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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

As alternativas da alternativa

Marilia Bugalho Pioli*, para a Agência Ambiente Energia – Que a energia eólica – e as outras fontes de energias renováveis – é uma alternativa vantajosa à matriz energética de fontes fósseis já é praticamente lugar comum, mas as vantagens são tantas que já se pode falar em alternativas dessa alternativa.

Com isso se pretende dizer que a energia eólica extrapola os limites dos parques eólicos que enchem os olhos de quem por eles passa – sem embargo dos protestos daqueles que reclamam do “enfeiamento” que as torres provocariam, em especial em locais próximos a sítios históricos e turísticos como acontece na Europa – e representa alternativa de geração de energia para consumidores domésticos e para consumo próprio.

Noticiou-se na imprensa, por exemplo, que no estado de Santa Catarina há um projeto de construção de condomínio residencial (Neo) no qual dois aerogeradores deverão alimentar aquecedores centrais. Em Maringá, cidade do noroeste do Paraná, foi instalada uma torre de 40 metros no condomínio Ecogarden Residence, com conclusão prevista para janeiro de 2012. A energia gerada pela turbina eólica deverá suprir a área comum do condomínio (quadras de tênis, salão de festas e postes das praças). A utilização de energia eólica em áreas residenciais contribui para o conceito de sustentabilidade, tão importante e tão em voga hoje em dia.

As vantagens da energia limpa, em especial da fonte eólica, servem inclusive de inspiração para a genialidade criativa dos inventores. Para proporcionar o acesso ao uso de energia eólica para unidades residenciais, Jonathan Globerson criou o GreenGenerator, um gerador com  miniturbinas eólicas e células solares em filme flexível que pode ser instalado em sacadas. O inventor defende que cada aparelho pode reduzir até 6% a conta de energia e impedir a emissão de cerca de 900 quilos de CO2 na atmosfera.

Divulgado como o primeiro prédio comercial do Brasil a usar energia eólica, o Edifício Eólis, localizado em Porto Alegre (RS), pretende que 20% de toda a energia consumida pelas áreas comuns (corredores, elevadores, estacionamento) provenha da energia eólica. O gerador eólico, que custou cerca de R$ 40 mil, foi instalado no topo do prédio e tem capacidade para gerar 3 KW. A expectativa da empresa administradora do projeto é que o retorno do investimento aconteça em cinco anos e que a economia, possibilitada também por tratativas com a Companhia Estadual de Energia Elétrica, supere 50%. Se as expectativas se concretizarem, a intenção dos responsáveis pelo projeto é triplicar a produção de energia eólica no prédio.

A energia eólica também se apresenta como alternativa de consumo para grandes empresas, a exemplo do Walmart do México. Perseguindo o objetivo de obter 100% de energia de fontes renováveis até 2025, desde 6 de maio de 2010 a divisão Walmart do México e América Central passou a ter as cerca de 350 lojas, lojas de descontos e restaurantes da capital mexicana e da cidade de Morelos integralmente supridas por energia eólica. Espera-se que a operação reduza a emissão de CO2 em cerca de 137.000 toneladas/ano, o que equivale à emissão de 21.000 automóveis.

As possibilidades de uso de energia eólica além dos parques chega mesmo a alcançar os oceanos (e não estamos aqui falando em instalação offshore). Recentemente navegou em águas brasileiras o primeiro – e por enquanto único – navio eólico. Trata-se do E-Ship 1, o primeiro cargueiro movido a energia eólica (em conjunto com propulsão diesel-elétrica). Os giros de quatro rotores cilíndricos (torres de 27 metros de altura por 4 metros de diâmetro) instalados no convés principal do navio, associados ao efeito do vento lateral, criam a força que ajuda a impulsionar o navio.

Com estes poucos e tímidos exemplos – certamente há muitos outros casos espalhados pelo mundo – denota-se que a energia eólica representa um mercado emergente (com as vantagens da sustentabilidade e com ganhos inquestionáveis para o meio ambiente) não somente para os milionários investidores de parques eólicos, mas também para bolsos e empreendimentos bem mais modestos, cabendo até mesmo “nos quintais” de nossas casas.

* Marilia Bugalho Pioli é advogada, sócia do escritório Becker, Pizzatto & Advogados Associados, coordenadora da área jurídica de Energia Eólica

Fonte:  Ambiente Energia

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Cidade gaúcha de Osório tem o maior parque eólico da América Latina

O vento constante por muito tempo soprou apenas problemas sobre a cidade gaúcha. Agora, com o maior parque eólico do Brasil, é sinônimo de lucro e alegria.

Por Rodrigo Trespach
Foto de Tiago Lopez Trespach




Uma rodovia que liga Porto Alegre ao litoral corta ao meio o parque eólico. A iluminação dos aerogeradores, que têm altura de mais de 130 metros, propicia um raro espetáculo aos viajantes.

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Um ditado popular no brasil aponta "lá onde o vento faz a curva", em referência a um lugar que é muito, muito distante. Soa pejorativo na maior parte dos usos, mas, para os moradores de Osório, no Rio Grande do Sul, esse lugar é a casa deles - e com orgulho. Localizada no pé da serra Geral, em uma vasta planície repleta de rios e 23 lagoas, a cidade é um corredor natural para a passagem do vento e a criação de correntes ascendentes. É na região do morro da Borússia, por exemplo, que o sopro austral conhecido como minuano - nome de uma tribo indígena extinta - surge de sua jornada desde o interior gaúcho em direção ao oceano Atlântico. O seco e gélido minuano, que ultrapassa com facilidade os 30 quilômetros por hora, não é o único nem o mais temido vento que costuma fazer a curva em Osório. O nordeste, ou "nordestão", como é chamado pelos moradores, pode atingir 100 quilômetros por hora. Comum no verão, dura três dias, mas acaba com a paciência dos osorienses em bem menos tempo.

Em Osório, o vento é mais que apenas uma força invisível - é protagonista do cotidiano e da economia local. Emancipado desde 1857, o município sempre subsistiu sem maiores ambições com base nas atividades agrícola e comercial. Moradores antigos costumavam dizer que ele só conseguiria se desenvolver de verdade quando conseguisse "engarrafar o vento". O futuro chegou em abril de 2006. No dia em que o próprio presidente da República acionou o primeiro aerogerador dos Parque Eólico de Osório (são três parques, Sangradouro, Osório e dos Índios, conectados a uma única subestação), o maior complexo gerador de energia do vento da América Latina, inaugurou-se uma fase não apenas para a cidade mas para todo o país. Osório afinal havia conseguido "engarrafar o vento".

Hoje são 75 aerogeradores em funcionamento. Cata-ventos gigantes, as torres de concreto têm 98 metros de altura e cada uma das três pás que compõem o rotor pesa mais de 5 toneladas em seus 35 metros de comprimento. Com potencial de 150 megawatts/hora, o sistema gera aproximadamente 425 gigawatts anuais de energia, suficientes para abastecer o consumo doméstico de 650 mil pessoas - mais de 15 vezes a população de Osório - e evitar a emissão de 148 mil toneladas de CO2 na atmosfera pelo sistema elétrico brasileiro, economizando 36,5 mil toneladas de petróleo e 41 milhões de metros cúbicos de gás natural. Segundo dados de 2010 da Associação Brasileira de Energia Eólica, Osório produz20% dessa energia no país. E 50 novos aerogeradores estão sendo construídos.

Se o parque rende tributos aos cofres públicos, os vendavais, por outro lado, costumam causar estragos e prejuízos. Ao longo da RS-289, a Estrada do Mar, que liga Osório a Torres, no extremo norte do litoral gaúcho, as tendas de produtos típicos, as placas de publicidade e os eucaliptos que cercam os dois lados da rodovia sempre são castigados pelos ventos. Raízes expostas, galhos na estrada, casas destelhadas e outdoors desfigurados são visões comuns.

Pode ser difícil sair à rua em dia de nordestão. As mulheres evitam usar saia e prendem o cabelo; varais com roupas expostas parecem querer decolar; andar de bicicleta é um desafio olímpico. Certas pessoas, porém, acolhem a ventania como se ela fosse uma dádiva: os adeptos de esportes como o windsurf e o kitesurf, que lotam as águas da lagoa dos Barros. Com velocidade máxima de 85 quilômetros por hora, a raia local só é superada pelas marcas alcançadas por esportistas náuticos nas águas de Lüderitz, na Namíbia, costa sudoeste da África.

Outra modalidade dos esportes do vento é o planador, avião sem motor que depende exclusivamente das correntes ascendentes para planar. O aeroclube da cidade, o Albatroz, foi fundado, no início da década de 1950, por pioneiros da atividade no país, caso de Darci Assis, uma lenda da aviação brasileira. O Albatroz detém o recorde sul-americano de permanência no ar com planador, com uma marca impressionante. Em outubro de 1954, Almiro F. Barrichello e Adalberto Jayme Meneghini permaneceram 11 horas e 37 minutos nos céus da região.

Hoje, ainda que as façanhas de Almiro Barrichello, Meneghini e Assis, falecido em 2005, tenham ficado no passado, a nova geração de voadores luta por seu espaço. O número de pilotos formados no Albatroz cresceu nos últimos anos. Muitos deles seguem carreira nas grandes companhias aéreas do país, mas regressam para Osório sempre que possível - e por uma razão especial. "Apenas com o planador pode-se voar de verdade", dizem em uníssono. A cidade habituou-se ao barulho dos rebocadores, aviões responsáveis em levar os planadores a uma altura na qual possam ser soltos do cabo que os prende. Libertos, os planadores misturam-se aos pássaros, deslizam sobre a vasta bacia hidrográfica, as encostas verdes ainda intocadas do morro da Borússia e retornam mansamente ao ponto de partida, em uma sequência de subidas e descidas que só termina quando o sol se põe no horizonte.

Foi nos céus que, em setembro, o instrutor de voo Frederico Reckziegel, de 29 anos, desfrutou ao mesmo tempo das duas maiores paixões de sua vida. Depois de 11 anos de namoro, ele resolveu subir ao altar com Giani Tricai, de 26. Mas, antes da cerimônia na Igreja do Porto, onde de fato oficializariam o casamento dias depois, ele convidou Giani para um voo especial. "Eu não queria que fosse um passeio como nos tempos de namoro. Daquela vez, eu precisava de uma prova de amor", conta Frederico. Assim se fez. A noiva entrou na cabine do planador Blanik como manda o figurino: de vestido, véu e grinalda. Não faltaram olhares curiosos do público, sempre presente às margens da pista para apreciar as aeronaves. A operação envolveu três aviões, equipe de solo e uma sessão de fotografias para registrar o sonho. Frederico ganhou um presente memorável de sua noiva e o aeroclube registrou outro evento histórico. O velho Darci Assis gostaria de ter presenciado aquele momento.

Publicado em 12/2010
Fonte: National Geographic

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Greenpeace declara guerra ao Facebook

O Greenpeace não é contra o crescimento do Facebook. Mas queremos ter certeza de que não sofreremos pelas más escolhas da empresa.
Foi o que disse a ONG em relação a atual campanha que move contra a fonte não renovável de energia que vem sendo utilizada pela maior rede social do mundo. Abordando diretamente no video o nome do CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, a expectativa está em cima da resposta dele à critica feita pelo Greenpeace. 

O video produzido reinventa a história de Mark e tem a intenção de chamar os internautas a colaborar em favor da pressão sob o CEO, de modo que este mude de ideia e comece a fazer uso de um método mais ecologicamente correto de produção de energia em sua empresa. Irônicamente, o Greenpeace utilizou seu perfil na própria rede do Facebook para declarar a seguinte opinião sobre Mark:
Seu perfil no Facebook não mostra o status de relacionamento, mas, se o fizesse, poderia dizer "em relacionamento com o carvão"
E é também na própria página do facebook do Greenpeace que as pessoas podem colaborar mandando uma mensagem em prol do meio ambiente diretamente para o perfil do CEO da rede.

De acordo com a ONG Ambientalista, "quando usamos o Facebook aqui, usamos também o carvão americano que alimenta os servidores da rede." Critico, não? Ainda segundo o Greenpeace, o enorme crescimento da rede exigiu de Mark a construção de mais um centro de dados que seria mais uma vez abastecido pelo carvão, o negócio piorou ainda mais quando em seguida decidiu dobrar o tamanho da instalação, o que conseqüentemente duplicaria a quantidade de carvão a ser utilizado .

Indignados e movidos pelo ideal ambientalista, algo que diga-se de passagem até mesmo quem não curte a ONG deveria ter em consciência, o Greanpeace começou então esta campanha e quanto à resposta de Mark Zuckerberg afirmou:
Em carta enviada a Mark Zuckerberg há 16 dias, o diretor executivo do Greenpeace, Kumi Naidoo, manifestou a sua preocupação. Infelizmente, a resposta indica que Mark tem medo de se comprometer.
Bom, o fato é que a campanha já está começando a rodar na boca do povo, especialmente nas sociais, afinal como muitos de nós sabemos o carvão é de fato uma das formas de produção de energia que mais emite os "maledetos" gases de efeito estufa. 


Greenpeace x Facebook, de que lado você fica? 
Veja o video que reinventa a história de Mark.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Nove países da UE prometem a construção da rede de energia eólica em alto mar

Projeto europeu deveá atender a demanda dos produtores de energia eólica, que reclamam de poucas ligações entre os países e as centrais de energia eólica.

Nove países europeus prometeram nesta segunda-feira, construir mais ligações entre as estações de energia eólica no Mar do Norte e da Irlandês, o que poderia ajudá-los a aumentar a produção de energia renovável.
Produtores de energia eólica se queixam de que há poucas ligações entre os países e permitir que as centrais possam conduzir rapidamente sua produção quando necessário. Executivos da UE também pediram uma rede de distribuição de energia mais elaborada, por toda Europa para assim garantir o fornecimento de energia e evitar apagões.

Ministros da Energia da Grã-Bretanha, Alemanha, França, Holanda, Suécia, Dinamarca, Bélgica, Irlanda e Luxemburgo prometeram desenvolver uma nova rede de energia em alto mar para conectar a eletricidade produzida nos parques eólicos em alto mar.

A União Europeia tem o objetivo de gerar um quinto de toda a sua energia de fontes renováveis até 2020 para reduzir a dependência da importação de petróleo e gás, e para cumprir os objetivos das mudanças climáticas para reduzir as emissões de gases do efeito estufa.

A energia eólica provavelmente irá desempenhar o papel principal. A European Wind Energy Association diz que o vento poderia gerar até 16 por cento de toda a energia da UE – ou um terço de toda a eletricidade – até 2020, se os governos ajudar a financiar os produtores de energia eólica e as redes de distribuição de energia.

Parques eólicos em alto mar utilizam turbinas maiores e mais potentes plantada no fundo do mar e podem gerar em torno de um terço a mais de potência do que parques em terra. Porem, são também muito mais caros de construir e manter.

AmbienteBrasil