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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Estudo demonstra efeito de mudanças climáticas


Por Antônio Martins, do Outras Palavras* 

Movimentos como prosperidade do Império Romano, pestes e migrações maciças teriam sido influenciados por alterações ambientais.

Surgiu mais um dado importante, para o debate crucial sobre as consequências do aquecimento da Terra. A revista Science acaba de publicar os resultados de um vasto estudo que relaciona episódios marcantes da História, nos últimos 2500 anos, com mudanças atmosféricas na Europa. Situações naturais favoráveis, revela a pesquisa, influenciaram períodos de expansão da atividade material e intelectual humana — como no fase de glória do Império Romano. Em contrapartida, fenômenos como a peste que dizimou a população europeia no século 14, ou as crises que provocaram grandes migrações no século 19, teriam, entre suas causas, um clima hostil.

O trabalho é obra de uma equipe de cientistas coordenada por Ulf Büntgen, paloclimatólogo do Instituto Federal de Pesquisas sobre a Floresta, de Zurique. Baseou-se na dendrocronologia, o estudo que relaciona as idades das árvores com os aneis de seus troncos. A equipe de Büntgen examinou estudos de 9 mil amostras de árvores, colhidas nos últimos trinta anos, no Velho Continente, por arqueólogos. Cotejou-as com outras amostras, de plantas vivas. A partir da comparação, pensa ter feito descobertas importantes sobre a evolução da temperatura e umidade do ar.

O período de cinco séculos que se estende entre 300 a.C e o ano 200 parece ter sido marcado por verões quentes e úmidos. Eles favoreceram a atividade agrícola, base principal da economia da Antiguidade, e impulsionaram uma longa fase de desenvolvimento da produção, comércio, ciência e artes. É, também, o período de expansão do Império Romano. Um outro período quente e úmido abrangeu os séculos 11 a 13, quando se deu a chamado apogeu da Idade Média.

Já o período de declínio acelerado de Roma, e desmantelamento de seu império, pode ter sido acelerado por uma fase de seca prolongada. Outras condições metorológicas desfavoráveis (agora, temperaturas muito baixas associadas a umidade alta) coincidiriam com a epidemia de peste que dizimou boa parte da população europeia, no século 14, e com a escassez de alimentos que provocou as migrações maciças (rumo à América, principalmente) nos anos 1800.

O estudo, possivelmente pioneiro (veja resumo - http://www.sciencemag.org/content/early/2011/01/12/science.1197175 - e coleção de gráficos e tabelas - http://www.emetsoc.org/annual_meetings/documents/presentations_2010/UC4_Buentgen.pdf), abre uma pista para o investigação sobre as mudanças climáticas do passado e suas consequências. Além disso sugere, como declarou Büntgen, “repensar a hesitação atual, política e fiscal, em enfrentar a mudança climática acelerada do século 21″.

*Publicado originalmente no portal Outras Palavras. Para conhecer acesse http://ponto.outraspalavras.net/.

(Envolverde/Outras Palavras)

domingo, 29 de agosto de 2010

Efeitos das queimadas

Por Redação Agência Fapesp 


Agência FAPESP – O Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), da Universidade Estadual Paulista, em Bauru (SP), realizará até o dia 1º de setembro experimentos sobre o impacto de queimadas na atmosfera, na unidade de Ourinhos (SP).

O trabalho, que teve início na última terça-feira (24/8), utiliza equipamentos do instituto, disponíveis nos campi de Bauru e Presidente Prudente (SP), e do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), da Universidade de São Paulo (USP). O grupo fará a varredura de uma área com raio de 450 quilômetros a partir da posição do Laboratório de Monitoramento Ambiental (Lapam).

O IPMet é uma unidade complementar da Unesp apoiada pela FAPESP desde seu início, na década de 1970. A partir de 1982, com auxílio da Fundação, o instituto passou a dispor de um sistema central de processamento para trabalhos de pesquisa, processamento e disseminação de dados e produtos de radar.

O novo estudo, que é coordenado pelo físico e meteorologista Gerhard Held, do IPMet, tem o objetivo de compreender os efeitos das queimadas da palha de cana, como as alterações nas propriedades químicas e físicas da atmosfera.

O experimento utilizará diversos aparelhos do laboratório, como o Light Detection and Ranging (Lidar) – que por meio de feixes de raios laser mede os aerossóis na atmosfera – e o Sonic Detection And Ranging (Sodar), que mede os perfis verticais do vento em três dimensões, por meio da emissão de ondas de som.

Serão utilizadas ainda radiossondas para obtenção de variáveis meteorológicas até 25 quilômetros de altitude, além de amostradores de gases e partículas para atmosfera e cinco estações meteorológicas automáticas.

As queimadas no interior do Estado de São Paulo têm como uma das principais causas a produção sucroalcooleira. Os meses do inverno são mais propícios para a realização dessa pesquisa, por causa da intensificação das queimadas pela colheita de cana-de-açúcar e pela ausência de chuvas que mantêm as partículas em suspensão no ar.

Mais informações: http://www.unesp.br

(Envolverde/Agência Fapesp)

Unesp realiza pesquisa sobre efeitos da queimada na atmosfera

Por Redação do Governo do Estado de São Paulo 


Meteorologistas, físicos e químicos buscam entender mudanças climáticas na região de Ourinhos.

O Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), do câmpus da Unesp de Bauru, realizará, até o dia 1º de setembro, experimentos sobre o impacto de queimadas na atmosfera, na unidade de Ourinhos. Iniciado na terça-feira, 24, o trabalho utiliza equipamentos do instituto, disponíveis nos câmpus de Bauru e Presidente Prudente, e do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), da Universidade de São Paulo (USP). O grupo fará a varredura de uma área com raio de 40 quilômetros a partir da posição do Laboratório de Monitoramento Ambiental (Lapam).

Coordenado pelo físico e meteorologista do IPMet Gerhard Held, o estudo busca compreender os efeitos das queimadas da palha de cana, como as alterações nas propriedades químicas e físicas da atmosfera. "Com o apoio de pesquisadores de diversas áreas, queremos entender como essas mudanças podem afetar o clima regional e como se espalham para outras cidades", diz o especialista.

Entre os equipamentos utilizados no experimento, estão aparelhos do laboratório, como o LIDAR (da sigla em inglês Light Detection and Ranging), que, por meio de feixes de raios laser, mede os aerossóis na atmosfera, e o SODAR (Sonic Detection And Ranging), que mede os perfis verticais do vento em três dimensões, por meio da emissão de ondas de som. Também são usadas radiossondas para obtenção de variáveis meteorológicas até 25 quilômetros de altura; amostradores de gases e partículas para atmosfera e cinco estações meteorológicas automáticas.

Os meses do inverno são mais propícios para a realização dessa pesquisa, por causa da intensificação das queimadas pela colheita de cana-de-açúcar, e pela ausência de chuvas que mantêm as particulas em suspensão no ar.

Fogo na plantação


As queimadas no interior do Estado têm como uma das principais causas a produção sucroalcooleira. Para fazer o corte da cana, os produtores ateiam fogo na plantação para facilitar o trabalho. Além dos impactos ambientais, a queima desse material orgânico lança para a atmosfera substâncias cancerígenas.

Em parceria com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), o governo estadual estabeleceu um cronograma para a eliminação das queimadas na colheita do canavial. Segundo o protocolo estabelecido entre as instituições , a meta para o fim desse modalidade de corte é 2017.

(Envolverde/Governo do Estado de São Paulo)

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Aquecimento global causou extinção dos mamutes, aponta estudo

 
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Herbívoros de grande porte, os mamutes foram extintos há 4 mil anos/Imagem: ecstaticist

Os efeitos das mudanças climáticas sobre a vegetação, pela qual os mamutes se alimentavam, provocaram o desaparecimento desses animais há 4 mil anos, segundo um estudo recente da universidade britânica de Durham.

Até o momento, acreditava-se que a caça desenfreada dos seres humanos seria a principal causa da extinção dos Mammuthus primigenius. Há cerca de 14 mil anos, eles fizeram parte da paisagem europeia, mais precisamente ao Norte da Sibéria, onde acabaram mortos.

A pesquisa revela que a elevação da temperatura do planeta, com o fim da época mais fria da chamada Era do Gelo (cerca de 21 mil anos atrás), registrou um declínio nas áreas de pradarias nas quais os mamutes se alimentavam.

As razões de tal extinção são incertas e viraram alvo de um intenso debate entre os cientistas. Enquanto uns argumentam que o processo está ligado ao aquecimento global, outros defendem que as pressões em decorrência de uma população humana crescente foram as principais causas do desaparecimento. Uma terceira teoria, por sua vez, atribui o fim dos mamutes à colisão de um meteoro.

"O que os nossos resultados sugerem é que as mudanças climáticas, por meio do efeito que teve sobre a vegetação, foi o fator-chave que causou a redução da população e a extinção dos mamutes e de outros herbívoros de grande porte", explicou à BBC o professor Brian Huntley, que coordenou o estudo.

Metodologia
Com auxílio de um computador, a pesquisa recriou modelos que simularam a vegetação na Europa, Ásia e América do Norte nos últimos 42 mil anos. Os cientistas levaram em conta o que se acredita ter sido o comportamento do clima durante esse período e exemplos de como determinados tipos de vegetação crescem em diferentes condições.

Eles concluíram que as baixas temperaturas e as condições especialmente secas da Era do Gelo, combinadas com as baixas condições de emissão de dióxido de carbono (CO2), não favoreciam o crescimento de árvores, que absorvem o gás-estufa.

Em vez de florestas, a paisagem daquela época era marcada por vastas áreas de pradarias, ideais para herbívoros de grande porte, como os mamutes. No entanto, com o passar dos anos, o clima se tornou mais quente e úmido. No fim do período glacial, a concentração de CO2 era mais elevada. Como consequência, as árvores tomaram áreas que antes eram de pradarias.

"No ápice da Era do Gelo, os mamutes e outros herbívoros contavam com mais alimentos, mas à medida que caminhamos para uma etapa pós-glacial, as árvores gradualmente substituíram os ecossistemas herbáceos e isto reduziu muito a área de pastagem", concluiu Huntley.

Com informações da BBC
http://www.ecodesenvolvimento.org.br/noticias/aquecimento-global-causou-extincao-dos-mamutes

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Estudo inédito mostra impactos das mudanças climáticas no sistema energético brasileiro

Mônica Pinto / AmbienteBrasil

O Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) divulgou anteontem um estudo inédito que mostra os impactos das mudanças climáticas no sistema energético brasileiro. Patrocinado pela Embaixada do Reino Unido, o trabalho aponta a vulnerabilidade do país nesse campo e traz conclusões preocupantes.

Em termos gerais, verificou-se que existe tendência à perda de capacidade de geração de energia de todas as fontes estudadas – salvo a cana-de-açúcar – e em todas as regiões.

O impacto da mudança global no país tende a ser, contudo, mais intenso no Nordeste. “Caso se confirmem as projeções de alterações climáticas para o Brasil no período 2071-2100, a região terá reduções importantes na capacidade de geração de energia hidráulica, eólica e de biodiesel”, revela o estudo, advertindo que só a produção de energia das usinas hidrelétricas da bacia do rio São Francisco pode cair em até 7,7%.

A produção de biodiesel no Nordeste também seria prejudicada, sobretudo em função dos impactos sobre os cultivos de soja e mamona, o que – alerta a Coppe – afetaria o programa governamental de incentivo à agricultura familiar para produção de biocombustíveis.

O prognóstico é de prejuízos também à geração de energia eólica, que passaria a se concentrar na costa, reduzindo-se no interior e interferindo no total nacional, que pode cair até 60%.

Em termos nacionais, o estudo aponta uma redução da geração de produção hidrelétrica - responsável hoje por 85% da geração de eletricidade do país - de 1% a 2% nos cenários de emissões altas e baixas respectivamente.

Diante do quadro de diminuição da oferta de energia e da projeção de um aumento no consumo, os pesquisadores da COPPE defendem que é preciso aumentar seu uso racional e a eficiência energética; expandir a oferta de eletricidade, a partir de combustíveis alternativos, como resíduos sólidos urbanos e bagaço de cana; e ampliar a oferta de biocombustíveis, sobretudo biodiesel.

“A questão da eficiência energética tem que ser tratada em diferentes frentes. Por um lado, há a questão tecnológica, onde o Governo tem um papel importante a cumprir, criando índices mínimos de eficiência energética para equipamentos e processos utilizados no país”, disse a AmbienteBrasil Roberto Schaeffer, um dos coordenadores do estudo, junto com Alexandre Szklo, ambos professores do Programa de Planejamento Energético da Coppe.

“Há também a questão do preço da energia, que deve ser repassado em sua real dimensão aos usuários finais, que só assim optarão por um uso dela mais eficiente. Não adianta, por exemplo, não repassar para os preços domésticos as altas do petróleo, pois com isso só se está estimulando seu mau uso”, completa.

Para o pesquisador, outro desafio nesse processo passa pela questão cultural. “Mudanças de padrão de consumo numa sociedade de consumo confrontam sua própria razão de ser”.

AmbienteBrasil perguntou a Roberto Schaeffer se as conclusões da Coppe serão utilizadas como subsídio para a Política e o Plano Nacional de Combate às Mudanças Climáticas, ora em elaboração por uma equipe interministerial. Ele acredita que não, ao menos diretamente.

“Este foi apenas um primeiro estudo, que apresentou resultados importantes, mas olhando para um horizonte de tempo mais longo à frente. A Política e o Plano Nacional de Combate às Mudanças Climáticas deverá se concentrar em horizontes mais curtos de tempo”, respondeu ao portal.

“Estamos, no momento, aprofundando o estudo, começando a olhar, também, para os curto e médio prazos. Aí, sim, talvez os resultados de um novo trabalho possam fazer parte das políticas e planos do Governo”, diz Schaeffer.

Em sua avaliação, um dos maiores ganhos do estudo foi criar competência e uma nova linha de pesquisa na própria Coppe. “A partir dele, vários novos trabalhos estão surgindo, aprofundando e alargando o conhecimento em relação aos possíveis impactos das mudanças climáticas sobre os sistemas energéticos”, contabiliza.

O pesquisador registra que estudos ligados às mudanças climáticas trazem ainda em seu bojo grandes incertezas. Elas estão, no entanto, mais ligadas à precisão dos números do que ao sentido geral, que aponta em uma direção clara: “as mudanças climáticas são hoje, provavelmente, o maior desafio enfrentado pelo homem. Já há certeza hoje de que o custo de se reduzir as emissões de gases de efeito estufa são muito menores do que o custo de não se enfrentar o problema rápida e eficientemente”, coloca Schaeffer.

O estudo “Mudança Climática e Segurança Energética no Brasil” contou com a participação dos pesquisadores André Frossard, Raquel Rodrigues de Souza, Bruno Soares M. C. Borba, Isabella V. L. da Costa, Amaro Pereira Júnior e Sergio Henrique F. da Cunha.

Para conhecê-lo na íntegra, clique aqui.