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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Além da meta de dois graus

Por Oliver Gedenis* 

Nos círculos internacionais de políticas climáticas existe um amplo consenso sobre a meta de limitar o aquecimento global a um máximo de dois graus acima dos níveis pré-industriais. Ainda assim, atingir essa meta é quase impossível.

Mas se os líderes mundiais abandonarem esse alvo, terão de tomar uma decisão estratégica fundamental em relação à estrutura e aos níveis de exigência de um novo objetivo climático. Portanto, é preciso uma mudança de paradigma. A abordagem científica da tradução da temperatura global em orçamentos nacionais de emissões precisos é politicamente inviável. Em vez disso, países com uma forte agenda de política climática devem defender fórmulas dinâmicas para fixação de metas.

O alvo dos dois graus é o ponto primário de referência para o debate atual. Um aumento correspondente na temperatura média global é normalmente visto como o limite além do qual os efeitos das mudanças climáticas começam a ficar perigosos. Mas, ao contrário da crença generalizada, o último relatório de avaliação do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC) não ligou para a meta dos dois graus, o que, desde o final dos anos 90, tem surgido como um símbolo e um ponto de orientação para uma ambiciosa, porém realista, agenda climática global.

A União Europeia foi a primeira força a impulsionar o alvo dos dois graus internacionalmente. Os ministros do ambiente europeus têm defendido a meta desde 1996. À frente da Conferência de Copenhagen, em 2009, a União Europeia conseguiu fazer com que todos os parceiros relevantes no âmbito das negociações incluindo até China, Índia, Rússia e Estados Unidos se comprometessem com a meta.

Dado que a quantidade de gases de efeito estufa (GEE) emitida até agora vai aumentar as temperaturas em 1,5°C em comparação com a época pré-industrial, decisões políticas maiores são necessárias para garantir o cumprimento da meta de dois graus. A ciência climática pressupõe que o pico das emissões globais deve ocorrer dentro dos próximos anos. Atualmente, entretanto, há poucos indícios de que uma reversão de tendências será mesmo visível no horizonte.

Então, até certo ponto no futuro próximo, um crescente número de vozes da comunidade científica deve definitivamente rejeitar a possibilidade de manter essa meta. Quando isso acontecer, simplesmente defender um alvo mais suave, de 2,5°C ou 3°C, não será suficiente.

De acordo com o paradigma atual, a meta global é definida por categorias científicas e entendida como um limite máximo absoluto. Dada essa abordagem, todos os esforços iniciais têm buscado criar um acordo climático global, levando a um forte foco em negociações globais, negligenciando os esforços concretos de descarbonização por países industrializados e em industrialização.

O resultado é um empate, porque os governos podem sempre culpar pelas falhas a falta de ação dos outros. Mesmo os EUA têm usado esse argumento para justificar sua recusa para aumentar a redução de emissão de GEE de 20% para 30% até 2020.

Um paradigma alternativo teria que combinar realismo com uma visão global positiva. Uma possibilidade é estabilizar uma neutralidade climática como um objetivo global de longo prazo, trabalhar para reduzir em rede as emissões de GEE. Mesmo que esse objetivo fosse inicialmente ligado a um calendário definido de forma ampla, ele estabeleceria o padrão para a ação, segundo o qual todos os países teriam de se basear.

Dentro desse quadro, ambiciosos atores da política climática como EUA, Suíça ou Japão enfrentariam a tarefa de se comprometer com medidas exatas de descarbonização. Eles teriam de reunir provas de que a transição para uma economia de baixo carbono é tecnicamente viável e rentável, gerando efeitos positivos não só para o clima, mas também para os preços da energia e para a segurança do abastecimento. O sucesso estimularia outros países do G-20, atuando fora do auto-interesse, a seguir os passos dos líderes do clima.

Esse tipo de abordagem, de baixo para cima, levaria a significativas reduções de emissões. Para ter certeza, seria impossível de prever, com base no princípio favorecido atualmente, de cima para baixo, quanto de aumento da temperatura o mundo suportaria. Dado que a exploração a um limite de temperatura estrito não é uma opção politicamente viável, focalizando a política do clima em benchmarks flexíveis, tais como a neutralidade do clima , seria mais eficaz no curto prazo e mais promissora no longo prazo.

*Oliver Gedenis é pesquisador sênior no SWP, o maior centro de estudos alemão de política de segurança e relações exteriores.

(Envolverde/Zero Hora)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Conferência da ONU surpreende e fecha acordo climático

Fundo verde prevê US$ 100 bilhões anuais para auxiliar países pobres

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Foto: arquivo
Para colocar um fim na onda de desmatamentos, países pobres receberão indenização, prevê acordo
Os mais de 190 países que participam da 16ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP-16) concordaram neste sábado com um pacote de iniciativas que inclui bilhões de dólares para um fundo para países pobres, embora não tenham conseguido adotar um acordo vinculante em meio a um impasse entre Estados Unidos, China, Japão e outros países.
O acordo pede que países ricos cortem suas emissões de gases de efeito estufa nos percentuais prometidos um ano atrás, embora esses cortes não sejam legalmente vinculantes. Países em desenvolvimento devem desenvolver projetos para cortar suas emissões num esforço mundial para limitar o aquecimento global em menos de 2ºC acima dos níveis pré-industriais. O acordo inclui planos para a formação de um fundo verde de US$ 100 bilhões por ano, que países ricos disponibilizarão até 2020 para ajudar os países pobres a financiar programas para o corte de emissão de gases e a lidarem com a seca e outros efeitos do aquecimento global.
Felipe Calderón, presidente do México, país anfitrião do evento, elogiou os delegados por abrirem a um novo caminho na luta contra as mudanças climáticas. "Hoje, com esta conferência, temos a oportunidade de começar a construir uma nova história na qual o crescimento econômico, a luta contra pobreza e a vida em harmonia com o meio ambiente está ao nosso alcance", disse ele.
Calderón lembrou que embora o acordo não tenha conseguido assegurar medidas que garantam profundos cortes de emissões, a confiança e o clima de otimismo entre os participantes da conferência de Cancún vai ajudar os países a chegarem a um acordo mais abrangente.
O impasse entre os Estados Unidos, China, Japão, Índia e outros países congelou as negociações sobre o tratado climático global e colocou em questão o futuro do Protocolo de Kyoto. Mas diplomatas disseram esperar que as discussões em Cancún possam abrir caminho para um tratado legalmente vinculante sob os qual governos se reúnam novamente durante a reunião sobre o clima no ano que vem, que vai acontecer em Durban, na África do Sul.
O Japão disse que não vai se comprometer com uma segunda fase do Protocolo de Kyoto a menos que os maiores emissores do mundo de gases de efeito estufa como China, Estados Unidos e Índia, concordem em cortar suas emissões tendo como base um acordo legalmente vinculante. A primeira fase do tratado será encerrada em 2012.
Os Estados Unidos, que assinaram mas nunca ratificaram o Protocolo de Kyoto, argumentam que não vão concordar com cortes obrigatórios a menos que a China e outras economias em rápido crescimento também limitem suas emissões. Mas durante as negociações climáticas um ano atrás em Copenhague, Estados Unidos e China apresentaram compromissos voluntários para o corte de emissões de gases de efeito estufa. A China continua afirmando que, como um país em desenvolvimento, não tem recursos ou responsabilidade de cortar agressivamente suas emissões durante o período em que sua economia está crescendo.
Inicialmente, a Índia apresentou o mesmo argumento, embora o país tenha suavizado sua posição nesta semana, dizendo que vai considerar a hipótese de concordar com cortes obrigatórios no futuro.
Fonte: Agência Estado

Biólogo e educador faz balanço ambiental da década

O debate sobre o meio ambiente e sobre o aquecimento global muitas vezes se ressente da interferência política e ideológica, que conduz à radicalização de posições, bem como da simplificação das questões essenciais para facilitar a compreensão do assunto. Sem falar dos estereótipos que se criam no imaginário público. Nesse sentido, é esclarecedor ouvir a voz do cientista e educador Nelio Bizzo sobre o tema.

Bizzo é biologo com doutorado em Educação e pós-doutorado na Universidade de Leeds (Inglaterra). Foi representante do Brasil no primeiro projeto educacional internacional sobre Mudanças Globais promovido pelo International Council of Scientific Unions (ICSU) na década de 1990, que produziu material didático utilizado em diversos países. Atualmente, é fellow da Society of Biology (Londres) e professor visitante da Universidade de Verona, na Itália, de onde concedeu a entrevista que segue.

UOL Ciência e Saúde: Pode-se dizer que a discussão sobre o meio ambiente ganhou mais peso nesta década em relação aos anos 1980 e 1990? Por quê?

Nelio Bizzo: É difícil responder a pergunta, mas eu diria que, se de fato a questão ambiental ganhou peso, isso se deve mais a uma oferta de novos produtos “verdes” do que propriamente a uma efetiva mudança da demanda dos cidadãos. Na Europa, onde tradicionalmente se troca pouco de carro, hoje se anunciam modelos híbridos com forte apelo ambiental (e que custam o dobro!). A indústria do macarrão na Itália faz propaganda de uma pirâmide alimentar ambiental, onde o macarrão com ovos demonstra ser, na verdade, “verde”. As bicicletas híbridas “inteligentes” têm motor elétrico de última geração (o Kers da Fórmula 1) e custam o mesmo que um automóvel, mas têm forte apelo ambiental. Muitos governos se oferecem para pagar parte do custo da bicicleta híbrida inteligente se o cidadão declarar que vai usá-la para trabalhar. Isso gera incentivos para a indústria de alta tecnologia local e, ao mesmo tempo, serve de justificativa de cumprimento dos acordos internacionais de redução de emissões.

UOL Ciência e Saúde: Nas discussões sobre as mudanças climáticas há duas vertentes básicas – os que veem o homem como principal causador do aquecimento global, e os negacionistas, que negam a influência humana nesse fenômeno. Especulações, como a realizada pelo IPCC, da ONU, sobre o derretimento precoce das geleiras do Himalaia, acabaram reforçando a opinião dos negacionistas. Como o senhor enxerga esse debate?

Nelio Bizzo: Não creio que os negacionistas tenham conseguido demonstrar má-fé dos membros do IPCC. O fato é que os que apontam o ser humano como causador das mudanças não formam um grupo homogêneo e coerente. Os ditos negacionistas tampouco formam um bloco único e não podem ser reduzidos a meros testas de ferro da indústria do petróleo. Há fortes interesses econômicos de um lado e de outro. Creio que há um polo muito dinâmico, representado pelos setores de alta tecnologia, que incentiva a ação ambiental, e que tem sido chamado de “neocapitalista”. O discurso ambiental está também presente em certos críticos do capitalismo, que denunciam a falsidade do discurso ambiental dos “neocapitalistas”, pois a lógica capitalista conduziria inexoravelmente ao apocalipse ou a algum tipo de catástrofe. Para eles o desenvolvimento econômico deve ser freado parcial ou totalmente, o que só seria possível com uma economia planificada. De outro lado, há os que exploram os erros ou os exageros do movimento ambientalista, seja com argumentos sólidos, seja com sofismas. De qualquer forma, depois de viver algum tempo na Europa, vejo que existe uma percepção generalizada da gravidade do problema ambiental e de que ele é real. Energia solar e eólica, veículos híbridos, economia de energia, incentivos fiscais ambientais etc. estão cada vez mais presentes nas conversas do dia a dia das pessoas.

UOL Ciência e Saúde: A sociedade industrial ou pós-industrial tornou-se dependente dos combustíveis fósseis. Pensando no médio prazo, quais as fontes de energia que podem substituí-los sem provocar outros danos ao meio ambiente?

Nelio Bizzo: O problema dos combustíveis fósseis é que eles liberam carbono que, de outra maneira, ficaria aprisionado no subsolo. Hoje não é possível continuarmos a ensinar no ensino médio o ciclo do carbono como se o petróleo não fosse intensamente queimado em todo planeta. Mas não podemos deixar de pensar que terremotos, sobretudo no fundo oceânico, liberam grandes quantidades de metano, 16 vezes mais potente do que o CO2 como agente do efeito estufa. A produção de matéria orgânica depende de nitrogênio e - o que pouco se fala – a indústria de fertilizantes tem muito a ver com os problemas ambientais atuais. Muito do metano que se evade para a atmosfera provém, em última análise, da matéria orgânica adicional originada da enorme quantidade de nitrogênio bioassimilável produzido pela indústria a partir do início do século 20. Enfim, não há um único “vilão” do ambiente e não se poderia apontar o carbono isoladamente como tal. Porém, como o carbono que se acumulou no subsolo ao longo de centenas de milhões de anos, sua liberação, e ainda mais, em ritmo acelerado, certamente traz grande impacto sobre os ecossistemas. Assim, pensa-se atualmente em combustíveis que não emitam gás carbônico ou que o assimilem em sua produção, como é o caso do etanol brasileiro. A energia nuclear volta a ser pensada seriamente, mesmo por aqueles que a combateram no passado, como é o caso de James Lovelock, uma pessoa que admiro muito. Ele faz parte de um grupo que acredita que a quantidade de energia necessária para a população atual não pode ser suprida por fontes limpas, como a solar e eólica. Esse grupo propõe a volta da energia nuclear, em centrais nucleares pequenas e seguras.

UOL Ciência e Saúde: É possível conciliar a necessidade de as empresas explorarem as riquezas naturais com a preservação do meio ambiente? E que vantagens as empresas podem ter, caso concordem em atuar tendo em vista a proteção do meio ambiente?

Nelio Bizzo: Os diferentes países sabem que têm potenciais econômicos distintos. Alguns se preparam para o futuro, outros sabem que não têm condição de fazer isso. Uma das grandes empresas de telefonia celular do Báltico era, no passado, uma empresa madeireira. Ela teve a ousadia de se preparar para enfrentar o futuro, diante da evidente limitação imposta pelo ambiente. A questão é se isso é possível em termos globais. Na prática, o que essa empresa fez foi deslocar a produção de celulose do norte do planeta para uma região mais meridional. Isso é o que discute hoje, ou seja: é possível que as empresas se tornem “verdes” em termos globais? Alguns dizem que não, pelo menos em termos da atual organização econômica capitalista. Outros acham que isso é possível. Eu particularmente acredito que apenas uma mudança radical no padrão de consumo permitirá uma mudança global e isso dependerá essencialmente da consciência do cidadão como consumidor e de um rearranjo das relações entre blocos de países.

UOL Ciência e Saúde: Que iniciativas mais contribuíram para a diminuição dos danos já causados ao meio ambiente?

Nelio Bizzo: Seria difícil fazer um ranking, mas creio que um dos acordos internacionais mais bem sucedidos tenha sido o Protocolo de Montreal, de 1987, no qual os países se comprometiam a reduzir dramaticamente o uso de gases que destroem a camada de ozônio. Ficou demonstrado que quando os países estão realmente dispostos a estabelecer e cumprir metas, isso é conseguido. Novamente, as pessoas tiveram que se conformar e ter aparelhos de ar condicionado mais caros e menos eficientes, em fazer mais força para nebulizar desodorantes e até abandonar certos dispositivos (como abridores de garrafa a base de freon), mas ficou demonstrado que é possível conciliar metas ambientais e padrões de produção e consumo globais. Devemos a uma série de cientistas, inclusive James Lovelock, o entendimento do que estava acontecendo no planeta. Assim como hoje, havia os negacionistas, que acreditavam que o aumento da radiação ultravioleta na superfície de nosso planeta era decorrente de uma simples mudança da emissão do Sol. Todavia, deveremos esperar até 2050 para ver se realmente funcionou. Aliás, o sucesso desse acordo é uma razão adicional para acelerar as tratativas para redução das emissões dos gases estufa, pois o fechamento do buraco de ozônio na Antártica diminuirá as correntes descendentes de ar superfrio da alta atmosfera, que explicam a razão daquela região sofrer menos os efeitos do aquecimento global do que o Polo Norte.

UOL Ciência e Saúde: No início da década, Al Gore por pouco não se elegeu presidente dos EUA. Sete anos depois, ele ganhou o Prêmio Nobel da Paz, por seu ativismo ambientalista. No Brasil, a candidata do Partido Verde, Marina Silva, teve expressiva votação na última eleição presidencial. Em 2010, na França, o PV também obteve votação significativa. Na Alemanha, o PV atingiu a maior popularidade de sua história. A que você atribui o sucesso dos “verdes” na década de 2010?

Nelio Bizzo: Não penso que seja um único fenômeno. Al Gore se desmoralizou diante da divulgação do dispêndio energético de sua mansão, e, ademais, não podemos nos esquecer que ele foi o autor da tese do “dumping social” dos países pobres, ao justificar o protecionismo econômico de seu país. O sucesso dos verdes na Europa tem mais a ver com o fracasso da esquerda, sobretudo na França. Marina Silva teve um sucesso inesperado, que surpreendeu a todos, mas ela não tinha condição de transferir votos, o que demonstra que seu eleitorado era pouco ligado à sua pessoa e suas ideias. Ela é muito carismática, pois tem um ar desarmado que é muito sedutor na política. Mas não sei se seu eleitorado sabe ao certo o que ela pensa. Eu mesmo nem acredito que ela seja criacionista e que pense seriamente que toda a biodiversidade da Amazônia estava dentro da arca de Noé!

Fonte: PorAntonio Carlos Olivieri e Érika Finatti - UOl Ciência e Saúde

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Brasileiro está ficando mais preocupado com o aquecimento global

Pesquisa mostra que para 60% dos entrevistados mudanças climáticas são algo muito grave

O aquecimento global está deixando o brasileiro mais preocupado. Pesquisa da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e do Ibope apresentada nesta terça-feira (7) na Conferência do Clima, em Cancún, mostrou que o aquecimento global foi considerado muito grave por 60% dos entrevistados. Na pesquisa realizada no ano passado, 47% pensavam dessa forma.

Mas é o desmatamento das florestas o tema ambiental que mais preocupa o brasileiro. Ele foi citado por 44% dos entrevistados, seguido pela poluição da água (32%) e pelo aquecimento global (26%).

A pesquisa também mostrou que 47% dos entrevistados acreditam que é possível conciliar proteção ambiental com crescimento econômico, e 51% aceitariam pagar mais por produtos ecologicamente corretos.

“Isto desmente algumas antigas crenças de as pessoas achassem que o desenvolvimento pode ser barrado pela preservação do meio ambiente”, disse Heloisa Menezes, diretora de Relações Institucionais da CNI.

A maioria dos pesquisados (78%) atribui às ações humanas o fato de a temperatura da Terra estar aumentando; 11% acreditam que o aquecimento global é um processo natural; e os outros 11% não souberam responder.

Fonte: Maria Fernanda Ziegler - IG

Brasil protagoniza manifestações na COP-16


A faixa foi assinada por Greenpeace, Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, Observatório do Clima e Grupo de Trabalho .... Foto: Greenpeace/Divulgação
A faixa foi assinada por Greenpeace, Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, Observatório do Clima e Grupo de Trabalho Amazônico
Foto: Greenpeace/Divulgação
O Brasil fez parte de protestos realizados na manhã desta quarta-feira em Cancún, no México, onde está sendo realizada a 16ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-16). Com críticas e elogios.
Na primeira categoria se encaixa a campanha contra a aprovação do projeto do Código Florestal, que está pronto para ser votado no plenário da Câmara dos Deputados.
A faixa com os dizeres "Mudar Código Florestal = um Natal sem árvores" foi assinada por Greenpeace, Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, Observatório do Clima e Grupo de Trabalho Amazônico.
O Código Florestal também foi abordado pela publicação Eco, distribuída por Organizações Não Governamentais e de grande circulação na COP-16. O jornal classifica de "vergonhosa" a movimentação de partidos para acelerar a votação e afirma que a aprovação do código coloca toda a floresta brasileira novamente em risco.
Top ecológica
Outra manifestação vista hoje na Cancunmesse, uma das sedes da COP-16, trouxe a foto da top brasileira Gisele Bündchen, apoiando a campanha "Pare de falar. Comece a plantar". A proposta das fotos em que crianças cobrem a boca de personalidades é conscientizar a respeito dos problemas causados pelas mudanças climáticas.
Em Cancún, a campanha pretende convidar autoridades de diversos países para plantar árvores nos jardins do hotel que concentra as principais atividades da conferência, incluindo as plenárias em que presidentes e ministros discursam.
Motossera de Ouro Em release distribuído à imprensa também nesta quarta, o Greenpeace divulgou uma ação voltada diretamente para a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Ela teria recebido de uma ativista do movimento indígena da Amazônia uma réplica dourada de uma motossera, na entrada do hotel em que está hospedada em Cancún.
O release critica a "bancada da motosserra" que estaria trabalhando para que "um novo e enfraquecido código seja votado a qualquer preço, ainda este ano". "As alterações no Código Florestal representam um retrocesso em uma das legislações florestais mais avançadas do mundo", disse o representante da Campanha Amazônia da ONG na COP-16, André Muggiati, no texto divulgado.
Por Claudia Andrade - Terra

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Cancun enfrenta polêmica sobre novo prazo para protocolo de Kyoto

Após um dia de discursos em defesa do consenso, a 16ª Cúpula da ONU sobre Mudanças Climáticas chega ao seu segundo dia e a temperatura das negociações esquenta. O negociador chefe do Brasil na COP-16, embaixador Luiz Alberto Figueiredo, afirmou que é preciso avançar rápido na substituição do protocolo de Kyoto, principal questão a ser tratada no encontro, visto que a vigência deste protocolo vai apenas até 2012.

A cena em Cancun é complicada, porque a grande pauta do Grupo dos 77 países mais China é que haja uma emenda para um segundo período de compromisso do Protocolo de Kyoto, que é o centro das negociações, no entanto as probabilidades um pacto deste tipo ainda parece distante.

Para o embaixador Luiz Alberto Figueiredo, negociador chefe do Brasil na Conferência do Clima (Cop-16), embora não haja um prazo formal para as decisões sobre a substituição do protocolo de Kyoto, é preciso avançar rápido, caso contrário não haverá nenhuma implementação nem neste, nem nos próximos anos. Uma das grandes discussões da COP-16 é saber que o que será feito quando o protocolo sair de vigência, em 2012.

“Estamos aqui, depois de Copenhague, para andar para frente. Muitos vão dizer que os problemas de Copenhague, como a crise econômica, dificuldades políticas, permanecem e que o cenário não mudou. Mesmo assim, acreditamos que vamos sair de Cancún com um resultado positivo de adotar ações direcionadas”, disse Figueiredo.

Responsabilidade maior

Outros embaixadores da América Latina concordam com Figueiredo acerca da importância do tema, mas jogam o peso da responsabilidade dos chamados países desenvolvidos para o sucesso das negociações de forma mais incisiva: "este é o tema mais controverso, não é financiamento, nem a transferência de tecnologia, mas a limitação do aquecimento global, medida que exige que os países desenvolvidos reduzam suas emissões entre 2012 e 2017", considerou o embaixador da Bolívia para as Nações Unidas, Pablo Solón.

Mas a realidade é que "os países desenvolvidos não querem aporvar nesta reunião a introdução de um segundo período de compromisso do protocolo de Kyoto", avalia Solón, que também é o negociador-chefe de seu país nas questões do aquecimento global. "Esta reunião de Cancun terá sucesso se houver uma emenda com reduções drásticas nas emissões nos próximos anos, que permitam estabilizar a temperatura em 1,5 graus Celsius para menos, até um aumento máximo de um grau", disse o diplomata.

Na sua opinião, o que coincide com os representantes dos outros países em desenvolvimento, se esta alteração não for aprovada, haverá uma lacuna na implementação do protocolo após o primeiro período que termina em 2012, e uma situação em que os níveis de emissão poderão disparar de forma incontrolável. "Isso vai causar um aumento da temperatura em mais dois, três ou quatro graus Celsius, com conseqüências terríveis para a humanidade e a vida no planeta como um todo", disse o embaixador.

Kyoto ou Conpenhague?

O protocolo de Kyoto foi adotado nessa cidade japonesa em 1997, não foi ratificado pelos Estados Unidos, e apresenta o objetivo de reduzir até 2012 as emissões de gases de efeito estufa em uma média de 5,2 por cento, em comparação com os níveis 1990. O acordo deixa de valer a partir de 2012, fato que torna urgente alguma decisão sobre um novo tratado global.

De acordo com o embaixador brasileiro, há duas correntes sobre este assunto. Alguns países defendem que o ideal seria estender as mesmas metas do Protocolo de Kyoto por mais dois anos, enquanto outros acreditam que o melhor seria cruzar os números discutidos no acordo de Copenhague e implementá-lo provisoriamente.

Mesmo com as duas opções, Figueiredo não descarta a possibilidade de o mundo passar por um período sem a vigência de um protocolo que regulamente metas de redução das emissões. “É uma possibilidade real termos um intervalo entre o fim do comprimento do primeiro protocolo de Kyoto e do segundo que ainda está porvir”, disse.

Figueiredo explicou que implementação provisória – medida que permite que a conclusão de uma negociação entre em vigor antes do período de ser ratificada por outras partes - é encarada de maneira diversa entre os países. “Alguns países têm mais dificuldade em aceitar isso do que outros. Não é uma tradição na América Latina, por exemplo, mas é muito comum em países anglo-saxões”.

Imperialismo em Copenhague

Outra aresta bastante polêmica nas negociações em curso são as conseqüências da cúpula anterior, em Copenhague, principalmente por conta da posição de Washington e outros, que insistem em condicionar o financiamento aos países em desenvolvimento, ignorando os princípios da Convenção Marco da ONU sobre Mudanças Climáticas. "Tem havido mecanismos de chantagem e pressão para que países em desenvolvimento mudem sua posição, para evitar serem penalizados com o não envio de auxílios (econômicos), como foram os casos da Bolívia e do Equador", lembrou o diplomata boliviano.

"Por nós não termos assinado o chamado Acordo de Copenhague", ressaltou, "os Estados Unidos cancelaram um auxílio de três milhões de dólares para ações de mudança climática na Bolívia, e, para o Equador, de 2,5 milhões de euros". Solón disse ainda que outros países em desenvolvimento certamente foram submetidos a pressões similares para apoiar esta proposta, que começa a mudar o princípio da convenção, de que todos temos responsabilidades comuns, porém diferentes.

"O que significa isso? Que os principais responsáveis pelo aquecimento global são fundamentalmente as nações industrializadas, que deram origem ao que foi o nascimento do capitalismo, 250 anos atrás", explicou o embaixador boliviano.

"Se pudéssemos examinar a atmosfera de maneira que nos permitisse ver onde foram feitas a maioria das moléculas de CO2 que existem, encontraríamos os dizeres 'made in EUA', 'made in países da União Europeia'", ilustrou Solón.

Distribuição injusta da atmosfera

Na sua opinião, há uma distribuição injusta da atmosfera, uma vez que 75 por cento das emissões de CO2 são provenientes de países desenvolvidos, que são identificadas no Anexo 1 da Convenção. "E os países em desenvolvimento, que representam 80 por cento da população mundial, têm uma participação de apenas 25 por cento nesta contaminação. Por isso essa questão das responsabilidades diferenciadas nocontexto de que todos temos que fazer alguma coisa", disse o embaixador.

"O que buscam com o acordo de Copenhague? Remover esta diferença. E então os Estados Unidos, a União Européia, o Japão, o Canadá e outros países passam a ser mais um, como se esse problema tivesse sido iniciado no ano passado ou há 10 anos atrás, quando na verdade o problema remonta há muitíssimos anos", disse ele.

Nos últimos dias, o Japão reiterou que não vai apoiar a proposta de estender o protocolo para além de 2012, apesar desse auspicioso documento ter sido aprovado em Kyoto, uma das suas emblemáticas cidades.

A reunião de Cancun, da qual participam representantes de quase 200 países, vai até o dia 10 de dezembro e será substituída em 2011 pela 17ª Cúpula, a apenas um ano do prazo de expiração do controverso Protocolo de Kyoto.

Fonte: Vermelho, por Luana Bonone, com informações da Prensa Latina e do IG

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

São Paulo sediará encontro sobre o clima em 2011

por Fernanda Dalla Costa — última modificação Aug 03, 2009 10:53 AM
A cidade de São Paulo sediará o 4º Encontro sobre Mudanças Climáticas (Climate Summit) em 2011, realizado pelo grupo C40, rede internacional formada por representantes das maiores cidades do mundo, informou a Prefeitura de São Paulo à imprensa.
São Paulo sediará encontro sobre o clima em 2011
São Paulo - sede do 4º Climate Summit, em 2011
O anúncio aconteceu no dia 20 de maio, em Seul, no encerramento do 3º Climate Summit, encontro promovido pelo C40 e pela Fundação Clinton, que acontece a cada dois anos com o objetivo de discutir políticas públicas de combate às mudanças climáticas.
Ao anunciar oficialmente a sede do próximo encontro, David Miller, presidente da C40 e prefeito de Toronto, afirmou que a escolha é um reconhecimento à cidade de São Paulo, pelos esforços realizados no combate à poluição e pelo desenvolvimento de políticas públicas voltadas à preservação do meio ambiente.
O representante da Fundação Clinton no Brasil, integrante do C40, Adalberto Felício Maluf Filho, compartilha a idéia de Miller.
"A escolha da cidade de São Paulo para sediar o próximo Climate Summit representa o reconhecimento ao trabalho que vem sendo feito", declarou.
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, afirmou que a cidade de São Paulo está consciente da sua responsabilidade e destacou a importância do encontro acontecer numa cidade do hemisfério sul.
"Trata-se, sem dúvida, de um sinal político importante, que confirma a intenção do C40 de consolidar-se como uma rede verdadeiramente global e atenta às necessidades específicas das grandes cidades do mundo em desenvolvimento", afirmou.
A cidade de São Paulo concorreu à indicação de sede do 4° Climate Summit com Rio de Janeiro, Buenos Aires (Argentina), Bogotá (Colômbia) e Amsterdan (Holanda). As outras edições do encontro aconteceram em Londres (2003), Nova Iorque (2005) e Seul (2009).


segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Alterações climáticas vão afectar os rios e os peixes

Alterações no regime hidrológico dos rios, com mais episódios de seca e de inundações, tenderão a empobrecer as cadeias alimentares aquáticas. Peixes são os mais vulneráveis.

As alterações climáticas e as intervenções humanas nos rios, como a construção de redes de barragens ou o desvio dos cursos originais, estão a causar uma diminuição de caudais, mas também episódios de inundações inesperados em muitos rios do mundo. Este desequilíbrio crescente está, por sua vez, a afectar a cadeia alimentar baseada nestes ecossistemas, o que faz antever mais conflitos no futuro, à medida que as alterações climáticas se intensificarem.
O alerta é de um grupo de investigadores norte-americanos, das universidades de Yale e do estado do Arizona, que analisaram 36 grandes rios e respectivos afluentes na América do Norte e detectaram estas tendências.
A dimensão da cadeia alimentar que tem por base os rios ou ribeiros depende essencialmente da sua dimensão (comprimento) e não dos recursos aí existentes, explicam os investigadores, cujos estudos foram coordenados por John Sabo, da universidade do estado do Arizona.
"As inundações e as secas encurtam a cadeia alimentar [nos rios], mas fazem-no de forma diferente", explica o coordenador do estudo, sublinhando que, no primeiro caso, são os elementos no meio da cadeia que desaparecem, descendo os peixes, que estão no topo, umas quantas posições na hierarquia.
"As secas levam ao fim do predador do topo: os peixes. Em ambos os casos, a cadeia encurta-se, mas os efeitos da seca são mais catastróficos para os peixes e são também mais duradouros", adianta John Sabo, que é especialista em ecologia e ciências do ambiente.
Os peixes maiores, que estão no topo da cadeia alimentar nestes ecossistemas são os mais vulneráveis às variações que ocorrem nos caudais dos rios.
As alterações climáticas, cujos efeitos vão intensificar-se ao longo das próximas décadas, terão também impactos crescentes no equilíbrio da cadeia alimentar, avisa a equipa.
"Mesmo nos grandes rios do mundo há cada vez mais episódios de seca e os modelos climáticos fazem antever que muitos rios vão sofrer maior variabilidade de caudal", afirma o coordenador do estudo, notando que os resultados da sua equipa "sugerem que estas alterações hidrológicas vão empobrecer as cadeias alimentares nos rios e aumentar as probabilidades de se perderem muitos peixes predadores no topo dos ecossistemas aquáticos".
As consequências a outros níveis, como social e humano, poderão passar pela intensificação dos conflitos sobre a utilização dos recursos hídricos entre diferentes comunidades.
Fonte: por FILOMENA NAVES - DN Ciência - Portugal

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

EUA consideram negociações de Tianjin abaixo das expectativas

TIANJIN, China (AFP) - As negociações sobre o clima que acontecem em Tianjin (China), última etapa antes da grande reunião de Cancún em novembro, não estão à altura das expectativas e será necessário muito trabalho para chegar a um resultado, afirmou o principal negociador americano, Jonathan Pershing.

"O tempo passa e há menos acordos do que poderíamos esperar nesta etapa das discussões", declarou Pershing à imprensa.

"Vamos precisar de muito trabalho para alcançar até o fim de semana um resultado que leve a um resultado significativo em Cancún", completou.

Negociadores de mais de 170 países estão reunidos desde segunda-feira e até sábado em Tianjin para preparar a grande reunião da ONU sobre o clima de Cancún (29 de novembro a 10 de dezembro), da qual se espera um resultado que permita superar o fracasso da COP-15, a reunião de Copenhague no fim de 2009.

Apesar dos negociadores concordarem que é praticamente impossível obter um acordo global que permita combater de modo eficaz as mudanças climáticas, eles esperam algumas decisões concretas sobre temas como a luta contra o desmatamento ou a transferência de tecnologia.

"O que é frustrante nestas negociações é que países voltam a insistir sobre coisas que considerávamos decididas nas negociações de Copenhague", disse o americano.

Pershing, assim como outros negociadores, teme que um fracaso em Cancún desacredite todo o processo de negociações da ONU, já muito criticado depois de de Copenhague pela lentidão, complexidade e lógica de consenso.

"Não alcançar um acordo teria consequências que devem nos deixar preocupados, que devemos levar em consideração seriamente".

Fonte: AFP - /br.noticias.yahoo.com

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Dia Internacional de Ação Climática, 350.org é realizado em Foz do Iguaçu

O evento está sendo organizado por acadêmicos do curso de Turismo da Unioeste e acontece no próximo domingo (10), no Marco das Três Fronteiras

O tema deste ano é "Mãos à Obra" e as atividades incluem plantio de mudas de árvores, limpeza do local, apresentações culturais e registro das ações na fronteira. Buscando destaque único junto ao acontecimento mundial, os acadêmicos da Unioeste e organizadores estão convidados a população de Foz do Iguaçu a prestigiar o evento a partir das 14 horas de domingo (10). "Unir forças, buscar e sugerir atitudes para reverter o aquecimento global e as mudanças climáticas", comenta um dos organizadores da ação em Foz, Juliano Hoesel.

350.org - É um movimento que une o mundo em torno de soluções para a crise climática. A missão é inspirar o mundo para que este se erga à altura do desafio da crise climática, criando um novo sentido de urgência e de possibilidade de resgate para o planeta. Cientistas afirmam que 350 ppm (partes por milhão) - daí o nome do evento, é o número máximo de carbono existente na atmosfera para termos uma planeta saudável, e hoje emitimos 390 ppm, mas a boa noticia é que ainda é possível reverter esse quadro.
Esse ano a festa será no dia 10/10/10 e promete movimentar o mundo todo. Aqui na região jovens da Argentina, do Brasil e do Paraguai resolveram se juntar e criar atividades de grande importância sócio-ambiental no Marco das fronteiras desses 3 países. Três cidades de países diferentes decidiram se unir e desenvolver juntas uma ação para chamar a atenção das população, instituições e autoridades para a situação atual do planeta e refletir sobre o que cada um está fazendo para diminuir os impactos ambientais.

SERVIÇO
Dia Internacional de Ação Climática
Local: Marco das Três Fronteiras - Final da avenida General Meira, Porto Meira
Data: 10/10/2010
Informações: www.350foz.blogspot.com

Fonte: Clickfoz

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Falta de ação política e as mudanças climáticas


Em entrevista ao site IHU, o climatologista Osvaldo Canziani alerta que a falta de decisão política, particularmente nos países de maiorias pobres, tem freado o desenvolvimento de redes de observação e monitoramento e mostra a pouca preocupação no que diz respeito ao estabelecimento de sistemas de vigilância e alerta ambientais.

Queimadas, secas, tornados, furacões. Eventos climáticos não são novidades, mas a frequência entre eles tem aumentado, assim como sua potência e isso se deve às mudanças do clima. Porém, segundo o climatologista argentino Osvaldo Canziani, é a falta de ação política que torna as consequências desses fenômenos mais graves. “A falta de decisão política, particularmente nos países de maiorias pobres, tem freado o desenvolvimento de redes de observação e monitoramento e mostra a pouca preocupação no que diz respeito ao estabelecimento de sistemas de vigilância e alerta ambientais. Existem hoje mecanismos de Estratégia Internacional de Redução de Desastres, produzidos pela Organizaçao das Nações Unidas, que provém informação sobre este tipo de ação e para a educação da população. Os habitantes do Paquistão estiveram órfãos destes serviços”, relatou ele na entrevista que concedeu à IHU On-Line por email.

O climatologista Osvaldo Canziani atuou junto ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) de 1991 a 2008. Foi responsável pelo grupo que discutiu a vulnerabilidade, impactos e adaptação às mudanças climáticas no Quarto Documento de Avaliação produzido pelo grupo de especialistas no meio ambiente e no clima. Atualmente, é professor na Universidade de Buenos Aires.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Como o senhor analisa as recomendações feitas pelo grupo independente de metereologistas sobre o trabalho do IPCC?

Osvaldo Canziani – Antes de responder objetivamente à pergunta, preciso fazer um esclarecimento: os documentos do IPCC são elaborados por equipes multidisciplinares de especialistas de diferentes regiões do mundo, sejam elas desenvolvidas ou em desenvolvimento. Ainda que a área das ciências atmosféricas contribuiram somente com uma parte do documento, os processos do tempo e do clima são mesmo a parte mais visível e ubíqua do processo de mudanças climáticas, e, portanto, as ações e reações relativas às demais ciências integram estes documentos de avaliação. Sem dúvida alguma, os eventos extremos do tempo e do clima e, sobretudo, a gestação de um sistema climático novo, estão dando origem a uma transformação, transcendente no tempo, da paisagem, da sociedade humana, seu entorno urbano e rural e, obviamente, da economia global. É por isso que o Artigo 2 da Convenção Marco das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (CMNUCC) apresenta a urgência no sentido de estabilizar as concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera a fim de:

- permitir que os ecossistemas se adaptem naturalmente;
- asseguras que a produção de alimentos não seja ameaçado;
- e permitir que o desenvolvimento econômico prossiga de maneira sustentável.

Agora, focando em sua pergunta, devo mencionar que as críticas feitas nesse novo relatório estão dedicadas, fundamentalmente, às repercussões regionais do aquecimento terrestre e suas projeções para o futuro. Durante o Quarto Período de Avaliação do Painel, como copresidente do IPCC, representando as regiões em desenvolvimento, além de ter me dedicado plenamente a sua elaboração, também participei de várias discussões sobre a qualidade da informação da base com que se trabalhava. Por isso, eu estou convencido de que o conhecimento científico e os progressos tecnológicos avançam de forma lenta, mas firmemente. Sabendo, além disso, que o progresso científico depende da disponibilidade da informação básica, tanto geofísica como biológica e ambiental, assim como a disponibilidade e informação social e econômica, podemos dizer que sua integração permite definir a vulnerabilidade dos setores e as regiões e determinar o efeito dos impactos sobre a sociedade. Estes dados devem ser suficientes, confiáveis e estar inseridos no espaço e no tempo, de maneira apropriada logicamente, na avaliação dos trabalhos científicos.

Uma das críticas se refere a alguns trabalhos utilizados na avaliação e que careciam de julgamentos confiáveis. Esta situação foi registrada quando avaliaram certos tipos de documentos, como o dos governos, identificados como parte da CMNUCC, desenvolvidos de acordo com os compromissos estabelecidos no artigo 4 desta convenção. De todas as formas, eram e são documentos dos governos.

Este documento, assim como outros (a exemplo: Global Environmental Outlook e os documentos sobre Desenvolvimento Humano das Nações Unidas), que se produzem em países em desenvolvimento com informações muito escassas, puderam mostrar alguns erros de magnitude, mas não como mostram essas implicações regionais relatadas nas críticas sobre as mudanças climáticas. Estes documentos também fizeram com que o conhecimento humano avançasse. Por isso, as críticas feitas ao IPCC, em minha opinião, definitivamente são tendenciosas. Perguntam-me frequentemente o que teria sido do desenvolvimento da Física e da Hidrologia sem os conhecimentos de Leonardo da Vinci? Destaquemos que da Vinci apresentou o Princípio da Massa mais de dois séculos antes que Isaac Newton e fabricou, assim como pôs em funcionamento, instrumentos para medições hidrológicas (ainda não implementadas neste século XXI em muitos rios de um bom número de países em desenvolvimento). Estas referências destacam que o progresso da Ciência e da Tecnologia é lento, mas apresenta situações de avanços surpreendentes e fantásticos. No entanto, os seres humanos não têm alcançado as capacidades necessárias para definir, por exemplo, como apareceu a vida em nosso planeta. Começou sobre a Terra ou foi transportada de outras galáxias?

O IPCC é um painel que, pura e simplesmente, evolui a literatura científica, com a obrigação inevitável que exige que os trabalhos tenham sido submetidos para avaliação. Claramente falando, quem pode garantir de maneira absoluta e total o grau de “veracidade científica” relativo às questões de indisciplinaridade. Isso evidencia, portanto, que as mudanças climáticas não são uma única, nem sequer a mais importante, Mudança Ambiental Global.

Não há dúvida de que tudo pode ser melhorado. No entanto, o feito do IPCC é valioso e caminha para alcançar o desenvolvimento que assegure ou que seja tão favorável como seja possível ao desenvolvimento sustentável da sociedade humana. Como sempre tem ocorrido, e seguirá ocorrendo, pois o ser humano não domina a natureza, haverá avanços. No entanto, o saldo líquido será, como é no trabalho feito pelo IPCC, totalmente positivo.

A 18º reunião do IPCC, que aconteceu em abril de 2008 em Budapeste, tomou conhecimento da necessidade de desenvolver cenários mais consistentes em relação à realidade social e econômica da sociedade atual, que vive entre grupos que possuem índices de conforto exagerado e níveis de pobreza extremos. Um mundo que carece de ética ambiental tem como causas básicas de deterioração ambiental questões como:

- tamanho da população;
- excesso de consumo;
- e falta de tecnologias apropriadas para produzir e consumir recursos e serviços.

A realidade é difícil num mundo onde a “pegada ecológica” dos países desenvolvidos excede em mais de 600% o valor médio de menos de dois hectares por pessoa num planeta de superfície finita, como é a Terra, habitado por quase sete bilhões de habitantes. É evidente que, no mundo, a falta de solidariedade mata muito mais pessoas do que os efeitos adversos das mudanças climáticas. A esta altura, a resposta parece estar na raiz da questão.

IHU On-Line – Muitos países estão vivendo desastres climáticos muito severos. Que lições podemos tirar dessas situações?

Osvaldo Canziani – Os desastres são eventos de variabilidade climática, a exemplo disso temos o fenômemo El Niño e outras as intensificações dos processos como as circulações atmosféricas que originam danos humanos e materiais. Estes eventos também ocorreram no passado. Atualmente, a mudança do sistema climático faz com que sejam mais frequentes e mais intensos tais eventos.

A falta de decisão política, particularmente nos países de maiorias pobres, tem freado o desenvolvimento de redes de observação e monitoramento e mostra a pouca preocupação no que diz respeito ao estabelecimento de sistemas de vigilância e alerta ambientais. Existem hoje mecanismos de Estratégia Internacional de Redução de Desastres, produzidos pela Organização das Nações Unidas, que provêem informação sobre este tipo de ação e para a educação da população. Os habitantes do Paquistão estiveram órfãos destes serviços.

Na mesma situação estão os habitantes de muitos países em vias de desenvolvimento ou, simplesmente, subdesenvolvidos que existem no mundo e na América Latina e Caribe. As recomendações das Agências Especializadas das Nações Unidas e do PNUMA provêm informação e assistência. A falta de decisão de muitos governos é a causa de desastres como os muitos que sejam registrados no mundo.

IHU On-Line – As negociações sobre o clima podem mudar a atual situação?

Osvaldo Canziani – É evidente que sim. No entanto, os interesses em jogo estão relacionados à questão econômica, aos interesses bastardos de grupos sociais que pretendem manter seus privilégios num mundo que já está vivendo seu limite de crescimento, estão demonstrando que a COP-16 (que será realizada em dezembro de 2010 em Cancun) seria um fracasso. Esperamos que não seja assim.

IHU On-Line – Estas catástrofes podem criar “refugiados do clima”? Que regiões podem sofrer mais com este problema?

Osvaldo Canziani – O Escritório do Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados informa que, neste ano de 2010, há mais de 80 milhões de refugiados, muitos deles por razões ambientais – secas, inundações, furacões, tornados, etc. As projeções para o ano de 2050 elevam esse dado para umas 250 milhões de pessoas. A mudança climática, pelos desastres derivados da inundação de zonas costeiras baixas e ilhas de nível baixo, agregaria a essas cifras entre oito e 35 milhões de refugiados adicionais por ano. O panorama apresenta sérias implicações geopolíticas nos países de um subcontinente pouco povoado, como os da América do Sul.

IHU On-Line – O problema das queimadas na Rússia também tem relação com as mudanças do clima?

Osvaldo Canziani – É evidente que o aquecimento global, ao produzir o secamento dos solos e da biomassa, gera condições muito propícias ao denominado wildfire, incêndio selvagem ou incêndio natural. Isso tem ocorrido já na Espanha, França e Portugal, assim como no Brasil e na Venezuela.
Fonte: IHU Unisinos-EcoAgência

Norte e Nordeste serão mais afetados por mudanças climáticas, aponta Ipea

Segundo o estudo, o aquecimento global poderá elevar a temperatura no Norte e Nordeste em até 8 graus Celsius (ºC) em 2100 como consequência do desmatamento da floresta amazônica

As populações das regiões Norte e Nordeste serão as mais afetadas nas próximas décadas se houver agravamento das condições climáticas no Brasil, o que pode aprofundar as atuais desigualdades regionais e de renda. O diagnóstico consta do Boletim Regional, Urbano e Ambiental número 4, elaborado por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), e feito com a participação de especialistas de diversos setores no País.

O documento associa os problemas climáticos ao aquecimento global e prevê resultados de longo prazo. A perspectiva macroeconômica traçada pelo estudo indica em uma das simulações que o Produto Interno Bruto (PIB) nacional poderia ser, numa primeira hipótese prevista para 2050, de R$ 15,3 trilhões (no valor do real em 2008). Em outra alternativa, com menos danos para o meio ambiente, poderá chegar a R$ 16 trilhões, se o clima ajudar.

O Ipea estima o risco de reduções de 0,55% ou 2,3% respectivamente para esses valores. O aquecimento global poderá elevar a temperatura no Norte e Nordeste em até 8 graus Celsius (ºC) em 2100 como consequência do desmatamento da floresta amazônica.

Entre os compromissos assumidos pelo País no Protocolo de Kyoto, a redução do desmatamento figura como a contribuição de menor custo. O valor médio de carbono estocado na Amazônia foi estimado em US$ 3 por tonelada ou US$ 450 por hectare. Se estes valores forem utilizados para remunerar os agentes econômicos poluidores, seriam suficientes para desestimular até 80% a pecuária na Amazônia. Seria possível reduzir em 95% o desmatamento com o custo de US$ 50 por tonelada de carbono, aponta o Boletim Regional, Urbano e Ambiental divulgado pelo Ipea.

Fonte: abril.com.br

O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (guia)

  

Além de contextualizar o tema, Guia de Orientação – 2009, coordenado por Isaura Maria de Rezende Lopes Frondizi, aborda detalhe estrutura institucional, conceitos fundamentais, ciclo do projeto, registro, monitoramento, verificação e certificação, emissão das RCEs e procedimentos para submissão de projetos de MDL no Brasil.

Guia Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (149)
 
Fonte: http://www.matrizlimpa.com.br/

Publicações sobre mudanças climáticas e aquecimento global

 
Livro Química Verde


O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) acaba de lançar a publicação “Química Verde no Brasil, 2010-2030”, que procurar traçar um panorama da experiência nacional nesta questão e traçar perspectivas para o futuro. O livro aborda temas como biorefinarias; alcoolquímica; oleoquímica; sucroquímica; fitoquímica; a conversão de CO2; os bioprodutos, bioprocessos e biocombustíveis; e energias alternativas. O livro, que reúne trabalhos de pesquisadores de diversas instituições do país, propõe a criação de um programa e de uma rede voltada para o desenvolvimento da química verde.

“Química Verde no Brasil, 2010-2030”


Cesp – Plano de Redução das Emissões de Gases de Efeito Estufa


Publicado em junho de 2008, este programa da Cesp tem como objetivos implementar ações voluntárias de redução da emissão de GEE; estabelecer ações de mitigação e adaptação; fixar meta de redução e neutralização da emissão de GEE; e avaliar os resultados alcançados.

A empresa, com o uso de ferramentas de melhoria contínua, prática de prevenção à poluição (P2) e de tecnologias limpas (Pareto), identificou a possibilidade de uma redução de 10% nas emissões de GEE em relação aos níveis de 2007, além da neutralização de 100% das emissões provenientes dos resíduos orgânicos. O período de abrangência do programa é de 2008 a 2011.

Cesp – Plano de Redução das Emissões de Gases de Efeito Estufa (0)


Guia de Comunicação e Sustentabilidade


Jornalistas, relações públicas, publicitários, estudantes e educadores ganharam uma ferramenta adicional na batalha pela informação na área ambiental. Trata-se do Guia de Comunicação e Sustentabilidade, elaborado pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), fruto de pesquisa de opinião com 25 associadas e de debate promovido pela Câmara Temática de Comunicação e Educação (CTCOM).

O guia aponta saídas para os mais diversos dilemas enfrentados no dia a dia pelos profissionais de comunicação das empresas, explica o CEBDs. Comunicação da sustentabilidade, comunicação para a sustentabilidade e sustentabilidade da comunicação formam a base de conceitos do guia. A publicação ganhara ainda este ano tradução para o espanhol.

Guia de Comunicação e Sustentabilidade


Vision 2050


O estudo do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) traça um caminho para que, em 2050, a população global (estimada em cerca de 9 bilhões de pessoas) possa ter qualidade de vida, dentro dos limites dos recursos do planeta. O documento é resultado de um trabalho de 18 meses com executivos e especialistas de mais de 200 empresas e parceiros externos em cerca de 20 países, entre eles o Brasil. O relatório apresenta novas oportunidades para as empresas de uma ampla gama de segmentos, com o objetivo de levar para suas sociedades uma agenda de desenvolvimento de negócios sustentáveis.

Entre as ações que o relatório enumera estão, por exemplo, a incorporação dos custos dos danos ambientais com a emissão de carbono, do uso da água e da exploração dos ecossistemas; a duplicação da produção agrícola sem aumento da quantidade de terra ou água utilizadas; frear o desmatamento e aumentar o rendimento proveniente de florestas plantadas; reduzir pela metade as emissões mundiais de carbono (baseado em níveis de 2005) através de uma mudança para sistemas de energia de baixo carbono e melhoria da eficiência energética, e proporcionar o acesso universal à mobilidade de baixo carbono. O relatório também indica a necessidade de que as empresas, o governo e a sociedade civil criem uma nova agenda para transformar o mercado e a concorrência.

Vision 2050


Agroenergia da biomassa residual: perspectivas energéticas, socioeconômicas e ambientais (livro)


Livro publicado pela Itaipu e pela FAO, de autoria de Cícero Bley, José Carlos Libânio, Maurício Galinkin e Mauro Márcio Oliveira. Esse trabalho, resultado das preocupações da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e da Itaipu Binacional – gestora da maior usina hidrelétrica do país, debruça-se sobre um fato que até pouco tempo atrás não entraria sequer na agenda de produtores de energia elétrica: os impactos de resíduos e efluentes agropecuários nas águas do reservatório que abastece suas turbinas geradoras e, também, no ar e no solo da sua bacia hidrográfica.

Agroenergia da biomassa residual: perspectivas energéticas, socioeconômicas e ambientais (46)


Guia de Financiamento Florestal 2010



Linhas de crédito para o setor florestal são reunidas em publicação elaborada pelo Serviço Florestal Brasileiro, com 14 fontes de crédito disponíveis. Informações vão ajudar produtores de municípios que mais desmataram a saber onde obter recursos para ações sustentáveis. Informações sobre as principais linhas de crédito para o financiamento de atividades florestais no país, suas taxas de juros, beneficiários, prazos e carências estão reunidas na cartilha.

A publicação, de 40 páginas, apresenta 14 linhas de financiamento disponíveis para o setor florestal, entre elas, Pronaf Floresta, Pronaf Eco, Propflora, BNDES Florestal, FCO Pronatureza, Finem – Financiamento a Empreendimentos, FNE Verde e FNO Amazônia Sustentável.

Guia de Financiamento Florestal 2010 (8)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

2010 já empata com 98 como o ano mais quente da história

Passados oito meses, 2010 corre cabeça a cabeça com 1998 pelo título de ano mais quente já registrado.

A cobertura de gelo do Ártico parece ter atingido seu nível mínimo para este ano

A temperatura média do planeta para o período janeiro-agosto ficou em 14,7º C, empatado com o mesmo período de 1998, informa a Administração Nacional de Atmosfera e Oceano (NOAA) dos Estados Unidos. Os dados da NOAA indicam ainda que agosto foi o terceiro mais quente já registrado, com temperatura média global de 16,2º C.

Em relatório separado, o Centro Nacional de dados de gelo e Neve dos EUA informa que a cobertura de gelo do Ártico parece ter atingido seu nível mínimo para este ano, sendo a terceira menor extensão já anotada desde o início das observações por satélite, em 1979.

O gelo do Ártico cobriu uma área média de 6 milhões de quilômetros quadrados, 22% abaixo da média 1979-2000. Este foi o 14º agosto consecutivo com gelo do Ártico abaixo da média.

Fonte: Associated Press - AP - Estadão

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Aquecimento de 1,3°C é inevitável, diz pesquisa

O que aconteceria se a Terra parasse seu rimo de expansão e nenhuma nova usina ou veículo capaz de emitir carbono fossem construídos? Ainda assim, a temperatura do planeta aumentaria 1,3°C, até 2060, em relação ao período pré-industrial.

A conclusão é de pesquisadores dos EUA, que fizeram um dos mais detalhados levantamentos sobre emissões de carbono ligadas à geração de energia e à estrutura de transportes. O material foi publicado na revista "Science".

O planeta vai esquentar, mas para os os cientistas ele ainda não chegou ao patamar de aquecimento e emissões em que as consequências se tornam irreversíveis.

O aumento de 1,3°C em relação ao período anterior à revolução industrial cerca de 0,5°C a mais que hoje foi considerado até modesto pelos pesquisadores, que esperavam crescimento de pelo menos 2°C.

A concentração de carbono na atmosfera, no mesmo período, deve ficar em 430 ppm (partes por milhão), valor também abaixo do que era esperado inicialmente pelos pesquisadores.

"Esse resultado nos surpreendeu", afirmou Steven Davis, da Instituição Carnegie para a Ciência, que chefiou o trabalho.

PIOR NO FUTURO

Segundo ele, porém, não há motivos para comemorar. Os resultados indicam que as principais ameaças ao planeta ainda estão por vir, devido ao sistema de geração de energia e transportes que são muito dependentes de combustíveis fósseis.

"É importante que nós façamos a coisa certa agora. Ou seja, construir tecnologias que gerem energia com baixa emissão de carbono", disse Ken Caldeira, também do Carnegie e autor do trabalho.

Para chegar ao resultado, os cientistas fizeram um levantamento sobre todas as usinas geradoras de energia em operação no mundo. Eles também estimaram as emissões do sistema global de transportes, que tem dois terços das operações com combustíveis fósseis.

Modelos computadorizados, que simulavam os cenários de emissão previstos pelo IPCC (painel de mudanças climáticas da ONU), chegaram às conclusões.

Por conta da forte presença de termelétricas, a maior parte das emissões se concentra nos EUA, Europa Ocidental e China.

A vida útil média das unidades movidas a carvão é de 40 anos. As usinas chinesas, por serem mais novas, têm potencial para poluírem por mais tempo.

Fonte: Folha Online

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Mudanças no clima da imprensa

Os leitores de jornais devem estar achando que a imprensa brasileira se converteu definitivamente ao ambientalismo. O Estado de S.Paulo, na série dedicada aos desafios do futuro presidente da República, traz um caderno especial de doze páginas sobre o valor do patrimônio ambiental, no qual defende a preservação das florestas e do cerrado. Trabalho bem feito, surpreendente para um jornal conhecido por abrigar as mais retrógradas campanhas do agronegócio e sua bancada ruralista.

Com exceção do Globo, os jornais também dão destaque ao mais recente levantamento sobre o desmatamento da Amazônia. Segundo a Folha de S.Paulo, pela primeira vez na história a destruição da floresta deve apresentar uma redução em ano eleitoral, quando normalmente a fiscalização se torna mais frouxa. Os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e da ONG Imazon revelam que teremos em 2010 uma taxa de devastação muito menor do que a do ano anterior.

Onde? Onde?

O caderno especial do Estadão abriga de forma ampla os conceitos essenciais da sustentabilidade, como o valor estratégico da defesa do meio ambiente para um país como o Brasil, fato raro na imprensa brasileira. Traz uma entrevista esclarecedora do físico José Goldemberg, na qual ele derruba o mito segundo o qual a preservação pode prejudicar a produção de alimentos. Além disso, uma das reportagens demonstra como o agricultor que respeita a legislação ambiental acaba ganhando com a qualidade da água e o controle natural das pragas.

São informações relevantes para contestar as barbaridades contidas no relatório do deputado Aldo Rebelo, do PCdoB, que prega a flexibilização da lei.

Também muito instigante é a reportagem da Folha de S.Paulo, reproduzida do inglês The Guardian, revelando que um dos mais notórios céticos do aquecimento global, o estatístico dinamarquês Bjorn Lomborg, acaba de se converter em defensor da luta contra as mudanças climáticas.

Lomborg, que vendeu muitos livros e liderou um pequeno grupo de cientistas e curiosos que tentou desmoralizar o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, agora afirma que o mundo precisa destinar US$ 100 bilhões anualmente para evitar o desastre climático.

Talvez seja hora de perguntar como ficam os ruidosos céticos, entre os quais muitos jornalistas, que durante dois anos negaram as evidências dos problemas ambientais.

FONTE : Luciano Martins Costa, do Observatório da Imprensa.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Líder dos céticos do aquecimento global muda de opinião

  

Bjorn Lomborg ficou conhecido como o "Hitler do Clima", antes de passar a defender a necessidade de lutar contra o aquecimento global/Foto: Matthew McDermott

Conhecido como "Hitler do Clima", o mais famoso cético do aquecimento global, o dinamarquês Bjorn Lomborg, anunciou ao jornal britânico The Guardian na terça-feira, 31 de agosto, que mudou de opinião, e agora lutará contra as mudanças climáticas. A notícia causou surpresa na comunidade científica, acostumada com o barulho causado pelo dinamarquês.

Lomborg lançará um livro em outubro no qual um grupo de economistas e ele destacam a necessidade de que os países desenvolvidos injetem US$ 100 bilhões por ano para que iniciativas como as energias renováveis tragam resultados.

Antes de "virar a casaca", o estatístico ficou mundialmente conhecido por meio da obra O Ambientalista Cético, além das entrevistas e palestras realizadas depois da publicação do livro. Lomborg sempre defendeu que o custo para combater o aquecimento era alto demais quando comparado com o benefício de ter um mundo "ligeiramente menos quente no futuro". A conta referente ao controle do superaquecimento do planeta não fechava, na concepção do matemático.

Segundo o discurso antigo de Lomborg, o ritmo do aquecimento e seus efeitos sobre as pessoas eram exagerados pelos cientistas "pró-clima" e pelo lobby dos que se beneficiariam com investimentos pesados em ações como limpar a matriz enérgica, por exemplo.

Mudança

Apesar da mudança brusca de bandeira, Lomborg negou no The Guardian que tenha feito uma reviravolta. Ele destacou que "sempre aceitou a existência do efeito humano no aquecimento global" e que o importante, agora, é ver onde se deve gastar dinheiro para combatê-lo.

O anúncio do dinamarquês foi feito um dia depois da divulgação da revisão do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, na sigla em inglês), feita por um grupo de 12 cientistas independentes a pedido da Organização das Nações Unidas (ONU).

De acordo com os cientistas do InterAcademy Council (IAC), o IPCC precisa passar por mudanças de gestão e na metodologia da coleta de informações. No último relatório produzido pelos climatologistas ligados ao painel, de 2007, constou que as geleiras do Himalaia desapareceriam até 2035, informação que a própria ONU admitiu ser imprecisa.

À época, Lomborg criticou severamente a projeção, ao argumentar que mesmo que o degelo ocorresse, o fenômeno seria benéfico, pois aumentaria a quantidade de água disponível no verão para China e Índia. Ao menos nesse ponto o ex-cético não mudou de opinião. Ele garantiu que pretende continuar criticando as contas do Himalaia, mas, sem desprezar as recomendações do IPCC.

Com informações da Folha de S.Paulo
 
  

domingo, 29 de agosto de 2010

Camponesas sul africanas sentem a mudança climática

Por Kristin Palitza, da IPS 


Cidade do Cabo, África do Sul, 27/8/2010 – A falta de chuvas arruinou a temporada de semeadura e a colheita, reduzindo drasticamente a renda das camponesas sul-africanas Mary-Anne Zimri e Katrina Scheepers. A política que o governo prepara para mitigar as consequências da mudança climática não parece contemplá-las. “Fomos atingidas por todos os lados”, disse Mary-Anne. Ela e Katrina fazem parte de uma cooperativa de Wuppertal, pequena aldeia da província de Cabo Ocidental.

A cooperativa especializa-se no rooibos (Aspalathus linearis), com o qual se prepara chá, e também vende verduras e gado. “Começamos a plantar rooibos em julho, mas este ano foi muito seco”, disse Mary-Anne. Há décadas dependem das chuvas de inverno para irrigar as plantações e agora não conseguem fazer isso, informou. A cooperativa não tem sistema de irrigação. As agricultoras têm de pegar água em baldes do rio que fica a vários quilômetros, o que não basta para manter uma boa produção.

Além do rooibos, a falta de chuva fez com que o alimento dos animais não crescesse como se esperava e as verduras são muito menores do que no ano anterior. “Não acontece só com a gente. A maioria dos camponeses da região perdeu seus cultivos porque está muito seco”, disse Katrina. As incomuns baixas temperaturas de inverno fizeram com que as geadas queimassem a colheita de batata. “Isso nunca tinha acontecido. Não nos últimos 50 anos”, acrescentou.

Os camponeses de Wuppertal atravessam uma situação difícil porque estão a 75 quilômetros da loja de alimentos mais próxima. Sempre dependeram de seus cultivos para terem alimentos. Agora, precisam comprar até para os animais, o que representa gasto adicional. Para a maioria dos membros da cooperativa, que arrendam um terreno da igreja local por uma pequena quantia, a drástica redução das chuvas implica que devem conseguir trabalhos sazonais em fazendas comerciais. Esse tipo de emprego costuma ser mal pago, não é seguro e não traz benefícios.

Mary-Anne e Katrina participaram da mesa-redonda “Mulheres e adaptação à mudança climática: ênfase na segurança alimentar”, organizada pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF) e pela Universidade de Cabo Ocidental, no dia 18. Ali, se informaram sobre estratégias de adaptação à mudança climática e legislação ligada ao fenômeno. “As questões da mudança climática, pobreza, ambiente e gênero estão intrinsecamente vinculadas”, disse Louise Naudé, da WWF África do Sul. “A mudança climática afeta especialmente as mulheres, assim como a falta de alimentos e os desastres naturais. É preciso equilibrar as diferenças de gênero e diminuir a vulnerabilidade delas no setor”, explicou.

Numerosas pesquisas mostram que as mulheres mais pobres costumam sofrer mais os efeitos da mudança climática por terem menos acesso aos recursos. Para elas é mais difícil coletar água e lenha para o fogo. As meninas e as adolescentes costumam ter de largar a escola para ajudar em casa. Onde rege a posse tradicional da terra, as mulheres devem deixar de plantar cultivos de consumo doméstico para dar lugar às espécies comerciais. O governo, por intermédio do Departamento de Assuntos Ambientais, elabora uma política nacional para atender os efeitos da mudança climática, e para isso consultou, em maio, vários especialistas e organizações da sociedade civil.

O conteúdo do rascunho é confidencial, mas, segundo os especialistas consultados que receberam uma cópia, não contém a palavra “mulher” nem “gênero”, embora elas sejam a maioria dos pequenos agricultores e as mais vulneráveis às consequências da mudança climática. “Uma política efetiva deve começar e terminar com a gente, mas o documento ignora isto”, disse Dorah Lebelo, coordenadora da organização Gender CC-Women for Climate Justice. O Departamento de Assuntos Ambientais deve introduzir uma perspectiva de gênero no documento, insistiu. “Pouquíssimos atores sociais foram ouvidos em maio, o que não pode substituir entrevistas com as mulheres diretamente ligadas à situação”, afirmou Dorah.

A especialista também questiona o fato de a consulta ter ocorrido por e-mail. “O departamento assume que todos sabem ler e escrever. Assim, excluiu 24% dos adultos sul-africanos prejudicados pela mudança climática, em especial as mulheres”, destacou. A maioria das pequenas produtoras, que não têm computadores nem Internet, ficou fora do processo. Ao que parece, o governo apoiará soluções de adaptação à mudança climática de grande escala e concentradas no mercado, como energia nuclear e transgênicos. Nada que beneficie as mulheres. “A prioridade parece estar em mudanças tecnológicas, não na vida diária das pessoas”, lamentou.

“É preciso pressionar o governo para que incentive a participação comunitária, especialmente das mulheres, nos processos de decisão, planejamento e governança de assuntos vinculados à mudança climática”, acrescentou Dorah. “Precisamos de soluções centradas nas pessoas em contextos específicos, que sejam participativas e baseadas em conhecimentos locais. Por fim, queremos criar circunstâncias ambientais controladas pelas mulheres para que não fiquem em situação de dependência”, insistiu. Envolverde/IPS

(IPS/Envolverde)

Mudanças climáticas alteram crescimento das florestas

As mudanças climáticas já estão causando alterações no padrão de crescimento das florestas - tanto das tropicais quanto das temperadas -, mostram dois estudos realizados pelo Smithsonian Institution, dos Estados Unidos. As alterações no clima têm feito com que as florestas tropicais cresçam em um ritmo mais lento do que o habitual, ao passo que o inverso ocorre nas florestas temperadas, onde as árvores se desenvolvem a taxas mais aceleradas. Em ambos os casos, o fenômeno pode ser explicado pelo aumento nas concentrações de CO2 na atmosfera.

"Nos últimos 40 anos verificamos um aumento de 15% nas emissões de CO2 na atmosfera. Era esperado que isso afetasse os padrões de crescimento das florestas, mas só agora estamos tendo as primeiras pistas de como isso está acontecendo na prática", afirma o pesquisador Stuart James Davies, diretor científico do Smithsonian Tropical Research Institute, considerada uma das principais instituições mundiais de estudos na área de ecologia tropical, com atuação em 40 países.

No Brasil, o Experimento de Grande Escala da Interação Biosfera-Atmosfera da Amazônia (LBA), iniciativa que soma mais de 150 projetos de pesquisas, ainda não possibilitou aferir conclusões sobre como o bioma é afetado pelo aquecimento global. "Ainda não temos dados suficientes para afirmar que a floresta tropical brasileira teve seus padrões de crescimento alterados em razão das mudanças climáticas", afirma Luiz Antonio Martinelli, pesquisador da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP). Ele explica que as florestas tropicais têm maior variabilidade genética e possibilidade de adaptação a mudanças do que as florestas de clima temperado. "Mas já temos um banco de dados consistente para investigações futuras." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.