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terça-feira, 10 de junho de 2008

Contra crítica a etanol, Lula quer mecanização do corte da cana

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no seu programa de rádio, Café com o Presidente, afirmou que existe "uma verdadeira guerra comercial" entre os países que são capazes de produzir biocombustíveis e aqueles que não são. O presidente afirmou que o governo estuda junto com os empresários do setor de álcool e açúcar um contrato de trabalho que melhore a situação dos cortadores, por meio da mecanização da colheita, visando acabar com as acusações de más condições de trabalho nas plantações. Lula disse ainda que as críticas aos biocombustíveis vêm das empresas de petróleo.

"Eu acredito que os principais ataques aos biocombustíveis vêm das empresas de petróleo. Porque não existe nenhuma explicação, por exemplo, lá fora, dizer que a cana-de-açúcar está invadindo a Amazônia é um absurdo muito grande, ou seja, nós mostramos para eles que de toda a cana que nós temos, apenas 21 mil hectares de cana estão plantados perto da Amazônia", afirmou o presidente.

"Nós sabemos os interesses dos países que não produzem etanol, ou produzem etanol do trigo, ou produzem etanol do milho, que não é competitivo, é mais caro, diferentemente da cana. O Brasil tem o combustível, tem a matéria-prima e nós fomos mostrar para eles: olha não tenho medo", disse.

O presidente também revelou que o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Soares Dulci está negociando com os empresários um contrato de trabalho para melhorar a situação dos cortadores de cana-de-açúcar. Lula reconheceu que o trabalho nas plantações de cana é "muito pesado".

"Em São Paulo nós já temos 50% do corte de cana mecanizado. E nós estamos tratando de fazer um acordo porque nós precisamos cuidar de formar esse trabalhador que trabalha no corte de cana agora, e que vai ser substituído por uma máquina que vai cortar, e cada máquina substitui quase que 80, 90 trabalhadores, para que esse trabalhador possa ter possibilidade de que, com uma boa formação profissional, ter emprego em outro lugar".

"Nós não queremos substituir o homem pela máquina, nós queremos que a máquina corte cana, mas queremos que o ser humano que hoje corta a cana tenha a possibilidade de ter um trabalho melhor, um trabalho digno. Ou seja, é criar as condições para que ele possa trabalhar com dignidade até que ele se forme em outra coisa e a gente possa então ter uma máquina substituindo o homem, explicou o presidente da República", disse. (Fonte: Estadão Online)

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

O boom da cana

Em um ano, um aumento de 12,3% na área cultivada com cana-de-açúcar e disponível para colheita no Centro-Sul do país. Só em São Paulo, responsável por 68% da cana cultivada na região, o total subiu de 3,04 milhões para 3,35 milhões de hectares entre as safras 2005/2006 e 2006/2007.

Os dados são do projeto Canasat, do Inpe - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que desde 2003 utiliza imagens de sensoriamento remoto, fornecidas por sensores dos satélites Landsat e CBERS, para mapear e quantificar a área cultivada em oito estados: Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná e São Paulo.

As informações mais recentes disponíveis se referem à safra 2007/2008, cuja área para colheita chega a 3,95 milhões de hectares. “Essa é a safra de cana que começou a ser colhida em abril. Ela termina em novembro deste ano e será comercializada em 2008”, disse Bernardo Rudorff, coordenador do projeto Canasat, à Agência Fapesp.

“Se para São Paulo somarmos a área disponível para colheita com a que foi ‘reformada’, ou seja, que já foi plantada mas será colhida em 2008, teremos 4,22 milhões de hectares. Esse é o total cultivado com cana-de-açúcar hoje em São Paulo, o maior estado produtor do país”, complementou o pesquisador da DSR - Divisão de Sensoriamento Remoto do Inpe.

Trata-se de um aumento de quase 15% na área cultivada, uma vez que, considerando as áreas de reforma, o Estado de São Paulo registrava 3,66 milhões de hectares cultivados em 2006/2007.

As informações estão disponíveis na internet por meio de mapas temáticos com a distribuição espacial da cana, além da localização de usinas e destilarias. Com isso, é possível fazer análises como em que áreas a cana está se expandindo mais e quanto e onde cada município cultiva.

Segundo Rudorff, a cultura da cana tem características favoráveis para a identificação nas imagens de satélites. “A cana se destaca bem nesse tipo de imagem, principalmente porque se trata de uma cultura plantada em grandes áreas, o que a torna compatível com a resolução dos sensores de satélites”, explicou, ressaltando que o Brasil é o maior produtor de cana-de-açúcar no mundo.

Os pesquisadores calculam a área cultivada em cada cidade por meio do cruzamento das informações de satélite com mapas político-geográficos contendo os limites municipais. Paraná é o segundo estado que mais produz na região Centro-Sul, com 541 mil hectares, seguido de Minas Gerais, com 483 mil hectares.

O projeto Canasat é executado pelo Inpe em parceria com a Unica - União da Agroindústria Canavieira de São Paulo, com o Cepea - Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada e com o CTC - Centro de Tecnologia Canavieira.

Além de ser usado por produtores e gestores do agronegócio da cana para a previsão e estimativa da área plantada, representantes do governo federal, especialmente da Secretaria de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental e da Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável, ambas do MMA - Ministério do Meio Ambiente, atualmente utilizam os dados do Canasat para o estudo da distribuição espacial da cultura e discussão de novas políticas públicas na área. (Agência Fapesp)

Oficina debate expansão do setor sucroalcooleiro e gestão dos recursos hídricos

O ministro interino do MMA - Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, participou, na manhã desta terça-feira (25), da abertura de uma oficina promovida pela ANA - Agência Nacional de Águas para discutir a expansão do setor sucroalcooleiro e a gestão dos recursos hídricos. Segundo Capobianco, o tema é estratégico e traz uma oportunidade única para o Brasil, mas é preciso que o crescimento desse segmento, um dos que mais consome água no país, se dê de forma ambientalmente sustentável. "Nós temos que trabalhar de forma integrada para garantir que, de fato, essa oportunidade se concretize de integralmente?", defendeu.

Ele disse ainda que a temática do etanol é uma das prioridades do MMA e está presente no novo formato de gestão do ministério que passou recentemente por uma reestruturação onde foram fortalecidas as secretarias que lidam diretamente com esse tema.

Além de representantes da ANA, participam da oficina os secretários de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do MMA, Egon Krakhecke, e de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano, Luciano Zica, e ainda secretários e gestores de recursos hídricos de estados onde há ou poderá haver a expansão do setor sucroalcooleiro como: Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Tocantins, São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Bahia.

Durante a oficina, encerrada no final da tarde de terça-feira, os representantes dos estados apresentam o panorama atual e futuro da expansão do setor sucroalcooleiro, além do respectivo posicionamento de cada estado - ou órgão gestor de recursos hídricos - diante deste crescente processo. (MMA)