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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

IIED destaca papel das cidades na mitigação climática

Por Fabiano Ávila, da Carbono Brasil 

O Instituto Internacional de Meio Ambiente e Desenvolvimento analisou as emissões em 100 centros urbanos e afirma que novas políticas para o clima podem ser descobertas com a observação das diferenças entre as metrópoles

A cidade de São Paulo possui uma menor emissão per capita de gases do efeito estufa do que muitos centros urbanos do sudeste da Ásia, um exemplo de que mais riqueza não necessariamente implica em mais emissões.

Observar esses contrastes, principalmente no que diz respeito aos hábitos de consumo e padrões de vida, pode revelar grandes oportunidades e lições para novas políticas de mitigação das mudanças climáticas.

É isso que afirma o estudo “Cities and greenhouse gas emissions: moving forward”, do Instituto Internacional de Meio Ambiente e Desenvolvimento (IIED), divulgado nesta quarta-feira (26).

O trabalho coletou dados sobre as emissões de 100 cidades em 33 países justamente para salientar as diferenças entre elas e apontar possíveis sugestões para melhorar as vidas das pessoas diante das transformações do clima.

“Diferenças nos padrões de produção e consumo entre as cidades significam que não é muito útil atribuir as emissões para as metrópoles como um todo. Autoridades precisam entender melhor as fontes de emissões se é que desejam desenvolver soluções reais”, afirmou Daniel Hoornweg, principal autor do estudo e especialista em cidades e mudanças climáticas do Banco Mundial.

As emissões variam bastante ao redor do planeta, mesmo em cidades com aproximadamente o mesmo número de habitantes. Em algumas capitais dos países mais industrializados, as emissões chegam a 15 ou 30 toneladas de dióxido de carbono equivalente (tCO2e ) por ano, enquanto na Ásia podem ser encontradas cidades com meia tonelada por pessoa.

Entre as metrópoles mais ricas, as capitais européias se mostram mais limpas que as norte-americanas, possuindo em média menos da metade das emissões per capita.

Mas também existem muitas diferenças entre os centros urbanos nos EUA. Denver, por exemplo, apresenta o dobro das emissões per capita de Nova York. O motivo seria a maior utilização de automóveis e a preferência por veículos grandes, como caminhonetes e SUVs (Sport Utility Vehicles).

Até mesmo dentro uma só cidade pode haver grandes contrastes entre as emissões de seus habitantes. O estudo usa como exemplo Toronto, no Canadá, onde as pessoas que moram no centro, com acesso ao sistema público de transporte, apresentam apenas 1,3 tCO2e por ano, já as que vivem nos subúrbios mais distantes chegam a 13 tCO2e.

De forma semelhante, os índices podem variar conforme os critérios utilizados para medi-los.  Uma metrópole onde a população possui hábitos de grande consumo pode até ter poucas emissões se o critério for em termos de produção.

Uma das conclusões do trabalho foi que não é válido culpar as cidades como um todo pelas emissões. Existem muitas particularidades que devem ser levadas em conta e que também devem ser analisadas para o desenvolvimento de programas mais eficientes de redução.

“Este Estudo nos relembra que são as cidades mais ricas e os seus habitantes mais ricos que promovem índices insustentáveis de gases do efeito estufa, não cidades em geral”, concluiu David Satterthwaite, editor do portal Urbanização e Meio Ambiente e membro do IIED.

(Envolverde/Carbono Brasil)

Estudo demonstra efeito de mudanças climáticas


Por Antônio Martins, do Outras Palavras* 

Movimentos como prosperidade do Império Romano, pestes e migrações maciças teriam sido influenciados por alterações ambientais.

Surgiu mais um dado importante, para o debate crucial sobre as consequências do aquecimento da Terra. A revista Science acaba de publicar os resultados de um vasto estudo que relaciona episódios marcantes da História, nos últimos 2500 anos, com mudanças atmosféricas na Europa. Situações naturais favoráveis, revela a pesquisa, influenciaram períodos de expansão da atividade material e intelectual humana — como no fase de glória do Império Romano. Em contrapartida, fenômenos como a peste que dizimou a população europeia no século 14, ou as crises que provocaram grandes migrações no século 19, teriam, entre suas causas, um clima hostil.

O trabalho é obra de uma equipe de cientistas coordenada por Ulf Büntgen, paloclimatólogo do Instituto Federal de Pesquisas sobre a Floresta, de Zurique. Baseou-se na dendrocronologia, o estudo que relaciona as idades das árvores com os aneis de seus troncos. A equipe de Büntgen examinou estudos de 9 mil amostras de árvores, colhidas nos últimos trinta anos, no Velho Continente, por arqueólogos. Cotejou-as com outras amostras, de plantas vivas. A partir da comparação, pensa ter feito descobertas importantes sobre a evolução da temperatura e umidade do ar.

O período de cinco séculos que se estende entre 300 a.C e o ano 200 parece ter sido marcado por verões quentes e úmidos. Eles favoreceram a atividade agrícola, base principal da economia da Antiguidade, e impulsionaram uma longa fase de desenvolvimento da produção, comércio, ciência e artes. É, também, o período de expansão do Império Romano. Um outro período quente e úmido abrangeu os séculos 11 a 13, quando se deu a chamado apogeu da Idade Média.

Já o período de declínio acelerado de Roma, e desmantelamento de seu império, pode ter sido acelerado por uma fase de seca prolongada. Outras condições metorológicas desfavoráveis (agora, temperaturas muito baixas associadas a umidade alta) coincidiriam com a epidemia de peste que dizimou boa parte da população europeia, no século 14, e com a escassez de alimentos que provocou as migrações maciças (rumo à América, principalmente) nos anos 1800.

O estudo, possivelmente pioneiro (veja resumo - http://www.sciencemag.org/content/early/2011/01/12/science.1197175 - e coleção de gráficos e tabelas - http://www.emetsoc.org/annual_meetings/documents/presentations_2010/UC4_Buentgen.pdf), abre uma pista para o investigação sobre as mudanças climáticas do passado e suas consequências. Além disso sugere, como declarou Büntgen, “repensar a hesitação atual, política e fiscal, em enfrentar a mudança climática acelerada do século 21″.

*Publicado originalmente no portal Outras Palavras. Para conhecer acesse http://ponto.outraspalavras.net/.

(Envolverde/Outras Palavras)

Rio Sustentável: lei define diretrizes

Prestes a ser palco da Rio +20 no ano que vem, quando a Rio 92 completará 20 anos, a cidade do Rio de Janeiro deu mais um passo para se tornar referência em sustentabilidade. Na quinta-feira, dia 27 de janeiro, o prefeito Eduardo Paes sancionou a Lei nº 5.248/2011, que instituiu a Política Municipal sobre Mudança do Clima e Desenvolvimento Sustentável. A Lei Aspásia Camargo, nome da sua autora, estabelece metas gradativas para a redução das emissões de gases de efeito estufa no município, sendo 8%, em 2012; 16%, em 2016; e 20%, em 2020, com base no inventário de 2005. A legislação leva em conta os princípios da prevenção, mitigação e adaptação.

Para atingir as metas estabelecidas, a lei busca fomentar o desenvolvimento de projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL); o incentivo ao estudo e à pequisa  de tecnologias sustentáveis; o estabelecimento de um programa de ecoeficiência; a gestão e o uso racional dos recursos naturais; a gestão dos resíduos sólidos; o planejamento do setor de transporte e de mobilidade urbana; e a criação de incentivos para a geração de energia descentralizada, a partir de fontes renováveis; e a criação de incentivos fiscais e financeiros para pesquisas relacionadas à eficiência energética e ao uso de energias renováveis em sistemas de conversão de energias.


sexta-feira, 17 de setembro de 2010

2010 já empata com 98 como o ano mais quente da história

Passados oito meses, 2010 corre cabeça a cabeça com 1998 pelo título de ano mais quente já registrado.

A cobertura de gelo do Ártico parece ter atingido seu nível mínimo para este ano

A temperatura média do planeta para o período janeiro-agosto ficou em 14,7º C, empatado com o mesmo período de 1998, informa a Administração Nacional de Atmosfera e Oceano (NOAA) dos Estados Unidos. Os dados da NOAA indicam ainda que agosto foi o terceiro mais quente já registrado, com temperatura média global de 16,2º C.

Em relatório separado, o Centro Nacional de dados de gelo e Neve dos EUA informa que a cobertura de gelo do Ártico parece ter atingido seu nível mínimo para este ano, sendo a terceira menor extensão já anotada desde o início das observações por satélite, em 1979.

O gelo do Ártico cobriu uma área média de 6 milhões de quilômetros quadrados, 22% abaixo da média 1979-2000. Este foi o 14º agosto consecutivo com gelo do Ártico abaixo da média.

Fonte: Associated Press - AP - Estadão

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Seminário debate metas brasileiras em cenário crítico mudanças climáticas

Tendência de aumento das emissões de gases de efeito estufa e incerteza nas negociações internacionais devem continuar. Apesar de metas voluntárias, lei brasileira é considerada avanço.


Um cenário pessimista, mas com sinais que permitem entrever alternativas para o combate às mudanças climáticas foi o quadro traçado no primeiro dia do seminário e oficina “Metas Nacionais de Redução de Emissões: Horizontes para a Implementação nos Próximos Quatro Anos”. Organizado pelo ISA, o seminário começou ontem e vai até amanhã, em Brasília. Reúne cerca de cem pessoas, representando em torno de 40 organizações não-governamentais.

Especialistas reunidos no evento confirmaram o panorama sombrio de aumento das emissões de gases de efeito estufa, paralisia e incerteza nas negociações sobre um futuro acordo climático internacional. Por outro lado, assinalaram uma mudança na postura da sociedade e dos governos no Brasil e no mundo que antecipam tendências importantes no caminho de uma economia de baixo carbono.

“Considerando a taxa de crescimento econômico dos países emergentes e a lentidão para que ela se estabilize nos países desenvolvidos, não há perspectiva de inflexão nessa curva [de aumento das emissões]”, afirmou Carlos Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e integrante do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês). Nobre deixou claro que os eventos climáticos extremos recentes, como as cheias no Paquistão e a grande seca na Rússia, são indícios muito fortes de que os impactos das mudanças climáticas já estão sendo sentidos. De acordo com os cientistas do clima, o aquecimento global deve tornar fenômenos semelhantes mais intensos e frequentes.

No mesmo sentido foi a secretária executiva do Programa de Mudanças Climáticas do Estado de São Paulo (Proclima), Joseline Ferrer. “Mudança climática não é mais um cenário, mas um processo instalado”, advertiu.

Carlos Nobre mencionou ainda estudos recentes que indicam que as alterações do clima guardam uma bomba-relógio: os extremos climáticos podem destruir a capacidade dos ecossistemas de retirar gás carbônico do ar e transformá-los em emissores, como no grande incêndio florestal da Rússia. Pode liberar ainda grandes quantidades de metano aprisionadas no fundo do mar e em solos congelados. O metano tem um potencial até 20 vezes maior que o CO2 de aquecer a atmosfera.

Indefinição internacional

“O cenário nos leva a crer que precisaremos de muitos anos de trabalho para que os governos cheguem a acordos que nos permitam dizer que haverá um regime e uma legislação internacionais consistentes”, lamentou na abertura do seminário Márcio Santilli, coordenador do Programa de Política e Direito Socioambiental (PPDS) do ISA. Ele ponderou que, diante de todas as incertezas do cenário internacional, é preciso lutar pela implementação da política e das metas nacionais. Daí a ideia de realizar o seminário.

“Copenhague foi uma ruptura. Há um compromisso de metas dos grandes emissores, mesmo que elas sejam insuficientes”, considerou Eduardo Viola, professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília. Para ele, apesar do impasse nas negociações do acordo internacional sobre o clima, a proposição de metas nacionais da parte desses países pode ser considerada um avanço diante da atitude defensiva da maioria dos governos, inclusive o brasileiro, existente até há alguns anos. “De acordo com o que foi definido em Copenhague, mais de 80% das emissões mundiais estão sobre algum tipo de meta”.

Viola prevê que o acordo climático não deve sair antes de 2013 – isso caso o presidente dos Estados Unidos, Barak Obama seja reeleito e se disponha a negociar com a China. Chineses e estadunidenses são os maiores emissores mundiais. O pesquisador acredita que os investimentos feitos especialmente pela China e países da Europa em tecnologias e energias sustentáveis podem ser considerados sinais de que há disposição de diminuir as emissões de gases de efeito estufa.

Viola acredita que a Lei Nacional de Mudança Climática, aprovada em novembro do ano passado, também pode ser considerada um avanço, mesmo que suas metas não sejam obrigatórias. O especialista crê que a aprovação da norma credencia o Brasil a ser um protagonista nos fóruns internacionais e reflete um processo importante de conscientização de empresários, sociedade civil e governos sobre a vulnerabilidade do País às mudanças climáticas.

A diretora de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Thais Juvenal, fez uma apresentação sobre a implementação da Lei de Mudanças Climáticas. Ela informou que o inventário nacional de emissões e a maior parte da regulamentação da lei estarão prontos até o final do ano. De acordo com a diretora, será detalhada a regulamentação das metas de redução de emissões relativas ao desmatamento na Amazônia e no Cerrado, agropecuária, energia e substituição na siderurgia do carvão de madeira nativa por madeira plantada. A regulamentação das metas de outros segmentos importantes, como transporte, construção civil e indústria de transformação, vai ficar para o próximo governo.

O objetivo do seminário é ampliar a discussão, entre as organizações da sociedade civil, sobre as metas nacionais e setoriais de redução de emissões de gases de efeito estufa e qualificar essas organizações para intervir nos diversos fóruns e políticas sobre o assunto. A ideia é também tentar influenciar as plataformas dos candidatos à Presidência da República e o programa do próximo governo. Um conjunto de recomendações sobre a política brasileira de mudanças climáticas será encaminhada ao governo e aos presidenciáveis ao final do evento. Os partidos políticos dos principais candidatos foram convidados a participar, mas só o PV enviou um representante.

ISA, Oswaldo Braga de Souza.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Países europeus defendem cortes de 30% das emissões de gases-estufa até 2020

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A comissária do Clima europeu, Connie Hedegaard, acredita que os países europeus estejam mesmo dispostos a traçar metas de redução mais ambiciosas/Foto: European Parliament

Apesar das críticas contra o esboço de texto apresentado na sexta-feira, 11 de junho, ao final da reunião da ONU sobre o clima em Bonn (Alemanha), alguns avanços foram registrados, como por exemplo a movimentação de alguns países europeus no intuito de que a União Europeia venha a sinalizar com cortes de 30% das emissões de gases-estufa até 2020 (abaixo dos níveis de 1990), em vez da proposta atual de redução, que traçou 20% para a próxima década.

O entusiasmo por uma proposta de cortes mais ambiciosa soou como surpresa em Bonn, uma vez que os ministros da Economia da França (Christine Lagarde) e da Alemanha (Rainer Brüderle) mostraram-se em maio deste ano contrários a redução mais profunda das emissões, sob a alegação de que a prioridade era "garantir a competitividade da indústria europeia".

Por meio de um comunicado, o ministro francês do Meio Ambiente, Jean-Louis Borloo, afirmou que a França caminha para reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2) acima de 30% até 2020, levando-se em conto os níveis de 1990. Ele tambéu defendeu que a Europa como um todo deverá ter ambições maiores nesse sentido. "A França acredita que o trabalho deve ser acelerado para produzir um estudo detalhado das possíveis opções para iniciar uma trajetória que atingiria 30% o mais rapidamente possível", destacou à Reuters.

Na mesma linha, o secretário britânico para o Clima e Energia, Chris Huhne, defendeu a viabilidade da ideia. "Acreditamos que um movimento de 30% é possível para as nossas economias, até porque a Europa encontra-se em uma recuperação econômica sustentável."

Cautela
Quem não acompanhou tamanho otimismo foi a ministra do Meio Ambiente da Itália, Stefania Frestigiacomo, já que, segundo ela, as negociações dos demais ministros na Alemanha tornaram-se fora da realidade, além de não refletirem as posições dos países em âmbito nacional. Atualmente, a União Europeia planeja cortar 20% do CO2 até 2020, com a condição de aumentar este percentual para 30% caso as nações ao redor do mundo adotem medidas semelhantes.

Para a comissária do Clima europeu, Connie Hedegaard, os comunicados dos ministros Borloo (França) e Huhne (Reino Unido) refletem uma inclinação dos países voltada para metas mais ambiciosas contra o aquecimento global. "Seria um equívoco você pensar que ministros do Meio Ambiente falam por falar. É claro que o que eles dizem aqui reflete o ponto de vistas de seus governos", argumentou.

Na opinião do ministro do Meio Ambiente da Suécia, Andreas Carlgren, a opção da União Europeia de condicionar um possível aumento de cortes de emissões às atitudes de outros países foi útil durante as negociações travadas em 2009, mas agora devem ser encaradas de outra forma. "Condicionar foi importante na preparação para Copenhague, mas não devemos desempenhar mais esse papel. Estamos preparados para atualizar o objetivo da União Europeia."

Fonte: EcoDesenvolvimento.org

sexta-feira, 26 de março de 2010

Saiba mais sobre Mudanças Climáticas


O que é aquecimento global?
O aquecimento global é resultado do lançamento excessivo de gases de efeito estufa (GEEs), sobretudo o dióxido de carbono (CO2), na atmosfera. Esses gases formam uma espécie de cobertor cada dia mais espesso que torna o planeta cada vez mais quente e não permite a saída de radiação solar.

O que é efeito estufa?
O efeito estufa é um fenômeno natural para manter o planeta aquecido. Desta forma é possível a vida na Terra. O problema é que, ao lançar muitos gases de efeito estufa (GEEs) na atmosfera, o planeta se torna quente cada vez mais, podendo levar à extinção da vida na Terra.

Quais as causas das mudanças climáticas?
As mudanças climáticas, outro nome para o aquecimento global, acontecem quando são lançados mais gases de efeito estufa (GEEs) do que as florestas e os oceanos são capazes de absorver.

Como são lançados os gases de efeito estufa?
Isso acontece de diversas maneiras. As principais são: a queima de combustíveis fósseis (como petróleo, carvão e gás natural) e o desmatamento (no Brasil, o desmatamento é o principal responsável por nossas emissões de GEEs).

Quais os efeitos do aquecimento global?
São várias as conseqüências do aquecimento global. Algumas delas já podem ser sentidas em diferentes partes do planeta como o aumento da intensidade de eventos de extremos climáticos (furacões, tempestades tropicais, inundações, ondas de calor, seca ou deslizamentos de terra). Além disso, os cientistas hoje já observam o aumento do nível do mar por causa do derretimento das calotas polares e o aumento da temperatura média do planeta em 0,8º C desde a Revolução Industrial. Acima de 2º C, efeitos potencialmente catastróficos poderiam acontecer, comprometendo seriamente os esforços de desenvolvimento dos países. Em alguns casos, países inteiros poderão ser engolidos pelo aumento do nível do mar e comunidades terão que migrar devido ao aumento das regiões áridas.

Como o desmatamento influencia na mudança do clima?
Ao desmatar, muitas pessoas queimam a madeira que não tem valor comercial. O gás carbônico (CO2) contido na fumaça oriunda desse incêndio sobe para a atmosfera e se acumula a outros gases aumentando o efeito estufa. No Brasil, 75% das emissões são provenientes do desmatamento.

Quais as soluções para combater o aumento do efeito estufa?
Existem várias maneiras de reduzir as emissões dos gases de efeito estufa. Diminuir o desmatamento, incentivar o uso de energias renováveis não-convencionais, eficiência energética e a reciclagem de materiais, melhorar o transporte público são algumas das possibilidades.
O que é eficiência energética?
Eficiência energética é nada mais que aproveitar melhor a energia sem desperdiçá-la. Por exemplo, quando se diz que uma lâmpada é eficiente, isso quer dizer que ela ilumina o mesmo que as outras, consumindo menos energia. Ou seja, mesma iluminação, com menos gasto de energia.
O que são energias renováveis não-convencionais?
São energias que não vêm de combustíveis fósseis (como petróleo e gás natural) e também não inclui a hidroeletricidade. As energias renováveis não-convencionais mais conhecidas são a solar, onde se aproveita a luz e o calor do sol para gerar energia, a biomassa, oriunda mais comumente do bagaço da cana-de-açúcar e a eólica, dos ventos.

O que é Convenção do Clima?
É uma reunião anual da Organização das Nações Unidas (ONU) onde os países membros discutem as questões mais importantes sobre mudanças climáticas. A primeira convenção mundial aconteceu em 1992. O nome oficial do evento é Convenção-Quadro da Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (UNFCC, sigla em inglês).

O que é Protocolo de Quioto?
É o único tratado internacional que estipula reduções obrigatórias de emissões causadoras do efeito estufa. O documento foi ratificado por 168 países. Os Estados Unidos, maiores emissores mundiais, e a Austrália não fazem parte do Protocolo de Quioto.

O que é Fundo de Adaptação?
Um mecanismo financiado pelos países desenvolvidos para que os países em desenvolvimento possam lidar com os efeitos das mudanças climáticas. Hoje, cada projeto de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) paga 2% do seu valor para este Fundo, mas o dinheiro ainda não está sendo empregado.

O que é MDL?
Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) é um instrumento criado para reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa. Mas, para compreender melhor o que isso significa é preciso voltar ao ano de 1997, quando a comunidade internacional fechou um acordo para reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa, o Protocolo de Quioto. Neste mecanismo da Convenção do Clima, os países desenvolvidos têm até 2012 para reduzir suas emissões em 5,2% tomando como base o ano de 1990. Além de cortar localmente suas emissões, os países desenvolvidos podem também comprar uma parcela de suas metas em créditos de carbono gerados em projetos em outros países. A Implementação Conjunta garante créditos obtidos de países desenvolvidos e o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) permite que estes créditos venham de países em desenvolvimento, como o Brasil.

Fonte: WWF Brasil

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Aquecimento Global, Efeito estufa, CO2

Wilson Luiz Bonalume P.h.D. - Doutorado em Ciências Ambientais - Alumni: New York University – Columbia University Sherwood University of London – Prof. Direito Ambiental. Pós-Grad. Universidade de São Paulo – Univer. Federal Fluminense . Pesquisador Universidade de Alfenas, M.G. – O.A.B. 11.320- SP


O clima da terra tem apresentado grandes variações no decurso de sua história, causadas por fatores diversos, alguns de origem natural em sua composição, outros por mudanças na alteração e posição de alguns continentes, variações nas bacias marítimas e até na interferência da radiação solar, que influenciaram sua posição geográfica.

Mas, a humanidade só tem causado os maiores problemas, face à elevação da temperatura do planeta em 4ºC, depois do século XX.

AS causas principais que provocaram, entre outras, a continua emissão de gases, denominados de EFEITO ESTUFA foram a queima de combustíveis dos veículos, tudo que perturba o ambiente. A poluição do ar é facilmente constatável pela emissão de fumaça poluente.

Nos Estados Unidos os combustíveis utilizados pelos veículos são causadores da emissão de 68% de monóxido de carbono (CO), bem como 42% de óxidos de nitrogênio NOx, 52% de gases relativos orgânicos, 24% de materiais particulados e 6 % de dióxido de enxofre (SO3) e 29% de dióxido de carbono (CO2), o responsável básico do aquecimento global, cujo aumento anual é aproximadamente 0,4%.

Originando a emissão excessiva do gás CO2 e também as que originam incêndios na floresta, para uso do imóvel em pastagens, que a prática condenou por franqueza da terra, ante a ausência dos elementos, nutrientes naturais.

Como conseqüência, enorme quantidade de mata nativa está se transmudando em savanas e campos estéreis e até a fauna e flora estão em processo de extinção, face á derrubada de seu meio de vida, que são as florestas, principalmente na Amazônia.

E as calotas polares estão se derretendo por causa do aumento da temperatura, sendo que o nível dos oceanos já subiu 1 metro, ameaçando as cidades praianas!

Mas quando todo o gelo polar derreter, os oceanos subirão por 30 metros, acabando com todas as cidades do litoral!

Vamos esperar que isso aconteça? Como evitar uma autentica catástrofe? Já estamos passando da hora de consertar o problema...

“A pesquisadora Raquel Ghini, da Embrapa Meio Ambiente, escreveu o livro “Mudanças climáticas globais e doenças de plantas”, que enfatiza a necessidade da tomada de providências pró-ativas, evitando o aparecimento ou ressurgimento de doenças no reino vegetal. O livro está dividido em oito capítulos, que tratam das mudanças climáticas na agricultura, os efeitos dessas mudanças sobre o ciclo das relações patógeno/hospedeiro e os impactos nas doenças das plantas. Descreve o efeito do CO2 sobre as doenças das plantas e discute os métodos de pesquisa mais adequados para esses estudos.

Esta publicação estabelece, de maneira didática, a necessidade de intervenção imediata para impedir o agravamento do problema, sendo o incentivo à agro-energia uma das maneiras mais adequadas de enfrentar o desafio.

Para uma avaliação mais precisa dos benefícios ambientais do biodiesel, é necessário levar em conta todo seu ciclo de vida envolvendo a produção de sementes, fertilizantes, agrotóxicos, preparo do solo, plantio, processo produtivo, colheita, armazenamento, transporte e consumo desse combustível renovável. Quanto ao efeito estufa, deve-se avaliar a quantidade de gases emitida em todas as fases desse ciclo e deduzi-la do volume capturado na fotossíntese da biomassa que lhe serve de matéria-prima.”

Por Fim:

“Os benefícios ambientais podem, ainda, gerar vantagens econômicas para o país. O Brasil poderia enquadrar o biodiesel nos acordos estabelecidos no protocolo de Kyoto e nas diretrizes dos Mecanismos de Desenvolvimento Limpo - MDL. Existe, então, a possibilidade de venda de cotas de carbono por meio do Fundo Protótipo de Carbono - PCF, pela redução das emissões de gases poluentes, e também de créditos de seqüestro de carbono, por meio do Fundo Bio de Carbono - CBF, administrados pelo Banco Mundial.

Países como Japão, Espanha, Itália e países do norte e leste europeu têm demonstrado interesse em produzir e importar biodiesel, especialmente, pela motivação ambiental. Na União Européia, a legislação de meio ambiente estabeleceu que, em 2005, 2% dos combustíveis consumidos deverão ser renováveis e, em 2010, 5%.

Ressalte-se, contudo a matriz energética brasileira é uma das mais limpas do mundo. No ano de 2001, 35,9% da energia fornecida no Brasil é de origem renovável. No mundo, esse valor é de 13,5%, enquanto que nos Estados Unidos é de apenas 4,3%.”
Fonte: BiodieselBr.com

A propósito ver nosso estudo,

“BIODIESEL A SOLUÇÃO DO AGRONEGÓCIO.”

Fonte: O autor

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Efeito estufa e aquecimento global: o fim da natureza

O mais assustador na nova natureza que o homem está construindo é sua imprevisibilidade pois o aquecimento da Terra provocado pelo efeito estufa acaba com a regularidade do mundo natural.

O mais assustador na nova natureza que o homem está construindo é sua imprevisibilidade pois o aquecimento da Terra provocado pelo efeito estufa acaba com a regularidade do mundo natural.
A natureza, acreditamos, dura para sempre. Ela se move com infinita lentidão pelos muitos períodos de sua história, cujos nomes mal conseguimos lembrar das aulas de Geologia no colégio — Cambriano, Devoniano,Triássico, Cretáceo, Pleistoceno. A era dos trilobites começou há 600 milhões de anos. Os dinossauros viveram durante 150 milhões de anos. Visto que mesmo 1 milhão de anos é algo totalmente impenetrável, a mensagem é: nada acontece depressa. As mudanças levam um tempo inimaginável, "geológico". Essa idéia é essencialmente enganadora. Em outras palavras, nosso senso de um futuro ilimitado é uma ilusão. Ao longo de uma vida ou de uma década ou de um ano, grandes mudanças, impessoais e dramáticas podem ocorrer. O tempo normal nos parece imune a tais enormes modificações. 
No entanto, não o é. Nas últimas três décadas, por exemplo, a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera aumentou mais de 10 por cento, de aproximadamente 315 partes por milhão para 350 partes por milhão. Na década passada, um imenso "buraco" na camada de ozônio abriu-se sobre o Pólo Sul em cada primavera e a porcentagem de florestas na Alemanha Ocidental danificadas pela chuva ácida subiu de menos de 10 por cento para mais de 50 por cento.Da mesma maneira confortadora com que pensamos o tempo como imponderavelmente extenso, consideramos a Terra inconcebivelmente ampla. Mas o mundo não é tão grande quanto intuitivamente acreditamos — o espaço pode ser tão breve como o tempo. 
Daí que o nosso senso de permanência do mundo natural é o resultado de uma perspectiva sutilmente distorcida. Mudanças no mundo capazes de nos afetar podem acontecer no período de uma vida. Sem reconhecê-lo, já atravessamos o umbral de uma dessas mudanças.Acredito que estamos no fim da natureza. Com isso não quero dizer o fim do mundo. A chuva continuará a cair e o Sol continuará a brilhar. Quando digo "natureza", refiro-me a um certo conjunto de idéias sobre o mundo e sobre o nosso lugar dentro dele. Mas a morte dessas idéias começa com mudanças concretas na realidade ao nosso redor, mudanças que os cientistas são capazes de medir. O sueco Svante Arrhenius (Prêmio Nobel em 1903), ao fazer um levantamento das primeiras décadas da Revolução Industrial, percebeu que o homem estava queimando carvão num ritmo sem precedentes. 
Os cientistas já sabiam que o dióxido de carbono, um subproduto da queima de combustíveis fósseis, aprisionava a radiação solar infravermelha que de outro modo seria refletida de volta para o espaço. Mas foi Arrhenius quem fez os primeiros cálculos dos possíveis efeitos da acelerada produção de dióxido de carbono pelo homem. A temperatura média global, ele concluiu, subiria nada menos de 9 graus Fahrenheit (12,8 graus centígrados se a quantidade de dióxido de carbono no ar dobrasse em relação aos níveis pré-industriais).
Essa idéia flutuou na obscuridade durante muitíssimo tempo. Então, em 1957, dois cientistas da Califórnia, Roger Revelle e Hans Suess, descobriram que a camada superior dos oceanos, onde o ar e a água se encontram, absorveria menos da metade do excesso de dióxido de carbono produzido pelo homem. Embora haja outros aspectos nessa história — o esgotamento do ozônio, a chuva ácida, a engenharia genética —, a questão do fim da natureza centra-se no que acontecerá ao tempo. Quando perfuramos um campo de petróleo, alcançamos um vasto reservatório de matéria orgânica — os restos fossilizados de algas aquáticas. 
Nós os desenterramos. Quando queimamos petróleo — ou carvão, ou metano (gás natural) —, liberamos seu carbono na atmosfera sob a forma de dióxido de carbono. No curso de aproximadamente cem anos, nossos motores e indústrias liberaram uma porção muito grande do carbono sepultado ao longo dos últimos 500 milhões de anos. É como se alguém poupasse a vida inteira e então gastasse tudo em uma única fantástica semana de devassidão. A atmosfera terrestre é sobretudo nitrogênio e oxigênio; é apenas cerca de 0,035 por cento dióxido de carbono, pouco mais que um vestígio. As preocupações com o efeito estufa se referem ao aumento desse número para 0,055 ou 0,06 por cento, que não é muito. Mas o bastante para tornar tudo diferente. 
Os fatos essenciais são demográficos e econômicos, não químicos. A população do mundo mais que triplicou neste século e a produção industrial cresceu cinqüenta vezes. Quatro quintos desse crescimento se deu desde 1950, quase todo baseado em combustíveis fósseis. No próximo meio século, o mundo irá consumir mais energia — 2 ou 3 por cento a mais por ano, segundo a maioria das estimativas. 
E os maiores acréscimos poderão ocorrer no uso do carvão, que expele mais dióxido de carbono do que qualquer outro combustível.A queima de combustíveis fósseis não é a única causa do aumento de dióxido de carbono na atmosfera. As queimadas das florestas também remetem nuvens de dióxido de carbono para o ar. O desflorestamento atualmente acrescenta à atmosfera cerca de 1 bilhão de toneladas de carbono por ano, o que é 20 por cento ou mais da quantidade produzida pela queima de combustíveis fósseis. 
O hectare queimado de floresta tropical logo se converte em deserto ou pasto. E onde há pasto há gado. As vacas sustentam no estômago enorme quantidade de bactérias anaeróbicas, que partem a celulose que elas mastigam. Os bichinhos que digerem a celulose excretam metano, o mesmo gás natural que usamos como combustível. E o metano não queimado, como o dióxido de carbono, aprisiona a radiação infravermelha e aquece a Terra. Na verdade, o metano é vinte vezes mais eficiente do que o dióxido de carbono no aquecimento da Terra.A enorme quantidade daquelas bactérias metanogênicas é coisa do homem. A humanidade possui bem mais de 1 bilhão de cabeças de gado, sem mencionar um grande número de camelos, cavalos, porcos, carneiros e bodes: juntos, eles despejam anualmente no ar cerca de 73 milhões de toneladas de metano — um aumento de 435 por cento no último século. 
Aumentamos também o número de cupins. Como as vacas, os cupins abrigam bactérias metanogênicas, razão pela qual eles conseguem digerir madeira. Calcula-se que haja mais de meia tonelada de cupins para cada homem, mulher e criança na Terra. Os cupins excretam quantidades fenomenais de metano: um único cupinzeiro pode eliminar 5 litros por minuto. 
A lama destituída de oxigênio do fundo dos pântanos sempre abrigou bactérias produtoras de metano. Mas os arrozais talvez sejam ainda mais eficientes: liberam nada menos de 115 milhões de toneladas de metano anualmente. E os arrozais precisam aumentar em número e tamanho todo ano para alimentar a crescente população mundial. E tem mais: alguns cientistas começaram a achar que essas fontes por si sós não respondem por todo o metano.
Enorme quantidade desse gás está trancada sob a forma de hidrato na tundra e na lama dos declives continentais. Se o efeito estufa aquecer os oceanos, se começar a degelar o permafrost (solo permanentemente congelado), então aqueles gelos podem ir se dissolvendo. Algumas estimativas da liberação potencial de metano dos oceanos chegam a 600 milhões de toneladas por ano — essa quantidade mais que dobraria a presente concentração atmosférica. 
Aconcentração de metano na atmosfera flutuou entre 0,3 e 0,7 partes por milhão pelos últimos 160 mil anos, alcançando os níveis mais altos durante os períodos mais quentes da Terra. Em 1987, o metano compunha 1,7 parte por milhão da atmosfera. O nível está aumentando ao ritmo de 1 por cento ao ano. 
O fato singelo é que o ar ao nosso redor — mesmo onde é limpo, recende a primavera e está povoado de pássaros — mudou significativamente. Alteramos substancialmente a atmosfera terrestre. E isso vai mudar a vida de cada um de nós. Quando o dióxido de carbono (ou a combinação equivalente de dióxido de carbono e outros gases de estufa) dobrar em relação aos níveis pré-Revolução Industrial, a temperatura média global aumentará, de 1,5 a 5,5 graus centígrados. 
Uma idéia pode tornar-se extinta assim como um animal ou uma planta. A idéia, no caso, é "natureza" — a província selvagem, o mundo à parte do homem sob cujas regras ele nasce e morre. É cedo ainda para dizer exatamente quão mais forte o vento irá soprar, quão mais quente o Sol irá brilhar. Isso fica para o futuro. Mas os seus significados já mudaram. A idéia de natureza não sobreviverá à nova poluição global — o dióxido de carbono, o metano e assemelhados. Privamos a natureza de sua independência e isso é fatal ao seu significado. A independência da natureza é o seu significado. 
É verdade que esta não é a primeira enorme ruptura da história do globo. Há cerca de 2 bilhões de anos, a proliferação de um tipo particular de cianobactéria causou um aumento de oxigênio na atmosfera de uma parte por milhão para cinco. "Essa foi de longe a maior crise de poluição que a Terra já suportou", escreveu a microbiologista Lynn Margulis.Pode-se argumentar: a crise atual também é "natural", visto que o homem é parte da natureza. Mas este é um argumento semântico. Quando digo que acabamos com a natureza, não estou afirmando que os processos naturais tenham cessado mas que fizemos cessar aquilo que — pelo menos nos tempos modernos — definiu a natureza para nós: sua separação da sociedade humana. 
Um motivo pelo qual não prestamos especial atenção ao mundo natural, separado e ao nosso redor, é que ele sempre esteve ali e presumimos que sempre estará. À medida que desaparece, sua importância básica torna-se mais clara. Acima de tudo o mais, o mundo exibe uma ordem adorável, confortadora na sua complexidade. E a parte mais atraente dessa harmonia talvez seja a sua permanência — o sentido de que somos parte de algo cujas raízes se estendem quase desde sempre e seus galhos avançam tanto quanto. A nova natureza de nossa autoria pode não ser previsivelmente violenta. Ela não será previsivelmente nada e vamos precisar de muito tempo para estabelecermos nossa relação com ela, se é que o conseguiremos. A característica saliente dessa nova natureza é sua imprevisibilidade, assim como o traço característico da velha natureza era a sua confiabilidade. Não estamos necessariamente condenados a sofrer algum cataclismo, mas não podemos mais supor que não estejamos condenados. A própria incerteza é o primeiro cataclismo e talvez o mais profundo.A mais falada conseqüência específica do aquecimento global é provavelmente o esperado aumento do nível do mar como resultado do derretimento polar. Mesmo que nada se derretesse, o acréscimo de calor elevaria consideravelmente o nível do mar. Água quente ocupa mais espaço do que água fria; a expansão térmica, dado um aumento global de temperatura entre 1,5 e 5,5 graus, deve elevar o nível do mar em 30 centímetros. Já é amplamente aceito que o nível do mar vai elevar-se significativamente ao longo das próximas décadas. 
A Agência de Proteção Ambiental, dos Estados Unidos, estimou uma elevação entre 1,50 e 2,10 metros por volta do ano 2100. Ao longo do século, a elevação no nível global do mar será superior a 90 centímetros. Isso significa que o mar alcançará uma altura sem precedentes na história da civilização.Dióxido de carbono e outros gases de estufa vêm de toda parte; portanto, a situação que eles criam só pode ser corrigida corrigindo-se tudo. Pequenas substituições e consertos rápidos não constituem solução. 
O tamanho e a complexidade do sistema industrial que construímos tornam fisicamente difíceis mesmo pequenas correções de curso. Sem uma população estática, até mesmo as metas mais imediatas e óbvias, como retardar o desflorestamento ou reduzir o consumo de combustíveis fósseis, parecem remotas. O efeito estufa é freqüentemente comparado à destruição da camada de ozônio, outro exemplo de poluição atmosférica com implicações globais. Mas a destruição da camada de ozônio pode ser e provavelmente será resolvida quando cessarmos de produzir as substâncias químicas que atualmente a destroem. 
O problema do aquecimento global, no entanto, não cede ao mesmo tipo de solução. Com ação agressiva, podemos "estabilizar" a situação a um nível que seja apenas moderadamente horrendo, mas não podemos resolvê-la. Isso não quer dizer que não devamos agir. Devemos agir de toda maneira possível e imediatamente.Estamos no fim de uma era — o porre centenário de petróleo, gás e carvão que nos proporcionou tanto os confortos como os apuros atuais. Mesmo os cientistas que mais clamam com estridência por controles sobre as emissões, dizem fazê-lo, porém, a fim de retardar o aquecimento para que possamos nos adaptar a ele. 
O ajustamento ao mundo da estufa não será fácil; somos profundamente viciados em petróleo. Nosso impulso será o de adaptar, não nós mesmos, mas a Terra — de descobrir uma nova maneira de manter nosso domínio e, daí, os estilos de vida com os quais nos acostumamos. Inventaremos novos instrumentos, novas tecnologias, para nos mantermos vivos no planeta, num mundo "macroadministrado". O problema, em outras palavras, não é simplesmente que a combustão de petróleo libera dióxido de carbono que, por força de sua estrutura molecular, captura o calor do Sol. O problema é que a natureza, a força independente que nos rodeou desde os nossos primeiros dias, não consegue coexistir com os nossos números e os nossos hábitos. Bem que poderemos criar um mundo capaz de suportar esses números e hábitos, mas será um mundo artificial — uma estação espacial. Ou, quem sabe, poderíamos mudar os nossos hábitos. 
A ecologia profunda sugere que em vez de dar ordens melhores aprendamos a dar cada vez menos ordens — de modo a mergulhar novamente no mundo natural. Tais ecologistas questionam a base industrial de nossa civilização, a necessidade de crescer eternamente em riqueza e números.Essas idéias são pelo menos um ponto de partida para aqueles interessados em salvar um mundo que está sumindo depressa. São idéias radicais, mas vivemos num momento radical. Vivemos no fim da natureza, o instante em que o caráter essencial do mundo está mudando. Se o nosso modo de vida está acabando com a natureza, não é radical falar em transformar nosso modo de vida. Como é óbvio, tal mudança será colossalmente difícil. 
É também difícil voltar as costas à idéia do crescimento econômico, que nos foi vendida como resposta à pobreza que aflige a maior parte do planeta. Mas um mundo superaquecido, desprovido de ozônio, seria provavelmente mais cruel para os pobres do que para os ricos e, se o nosso desejo é amenizar a pobreza, limitar o nosso padrão de vida e partilhar o nosso excedente devem funcionar tão bem quanto. 
O fim da natureza é um salto no desconhecido, tão assustador porque é desconhecido como porque o mundo pode tornar-se quente ou seco ou chicoteado por furacões. Mas esta poderia ser a época em que as pessoas decidam pelo menos não ir adiante na senda que têm percorrido — quando fizermos não apenas os ajustes tecnológicos necessários para preservar o mundo do superaquecimento, mas também os ajustes mentais necessários para assegurar que nunca mais tornaremos a pôr nosso bem à frente de tudo o mais. Este é o caminho que escolhi, porque oferece um fiapo de esperança num mundo vivo, eterno e significativo.
Para saber mais:
Terra quente
(SUPER número 4, ano 2)

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Mudança climática: Brasil se compromete e busca protagonismo

Por Mario Osava, da IPS

Rio de Janeiro, 08/12/2008 – O Brasil terá de fazer um grande esforço, especialmente nos próximos oito meses, para cumprir as metas de redução do desmatamento adotadas em seu Plano Nacional de Mudança Climática. Como contrapartida, busca protagonismo nas negociações internacionais sobre esse problema ambiental. A principal meta do País é reduzir o desmatamento na Amazônia em 72% até 2017, o que evitaria lançar na atmosfera 4,8 bilhões de toneladas de dióxido de carbono, o principal gás causador do efeito estufa.

Esse volume supera o que os países industrializados deveriam deixar de emitir entre 2008 e 2012 em cumprimento ao Protocolo de Kyoto, que muitos infringirão, destacou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, em entrevista a correspondentes estrangeiros. O Brasil é hoje um dos maiores emissores de gases de efeito estufa, mas o desmatamento é sua principal fonte, respondendo por 75% do total nacional, segundo o último inventario baseado em dados de 1994. Isso o diferencia de outras nações, onde a energia, a indústria e o transporte são os setores que produzem mais contaminação climática.

As metas para a Amazônia são quadrienais. A média de desmatamento entre 2006 e 2009 deverá cair 40% em relação à média do período 1996-2005, que foi de 19.533 quilômetros quadrados ao ano. Isso exige uma redução de 22,4% no ano em curso, que vai de agosto de 2008 a julho de 2009, em comparação com os 12 meses anteriores, quando o País perdeu 11.968 quilômetros quadrados de florestas amazônicas, pouco mais que a área da Jamaica.

Será difícil cumprir faltando oito meses, admitiu Minc, mas o ministro acredita na combinação de medidas punitivas, como a suspensão do crédito a quem tiver denúncias ambientais ou terras não legalizadas, que fora eficazes nos últimos meses, além de “pactos com setores produtivos”. Entre tais pactos estão a suspensão da compra de soja: que a indústria de óleo vegetal não compre essa oleaginosa quando cultivada em áreas recém-desmatadas, e o compromisso dos exportadores de madeira de excluir produtos ilegais e se limitarem aos certificados.

A maior empresa de mineração latino-americana, a Vale (antiga Companhia Vale do Rio Doce), prometeu não vender minério de ferro para siderúrgicas que destruam florestas nativas para obter carvão vegetal. Além disso, o governo conta com recursos para estimular uma reorganização da economia amazônica que permita manter “as florestas de pé”. Uma contribuição será o Fundo Amazônia, que já conta com doação de US$ 1 bilhão feito pela Noruega, que serão entregues gradualmente até 2015. Tais recursos se destinarão a recuperar áreas degradadas, promover o manejo florestal e remunerar serviços ambientais, entre outros estímulos a atividades sustentáveis, destacou o ministro.

O Brasil deverá reduzir o desmatamento amazônico em 30% em quadriênio seguinte para atingir a meta de 72% em 2017. Assim, a perda florestal, que em seu pior ano, 1995, foi de 29.079 quilômetros quadrados, baixará para cinco mil quilômetros quadrados ao ano. O Plano Nacional de Mudança Climática prevê aumento do reflorestamento para chegar a 11 milhões de hectares em 2017, duplicando a extensão atual. Dois milhões de hectares serão reflorestados com espécies nativas. Dessa forma, não haverá “perda de cobertura florestal a partir de 2015”, assegurou Minc.

O plano, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último dia 1º, foi explicado por Minc em rede de televisão. Mas seu grande impacto será internacional, com a expectativa de influir na XIV Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre mudança climática, que começou dia 1ºe vai até o próximo dia 12.

“O Brasil estava em posição defensiva, não protagonista” nos últimos anos, negando-se a assumir metas de redução de gases de efeito estufa, admitiu Minc. Mas, agora tem um plano “mais ousado do que os de China e Índia” e pode estimular tanto o grupo das nações em desenvolvimento quanto as industrializadas a adotarem compromissos mais fortes para mitigar a mudança climática, acrescentou Minc. “As metas devem ser diferenciadas”, para serem adotadas por países em desenvolvimento que são grandes emissores de carbono, como os do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), embora a maior responsabilidade continue sendo dos países industriais, cujas emissões históricas são as causas principais do aquecimento da Terra, disse o Ministro.

Minc participará da conferência de Poznan nesta semana para apresentar o plano, cobrar maiores compromissos de todos na luta contra a mudança climática e uma contrapartida em termos de transferência de recursos financeiros e tecnologia para que os países em desenvolvimento possam cumprir metas, anunciou. É “muito positivo” o Brasil finalmente adotar metas para reduzir o desmatamento, mas estas são “insuficientes”, disse à IPS o ativista Rubens Born, diretor da Vitae Civilis, uma organização não-governamental que se preocupa com a mudança climática.

Além da Amazônia, outros biomas (grandes ecossistemas) deveriam ter limites de ocupação para preservá-los e evitar desastres como o ocorrido nas últimas semanas em Santa Catarina, com mais de 130 mortes e dezenas de desaparecidos por causa das chuvas torrenciais e dos deslizamentos de terra, disse Born. O ministro Minc assegurou que a Mata Atlântica, que se estende pela zona costeira oriental e hoje tem apenas 7% de sua cobertura florestal original, recuperará 20% de suas florestas, e haverá metas para outros biomas depois de implantado um sistema de monitoramento semelhante ao amazônico.

O plano brasileiro, divulgado ao início da conferência de Poznan, terá uma repercussão positiva nas negociações de novos compromissos posteriores a Kyoto, que expira em 2012, já que se trata de um país em desenvolvimento que assume metas voluntárias, reconheceu Born.

Fonte: IPS

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

'Detetives' do carbono rastreiam gases do efeito estufa nos EUA

Enquanto se espremia em um elevador do tamanho de uma cabine telefônica para subir uma torre de 300 metros nas planícies do leste do Colorado, Arlyn Andrews disse, com um sorriso: “Isso me faz querer escalar rochas”.

É bom que ela goste de escalar altas estruturas. Andrews, uma cientista da atmosfera da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, em Inglês) em Boulder, Colorado (EUA), escala a torre periodicamente para assegurar que os finos tubos que ligam a torre a analisadores próximos estejam coletando corretamente amostras de dióxido de carbono, metano e um coquetel de outros gases do efeito estufa.

O elevador rangeu e parou cerca de cinco minutos mais tarde em um posto a 250 metros, onde a delgada sombra da torre avançava sobre um campo de girassóis vizinho nos primeiros raios da manhã. “Somos capazes de detectar toda a mistura de emissões aqui – o que vem do tráfego de automóveis, da indústria, do desenvolvimento residencial e da agricultura”, disse Andrews.

Ela é uma entre muitos 'detetives' do carbono: cientistas que acompanham e analisam de onde vêm os gases do efeito estufa e para onde eles vão com o tempo. Compare isso com suas finanças pessoais. Para planejar um futuro financeiro sadio, é preciso criar um orçamento e acompanhar como o dinheiro está sendo gasto. Da mesma forma, cientistas da atmosfera precisam desenvolver um “orçamento” para gases do efeito estufa.

No entanto, a atmosfera não entrega relatórios mensais sobre a dinâmica dos gases do efeito estufa, então os cientistas precisam retirar a informação de fontes diversas e muitas vezes contraditórias. A tarefa-chave é mensurar as fontes, ou emissões, desses gases que aquecem o planeta, e os “estoques” – florestas, plantações e oceanos que absorvem o elemento. Esse orçamento pode então respaldar uma política inteligente de controle climático, seja gerenciando uma floresta ou desenvolvendo regulamentos nacionais para as emissões.

Meia década de estudo - A jornada para acompanhar o carbono teve início há 50 anos, quando um cientista da atmosfera, David Keeling, através de um analisador, criou o primeiro observatório de medição de dióxido de carbono do mundo, em Mauna Loa, Havaí. Agora, graças a uma crescente combinação de técnicas de medição atmosférica e terrestre, cientistas podem quantificar mais precisamente as fontes e estoques de CO2. Eles também compreendem melhor como os gases que retêm o calor variam de acordo com tempo e espaço, não só globalmente, mas também em escala continental e regional.

Ao aplicar os diversos métodos e compará-los entre si e com modelos de computador, os cientistas também estão distinguindo com mais exatidão certos gases do efeito estufa de causa humana daqueles que derivam de flutuações naturais em ecossistemas terrestres e oceânicos.

As apostas são muito mais altas hoje do que há 50 anos. Globalmente, os estoques de carbono estão sendo ultrapassados pelo aumento de emissões. Instrumentos atmosféricos como a rede de oito torres financiada pela NOAA oferecem aos cientistas do clima uma janela para os processos que controlam as emissões e estoques de gases estufa.

No entanto, a incerteza permanece alta – às vezes tão alta quanto as próprias estimativas. Por exemplo, pesquisadores acreditam que cerca de metade do CO2 emitido na atmosfera é absorvido pelos oceanos e pela terra, mas eles não sabem precisamente de onde vêm os gases e onde eles vão parar. Essa lacuna de conhecimento tem sérias implicações nas políticas públicas; até que fique claro para onde estão indo as emissões, continuará sendo difícil ter créditos verificáveis para seqüestro de carbono.

“Precisamos ter certeza de que os mercados de carbono estejam afetando a mudança do clima, e não apenas colocando dinheiro nas mãos de algumas empresas e pessoas,” disse Lisa Dilling, professora-assistente de ciência ambiental da Universidade do Colorado, Boulder.

Contas que não batem - Um incômodo desafio é que as avaliações de inventário da superfície – baseadas em medições de florestas, campos de agricultura e emissões de chaminés, por exemplo – geralmente não batem com medições atmosféricas.

“Precisamos fechar o orçamento do carbono para saber precisamente o que está indo para onde”, disse Kevin Gurney, professor-assistente de ciências terrestres e atmosféricas da Universidade Purdue, em Indiana.

Com esse objetivo, no último mês de abril, Gurney iniciou o Projeto Vulcan. Com o nome do deus do fogo romano, Vulcan é um banco de dados massivo e um mapagráfico que mostra mudanças de hora em hora em emissões de CO2 derivado da queima de combustíveis fósseis em todos os locais e de todas as fontes, incluindo veículos, usinas e fábricas.

Outra ferramenta que mapeia o orçamento de carbono para cientistas da atmosfera é chamada de CarbonTracker, um sistema de análise de dados iniciado no ano passado por Pieter Tans, um experiente cientista do Laboratório de Pesquisa de Sistemas da Terra e seus colegas da NOAA. O sistema online mostra como o CO2 flui pelos continentes e como isso varia a cada ano.

Tans começou a rede de altas torres em 1992. Ele espera expandi-la das oito estruturas atuais para 30. Os instrumentos mais avançados foram introduzidos no ano passado na Califórnia – um em São Francisco e o outro em San Joaquin Valley, perto de Sacramento.

Neste verão, um estudo continuado em uma torre de medição localizada em campos de milho e soja em West Branch, estado de Iowa, revelou que as plantações sugavam uma quantidade surpreendentemente alta de CO2 da atmosfera durante a estação de cultivo no verão – chegando a 55 partes por milhão, de um nível equivalente de CO2 de 380 partes por milhão.

Todo agricultor sabe que o milho cresce rápido e absorve grandes quantidades de carbono no processo, e mais tarde respira CO2 quando é colhido ou deixado para se decompor. Mas esta foi a primeira vez que os cientistas detectaram uma redução tão grande no inventário de CO2 sobre uma região específica durante a estação de cultivo. O estudo também mostrou uma grande queda na concentração de CO2 desde o verão anterior, provavelmente porque enchentes atrasaram a estação de cultivo deste ano, disse Andrews.

A rede de torres de medição melhorou drasticamente as amostras de ar coletadas por pequenos aviões. E as torres cobrem uma área mais ampla do que instrumentos menores e baseados em terra, como as supostas torres de fluxo, que medem quantas toneladas de CO2 fluem para dentro e para fora de um lote específico de terra, de aproximadamente um quilômetro quadrado.

Do alto - Em janeiro, uma nova fase para os instrumentos atmosféricos de medição de CO2 terá início quando a Nasa lançar o primeiro satélite de rastreamento de carbono, chamado de Observatório de Carbono em Órbita.

Diariamente, o aparelho orbitará a Terra 15 vezes, tomando quase 500 mil medições da “impressão digital” que o CO2 deixa no ar entre o satélite e a superfície terrestre. Os dados serão usados para a criação de um mapa de concentrações de CO2 que ajudará cientistas a determinar precisamente onde estão as fontes e os estoques – mostrando diferenças em gases de menor representatividade com precisão de até uma parte por milhão contra um fundo equivalente de CO2 de 380 partes por milhão.

No final do processo, muitos cientistas esperam que suas descobertas respaldem políticas públicas em relação ao clima, como limites obrigatórios sobre emissões impostos pelo congresso.

“É uma prioridade nacional compreender o orçamento de carbono, de forma que as pessoas possam fazer políticas inteligentes e eficazes”, disse Gurney de Purdue, acrescentando que muitos cientistas se sentem pressionados em expandir as fronteiras do conhecimento deste campo em seus esforços para diminuir o aquecimento global. “É isso o que nos motiva a acordar para trabalhar de manhã.”

Fonte: G1

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Emissões de carbono nos EUA cresceram 1,4% em 2007

As emissões de gases do efeito estufa nos Estados Unidos cresceram 1,4% no ano passado, já que o clima obrigou a população a reforçar o uso de aquecedores e do ar-condicionado, além de reduzir a capacidade das hidrelétricas, disse a Administração de Informação de Energia, um órgão federal, nesta quarta-feira (3).

O novo dado torna ainda mais ambiciosa a meta do presidente eleito Barack Obama de que as emissões de gases do efeito estufa voltem até 2020 aos níveis de 1990, e caiam outros 20 por cento até 2050.

No ano passado, as emissões dos EUA estavam 16,7% acima dos níveis de 1990, e 1,7% acima de 2006, segundo a AIE. Os EUA são o maior emissor de gases do efeito estufa do mundo depois da China.

No ano passado, os norte-americanos emitiram 7,282 bilhões de toneladas de dióxido de carbono ou equivalente, a maior parte devido à queima de combustíveis fósseis.

As emissões anuais dos maiores poluidores globais são acompanhadas com atenção pelos participantes da reunião deste mês da ONU em Poznan (Polônia), que serve de preparação para um novo tratado climático global, a ser definido no final de 2009 para entrar em vigor em 2013.

Os Estados Unidos são o único país industrializado que não ratificou o atual tratado, conhecido como Protocolo de Kyoto, que exige que 37 países ricos reduzam as emissões de carbono.

O relatório da AIE mostrou o impacto que o clima pode ter sobre as emissões anuais, já que as temperaturas mais amenas de 2006 haviam provocado uma ligeira queda, segundo Paul McArdle, porta-voz da agência.

Na opinião dele, o cumprimento das metas propostas por Obama será "uma tarefa substancial".

A AIE projetou em relatórios anteriores que as emissões dos EUA para a geração de energia cresceriam a uma taxa anual de 0,5 por cento entre 2005 e 2030, mantidas as condições habituais.

Fonte: Estadão Online

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Mudança climática: Carbono por alimentos

Por Busani Bafana, da IPS

Nairóbi, 01/12/2008 – O comércio de carbono pode se converter em uma garantia de segurança alimentar na África, se a comunidade internacional reconhecer que a agricultura sustentável e a preservação das selvas contribuem para minimizar a mudança climática. Não há dúvidas de que a mudança climática é uma ameaça. A África é responsável por apenas 3,8% da concentração de gases causadores do efeito estufa, mas será a região mais prejudicada do planeta. A maioria dos cientistas atribui a esses gases, como o dióxido de carbono, óxido nitroso e metano, o atual ciclo de aquecimento da atmosfera, que produz grandes alterações climáticas.

O continente tem mecanismos e recursos limitados para minimizar e adaptar-se às mudanças causadas por esse fenômeno. Entre as atividades paliativas figura o cultivo de diferentes vegetais que compensem as expressões locais da mudança climática e a proteção de zonas costeiras diante da elevação do mar. A delegação do Mercado comum da África Oriental e Austral (Comesa) exigirá mudanças no funcionamento do mercado de carbono na conferência da Organização das Nações Unidas sobre mudança climática, aberta hoje na cidade polonesa de Poznan.

Os mercados de carbono são um mecanismo previsto no Protocolo de Kyoto da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança Climática, segundo o qual países e empresas, especialmente do setor de energia, podem adquirir o direito de emitir gases de efeito estufa em troca de financiamento de projetos que minimizem o fenômeno. “Mais de quatro bilhões de pessoas nos países em desenvolvimento, que dependem da agricultura, estão excluídas desse mecanismo. A África deve utilizar o comércio de carbono para conseguir a segurança alimentar, em risco”, ressaltou o secretário-geral da Comesa, Sindiso Ngwenya, em uma conferência do bloco realizada no mês passado na capital do Quênia.

No contexto do mercado de carbono estabelecido no Protocolo de Kyoto, as empresas que superam seus limites de emissões de gases de efeito estufa podem investir em projetos limpos no Sul, enquanto ganham tempo para reduzir sua própria contaminação. É aí que entram os pequenos agricultores africanos. Se forem reconhecidas a importância do cultivo sustentável e a preservação das selvas, os contaminantes dos países ricos poderão comprar créditos de carbono dos camponeses deste continente. O mercado global de carbono cresce. O volume de 2007 é estimado em cerca de US$ 30 bilhões, duas vezes e meia a ajuda que a África recebe.

Os participantes da reunião de Nairóbi exortaram a União Européia a rever seu Plano de Comércio de Emissões, que apenas permite às companhias dos 27 países do bloco comprar créditos de carbono de empreendimentos industriais, não de projetos florestais, agrícolas ou agro-florestais. A África ficou fora do mecanismo porque a UE considera que a indústria deste continente é muito pequena (e com escassas emissões de dióxido de carbono) para poder ter direito aos créditos de carbono. A diretora-geral da Rede de Análise de Políticas de Agricultura e Recursos Naturais (Fanrpan), Lindiwe Majele Sibanda, cobrou da África que pressione para que a agricultura sustentável seja incluída no comércio de carbono.

“A menos que o convênio que suceder o Protocolo de Kyoto valorize a contribuição da agricultura sustentável pode dar para o mercado de carbono, a África continuará marginalizada”, disse Sibanda. No contexto acordado em Kyoto, no Japão, em 1997, vigente desde 2005, 36 países industrializados (menos os Estados Unidos, que retiraram sua assinatura do tratado em 2001) se comprometeram a reduzir sua emissão de gases de efeito estufa em pelo menos 5,2% até 2012, em relação às concentrações registradas em 1990.

A Comesa deu mandato à Fanrpan para que coordene a Iniciativa sobre a Mudança Climática da Sociedade Civil Africana por uma Política de Diálogo (ACCID). O projeto prepara governos e organizações para que trabalhem no sentido de o convênio que substituir o Protocolo de Kyoto inclua a agricultura sustentável e a preservação das florestas. Se continuarem excluídas – disseram os delegados – os esforços para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e combater a mudança climática podem ser estéreis. É preciso pagar às nações em desenvolvimento para que cuidem de suas florestas, acrescentaram.

Os créditos de carbono podem triplicar o valor das florestas existentes, bem como converter-se em uma boa iniciativa para incluir mais terras nos programas de reflorestamento, insistiu Eric Bettelheim, diretor-executivo da organização britânica Sustainable Forestrey Management (Gestão Florestal Sustentável). A África poderia receber cerca de US$ 10 bilhões pela venda de aproximadamente 500 mil toneladas de carbono, a US$ 20 a unidade, acrescentou Bettelheim.

“Essa quantia pode transformar a economia dos países africanos porque é comércio, não ajuda”, insistiu o especialista. “Os agricultores pobres devem receber mais dinheiro e conseguir maior produtividade ou não serão uma solução para o aquecimento do planeta, e não funcionarão o próximo convênio internacional nem os ecossistemas florestais até o final do século”, concluiu Bettelheim. (IPS/Envolverde)


Fonte: IPS

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Gases estufa atingem maior nível já registrado

Relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM) indica que, nos últimos 25 anos, concentração de CO2 subiu 37%.

As missões de gases estufa, responsáveis pelo aquecimento global, continuam a crescer e as concentrações de dióxido de carbono (CO2), em 2007, atingiram os maiores níveis já registrados, de acordo com um relatório da Organização Metereológica Mundial das Nações Unidas (OMM).

No “Boletim dos Gases Estufa” de 2007, a Organização aponta que, em um ano, as concentrações de CO2 cresceram 0,5%, enquanto os níveis de óxido nitroso, outra substância que provoca o aquecimento global, também registraram elavações recordes em 2006.

Nos últimos 25 anos, os níveis de dióxido de carbono aumentaram 37%, por conta do crescimento da população, do desmatamento e da queima des combustíveis fósseis como carvão e petróleo. Quanto aos níveis de metano, outro gás estufa, a OMM afirma que ainda é cedo para julgar se existe uma tendência de crescimento, já que os níveis de concentração apresentaram flutuações na última década.

Por outro lado, a concentração de clorofluorcarnonetos (CFCs), gases que destróem a camada de ozônio, continua a cair, graças à redussão nas emissões estabelecida no Protocolo de Montreal da ONU, em 1989.

Outros dados, liberados pela CarboAfrica – projeto conjunto de 15 instituições, incluindo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) - mostram que a as florestas e savanas africanas capturam, através da fotossíntese, quantidades maiores de dióxido de carbono do que as emitidas com queimadas e desmatamentos.


Fonte: Envolverde/ONU-Brasil

Áreas alagáveis são as principais fontes de gases do efeito estufa na Amazônia

Por Fábio de Castro, da Agência Fapesp

Áreas alagáveis da Amazônia correspondem a 20% do bioma, de acordo com novo mapa georreferenciado apresentado por pesquisadores do Inpe e da Universidade da Califórnia. Várzeas são as principais fontes naturais de gases de efeito estufa.

Cerca de 20% da Amazônia corresponde a áreas alagáveis, de acordo com um novo mapa georreferenciado produzido por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara (UCSB).

De acordo com os autores, uma das maiores limitações para estudos sobre o ciclo do carbono ou o balanço de gases do efeito estufa é a imprecisão dos dados sobre a dimensão das áreas alagáveis, responsáveis pela maior parte das emissões de metano e carbono na atmosfera.

O estudo que gerou os mapas – apresentado nesta terça-feira (18), durante a Conferência Internacional Amazônia em Perspectiva, em Manaus – foi realizado por Evlyn Novo, pesquisadora titular da Divisão de Sensoriamento Remoto do Inpe, Laura Hess, do Instituto para a Ciência Computacional dos Sistemas Terrestres (Icess, na sigla em inglês) da UCSB, e John Melack, pesquisador do Icess e da Nasa, a agência espacial norte-americana.

Por intermédio de Melack, a pesquisa iniciada na década de 1990 teve participação da Agência de Exploração Aeroespacial Japonesa (Jaxa). Evlyn teve apoio da FAPESP por meio da modalidade Auxílio Regular a Pesquisa. Laura, também com apoio da FAPESP por meio da modalidade Auxílio Pesquisador Visitante, atuou como professora visitante do Inpe, onde ajudou a desenvolver e testar a metodologia de mapeamento.

"As áreas alagáveis são as principais fontes naturais de gases causadores do efeito estufa. Qualquer estimativa sobre o aumento das emissões fica distorcida se não tivermos uma linha mestra que nos permita identificar se essas emissões são antropogênicas ou naturais", disse Evlyn à Agência FAPESP.

De acordo com a pesquisadora, a quantificação dessas informações depende de dados sobre as áreas alagáveis amazônicas, que por sua vez são de difícil obtenção. "Os rios da bacia amazônica chegam a ter oscilações de nível de até 18 metros. Em algumas regiões há variações de 50 quilômetros em relação às margens. Por isso, as estimativas sobre as áreas alagáveis até agora eram muito imprecisas", afirmou.

O sensoriamento remoto, segundo Evlyn, é a solução para monitorar as áreas alagáveis da bacia, por sua grande extensão e difícil acesso. Em meados da década de 1990, o projeto teve início a partir de imagens SAR (radares de abertura sintética) obtidas pelo Jers-1 (Japanese Earth Resources Satellite-1), da Jaxa. Os sistemas SAR foram usados como alternativa aos sensores ópticos, cuja ação é limitada em regiões tropicais devido à alta taxa de cobertura de nuvens.

"Com esses dados, foram realizadas coberturas das duas fases do ciclo hidrológico da bacia: o período de águas mínimas e o período de cheias. As informações, então, foram processadas por uma cooperação entre o Inpe e a UCSB para gerar um mapa das áreas alagáveis da Amazônia inteira", disse.

A pesquisadora explica que a conclusão dos trabalhos foi demorada porque era preciso validar o mapa. "Foram feitos vários sobrevôos com uma aeronave do Inpe, para produzir uma videografia. Os resultados preliminares, que consideravam a Amazônia Central, indicavam 17% de áreas alagáveis. O resultado final, que foi apresentado nesta terça-feira (18), é o mapa para toda a Amazônia, incluindo os países vizinhos, e mostra que 20% do bioma é composto por áreas alagáveis", destacou.

Segundo Evlyn, o principal responsável pelas áreas alagadas é a flutuação dos rios da bacia amazônica, mas há também uma contribuição de outras fontes de água, como lençóis freáticos que afloram.

De acordo com ela, o mapa ajudará a preencher várias lacunas de informação científica na região. "As áreas de terra firme sempre receberam mais atenção por conta do desflorestamento e da maior extensão. Mas as áreas alagáveis – com pouca oxigenação e favoráveis à decomposição de material orgânico – têm importância crucial, porque a evasão de carbono e metano nesses sistemas é imensa. Sem considerar esses 20% da Amazônia, é impossível fechar o balanço dos estudos sobre emissões", disse.


Fonte: Envolverde/Agência Fapesp

terça-feira, 4 de novembro de 2008

É preciso reduzir em 80% as emissões de gases do efeito estufa até 2050

Por Fábio de Castro, da Agência Fapesp

Em palestra na FAPESP, Martin Parry (foto) e Vicente Barros, coordenadores do IPCC, destacam que meta de redução de emissões precisa ser aumentada para 80% e, ainda assim, será preciso investir muito mais em adaptação, pois impactos são inevitáveis.

As mudanças climáticas terão impactos devastadores se as emissões de gases que provocam efeito estufa não forem reduzidas em 80% até 2050 – uma meta bem mais severa que a de 50%, discutida por vários países até agora. E, mesmo com uma redução dessa magnitude, será necessário investir em adaptação, já que alguns impactos serão inevitáveis.

O alerta foi feito por Martin Parry e Vicente Barros, dois dos coordenadores do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), que apresentaram palestras na última quinta-feira (31), na sede da FAPESP, em São Paulo. O evento, organizado pela Fundação e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), integra o Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG).

Parry é professor do Centro de Políticas Ambientais do Imperial College, em Londres, na Inglaterra, e foi co-presidente do Grupo de Trabalho II do IPCC até 2007. Barros é professor titular do Departamento de Ciências Atmosféricas da Universidade de Buenos Aires, na Argentina, e atual co-presidente do mesmo grupo de trabalho, que concluirá o próximo relatório de avaliação em 2013.

De acordo com Parry, os efeitos das mudanças climáticas já começaram e é preciso ter uma liderança global que permita fazer as mudanças necessárias a fim de evitar os piores cenários. Para ele, o Brasil terá um papel central nessa liderança.

“É importante que os países emergentes – e sobretudo o Brasil – assumam uma posição de liderança durante a Conferência Mundial sobre Mudanças Climáticas para defender a adoção de um percentual de 80% como meta de redução das emissões por todos os países”, disse à Agência FAPESP.

Durante a Conferência Mundial sobre Mudanças Climáticas, que será realizada em dezembro de 2009 na Dinamarca, uma nova meta de corte das emissões será estabelecida para o acordo que substituirá, a partir de 2012, o Protocolo de Kyoto.

Parry destacou que, mesmo com muito investimento em adaptação, será preciso adotar a meta de 80% e começar a reduzir as emissões imediatamente para evitar danos que atingirão milhões de pessoas em todo o planeta, como a severa restrição de água.

“O nível dos oceanos já está subindo e a margem que temos para ação sobre os efeitos da mudança climática é muito pequena. Não podemos mais perder tempo. Cada dez anos de atraso para agir significa um aumento de 0,5ºC na temperatura. Os países desenvolvidos falam muito sobre ação, mas sempre serão apontados como os grandes responsáveis pelas emissões. Por isso, seria interessante ter uma liderança como o Brasil”, disse.

Segundo Parry, a partir de agora será necessário dar mais atenção às medidas de adaptação, que ele afirma serem ainda muito pouco estudadas e pouco desenvolvidas em todo o mundo.

“Perdemos dez anos falando apenas sobre mitigação, mas agora temos que recuperar esse tempo perdido, porque mesmo com o corte de 80% nas emissões vamos ter impactos inevitáveis e os danos residuais poderão ser imensos se não investirmos em adaptação agora”, afirmou.

As áreas prioritárias para adaptação, segundo Parry, seriam as regiões tropicais e equatoriais, a África, os megadeltas de bacias hidrográficas – especialmente na Ásia – e as pequenas ilhas. “As adaptações mais urgentes terão que ser feitas em alimentos e água – especialmente nas regiões áridas – e nos assentamentos suscetíveis a inundações.”

De acordo com ele, em um cenário pessimista, caso as emissões não sejam reduzidas drasticamente, a temperatura subiria 4°C, causando a extinção de 50% das espécies de árvores da Amazônia. Um aumento de 2°C seria suficiente para eliminar um quarto das espécies.

Conhecimento necessário

Barros reforçou que mesmo com todos os esforços mundiais concentrados na redução de emissões será preciso investir em esforços de adaptação. Um dos maiores entraves para que isso seja feito é o ainda escasso conhecimento sobre o assunto.

“No melhor dos cenários ainda teremos um aumento de temperatura que nos obrigará a fazer um esforço adaptativo. O problema é que há muito pouca literatura sobre adaptação”, disse à Agência FAPESP.

O cientista argentino ressaltou que a literatura científica existente sobre adaptação tem o foco em “como deveria ser” e não em “como é”. “A consciência sobre a mudança climática ainda é recente. Essa literatura do ‘como deveria ser’ indica como agir no melhor dos mundos, mas não no mundo real”, apontou.

Barros afirma que o interesse sobre o que pode ser feito em termos de adaptação está aumentando no debate público, que até agora vinha se concentrando excessivamente nas discussões sobre mitigação. “O principal fator para a adaptação é a aquisição da consciência da mudança climática por atores-chave”, disse.

Segundo ele, é provável que os esforços de adaptação se concentrem nas chamadas adaptações reativas, realizadas depois que os efeitos das mudanças climáticas já estão consumados.

“A adaptação reativa resulta de decisões mais individualizadas. As adaptações antecipatórias são mais problemáticas, porque para fazê-las é preciso prever mudanças tecnológicas, socioeconômicas e de infra-estrutura que deverão acontecer em um tempo remoto. Além disso, os modelos climáticos globais não são muito aptos a descrever as variabilidades interdecadais, o que complica ainda mais as ações”, afirmou.

Crédito da imagem: Eduardo Cesar

Fonte: Envolverde/Agência Fapesp

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Sociedade civil quer que o governo defina metas de redução de emissões de gases de efeito estufa

Por Redação do ISA

Documento a ser entregue ao Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, nessa quarta-feira (29), considera o Plano Nacional de Mudanças Climáticas do governo insuficiente para atender a urgência de redução de emissões de gases que causam o aquecimento global. Pede ainda que seja elaborado um novo plano.

As principais organizações da sociedade civil ligadas ao tema das mudanças climáticas entregam nesta quarta-feira (29), ao ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, um "manifesto" exigindo que o país assuma posição firme e imediata em prol da fixação de metas de redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE), que devem ser quantificáveis, reportáveis e verificáveis. A iniciativa deve constar do Plano Nacional de Mudanças Climáticas a ser alinhavado pelo Executivo, da Política Nacional de Mudanças Climáticas (em elaboração no Congresso Nacional) e da posição brasileira nas tratativas para fixação de compromissos internacionais nas próximas Conferências das Partes.

A definição de metas segundo os signatários do manifesto proporciona oportunidade para a criação de soluções tecnológicas inovadoras, garantindo a médio e longo prazo a competitividade da economia brasileira. O manifesto também considera que a formulação de um Plano sem um marco legal inovador e criador de instrumentos jurídicos é insuficiente. As ONGs reafirmam a necessidade da aprovação urgente da Lei de Política Nacional de Mudanças Climáticas no Congresso Nacional, antes de se fixar o conteúdo definitivo do Plano. A expectativa da sociedade é que a lei represente um avanço significativo do compromisso da sociedade brasileira no combate ao aquecimento global, reafirmando a liderança brasileira no tema nas negociações internacionais e no plano interno do país.

Demandam ainda que o governo federal dê mais prazo para que a sociedade possa apresentar suas propostas e participar de modo efetivo da consulta pública ao Plano Nacional de Mudanças Climáticas. Com apenas 30 dias para a manifestação da sociedade, a consulta pública se encerra esta semana. A falta de tempo para uma discussão mais profunda por parte da sociedade desagradou os ambientalistas, que consideram o prazo exíguo dado pelo governo “incompatível com um trabalho sério e conseqüente para a construção de uma matéria de tal magnitude, de alto impacto socioeconômico e ambiental”.

No documento, eles repudiam a hipótese de que o Plano governamental, da maneira como foi elaborado, seja levado à próxima Conferência das Partes da Convenção do Clima no mês em Dezembro na Polônia devido à sua “incompletude, falta de consulta pública adequada e ausência de metas de redução das emissões de gases de efeito estufa”. Essas são algumas das críticas das ONGs que assinam o manifesto, entre elas: Instituto Socioambiental (ISA), Conservation International (CI), Fundação O Boticário, Governos Locais pela Sustentabilidade (ICLEI), Greenpeace, Instituto de Pesquisas da Amazônia (IPAM), SOS Mata Atlântica, Instituto Internacional de Educação do Brasil - IEB, Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem - SPVS, The Nature Conservancy (TNC), Instituto Bioatlântica (IBIO). O manifesto foi articulado pelo Observatório do Clima (http://www.oc.org.br).

Manifesto por outro Plano Nacional de Mudanças Climáticas

As entidades signatárias do presente documento vêm a público afirmar que o país deve assumir posição firme e imediata em prol da fixação de metas de redução de emissões de gases de efeito estufa, que devem ser quantificáveis, reportáveis e verificáveis. Tais iniciativas devem constar da Política e do Plano Nacional de Mudanças Climáticas e dos compromissos internacionais a serem fixados nas próximas Conferências das Partes. A definição de metas proporciona oportunidade de soluções tecnológicas inovadoras, garantindo a médio e longo prazo a competitividade da economia brasileira.

O Plano não apresenta "adicionalidade" e representa apenas um bom levantamento das iniciativas em curso. Revela graves deficiências, tais como:

  • ausência de avanços sobre as principais fontes de emissões brasileiras, a mudança do uso do solo e desmatamento;
  • omissão quanto ao papel dos estados e municípios;
  • não estabelecimento de medidas específicas para biomas não-amazônicos;
  • absoluta falta de prazos e alocação de recursos para medidas prioritárias no bioma amazônico, tais como regularização fundiária, implantação das Unidades de Conservação e iniciativas que inibam a impunidade dos desmatadores;
  • inclusão indevida da expansão da energia nuclear;
  • ausência de propostas de melhoria dos programas existentes para energias renováveis e de mecanismos efetivos para ampliação da base tecnológica de geração desse tipo de energia;
  • indefinição de um plano para geração descentralizada de energia elétrica;
  • negligência da importância dos oceanos como maiores sumidouros do planeta;
  • inexistência de previsões sobre transporte sustentável, de modo a melhorar o transporte público nas cidades brasileiras, desestimular o transporte individual e reduzir emissões provenientes do setor;
  • falta de instrumentos econômicos e financeiros suficientes e significativos para viabilização da implementação do Plano;
  • abordagem insuficiente de questões relativas a resíduos sólidos e saneamento;
  • negligência quanto aos impactos na saúde e ausência de medidas preventivas e ações práticas;
  • não inclusão do mapeamento de vulnerabilidades como instrumento para medidas de adaptação;
  • falta de salvaguardas socioambientais para produção de biocombustíveis.


Esses fatores, entre outras deficiências, revelam que a formulação de um Plano sem um marco legal inovador e criador de instrumentos jurídicos é insuficiente. Registra-se, portanto, a necessidade da aprovação urgente da Lei de Política Nacional de Mudanças Climáticas no Congresso Nacional, que represente um avanço significativo do compromisso da sociedade brasileira no combate ao aquecimento global, reafirmando a liderança brasileira no tema nas negociações internacionais e no plano interno do país.

Considera-se o prazo exíguo dado pelo governo para comentários e contribuições ao Plano Nacional de Mudanças Climáticas incompatível com um trabalho sério econseqüente para a construção de uma matéria de tal magnitude, de alto impacto socioeconômico e ambiental. Espera-se que o governo não apresente o referido Plano como definitivo, antes de ampliar a consulta à sociedade brasileira.

Repudia-se também a hipótese de apresentação do documento na próxima Conferência das Partes da Convenção do Clima, dada sua incompletude, falta de consulta pública adequada, e ausência de metas de redução das emissões de gases de efeito estufa.

Assinam: Instituto Socioambiental (ISA), Conservation International (CI), Fundação O Boticário, ICLEI Governos Locais pela Sustentabilidade, Greenpeace, Instituto de Pesquisas da Amazônia (IPAM), SOS Mata Atlântica, Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem (SPVS), The Nature Conservancy (TNC), Instituto Bioatlântica - IBIO. O manifesto foi articulado pelo Observatório do Clima (http://www.oc.org.br).

Fonte: Envolverde/Instituto SocioAmbiental