Mostrando postagens com marcador Mudança Climática. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mudança Climática. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Estudo demonstra efeito de mudanças climáticas


Por Antônio Martins, do Outras Palavras* 

Movimentos como prosperidade do Império Romano, pestes e migrações maciças teriam sido influenciados por alterações ambientais.

Surgiu mais um dado importante, para o debate crucial sobre as consequências do aquecimento da Terra. A revista Science acaba de publicar os resultados de um vasto estudo que relaciona episódios marcantes da História, nos últimos 2500 anos, com mudanças atmosféricas na Europa. Situações naturais favoráveis, revela a pesquisa, influenciaram períodos de expansão da atividade material e intelectual humana — como no fase de glória do Império Romano. Em contrapartida, fenômenos como a peste que dizimou a população europeia no século 14, ou as crises que provocaram grandes migrações no século 19, teriam, entre suas causas, um clima hostil.

O trabalho é obra de uma equipe de cientistas coordenada por Ulf Büntgen, paloclimatólogo do Instituto Federal de Pesquisas sobre a Floresta, de Zurique. Baseou-se na dendrocronologia, o estudo que relaciona as idades das árvores com os aneis de seus troncos. A equipe de Büntgen examinou estudos de 9 mil amostras de árvores, colhidas nos últimos trinta anos, no Velho Continente, por arqueólogos. Cotejou-as com outras amostras, de plantas vivas. A partir da comparação, pensa ter feito descobertas importantes sobre a evolução da temperatura e umidade do ar.

O período de cinco séculos que se estende entre 300 a.C e o ano 200 parece ter sido marcado por verões quentes e úmidos. Eles favoreceram a atividade agrícola, base principal da economia da Antiguidade, e impulsionaram uma longa fase de desenvolvimento da produção, comércio, ciência e artes. É, também, o período de expansão do Império Romano. Um outro período quente e úmido abrangeu os séculos 11 a 13, quando se deu a chamado apogeu da Idade Média.

Já o período de declínio acelerado de Roma, e desmantelamento de seu império, pode ter sido acelerado por uma fase de seca prolongada. Outras condições metorológicas desfavoráveis (agora, temperaturas muito baixas associadas a umidade alta) coincidiriam com a epidemia de peste que dizimou boa parte da população europeia, no século 14, e com a escassez de alimentos que provocou as migrações maciças (rumo à América, principalmente) nos anos 1800.

O estudo, possivelmente pioneiro (veja resumo - http://www.sciencemag.org/content/early/2011/01/12/science.1197175 - e coleção de gráficos e tabelas - http://www.emetsoc.org/annual_meetings/documents/presentations_2010/UC4_Buentgen.pdf), abre uma pista para o investigação sobre as mudanças climáticas do passado e suas consequências. Além disso sugere, como declarou Büntgen, “repensar a hesitação atual, política e fiscal, em enfrentar a mudança climática acelerada do século 21″.

*Publicado originalmente no portal Outras Palavras. Para conhecer acesse http://ponto.outraspalavras.net/.

(Envolverde/Outras Palavras)

domingo, 19 de dezembro de 2010

Mudanças Climáticas alteram o modo de vida de espécies e podem levá-las à extinção


A Terra é casa para 20 milhões de espécies, número bem maior se considerarmos as que cientistas nunca conseguiram identificar. Segundo eles, as extinções das espécies são cada vez mais frequentes e podem repercutir na vida do homem.

Podendo pesar mais de 700 kg e medir 2,5 m, a Tartaruga-de-couro é a maior espécie de tartaruga do mundo. Entretanto, o seu tamanho não é suficiente para livrá-la da extinção. Seus padrões de reprodução são extremamente sensíveis ao aumento da temperatura: a areia em muitos lugares está tão quente que os ovos não resistem. E tem mais: é a temperatura da areia que determina o sexo do animal. Ou seja, se a areia onde deixarem seus ovos esquentar demais, mais fêmeas irão nascer, destruindo assim o balanço natural dos gêneros, pondo em risco a reprodução e a própria existência da espécie.

Outro problema é a perda dos ninhos e das áreas de alimentação devido ao aumento do nível do mar. Com tudo isso, o número de animais está diminuindo dramaticamente. Recentemente, a espécie entrou na “lista vermelha” de espécies ameaçadas da International Union for Conservation of Nature – IUCN. De acordo com especialistas, se nenhuma medida for tomada para proteger a Tartaruga-de-couro, esses répteis, que existem por mais de 65 milhões de anos, irão desaparecer ainda em nossa geração.

Mudanças Climáticas e Biodiversidade

A ONU declarou 2010 como o Ano Internacional da Biodiversidade, com pesquisas que indicam que, por sua contribuição no aquecimento global, o homem é responsável pela maior extinção da vida selvagem desde a era dos dinossauros, aproximadamente 1/5 de todas as extinções enfrentadas pelos vertebrados, de acordo com a IUCN.

De fato, o papel do aquecimento global nessas transformações é um debate importante. Muitos cientistas acreditam que outros fatores também contribuem, como a caça e pesca ilegal, além do fato de que as consequências das mudanças climáticas acabam sendo intensificadas com a poluição.

As mudanças de temperatura também têm severos impactos nas espécies migratórias. “Ultimamente, você encontra espécies em lugares onde elas nunca existiram antes”, afirma Wendy Foden, do Programa Espécies da IUCN. “Algumas delas estão migrando para regiões mais frias”, continua.

A vida marinha é igualmente afetada, mas os animais têm ainda menos opções de regiões para migrar. O aumento dos níveis de CO2 na atmosfera está mudando os níveis de Ph do oceano, um processo que altera o habitat de muitas espécies. Helen Foden lembra o exemplo do peixe-palhaço: “quando a água está mais ácida que o normal, os peixes-palhaço começam a perder seu olfato”. Como outras espécies, o peixe-palhaço é levado de seus recifes para o mar aberto ainda quando filhotes, e assim usam seu acurado olfato para achar seu caminho de volta. As pequenas larvas dependem do rastro do aroma na água para ajudá-las a localizar o habitat dos adultos.

A ideia é usar a popularidade do peixe-palhaço para conscientizar acerca do impacto das mudanças climáticas nos ecossistemas. “Graças ao filme ‘Procurando Nemo’ todos conhecem o peixe-palhaço”, diz Foden.

Fonte: Threats to biodiversity are costly and widespread“.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

São Paulo sediará encontro sobre o clima em 2011

por Fernanda Dalla Costa — última modificação Aug 03, 2009 10:53 AM
A cidade de São Paulo sediará o 4º Encontro sobre Mudanças Climáticas (Climate Summit) em 2011, realizado pelo grupo C40, rede internacional formada por representantes das maiores cidades do mundo, informou a Prefeitura de São Paulo à imprensa.
São Paulo sediará encontro sobre o clima em 2011
São Paulo - sede do 4º Climate Summit, em 2011
O anúncio aconteceu no dia 20 de maio, em Seul, no encerramento do 3º Climate Summit, encontro promovido pelo C40 e pela Fundação Clinton, que acontece a cada dois anos com o objetivo de discutir políticas públicas de combate às mudanças climáticas.
Ao anunciar oficialmente a sede do próximo encontro, David Miller, presidente da C40 e prefeito de Toronto, afirmou que a escolha é um reconhecimento à cidade de São Paulo, pelos esforços realizados no combate à poluição e pelo desenvolvimento de políticas públicas voltadas à preservação do meio ambiente.
O representante da Fundação Clinton no Brasil, integrante do C40, Adalberto Felício Maluf Filho, compartilha a idéia de Miller.
"A escolha da cidade de São Paulo para sediar o próximo Climate Summit representa o reconhecimento ao trabalho que vem sendo feito", declarou.
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, afirmou que a cidade de São Paulo está consciente da sua responsabilidade e destacou a importância do encontro acontecer numa cidade do hemisfério sul.
"Trata-se, sem dúvida, de um sinal político importante, que confirma a intenção do C40 de consolidar-se como uma rede verdadeiramente global e atenta às necessidades específicas das grandes cidades do mundo em desenvolvimento", afirmou.
A cidade de São Paulo concorreu à indicação de sede do 4° Climate Summit com Rio de Janeiro, Buenos Aires (Argentina), Bogotá (Colômbia) e Amsterdan (Holanda). As outras edições do encontro aconteceram em Londres (2003), Nova Iorque (2005) e Seul (2009).


segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (guia)

  

Além de contextualizar o tema, Guia de Orientação – 2009, coordenado por Isaura Maria de Rezende Lopes Frondizi, aborda detalhe estrutura institucional, conceitos fundamentais, ciclo do projeto, registro, monitoramento, verificação e certificação, emissão das RCEs e procedimentos para submissão de projetos de MDL no Brasil.

Guia Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (149)
 
Fonte: http://www.matrizlimpa.com.br/

Publicações sobre mudanças climáticas e aquecimento global

 
Livro Química Verde


O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) acaba de lançar a publicação “Química Verde no Brasil, 2010-2030”, que procurar traçar um panorama da experiência nacional nesta questão e traçar perspectivas para o futuro. O livro aborda temas como biorefinarias; alcoolquímica; oleoquímica; sucroquímica; fitoquímica; a conversão de CO2; os bioprodutos, bioprocessos e biocombustíveis; e energias alternativas. O livro, que reúne trabalhos de pesquisadores de diversas instituições do país, propõe a criação de um programa e de uma rede voltada para o desenvolvimento da química verde.

“Química Verde no Brasil, 2010-2030”


Cesp – Plano de Redução das Emissões de Gases de Efeito Estufa


Publicado em junho de 2008, este programa da Cesp tem como objetivos implementar ações voluntárias de redução da emissão de GEE; estabelecer ações de mitigação e adaptação; fixar meta de redução e neutralização da emissão de GEE; e avaliar os resultados alcançados.

A empresa, com o uso de ferramentas de melhoria contínua, prática de prevenção à poluição (P2) e de tecnologias limpas (Pareto), identificou a possibilidade de uma redução de 10% nas emissões de GEE em relação aos níveis de 2007, além da neutralização de 100% das emissões provenientes dos resíduos orgânicos. O período de abrangência do programa é de 2008 a 2011.

Cesp – Plano de Redução das Emissões de Gases de Efeito Estufa (0)


Guia de Comunicação e Sustentabilidade


Jornalistas, relações públicas, publicitários, estudantes e educadores ganharam uma ferramenta adicional na batalha pela informação na área ambiental. Trata-se do Guia de Comunicação e Sustentabilidade, elaborado pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), fruto de pesquisa de opinião com 25 associadas e de debate promovido pela Câmara Temática de Comunicação e Educação (CTCOM).

O guia aponta saídas para os mais diversos dilemas enfrentados no dia a dia pelos profissionais de comunicação das empresas, explica o CEBDs. Comunicação da sustentabilidade, comunicação para a sustentabilidade e sustentabilidade da comunicação formam a base de conceitos do guia. A publicação ganhara ainda este ano tradução para o espanhol.

Guia de Comunicação e Sustentabilidade


Vision 2050


O estudo do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) traça um caminho para que, em 2050, a população global (estimada em cerca de 9 bilhões de pessoas) possa ter qualidade de vida, dentro dos limites dos recursos do planeta. O documento é resultado de um trabalho de 18 meses com executivos e especialistas de mais de 200 empresas e parceiros externos em cerca de 20 países, entre eles o Brasil. O relatório apresenta novas oportunidades para as empresas de uma ampla gama de segmentos, com o objetivo de levar para suas sociedades uma agenda de desenvolvimento de negócios sustentáveis.

Entre as ações que o relatório enumera estão, por exemplo, a incorporação dos custos dos danos ambientais com a emissão de carbono, do uso da água e da exploração dos ecossistemas; a duplicação da produção agrícola sem aumento da quantidade de terra ou água utilizadas; frear o desmatamento e aumentar o rendimento proveniente de florestas plantadas; reduzir pela metade as emissões mundiais de carbono (baseado em níveis de 2005) através de uma mudança para sistemas de energia de baixo carbono e melhoria da eficiência energética, e proporcionar o acesso universal à mobilidade de baixo carbono. O relatório também indica a necessidade de que as empresas, o governo e a sociedade civil criem uma nova agenda para transformar o mercado e a concorrência.

Vision 2050


Agroenergia da biomassa residual: perspectivas energéticas, socioeconômicas e ambientais (livro)


Livro publicado pela Itaipu e pela FAO, de autoria de Cícero Bley, José Carlos Libânio, Maurício Galinkin e Mauro Márcio Oliveira. Esse trabalho, resultado das preocupações da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e da Itaipu Binacional – gestora da maior usina hidrelétrica do país, debruça-se sobre um fato que até pouco tempo atrás não entraria sequer na agenda de produtores de energia elétrica: os impactos de resíduos e efluentes agropecuários nas águas do reservatório que abastece suas turbinas geradoras e, também, no ar e no solo da sua bacia hidrográfica.

Agroenergia da biomassa residual: perspectivas energéticas, socioeconômicas e ambientais (46)


Guia de Financiamento Florestal 2010



Linhas de crédito para o setor florestal são reunidas em publicação elaborada pelo Serviço Florestal Brasileiro, com 14 fontes de crédito disponíveis. Informações vão ajudar produtores de municípios que mais desmataram a saber onde obter recursos para ações sustentáveis. Informações sobre as principais linhas de crédito para o financiamento de atividades florestais no país, suas taxas de juros, beneficiários, prazos e carências estão reunidas na cartilha.

A publicação, de 40 páginas, apresenta 14 linhas de financiamento disponíveis para o setor florestal, entre elas, Pronaf Floresta, Pronaf Eco, Propflora, BNDES Florestal, FCO Pronatureza, Finem – Financiamento a Empreendimentos, FNE Verde e FNO Amazônia Sustentável.

Guia de Financiamento Florestal 2010 (8)

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Encontro sobre mudanças climáticas para povos indígenas

Por Redação Conservação Internacional 


Desta terça-feira (14/09) até quinta-feira (16/09), das 09h às 18h, acontece no Centro de Convenções Israel Pinheiro, em Brasília, o “Encontro de Povos Indígenas sobre Mudanças Climáticas e Redd+”.  Realizado pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) com apoio das ONGs Conservação Internacional (CI-Brasil), The Nature Conservancy (TNC), WWF Brasil e Agência Alemã de Cooperação Técnica (GTZ) e da embaixada dos Países Baixos, o evento tem como objetivo socializar informações entre os povos indígenas e identificar sua percepção em relação às mudanças climáticas e o mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e da Degradação florestal, conservação, manejo sustentável das florestas e aumento dos estoques florestais (Redd+).

Além disso, pretende-se realizar a troca de experiências e ideias entre os representantes de 17 povos indígenas que participarão do encontro promovendo um diálogo entre eles e representantes do governo sobre políticas públicas em Redd e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.  “Esse tipo de evento é importante, pois precisamos passar para as lideranças indígenas as informações sobre mudanças climáticas, principalmente sobre o Redd, para que eles possam fazer suas próprias experiências.  Mas, o fator crucial é que estão acontecendo uma série de discussões internacionais sobre o tema e agora em nível nacional também.  Com isso, as comunidades que são afetadas com os projetos precisam se preparar para ter conhecimento e domínio no tema”, afirma Francisco Purinaã, representante da Coiab em Brasília.

Para o alcance dos objetivos, representantes de diversas organizações indígenas e organizações da sociedade civil, e também do governo, como Fundação Nacional do Índio (Funai) e Ministério do Meio Ambiente (MMA), falarão sobre os temas por meio de oficinas e debates.  No primeiro dia o foco será no tema “Visão Indígena sobre as mudanças climáticas, o papel das florestas e das Terras Indígenas”.

No segundo dia, a discussão será sobre os riscos e as oportunidades de iniciativas de mudanças climáticas e Redd e haverá uma apresentação dos princípios e critérios socioambientais de Redd.  No último dia será abordada a legislação sobre povos indígenas e políticas públicas de âmbito nacional e internacional relacionadas às mudanças climáticas e povos indígenas.  No encerramento, a intenção é que sejam definidos os encaminhamentos e as agendas das organizações indígenas sobre políticas públicas e mudanças climáticas.

(Envolverde/Conservação Internacional)

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Neves eternas do monte Ararat ameaçadas pelo aquecimento global

As neves eternas do lendário monte Ararat, no leste da Turquia, perderam 30% de sua superfície em três décadas, declarou nesta quarta-feira à AFP o geólogo Mehmet Akif Sarikayaun, que pesquisou a respeito.

"Utilizamos imagens de satélites para analisar a resposta do gelo no topo do monte Ararat ao aquecimento global. Descobrimos que havia perdido 30% de sua superfície entre 1976 e 2008", indicou o cientista, cujo estudo ainda não foi publicado.

"A superfície das neves eternas passou de 8 km² em 1976 para 5,5 km² em 2008, o que significa uma redução de aproximadamente sete hectares por ano", explicou Mehmet Akif Sarikayaun, professor da universidade Fatih de Istambul e pesquisador da universidade americana de Omaha.

De acordo com o geólogo, as mudanças climáticas são a causa mais provável do degelo, e pode ameaçar a existência das neves eternas do monte a longo prazo.

Sarikayaun indicou ainda que a "temperatura aumentou 0,03 graus por ano" na área durante o período estudado. Entretanto, não descartou que outros fatores tenham influenciado no degelo.

O pesquisador reconheceu que não tem elementos para determinar se as causas do aquecimento local estão ligadas ou não ao fenômeno do aquecimento global.

Religiões como o judaísmo e o cristianismo acreditam que o monte Ararat (5.137 m) é o local onde a arca de Noé parou depois do dilúvio universal narrado no Antigo Testamento.

Fonte: AFP - www.terra.noticias.com.br

Mudanças Climáticas e o papel do IPCC

Por Neuza Árbocz, para a Envolverde 


Estamos fazendo as perguntas corretas?

Compreender as mudanças que o planeta atravessa não é tarefa simples. A ciência debruça olhares divergentes sobre fenômenos antigos e recentes em busca de respostas e caminhos para proteger a vida humana na Terra.

Uma das iniciativas mais significativas neste campo é o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, formado em 1988 a pedido da Organização Meteorológica Mundial (OMM) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

O Painel é coordenado por um bureau eleito pelos países membros da ONU que recebe indicações de especialistas de todo o mundo e os nomeia para atuarem como autores, editores e revisores de relatórios sobre o clima e cenários futuros.

Suas conclusões tornaram-se referência para a tomada de decisão de grande número de países e lhe valeram o Prêmio Nobel da Paz em 2007, em conjunto com Al Gore que as popularizou em seu documentário: “Uma Verdade Inconveniente”. Mas, no final de 2009, o IPCC viu sua reputação ser questionada ao admitir erros nos dados de seu quarto relatório. Estes incluíam imprecisões sobre o degelo do Himalaia e em dados meteorológicos de estações chinesas da segunda metade do século passado.

Para quem conhece seu funcionamento, estes foram dois fatos considerados isolados na maior análise colaborativa de dados coletados em todo o mundo. Eles serviram, contudo, para mostrar quanto de imediatismo pode ainda dominar a assim chamada 'opinião pública'. Termos como "escândalo do clima" ou "climagate" surgiram rapidamente, ameaçando desacreditar um trabalho de compilação e estudo feito por milhares de cientistas de mais de 100 países, que acontece desde 1990.

Os costumeiros "leitores de manchetes" que não passam dos títulos, subtítulos e legendas, deixaram de saber que no caso do Himalaia, suas geleiras estão de fato diminuindo sim e a uma taxa preocupante. A confusão com o relatório do IPCC está na previsão de quando ela desapareceria por completo: o ano de 2035 - para a qual não foi apontado estudo de embasamento. Graham Cogley, professor de geografia e geleiras na Trent University, Canadá, que chamou a atenção para o erro, também destacou outras quatro falhas neste mesmo parágrafo sobre o Himalaia e concluiu “é um trecho mal formulado”.

O texto em questão foi incluído, conforme mensagem de retratação do próprio IPCC em 20 de janeiro de 2010, fora dos procedimentos padrões de seu trabalho, que envolvem uma revisão científica por pares de todos os dados e análises feitas. O fato das informações listadas serem atribuídas a uma ONG ambientalista, e não a uma instituição formal de pesquisa, também contraria seus critérios científicos. Na nota de esclarecimento, o IPCC reafirma a necessidade da metodologia acordada entre as partes ser seguida à risca e se compromete a garantir que isto aconteça.

O segundo episódio partiu de uma investigação do jornal The Guardian, de mais de 2 mil emails da UEA -  Universidade de East Anglia, Reino Unido, obtidos ilegalmente, através de um hacker. No meio de todo este material, o jornal identificou uma mensagem afirmando que os dados de estações meteorológicas chinesas da segunda metade do século 20 não sustentariam a tese de um paper publicado na revista Nature, em 1990, separando-as em zonas rurais e urbanas. Este estudo foi citado como indicador de que a urbanização não teria um papel tão significativo no aquecimento global quanto às emissões de gases de efeito estufa (GEEs), no quarto relatório do IPCC, publicado em 2007.

Quem leu as conclusões deste relatório, contudo, pôde entender que este prioriza a aplicação de modelos globais e as simulações de larga escala e especifica que a magnitude das emissões de CO2 por alteração no uso do solo e as emissões de gás metano por fontes individuais permanecem incertezas chaves*.

*Item 6.1 Observed changes in climate and their effects, and their causes, da Síntese do Relatório. http://www.ipcc.ch/publications_and_data/ar4/syr/en/main.html

Revelação do mesmo jornal The Guardiam tumultou a COP15 – encontro entre as partes realizado em Copenhague em dezembro passado, onde se esperava ver firmado um novo acordo mundial climático - ao anunciar a existência de um rascunho de texto final, preparado antes do encontro, sem a participação dos países emergentes. Fato que foi desmentido por todas as delegações, mas que chegou a afetar o clima nas salas de negociações e desviou energia e tempo dos presentes para seu esclarecimento.

Após a divulgação das falhas nos relatórios do IPCC, efeito semelhante alcançou a comunidade científica internacional que passou a questionar: podemos confiar nos mecanismos e nas conclusões do Painel? Chris Field, professor de Stanford e chefe de parte das pesquisas do Painel em 2008, lamentou que erros tenham manchado a imagem, até então intocada, do IPCC, mas considera que eles apontam que há “a oportunidade de fazer muito melhor”, sem desmerecer o que já foi feito. Já o professor de ciência ambiental e política da Colorado University, Roger Pielke Jr desconfia de uma “avaria sistemática nos procedimentos do IPCC” e da existência de mais erros.

Entre tantas vozes, o órgão e o próprio divulgador dos erros, Graham Cogley,  os consideraram não significativos, em comparação a todo o relatório, que possui 838 páginas no total. “É como debater se o Titanic afundou mais ou menos depressa; mas não há como negar seu naufrágio” comparou, em 21 de janeiro, Yvo de Boer, secretário da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, reafirmando a gravidade do aquecimento global. Boer anunciou que a partir de julho se desligaria da ONU para se tornar um consultor independente. Ele sofreu forte pressão pela expectativa de um acordo mundial já na Conferência Climática de Copenhague e sua decisão apimentou ainda mais a situação.

Estrutura e funcionamento pouco conhecidos
Assim como as confusões sobre a COP15 mostraram que o grande público e boa parcela da própria imprensa desconhecem o mecanismo formal de uma Conferência entre as Partes, julgamentos expressos do trabalho do IPCC também revelaram uma grave ignorância sobre métodos científicos e os relatórios do Painel gerados até o momento.

Quantas pessoas leram de fato estes estudos antes de opinar sobre eles?

Incomodado com as suspeitas levantadas e as críticas "exacerbadas", segundo qualificou o chairman do órgão, Rajendra K. Pachauri, o IPCC convocou, em 16 de fevereiro de 2010, os governos a formar um comitê independente para avaliar todos os procedimentos do Painel e também examinar quais mudanças possam ser necessárias. Ao mesmo tempo, reiterou a validade do 4o Relatório, afirmando que suas conclusões são baseadas em massivas evidências de milhares de estudos científicos independentes e verificados por pares e apoiadas em múltiplas linhas de análises e bancos de dados. Para estancar as críticas, a ONU anunciou em 10 de março o patrocínio de uma revisão autônoma do trabalho científico do Painel.

A conclusão deste estudo, entregue em 30 de agosto, avalia que “os processos empregados pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) para produzir seus relatórios periódicos têm sido, de modo geral, bem sucedidos. Entretanto, o IPCC precisa reformar fundamentalmente sua estrutura gerencial e fortalecer seus procedimentos, para que possa lidar com avaliações climáticas cada vez mais complexas, bem como com uma intensa demanda pública a respeito dos efeitos das mudanças climáticas globais”, conforme informações da Agência Fapesp.

O órgão também estuda a possibilidade de ter um quadro de cientistas fixos, remunerados para uma dedicação exclusiva e não contar mais apenas com o engajamento de cientistas voluntários.

O voluntariado passou a ser motivo de preocupação na crise deflagrada. Os cientistas participantes do IPCC são, em geral, pesquisadores de Universidades ou integrantes de Ministérios e órgãos públicos de seu país. Eles mantêm sua remuneração normalmente, enquanto avaliam os estudos e emitem seus pareceres e sabem da responsabilidade e da repercussão que este trabalho tem. Contudo, precisam fazer esta tarefa junto com todas as demais sob sua responsabilidade. “Na época que eu estava tocando um dos capítulos, meu co-chair era um pesquisador japonês da Honda. Ele tinha uma porção de estagiárias ajudando. No meu caso, eu era só eu, eu e eu mesma", afirmou Suzana Kahn, secretária nacional de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente durante encontro do Painel, realizado em 1 de março em Oxford, na Inglaterra, para planejar medidas que evitem novos erros.

Em todo caso, seus autores usam sempre de cautela e diferenciam suas afirmações em "provavelmente", "muito provavelmente" e como todo bom cientista, detalham os modelos usados para simulações e suas incertezas.

A maior limitação parece estar em contar com dados meteorológicos de mais longa data e de pontos mais variados no globo. Os dados utilizados são de 1850 para cá e há regiões não cobertas, principalmente nos países ainda em desenvolvimento. Mesmo assim, em vinte anos de trabalho, comprovações importantes foram alcançadas da interferência dos GEEs emitidos por atividade humana no equilíbrio do clima.

É importante salientar que Gases de Efeito Estufa (GEE) incluem não apenas o CO2, mas também metano (CH4), óxido nitroso (N2O), perfluorocarbonetos (PFC), hidrofluorocarbonetos (HFC) e enxofre (SF6). Uma das críticas comuns às previsões do Painel é de que emissões de carbono fariam bem ao Planeta, já que este elemento é alimento para as plantas e árvores. Esta visão desconsidera que quando se fala em 'emissões de carbono' se está apenas usando uma medida de equivalência para facilitar a comunicação e o entendimento dos cenários existentes e previstos.

Todas as simulações feitas pelo IPCC, até agora, mostraram um aumento artificial da temperatura, em todo o globo. Isto, mesmo se descontando o resfriamento causado por aerossóis e por menor incidência solar registrada nas últimas décadas. Os relatórios de 1990 e de 1995 serviram para mostrar como a atividade industrial nos países mais ricos provocaria danos sérios aos mais pobres nas décadas futuras. Graças a eles, foi firmado o Protocolo de Quioto que estabeleceu metas de redução de emissões para os mais industrializados e um mecanismo de compensação. Quem não atingisse a sua meta poderia financiar projetos que reduzissem emissões nos países em desenvolvimento, ganhando por isto, "créditos de carbono".

Este também foi um mecanismo mal compreendido. Sobretudo, em seu aspecto complementar. Só pode receber crédito de carbono, quem comprova que está agindo localmente para diminuir suas emissões e que, sem o dinheiro do mecanismo, ainda não teria recursos para fazer as melhorias necessárias. Por outro lado, só pode comprar este crédito, somando-os a sua meta de redução, países também comprometidos com as mudanças internas.

De qualquer forma, a velocidade destes projetos ficou prejudicada pela complexidade e custos de sua elaboração e aprovação junto aos organismos internacionais, onde toda documentação deve ser encaminhada em inglês. Mesmo assim, foram financiados a transformação de lixões em aterros; a captura e queima do metano (gás 21 vezes mais potente na geração do efeito estufa que o CO2); biodigestores e o reflorestamento de áreas degradadas, entre outras iniciativas. O Protocolo vence em 2012 e está sendo arquitetada uma renovação, que poderá abranger a remuneração por desmatamento evitado (REDD). Espera-se, inclusive, a adesão dos EUA ao novo acordo.

Resultado de Copenhague

Os EUA ficaram de fora do Protocolo de Quioto, no final dos anos 90, por não acreditar no efeito das emissões industriais sobre o clima global. Enquanto o terceiro relatório, de 2001, apontava evidências fortes do efeito da ação industrial sobre o aquecimento global, considerando-o "provável" (66% de chances ou mais), a análise de 2007 (IPCC AR4) concluiu como "muito provável" (até 90% de chance) que as atividades humanas, lideradas pela queima de combustível fóssil, estejam fazendo a atmosfera esquentar desde meados do século 20. Os últimos 11 anos, 1995-2004 (com exceção de 1996), estão entre os mais quentes no período e a Terra está se aquecendo mais no Hemisfério Norte.

Os EUA agora se convenceram deste fato, mas, sempre competitivos, apontam para a necessidade de todos os maiores poluidores se comprometerem com uma redução, mesmo aqueles ainda em desenvolvimento como China, Brasil e Índia. Sem isto, continuam resistindo a abraçar metas específicas internas e seu Congresso chegou ao ponto de proibir que Estados o fizessem voluntariamente, como aconteceu com a Califórnia. Este impasse e mais incertezas quanto às metas de redução necessárias passaram a elaboração de um documento final para o próximo encontro das partes no México, em 2010. Isto causou grande frustração aos que esperavam um novo acordo já na COP15 em dezembro passado. Contudo, o caminho está pavimentado para as negociações terem sucesso antes do vencimento do atual Protocolo. O próprio presidente norte-americano, Barack Obama, propôs no final da COP15, uma lista de compromissos, aceita no ato por África do Sul e Brasil e, em março deste ano, pela China e Índia. Este documento chamado de “Acordo de Copenhague” ainda não tem detalhamentos de metas e nem validade de lei, mas já reúne interlocutores de peso para a formulação de um documento legal futuro. Carlos Nobre, doutor em meteorologia e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), observa: “Copenhague não deu muito certo, mas há um movimento mundial de transição para uma economia de baixo carbono”.

Outra voz de peso que faz uma análise otimista da situação é Al Gore, ex-vice-presidente norte-americano, realizador do documentário Uma Verdade Inconveniente, ganhador junto com o IPCC do Nobel da Paz de 2007 por seu esforço em combater as mudanças climáticas. Al Gore defende que temos tempo e ferramentas suficientes para solucionar até três ou quatro crises do clima, como a que estamos atravessando em seu novo livro “Nossa Escolha”.

O que falta?

Mais do que um acordo global, o Planeta precisa de ações locais imediatas. Mesmo sem todo este esforço de pesquisas, é fácil perceber que poluir o ar, o solo e as águas é destruir vida. Como atender uma demanda crescente de consumo por itens industrializados, lazer, viagens etc. sem sacrificar a Natureza e eliminar os serviços ambientais que ela nos presta? Esta é a pergunta para a humanidade decifrar. Tentar respondê-la de forma unificada, para além de fronteiras políticas, compartilhando descobertas, tecnologias e recursos naturais, dentro de uma visão de responsabilidade universal, pode custar muito menos a todos do que uma corrida de "salve-se quem puder".

O Planeta nos dá sinais claros que já não suporta tanta pressão. Escolher a cooperação, em vez da bruta competição entre nações que marcou os séculos passados, pode ser a decisão mais inteligente para enfrentar os impactos das mudanças já em curso.

“A ação humana tem capacidade para alterar o clima, tanto para melhor, quanto para pior. Podemos desertificar uma área, desmatando, eliminando elementos que retêm as águas ou diminuem sua velocidade, para que elas infiltrem no solo e podemos fazer o contrário”, apontou José A. Marengo, pesquisador do CPTEC/INPE, em um extenso estudo elaborado em colaboração com o Departamento de Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP/IAG) e com a Fundação Brasileira de Desenvolvimento Sustentável (FBDS).

Marengo afirma que as informações transmitidas ao público em geral têm sido, quase sempre, muito concisas e, por vezes, imprecisas. Neste sentido, não somente a população, mas principalmente os tomadores de decisão, nem sempre têm conseguido discernir as certezas e incertezas com relação às variações do clima presente e, principalmente, do futuro.

Como um relatório é gerado

As análises do IPCC são as mais completas de que dispomos. Elas são realizadas por três Grupos: um centrado em Base Científica, outro no estudo da Vulnerabilidade, Consequências e Adaptação e o terceiro na Mitigação, apontando onde e como é possível reduzir as emissões de GEEs. Além disto, o Painel mantém uma força tarefa em Inventários Nacionais de GEEs e um grupo de apoio em dados e cenários para análises de clima e seus impactos. Este último cuida, sobretudo, de tornar acessível os dados utilizados e gerados pelo Painel, o que faz por meio de Centro de Distribuição, de consulta aberta em http://www.ipcc-data.org/.

Os relatórios levam em conta manifestações climáticas periódicas, como as correntes El Nino e a El Nina e também o fato de que o clima regional e o global podem mudar com o desmatamento e outras atividades associadas ao uso da terra, como a agricultura e construção de grandes cidades. Prédios e asfalto retêm muito mais radiação térmica do que as áreas não-urbanas. Assim, buscam registros de temperatura fora dos grandes centros e também sobre os oceanos. No Brasil, por exemplo, o INMET – Instituto Nacional de Metereologia administra mais de 400 estações, espalhadas por todo o país, sendo 29 de altitude. O Instituto possui 10 Distritos Regionais que recebem, processam e enviam estes dados para sua sede, em Brasília. Esta, por sua vez, processa estes dados e os envia por satélite para todo o mundo.

Os estudos do IPCC utilizam dois modelos de clima: Modelos Globais Atmosféricos (GCMs) ou Modelos Globais Acoplados Oceano-Atmosfera (AOGCMs). As simulações acontecem segundo quatro cenários: A1 é o cenário que descreve um mundo futuro onde a globalização é dominante; A2 é o cenário que descreve um mundo futuro muito heterogêneo onde a regionalização é dominante; B1 é o cenário que descreve uma rápida mudança na estrutura econômica mundial, onde ocorre uma introdução de tecnologias limpas e B2 é o cenário que descreve um mundo no qual a ênfase está em soluções locais, na sustentabilidade econômica, social e ambiental.

Como o planeta é dinâmico, há muitas variáveis nas previsões realizadas. Sobretudo porque novos elementos modificam as condições naturais constantemente. Assim, os cientistas convivem com várias incertezas para suas análises e previsões. Marengo define as principais como:

- Incertezas nas emissões futuras de gases de efeito estufa e aerossóis e nas atividades vulcânica e solar que afetam o sistema climático;

- Incertezas na inclusão de efeitos diretos do aumento na concentração de CO2 atmosférico nas plantas e do efeito de comportamento das plantas no clima futuro;

- Incertezas na sensibilidade do clima global e nos padrões regionais das projeções do clima futuro simulado pelos modelos. Isto devido às diferentes formas em que cada AOGCM representa os processos físicos e os mecanismos do sistema climático. Cada AOGCM simula um clima global e regional com algumas diferenças nas variáveis climáticas como temperatura do ar, chuva, nebulosidade e circulação atmosférica.

- Variabilidade natural do clima, derivadas de perturbações internas do sistema climático (não forçadas pelos gases de efeito estufa) e associadas à poluição atmosférica e liberação de gases de efeito estufa, devido ao desenvolvimento industrial em muitos países do mundo.

Olhando-se para isto, pode-se entender porque um consenso em relação a metas e compromissos é um exercício complexo que demanda tempo. As novas tecnologias em satélites e supercomputadores e o desenvolvimento de modelos acoplados, que incluem mais realisticamente as interações da vegetação e carbono com a baixa atmosfera e com uma resolução espacial maior, podem ajudar a reduzir as dúvidas nas previsões climáticas para os anos por vir. O quarto relatório do IPCC já é uma prova disto, atingindo graus maiores de probabilidade em relação aos relatórios anteriores, como já citado.

Uma perspectiva ainda mais ampliada, como o fato de todo o sistema solar estar em movimento no universo e isto também afetar as condições terrestres, também pode trazer novidades e aspectos até agora ignorados nas simulações e previsões. Em todo caso, o trabalho conjunto organizado pelo IPCC já cumpriu o objetivo mais importante: chamar a atenção para a necessidade de mudança e da atividade humana reencontrar um ritmo em equilíbrio com os ciclos naturais, o quanto antes.

Que país fará isto primeiro é realmente a pergunta errada. O jogo de "só faço, se você fizer também" pode levar ambas as partes a colapsos indesejados. A humanidade, em horas de cataclismos, demonstra que a solidariedade prevalece. Unir forças e privilegiar, não um sistema econômico artificial, sem lastros reais, mas, sim os elementos vitais de sobrevivência é uma opção presente. Resta saber quando acordaremos para ela e, em vez de contas bancárias polpudas ou negociações internacionais infindáveis, que geram contratos e dívidas, negociados por outros contratos e dívidas, iremos preferir investir em rios, ar e cidades limpas.

Se governantes demoram a se decidir, a população pode agir por conta própria, reduzindo seu consumismo, usando água e energia com mais consciência e evitando comprar aquilo que não tem descarte adequado já estabelecido. Se ao contrário, a população demora a se conscientizar, os governantes podem acelerar o processo através de campanhas, leis e fiscalização eficazes. Ao mesmo tempo, empresários podem buscar melhores tecnologias e processos, garantindo a sobrevivência de seus negócios no futuro. Construir uma nova cultura, pautada na responsabilidade socioambiental, é uma tarefa que cabe a todos.

Muitas soluções inovadoras já existem. Urge multiplicá-las. Quem olha para o planeta como um todo, sabe desta premência. Comunicá-la aos que ainda não compreenderam é perturbar egoístas e acomodados e despertar reações muitas vezes destrutivas. Os integrantes do IPCC que o digam.

(Agência Envolverde)

domingo, 29 de agosto de 2010

Camponesas sul africanas sentem a mudança climática

Por Kristin Palitza, da IPS 


Cidade do Cabo, África do Sul, 27/8/2010 – A falta de chuvas arruinou a temporada de semeadura e a colheita, reduzindo drasticamente a renda das camponesas sul-africanas Mary-Anne Zimri e Katrina Scheepers. A política que o governo prepara para mitigar as consequências da mudança climática não parece contemplá-las. “Fomos atingidas por todos os lados”, disse Mary-Anne. Ela e Katrina fazem parte de uma cooperativa de Wuppertal, pequena aldeia da província de Cabo Ocidental.

A cooperativa especializa-se no rooibos (Aspalathus linearis), com o qual se prepara chá, e também vende verduras e gado. “Começamos a plantar rooibos em julho, mas este ano foi muito seco”, disse Mary-Anne. Há décadas dependem das chuvas de inverno para irrigar as plantações e agora não conseguem fazer isso, informou. A cooperativa não tem sistema de irrigação. As agricultoras têm de pegar água em baldes do rio que fica a vários quilômetros, o que não basta para manter uma boa produção.

Além do rooibos, a falta de chuva fez com que o alimento dos animais não crescesse como se esperava e as verduras são muito menores do que no ano anterior. “Não acontece só com a gente. A maioria dos camponeses da região perdeu seus cultivos porque está muito seco”, disse Katrina. As incomuns baixas temperaturas de inverno fizeram com que as geadas queimassem a colheita de batata. “Isso nunca tinha acontecido. Não nos últimos 50 anos”, acrescentou.

Os camponeses de Wuppertal atravessam uma situação difícil porque estão a 75 quilômetros da loja de alimentos mais próxima. Sempre dependeram de seus cultivos para terem alimentos. Agora, precisam comprar até para os animais, o que representa gasto adicional. Para a maioria dos membros da cooperativa, que arrendam um terreno da igreja local por uma pequena quantia, a drástica redução das chuvas implica que devem conseguir trabalhos sazonais em fazendas comerciais. Esse tipo de emprego costuma ser mal pago, não é seguro e não traz benefícios.

Mary-Anne e Katrina participaram da mesa-redonda “Mulheres e adaptação à mudança climática: ênfase na segurança alimentar”, organizada pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF) e pela Universidade de Cabo Ocidental, no dia 18. Ali, se informaram sobre estratégias de adaptação à mudança climática e legislação ligada ao fenômeno. “As questões da mudança climática, pobreza, ambiente e gênero estão intrinsecamente vinculadas”, disse Louise Naudé, da WWF África do Sul. “A mudança climática afeta especialmente as mulheres, assim como a falta de alimentos e os desastres naturais. É preciso equilibrar as diferenças de gênero e diminuir a vulnerabilidade delas no setor”, explicou.

Numerosas pesquisas mostram que as mulheres mais pobres costumam sofrer mais os efeitos da mudança climática por terem menos acesso aos recursos. Para elas é mais difícil coletar água e lenha para o fogo. As meninas e as adolescentes costumam ter de largar a escola para ajudar em casa. Onde rege a posse tradicional da terra, as mulheres devem deixar de plantar cultivos de consumo doméstico para dar lugar às espécies comerciais. O governo, por intermédio do Departamento de Assuntos Ambientais, elabora uma política nacional para atender os efeitos da mudança climática, e para isso consultou, em maio, vários especialistas e organizações da sociedade civil.

O conteúdo do rascunho é confidencial, mas, segundo os especialistas consultados que receberam uma cópia, não contém a palavra “mulher” nem “gênero”, embora elas sejam a maioria dos pequenos agricultores e as mais vulneráveis às consequências da mudança climática. “Uma política efetiva deve começar e terminar com a gente, mas o documento ignora isto”, disse Dorah Lebelo, coordenadora da organização Gender CC-Women for Climate Justice. O Departamento de Assuntos Ambientais deve introduzir uma perspectiva de gênero no documento, insistiu. “Pouquíssimos atores sociais foram ouvidos em maio, o que não pode substituir entrevistas com as mulheres diretamente ligadas à situação”, afirmou Dorah.

A especialista também questiona o fato de a consulta ter ocorrido por e-mail. “O departamento assume que todos sabem ler e escrever. Assim, excluiu 24% dos adultos sul-africanos prejudicados pela mudança climática, em especial as mulheres”, destacou. A maioria das pequenas produtoras, que não têm computadores nem Internet, ficou fora do processo. Ao que parece, o governo apoiará soluções de adaptação à mudança climática de grande escala e concentradas no mercado, como energia nuclear e transgênicos. Nada que beneficie as mulheres. “A prioridade parece estar em mudanças tecnológicas, não na vida diária das pessoas”, lamentou.

“É preciso pressionar o governo para que incentive a participação comunitária, especialmente das mulheres, nos processos de decisão, planejamento e governança de assuntos vinculados à mudança climática”, acrescentou Dorah. “Precisamos de soluções centradas nas pessoas em contextos específicos, que sejam participativas e baseadas em conhecimentos locais. Por fim, queremos criar circunstâncias ambientais controladas pelas mulheres para que não fiquem em situação de dependência”, insistiu. Envolverde/IPS

(IPS/Envolverde)

Mudanças climáticas alteram crescimento das florestas

As mudanças climáticas já estão causando alterações no padrão de crescimento das florestas - tanto das tropicais quanto das temperadas -, mostram dois estudos realizados pelo Smithsonian Institution, dos Estados Unidos. As alterações no clima têm feito com que as florestas tropicais cresçam em um ritmo mais lento do que o habitual, ao passo que o inverso ocorre nas florestas temperadas, onde as árvores se desenvolvem a taxas mais aceleradas. Em ambos os casos, o fenômeno pode ser explicado pelo aumento nas concentrações de CO2 na atmosfera.

"Nos últimos 40 anos verificamos um aumento de 15% nas emissões de CO2 na atmosfera. Era esperado que isso afetasse os padrões de crescimento das florestas, mas só agora estamos tendo as primeiras pistas de como isso está acontecendo na prática", afirma o pesquisador Stuart James Davies, diretor científico do Smithsonian Tropical Research Institute, considerada uma das principais instituições mundiais de estudos na área de ecologia tropical, com atuação em 40 países.

No Brasil, o Experimento de Grande Escala da Interação Biosfera-Atmosfera da Amazônia (LBA), iniciativa que soma mais de 150 projetos de pesquisas, ainda não possibilitou aferir conclusões sobre como o bioma é afetado pelo aquecimento global. "Ainda não temos dados suficientes para afirmar que a floresta tropical brasileira teve seus padrões de crescimento alterados em razão das mudanças climáticas", afirma Luiz Antonio Martinelli, pesquisador da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP). Ele explica que as florestas tropicais têm maior variabilidade genética e possibilidade de adaptação a mudanças do que as florestas de clima temperado. "Mas já temos um banco de dados consistente para investigações futuras." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Comprender el 'impasse' climático

JEFFREY D. SACHS 22/08/2010

Todas las señales sugieren que el planeta sigue dirigiéndose en línea recta al desastre climático. La Administración Nacional Oceanográfica y Atmosférica de Estados Unidos ha publicado su Informe del estado del clima, que cubre de enero a mayo. Los primeros cinco meses de este año fueron los más cálidos de los que se tiene registro desde 1880. Este mayo fue el más cálido de la historia. En la actualidad, varias partes del mundo están siendo afectadas por intensas olas de calor. Y, sin embargo, todavía no tomamos medidas eficaces.

Hay varias razones para ello y tenemos que comprenderlas para salir del punto muerto en que nos encontramos. En primer lugar, el reto económico del cambio climático causado por las actividades humanas es verdaderamente complejo. Este cambio surge de dos fuentes principales de emisiones de gases de efecto invernadero [principalmente dióxido de carbono, metano y óxido nitroso]: el uso de combustibles fósiles para generar energía y las actividades agrícolas, lo que incluye la deforestación para crear nuevas tierras de cultivo y pastoreo.

No es tarea pequeña cambiar los sistemas energéticos y agrícolas del mundo. No basta con agitar los brazos y declarar que el cambio climático es una emergencia. Necesitamos contar con una estrategia práctica para reestructurar dos sectores económicos centrales para la economía global y que involucran a la población de todo el mundo.

El segundo desafío importante al abordar el cambio climático es la complejidad de la ciencia misma. La comprensión actual del clima de la Tierra y del componente causado por el hombre es resultado de un trabajo científico extremadamente complejo del que forman parte miles de científicos de todo el mundo. Esta comprensión científica es incompleta y sigue habiendo incertidumbres significativas acerca de las magnitudes, los marcos temporales y los peligros precisos del cambio climático.

Naturalmente, a la opinión pública le resulta difícil entender y digerir toda esta complejidad e incertidumbre, especialmente porque los cambios en el clima están ocurriendo en un marco de décadas y siglos, más que meses y años. Más aún, de año en año e incluso de década en década las variaciones naturales en el clima se mezclan con el cambio climático causado por el hombre, lo que hace todavía más difícil determinar específicamente el daño que generamos.

Esto ha dado origen a un tercer problema al abordar el cambio climático, que procede de una combinación de importantes implicancias económicas del problema y la incertidumbre que lo rodea: la brutal y destructiva campaña contra la ciencia por parte de poderosos intereses creados e ideologías, que al parecer apuntan a crear una atmósfera de ignorancia y confusión.

The Wall Street Journal, por ejemplo, el más importante periódico de negocios de Estados Unidos, ha emprendido desde hace décadas una virulenta campaña contra la ciencia del clima. Quienes participan de ella no solo están mal informados en lo científico, sino que no muestran interés alguno por mejorar la manera en que se informan. Han declinado repetidos ofrecimientos de climatólogos para reunirse y debatir seriamente los temas.

Las grandes compañías petroleras y otros grandes intereses corporativos también forman parte de este juego y han financiado campañas de descrédito de la ciencia del clima. Su método general ha sido exagerar sus incertidumbres y dejar la impresión de que los climatólogos son una pieza de una especie de conspiración para asustar a la opinión pública. Se trata de una acusación absurda, y las acusaciones absurdas pueden concitar apoyo público si se presentan en un formato hábil y bien financiado.

Si sumamos estos tres factores -el enorme reto económico de reducir los gases de efecto invernadero, la complejidad de la ciencia del clima y las campañas deliberadas por confundir al público y desacreditar la ciencia-, llegamos a un cuarto problema que abarca a todo el resto: la falta de voluntad o incapacidad de los políticos estadounidenses para formular una política sensata acerca del cambio climático.

Estados Unidos tiene una responsabilidad desproporcionada por la inacción sobre el cambio climático, ya que durante mucho tiempo ha sido el mayor emisor de gases de efecto invernadero... hasta el año pasado, cuando China pasó a ocupar ese lugar. Incluso hoy, las emisiones estadounidenses per cápita son cuatro veces las de China. No obstante, y a pesar del papel central de EE UU en las emisiones globales, el Senado estadounidense no ha hecho nada al respecto desde la ratificación del tratado de las Naciones Unidas sobre el cambio climático hace 16 años.

Cuando Barack Obama fue elegido presidente de Estados Unidos hubo un cierto espacio para la esperanza. Sin embargo, si bien parece claro que Obama quisiera avanzar sobre el asunto, hasta ahora ha seguido una estrategia fallida de negociar con senadores y sectores clave de la industria para intentar generar un acuerdo. Pero los grupos de intereses creados han dominado el proceso y Obama no ha podido dar pasos en la dirección necesaria.

La Administración Obama debería haber intentado -y todavía debería hacerlo- un enfoque alternativo. En lugar de negociar con intereses creados en la trastienda de la Casa Blanca y el Congreso, Obama debería presentar un plan coherente al pueblo estadounidense, proponiendo una sólida estrategia para los próximos 20 años tendente a reducir la dependencia de EE UU de los combustibles fósiles, realizar la conversión a vehículos eléctricos y expandir las fuentes de energía no basadas en el carbono, como la energía eólica y la solar. Tras ello, debería presentar un coste estimado para la implementación de estos tres cambios en fases a lo largo del tiempo y demostrar que los costes serían modestos en comparación con los enormes beneficios.

Extrañamente, a pesar de ser un candidato del cambio, Obama no ha optado por presentar planes reales de acción para un cambio. Su Administración está cada vez más enredada en la paralizante trampa de los grupos de intereses creados. Es difícil decir si se trata de un resultado intencional, de manera que Obama y su partido puedan seguir movilizando grandes contribuciones de campaña, o consecuencia de una mala toma de decisiones. Es posible que refleje un poco de ambos.

Lo que es claro es que, como resultado, estamos acercándonos peligrosamente al desastre. Y la naturaleza nos está diciendo que nuestro actual modelo económico es peligroso y suicida. A menos que encontremos un verdadero liderazgo global en los próximos años, aprenderemos la lección de las maneras más duras posibles.

Jeffrey D. Sachs es profesor de Economía y director del Earth Institute en la Universidad de Columbia. Además es asesor especial del secretario general de las Naciones Unidas sobre las metas de desarrollo del milenio. 

© Project Syndicate, 2010. Traducido del inglés por David Meléndez Tormen.

Fonte: http://www.elpais.com/

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Mudança climática deve aumentar desigualdade entre Sudeste e Nordeste do Brasil

Preço dos alimentos deve subir por causa das alterações na temperatura da Terra

André Sartorelli, enviado do R7 a Fortaleza

Mariana Cardoso Campos/18.dez.2009/AEMariana Cardoso Campos/18.dez.2009/AE

Trabalhador transporta caixas cheias de tomates recém-colhidos em Apiaí, interior de São Paulo


Uma estimativa sobre as consequências das mudanças climáticas no Brasil mostra que em 2020 o país pode ter aumento da desigualdade entre as riquezas das regiões Sudeste e Nordeste. Além disso, deve ocorrer redução do PIB (Produto Interno Bruto).

Especialistas reunidos na ICID 2010 (Segunda Conferência Internacional: Sustentabilidade e Desenvolvimento em Regiões Semiáridas), que acontece nesta semana em Fortaleza, no Ceará, citam danos ao sistema de saúde, produção de alimentos, escassez de água e redução da biodiversidade e as projeções não são animadoras.

O economista Gustavo Inácio de Moraes concluiu recentemente uma tese de doutorado na Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) da USP (Universidade de São Paulo) cujo foco foi o impacto da mudança do clima na economia, tendo como base a agricultura, que depende diretamente dos recursos naturais.

O estudo levou em conta informações sobre efeitos do clima e produção de alimentos divulgadas pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e pelo IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas).

A primeira das duas análises se refere a 2020 e conclui que o Brasil deve ter uma redução no PIB de 0,29%. Com as mudanças na agricultura, o custo de vida das pessoas mais pobres aumenta porque o preço dos alimentos, em razão de os produtos ficarem mais escassos – isso é preocupante porque a parcela do orçamento gasta com comida é maior entre os mais pobres.

Em entrevista ao R7, Moraes contou que a desigualdade entre ricos e pobre deve aumentar, segundo essa projeção, especialmente entre quem vive nas regiões Sudeste e Nordeste.

- É correto dizer que o Nordeste, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul se distanciariam mais do Sudeste na ocorrência de mudanças climáticas brandas ou extremas. A razão básica é que estes Estados possuem uma estrutura econômica mais relacionada à atividade agrícola comparativamente aos Estados do Sudeste. Além disso, na presença de mudança climática, com impactos negativos na agricultura, recursos produtivos [capital e trabalho] dessas regiões tenderiam a migrar para as atividades de serviços e indústria. Assim, os Estados do Sudeste seriam beneficiados por possuírem uma estrutura econômica mais voltada para estes setores.

Em sua tese, são contempladas estimativas para a produção de feijão, milho, soja, algodão, arroz, cana de açúcar, mandioca e café.

Para 2020, a análise mostra um benefício da região Sudeste por ser grande produtora de cana de açúcar, que tem seu rendimento aumentado em condições de aquecimento climático brando.

Mas na segunda etapa da análise, referente a 2070, os ganhos para a atividade econômica do Sudeste são menores, pois o efeito benéfico sobre a cana desaparece em cenários mais graves de mudança climática, provocando um declínio nacional da atividade econômica. O mercado de trabalho passaria a ter uma migração da mão de obra das regiões Nordeste e Centro Oeste para as demais.

Também há a previsão, segundo o estudioso, de um grande fluxo de mão de obra para os setores urbanos, o que chama a atenção para a necessidade de que as políticas urbanas sejam aperfeiçoadas para garantir habitação e oferta de serviços público.

O economista diz que, de uma maneira geral, investimento em tecnologia agrícola e fontes renováveis de energia compensariam os efeitos das mudanças climáticas.

- Poderíamos pensar em aumento de subsídios para aquisição de tecnologia agrícola, mas em especial para diminuir o custo dos alimentos, atenuando o efeito sobre a distribuição de renda. E finalmente, uma estrutura econômica) menos dependente da agricultura seria recomendável, sobretudo para o Centro Oeste e Nordeste. Penso que projetos de desenvolvimento voltados para a indústria e serviços seriam mais adequados nestas do que em outras regiões.

O repórter viajou a convite do Ministério do Meio Ambiente

No caos climático, evidências do aquecimento global


Cientistas americanos começam a abandonar a cautela e a apontar o aumento da temperatura causado pelo homem como origem de desastres


Justin Gillis THE NEW YORK TIMES - O Estado de S.Paulo
 
Paquistão. Neste mês, o país do Sudeste Asiático enfrenta as piores inundações dos últimos 80 anos. Pelos menos 1,4mil pessoas morreram e outras 20 milhões foram afetadas
Inundações causaram danos em diferentes regiões dos Estados Unidos, no atual verão no Hemisfério Norte. Um dilúvio no Paquistão atingiu 20 milhões de pessoas. E ondas de calor cozinharam o leste dos EUA, partes da África, da Ásia Oriental e sobretudo a Rússia, onde milhões de hectares de trigo foram perdidos e milhares de pessoas morreram por causa da pior seca da história do país.
Aparentemente sem relação, esses desastres indicam, segundo os cientistas, que o aquecimento global provoca essas mudanças extremas do clima. "Eventos extremos vêm ocorrendo com maior frequência e em muitos casos com maior intensidade", diz Jay Lawrimore, chefe do departamento de análise climática do Centro Nacional de Dados Climáticos em Asheville, na Carolina do Norte.
Em teoria, o mundo aquece por causa dos gases-estufa, o que provoca temporais no verão, nevascas no inverno, seca mais intensa em alguns lugares e ondas de calor em outros. Evidências estatísticas mostram que isso começou a ocorrer.
Mas não ficou mais fácil ligar ocorrências climáticas específicas às mudanças climáticas. Muitos climatólogos relutam em ir tão longe, observando que o clima já se caracterizava por uma notável variabilidade muito antes de o homem começar a queimar combustíveis fósseis.
"Se alguém me perguntar se, pessoalmente, acho que a intensa onda de calor na Rússia tem a ver com as mudanças climáticas, a resposta é sim", diz Gavin Schmidt, pesquisador da Nasa. "Mas ao me perguntar se, como cientista, tenho provas disso, a resposta é não - pelo menos até agora", completa.
Na Rússia, essa cautela vem sendo adotada pelos estudiosos. O país sempre assume um papel relutante nas negociações globais para lidar com essas mudanças - talvez em parte porque espera tirar proveito econômico com o aquecimento do seu vasto território siberiano. Mas as ondas de calor, seguidas de seca e incêndios, numa região normalmente fria, parecem estar fazendo os russos mudarem de ideia.
Se a Terra não estivesse aquecendo, as variações aleatórias do clima deveriam causar o mesmo número recorde de altas e baixas de temperatura durante um dado período. Mas os climatólogos há muito entendem que, teoricamente, num mundo que vem esquentando, o calor adicional causaria mais recordes de altas de temperatura e menos quedas. As estatísticas sugerem que está acontecendo exatamente isso.
Hoje, nos EUA, temos uma queda recorde de temperatura em relação a dois recordes de alta, uma evidência reveladora de que, em meio a todas as variações aleatórias do clima, a tendência é no sentido de um clima mais quente.
Tempo inusitado. De acordo com um estudo do governo americano publicado em 2008, "nas últimas décadas, excepcionalmente, grande parte da América do Norte observou mais dias e noites quentes, menos dias e noites frios e menos dias gelados", o que também é inusitado. Mas as chuvas se tornaram mais frequentes e mais intensas.
Pesquisas mostram que o aquecimento global vai agravar essas mudanças extremas em grande parte do planeta. Áreas úmidas ficarão ainda mais úmidas, dizem os cientistas, enquanto que as regiões secas se tornarão mais secas.
Mas não são padrões uniformes: as mudanças na circulação dos ventos e dos oceanos podem ter efeitos inesperados, como algumas áreas ficando mais frias num mundo mais aquecido. E padrões climáticos estabelecidos há muito tempo, como as variações periódicas no Oceano Pacífico conhecidas como El Niño, devem contribuir para tais ocorrências excepcionais, como as fortes chuvas e temperaturas frias em partes normalmente áridas da Califórnia.
Para os cientistas, vamos observar tempestades mais violentas no inverno e no verão, em grande parte por causa do princípio físico de que o ar mais quente contém mais vapor de água.
Vamos esperar de um a dois anos até os climatólogos publicarem suas análises definitivas sobre as ondas de calor na Rússia e as inundações no Paquistão, que poderão esclarecer o papel da mudança climática nesses casos. Alguns estudiosos suspeitam de que esse calor e essa chuva foram causados ou agravados por uma mudança em uma corrente de ar que circula em altas altitudes.
Alguns casos recentes foram tão severos que alguns cientistas estão abandonando sua tradicional posição de cautela e atribuindo ao clima a ocorrência de certos desastres. Kevin Trenberth, chefe do departamento de análises climáticas do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica em Boulder, Colorado, sugeriu em um estudo que o furacão Katrina trouxe mais chuvas para a Costa do Golfo porque a tempestade foi intensificada pelo aquecimento global. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO
Fonte: Jornal Estado de São Paulo, 18 de agosto de 2010

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Mudança climática deve piorar desigualdade de renda no País

Da redação

Até 2020, as transformações que a agricultura do Brasil deve sofrer com as mudanças climáticas vão contribuir para diminuir o produto interno bruto (PIB) em 0,29% do que seria caso não houvesse mudança climática e piorar a desigualdade de renda.

É o que mostra uma simulação feita pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, pelo economista Gustavo de Moraes.

O pesquisador estudou o assunto durante seu doutorado na universidade. Moraes se baseou em previsões da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) sobre a perda de áreas de cultivo de produtos agrícolas com grande importância econômica: soja, cana de açúcar, milho, café, arroz, feijão, mandioca e algodão.

Por sua vez, a Embrapa baseou-se em seis cenários de mudanças climáticas, propostos pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU).

O economista escolheu dois cenários --um deles previa mudanças brandas até 2020 e perda pequena em terras aráveis. Outro previa aumentos mais graves de temperatura até 2070 e perdas maiores de terras aptas para produção agrícola.

Com os dados, ele alimentou um modelo econômico --uma série de equações que mostra como as perdas na agricultura impactam os outros setores da economia.

"A minha pesquisa avalia apenas os impactos na economia dos efeitos das mudanças climáticas na agricultura", diz Moraes. "Mas as mudanças também terão efeitos sobre a saúde, o clima das cidades litorâneas e eventos climáticos extremos [como furacões e enchentes]. Por isso, a conta pode aumentar."

Segundo o estudo, as perdas econômicas acontecem de forma desigual: o PIB do Nordeste em 2020 será 4% menor do que seria caso não houvesse mudança climática. Já o Sudeste teria um aumento de 0,83%. No centro-oeste, a queda é de 2,9%, concentrada nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Para 2070, a pesquisa mostra uma queda do PIB brasileiro em 1,1%. No nordeste, a queda seria 6,13%.

EQUADOR

O nordeste e as regiões produtoras de soja do centro-oeste devem perder dinheiro porque estão em regiões tropicais e, portanto, mais sujeitas às mudanças climáticas. O modelo prevê, por exemplo, que o preço de produção da soja aumente 36% no Mato Grosso e 60% no Mato Grosso do Sul.

Com isso, investimentos destinados à agricultura e trabalhadores da lavoura tendem a migrar para o Distrito Federal e Estados do Sul e Sudeste, onde os setores de indústria e serviços são mais consolidados. Com crédito e salários baixos, os bens produzidos por esses setores devem ficar mais baratos.

O modelo também prevê aumento dos custos de produção de alimentos --que acontece de forma desigual no país. Um exemplo: o cenário de 2020 prevê aumento no custo de produção do arroz em 36% no Maranhão, quarto maior produtor do país. Mas o custo não se altera no maior produtor, o Rio Grande do Sul.

O pesquisador também explica que simulações como esta são boas para prever tendências, mas não para apontar dados exatos. Além disso, é impossível prever com exatidão o comportamento dos agentes da economia --apenas apontar o mais provável.

CONCENTRAÇÃO DE RENDA

As transformações da agricultura vão contribuir para aumentar o custo de vida dos mais pobres e diminuir o dos mais ricos. O motivo: o preço dos alimentos, que vai sofrer alta, corresponde a uma proporção maior do orçamento dos mais pobres. Já para os mais ricos, a maior parte do dinheiro é direcionada a serviços e bens industriais, cujos preços devem diminuir.

A previsão do modelo é que no Nordeste em 2020, por exemplo, o custo de vida das famílias que ganham entre 3 e 5 salários mínimos aumente 1,19%. O das famílias que ganham de 20 a 30 salários mínimos deve diminuir 0,35%. Já no Sudeste, por exemplo, o aumento é de 0,08% para as famílias de menor renda e a queda, de 0,18% para famílias mais ricas.

Já o cenário de 2070 prevê para o Nordeste aumento do custo de vida de 1,85% para os mais pobres e queda de 0,18% do custo dos mais ricos.

O pesquisador explica que para se antecipar às mudanças a economia do Nordeste deve passar a depender menos da agricultura e mais dos serviços e indústria. "Como são cenários climáticos de longo prazo, os planejadores de políticas públicas podem preparar-se para eles", acrescenta Moraes.

"As previsões do modelo para o Brasil repetem as transformações em escala global", diz o economista. "Alguns países industrializados e temperados devem se beneficiar, enquanto países mais pobres de clima quente vão perder."

Fonte: Jornal Correio do Estado, Sábado, 14 de agosto de 2010

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Reunião do clima em Bonn termina com "progressos"

Por Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York. 


Secretária-executiva da Convenção sobre Mudança Climática diz que governos avançaram sobre o formato de uma conferência sobre o tema, marcada para novembro, no México.

A Convenção da ONU sobre Mudança Climática, Unfccc, encerrou nesta sexta-feira mais uma rodada de negociações com governos, sociedade civil e especialistas sobre o tema.

O encontro, em Bonn, na Alemanha, é o penúltimo antes da Conferência sobre Mudança Climática, marcada para novembro em Cancún, no México.

Emissões

A secretária-executiva da Unfccc, Christiana Figueres, disse que a reunião registrou progressos sobre o formato da conferência.

Segundo ela, os governos agora precisam analisar as variadas opções para ação sobre o combate ao aquecimento global.

Uma das ações indicadas por Christiana Figueres a ser tomada por governos são as promessas dos países industrializados de cortar as emissões de dióxido de carbono até 2020.

Cerca de 3 mil delegados participaram do evento em Bonn.


Para ouvir esta notícia clique: http://downloads.unmultimedia.org/radio/pt/real/2010/10080611i.rm ou acesse: http://www.unmultimedia.org/radio/portuguese/detail/183178.html

(Envolverde/Rádio ONU)

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Rachadura no gelo assusta pesquisadores britânicos no Ártico


Martin Hartley

da BBC Brasil

Uma equipe de pesquisadores britânicos foi surpreendida por uma rachadura gigante no gelo logo abaixo de uma das barracas de seu acampamento, no Ártico.

Os três integrantes da equipe Catlin Arctic Survey estão na região para uma pesquisa anual que avalia os efeitos das mudanças climáticas.

Rachadura no gelo assusta pesquisadores britânicos do Catlin Arctic Survey no Ártico


Os pesquisadores Ann Daniels, Martin Hartley e Charlie Paton, estavam acampados no gelo quando ele começou a rachar.

"Ouvimos um estalido, alguns estrondos e, de repente, o gelo começou a se romper. Tudo aconteceu muito rápido", disse Charlie Paton.

A pesquisadora Ann Daniels conta que os pesquisadores já tinham observado o gelo se movimentando. Na manhã seguinte, depois dos barulhos, o gelo começou a se abrir de repente.

"O gelo começou a se romper do lado de fora [do acampamento]. Então o gelo começou a se romper cada vez mais perto das barracas e então, embaixo das barracas. Martin [Hartley] e eu começamos a tirar tudo (das barracas) e empacotar tudo o mais rápido que podíamos."

"Estávamos retirando todo o equipamento quando Charlie [Paton] gritou: 'Saiam agora'", relatou a pesquisadora à BBC.

"Tivemos que decidir rapidamente em lado da rachadura iríamos ficar e resgatar rapidamente todo o equipamento para evitar danos."

Apesar do susto, nenhum dos equipamentos ficou danificado e os pesquisadores não se feriram.

A equipe de pesquisadores britânicos também está tendo que enfrentar outras dificuldades na região, como grandes extensões de águas abertas, gelo se movimentando rapidamente e placas de gelo deslizando umas sobre as outras.

A missão da equipe britânica é coletar dados para investigar qual o impacto do dióxido de carbono no Oceano Ártico. Além de caminhar na região, os pesquisadores estão perfurando o gelo para fazer medições, além de coletar amostras de água do mar de diferentes profundidades. 
 
Fonte: http://www.folha.uol.com.br/

terça-feira, 13 de abril de 2010

Natura, em defesa do clima



Lançamento do Programa Defensores do Clima reforça a importância do engajamento do setor privado nas políticas de redução das emissões de carbono.

Em dezembro de 2009, os olhos do planeta estavam voltados para a Dinamarca. Na sua capital, Copenhague, acontecia aquela que, até então, era considerada a reunião climática mais importante da história. A principal expectativa na 15ª Conferência das Partes, organizada pelas Nações Unidas, girou em torno da assinatura de um acordo global legalmente vinculante para dar continuidade para a primeira fase do Protocolo de Quioto que acaba em 2012.

Os líderes políticos e negociadores, uma vez mais, não ouviram os cientistas e deixaram o país europeu pela porta dos fundos, sem a foto oficial ou rubricas em documentos capazes de conter o aquecimento. Uma semana antes de eles chegarem, no entanto, um importante passo foi dado pela Natura Cosméticos. Em uma fria quinta-feira, dia 10, a empresa anunciou a ao Programa Defensores do Clima, do WWF-Brasil. Para tanto, prometeu reduzir em 10% as emissões absolutas de seus processos operacionais até 2012, em relação a 2008.          

Com este gesto, ela se tornou a primeira empresa brasileira a ingressar no seleto grupo de parceiras do Climate Savers, iniciativa criada pela Rede WWF há dez anos e que, desde dezembro, conta com 21 companhias em seu plano de ação (entre as quais gigantes como Coca-Cola, Lafarge e Nokia). Juntas, até o fim deste ano, elas terão deixado de lançar 14 milhões anuais de toneladas de gases de efeito estufa para a atmosfera, o equivalente às emissões da Bolívia.

Na próxima sexta-feira, dia 9 de abril, ocorre o lançamento oficial do Programa no Brasil em evento em São Paulo.  Em resumo, o programa é um convite ao setor privado para incluir as análises de riscos e oportunidades climáticas em suas políticas de negócios. A partir deste movimento, a empresa ganha a chance real de assumir a vanguarda no combate ao aumento médio da temperatura em seu segmento e se prepara para a regulação nas emissões empresariais – que, não há dúvidas, começará em breve.

A parceria entre o WWF-Brasil e a empresa participante tem a força de um compromisso formal, com metas ambiciosas e superiores ao que a empresa já havia anunciado anteriormente. Uma consultoria externa, contratada, faz o inventário das emissões e um raio-x completo de todo o processo produtivo. A partir daí, será possível identificar pontos-chave para os cortes. Eles podem estar na eficiência energética dos seus produtos, no uso de transportes, co-geração, energias renováveis e em processos industriais ou administrativos, entre outros.

A Natura, por exemplo, substituirá o combustível de seus fornos de calor por biomassa e etanol - este último, por sua vez, também passa a abastecer a frota de veículos. O WWF-Brasil busca estabelecer diálogo com outras companhias que estejam dispostas a fazer o mesmo com auxílio técnico e de comunicação, algo imprescindível para a solução da crise climática e fundamental para os negócios na transição em vias de uma economia global de baixo carbono.

Serviço:

Evento Lançamento oficial Programa Defensores do Clima

Dia: 09/04/2010, sexta-feira

Hora: de 8h30 às 11h

Local:
Hotel Meliá Jardim Europa – Rua João Cachoeira, 107 Itaim, São Paulo

Crédito da imagem: R.Isotti, A.Cambone - Homo Ambiens / WWF-Canon

WWF-Brasil

Água e mudanças climáticas

Por Juliana Lopes, Revista Idéia Socioambiental

CDP Water Disclosure convida empresas a refletir sobre como operar com recursos hídricos escassos.

Depois de propor às empresas um novo olhar sobre o seu negócio a partir da mensuração, comunicação e gestão de emissões de carbono, o Carbon Disclosure Project lança um novo desafio às organizações. Nesta quarta-feira, 7 de abril, encaminha o primeiro pedido de informação do CDP Water Disclosure a mais de 300 companhias de todo o mundo, solicitando que mensurem e tornem públicos os dados sobre o seu consumo de água, os riscos e oportunidades relacionados às suas operações e cadeia de valor, bem como os planos de gestão dos recursos hídricos.

Essas 300 empresas estão listadas no Global 500, ranking anual da revista Forture das maiores corporações do mundo, e representam setores intensivos no consumo de água, como automotivo, construção, energia, bens de consumo não duráveis.

Para Paul Dickson, executivo-chefe do CDP, muito do impacto da mudança climática será refletido na disponibilidade de água, por isso a organização pretende oferecer o mesmo sistema utiizado para gerir emissões, dessa vez com o intuito de auxiliar as companhias a operarem em um mundo de  recursos hídricos escassos.

O pedido de informação do CDP Water Disclosure foi assinado por 137 instituições financeiras globais, entre elas Allianz Group, CalSTRS, HSBC, ING, Mitsubishi UFJ Financial Group (MUFG) e National Australia Bank, que juntas totalizam U$S 16 trilhões em ativos.

Molson Coors,  Ford, L’Oréal, PepsiCo e Reed Elsevier são algumas das empresas que já se comprometeram a responder a aderir ao CDP Water Disclosure. Outras companhias, que não receberem o pedido de informação, também são bem vindas a participar do CDP Water Disclosure.

Os resultados do questionário serão publicados em um relatório anual, que será divulgado no último trimestre de 2010.

Conheça o CDP

Criado em 2004, o Carbon Disclosure Project encoraja companhias a mensurar, reduzir e gerenciar suas emissões de carbono e já conta com 3700 empresas signatárias. A organização atua como intermediária entre acionistas e companhias, alertando-os quanto às implicações das mudanças climáticas nos negócios.

Anualmente, o CDP encaminha um questionário, formulado por investidores institucionais e endereçado às empresas listadas nas principais bolsas de valores do mundo, visando obter a divulgação de informações sobre as políticas de mudanças climáticas. O GHG Protocol, elaborado pela World Resorces Institute e World Business Council for Sustainable Business, é ferramenta utilizada para mensurar as emissões.

O Carbon Disclosure Project detém hoje a maior plataforma de dados de emissões corporativas de gases de efeito estufa do mundo. Publica um relatório, anualmente, que oferece uma análise detalhada de como as maiores companhias do mundo estão respondendo às mudanças climáticas.

Em 2009, o pedido de informação anual do CDP foi assinado por 475 investidores institucionais internacionais que juntos movimentam U$S 55 em ativos. Essa solicitação também foi estendida aos fornecedores por meio do CDP Supply Chain que conta com a adesão de 40 empresas dos Estados Unidos, Reino Unido e Brasil. Ao integrar o projeto, as companhias e seus fornecedores acabam por gerenciar riscos, uma vez que a pressão por produtos e processos menos intensivos em carbono é crescente.

Idéia Socioambiental

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Relatório indica normas com incidência em adaptação às mudanças climáticas no Brasil relacionadas aos desastres



A conscientização dos cidadãos é importante na prevenção e resposta aos desastres, especialmente das populações que ocupam áreas de risco, tanto para instruí-las sobre ações preventivas, como para alertá-las para os perigos que representam determinadas condutas

O trabalho "Diagnóstico da legislação: identificação das normas com incidência em mitigação e adaptação às mudanças climáticas - Desastres", de autoria de Paula Lavratti, Coordenadora Técnica do Projeto Direito e Mudanças Climáticas nos Países Amazônicos, e Vanêsca Buzelato Prestes, Coordenadora-Geral, apresenta dados do Brasil sobre o tema. Após apresentar a relação entre os desastres e as mudanças climáticas, "que é clara e não pode ser ignorada", relaciona as normas com incidência em adaptação.

As autoras destacam dados do Ministério do Meio Ambiente, publicados no estudo "Vulnerabilidade Ambiental - Desastres naturais ou fenômenos induzidos?", como o fato de que, entre 2002 e 2007, mais de um milhão e meio de pessoas foram afetadas por algum tipo de desastre natural. Em primeiro lugar, figuram as inundações, com 58% das ocorrências; seguidas da seca, com 14%; e, logo após, os deslizamentos de terra, com 11% das ocorrências. Na sequência, encontram-se os vendavais (8%), as temperaturas extremas (6%) e as epidemias (3%).

Na legislação brasileira, segundo dados do relatório, a relação entre desastres e mudanças climáticas se expressa por intermédio da introdução do conceito de "efeitos adversos da mudança do clima", feita pela Política Nacional sobre Mudança do Clima, entendidos como "as mudanças no meio físico ou biota, resultantes da mudança do clima, que tenham efeitos deletérios significativos sobre a composição, resiliência ou produtividade de ecossistemas naturais e manejados, sobre o funcionamento de sistemas socioeconômicos ou sobre a saúde da população".

Com relação ao diagnóstico da legislação brasileira sobre desastres, o exame da normativa teve por objetivo identificar a existência de dispositivos que tenham incidência na adaptação às mudanças climáticas, ainda que não tenham sido originalmente criados com essa finalidade. Os resultados basearam-se na legislação federal e dos Estados do Acre, Amazonas, Bahia, Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul, totalizando cerca de 35 normas estudadas.

O relatório divide as normas com incidência em adaptação em três itens: Defesa Civil; Normas Urbanísticas e de Planejamento Urbano; e Educação e Informação sobre Desastres.

Sobre a Defesa Civil, destaca-se sua relevante atuação na gestão das áreas de risco. Nesse ponto, uma das conclusões da pesquisa é que, em pese todo o aparato normativo criado para viabilizar a Defesa Civil, a sua efetiva atuação vem sendo limitada, ano após ano, por problemas orçamentários, pelo menos no que toca à esfera federal. Dessa forma, relatam as autoras, "a reduzida destinação de recursos e a baixa execução orçamentária aliada à priorização das ações de remediação ao invés de ações de prevenção comprometem seriamente qualquer política de combate a desastres, por melhor que venha a ser sua estruturação jurídica".

O estudo destaca a Lei Federal de parcelamento do solo urbano, os Planos Diretores e os Códigos de Edificação dos Municípios como legislações que guardam grande relevância para o tema, "isso porque cidades melhor estruturadas e dimensionadas para fazer frente ao aumento da frequência de eventos climáticos extremos podem contribuir para reduzir, de forma significativa, a ocorrência de desastres". Se haverá mais episódios de precipitação intensa, chovendo grandes quantidades em pouco espaço de tempo, é fundamental, dentro de uma estratégia eficiente de adaptação às mudanças climáticas, dimensionar o sistema de escoamento de águas pluviais, de maneira a que possa dar adequada vazão às águas, evitando enchentes na zona urbana. Da mesma forma, o índice de permeabilidade de uma cidade é outro fator relevante para evitar inundações.

Além disso, as autoras afirmam que a conscientização dos cidadãos também é importante na prevenção e resposta aos desastres, "especialmente das populações que ocupam áreas de risco, tanto para instruí-las sobre ações preventivas, como para alertá-las para os perigos que representam determinadas condutas".

A disponibilização de informações é vista como essencial para o sucesso de uma estratégia de combate aos desastres, acessíveis ao público leigo e aos estudantes em geral.

Nota-se, dessa forma, que uma estratégia de adaptação eficiente e eficaz exige não só a inserção da variável climática em todas essas políticas como também um esforço de coordenação e cooperação entre as diferentes esferas da federação na utilização dos instrumentos existentes, concluem as autoras.

O relatório, na íntegra, pode ser acessado no endereço:
www.planetaverde.org/mudancasclimaticas/index.php?ling=por&cont=pesquisa&codpais=1

Fonte: Envolverde/Assessoria de Imprensa

terça-feira, 6 de abril de 2010

Relatório indica normas com incidência em adaptação às mudanças climáticas no Brasil relacionadas aos desastres



  
A conscientização dos cidadãos é importante na prevenção e resposta aos desastres, especialmente das populações que ocupam áreas de risco, tanto para instruí-las sobre ações preventivas, como para alertá-las para os perigos que representam determinadas condutas

O trabalho "Diagnóstico da legislação: identificação das normas com incidência em mitigação e adaptação às mudanças climáticas - Desastres", de autoria de Paula Lavratti, Coordenadora Técnica do Projeto Direito e Mudanças Climáticas nos Países Amazônicos, e Vanêsca Buzelato Prestes, Coordenadora-Geral, apresenta dados do Brasil sobre o tema. Após apresentar a relação entre os desastres e as mudanças climáticas, "que é clara e não pode ser ignorada", relaciona as normas com incidência em adaptação.

As autoras destacam dados do Ministério do Meio Ambiente, publicados no estudo "Vulnerabilidade Ambiental - Desastres naturais ou fenômenos induzidos?", como o fato de que, entre 2002 e 2007, mais de um milhão e meio de pessoas foram afetadas por algum tipo de desastre natural. Em primeiro lugar, figuram as inundações, com 58% das ocorrências; seguidas da seca, com 14%; e, logo após, os deslizamentos de terra, com 11% das ocorrências. Na sequência, encontram-se os vendavais (8%), as temperaturas extremas (6%) e as epidemias (3%).

Na legislação brasileira, segundo dados do relatório, a relação entre desastres e mudanças climáticas se expressa por intermédio da introdução do conceito de "efeitos adversos da mudança do clima", feita pela Política Nacional sobre Mudança do Clima, entendidos como "as mudanças no meio físico ou biota, resultantes da mudança do clima, que tenham efeitos deletérios significativos sobre a composição, resiliência ou produtividade de ecossistemas naturais e manejados, sobre o funcionamento de sistemas socioeconômicos ou sobre a saúde da população".

Com relação ao diagnóstico da legislação brasileira sobre desastres, o exame da normativa teve por objetivo identificar a existência de dispositivos que tenham incidência na adaptação às mudanças climáticas, ainda que não tenham sido originalmente criados com essa finalidade. Os resultados basearam-se na legislação federal e dos Estados do Acre, Amazonas, Bahia, Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul, totalizando cerca de 35 normas estudadas.

O relatório divide as normas com incidência em adaptação em três itens: Defesa Civil; Normas Urbanísticas e de Planejamento Urbano; e Educação e Informação sobre Desastres.

Sobre a Defesa Civil, destaca-se sua relevante atuação na gestão das áreas de risco. Nesse ponto, uma das conclusões da pesquisa é que, em pese todo o aparato normativo criado para viabilizar a Defesa Civil, a sua efetiva atuação vem sendo limitada, ano após ano, por problemas orçamentários, pelo menos no que toca à esfera federal. Dessa forma, relatam as autoras, "a reduzida destinação de recursos e a baixa execução orçamentária aliada à priorização das ações de remediação ao invés de ações de prevenção comprometem seriamente qualquer política de combate a desastres, por melhor que venha a ser sua estruturação jurídica".

O estudo destaca a Lei Federal de parcelamento do solo urbano, os Planos Diretores e os Códigos de Edificação dos Municípios como legislações que guardam grande relevância para o tema, "isso porque cidades melhor estruturadas e dimensionadas para fazer frente ao aumento da frequência de eventos climáticos extremos podem contribuir para reduzir, de forma significativa, a ocorrência de desastres". Se haverá mais episódios de precipitação intensa, chovendo grandes quantidades em pouco espaço de tempo, é fundamental, dentro de uma estratégia eficiente de adaptação às mudanças climáticas, dimensionar o sistema de escoamento de águas pluviais, de maneira a que possa dar adequada vazão às águas, evitando enchentes na zona urbana. Da mesma forma, o índice de permeabilidade de uma cidade é outro fator relevante para evitar inundações.

Além disso, as autoras afirmam que a conscientização dos cidadãos também é importante na prevenção e resposta aos desastres, "especialmente das populações que ocupam áreas de risco, tanto para instruí-las sobre ações preventivas, como para alertá-las para os perigos que representam determinadas condutas".

A disponibilização de informações é vista como essencial para o sucesso de uma estratégia de combate aos desastres, acessíveis ao público leigo e aos estudantes em geral.

Nota-se, dessa forma, que uma estratégia de adaptação eficiente e eficaz exige não só a inserção da variável climática em todas essas políticas como também um esforço de coordenação e cooperação entre as diferentes esferas da federação na utilização dos instrumentos existentes, concluem as autoras.

O relatório, na íntegra, pode ser acessado no endereço:
www.planetaverde.org/mudancasclimaticas/index.php?ling=por&cont=pesquisa&codpais=1

Fonte: Envolverde/Assessoria de Imprensa