, as operações de fratura hidráulica estão vinculadas a riscos ambientais que podem ter importantes implicações financeiras para as empresas envolvidas, o que aumenta os controles em matéria de regulação.

O Congresso norte-americano encomendou à Agência de Proteção Ambiental (EPA) que estude o impacto ambiental potencial do “fracking” sobre a água potável, a saúde humana e no meio ambiente, depois que alguns moradores queixaram-se no programa de televisão Sixty Minutes, da rede CBS. Esta matéria também atraiu a atenção de grupos de acionistas, que este ano apresentaram propostas que afetam uma dezena de empresas que praticam este método, das quais foi exigido mais clareza sobre os riscos.

As operações de fratura hidráulica implicam o movimento de armazenamento e eliminação de vários milhões de litros de água e produtos químicos tóxicos. Por culpa da falta de transparência, pode ser muito difícil saber quais químicos as empresas utilizam. Em vários Estados onde operam companhias de gás natural, foram registrados vazamentos, punições por descumprimento de normas e litígios vinculados ao processo de fratura.

Das 12 propostas apresentadas, seis foram submetidas a votação dos acionistas, obtendo apoio entre 21% e 42% dos mesmos. “Estamos satisfeitos com o tipo de voto que recebemos, em apoio a uma proposta ambiental para o primeiro ano”, disse Larisa Ruoff, da Green Century Capital Management, firma com sede na cidade de Boston especializada em investimentos ambientalmente responsáveis.

O interesse de consumidores e indústria é tão grande que a EPA foi obrigada a adiar sua quarta audiência – a última – por razões de segurança. A decisão chega menos de 24 horas após esta agência anunciar que transferia sua audiência da Universidade de Binghamton para um centro de convenções em Siracusa, no Estado de Nova York, a 105 mil quilômetros dali.

A agência criticou a Universidade, dizendo que esse centro de estudos queria aumentar a quantia que cobrava de US$ 6 mil para US$ 40 mil. A Universidade disse prever a presença de aproximadamente oito mil pessoas, bem como manifestações de organizações ambientalistas e de partidários das perfurações, o que exigiria um lugar maior, aumentando os custos em matéria de segurança. Ainda não foi marcada nova data nem nova sede para a audiência.

As audiências buscam ajudar a definir o alcance do estudo da EPA. As três anteriores aconteceram em Fort Worth, no Estado do Texas, Denver, no Colorado, e Canonsburg, na Pensilvânia. Mais de 1.200 pessoas participaram da última. A EPA realiza seu estudo enquanto empresas de gás adentram na região de Marcellus Shale, principalmente para explorar as jazidas existentes no subsolo de Nova York, Pensilvânia, Virgínia Ocidental e Ohio, além de outras reservas do país.

Com as opiniões do público apresentadas por escrito nas quatro audiências, a Agência pretendia completar o projeto do estudo até setembro, iniciá-lo em janeiro e ter os primeiros resultados até o final de 2012. Os investidores afirmam que os últimos acontecimentos tornam mais importante que nunca que sejam revelados os riscos existentes.

No começo deste mês, o Departamento de Proteção Ambiental da Pensilvânia ordenou à firma EOG Resources que suspendesse as perfurações nesse Estado após a explosão de um poço da companhia. Segundo o Departamento, “o incidente apresentou uma séria ameaça para a vida e a propriedade”. Na reunião anual da EOG, em abril, cerca de 30% dos acionistas votaram a favor da proposta.

A atenção dos meios de comunicação sobre a fratura hidráulica e o grau de preocupação pública sobre os potenciais impactos ambientais dispararam desde 2007. Em junho, o programa Sixty Minutes divulgou uma nota sobre o “fracking” que não informou aos telespectadores sobre quais produtos químicos são injetados no solo.

Em seguida, o documentarista Josh Fox abordou o tema em seu “Gasland”, agora exibido pela rede HBO. Nele relata o catastrófico vazamento de óleo causado entre abril e julho pela multinacional British Petroleum (BP) no Golfo do México e os efeitos ambientais dos esforços da indústria para extrair recursos naturais.

Ao percorrer o país, Josh comprovou que onde era comum a prática do ”fracking” também abundavam os efeitos negativos: uma proporção incomum de aumento dos casos de câncer, água que em geral não era potável e inclusive inflamável, animais que perdiam o pelo, entre outros. Segundo ele, são 450 mil destas explorações de gás em todo o país, com uma proposta de mais cem mil em Nova York e outras cem mil na Pensilvânia.

Não surpreende que a indústria do gás natural veja as coisas de um modo bastante diferente. A América’s Natural Gas Alliance, grupo de pressão a favor da indústria, disse que a água inflamável mostrada no documentário era assim porque o poço de água do dono da casa foi cavado em um “bolsão de gás natural”. Também afirmou, citando informe da EPA, que a mortandade de peixes que Josh denuncia no filme não se deve à exploração de gás natural, mas aos resíduos líquidos da mineração de carvão. Envolverde/IPS

(IPS/Envolverde)
 

Mudanças climáticas em multimídia

 
Da Agência Ambiente Energia – !Isso Não é Normal, site multimídia sobre mudanças climáticas, está no ar, com reportagens, vídeos, entrevistas e mapas interativos sobre o tema no Brasil. Neste primeira etapa, o projeto tem como base a cidade de São Paulo. Depois, a iniciativa vai tratar da questão climática em Santa Catarina e, na última fase, destacará a região Nordeste do país.

A página São Paulo Vulnerável traz gráficos e mapas extraídos do estudo “Vulnerabilidade das Megacidades Brasileiras às Mudanças Climáticas: Região Metropolitana de São Paulo”, divulgado em junho por uma equipe multidisciplinar de pesquisadores, coordenada por Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

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Fonte: Ambiente Energia

sábado, 12 de dezembro de 2009

A natureza do humano

Silvio Ricardo Carvalho, Ambientalista, licenciado em geografia e produtor rural. “Água é vida, adote uma nascente e conserve a sua!” - vascopreto@yahoo.com.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. 

O meio (inteiro) ambiente requer cuidados, estes indispensáveis a saúde, que vão além das conferências, tratados e fronteiras. Quanto a saúde, reintera-se a tudo que existe e reexiste sobre a nossa “casa”, a nossa terra... E ei que pergunto então qual terra? Quão vastos são os seus espaços e tantos sobre ela passam fome. Quem dirá aqui, o país das safras recordes, que não alimentam e nem enxem a barriga da ordem e do progresso... E ei que pergunto qual o progresso? Quão vastos são as arrecadações e os tributos para alimentar a corrupção!

O mundo é um só e a natureza mãe de todos e nós definitivamente não estamos sendo bons filhos. Filhos eslavos, turcos, brasileiros, africanos, asiáticos e americanos... Pois ao se tratar do ar e da água que preparam o solo para um equilíbrio que atenda as necessidades básicas de cada ser vivo sobre o planeta, todos somos iguais, no ar, na terra ou no mar. Então façamos conferências e mais conferências sem conferir a necessidade de todos: árvores e demais vegetais, anfíbios, répteis, insetos, aves, demais mamíferos etodos os mais. O mundo está de olho em Copenhague, Dinamarca. Os olhos humanos, pois os demais interessados e inquilinos mais antigos desta casa possuem uma cegueira que desumana aos nossos olhares! Isto que é ser humano? Não perguntem a tartaruga que vence a lebre!

O nosso lugar está em todos os lugares sem sair do mesmo... Mais ainda em tempos de globalização, o quirinopolino torna-se um cidadão do mundo, vasto mundo que de tão grande cabe dentro de nosso coração. E ei que pergunto então: temos coração? O mesmo “lixo” que contaminam as nossas artérias entopem as veias dos rios, oceanos, solos e até do espaço. O excesso de nosso consumo não se decompõe naturalmente na natureza. Mas sim a desconfigura, transforma e destroi. E então somente nos resta as lástimas cancerígenas que correm a nossa natureza na alma planetária.

Quem quer viver no inferno? Ninguém, todos almejamos o paraíso... Mas será que o construimos no dia a dia, nas nossas ações para com a vida, o paraíso que desejamos. O paraíso existe em nossa realidade, só que preferimos transformá-lo em inferno para alimentar o nosso ego. Ego este que vem de hilux completa, ou o que preferir, desde quem pague a conta seja o banco que cobra juros que a nossa “natureza” não suporta mais pagar. Consumo que gera consumo que se multiplica por mais consumo. A questão é que embaixo do carpete natural não existe mais espaço para escondermos nossas mazelas e ainda ficamos a desejar que o problema nunca chegue a nossa porta! Ledo engano, pois as portas que não se abrirem serão arrombadas pelas águas, terremoto, furacões e tsunamis. E ai será uma catástrofe anunciada pelos telejornais que insistem em dizer: a chuva em São Paulo matou mais 20 pessoas! A chuva, então o problema agora é do ciclo hidrológico que ficou louco e não dos problemas sociais gerados pela pobreza da inculturação humana. Grite por socorro, quem sabe a polícia não poderá te ajudar!

Precisamos que as conferências familiares resgatem os valores de nossa tão amada alma dilacerada pelos desastres naturalmente cometidos por nós mesmos... Não esperemos respostas prontas, com receita e tudo, dos nossos líderes mundiais reunidos sobre a espectativa do mundo inteiro em Copenhague. E sim façamos estas ações no nosso quotidiano, respeitando em nós a natureza de tudo a nossa volta, coletiva e individualmente, dia após dia, para que os nossos decendentes valorizem o nosso nome mais do que nossa herança e deste modo conquistem um valor verdadeiro que possa ser pago pelo planeta!

Fonte: O autor

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Brasil divide opiniões em Poznan

A semana decisiva para as discussões diplomáticas da 14ª Conferência do Clima das Nações Unidas, em Poznan, Polônia, dirá se, ao fixar metas para a redução do desmatamento da Amazônia, o Brasil se tornou líder ou vilão na questão ambiental. Apresentadas na segunda-feira, em Brasília, dentro do Plano Nacional de Mudanças Climáticas, as metas de reduzir 70% o desflorestamento vêm dividindo opiniões em Poznan.

O País é elogiado por se comprometer com números, atitude vista por parte dos analistas como arrojada, em uma conferência marcada por evasivas. Mas enfrenta críticas de ambientalistas por prever objetivos "pouco ambiciosos", reconhecendo, na melhor das hipóteses, a perda 70 mil km² de floresta - um território igual ao da Bélgica e da Holanda somados.

O plano nacional, divulgado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, marca uma reviravolta na política de Estado para a Amazônia. Cobrado desde sempre nos fóruns internacionais, o Brasil até aqui não aceitava estipular metas para redução do desmatamento enquanto nações industrializadas não se comprometessem.

Segundo o consenso da comunidade científica em 2007, 20% das emissões mundiais de gases-estufa têm origem no desflorestamento. No Brasil, essas emissões representam 75% do total. Pelo texto, o governo se responsabiliza a reduzir em 40% o desmatamento médio anual no período 2006 a 2009 comparado a 1996-2005. Nos períodos seguintes (2010-2013 e 2014-2017), a meta passa para 30% em cada etapa. Com isso, o País evitaria a emissão de 4,8 bilhões de toneladas de gás carbônico (CO2) até 2017.

Em Poznan, os primeiros sete dias de discussões foram impactados pelas divergências na União Européia, pelas evasivas de China e Índia e pela indiferença ao tema de parte da delegação dos EUA. Em meio à crise financeira, quando nenhuma delegação se mostra disposta a anunciar metas ambiciosas, o Brasil enviou sinal forte, dizem observadores.

"Estão todos impressionados em Poznan. O fato de as metas serem muito limitadas ainda não ressoou", disse Paula Moreira, advogada do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia. "De maneira geral, o PNMC provocou uma reação positiva", confirmou Juliana Russar, da ONG Vitae Civilis. "Para os outros países, o Brasil, um país em desenvolvimento e com papel-chave nas negociações, apresentar um plano sobre mudanças climáticas é considerado relevante."

Mas o discurso elogioso pode virar crítica ao longo desta semana, quando os representantes das delegações governamentais tentarão detalhar o "mapa do caminho" de um futuro acordo pós-Protocolo de Kyoto, previsto para ser assinado em Copenhague, em 2009. Paulo Adario, coordenador da Campanha de Amazônia do Greenpeace, reconhece que o PNMC criou euforia na Polônia, mas também ceticismo. "Houve um entusiasmo grande. Mas também tive contato com delegações que me disseram: 'O Brasil não está falando sério?'", conta.

Uma prova dos argumentos que podem vir contra o Brasil nesta semana são os discursos dos militantes ambientalistas. Na quinta-feira, Jamie Woolley, da seção britânica do Greenpeace, analisou as intenções do ministério: "Na superfície, o plano deveria soar ambicioso e visionário, mas mesmo que as metas sejam alcançadas, elas reduzirão o desmatamento, mas não acabarão com ele." A ONG diagnosticou pontos fracos: metas restritas ao desmatamento ilegal - quando o Congresso analisa a ampliação da área legal de desflorestamento - e baseadas em previsões de doações ao Fundo da Amazônia que podem não se concretizar.

Um termômetro preciso da reação gerada pela iniciativa brasileira será conhecido na quinta ou na sexta, quando Carlos Minc apresentará o PNMC na Conferência do Clima.

Fonte: Andrei Netto / Estadao.com.br

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Cruzada pessoal pela natureza

Por Daniela Estrada*

Santiago, 1º de dezembro (Terramérica) - A chilena Elba Muñoz resgata e cuida de macacos maltratados, a peruana Trinidad Vela reviveu uma área seca que acabou salvando sua comunidade da seca, o argentino Rubén Pablos há 12 anos restaura a floresta nativa patagônia e a cubana Ângela Corvea semeia consciências.

“Algumas pessoas me vêem como heroína e outras como uma louca”, conta ao Terramérica a parteira Elba Muñoz, de 58 anos, fundadora do Centro de Resgate e Reabilitação de Primatas de Peñaflor, 40 quilômetros a oeste da capital chilena.

Dos US$ 6 mil que o Centro gasta mensalmente, 70% são desembolsados por Elba e sua família. O restante é doado por mais de 240 “padrinhos”. Hoje abriga 145 macacos de dez espécies, a maioria vítima do tráfico de animais, que chegam doentes e feridos.

A história começou no dia 8 de dezembro de 1994, quando bateram à sua porta oferecendo Cristóbal, um pequeno macaco barrigudo (Lagothrix lagotheicha). Ela comprou o animal e cuidou dele como se fosse um filho, sem imaginar que à sua casa chegariam outros primatas resgatados do tráfico e abandonados. Em 1996, criou o Centro, que acolhe macacos de circos, zoológicos e inclusive de um laboratório de universidade.

Estudou sobre primatas, visitou santuários, escreveu um livro, colaborou com publicações acadêmicas e fez exposições em seminários. Hoje busca patrocínio do governo para obter financiamento privado, conta esta mulher casada e mãe de quatro filhos. O Centro abriga a única colônia de macacos barrigudos que se reproduziram em cativeiro na América Latina. Elba acredita que sua obra serviu para sensibilizar a população sobre maus-tratos de animais. O tráfico de macacos diminuiu muito, garante. Paradoxalmente, a meta do Centro é desaparecer quando os animais morrerem de velhice. “Todos os macacos em cativeiro estão mal. O Centro é uma prisão, a melhor do Chile, mas uma prisão”, diz com tristeza.

Certas pessoas tornam possível que no epicentro da destruição surja a vida. No Peru, Trinidad Vela é uma delas. Nasceu há 72 anos no povoado amazônico de Juanjuí, cortado pelo Rio Huallaga, que nos anos 80 se converteu em cemitério de vítimas do conflito interno, encurralado pelos narcotraficantes e pelo desmatamento. Ali, em uma área depredada por pastagens na região de San Martín, esta filha de agricultores com formação escolar incompleta, plantou, há 14 anos, uma floresta que conseguiu ressuscitar o caudal de um riacho seco. Em 2005, essa água salvou seus vizinhos agricultores da pior seca vivida pela Amazônia.

“No começo, todos pensavam que eu estava louca porque não queria cortar nem queimar o mato, e comecei a plantar espécies para recuperar o caudal de nosso riacho. Diziam ‘como desperdiça terreno e não trabalha a terra?”, conta Vela ao Terramérica. Enquanto outros plantavam coca ou laranja, ela plantava árvores de mogno e cedro para que as águas e as aves, mamíferos e insetos que alguma vez saíram do lugar voltassem para seu hábitat.

Construiu seu sonho acompanhada da filha Karina, com perseverança e poucos recursos, até convertê-lo na única experiência registrada de restauração de paisagem em uma área de pastagens. Hoje o lugar é a primeira área de conservação privada da região e tem o nome da ressuscitado riacho: Pucunucho. “Depois daqueles dias sem água, as pessoas começaram a compreender a importância das florestas, que são necessárias para nossas vidas”, afirma Vela.

Na Argentina, Rubén Pablos lidera, desde 1996, um projeto de reflorestamento da floresta nativa na cidade de San Carlos de Bariloche. Os incêndios, que na década de 90 arrasavam dez mil hectares por ano do Parque Nacional Nahuel Huapí, sacudiram sua consciência. Pablos nasceu no subúrbio de Buenos Aires. Em 1982 combateu na guerra contra a Grã-Bretanha pelas Ilhas Malvinas/Falkland Islands e em 1990, sem emprego nem profissão, foi trabalhar como artesão em Bariloche. “Sempre me interessei pela natureza, mas em Bariloche me preocupava com a floresta que se degradava”, conta ao Terramérica.

Inicialmente canalizou sua inquietação como bombeiro florestal voluntário. Essa experiência lhe permitiu ver que nenhum órgão trabalhava para recuperar o que o fogo destruía. Assim, nasceu o Projeto de Restauração da Floresta Nativa Andino-Patagônia. A iniciativa inclui o Viveiro Florestal Bariloche, que produz 50 mil mudas de diversas espécies para reflorestamento. “Fazemos palestras em escolas sobre as funções da floresta e levamos duas mil crianças por ano para plantar árvores em áreas afetadas pelos incêndios”, disse Pablos, que se define como “autodidata” e agora dirige a Associação Civil Semear.

Em 2004, conseguiu criar o Dia da Floresta Nativa. Desde então, por determinação municipal, no segundo domingo de maio acontece em Bariloche uma campanha de reflorestamento. A iniciativa foi copiada por outros municípios patagônios. Atualmente, o Parlamento argentino estuda um projeto para que a data seja comemorada em todo o país.

Em Cuba, Ângela Corvea, de 59 anos, semeia conscientização. Bióloga marinha aposentada, com duas décadas trabalhando com educação ambiental, Corvea divide seu tempo entre palestras e trabalhos práticos em escolas e outros locais, a coordenação em seu município da campanha internacional “Limpando o mundo”, e o Acualina, seu projeto líder, criado em 2003. Tudo isto sem descuidar de sua filha Elisa, de 24 anos, que sofre seqüelas de uma paralisia cerebral infantil. Sua mensagem é dirigida às crianças. “São como esponjas, recebem tudo o que se coloca em suas mentes. Minha intenção é alertá-los e preocupá-los, e também ocupá-los”, disse ao Terramérica.

Com Acualina, uma personagem que a televisão estatal difunde em seus canais educativos, pôde levar suas idéias a todo o país. Trata-se de uma menina filósofa que, vestida à moda da antiga Grécia e com as cores da bandeira de Cuba, ensina e aconselha sobre o que fazer para preservar o meio ambiente. Essa musa ambiental também está em cartazes, caixas de fósforos, almanaques, cartões telefônicos pré-pagos, em uma página da internet e em dois livros, “Acualina 1” e “Acualina 2”. Atualmente, cuida dos detalhes finais de um orçamento para poder enviar à gráfica o “Acualina 3”, enquanto alguns amigos redesenham o site.

Não é uma atividade que possa ser quantificada, nem tampouco aumenta sua pensão de aposentada. Porém, Corvea considera que o mais importante é ir criando consciência entre os cidadãos, somar e multiplicar esforços, porque amanhã poderá ser tarde.

* A autora é correspondente da IPS. Com as colaborações de Patricia Grogg (Cuba), Milagos Salazar (Lima) e Marcela Valente (Buenos Aires).

LINKS

Borboletas no jardim
http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=port&idnews=232

Centro de Primatas Peñaflor
http://www.macacos.cl

Associação Civil Semear
http://www.sembrar.org.ar/

Acualina
http://www.acualina.org/

Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.


Fonte: Terramérica

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Obama, a crise e o meio ambiente

Por Luciano Martins Costa, do Observatório da Imprensa

A imprensa brasileira tem aumentado o espaço e a freqüência das notícias sobre a questão ambiental. Também oferece atenção generosa aos debates que reúnem representantes dos países mais ricos e dos chamados emergentes, na tentativa de superar divergências em busca de uma saída para a crise financeira internacional. E, como não poderia deixar de ser, ainda acompanha com interesse os primeiros movimentos do futuro presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Que tal fazer um exercício e juntar os três temas? Talvez a solução dos problemas pareça menos remota. Comecemos com a análise do que tem sido de fato a economia mundial no período que convencionamos chamar de globalização acelerada - aquele que se sucede à queda do muro de Berlim, no final de 1989. Aliás, foi no dia 9 de novembro de 1989. A imprensa esqueceu.

De lá para cá, com as reformas políticas e econômicas na matriz da antiga União Soviética e na China comunista, o mundo se convenceu de que passaríamos a viver no paraíso capitalista: reduzindo-se a intervenção do Estado, a iniciativa privada, livre para criar riquezas, iria abrir democraticamente as oportunidades para os cidadãos de todos os países fazerem negócios. Éramos todos capitalistas, finalmente. Sem as tensões da Guerra Fria, a História como a conhecêramos nos séculos 19 e 20 se transformaria, enfim, na tediosa caminhada rumo ao bem-estar permanente.

Desigualdade crescente

A realidade se embalou deliciosamente no sonho capitalista e não se sobressaltou com os primeiros pesadelos. E não foi por falta de capital que a coisa desandou: os fluxos de investimento para os países em desenvolvimento cresceram dez vezes na década seguinte, e o século 21 foi saudado nos computadores pela avassaladora presença da internet, a nova forma de comunicação que iria unificar a humanidade e reduzir a pó as diferenças culturais.

O surgimento da Organização Mundial do Comércio (OMC), em 1995, prometia colocar uma ordem nas demandas de vários tipos, que confrontavam os interesses das estruturas de negócios agrícolas consolidadas desde a Idade Média na Europa com os novos agronegócios dos países emergentes. Ao mesmo tempo, a revolução na comunicação acrescentava novos protagonistas ao debate: os pobres agora queriam mais participação no bolo.

A OMC nunca foi capaz de produzir um acordo que fosse satisfatório para os dois lados da moeda global. O protecionismo se tornou ainda mais rigoroso do que sob os regimes anteriores, em que o Estado se fazia mais presente no controle da economia.

O que aconteceu, de fato, na década seguinte, até a implosão do sistema em setembro passado, foi que, embora tivesse produzido mais riqueza do que em todo o século anterior (sob os critérios adotados majoritariamente pela imprensa especializada), a economia globalizada não foi capaz de responder aos desafios essenciais da humanidade: o planeta se tornou um lugar mais perigoso para a vida, a democracia foi colocada sob risco, as desigualdades sociais se avolumaram, o patrimônio ambiental foi dilapidado e o aquecimento global revelou o cenário das escolhas equivocadas.

A imprensa nunca foi capaz de olhar um pouquinho para fora da caixa dos consensos. Saudou cada recorde de produção das indústrias poluidoras, cada novo salto nos ganhos dos investidores, cada nova iniciativa no movimento de expansão do capitalismo globalizado, estimulando a feroz disputa dos países pobres e em desenvolvimento pela atenção dos investidores.

Até 2002, esse intenso movimento de capital produziu apenas mais desemprego, mais miséria e mais conflitos na maioria dos países do mundo. Um olhar sobre o relatório produzido pela Comissão Mundial sobre as Dimensões Sociais da Globalização, publicado há quatro anos, mostra que 59% da população mundial vivia, no começo deste século, em países com crescentes níveis de desigualdade e que o bem-estar criado pela globalização se concentrava em algumas ilhas de conforto. O desemprego grassava em todo o mundo, com exceção do sul da Ásia, da Europa (ainda assim, pressionada por movimentos migratórios da África e do Leste Europeu) e dos Estados Unidos. Os dados desse estudo foram descritos em vários artigos pelo economista Joseph Stiglitz, um de seus autores.

Razões do otimismo

A imprensa nunca deu muita importância aos efeitos colaterais da expansão global dos capitais, até setembro deste ano, quando Wall Street veio abaixo. A imprensa nunca lamentou os mortos pela fome na África como lamenta as quebras de banqueiros nos Estados Unidos. No entanto, a crise financeira que ocupa as manchetes apanhou um sistema claramente insustentável.

Mesmo nas chamadas ilhas de prosperidade, a situação era absurda, para qualquer nível de consciência. Até mesmo para os mais insanos defensores da absoluta liberdade para o capital, bastaria um dado para acender uma luz de alerta: os 400 americanos mais ricos possuem mais patrimônio do que todos os 150 milhões de cidadãos americanos mais pobres, somados. Apenas durante os oito anos da administração Bush, que coincide com o ápice da euforia globalizante, o patrimônio dos 400 americanos mais ricos - não são 4 mil ou 4 milhões, são 400, mesmo, o suficiente para encher uma sala de cinema - cresceu cerca de 700 bilhões de dólares.

Alguém aí lembra de ter visto a imprensa associar esse número ao valor que o governo americano anunciou em suas primeiras medidas para socorrer as empresas (empresas?) em crise?

Aí é que o tema converge para as especulações sobre o que pode vir a ser um governo Barack Obama. E aqui o leitor carece de um ponto essencial para pensar nas incontáveis análises que louvam o fato de Obama ser o primeiro afrodescendente a vencer uma eleição presidencial nos Estados Unidos. Seria possível estabelecer uma relação absoluta entre os americanos de pele escura, cujos tataravós ou bisavós foram escravizados, cujos pais ou avós foram segregados, e este outro americano de pele escura, cujo pai migrou da África em busca de uma vida melhor, casou-se com uma mulher branca e seguiu adiante buscando uma vida ainda melhor?

Obama é filho de um homem de muita iniciativa, que deixou uma vida relativamente confortável - para os padrões africanos - para buscar melhores oportunidades, com uma americana atípica, que desprezou os preconceitos e viveu fora do país em função de outro casamento. Ele não é fruto dos guetos de Chicago, nunca falou os dialetos da rua. Talvez por isso haja mais razões para o otimismo que assola os jornais. Mesmo assim, a imprensa precisa sair do encantamento e trazer o leitor para mais perto da realidade.

Aplausos e dúvidas

Quanto o provável futuro presidente dos Estados Unidos estará disposto a mudar o sistema que nos trouxe a este momento de crise? Qual é o seu interesse real em trazer para a mesa das grandes negociações os países emergentes, que ainda assistem de fora às tomadas das decisões que afetam seus futuros, se ele, Obama, foi eleito pelos americanos para cuidar dos interesses dos Estados Unidos? Em que a cor de sua pele seria determinante para ele escolher entre proteger o pequeno produtor de compotas na Califórnia e estimular a produção de um concorrente no outro lado do Atlântico?

Essas dúvidas ainda não apareceram claramente no meio da festa pós-eleitoral. Os leitores e telespectadores de São Bento do Una acham que, com Obama, a vida vai melhorar no Agreste Pernambucano.

Pode ser. E entramos na outra quina do triângulo que ainda não vimos composto pela imprensa: é possível pensar em um novo paradigma para o movimento global de capitais sem levar em conta os desafios do aquecimento global e a necessidade de eliminar as pressões sobre as últimas reservas de patrimônio ambiental do planeta?

Por enquanto, a imprensa não parece sensibilizada para o debate sobre uma possível convergência entre regular o sistema financeiro internacional, desobstruir os fluxo do comércio mundial e ao mesmo tempo estabelecer um modelo de criação de riqueza que considere mais valiosa uma árvore em pé do que estendida na carroceria de um caminhão.

Saudações para o interesse crescente da mídia na questão ambiental. Dúvidas para a disposição da imprensa em colocar sob os olhos dos leitores e telespectadores o verdadeiro desafio da sustentabilidade.


Fonte: Observatório da Imprensa

Crise não afeta investimento em tecnologia limpa

Por Leticia Freire, do Mercado Ético

Em entrevista exclusiva para o Mercado Ético, Paul Simpson, chefe do secretariado CDP Londres falou sobre a relação entre a crise financeira e o mercado de carbono, além das expectativas trazidas pela eleição de Obama, nos Estados Unidos.

Mercado Ético - Como a crise financeira está afetando o CDP Project? Ou, como a crise financeira afetará o andamento da iniciativa?

Paul Simpson - No momento, a crise financeira não está afetando os planos do CDP. Muitas pessoas podem achar que as empresas estão agora tomando menos medidas contra o aquecimento global, ou estão investindo menos em tecnologias limpas. Claro que a crise afeta e afetará todos os investimentos, mas em relação específica com as mudanças climáticas os aprendizados sobre os erros cometidos no setor financeiro devem ser mensurados e aplicados a favor de medidas corretivas.

Mercado Ético - E quais seriam os aprendizados em relação à crise financeira que podem ser usados na reflexão sobre a questão das mudanças climáticas?

Paul Simpson - A crise financeira foi causada basicamente por empréstimos de ativos que não podiam ser pagos, sem prestar atenção nesse risco. Se você considerar a questão das mudanças climáticas, verá que se trata da mesma equação, ou seja, basicamente, nós estamos superfaturando os ativos do Planeta Terra, para termos mais agora, mas não estamos nos preocupando com os riscos futuros desses empréstimos. Então, o aprendizado da crise de créditos é clara, nós deveríamos ter nos antecipado à questão para evitar o risco. Alem disso, e não sou eu apenas que defendo essa postura, é mais barato agir agora que esperar pelo pior. O problema da nossa sociedade é que tendemos a ser imediatistas e pouco cautelosos com nossos ciclos financeiros, com a maneira como as empresas conduzem suas ações, os governos estipulam suas metas etc.

Mercado Ético - Então estamos fazendo com as mudanças climáticas o mesmo que fizemos com nosso sistema financeiro, ou seja, adiando a ação.

Paul Simpson - Basicamente, sim. Estamos adiando a tomada de medidas de um risco crescente. Esperamos que a crise financeira faça os governantes agirem de forma mais contundente com a regulamentação do sistema financeiro e com a questão das mudanças climáticas.

Mercado Ético - O CDP considera encorajar os investidores a reportarem as perdas financeiras que estiveram ligadas com investimentos em tecnologia limpa?

Paul Simpson - Por lei, as empresas têm que reportar suas perdas em seus relatórios anuais. Mas o que estamos fazendo é pedindo às companhias que fizeram investimentos relacionados às mudanças climáticas para reportarem o quanto eles investiram, e quanto tempo levará para eles pagarem os ativos. O que vemos é que as empresas estão investindo na redução de emissão de gases de efeito estufa e capitalizando seus ativos. Por exemplo, Britsh Petrone investiu na redução de 10%, equivalente a US$ 4 milhões, e economizou aproximadamente US$ 6 milhões sobre aquela meta de 10%.

Mercado Ético - Estamos falando de empresas, sistemas financeiros etc, mas considerando que todo o sistema depende de pessoas e é feito delas, como o CDP trabalha com a questão da divulgação do projeto e a importância do conhecimento da questão climática nos organogramas das empresas participantes?

Paul Simpson - De fato, você está certa quando considera pessoas. Infelizmente temos sistemas que não prestam atenção às pessoas. No CDP, nós perguntamos às empresas como elas estão comunicando seus empregados, colaboradores, fornecedores, consumidores sobre a questão das mudanças climáticas. As empresas têm grande influencia na divulgação de informações para o mundo, particularmente para seus empregados. Então, nós incentivamos esse diálogo e propomos uma visão de maior transparência entre a atividade da empresa e o impacto da mesma para o mundo.

Mercado Ético
- Falando em mundo, como a vitória de Obama é vista por vocês?

Paul Simpson - Essa é uma ótima notícia. Obama tem uma política mais progressiva na questão das mudanças climáticas. Além disso, ele verbalmente disse que iria promover uma redução de 80% nas emissões de gases dos Estados Unidos até 2050. Isso liga as políticas da Comunidade Européia com a América, potencializando a questão pelo mundo todo. Estamos esperançosos com as boas novas, mas temos que esperar para comprovar o que de fato será feito.


* O Carbon Disclosure Project é a principal iniciativa internacional do setor financeiro, na interface entre os temas das mudanças climáticas e sustentabilidade empresarial. Em 2008, participam mais de 385 investidores globais, administrando US$ 57 trilhões (incluindo 41 brasileiros) e mais de 3.000 empresas de capital aberto (incluindo as 75 maiores brasileiras).


Fonte: Mercado Ético

Quatro compromissos de Barack Obama para o meio ambiente

Grande parte do mundo ainda festeja a vitória de Barack Obama na corrida à presidência dos EUA. Muito justo. Na esfera socioambiental, aquele que agora é chamado de homem mais poderoso do planeta assumiu em campanha quatro compromissos que, efetivamente cumpridos, representam um sopro de esperança para a qualidade de vida na Terra. Talvez ainda seja pouco, mas é muito mais do que qualquer movimento do senhor George W. Bush que, como se sabe, não deixará nenhuma saudade.

Seguem os compromissos de Obama, compilados pela ONG Avaaz:

1) Reduzir as emissões de carbono dos EUA em até 80% até 2050 e ter um papel mais forte e positivo na negociação do tratado global que irá dar continuidade ao Protocolo de Kyoto;

2) Dobrar o apoio financeiro para reduzir pela metade a extrema pobreza até 2050 e contribuir para a luta contra o HIV/AIDS, a tuberculose e a malária;

3) Somente negociar novos tratados comerciais que contenham proteções trabalhistas e ambientais para os países envolvidos

4) Investir US$ 150 bilhões nos próximos 10 anos em energias renováveis e colocar 1 milhão de carros elétricos nas ruas até 2015.

Floresta Zero

O Projeto de Lei 6.424, mais conhecido como Projeto Floresta Zero, deve ser votado pela Comissão de Meio Ambiente da Câmara na próxima semana. Sua alcunha deve-se ao fato de o PL permitir que até 50% da vegetação nativa seja derrubada em propriedades privadas na Amazônia, em vez dos 20% atuais.

Além disso, se aprovado, o projeto permitirá que 30% das reservas legais da Amazônia sejam recompostas com espécies alheias a aquele ecossistema, a exemplo de dendê. Por fim, se passar na Câmara, o PL – já aprovado no Senado – vai legalizar todos os desmatamentos dos últimos 40 anos, ou seja, mais de 700 mil km2 destruídos.

O Greenpeace está mobilizando a comunidade contra a proposta no site www.meiamazonianao.org.br. E lembra: “a floresta amazônica é um recurso natural estratégico para o combate ao aquecimento global”.

Menos desperdício em BH

O Centro Mineiro de Referência em Resíduos (CMRR) está com inscrições abertas para a nova turma do Curso Básico de Educação Alimentar, promovido pelo Conselho Nacional do Serviço Social da Indústria (Sesi). As aulas integram o projeto Cozinha Brasil – Alimentação Inteligente e acontecem nos próximos dias 18, 20 e 21, das 13h30 às 17h. As vagas são limitadas e as inscrições, gratuitas.

O curso é direcionado às cantineiras de escolas públicas, cozinheiros, manipuladores de alimentos e donas de casa. Nas aulas, serão preparadas cerca de 10 receitas, como o bolo nutritivo de abobrinha e a carne ensopada de casca de melancia. “Ao invés de ir para a lixeira, as cascas e sementes dão um sabor especial às receitas convencionais. O resultado são pratos altamente nutritivos”, explica a coordenadora da Cozinha Experimental do CMRR, Fernanda Redig.

Fonte: ECOLUNA/AmbienteBrasil