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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Dor contratada

Por Míriam Leitão*, para O Globo 

Os economistas mostram que o erro é investir pouco na prevenção e gastar muito para remediar. Os meteorologistas descrevem encontros de fenômenos naturais que os tornam mais potentes. Os climatologistas alertam que vai piorar. Os urbanistas apontam erros do passado. Um conservacionista viajou pelo Brasil e viu a insensatez. Assim se contrata a dor presente e futura.

Cada especialista no seu ângulo registra um pedaço do erro. Eles juntos produzem uma zona de convergência de tragédias futuras. O Brasil é bom na emergência: os poderes se juntam, os diagnósticos são precisos, as soluções são prometidas, o dinheiro aparece, a generosidade brota, a imprensa se concentra. Cessou o momento extremo e tudo volta ao leito do rio dos adiamentos.

Marcelo Seluchi, meteorologista do Inpe, explicou ontem a coincidência dos fenômenos que vitimaram a Região Serrana do Rio:

- A Zona da convergência do Atlântico Sul produz umidade concentrada. Isso piorou pela nebulosidade da Serra, mas houve também o que a gente chama de Sistema de Bloqueio, que deixou essa umidade sobre o Rio e São Paulo. São fenômenos naturais, mas as grandes catástrofes estão ficando mais frequentes.

Chuvas, tempestades, enchentes sempre existiram, tragédias já marcaram o passado em eventos históricos, mas o que está convergindo são os avisos de especialistas de diversas áreas de que é perigoso insistir no mesmo padrão de comportamento. A presidente Dilma ontem sobrevoou a tragédia e disse que a população pode esperar medidas fortes. Que sejam também permanentes.

Do Japão, o climatologista Carlos Nobre mostrou empolgação com o sistema de alertas e prevenção de enchentes e deslizamentos em encostas que será criado no Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) usando computadores e sabedoria do INPE:

- Remover as pessoas de áreas de risco é mais difícil, mas é possível e factível um sistema de alertas efetivo. E esta será uma das minhas mais importantes tarefas no MCT.

Aumentou a volatilidade do clima, os fenômenos estão mais ativos, os extremos mais frequentes. Isso é evidente para qualquer leigo e uma constatação científica. Portanto, é mais do que repetição, é um movimento de piora constante. A cada nova tragédia, ela pode ser pior. Não tem volta, a humanidade já contratou uma parte da mudança climática. O que nos cabe agora é tentar mitigar seus efeitos, se adaptar aos seus rigores, evitar a continuação dos erros.

- O que tem sido observado globalmente é uma exacerbação dos ciclos naturais, isto é, extremos climáticos têm acontecido com mais freqüência, há maior volatilidade do clima. No Brasil, faltam estudos de longo prazo do clima contemporâneo para sermos mais conclusivos, mas é bom nos prepararmos para este aumento de volatilidade. Vamos desenvolver e implementar tão rápido quanto possível formas de reduzir riscos de desastres através do sistema de alerta. No longo pra$, esse aumento da volatilidade vai mexer profundamente com os usos da terra, principalmente nas áreas de risco e cidades. Há um limite para obras de engenharia. É preciso fazer a paisagem rural e urbana voltar a responder de maneira mais natural aos fenômenos climáticos — disse Carlos Nobre.

É como declarou ontem a presidente Dilma após visitar os locais da tragédia na Região Serrana. Cabe às autoridades atender às emergências e prevenir com política habitacional, drenagem, saneamento:

- Porque se o terreno aqui é uma camada fina sobre rocha e há deslizamento quando chove, que deslize, mas que não morra gente.

O sinal da presidente é exato: em vez de culpar a natureza, precisamos nos preparar. Para lidar com fenômenos que ela descreveu como “montanhas que se dissolveram.”

Foi o que viu também o conservacionista Miguel Milano. Ele acaba de voltar de uma viagem de 5 mil quilômetros, de carro, pelo interior do Brasil. Foi do Sul até a Bahia e passando por São Paulo, Minas, Rio, visitou o Vale do Paraíba e voltou pelo Espírito Santo, onde já pegou, na virada do ano, áreas alagadas:

- De propósito, fugi das grandes vias e viajei por dentro. Vi morro derretendo, vi todo o tipo de irregularidade. Não há áreas de preservação permanente, reserva legal, vegetação em declives. Vi encosta desmoronando por causa de erosão. Fiquei lembrando do que estudei de hidrologia florestal nos meus tempos de estudante, há décadas. Um desses estudos mostrava que a diferença entre o pico da cheia e o da seca nas áreas vegetadas é de sete vezes. Nas áreas degradadas, é de 20 vezes. A vegetação é proteção, atenua o impacto das chuvas, reduz o volume e o tempo do escorrimento, protege contra o vento e tem o efeito de transpiração, ou seja, as árvores bombeiam parte da água de volta para a atmosfera. Fui vendo isso e pensando na loucura do Brasil, que não só não respeita o Código Florestal como quer, a esta altura, mudá-lo.

No meio da mudança climática é estranho propor reduzir proteção das margens dos rios, dos picos dos morros, dos terrenos íngremes e diminuir as áreas de reserva legal. Mas é isso que o Congresso Nacional está votando na mudança do Código Florestal.

A presidente Dilma disse que agora é a hora de resgatar, amparar e cuidar das pessoas. Depois, reconstruir e prevenir.

É o triste momento de contar os mortos. Eles já passam dos 480. É também hora de ver que caminhamos no sentido contrário ao que manda a razão e a sensatez.

*Publicado originalmente na coluna da autora no site do jornal O Globo, em 14/01/2011 - http://oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2011/01/14/dor-contratada-356593.asp

(Envolverde/Portal do Meio Ambiente)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Conferência da ONU surpreende e fecha acordo climático

Fundo verde prevê US$ 100 bilhões anuais para auxiliar países pobres

foto
Foto: arquivo
Para colocar um fim na onda de desmatamentos, países pobres receberão indenização, prevê acordo
Os mais de 190 países que participam da 16ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP-16) concordaram neste sábado com um pacote de iniciativas que inclui bilhões de dólares para um fundo para países pobres, embora não tenham conseguido adotar um acordo vinculante em meio a um impasse entre Estados Unidos, China, Japão e outros países.
O acordo pede que países ricos cortem suas emissões de gases de efeito estufa nos percentuais prometidos um ano atrás, embora esses cortes não sejam legalmente vinculantes. Países em desenvolvimento devem desenvolver projetos para cortar suas emissões num esforço mundial para limitar o aquecimento global em menos de 2ºC acima dos níveis pré-industriais. O acordo inclui planos para a formação de um fundo verde de US$ 100 bilhões por ano, que países ricos disponibilizarão até 2020 para ajudar os países pobres a financiar programas para o corte de emissão de gases e a lidarem com a seca e outros efeitos do aquecimento global.
Felipe Calderón, presidente do México, país anfitrião do evento, elogiou os delegados por abrirem a um novo caminho na luta contra as mudanças climáticas. "Hoje, com esta conferência, temos a oportunidade de começar a construir uma nova história na qual o crescimento econômico, a luta contra pobreza e a vida em harmonia com o meio ambiente está ao nosso alcance", disse ele.
Calderón lembrou que embora o acordo não tenha conseguido assegurar medidas que garantam profundos cortes de emissões, a confiança e o clima de otimismo entre os participantes da conferência de Cancún vai ajudar os países a chegarem a um acordo mais abrangente.
O impasse entre os Estados Unidos, China, Japão, Índia e outros países congelou as negociações sobre o tratado climático global e colocou em questão o futuro do Protocolo de Kyoto. Mas diplomatas disseram esperar que as discussões em Cancún possam abrir caminho para um tratado legalmente vinculante sob os qual governos se reúnam novamente durante a reunião sobre o clima no ano que vem, que vai acontecer em Durban, na África do Sul.
O Japão disse que não vai se comprometer com uma segunda fase do Protocolo de Kyoto a menos que os maiores emissores do mundo de gases de efeito estufa como China, Estados Unidos e Índia, concordem em cortar suas emissões tendo como base um acordo legalmente vinculante. A primeira fase do tratado será encerrada em 2012.
Os Estados Unidos, que assinaram mas nunca ratificaram o Protocolo de Kyoto, argumentam que não vão concordar com cortes obrigatórios a menos que a China e outras economias em rápido crescimento também limitem suas emissões. Mas durante as negociações climáticas um ano atrás em Copenhague, Estados Unidos e China apresentaram compromissos voluntários para o corte de emissões de gases de efeito estufa. A China continua afirmando que, como um país em desenvolvimento, não tem recursos ou responsabilidade de cortar agressivamente suas emissões durante o período em que sua economia está crescendo.
Inicialmente, a Índia apresentou o mesmo argumento, embora o país tenha suavizado sua posição nesta semana, dizendo que vai considerar a hipótese de concordar com cortes obrigatórios no futuro.
Fonte: Agência Estado

Biólogo e educador faz balanço ambiental da década

O debate sobre o meio ambiente e sobre o aquecimento global muitas vezes se ressente da interferência política e ideológica, que conduz à radicalização de posições, bem como da simplificação das questões essenciais para facilitar a compreensão do assunto. Sem falar dos estereótipos que se criam no imaginário público. Nesse sentido, é esclarecedor ouvir a voz do cientista e educador Nelio Bizzo sobre o tema.

Bizzo é biologo com doutorado em Educação e pós-doutorado na Universidade de Leeds (Inglaterra). Foi representante do Brasil no primeiro projeto educacional internacional sobre Mudanças Globais promovido pelo International Council of Scientific Unions (ICSU) na década de 1990, que produziu material didático utilizado em diversos países. Atualmente, é fellow da Society of Biology (Londres) e professor visitante da Universidade de Verona, na Itália, de onde concedeu a entrevista que segue.

UOL Ciência e Saúde: Pode-se dizer que a discussão sobre o meio ambiente ganhou mais peso nesta década em relação aos anos 1980 e 1990? Por quê?

Nelio Bizzo: É difícil responder a pergunta, mas eu diria que, se de fato a questão ambiental ganhou peso, isso se deve mais a uma oferta de novos produtos “verdes” do que propriamente a uma efetiva mudança da demanda dos cidadãos. Na Europa, onde tradicionalmente se troca pouco de carro, hoje se anunciam modelos híbridos com forte apelo ambiental (e que custam o dobro!). A indústria do macarrão na Itália faz propaganda de uma pirâmide alimentar ambiental, onde o macarrão com ovos demonstra ser, na verdade, “verde”. As bicicletas híbridas “inteligentes” têm motor elétrico de última geração (o Kers da Fórmula 1) e custam o mesmo que um automóvel, mas têm forte apelo ambiental. Muitos governos se oferecem para pagar parte do custo da bicicleta híbrida inteligente se o cidadão declarar que vai usá-la para trabalhar. Isso gera incentivos para a indústria de alta tecnologia local e, ao mesmo tempo, serve de justificativa de cumprimento dos acordos internacionais de redução de emissões.

UOL Ciência e Saúde: Nas discussões sobre as mudanças climáticas há duas vertentes básicas – os que veem o homem como principal causador do aquecimento global, e os negacionistas, que negam a influência humana nesse fenômeno. Especulações, como a realizada pelo IPCC, da ONU, sobre o derretimento precoce das geleiras do Himalaia, acabaram reforçando a opinião dos negacionistas. Como o senhor enxerga esse debate?

Nelio Bizzo: Não creio que os negacionistas tenham conseguido demonstrar má-fé dos membros do IPCC. O fato é que os que apontam o ser humano como causador das mudanças não formam um grupo homogêneo e coerente. Os ditos negacionistas tampouco formam um bloco único e não podem ser reduzidos a meros testas de ferro da indústria do petróleo. Há fortes interesses econômicos de um lado e de outro. Creio que há um polo muito dinâmico, representado pelos setores de alta tecnologia, que incentiva a ação ambiental, e que tem sido chamado de “neocapitalista”. O discurso ambiental está também presente em certos críticos do capitalismo, que denunciam a falsidade do discurso ambiental dos “neocapitalistas”, pois a lógica capitalista conduziria inexoravelmente ao apocalipse ou a algum tipo de catástrofe. Para eles o desenvolvimento econômico deve ser freado parcial ou totalmente, o que só seria possível com uma economia planificada. De outro lado, há os que exploram os erros ou os exageros do movimento ambientalista, seja com argumentos sólidos, seja com sofismas. De qualquer forma, depois de viver algum tempo na Europa, vejo que existe uma percepção generalizada da gravidade do problema ambiental e de que ele é real. Energia solar e eólica, veículos híbridos, economia de energia, incentivos fiscais ambientais etc. estão cada vez mais presentes nas conversas do dia a dia das pessoas.

UOL Ciência e Saúde: A sociedade industrial ou pós-industrial tornou-se dependente dos combustíveis fósseis. Pensando no médio prazo, quais as fontes de energia que podem substituí-los sem provocar outros danos ao meio ambiente?

Nelio Bizzo: O problema dos combustíveis fósseis é que eles liberam carbono que, de outra maneira, ficaria aprisionado no subsolo. Hoje não é possível continuarmos a ensinar no ensino médio o ciclo do carbono como se o petróleo não fosse intensamente queimado em todo planeta. Mas não podemos deixar de pensar que terremotos, sobretudo no fundo oceânico, liberam grandes quantidades de metano, 16 vezes mais potente do que o CO2 como agente do efeito estufa. A produção de matéria orgânica depende de nitrogênio e - o que pouco se fala – a indústria de fertilizantes tem muito a ver com os problemas ambientais atuais. Muito do metano que se evade para a atmosfera provém, em última análise, da matéria orgânica adicional originada da enorme quantidade de nitrogênio bioassimilável produzido pela indústria a partir do início do século 20. Enfim, não há um único “vilão” do ambiente e não se poderia apontar o carbono isoladamente como tal. Porém, como o carbono que se acumulou no subsolo ao longo de centenas de milhões de anos, sua liberação, e ainda mais, em ritmo acelerado, certamente traz grande impacto sobre os ecossistemas. Assim, pensa-se atualmente em combustíveis que não emitam gás carbônico ou que o assimilem em sua produção, como é o caso do etanol brasileiro. A energia nuclear volta a ser pensada seriamente, mesmo por aqueles que a combateram no passado, como é o caso de James Lovelock, uma pessoa que admiro muito. Ele faz parte de um grupo que acredita que a quantidade de energia necessária para a população atual não pode ser suprida por fontes limpas, como a solar e eólica. Esse grupo propõe a volta da energia nuclear, em centrais nucleares pequenas e seguras.

UOL Ciência e Saúde: É possível conciliar a necessidade de as empresas explorarem as riquezas naturais com a preservação do meio ambiente? E que vantagens as empresas podem ter, caso concordem em atuar tendo em vista a proteção do meio ambiente?

Nelio Bizzo: Os diferentes países sabem que têm potenciais econômicos distintos. Alguns se preparam para o futuro, outros sabem que não têm condição de fazer isso. Uma das grandes empresas de telefonia celular do Báltico era, no passado, uma empresa madeireira. Ela teve a ousadia de se preparar para enfrentar o futuro, diante da evidente limitação imposta pelo ambiente. A questão é se isso é possível em termos globais. Na prática, o que essa empresa fez foi deslocar a produção de celulose do norte do planeta para uma região mais meridional. Isso é o que discute hoje, ou seja: é possível que as empresas se tornem “verdes” em termos globais? Alguns dizem que não, pelo menos em termos da atual organização econômica capitalista. Outros acham que isso é possível. Eu particularmente acredito que apenas uma mudança radical no padrão de consumo permitirá uma mudança global e isso dependerá essencialmente da consciência do cidadão como consumidor e de um rearranjo das relações entre blocos de países.

UOL Ciência e Saúde: Que iniciativas mais contribuíram para a diminuição dos danos já causados ao meio ambiente?

Nelio Bizzo: Seria difícil fazer um ranking, mas creio que um dos acordos internacionais mais bem sucedidos tenha sido o Protocolo de Montreal, de 1987, no qual os países se comprometiam a reduzir dramaticamente o uso de gases que destroem a camada de ozônio. Ficou demonstrado que quando os países estão realmente dispostos a estabelecer e cumprir metas, isso é conseguido. Novamente, as pessoas tiveram que se conformar e ter aparelhos de ar condicionado mais caros e menos eficientes, em fazer mais força para nebulizar desodorantes e até abandonar certos dispositivos (como abridores de garrafa a base de freon), mas ficou demonstrado que é possível conciliar metas ambientais e padrões de produção e consumo globais. Devemos a uma série de cientistas, inclusive James Lovelock, o entendimento do que estava acontecendo no planeta. Assim como hoje, havia os negacionistas, que acreditavam que o aumento da radiação ultravioleta na superfície de nosso planeta era decorrente de uma simples mudança da emissão do Sol. Todavia, deveremos esperar até 2050 para ver se realmente funcionou. Aliás, o sucesso desse acordo é uma razão adicional para acelerar as tratativas para redução das emissões dos gases estufa, pois o fechamento do buraco de ozônio na Antártica diminuirá as correntes descendentes de ar superfrio da alta atmosfera, que explicam a razão daquela região sofrer menos os efeitos do aquecimento global do que o Polo Norte.

UOL Ciência e Saúde: No início da década, Al Gore por pouco não se elegeu presidente dos EUA. Sete anos depois, ele ganhou o Prêmio Nobel da Paz, por seu ativismo ambientalista. No Brasil, a candidata do Partido Verde, Marina Silva, teve expressiva votação na última eleição presidencial. Em 2010, na França, o PV também obteve votação significativa. Na Alemanha, o PV atingiu a maior popularidade de sua história. A que você atribui o sucesso dos “verdes” na década de 2010?

Nelio Bizzo: Não penso que seja um único fenômeno. Al Gore se desmoralizou diante da divulgação do dispêndio energético de sua mansão, e, ademais, não podemos nos esquecer que ele foi o autor da tese do “dumping social” dos países pobres, ao justificar o protecionismo econômico de seu país. O sucesso dos verdes na Europa tem mais a ver com o fracasso da esquerda, sobretudo na França. Marina Silva teve um sucesso inesperado, que surpreendeu a todos, mas ela não tinha condição de transferir votos, o que demonstra que seu eleitorado era pouco ligado à sua pessoa e suas ideias. Ela é muito carismática, pois tem um ar desarmado que é muito sedutor na política. Mas não sei se seu eleitorado sabe ao certo o que ela pensa. Eu mesmo nem acredito que ela seja criacionista e que pense seriamente que toda a biodiversidade da Amazônia estava dentro da arca de Noé!

Fonte: PorAntonio Carlos Olivieri e Érika Finatti - UOl Ciência e Saúde

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Brasileiro está ficando mais preocupado com o aquecimento global

Pesquisa mostra que para 60% dos entrevistados mudanças climáticas são algo muito grave

O aquecimento global está deixando o brasileiro mais preocupado. Pesquisa da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e do Ibope apresentada nesta terça-feira (7) na Conferência do Clima, em Cancún, mostrou que o aquecimento global foi considerado muito grave por 60% dos entrevistados. Na pesquisa realizada no ano passado, 47% pensavam dessa forma.

Mas é o desmatamento das florestas o tema ambiental que mais preocupa o brasileiro. Ele foi citado por 44% dos entrevistados, seguido pela poluição da água (32%) e pelo aquecimento global (26%).

A pesquisa também mostrou que 47% dos entrevistados acreditam que é possível conciliar proteção ambiental com crescimento econômico, e 51% aceitariam pagar mais por produtos ecologicamente corretos.

“Isto desmente algumas antigas crenças de as pessoas achassem que o desenvolvimento pode ser barrado pela preservação do meio ambiente”, disse Heloisa Menezes, diretora de Relações Institucionais da CNI.

A maioria dos pesquisados (78%) atribui às ações humanas o fato de a temperatura da Terra estar aumentando; 11% acreditam que o aquecimento global é um processo natural; e os outros 11% não souberam responder.

Fonte: Maria Fernanda Ziegler - IG

Brasil protagoniza manifestações na COP-16


A faixa foi assinada por Greenpeace, Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, Observatório do Clima e Grupo de Trabalho .... Foto: Greenpeace/Divulgação
A faixa foi assinada por Greenpeace, Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, Observatório do Clima e Grupo de Trabalho Amazônico
Foto: Greenpeace/Divulgação
O Brasil fez parte de protestos realizados na manhã desta quarta-feira em Cancún, no México, onde está sendo realizada a 16ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-16). Com críticas e elogios.
Na primeira categoria se encaixa a campanha contra a aprovação do projeto do Código Florestal, que está pronto para ser votado no plenário da Câmara dos Deputados.
A faixa com os dizeres "Mudar Código Florestal = um Natal sem árvores" foi assinada por Greenpeace, Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, Observatório do Clima e Grupo de Trabalho Amazônico.
O Código Florestal também foi abordado pela publicação Eco, distribuída por Organizações Não Governamentais e de grande circulação na COP-16. O jornal classifica de "vergonhosa" a movimentação de partidos para acelerar a votação e afirma que a aprovação do código coloca toda a floresta brasileira novamente em risco.
Top ecológica
Outra manifestação vista hoje na Cancunmesse, uma das sedes da COP-16, trouxe a foto da top brasileira Gisele Bündchen, apoiando a campanha "Pare de falar. Comece a plantar". A proposta das fotos em que crianças cobrem a boca de personalidades é conscientizar a respeito dos problemas causados pelas mudanças climáticas.
Em Cancún, a campanha pretende convidar autoridades de diversos países para plantar árvores nos jardins do hotel que concentra as principais atividades da conferência, incluindo as plenárias em que presidentes e ministros discursam.
Motossera de Ouro Em release distribuído à imprensa também nesta quarta, o Greenpeace divulgou uma ação voltada diretamente para a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Ela teria recebido de uma ativista do movimento indígena da Amazônia uma réplica dourada de uma motossera, na entrada do hotel em que está hospedada em Cancún.
O release critica a "bancada da motosserra" que estaria trabalhando para que "um novo e enfraquecido código seja votado a qualquer preço, ainda este ano". "As alterações no Código Florestal representam um retrocesso em uma das legislações florestais mais avançadas do mundo", disse o representante da Campanha Amazônia da ONG na COP-16, André Muggiati, no texto divulgado.
Por Claudia Andrade - Terra

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

EUA: senadores querem congelar ajudas para plano sobre mudanças climáticas


WASHINGTON — Os Estados Unidos devem congelar as ajudas a países em desenvolvimento destinadas à aplicação do plano sobre as mudanças climáticas acordado na Conferência de Copenhague em dezembro de 2009, estimaram nesta quinta-feira quatro senadores republicanos.

Os senadores John Barrasso, James Inhofe, David Vitter e George Voinovich escreveram à secretária de Estado, Hillary Clinton, para dizer que os Estados Unidos não podem permitir que seja gasto dinheiro desta maneira enquanto o déficit e a dívida estão em níveis tão altos.

"Mantemos nossa oposição ao compromisso americano de aplicar completamente o acordo de Copenhague, que enviará milhões de dólares dos contribuintes dos EUA para países em desenvolvimento em nome da mudança climática", diz a carta.

Segundo os senadores, os gastos americanos relacionados com o clima foram de 1,3 bilhão de dólares em 2010 e o presidente Barack Obama pediu 1,9 bilhão de dólares para 2011.

"Pedimos à administração que congele qualquer pedido de gasto adicional destinado aos programas internacionais sobre o clima", acrescentam os senadores.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Cancun enfrenta polêmica sobre novo prazo para protocolo de Kyoto

Após um dia de discursos em defesa do consenso, a 16ª Cúpula da ONU sobre Mudanças Climáticas chega ao seu segundo dia e a temperatura das negociações esquenta. O negociador chefe do Brasil na COP-16, embaixador Luiz Alberto Figueiredo, afirmou que é preciso avançar rápido na substituição do protocolo de Kyoto, principal questão a ser tratada no encontro, visto que a vigência deste protocolo vai apenas até 2012.

A cena em Cancun é complicada, porque a grande pauta do Grupo dos 77 países mais China é que haja uma emenda para um segundo período de compromisso do Protocolo de Kyoto, que é o centro das negociações, no entanto as probabilidades um pacto deste tipo ainda parece distante.

Para o embaixador Luiz Alberto Figueiredo, negociador chefe do Brasil na Conferência do Clima (Cop-16), embora não haja um prazo formal para as decisões sobre a substituição do protocolo de Kyoto, é preciso avançar rápido, caso contrário não haverá nenhuma implementação nem neste, nem nos próximos anos. Uma das grandes discussões da COP-16 é saber que o que será feito quando o protocolo sair de vigência, em 2012.

“Estamos aqui, depois de Copenhague, para andar para frente. Muitos vão dizer que os problemas de Copenhague, como a crise econômica, dificuldades políticas, permanecem e que o cenário não mudou. Mesmo assim, acreditamos que vamos sair de Cancún com um resultado positivo de adotar ações direcionadas”, disse Figueiredo.

Responsabilidade maior

Outros embaixadores da América Latina concordam com Figueiredo acerca da importância do tema, mas jogam o peso da responsabilidade dos chamados países desenvolvidos para o sucesso das negociações de forma mais incisiva: "este é o tema mais controverso, não é financiamento, nem a transferência de tecnologia, mas a limitação do aquecimento global, medida que exige que os países desenvolvidos reduzam suas emissões entre 2012 e 2017", considerou o embaixador da Bolívia para as Nações Unidas, Pablo Solón.

Mas a realidade é que "os países desenvolvidos não querem aporvar nesta reunião a introdução de um segundo período de compromisso do protocolo de Kyoto", avalia Solón, que também é o negociador-chefe de seu país nas questões do aquecimento global. "Esta reunião de Cancun terá sucesso se houver uma emenda com reduções drásticas nas emissões nos próximos anos, que permitam estabilizar a temperatura em 1,5 graus Celsius para menos, até um aumento máximo de um grau", disse o diplomata.

Na sua opinião, o que coincide com os representantes dos outros países em desenvolvimento, se esta alteração não for aprovada, haverá uma lacuna na implementação do protocolo após o primeiro período que termina em 2012, e uma situação em que os níveis de emissão poderão disparar de forma incontrolável. "Isso vai causar um aumento da temperatura em mais dois, três ou quatro graus Celsius, com conseqüências terríveis para a humanidade e a vida no planeta como um todo", disse o embaixador.

Kyoto ou Conpenhague?

O protocolo de Kyoto foi adotado nessa cidade japonesa em 1997, não foi ratificado pelos Estados Unidos, e apresenta o objetivo de reduzir até 2012 as emissões de gases de efeito estufa em uma média de 5,2 por cento, em comparação com os níveis 1990. O acordo deixa de valer a partir de 2012, fato que torna urgente alguma decisão sobre um novo tratado global.

De acordo com o embaixador brasileiro, há duas correntes sobre este assunto. Alguns países defendem que o ideal seria estender as mesmas metas do Protocolo de Kyoto por mais dois anos, enquanto outros acreditam que o melhor seria cruzar os números discutidos no acordo de Copenhague e implementá-lo provisoriamente.

Mesmo com as duas opções, Figueiredo não descarta a possibilidade de o mundo passar por um período sem a vigência de um protocolo que regulamente metas de redução das emissões. “É uma possibilidade real termos um intervalo entre o fim do comprimento do primeiro protocolo de Kyoto e do segundo que ainda está porvir”, disse.

Figueiredo explicou que implementação provisória – medida que permite que a conclusão de uma negociação entre em vigor antes do período de ser ratificada por outras partes - é encarada de maneira diversa entre os países. “Alguns países têm mais dificuldade em aceitar isso do que outros. Não é uma tradição na América Latina, por exemplo, mas é muito comum em países anglo-saxões”.

Imperialismo em Copenhague

Outra aresta bastante polêmica nas negociações em curso são as conseqüências da cúpula anterior, em Copenhague, principalmente por conta da posição de Washington e outros, que insistem em condicionar o financiamento aos países em desenvolvimento, ignorando os princípios da Convenção Marco da ONU sobre Mudanças Climáticas. "Tem havido mecanismos de chantagem e pressão para que países em desenvolvimento mudem sua posição, para evitar serem penalizados com o não envio de auxílios (econômicos), como foram os casos da Bolívia e do Equador", lembrou o diplomata boliviano.

"Por nós não termos assinado o chamado Acordo de Copenhague", ressaltou, "os Estados Unidos cancelaram um auxílio de três milhões de dólares para ações de mudança climática na Bolívia, e, para o Equador, de 2,5 milhões de euros". Solón disse ainda que outros países em desenvolvimento certamente foram submetidos a pressões similares para apoiar esta proposta, que começa a mudar o princípio da convenção, de que todos temos responsabilidades comuns, porém diferentes.

"O que significa isso? Que os principais responsáveis pelo aquecimento global são fundamentalmente as nações industrializadas, que deram origem ao que foi o nascimento do capitalismo, 250 anos atrás", explicou o embaixador boliviano.

"Se pudéssemos examinar a atmosfera de maneira que nos permitisse ver onde foram feitas a maioria das moléculas de CO2 que existem, encontraríamos os dizeres 'made in EUA', 'made in países da União Europeia'", ilustrou Solón.

Distribuição injusta da atmosfera

Na sua opinião, há uma distribuição injusta da atmosfera, uma vez que 75 por cento das emissões de CO2 são provenientes de países desenvolvidos, que são identificadas no Anexo 1 da Convenção. "E os países em desenvolvimento, que representam 80 por cento da população mundial, têm uma participação de apenas 25 por cento nesta contaminação. Por isso essa questão das responsabilidades diferenciadas nocontexto de que todos temos que fazer alguma coisa", disse o embaixador.

"O que buscam com o acordo de Copenhague? Remover esta diferença. E então os Estados Unidos, a União Européia, o Japão, o Canadá e outros países passam a ser mais um, como se esse problema tivesse sido iniciado no ano passado ou há 10 anos atrás, quando na verdade o problema remonta há muitíssimos anos", disse ele.

Nos últimos dias, o Japão reiterou que não vai apoiar a proposta de estender o protocolo para além de 2012, apesar desse auspicioso documento ter sido aprovado em Kyoto, uma das suas emblemáticas cidades.

A reunião de Cancun, da qual participam representantes de quase 200 países, vai até o dia 10 de dezembro e será substituída em 2011 pela 17ª Cúpula, a apenas um ano do prazo de expiração do controverso Protocolo de Kyoto.

Fonte: Vermelho, por Luana Bonone, com informações da Prensa Latina e do IG

Países desenvolvidos devem assumir responsabilidade principal na questão de mudanças climáticas

Na Conferência Mundial sobre Mudança Climática que está sendo realizada em Cancún, no México, o Japão foi criticado pelas diversas partes devido a oposição à execução contínua do Protocolo de Kyoto. Para alguns analistas, os países que já concretizaram a industrialização, entre eles EUA e Japão, têm responsabilidades indispensáveis sobre o acúmulo de emissões de carbono. Portanto, quanto à resposta às mudanças climáticas, as nações desenvolvidas devem cumprir a obrigação de priorizar a redução de emissões.
Wang Ruibin é pesquisador do Instituto de Estudos Internacionais da China. Ele disse que é irracional que os países desenvolvidos ignorem a história e apresentem pedidos inadequados às nações em desenvolvimento na questão de diminuição de emissões. Ele afirmou:
"No momento, os EUA ainda são um dos países com maior volume de emissões no mundo. Enquanto os norte-americanos fizeram sua promessa de redução de emissões, também pediram a países em desenvolvimento, como China e Índia, que fizessem uma promessa no setor. Porém, é irracional esse ato dos EUA. Conforme os princípios da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança Climática e do Protocolo de Kyoto, as nações em desenvolvimento não devem assumir tarefa de redução quantificada de emissão do carbono. Além disso, também é inaceitável que os norte-americanos tomem a promessa dos países em desenvolvimento como uma condição prévia para realizar mais ações de diminuição de emissões."
Na área de negócio internacional, emissões de carbono e mudanças climáticas também se tornaram um pretexto dos países desenvolvidos para criar novos critérios internacionais. Em junho do ano passado, a Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou uma lei sobre energia limpa. Segundo o documento, a partir de 2020, os EUA vão cobrar um imposto sobre os produtos importados dos países que não executam limite de quota de emissões de carbono. Além disso, a partir de 2012, a União Europeia (UE) também incluirá mais de 2.000 empresas aéreas no sistema de negócio de emissões de carbono da entidade. Assim, todos os aviões que passarem pelas regiões da UE deverão pagar pelo gás de efeito estufa que emitirem. Quanto a isso, Wang Ruibin ponderou que, antes de tomar medidas, os países ocidentais devem primeiro cumprir suas promessas de assistência tecnológica e de fundos às nações em desenvolvimento.
"O fornecimento de apoio tecnológico e de fundos aos países em desenvolvimento é tanto um princípio importante nas negociações da ONU sobre mudanças climáticas, quanto uma promessa feita pelas nações desenvolvidas. No entanto, a situação atual de execução é insatisfatória."
Conforme os analistas, em 20 anos de evolução, as negociações de mudanças climáticas já não são apenas discussões técnicas no setor, mas também disputas políticas. Alguns países desenvolvidos pretendem diminuir as obrigações de fornecimento de assistência às nações em desenvolvimento, além dos seus índices de redução de emissões. Enquanto isso, tentam transferir as tarefas de diminuição de emissões para os países em desenvolvimento e livrar-se do quadro de negociação do Protocolo de Kyoto.
Huang Huikang é o vice-chefe da delegação chinesa para a Conferência Mundial sobre Mudança Climática em Cancún. Segundo ele, a Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança Climática e o Protocolo de Kyoto são consensos da comunidade internacional no que se refere a mudanças climáticas. Se algum país tentar abolir os acordos, será um ato contra a tendência histórica. Ele também apelou aos países desenvolvidos que reforçem coordenações para promover os avanços da conferência.
Fonte: CRI-online - (por Zhao Yan)

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Brasil recebeu € 7,2 milhões da UE para combate ao aquecimento global

Dos € 7,2 bilhões prometidos pela União Europeia para o fundo climático imediato (de 2009 a 2012), 2,2 bilhões foram repassados em 2010 e mais 2,4 bilhões estão na agenda para o próximo ano, informaram os negociadores da comunidade nesta terça-feira (30), durante a Conferência do Clima, em Cancún.
Para o Brasil, foram destinados € 7,2 milhões diretamente e cerca de € 30 milhões para fundos de mitigação (redução das emissões) e adaptação de grupos de países dos quais o Brasil faz parte. As principais ações financiadas foram de mitigação (com instalação de painéis solares e reciclagem de geladeiras) e de redução do desmatamento, pela Alemanha e França.
“O Brasil já possui um bom trabalho de monitoramento da Amazônia e redução do desmatamento, focamos nosso dinheiro para países menos desenvolvidos”, ponderou Artur Runge-Metzger.
O negociador da Bélgica ressalta a importância da transparência das atividades realizadas de ambas as partes. “O detalhamento é essencial para analisarmos como o dinheiro foi investindo e se está dando resultados”.
“É difícil financiar ações de adaptação, que funcionam em escala menor e são menos acessíveis”, conta Runge-Metzger, que acrescenta que é necessário monitorar para saber se os custos estão chegando aos efeitos planejados.
No total, 274 projetos de diferentes países obtiveram fundos vindos de países europeus, sendo que 33,4% deles eram para adaptação às mudanças climáticas, 48% para redução das emissões dos gases do efeito estufa e 16,4% para o combate ao desmatamento.
“A EU é um dos maiores contribuidores para países em desenvolvidos, especialmente os menos desenvolvidos da África e Pequenas ilhas”, afirma o negociador europeu Artur Runge-Metzger.
Mas o negociador da Bélgica, país que preside a UE, Peter Wittoeck, explica que o financiamento é um tipo de empréstimo, um fundo rotativo. A partir do momento em que o país consegue se desenvolver de maneira limpa (sem emitir gases do efeito estufa), ele paga de volta o dinheiro investido. Assim, com o que está ganhando e economizando de energia ele ajuda a financiar outras ações.
“O investimento paga por ele mesmo. Temos que usar de melhor maneira o dinheiro destes fundos”, diz Wittoeck.
Fonte:
Lilian Ferreira
Do UOL Ciência em Saúde
Em Cancún (México)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Documento sobre adaptações a mudanças climáticas para Dilma

O Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea), formado por membros da sociedade civil e do governo, deverá formular, até março do próximo ano, uma minuta com diagnósticos e sugestões sobre como enfrentar os efeitos das mudanças climáticas nas populações mais vulneráveis.

O documento será entregue ao governo da presidenta eleita, Dilma Rousseff, e terá como base as discussões do seminário Mudanças Climáticas: Adaptações e Vulnerabilidades, que encerrou ontem (12) na sede do conselho, em Brasília.

Segundo a coordenadora do grupo de trabalho Mudança Climática, Pobreza e Desigualdade, do Consea, Gleyse Peiter, o objetivo dessas discussões é criar uma ação paralela ao debate global sobre a alteração do clima, que vise o atendimento direto à população que já está sofrendo os efeitos.

“A gente está falando que quem precisa se adaptar são as populações vulneráveis. Então, se adaptar é mudar a condição delas para que elas não sofram esses efeitos. Não estamos falando de se acostumar e, sim, de mudar visando a nova condição climática”, explica a coordenadora.

Segundo ela, a minuta que será entregue à Casa Civil do próximo governo trará diagnósticos, diretrizes e objetivos, com sugestões concretas de como atender a população. Ao todo, nove setores foram discutidos no seminário e serão abordados no documento: desenvolvimentos agrário, social e urbano, segurança alimentar e hídrica, trabalho, educação, saúde e prevenção de desastres.

“No caso das enchentes, por exemplo, a gente já sabe que virão doenças em seguida, como leptospirose. Então, se preparar para elas é estar adaptado. Assim como promover uma boa educação ambiental”, esclarece Gleyse.

Além da adaptação, a minuta tratará também de ações de prevenção e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. As políticas públicas sugeridas pelo Consea devem fazer parte, no futuro, de um Plano Nacional de Adaptação às Mudanças Climáticas, que tratará do assunto de forma mais profunda e ampla.

Fonte: Agência Brasil

FINANCIANDO A REVOLUÇÃO DO BAIXO CARBONO


Trevor Manuel é ministro do Planejamento da África do Sul e ex-ministro das Finanças

Nicholas Stern é professor de Economia e Governo e presidente do Instituto Grantham de Pesquisa em Mudanças Climáticas e Ambiente na Escola de Economia de Londres.

Os dois autores são integrantes do Grupo Consultivo em Finanças das Mudanças Climáticas

Os dois desafios definitivos do nosso tempo são gerenciar as mudanças climáticas e superar a pobreza no mundo. Não podemos ter sucesso em um sem ter no outro. Com colaboração internacional e políticas sólidas, podemos alcançar o sucesso ao lançar uma nova era de crescimento econômico de baixo carbono que se adapte às mudanças climáticas que estão a caminho.

O suporte financeiro para os países em desenvolvimento representará um papel vital nessa ação integrada. As novas propostas do relatório do Grupo Consultivo em Finanças das Mudanças Climáticas, encomendado pelo Secretariado Geral da ONU em fevereiro, podem ajudar a fazer progredir um acordo na Conferência Climática em Cancun, no México, no final do mês.

O relatório desenha uma estrutura coerente de políticas por meio das quais, até 2020, pelo menos US$ 100 bilhões poderiam ser gerados por recursos privados e públicos para uma ação internacional. Esse objetivo é definido pelo Acordo de Copenhage, que agora tem a participação de 140 países. As medidas descritas podem ser ampliadas se uma meta maior se tornar necessária.

Não gerenciar a mudança climática seria transformar o planeta de tal forma que, ao final deste século, centenas de milhares de pessoas teriam de se mudar. Comunidades e países pobres são os mais vulneráveis e foram os últimos a criar o problema. Os países ricos, portanto, têm uma clara obrigação de prover mais recursos.

A extensão e a urgência dessa questão para os países em desenvolvimento foram reconhecidas por todos os integrantes do Grupo Consultivo, que inclui líderes de governo, ministros de finanças, lideranças do setor privado e especialistas políticos, muitos deles com experiência direta e sólida em finanças públicas e política.

O relatório do grupo concluiu que arrecadar US$ 100 bilhões por ano para países em desenvolvimento é uma meta viável se existir vontade política. E identificou um conjunto de políticas sólidas e de reforço mútuo necessários para isso.

Um elemento-chave é definir um preço nas emissões de carbono que solucione as falhas do mercado de massa resultante do fato de que os produtos e os serviços que envolvem emissões de gases do efeito estufa não refletem o custo do dano que eles causam ao planeta.

O relatório do grupo mostrou que um preço modesto nas emissões, na média de US$ 20 a US$ 25 por tonelada de CO2, poderia dar um impulso na direção certa, aumentando substancialmente as receitas públicas, e promovendo um investimento privado crucial para a nova revolução industrial necessária para fazer da economia de baixo carbono uma realidade.

Se os países ricos introduzirem uma taxa doméstica de carbono ou fizerem um leilão de licenças de emissões com base nesse nível de preços, ele poderiam prover potencialmente US$ 30 bilhões ao ano para os países em desenvolvimento por meio do uso de apenas 10% das receitas. Um imposto de carbono no transporte internacional e na aviação colocado nesse mesmo nível poderia gerar US$ 10 bilhões anualmente para a ação internacional climática com apenas 25% a 50% das receitas.

Outras políticas, como a de redirecionar os subsídios pagos pelos países ricos para a indústria de combustíveis fósseis ou cobrar uma taxa de transações financeiras, poderia prover mais de US$ 10 bilhões a cada ano. Todas essas iniciativas juntas poderiam levantar cerca de US$ 50 bilhões ao ano em uma rede de fundos públicos para ajudar os países em desenvolvimento a se adaptarem às mudanças climáticas.

Somado a isso, os bancos multilaterais de desenvolvimento, incluindo as instituições regionais e o Banco Mundial, poderiam levantar um recurso adicional de US$ 20 bilhões a US$ 30 bilhões de financiamento por meio de contribuições mais elevadas dos países ricos.

Os fluxos do setor privado serão vitais para o empreendedorismo e para as inovações que devem ser o coração da nova revolução industrial. Políticas sólidas em países em desenvolvimento, um preço para o carbono e a partilha de riscos e cofinanciamento com bancos e outras instituições nacionais e internacionais podem produzir fluxos privados.

Embora os recursos para as adaptações às mudanças do clima possam ter origens fiscais diferentes dos recursos mais tradicionais, seria danoso separá-los em seu uso: de agricultura, construção e energia até tecnologia e desmatamento, o fato é que desenvolvimento, adaptação e mitigação são muito conectados.

Os próximos passos na implementação devem incluir considerações sobre as propostas do transporte internacional pela Organização Internacional da Aviação Civil, pela Associação Internacional do Transporte Aéreo e pela Organização Marítima Internacional, com os bancos multilaterais de desenvolvimento trabalhando em medidas para novos fundos verdes e reforçando a colaboração com o setor privado.

Novos financiamentos podem destravar a atual inércia política existente sobre as mudanças climáticas. O atraso é tão perigoso como o acúmulo de gases do efeito estufa. Agora, é hora de transformar boas ideias em ações concretas.

Fonte: Jornal de Santa Catarina, 22/11/2010

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Fórum anuncia reforço na Política para a área de Mudanças Climáticas

  
O Brasil emitiu 2,192 bilhões de toneladas de gás carbônico equivalente (tCO2eq), em 2005, e devido as novas políticas na área ambiental, deve alcançar a redução de 1,775 bilhões de tCO2eq enviados à atmosfera em 2009. A informação foi dada nesta terça-feira (26) pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, na Reunião Anual do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, no Palácio do Planalto, em Brasília. Pelos cálculos do ministro, a queda pode chegar a 0,9 (33,6%) em relação a 2004, quando houve um pico das emissões brasileiras, de 2,6 bilhões de toneladas de CO2eq. A estimativa de redução está baseada na queda da taxa de desmatamento da Amazônia.

"Em 2009, o número do desmatamento na Amazônia foi de sete mil quilômetros quadrados aproximadamente. Um número bem menor quando comparado com os quase 20 mil verificados em 2005 e 25 mil em 2004. A tendência é de que tenhamos uma redução para cinco mil km² na taxa de 2010. Uma queda estimada de 25 a 30%", disse Rezende, baseado em levantamento do Programa de Monitoramento da Floresta Amazônica (Prodes), coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT), a ser consolidado no mês que vem.

Na avaliação do governo, o novo quadro coloca o País em boas condições para cumprir o compromisso voluntário de redução das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) entre 36 e 39% em 2020. A proposta foi apresentada pelo Brasil na 15ª Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP15), realizada em Copenhague, na Dinamarca, em 2009. Segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o país deve antecipar em quatro anos o compromisso assumido. "Mesmo com o crescimento, o Brasil tem o menor índice de desmatamento dos últimos 21 anos, com isso vamos antecipar a meta para 2016", projetou.

Além da apresentação da publicação com as informações referentes à Segunda Comunicação Nacional do Brasil à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima a ser enviada, em março de 2011, à Convenção sobre Mudança do Clima, também foi assinado na reunião do Fórum o Decreto de Regulamentação do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, e as diretrizes e ações estratégicas voltadas para cinco setores específicos: energia, siderurgia, agricultura e combate ao desmatamento na Amazônia e no Cerrado.

Inventário

A Segunda Comunicação Nacional apresenta dados sobre os programas e ações relativos à mudança do clima, desenvolvidos até 2010 e inclui o Inventário Nacional de Emissões Antrópicas por Fontes e Remoções por Sumidouros de Gases de Efeito Estufa, para o período de 1990 a 2005.

O inventário é um dos principais instrumentos para a definição de ações previstas na Política Nacional sobre Mudança do Clima porque reúne informações sobre as emissões nos diversos setores da atividade econômica. O documento avançou em cinco anos além do período estabelecido pelas diretrizes da Convenção que era de 1990 a 2000. O segundo inventário atualiza os dados de 1990 a 1994 e apresenta novas informações para o período de 1995 a 2005. Mais de 600 instituições e cerca de 1.200 especialistas de diversos setores (energético, industrial, florestal, agropecuário e de tratamento de resíduos) foram mobilizados para sua elaboração.

O documento aponta crescimento de 57,8% das emissões de 1990 para 2005, mas na avaliação do coordenador geral de mudanças globais de clima do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), José Miguez, uma análise mais precisa desse comportamento deve levar em conta outras variantes relacionadas ao avanço da economia e da população brasileira no mesmo período. "O PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil cresceu 46,7% e a população 24,2%", informa.

O levantamento utiliza como diretriz técnica básica documentos elaborado pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Global do Clima (IPCC). Pela avaliação, o setor de Mudanças no Uso da Terra e Florestas foi responsável por 61% das emissões, seguido de Agricultura (19%), Energia (15%), Processos Industriais (3%) e Tratamento de Resíduos (2%).

Fundo Clima

O Decreto de regulamentação do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (FNMC ou Fundo Clima) institui o Comitê Gestor do Fundo com o objetivo de administrar, acompanhar e avaliar a aplicação de recursos. O Comitê decidirá sobre a destinação dos recursos para projetos, estudos e empreendimentos de mitigação e adaptação da mudança do clima e seus efeitos. O Comitê será composto por representantes governamentais, comunidade científica, empresários, trabalhadores e organizações não governamentais, tendo orçamento inicial de R$ 226 milhões para 2011.

COP 16

A reunião do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas ainda abordou as estratégias do Brasil para a 16ª Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP16), que se realizará de 29 de novembro a 10 de dezembro em Cancun, no México. Com as novas ações, o Brasil pretende consolidar uma posição de liderança nas discussões de emissões de gases de efeito estufa no evento internacional. Na avaliação do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, não há o mesmo clima de expectativa de um acordo mundial como havia na COP15.

"As expectativas são modestas, sem grandes ambições. O Brasil chegará com uma posição moral elevada na COP16", destacou Amorim, sustentando que o País já assumiu posição de vanguarda na COP15 ao ser o primeiro a apresentar uma proposta de redução das emissões.MCT/EcoAgência


 

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Brasil pessimista para conferência em Cancún

Rio - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou, ontem, que vai participar da 16° Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP16), mas que não está otimista quanto aos resultados. A afirmação foi feita durante discurso no Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, no Palácio do Planalto.

Lula lembrou que em Copenhague, na COP -15, o Brasil apresentou metas de redução de emissão de gases de efeito estufa, ao contrário dos países ricos. “Quando chegamos em Copenhague, tivemos uma surpresa porque todos os países ricos queriam uma audiência com o Brasil e, no fundo, no fundo, todos eles estavam sabendo que o Brasil era o único país que tinha evoluído e tinha feito uma proposta”, disse.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que participou do mesmo evento ontem, também não tem expectativas de um grande acordo na COP-16 — de 29 de novembro a 10 de dezembro em Cancún, no México.

“Não há expectativa de um grande acordo, com grandes ambições. Alguns avanços são possíveis. O Brasil chega a Cancún com uma posição moral elevada”, disse Amorim.

Segundo o ministro, os principais esforços do País na reunião serão evitar retrocessos e “preparar o terreno” para as próximas negociações. “O que pode ser obtido? Pequenos avanços no que se refere à área financeira e evitar retrocessos conceituais. Quando a principal potência internacional se abstém de apresentar metas, isso incentiva a União Europeia e grandes países, como a Rússia, a retrocederem”.
Fonte: odia. terra.com,br

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Sul da Ásia é a região mais vulnerável a mudanças climáticas, revela estudo

PARIS, França — O sul da Ásia é a região do mundo mais vulnerável às mudanças no clima, com sua crescente população superexposta a inundações, secas, tempestades e elevação do nível do mar, segundo uma consulta feita com 170 países, publicada esta quarta-feira.

Dos 16 países listados como em risco "extremo" devido às mudanças climáticas nos próximos 30 anos, cinco são do sul da Ásia, com Bangladesh e Índia no primeiro e segundo lugares, Nepal em quarto, Afeganistão em oitavo e Paquistão em 16º. O Brasil (81º), a China (49º) e o Japão (86º) estão na categoria de "alto risco".

O Índice de Vulnerabilidade pelas Mudanças Climáticas, compilado pela britânica Maplecroft, uma empresa global de aconselhamento de riscos, pretende ser um guia para o investimento estratégico e a adoção de políticas.

O barômetro é baseado em 42 fatores sociais, econômicos e ambientais, inclusive a capacidade de resposta do governo, de forma a avaliar o risco para a população, os ecossistemas e os negócios em função das mudanças climáticas.

O Sul da Ásia é especialmente vulnerável por causa de mudanças em padrões climáticos que resultam em desastres naturais, inundações no Paquistão e Bangladesh, este ano, e afetou mais de 20 milhões de pessoas, disse Maplecroft.

"Há evidências crescentes de que as mudanças climáticas aumentam a intensidade e a frequência de eventos climáticos", disse a analista ambiental da empresa, Anna Moss.

"Mudanças muito pequenas de temperatura podem ter impactos maiores no ambiente humano, incluindo mudanças na disponibilidade hídrica e na produtividade agrícola, a perda de terra por causa da elevação do nível do mar, bem como a disseminação de doenças", acrescentou.

Bangladesh aparece na primeira posição devido a uma dupla má sorte. O país tem o mais alto risco de seca e o maior risco de fome. Também luta contra a pobreza extrema, a alta dependência na agricultura - o setor econômico mais afetado pela mudança climática - e um governo que é o menos capaz de responder aos impactos climáticos.

Quanto à Índia, "quase todo (o país) tem um alto nível ou nível extremo de sensibilidade às mudanças climáticas, devido à severa pressão populacional e ao consequente abuso de recursos naturais", reforçou a Maplecroft.

"A isto se soma um alto nível de pobreza, baixa qualidade da saúde em geral e dependência agrícola de grande parte da população", acrescentou.

Entre os países da categoria de "médio risco" estão a Rússia (117º), os Estados Unidos (129º), a Alemanha (131º), a França (133º) e a Grã-Bretanha (138º).

A Noruega lidera o pequeno grupo de 11 países considerados em baixo risco, dominado pelos escandinavos e pelos holandeses, que têm trabalhado para defender seu território, abaixo do nível do mar, da elevação das águas dos mares.

A Maplecroft já tinha publicado em 2009 um índice de vulnerabilidade às mudanças climáticas, situando 28 países entre aqueles que correm "risco extremo", liderado por Somália, Haiti, Serra Leoa e Burundi.

No entanto, os índices de 2009 e 2010 não são comparáveis, afirmou Fiona Place, da Maplecroft.

O novo índice, amplamente reconfigurado, usou três "subíndices" que se focam especialmente na habilidade de um país em responder ao estresse climático.

"As vulnerabilidades mais sérias à mudança climática foram encontradas no grupo de países em desenvolvimento com sistemas socioeconômicos mal equipados para responder a desafios como a segurança alimentar e hídrica, além de sofrerem com economias instáveis e instituições fracas", ressaltou Place em um e-mail enviado à AFP.

"Este é o caso de um grande número de países, estando o sul da Ásia e a África no centro das preocupações", concluiu.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Relatório: Uma proposta de política pública: Parâmetros e Diretrizes para a Educação Ambiental no contexto das Mudanças Climáticas causadas pela ação humana. DEA/MMA.


A visão preponderante na Ciência admite que as mudanças no clima global são um fato e vem ocorrendo pela ação da atividade humana. O desafio para o enfrentamento das causas e das consequências das Mudanças Climáticas é imensamente complexo. Para a Educação Ambiental (EA) parece ser ainda mais, na medida em que a compreensão do fenômeno Mudanças Climáticas é algo distante, difícil, abstrato, deslocado no tempo e longe no espaço. A chave para a formulação e a implementação de políticas públicas de EA, em tempos de Mudanças Climáticas, deve estar centrada nas transformações humanas, propondo alternativas para o modelo e a cultura materialistas que colocam em risco a humanidade.

A Ciência do Clima demonstra que a humanidade irá enfrentar algum grau de Mudança Climática, além do que já vem ocorrendo; será irreversível, é um processo. As análises apontam que se todas as emissões de gases de efeito estufa fossem paralisadas hoje, os gases presentes na atmosfera (que demoram em média um século para se dissipar) ainda aqueceriam a terra no mínimo em mais 1ºC até 2100, além dos 0,76 ºC que o planeta já ganhou desde a Revolução Industrial.

Nesse sentido, a premência da EA diante desse cenário que se projeta, tem que ser de mobilização e engajamento pela vida. A Educação Ambiental como ação mobilizatória e transformadora pode contribuir para enfrentar esses cenários futuros que se projetam.

Dessa forma, o Departamento de Educação Ambiental da Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do Ministério do Meio Ambiente (DEA/SAIC/MMA) elaborou este documento, a fim de contribuir para a política pública de EA sobre o tema Mudanças Climáticas. A partir dele, o DEA expõe formas de compreensão teóricas conceituais do fenômeno, referenciadas nos campos da Ciência e da Educação Ambiental.

Essa iniciativa visa formular políticas públicas que atendam aos anseios e demandas da sociedade brasileira, no sentido da tomada de consciência, das mudanças de posições socioambientais equivocadas e modelos mentais cristalizados, para viabilizar a transição para uma sociedade de baixo carbono.

A proposta se referencia na EA crítica e transformadora. E para esse exercício, este documento sugere princípios, diretrizes, objetivos e estratégias de ação para a reflexão e a prática de EA no contexto das Mudanças Climáticas.

Clique na imagem para folhear o relatório


Baixe AQUI o Relatório


Alterações climáticas vão afectar os rios e os peixes

Alterações no regime hidrológico dos rios, com mais episódios de seca e de inundações, tenderão a empobrecer as cadeias alimentares aquáticas. Peixes são os mais vulneráveis.

As alterações climáticas e as intervenções humanas nos rios, como a construção de redes de barragens ou o desvio dos cursos originais, estão a causar uma diminuição de caudais, mas também episódios de inundações inesperados em muitos rios do mundo. Este desequilíbrio crescente está, por sua vez, a afectar a cadeia alimentar baseada nestes ecossistemas, o que faz antever mais conflitos no futuro, à medida que as alterações climáticas se intensificarem.
O alerta é de um grupo de investigadores norte-americanos, das universidades de Yale e do estado do Arizona, que analisaram 36 grandes rios e respectivos afluentes na América do Norte e detectaram estas tendências.
A dimensão da cadeia alimentar que tem por base os rios ou ribeiros depende essencialmente da sua dimensão (comprimento) e não dos recursos aí existentes, explicam os investigadores, cujos estudos foram coordenados por John Sabo, da universidade do estado do Arizona.
"As inundações e as secas encurtam a cadeia alimentar [nos rios], mas fazem-no de forma diferente", explica o coordenador do estudo, sublinhando que, no primeiro caso, são os elementos no meio da cadeia que desaparecem, descendo os peixes, que estão no topo, umas quantas posições na hierarquia.
"As secas levam ao fim do predador do topo: os peixes. Em ambos os casos, a cadeia encurta-se, mas os efeitos da seca são mais catastróficos para os peixes e são também mais duradouros", adianta John Sabo, que é especialista em ecologia e ciências do ambiente.
Os peixes maiores, que estão no topo da cadeia alimentar nestes ecossistemas são os mais vulneráveis às variações que ocorrem nos caudais dos rios.
As alterações climáticas, cujos efeitos vão intensificar-se ao longo das próximas décadas, terão também impactos crescentes no equilíbrio da cadeia alimentar, avisa a equipa.
"Mesmo nos grandes rios do mundo há cada vez mais episódios de seca e os modelos climáticos fazem antever que muitos rios vão sofrer maior variabilidade de caudal", afirma o coordenador do estudo, notando que os resultados da sua equipa "sugerem que estas alterações hidrológicas vão empobrecer as cadeias alimentares nos rios e aumentar as probabilidades de se perderem muitos peixes predadores no topo dos ecossistemas aquáticos".
As consequências a outros níveis, como social e humano, poderão passar pela intensificação dos conflitos sobre a utilização dos recursos hídricos entre diferentes comunidades.
Fonte: por FILOMENA NAVES - DN Ciência - Portugal

sábado, 16 de outubro de 2010

Premiação 1o. CineAmbiente


Assista aos curtas

Ambientalistas, autoridades e representantes de empresas ambientalmente responsáveis assistiram, nesta sexta-feira (15), em primeira mão, aos dez curtas de animação premiados na edição 2009 do Cineambiente, uma parceria entre os Ministérios da Cultura (MinC) e do Meio Ambiente (MMA). A cerimônia aconteceu no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, e contou com as presenças do ministro Juca Ferreira (Cultura) e da secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental, Samyra Crespo (Meio Ambiente). A 2º edição do CineAmbiente também foi lançada no evento. Assista aqui aos curtas premiados.

Bafo Quente





Bilhõõõõões de Árvores





Bomtempo






Caixa





Estufa





Gente Grande






O Diário da Terra





Ponto de Equilíbrio





Urso Despolar






quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Nenhum projecto apoiado pelo Banco Mundial beneficiou os pobres

Nenhum dos 26 projectos de exploração de carvão e petróleo apoiados pelo Banco Mundial (BM) beneficia os pobres ou garante que os benefícios chegam aos mais necessitados, apurou um estudo do grupo Oil Change International

O fundador do grupo, Stephen Kretzmann, afirmou à agência espanhola Efe que “o Banco Mundial repete que os projectos de exploração de petróleo ou de carvão que financia beneficiam os pobres da região [da exploração], mas não é certo”.

A divulgação do documento, em que se analisam os projectos que o BM financiou nos anos orçamentais 2009 e 2010 para a exploração de carvão e petróleo, coincide com a assembleia geral anual do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, que juntará, em Washington, ministros das Finanças e governadores dos bancos centrais de todo o mundo.

“Os múltiplos problemas da pobreza, da energia e das mudanças climáticas são enormes”, assinala o grupo, na introdução do documento.

Em todo o mundo, mais de uma em cada cinco pessoas não tem acesso a electricidade e “quase duas em cada cinco dependem de lenha e materiais biológicos combustíveis para a cozinha e o aquecimento”, acrescenta-se.

No período em referência, o BM financiou projectos de petróleo e carvão em mais de 7,2 mil milhões de dólares (5,2 mil milhões de euros).

Kretzmann salienta que em nenhum dos documentos de planeamento dos projectos se menciona o acesso das populações pobres à electricidade como uma das suas metas.

O estudo aponta que “os únicos utilizadores finais identificados e destinatários dos projectos são os consumidores industriais e comerciais”.

O Banco Mundial, em comunicado do seu porta-voz, Roger Morier, indicou que, “na década passada, os países mais pobres servidos pelo BM construíram e tornaram mais fiável um abastecimento de eletricidade de quase oito gigawatts”.

Acrescenta-se no texto que “24 milhões de pessoas tiveram acesso à energia, pela primeira vez, graças à construção de 43 400 quilómetros de redes de transporte e distribuição”.

O Oil Change International aponta que na vasta maioria dos projectos financiados pelo BM em hidrocarbonetos – que incluem uma central de carvão na Índia, a produção de energia com gás natural na Turquia ou a exploração de petróleo na Tunísia – não estão identificados os consumidores prioritários.

Apenas um dos projectos – a produção de electricidade a partir de gás natural e um gasoduto no Bangladesh – contém a possibilidade de dar acesso aos pobres e apenas dois incluem, como meta, a melhoria da confiança no fornecimento de eletricidade para as camadas mais pobres.

“Se o Banco não obriga a que os pobres, que são os que ficam sempre excluídos, consigam ligação [à rede eléctrica], a eletricidade irá simplesmente para a procura crescente da classe média”, afirmou a co-autora do estudo Heike Mainhardt Gibbs, que acrescentou: “Os pobres, como sempre, ficam às escuras.”

O Oil Change International é um grupo de activistas que pretende evidenciar o custo real dos combustíveis fósseis, apontando designadamente as ligações entre políticos e empresas, e facilitar a transição para a chamada energia limpa.

Fonte: www.destak.pt

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Dia Internacional de Ação Climática, 350.org é realizado em Foz do Iguaçu

O evento está sendo organizado por acadêmicos do curso de Turismo da Unioeste e acontece no próximo domingo (10), no Marco das Três Fronteiras

O tema deste ano é "Mãos à Obra" e as atividades incluem plantio de mudas de árvores, limpeza do local, apresentações culturais e registro das ações na fronteira. Buscando destaque único junto ao acontecimento mundial, os acadêmicos da Unioeste e organizadores estão convidados a população de Foz do Iguaçu a prestigiar o evento a partir das 14 horas de domingo (10). "Unir forças, buscar e sugerir atitudes para reverter o aquecimento global e as mudanças climáticas", comenta um dos organizadores da ação em Foz, Juliano Hoesel.

350.org - É um movimento que une o mundo em torno de soluções para a crise climática. A missão é inspirar o mundo para que este se erga à altura do desafio da crise climática, criando um novo sentido de urgência e de possibilidade de resgate para o planeta. Cientistas afirmam que 350 ppm (partes por milhão) - daí o nome do evento, é o número máximo de carbono existente na atmosfera para termos uma planeta saudável, e hoje emitimos 390 ppm, mas a boa noticia é que ainda é possível reverter esse quadro.
Esse ano a festa será no dia 10/10/10 e promete movimentar o mundo todo. Aqui na região jovens da Argentina, do Brasil e do Paraguai resolveram se juntar e criar atividades de grande importância sócio-ambiental no Marco das fronteiras desses 3 países. Três cidades de países diferentes decidiram se unir e desenvolver juntas uma ação para chamar a atenção das população, instituições e autoridades para a situação atual do planeta e refletir sobre o que cada um está fazendo para diminuir os impactos ambientais.

SERVIÇO
Dia Internacional de Ação Climática
Local: Marco das Três Fronteiras - Final da avenida General Meira, Porto Meira
Data: 10/10/2010
Informações: www.350foz.blogspot.com

Fonte: Clickfoz

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

ONU afirma que chegou o momento de decidir sobre o clima

TIANJIN, China — A principal autoridade da ONU para o clima, Christiana Figueres, enviou nesta segunda-feira, em Tianjin (norte da China), uma mensagem urgente aos governos do mundo: "Vocês podem parar ou avançar, o momento das decisões chegou".

A secretária executiva da Convenção para o Clima das Nações Unidas (UNFCCC) - fórum mundial de negociações criado em 1994 para examinar as mudanças climáticas - fez o alerta aos negociadores dos mais de 190 países reunidos para a abertura da última sessão de negociações antes da grande reunião de Cancún, México, que acontecerá de 29 de novembro a 10 de dezembro.

Quase 3.000 delegados de todo o mundo - governos, centros de pesquisa, grupos industriais e organizações não governamentais - permanecerão reunidos até sábado em Tianjin, a 150 km de Pequim.

Esta é a primeira vez que a China, maior emissor mundial de gases que provocam o efeito estufa, recebe uma conferência internacional sobre o clima.

"Em Cancún, vamos precisar de resultados concretos e urgentes", advertiu.

Quase um ano depois do fracasso relativo da conferência de Copenhague, a secretária costarriquenha afirmou que é necessário "restaurar a confiança na capacidade das partes para levar adiante este processo, para que o multilateralismo não seja percebido como um beco sem saída, para evitar que as divergências permanentes terminem como uma inação inaceitável".

Ela citou os pontos sobre os quais a reunião de Cancún pode tomar decisões, como um fundo de ajuda aos países mais vulneráveis ou a aplicação de um mecanismo para combater o desmatamento.

Mas também destacou as questões que são cruciais, mas não avançam, como o futuro do Protocolo de Kyoto, cujo primeiro período de compromisso termina em 2012, ou a continuidade dos compromissos assinados por vários governos para reduzir ou limitar as emissões de poluentes.

O acordo de Copenhague fixou a meta de limitar o aumento da temperatura do planeta a dois graus, mas sem calendário e de maneira evasiva sobre as modalidades para alcançar o objetivo.

"Peço que demonstrem flexibilidade e espírito de compromisso. Senhoras e senhores, é chegado o momento", concluiu a secretária.