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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

As alternativas da alternativa

Marilia Bugalho Pioli*, para a Agência Ambiente Energia – Que a energia eólica – e as outras fontes de energias renováveis – é uma alternativa vantajosa à matriz energética de fontes fósseis já é praticamente lugar comum, mas as vantagens são tantas que já se pode falar em alternativas dessa alternativa.

Com isso se pretende dizer que a energia eólica extrapola os limites dos parques eólicos que enchem os olhos de quem por eles passa – sem embargo dos protestos daqueles que reclamam do “enfeiamento” que as torres provocariam, em especial em locais próximos a sítios históricos e turísticos como acontece na Europa – e representa alternativa de geração de energia para consumidores domésticos e para consumo próprio.

Noticiou-se na imprensa, por exemplo, que no estado de Santa Catarina há um projeto de construção de condomínio residencial (Neo) no qual dois aerogeradores deverão alimentar aquecedores centrais. Em Maringá, cidade do noroeste do Paraná, foi instalada uma torre de 40 metros no condomínio Ecogarden Residence, com conclusão prevista para janeiro de 2012. A energia gerada pela turbina eólica deverá suprir a área comum do condomínio (quadras de tênis, salão de festas e postes das praças). A utilização de energia eólica em áreas residenciais contribui para o conceito de sustentabilidade, tão importante e tão em voga hoje em dia.

As vantagens da energia limpa, em especial da fonte eólica, servem inclusive de inspiração para a genialidade criativa dos inventores. Para proporcionar o acesso ao uso de energia eólica para unidades residenciais, Jonathan Globerson criou o GreenGenerator, um gerador com  miniturbinas eólicas e células solares em filme flexível que pode ser instalado em sacadas. O inventor defende que cada aparelho pode reduzir até 6% a conta de energia e impedir a emissão de cerca de 900 quilos de CO2 na atmosfera.

Divulgado como o primeiro prédio comercial do Brasil a usar energia eólica, o Edifício Eólis, localizado em Porto Alegre (RS), pretende que 20% de toda a energia consumida pelas áreas comuns (corredores, elevadores, estacionamento) provenha da energia eólica. O gerador eólico, que custou cerca de R$ 40 mil, foi instalado no topo do prédio e tem capacidade para gerar 3 KW. A expectativa da empresa administradora do projeto é que o retorno do investimento aconteça em cinco anos e que a economia, possibilitada também por tratativas com a Companhia Estadual de Energia Elétrica, supere 50%. Se as expectativas se concretizarem, a intenção dos responsáveis pelo projeto é triplicar a produção de energia eólica no prédio.

A energia eólica também se apresenta como alternativa de consumo para grandes empresas, a exemplo do Walmart do México. Perseguindo o objetivo de obter 100% de energia de fontes renováveis até 2025, desde 6 de maio de 2010 a divisão Walmart do México e América Central passou a ter as cerca de 350 lojas, lojas de descontos e restaurantes da capital mexicana e da cidade de Morelos integralmente supridas por energia eólica. Espera-se que a operação reduza a emissão de CO2 em cerca de 137.000 toneladas/ano, o que equivale à emissão de 21.000 automóveis.

As possibilidades de uso de energia eólica além dos parques chega mesmo a alcançar os oceanos (e não estamos aqui falando em instalação offshore). Recentemente navegou em águas brasileiras o primeiro – e por enquanto único – navio eólico. Trata-se do E-Ship 1, o primeiro cargueiro movido a energia eólica (em conjunto com propulsão diesel-elétrica). Os giros de quatro rotores cilíndricos (torres de 27 metros de altura por 4 metros de diâmetro) instalados no convés principal do navio, associados ao efeito do vento lateral, criam a força que ajuda a impulsionar o navio.

Com estes poucos e tímidos exemplos – certamente há muitos outros casos espalhados pelo mundo – denota-se que a energia eólica representa um mercado emergente (com as vantagens da sustentabilidade e com ganhos inquestionáveis para o meio ambiente) não somente para os milionários investidores de parques eólicos, mas também para bolsos e empreendimentos bem mais modestos, cabendo até mesmo “nos quintais” de nossas casas.

* Marilia Bugalho Pioli é advogada, sócia do escritório Becker, Pizzatto & Advogados Associados, coordenadora da área jurídica de Energia Eólica

Fonte:  Ambiente Energia

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Hidrogênio energético no Brasil – subsídios para políticas de competitividade 2010-2025

  
 

Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), órgão ligado ao Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), publica o estudo “Hidrogênio energético no Brasil – subsídios para políticas de competitividade 2010-2025″. O objetivo do trabalho é oferecer elementos para definir ações e políticas públicas para o desenvolvimento e adoção de tecnologias do hidrogênio. A elaboração do estudo envolveu o trabalho de uam série de especialistas.

O estudo tem como linhas principais propostas para o incentivo à economia do hidrogênio; à produção do hidrogênio; ao desenvolvimento da logística do hidrogênio; e aos sistemas de utilização do hidrogênio. Com um horizonte de 15 anos, as propostas apresentadas pelo documento estabelecem ações para curto prazo (0 a 5 anos); médio prazo (5 a 10 anos); e longo prazo (10 a 15 anos).

O trabalho destaca ainda possíveis ganhos com o incentivo destas tecnologias, entre os quais estão a diminuição de impactos ambientais na geração e utilização de energia; aumento da segurança energética; melhoria do aproveitamento dos recursos naturais; desenvolvimento regional; desenvolvimento de parque industrial competitivo; geração de empregos.

Clique no link abaixo para fazer o download do documento

Hidrogênio Energético no Brasil (3)

Fonte: http://www.matrizlimpa.com.br/ 

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Desafio mundial em energia renovável

Por Redação Agência Fapesp 


Agência FAPESP – Pesquisadores, estudantes e empreendedores poderão encaminhar até 30 de setembro ideias para o programa Eco Challenge: Powering the Grid, da General Electric, que prevê investimentos de US$ 200 milhões.

O objetivo é incentivar projetos na área de geração, distribuição e uso de energia renovável. A iniciativa visa à busca de soluções para geração de energia limpa e a diversificação das matrizes energéticas existentes.

São três as categorias: Energias Renováveis, Rede Elétrica e Casas e Prédios Ecológicos. O programa é aberto a maiores de 18 anos.

Os participantes selecionados receberão um aporte de investimentos no valor inicial de US$ 100 mil e estabelecerão relações comerciais com a GE, trabalhando em conjunto com cientistas, técnicos e pesquisadores da companhia em seus centros de pesquisa.

Para participar é necessário registrar-se no site. A proposta – que pode ser individual ou em grupo – deve ser clara e detalhada, de forma que descreva etapas de execução das tecnologias a serem desenvolvidas. Em caso de inscrição em grupo, é preciso indicar o responsável.

Também é necessário informar se a ideia tem algum pedido de patente. Além disso, o participante pode enviar um vídeo opcional, mas é obrigatório o envio de uma foto simples, do participante, grupo, empresa ou organização.

O júri selecionará as ideias como base na originalidade, viabilidade e impacto dos projetos. Na primeira fase, até 30 de setembro, o público geral votará nas melhores ideias, mas a decisão final será da comissão da GE. Na segunda, de 1º de outubro a 30 de novembro, a companhia anunciará os projetos com os quais ela pretende estabelecer relações comerciais.

Mais informações: http://www.ecomagination.com/challenge

(Envolverde/Agência Fapesp)

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Brasil promove evento paralelo sobre biocombustíveis durante a COP15

Bioenergia e mudança do clima é o tema do evento paralelo promovido pelo governo brasileiro durante a COP15. O painel “The contribution of biofuels to climate change mitigation”, será realizado no dia 08 de dezembro, das 13h às 14h30, na sala Victor Borg do Bella Center, em Copenhague.

O objetivo do evento brasileiro será esclarecer questões relacionadas à bioenergia enquanto fonte energética de baixa emissão de gases causadores do efeito estufa. Especialistas e cientistas dedicados ao tema oferecerão respostas aos principais negociadores da COP15, contribuindo com informações consistentes para embasar o processo negociador. Além do Brasil, foram convidados para este segmento os chefes de delegação dos Estados Unidos e da Suécia, países desenvolvidos com posições de vanguarda sobre o tema.
O evento será presidido pelo Subsecretário-Geral de Energia e Alta Tecnologia, Embaixador André Mattoso Maia Amado, e contará com a participação do Diretor do Departamento de Meio Ambiente e Temas Especiais, Embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, chefe da delegação brasileira à COP15 nesse momento.

Já o painel de especialistas será moderado pelo Diretor do Departamento de Energia, Ministro André Aranha Corrêa do Lago. Como especialistas, foram convidados: Ricardo Dornelles, Diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do MME; Melinda Kimble, vice-presidente sênior e responsável pela “International Bioenergy Initiative” da UN Foundation; José Domingos Gonzalez Miguez, Secretário-Executivo da Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima; e Thelma Krug, Pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Na qualidade de “guest speakers” dedicados ao tema da diminuição das emissões em comunidades de baixa renda em países em desenvolvimento através da bioenergia foram convidados os senhores Eduardo Mallmann, da USI (Usinas Sociais Inteligentes), que compartilhará experiências sobre micro-destilarias; e Harry Stokes, do Projeto Gaia, que falará sobre biocombustíveis para cocção, em substituição a combustíveis fósseis ou lenha e carvão vegetal. Participarão igualmente acadêmicos, representantes do setor privado (como a UNICA) e da sociedade civil (como a ONG The Nature Conservancy).

Programa:

13h00 – Palavras de abertura do Bem AMMA, Seguido de Suécia e EUA

13h15 – 13h45 – Painel de Especialistas
José Miguez (Secretário-Executivo da Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima); Thelma Krug (Pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE); Ricardo Dornelles (Diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do MME) e Guest Speakers (Eduardo Mallmann (USI); Harry Stokes (Projeto Gaia); representantes do setor privado e da sociedade civil.

13h45 – Debate

14h30 – Almoço

Fonte: www.cop15brazil.gov.br

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Energia solar se recupera e pode ter um novo boom


 

Apesar da crise econômica ter prejudicado o setor em 2009, a Alemanha quebrou o recorde de maior capacidade instalada em um único ano ao atingir a marca dos 3 GW, o que pode indicar uma nova expansão no mercado para os próximos meses

Tudo uma questão de planejamento. Os primeiros meses de 2009 foram terríveis para a indústria solar, com algumas empresas registrando perdas bilionárias. Porém, bastou o mercado começar a se recuperar para que o país mais preparado pudesse aproveitar os baixos preços dos componentes e dos painéis solares e mostrar porque é o líder mundial em renováveis.  
Há alguns anos o governo alemão resolveu adotar uma série de incentivos, incluindo tarifas feed-in, para as energias renováveis, principalmente para a eólica e solar. O investimento já foi mais que recompensado ao diversificar e limpar a matriz energética do país, e agora ganha novamente destaque por ter alcançado um número histórico: três gigawatts (GW) de capacidade instalada de energia solar apenas em 2009, o que faz a Alemanha produzir um terço de toda a energia solar do planeta, 5,3 GW de 15 GW.

A capacidade instalada este ano representa praticamente o dobro do volume de 2008, 1,6 GW. Indústrias do setor afirmaram que o baixo preço e a alta oferta de painéis foram os principais fatores responsáveis pelo crescimento, e que ele só não foi maior porque os fornecedores já estão no limite.

“Estamos surpresos como a demanda se fortaleceu. Apenas não alcançaremos mais de 3 GW porque não há mais capacidade. Estamos trabalhando no limite”, afirmou à Reuters o presidente da Associação das Indústrias Solares da Alemanha (BSW),Carsten Koernig.

De acordo com a BSW, esse crescimento recorde também se deve aos sinais do governo de que pode reduzir os incentivos para o setor nos próximos meses, já que considera que a indústria está madura e que não precisaria mais de tantos recursos públicos. Dessa forma, os investidores estariam aproveitando para começar projetos agora, para ainda serem favorecidos pelas atuais regras.

“Mas estamos confiantes que o governo não deseja colocar em risco a indústria, e se realmente acontecerem alguns ajustes, eles serão mínimos. O governo já nos deu importantes sinais de que ainda está apostando nas energias renováveis”, concluiu Koernig.

Projeções

Em 2009, a indústria experimentou um período ruim causado principalmente pela crise de crédito e o declínio de quase 50% nos preços de módulos solares.

Para o próximo ano, analistas estão prevendo uma grande melhora, com os produtos chineses tendo um maior impacto no mercado e com os cortes previstos nos incentivos europeus sendo menores do que era temido.

“Ainda existem algumas incertezas, mas acredito que em seis ou 12 meses o mercado solar estará bem melhor que agora e as ações valendo mais”, afirmou o analista da consultoria Cowen and Co, Rob Stone.

A queda dos preços dos painéis solares também deve se tornar um atrativo para novos investimentos. Espera-se uma redução de até 15% no custo deles, mas as empresas fornecedoras devem conseguir manter uma margem de lucro confortável pelo aumento de outros componentes, prevêem analistas.

O CEO da Q-Cells, Anton Milner, uma das maiores fabricantes de células solares do mundo, espera que a demanda cresça na primeira metade de 2010, um alívio depois ter tido prejuízos de quase um bilhão de euros nos primeiros nove meses de 2009. Outras empresas, como a Conergy e a Phoenix Solar, também tem essa visão, e aguardam um novo impulso no setor no próximo ano.

As previsões coincidem ao anunciar uma retomada na energia solar, assim como nas renováveis em geral, depois de um período de incertezas. Apenas na Alemanha, a indústria solar emprega 54 mil pessoas e movimentou € 9,5 bilhões em 2008.

Fonte: Carbono Brasil.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Energia geotérmica é nova aposta para renováveis

Por Sabrina Domingos, do Carbono Brasil

Aproveitar o calor do fundo da Terra para gerar energia é uma das mais novas apostas dos especialistas para produção de energia renovável no futuro. Técnicas avançadas permitem extrair o calor de rochas subterrâneas mesmo em locais onde não há atividade vulcânica. Pesquisas já estão sendo realizadas na Europa e, nos Estados Unidos, o número de projetos em desenvolvimento nessa área aumentou em 20% desde janeiro deste ano.

Em países onde há erupções vulcânicas, o uso dos gêiseres para movimentar geradores já é prática comum. Agora, cientistas desenvolvem mecanismos para trazer calor à superfície em qualquer lugar do planeta, imitando de forma artificial e controlada o funcionamento dos vulcões. Esse método é conhecido como Sistema de Engenharia Geotermal (EGS, sigla em inglês).

A idéia consiste em abrir buracos paralelos no solo, com alguns metros de distância entre eles, e continuar cavando até que se encontre rocha quente o suficiente (algo em torno de 200ºC). Em seguida, bombeia-se água fria em uma das aberturas para que saia pelo outro lado a uma temperatura elevada. A água superaquecida transforma-se em vapor, que pode ser utilizado para mover geradores e produzir energia elétrica.

A região de Soultz-sous-Forêt, a 50 quilômetros de Estrasburgo, na fronteira entre a França e a Alemanha, conta, desde junho, com uma central experimental para produzir 1,5 megawatt de energia. Os pesquisadores dos dois países têm utilizado o método para realizar experimentos na região da Alsácia. Eles fazem perfurações que chegam a 5 mil metros de profundidade e produzem gêiseres artificiais com capacidade de jorrar 100 litros por segundo. Ao chegar à superfície com uma temperatura de 163°C, a água injetada é suficiente para alimentar duas turbinas, cada uma com 25 megawatts.

Falta percepção

O pesquisador do Instituto Tecnológico de Massachusetts, Jefferson Tester, acredita que essa fonte de energia tem sido negligenciada porque é invisível. “Todos são capazes de sentir o vento ou o sol, mas poucos notam que o interior da Terra é quente, por isso ninguém pensa em escavar para buscar esse calor”.

Ele acredita que um investimento de cerca de 1 bilhão de dólares em projetos de demonstração nos próximos 15 anos poderiam mudar essa situação. “Isso forneceria informação suficiente para permitir que EGSs de 100 gigawatts fossem criados na América até 2050, a um preço comercialmente aceitável”, defende.

Os estudos realizados na Europa já indicam que as perspectivas são estimulantes. A tecnologia empregada permite escavar em profundidades cada vez maiores e com turbinas mais eficientes. Cálculos mostram que a 40 quilômetros de profundidade será possível aquecer água a 1.000°C.

Apesar disso, extrair energia do subterrâneo nem sempre foi tão fácil. Até a invenção do EGS, o campo era conhecido como “energia geotérmica de rocha seca quente”. Para extrair o calor de rochas impermeáveis como o granito, cuja a secura aumenta a capacidade de aquecimento, é preciso torná-las permeáveis – por isso a palavra “engenharia” foi incluída no novo nome do processo. Parte do bilhão de dólares proposto por Tester seria utilizado para descobrir como escavar esse tipo de rocha de maneira mais barata e eficiente.

Além do custo de exploração, outro problema para tornar a energia geotérmica viável é o possível risco de terremotos. Os micro-sismos revelaram-se os maiores empecilhos técnicos nas experiências realizadas na Alsácia. As pesquisas ainda precisam ser desenvolvidas a ponto de evitar que injeções de água em baixa temperatura não causem rachaduras na camada de rochas aquecidas.

* Com informações de The Economist.

(Envolverde/Carbono Brasil)

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Al Gore desafia os EUA a adotar energia renovável em 10 anos

O ex-vice-presidente dos Estados Unidos e ganhador do Prêmio Nobel da Paz, Al Gore, está desafiando os EUA a produzir toda a eletricidade que consome por meios ecologicamente corretos dentro de dez anos, um desafio que, ele espera, o próximo presidente americano aceitará.

Gore disse que os candidatos Barack Obama, de seu partido, o Democrata, e John McCain, republicano, estão "bem na frente" da maioria dos políticos na luta contra o aquecimento global.

O aumento nos custos do combustível e a ameaça à segurança nacional dos EUA representada pela dependência do petróleo estrangeiro conspiram para criar um "novo ambiente político" no qual, segundo Gore, será possível levar adiante medidas caras e audaciosas para libertar a nação dos combustíveis fósseis.

"Jamais vi uma oportunidade para o país como a que vejo agora", disse ele, antes de fazer um discurso sobre aquecimento global.

A Aliança para a Proteção Climática, um grupo bipartidário que ele preside, estima que o custo de transformar os EUA em um país de "energia limpa" será de US$ 1,5 trilhão a US$ 3 trilhões ao longo de 30 anos, em verba pública e privada. Mas o ex-vice-presidente diz que o preço de construir as novas usinas termelétricas a carvão para atender à demanda crescente é quase o mesmo.

Considerado um alarmista por adversários conservadores, Gore fez do combate ao aquecimento global uma cruzada pessoal, que já lhe rendeu, além do Nobel, um Oscar.

Ele sabe que os políticos temem agir, a menos que os eleitores estão dispostos a fazer sacrifícios. Ele comparou seu desafio ao lançado pelo presidente John F. Kennedy que, em 1963, assumiu o compromisso de levar um homem à Lua até o final daquela década.

Gore perdeu a eleição presidencial de 2000 para George W. Bush, numa campanha onde o aquecimento global não teve papel central.

Para atingir a meta de dez anos, Gore disse que a energia nuclear teria de ser mantida nos níveis atuais, enquanto a nação aumentaria de forma dramática o uso de energia solar, eólica e a chamada energia de carvão limpo. Grandes investimentos também teriam de ser feitos no combate ao desperdício e na ligação das redes existentes.

Se os EUA não agirem, disse ele, o preço do petróleo continuará a subir com o crescimento de economias como China e Índia. A dependência do petróleo também põe os Estados Unidos à mercê dos governos de países produtores, disse. (Fonte: Estadão Online)

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Mudança Climática: A hora da energia renovável

Por Stephen Leahy, da IPS

Kingston, Canadá, 26/06/2008 – A mudança climática arrasa os Estados Unidos para “uma crise muito mais séria” do que as Segunda Guerra Mundial, alertou o ambientalista David Suzuki na Conferência Mundial sobre Energia Eólica. Há 20 anos, um dos mais destacados cientistas norte-americanos, James E. Hansen, advertiu o Congresso de seu país sobre a ameaça da mudança climática e considerou em um informe perigoso deixar o tempo passar sem tomar medidas para minimizar o fenômeno.

Hansen, que trabalha na Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (Nasa), acaba de publicar novas pesquisas segundo as quais a concentração de gases causadores do efeito estufa chegou a um ponto em que pode desatar mudanças na atmosfera e nos oceanos que exigiriam milênios para serem revertidos. Para evitar isso, Hansen cobrou drásticas reduções nas emissões de dióxido de carbono, começando quase que imediatamente, e o abandono até 2030 das usinas de energia elétrica alimentadas com carvão. Os especialistas consideram que se trata de um grande desafio, mas que é possível conseguir isso.

Suzuki lembrou aos delegados que participaram da conferência que os Estados Unidos conseguiram responder ao enorme desafio que representou a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), assim como há 50 anos, quando hoje a extinta União Soviética colocou o primeiro satélite no espaço e depois o primeiro cosmonauta. “Os Estados Unidos estavam muito atrasados, mas a nação não se rendeu”, afirmou Suzuki. Esse país, que se beneficiou enormemente de seus investimentos em pesquisa espacial através de novas tecnologias como satélites, telefone celular, pilhas de combustível, etc., também criou o clima que deu a ele a supremacia no campo da pesquisa científica.

“Responder ao desafio da mudança climática não só reduzirá riscos para o planeta, como também a dependência dos combustíveis fósseis, ao mesmo tempo em que criará centenas de milhares de novos empregos e propiciará muitos benefícios tecnológicos”, disse Suzuki. A Alemanha já avançou em matéria de pesquisa técnica e desenvolvimento de políticas. Mais de 14% da energia consumida nesse país são de fontes renováveis, principalmente solar e eólica. Por outro lado, apenas 3,4% da eletricidade utilizada no mundo são gerados em fontes renováveis.

O Ministério do Meio Ambiente, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear da Alemanha estima que em aproximadamente uma década um terço da eletricidade produzida por esse país virá de fontes renováveis e não-nucleares. “A Alemanha tem mais de 240 mil postos de trabalho nesse setor”, disse à IPS Hermann Scheer, presidente do Conselho Mundial para a Energia Renovável, organização de empresas com sede em Bonn. “É o único caminho para resolver os dois maiores problemas que o mundo enfrenta: a energia e a mudança climática”, acrescentou.

Scheer é reconhecido como responsável pelo impulso da revolução alemã na área da energia renovável. Foi quem propôs a idéia, amplamente aceita, de reduzir seu preço por lei, bem como permitir a famílias e empresas gerar energia de fontes renováveis e vendê-la à rede elétrica por um preço superior ao triplo do em vigor no mercado. Os preços da energia aumentarão na medida em que se esgotarem os combustíveis fosseis. O uso mundial de energia aumentou 50% na última década, o que obriga os países em desenvolvimento a gastar com ela grande parte de seus recursos. Scheer destacou que a geração de energia é a que maior quantidade de água consome no mundo.

Considera uma fantasia pensar que a maioria das nações africanas ou em vias de desenvolvimento poderão construir novas unidades elétricas alimentadas com carvão ou nucleares, simplesmente por carecerem da água que elas requerem. “Sem energia nada funciona, por isso a humanidade caminha inevitavelmente para uma era de conflitos sangrentos”, afirmou. Mas, isso pode ser evitado se os governos colocarem como prioridade o uso de energia renovável, já que é falso dizer que não se pode gerar a quantia necessária, disse Scheer. “É completamente possível um pais como a Alemanha obter a totalidade de sua energia de fontes renováveis. Fizemos estudos que comprovam isso”, assegurou.

O Canadá poderia acabar com sua dependência dos combustíveis fósseis quadruplicando o número de turbinas de vento que tem atualmente a Alemanha, disse Paul Jipe, especialista em energia radicado nos Estados Unidos. “Como o Canadá emprega intensamente a energia hidrelétrica, poderia ser o primeiro país a se abastecer unicamente de fontes renováveis”, afirmou aos delegados. Mas, isso não acontecerá, porque o atual governo canadense está firmemente comprometido com os combustíveis fósseis. O Canadá se negou a patrocinar a conferência sobre energia eólica e a participar dela. Foram outros países e instituições, como a Alemanha e a Organização das Nações Unidas, que deram os fundos para que representantes do Sul pudessem estar na reunião.

O poderoso grupo de pressão da indústria dos combustíveis fósseis quer continuar obtendo lucro com seus investimentos na infra-estrutura existente, disse Scheer. Por isso, se deixar-se que as companhias elétricas tradicionais assumam a promoção da energia renovável haverá poucas mudanças, ressaltou. Não só é possível obter toda a energia necessária de fontes renováveis como, também, pode ser feito mais rapidamente e a um custo menor do que construindo usinas nucleares ou alimentadas com carvão, garantiu Scheer. “O público e o setor da energia renovável terão de pressionar duramente os governos para que as coisas mudem”, concluiu. (IPS/Envolverde)

(Envolverde/IPS)

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Óleos vegetais podem gerar energia para populações isoladas da Amazônia

O uso de óleos vegetais pode melhorar a condição de vida das populações ribeirinhas isoladas da Amazônia, que não têm acesso a energia elétrica ou têm um acesso precário. Os estudos serão apresentados pelos engenheiros Valéria Said de Barros Pimentel e Maurício Francisco Henriques Junior, na próxima "Terça Tecnológica", que acontecerá no próximo dia 17, às 14h30.

O chefe da Divisão de Energia, Maurício Henriques, apresentará um panorama da produção e consumo de energia elétrica na Amazônia. Neste quadro, serão mostradas as carências detectadas e algumas alternativas anteriores utilizadas pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT/MCT) para a produção de energia em regiões isoladas. Em seguida, será a vez da engenheira Valéria Said Pimentel, chefe da Divisão de Engenharia de Avaliação do INT, que apresentará estudo para aproveitamento da energia gerada a partir de fontes alternativas, especialmente óleos vegetais. Utilizando frutos da região, esses óleos são utilizáveis em geradores à diesel e, conforme será demonstrado, se adaptam especialmente aos pequenos grupos populacionais característicos da região Amazônica.

Veja aqui como participar.

Serviço
Terça Tecnológica
Tema: Óleos vegetais para geração de energia elétrica em comunidades isoladas
Data: 17 de junho
Horário: 14h30 às 16h30
Local: Auditório Fonseca Costa / Instituto Nacional de Tecnologia - av. Venezuela, 82 - Praça Mauá - Rio de Janeiro


(Envolverde/MCT)

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Fórum Global de Energias Renováveis inicia domingo no Paraná

Começa neste domingo (18), o Fórum Global de Energias Renováveis, em Foz do Iguaçu (PR). O objetivo é discutir alternativas para o desenvolvimento econômico sustentável a partir do uso de fontes “limpas e renováveis” na produção de energia elétrica (hidrelétricas, solar, eólicas e bioenergéticas). Especialistas e personalidades do Brasil e do mundo participam do evento que vai até o próximo dia 21 e é fruto de iniciativa do Ministério das Minas e Energia (MME) e da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (ONUDI).

Diante da preocupação com os danos causados ao meio-ambiente, a exemplo do aquecimento global e de problemas ocasionados pelos combustíveis fósseis, que além de poluentes estão se tornando cada vez mais escassos no mundo, especialistas buscam um diálogo pró-ativo e permanente entre países. Eles chamam a atenção para a conveniência do uso de fontes renováveis, tanto para o abastecimento de energia, quanto para a produção industrial em larga escala. O Brasil é um caso típico que reúne excelentes condições para o incremento de fontes limpas.

O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a Ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), foram convidados para fazer a abertura oficial do encontro no dia 18, às 18h30, acompanhados dos Ministros Edison Lobão (Minas e Energia), Miguel Jorge (Indústria e Comércio Exterior), além do Diretor-Geral da ONUDI, Kandeh Yumkella. Participam ainda o presidente José Antonio Muniz Lopez (Eletrobrás) e os diretores-gerais da Itaipu Binacional, Jorge Samek (Brasil) e Ramón Roa (Paraguai).

No dia 19, os participantes abrirão os trabalhos debatendo as tendências para a energia no cenário mundial. Na seqüência, dois temas importantíssimos entram em pauta: “As Conexões entre Mudança Climática, Segurança Energética e Energia Renovável” e as “Condições de Mercado para a Energia Renovável versus Combustíveis Fósseis”.

O aproveitamento e o papel das hidrelétricas (grandes e pequenas), em plena fase de expansão no Brasil, será destaque nas conferências do dia 20. O uso produtivo de fontes renováveis de energia e suas múltiplas possibilidades, especialmente na indústria e usos produtivos, fecham os debates neste dia. A mesa redonda de encerramento do Fórum Global acontecerá no dia 21, com o tema “Cenário Financeiro para a Energia Renovável”.

O Fórum também promoverá redes de relações comerciais entre regiões. Por este motivo, espera-se um aumento da atividade econômica e da geração de emprego e renda nas regiões menos desenvolvidas. Recentemente, a América Latina (o Brasil em particular) se mostrou como uma depositária de experiências valiosas neste contexto. A bem sucedida experiência brasileira com o desenvolvimento de fontes renováveis de bioenergia é um bom exemplo de oportunidades de negócios que podem ser levadas à arena internacional.

O evento termina com uma visita à usina de Itaipu. Coube à ONUDI e à Eletrobrás – e empresas do sistema (Itaipu, Furnas, Eletrosul, Chesf, Eletronorte, CGTEE, Eletronuclear e Cepel) – coordenar a logística e a organização do evento. As inscrições estão abertas e são gratuitas, lembrando aos interessados que as vagas são limitadas.

Mais informações e inscrições: http://www.renergybrazil2008.org/


Fórum Global de energias renováveis
Data: 18 a 21 de maio de 2008
Local: Hotel Bourbon Cataratas Resort & Convention Center
Foz do Iguaçu (PR)


(Envolverde/Assessoria)

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Fontes renováveis aumentam participação na matriz energética em 2007

O Brasil teve a participação de fontes renováveis - incluem energia hidráulica, produtos da cana-de-açúcar, lenha e carvão vegetal - na matriz energética ampliada em 2007, informou nesta quinta-feira (8) a EPE (Empresa de Pesquisa Energética).

Dados preliminares do BEN (Balanço Energético Nacional) indicam que as fontes renováveis foram responsáveis por 46,4% da oferta energética no país em 2007, totalizando 111 milhões de tep (toneladas equivalentes de petróleo). No ano anterior, essas fontes respondiam por 44,9% da matriz.

As fontes não renováveis - petróleo e derivados, gás natural, carvão mineral - corresponderam a 53,6% da oferta de energia no ano passado, ante participação de 55,1% em 2006. Ao todo, foram ofertados 128,3 milhões de tep oriundos de fontes não renováveis em 2007.

O presidente da EPE, Mauricio Tolmasquim, exaltou o fato de o Brasil ter um aproveitamento de fontes renováveis bem acima da média verificada em todo o mundo. A média é de um aproveitamento de 12,7% de fontes renováveis na matriz energética mundial.

A forte presença de fontes renováveis na matriz energética brasileira é decisiva para que o país tenha um número relativamente baixo de emissões de gás carbônico, em função da produção de energia. Cada habitante emite, em média, 1,84 t (tonelada) de gás carbônico. Nos Estados Unidos, essa média chega a 19,61 t por habitante. A média mundial é de 4,22 t de gás carbônico por habitante.

A cada tep produzido, o Brasil emite 1,57 t de gás carbônico. A média mundial é de 2,37 t de gás carbônico por tep gerado.

"Isso mostra que o Brasil tem melhor qualidade na matriz energética, com menos emissões de gás carbônico", resumiu Tolmasquim. (Fonte: Folha Online)

sexta-feira, 28 de março de 2008

Lei de energias renováveis é recebida com satisfação moderada

Adital - A lei de energias renováveis promulgada na semana passada pela presidente do Chile, Michelle Bachelet, foi recebida com satisfação moderada pelos ecologistas de Chile Sustentável. Com a lei, até 2010 5% da eletricidade do país deve ser produzida por energias limpas e nacionais.

Cifras que devem subir para que em 2015 se aumente 0,5% a cada ano, para chegar a significar pelo menos 10 % da energia elétrica no ano 2024. Será fomentada a construção de pequenas centrais hidrelétricas, além de projetos que aproveitem a energia eólica, solar, geotérmica, dos mares ou a da biomassa. Dita lei foi votada no Congresso em 5 de março.

A diretora de Chile Sustentável, Sara Larraín, disse que "esse novo instrumento legal, que enfrentou mais de um ano de tramitação parlamentar, significa um avanço porque é o primeiro que encaminha o nosso país para uma matriz elétrica mais limpa autônoma e que ajuda a corrigir a atual insegurança e dependência, mas por isso mesmo é um avanço moderado e insuficiente, pois ainda falta muito para conseguir esses objetivos na política energética".

A lei mantém o centro do desenvolvimento elétrico baseado em critérios de mercado e de negócio energético, "que são os vícios estruturais que motivaram a atual crise de abastecimento que enfrenta nosso país", acrescentou Sara. A diretora disse, no entanto, que a nova lei orienta claramente o Estado sobre o sector elétrico.

Atualmente, o Chile enfrenta uma grave crise energética, pois 60% da energia elétrica do país provêm de centrais hidrelétricas, enquanto o restante vinha do gás natural, importado unicamente da Argentina. Mas, esse envio sofreu uma forte restrição e agora os chilenos precisam ampliar a matriz energética do país.

quinta-feira, 27 de março de 2008

UE reconhece importância do etanol brasileiro

Embora sem acenar concretamente com qualquer possibilidade de a União Européia vir a liberalizar as importações do etanol brasileiro, em encontro no início da tarde de quarta-feira (19) com o presidente Luis Inácio Lula da Silva, no Itamaraty, o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, mostrou-se simpático à produção de biocombustíveis do País, tentando contornar a agenda negativa das relações entre o bloco europeu e o Brasil.

O presidente da Comissão Européia ressaltou a Lula a importância da produção de biocombustíveis e a necessidade de dar a ela sustentabilidade, abordando também, no encontro, a posição brasileira sobre mudanças climáticas.

Em conversa com os jornalistas, Durão Barroso foi enfático, destacando o papel de liderança do Brasil na produção de biocombustíveis e assinalando que a União Européia pretende trabalhar junto com o País para que os biocombustíveis "sejam sustentáveis e bons para o meio ambiente".

Lula convidou o presidente da Comissão Européia a participar em novembro, no Brasil, da Conferência Internacional de Biocombustíveis. (Estadão Online)

Europeus investem em energias renováveis no Brasil

O potencial brasileiro de geração de energia a partir de fontes renováveis está na mira de grandes grupos europeus, que estão intensificando os investimentos nessa área. De janeiro para cá, o País vem passando por um boom de negócios com esse perfil, envolvendo grupos como os franceses Areva e Velcan Energia, o português EDP e o espanhol Fortuny.

Petróleo caro, aquecimento global e abundância de recursos naturais no Brasil, como água, sol e ventos explicam o interesse dos grupos europeus. Além disso, as metas européias para redução dos gases de efeito estufa se tornaram mais rígidas, e um dos meios para buscar a redução da poluição é aplicar em projetos de energias limpas, com potencial para gerar créditos de carbono que podem ser negociados no mercado internacional. Até 2020, os países da União Européia tem que reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em 20%. "Aos olhos dos europeus, o Brasil é um dos melhores ambientes para se investir em energias limpas, por causa da abundância de recursos naturais e também por possuir domínio tecnológico na geração hídrica e a partir de biomassa", explica Marco Fujihara, diretor do Instituto Totum, consultoria especializada em sustentabilidade.

O negócio mais recente nessa área foi anunciado há três semanas pela Energias do Brasil, holding da gigante portuguesa Energias de Portugal (EDP). O grupo decidiu criar uma unidade de negócios para produção de energia renovável na América do Sul, o que inclui construção de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), usinas de biomassa e parques eólicos. "A criação da Enernova demonstra a nossa confiança no potencial desse segmento no Brasil", diz o diretor-presidente da Energias do Brasil, António Pita de Abreu. O objetivo nada modesto da Enernova é chegar a uma capacidade de geração de 1.000 megawatts (MW) até 2012, somente em PCHs. (Estadão Online)

Gore diz que Índia pode liderar tecnologias para energias renováveis

O ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore disse hoje (sábado) que a Índia tem capacidade para liderar o desenvolvimento de tecnologias aplicadas à geração de energias renováveis como parte da luta contra a mudança climática.

"A Índia demonstrou sua capacidade em setores como as tecnologias da informação e pode ser líder no mundo no desenvolvimento de novas tecnologias renováveis para combater a mudança climática", afirmou Gore, citado pela agência "PTI".

O ex-vice-presidente americano se encontra em Nova Délhi por ocasião do lançamento da iniciativa indiana dentro da organização Projeto Clima, uma instituição com sede nos EUA que apóia o ativismo ecológico realizado pelo ex-candidato à Casa Branca, segundo a "PTI".

Além disso, se referiu à aplicação de critérios de igualdade entre as potências ocidentais e os países em desenvolvimento sobre a redução de emissão de gases, dizendo que o importante é o uso de tecnologias eficientes, e não a comparação entre nações.

No entanto, reconheceu que os Estados Unidos devem implementar mudanças em sua política ambiental.

"Meu país é a maior fonte poluente e o maior responsável do problema. Temos que mudar as políticas".

Rajendra Pachauri, que preside o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU, afirmou que "um entendimento e conhecimento sem precedentes no mundo todo" são imprescindíveis para lutar contra a mudança climática.

Ele acrescentou que os líderes políticos, o mundo empresarial e a sociedade civil devem se aliar na busca por uma solução às questões do meio ambiente.
(Fonte: Yahoo!)

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Câmara dos Deputados terá comissão especial sobre energias renováveis

O presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), anunciou na quarta-feira (20) que a Casa vai instalar, nos próximos dias, uma comissão especial sobre fontes renováveis de energia. O objetivo, segundo Chinaglia, é criar um grupo para avaliar as propostas em tramitação na Câmara sobre fontes renováveis de energia e recursos para financiamento de pesquisas nessa área.

"Vou fazer uma negociação para ver quem pode e vai presidir e quem vai ser o relator, e imediatamente vamos instalar a comissão. A questão de energias renováveis tende a ser um tema permanente (na Câmara)", afirmou.

Chinaglia participou da abertura do Fórum de Legisladores do G8 (grupo que reúne os sete países mais industrializados e a Rússia) e países emergentes sobre mudanças climáticas, organizado pela Globe - Organização Mundial de Legisladores para um Ambiente Equilibrado. O encontro tem como foco a contribuição do Legislativo dos países envolvidos na busca de políticas globais pela redução de gases de efeito estufa, contra o aquecimento do planeta.

Segundo Chinaglia, mais que mudanças na legislação para o setor, a comissão deverá avaliar novas forma de investimento em pesquisa e tecnologia para que o Brasil não seja ultrapassado por outros países na área de biocombustíveis, por exemplo.

"A legislação existente é mais do que suficiente. Houve uma febre de investimentos em usinas, exatamente pelo potencial que o Brasil tem de produzir e exportar biocombustíveis, notadamente o etanol. Se houvesse insegurança jurídica, não haveria investimentos estrangeiros. Agora, quando se trata de legislação, sempre é possível aperfeiçoar", disse o deputado.

Quanto ao marco regulatório brasileiro sobre mudanças climáticas, discutido em uma comissão mista no Congresso, Chinaglia afirmou que o texto pode ser aprovado ainda neste ano, apesar da prorrogação da comissão por mais seis meses. (Agência Brasil)

domingo, 10 de fevereiro de 2008

MMA discute energia renovável na Alemanha

O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) convidou uma série de cientistas e especialistas internacionais para elaborar um relatório especial sobre fontes renováveis de energia. Entre os brasileiros está a Secretária de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do MMA, Thelma Krug. A primeira reunião do grupo será realizada de 21 a 25 de janeiro, em Lübeck, Alemanha.

Serão discutidos itens técnicos, sócio-econômicos e ambientais de fontes como biomassa, energia solar, geotérmica, hidrelétrica e eólica, entre outras, bem como segurança e fontes de financiamento para a adoção dessas tecnologias. Também serão abordados a capacidade de construção, transferência de conhecimentos e adaptação, utilização regional e barreiras de difusão.

O Brasil terá participação especial na reunião em função de seu conhecimento sobre o tema. Atualmente, metade (45,1%) da energia consumida no País é gerada por fontes renováveis, como biocombustíveis e energia hidrelétrica segundo informações Balanço Energético Nacional (BEN), documento do Ministério de Minas e Energia divulgado em 2007 (ano base 2006). Esse número coloca o Brasil em primeiro lugar entre os países que mais utilizam fontes renováveis em todo o mundo, as chamadas fontes limpas. Ainda de acordos com dados do BEN, a média mundial de utilização de energia renovável, em 2005, foi de apenas 12,7%, enquanto nos países da Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômicos (OCDE), está média foi ainda menor: 6,2%. (MMA)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Cana-de-açúcar domina áreas prioritárias para conservação do Cerrado

As áreas que o Ministério do Meio Ambiente definiu como prioritárias para a conservação do Cerrado estão sendo invadidas pelo cultivo da cana-de-açúcar, de acordo com um levantamento do Instituto Sociedade, População e Natureza, um centro de pesquisas sem fins lucrativos, divulgado nesta sexta-feira (30). O problema ameaça não apenas os recursos naturais da região, mas também as populações que vivem no local e a segurança alimentar dos moradores.

O Cerrado é o segundo bioma mais ameaçado do país, atrás apenas da Mata Atlântica. Se estendendo ao longo de cerca de dois milhões de quilômetros quadrados, faz ligação com todos os outros biomas do país, a Amazônia, a Caatinga, o Pantanal e a Mata Atlântica.

Como não existe um monitoramento oficial, fica difícil saber exatamente o quanto do Cerrado brasileiro está sendo destruído. Mas as estimativas indicam que o desmatamento na região seja ainda maior que o do Amazônia e que, ao longo dos últimos dez anos, o Brasil perdeu a metade da cobertura original de Cerrado.

Os pesquisadores do ISPN traçaram o perfil das grandes culturas da região, de acordo com Nilo D’Ávila, assessor de políticas públicas do Instituto. Ao analisar as áreas que o Ministério do Meio Ambiente havia declarado, em junho passado, como “prioritárias” para a conservação do bioma, eles levaram um susto.

“Surpreendentemente, as áreas em que o Ministério se debruçou, as que precisam ter atenção, estão repletas de cana”, afirmou D’Ávila ao G1. “Onde o Ministério finalizou que iria ter um trabalho, a indústria da cana está chegando primeiro”, disse ele.

É o caso dos municípios de Goianésia e Barro Alto, em Goiás, em uma região considerada uma prioridade “muito alta” para o uso sustentável, segundo o Ministério, que está “dominada pela cultura da cana”, segundo o levantamento do ISPN. O caso se repete em outras áreas goianas e em outros estados.

Na nascente do rio São Lourenço, no Mato Grosso, a cana-de-açúcar se espalha exatamente pela mesma área onde se deveria ser instalado um corredor de biodiversidade para migração das espécies. O centro do estado de São Paulo, área de prioridade “extremamente alta” para o MMA, está tomado pela cana.

Para Nilo D’Ávila, “já passou da hora do MMA fazer alguma coisa”. Ele sugere um plano de ação urgente, que envolva dois pontos principais. “Primeiro, é preciso criar um plano de combate ao desmatamento no Cerrado nos moldes do que já é feito na Amazônia”, afirma. “Em segundo lugar, é preciso definir regiões de proteção para instalação a curto prazo de projetos de sustentabilidade.”

Em resposta, o gerente de biocombustíveis e agronegócios do Ministério do Meio Ambiente, Mário Cardoso, afirmou que a definição das áreas prioritárias para conservação do Cerrado é algo ainda muito recente, e não houve tempo para o governo implementar todas as medidas que pretende.

Segundo Cardoso, o MMA deve finalizar o zoneamento agroecológico da região até junho do próximo ano. A partir de então será possível evitar que as áreas prioritárias sejam usadas para o cultivo da cana. "Há uma vantagem no caso da cana-de-açúcar que é a de que não existe cana sem usina. Sabemos quem é o dono de cada plantação e isso torna mais fácil controlar a área", explicou Cardoso. (Globo Online)

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Avião solar rende tecnologia para energia renovável eficaz

Um ano antes de seu vôo de estréia, o primeiro avião movido a energia solar já deu frutos na área de energia sustentável. Graças à necessidade de economizar peso, a aeronave Solar Impulse conseguiu reduzir pela metade o peso das células solares, além de melhorar a eficiência das baterias de lítio.

Um dos líderes do projeto e um dos pilotos do avião, André Borschberg, apresentou ontem em palestra em São Paulo o desenho final do protótipo da aeronave, revelado há uma semana na Suíça. Ele veio ao Brasil a convite da Solvay, multinacional suíça que é uma das patrocinadoras do Solar Impulse.

O protótipo deverá ter uma asa com 80 metros de envergadura quase toda coberta por painéis solares, "que são como filmes plásticos finos", segundo Borschberg.

A estrutura será feita de fibras de carbono e plásticos especiais; apenas o mínimo indispensável de metal será usado, na fiação elétrica.

Volta ao mundo - A idéia de construir o modelo - e usá-lo para dar a volta ao mundo - foi do explorador suíço Bertrand Piccard, o outro piloto. Ele percorreu o mundo em balão em 1999, e imaginou como seria fazer a viagem sem emitir poluição.

"É um símbolo do que precisa ser feito", diz Borschberg. Voar comercialmente com energia solar, porém, é algo ainda impensável e tecnologicamente distante.

Cada metro quadrado de painel solar produz só 30 Watts de energia por dia, segundo Borschberg. Com 200 m2, a energia "é a mesma de uma árvore de Natal com duzentas lâmpadas de 30 watts". A energia coletada de dia é armazenada nas baterias para uso de noite, e a velocidade do avião oscila de 50 km/h a 100 km/h. (Folha Online)

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Greenpeace recomenda energias renováveis contra previsões da AIE

A organização ambientalista Greenpeace destacou, em comunicado ao governo chinês, a importância de promover as energias renováveis para evitar as conseqüências negativas para o meio ambiente no país, previstas no relatório anual da AIE - Agência Internacional da Energia.

No comunicado, o Greenpeace recomenda aumentar e implementar os objetivos na área de energias renováveis e melhorar a eficiência energética. As medidas limitariam o crescimento do consumo de energia no país.

A organização ambientalista também lembra que China e Índia produzem cerca de 25% da eletricidade renovável no mundo. Mas o relatório da AIE prevê que os dois países construirão, até 2030, 57% das novas centrais elétricas utilizando carvão como combustível, as mais poluentes.

O relatório também afirma que, pouco após 2010, a China superará os Estados Unidos como o maior consumidor mundial de energia, devido às necessidades de sua indústria pesada e de transporte.

O especialista em energia do Greenpeace, Sven Teske, disse que o cenário descrito pela AIE "não é inevitável e não leva em conta as opções realistas de limitar as emissões de dióxido de carbono na China e na Índia".

O trabalho de Teske demonstra que grandes investimentos em energias renováveis e tecnologias de eficiência energética podem estabilizar as emissões de dióxido de carbono nos níveis atuais até 2050.

Para o Greenpeace, o combate à mudança climática requer que os países industrializados reduzam as suas emissões de CO2 em 30% em relação ao nível de 1990, até 2020, em lugar do aumento de 15% previsto no relatório da AIE.

Folha Online