Mostrando postagens com marcador Amazônia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Amazônia. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Norte e Nordeste serão mais afetados por mudanças climáticas, aponta Ipea

Segundo o estudo, o aquecimento global poderá elevar a temperatura no Norte e Nordeste em até 8 graus Celsius (ºC) em 2100 como consequência do desmatamento da floresta amazônica

As populações das regiões Norte e Nordeste serão as mais afetadas nas próximas décadas se houver agravamento das condições climáticas no Brasil, o que pode aprofundar as atuais desigualdades regionais e de renda. O diagnóstico consta do Boletim Regional, Urbano e Ambiental número 4, elaborado por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), e feito com a participação de especialistas de diversos setores no País.

O documento associa os problemas climáticos ao aquecimento global e prevê resultados de longo prazo. A perspectiva macroeconômica traçada pelo estudo indica em uma das simulações que o Produto Interno Bruto (PIB) nacional poderia ser, numa primeira hipótese prevista para 2050, de R$ 15,3 trilhões (no valor do real em 2008). Em outra alternativa, com menos danos para o meio ambiente, poderá chegar a R$ 16 trilhões, se o clima ajudar.

O Ipea estima o risco de reduções de 0,55% ou 2,3% respectivamente para esses valores. O aquecimento global poderá elevar a temperatura no Norte e Nordeste em até 8 graus Celsius (ºC) em 2100 como consequência do desmatamento da floresta amazônica.

Entre os compromissos assumidos pelo País no Protocolo de Kyoto, a redução do desmatamento figura como a contribuição de menor custo. O valor médio de carbono estocado na Amazônia foi estimado em US$ 3 por tonelada ou US$ 450 por hectare. Se estes valores forem utilizados para remunerar os agentes econômicos poluidores, seriam suficientes para desestimular até 80% a pecuária na Amazônia. Seria possível reduzir em 95% o desmatamento com o custo de US$ 50 por tonelada de carbono, aponta o Boletim Regional, Urbano e Ambiental divulgado pelo Ipea.

Fonte: abril.com.br

terça-feira, 13 de abril de 2010

Desmatamento em fevereiro resultou na emissão de 5 milhões de ton de CO2, diz Imazon

O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) divulgou na última sexta-feira (9) os dados do desmatamento da Amazônia no mês de fevereiro de 2010, e a quantidade de emissões de gases de efeito estufa que foram causadas por essa devastação.

Segundo o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), a devastação da floresta em fevereiro resultou na emissão de 5,8 milhões de toneladas de CO2 equivalente.

As emissões provenientes da devastação nos sete primeiros meses do calendário do desmatamento (agosto de 2009 a fevereiro de 2010) foram de 60 milhões de toneladas de CO2 equivalente.

Segundo o Imazon, a emissão de gases de efeito estufa, entre agosto de 2009 e fevereiro de 2010, foi maior que a do mesmo período do ano passado.  Isso indica que o desmatamento está ocorrendo em áreas com maiores estoques de carbono.

Desmatamento aumenta em 2010

Segundo o SAD, foram desmatados 88 km2 de florestas em fevereiro de 2010, um aumento de 41% em relação ao mesmo mês de 2009, quando o desmatamento somou 62 km2.

Os dados do Imazon diferem dos dados oficiais, medidos pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe).  A ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira anunciou, na semana passada, que, segundo o Inpe ,o desmatamento caiu 51% no primeiro bimestre do ano.

Já de acordo com o Imazon, nos sete primeiros meses do calendário do desmatamento, 924 km2 foram desmatados, representando um aumento de 23% em comparação com o mesmo período do ano anterior, quando foram desmatados 749 km2.

Em fevereiro de 2010, o vilão do desmatamento foi Mato Grosso: 75% da derrubada de árvores ocorreram no Estado.  Em seguida, vêm Pará (15%) e Roraima (8%).  O SAD também registrou 99 km2 de degradação florestal - florestas que sofreram intensa exploração ou ação de queimadas, mas não foram totalmente derrubadas.  Quase toda a degradação (99%) ocorreu também em Mato Grosso.

Segundo o SAD, 60% da Amazônia estavam cobertos por nuvens em fevereiro, e por isso não puderam ser monitorados.  A região não mapeada corresponde a parte do Amapá, Rondônia, Pará e Amazonas.  Portanto, os dados nesses Estados podem estar subestimados.

Amazônia.org.br

terça-feira, 6 de abril de 2010

Amazônia e Cerrado - desta vez vai mesmo?


Por Washington Novaes* 


Há poucos dias, o Ministério do Meio Ambiente apresentou seus projetos para conter o desmatamento no Cerrado e na Amazônia e definir atividades compatíveis com a conservação desses biomas. Para o primeiro, o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas, que espera ver aprovado ainda este ano. Para o segundo, o projeto de Macrozoneamento Econômico e Ecológico, que se pretende seja transformado em decreto presidencial neste semestre. Em síntese, a intenção é reduzir em 40% até 2020 o desmatamento, conforme a "meta voluntária" apresentada em dezembro à Convenção do Clima, em Copenhague. Ambos podem representar alguns progressos. Mas levantam muitas questões.

Segundo o ministério, até 2008 foi desmatada 47,84% da área originária do Cerrado, que representa 24% do território brasileiro. E, de 2002 a 2008, a taxa de desmatamento nesse bioma significou o triplo da observada na Amazônia em 2008. Seriam, nesse período, 85.075 quilômetros quadrados desmatados no Cerrado, como escreveu neste jornal Lígia Formenti (17/3), com base em dados do ministério, que nos últimos meses os modificou mais de uma vez. E as causas do desmatamento estão, diz o ministério, na pecuária extensiva, no avanço da soja e da cana-de-açúcar e no uso de carvão vegetal principalmente por siderúrgicas.

Para conter o avanço do desmatamento o ministro anunciou que também as siderúrgicas que utilizarem mais de 50 mil metros cúbicos de carvão por ano sofrerão restrições (até aqui, eram apenas para siderúrgicas com mais de 100 mil toneladas). Mas cabe perguntar: Por que só essas, e não todo o uso de carvão ilegal? Além disso, como lembrou Herton Escobar (Estado, 17/3), os proprietários rurais podem desmatar no Cerrado até 80% de suas propriedades (65% nas áreas de transição para a Amazônia). Podem, portanto, transformar em carvão as árvores derrubadas. A questão estará muito mais em falta de monitoramento e fiscalização. E na dificuldade de tornar reais as reservas legais, verdadeira ficção que só existe no papel. O que se promete agora é cortar o crédito para o desmatamento ilegal e incentivar o plantio de florestas para carvão com redução de impostos.

A dificuldade de concretizar a fiscalização está clara num levantamento recente feito no Estado de Goiás (O Popular, 14/3), que mostra só haverem sido pagos R$ 7,5 milhões (5,5%) dos R$ 134 milhões em multas impostas pelo Ibama e por órgãos ambientais do Estado entre 2006 e 2009 a atividades de carvoaria, desmatamento ilegal, invasão de áreas de proteção permanente, etc., além da queima de cana. Não é só. Cabe também perguntar por que se deixou o Cerrado fora do zoneamento ecológico/econômico para a expansão da cana-de-açúcar, quando se sabe que ela continua avançando sobre áreas novas nos dois Mato Grosso, em Goiás, no Tocantins, no Maranhão e até nas bordas do Pantanal.

E ainda sobram perguntas. Por que o Cerrado tem apenas 6,77% de sua área total em unidades de conservação, mas apenas 2,89% em áreas de proteção integral (o restante cabe a unidades de "uso sustentável")? Por que o zoneamento da Amazônia - que pretende proteger uma faixa ao longo de 1.700 quilômetros - deixa de lado praticamente todas as grandes obras do Programa de Aceleração do Crescimento, aí incluídas as grandes hidrelétricas do Rio Madeira (que terão impactos fortes já diagnosticados); o asfaltamento da rodovia BR-163 (Cuiabá-Santarém), onde praticamente nada do acertado nas audiências públicas está sendo cumprido (segundo o próprio Ibama); e a pavimentação da Rodovia Transamazônica?

O fato é que essas e outras iniciativas do próprio poder público continuam a pôr em xeque os propósitos de conservação nos dois biomas. Há poucos dias (21/3), o jornalista João Domingos documentou a destruição de parte do riquíssimo Parque Estadual do Jalapão, no Tocantins, por uma série de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). Já há no País 359 em operação, mais 72 em construção e 145 outorgadas. Karina Ninni documentou (22/3) que a instalação de 116 PCHs ameaça o Pantanal, principalmente na Bacia do Alto Paraguai. E tudo se fez e faz - como tantas vezes tem sido escrito aqui - com licenciamento e sem discutir a real necessidade de cada empreendimento no âmbito de uma matriz energética - esta, por sua vez, decidida sem informar e ouvir a sociedade, as universidades e especialistas que divergem do modelo oficial. Também por isso se vê a implantação de mega-hidrelétricas destinadas principalmente a atender às necessidades de exportadores de eletrointensivos (alumínio e ferro gusa, especialmente), fortemente subsidiados e de alto custo social e ambiental, mas sem consumo direto pela população regional. Enquanto isso, cidades como Macapá, capital do Amapá, têm seu consumo de energia baseado em 70% na queima de óleo diesel levado de outras regiões.

Volta-se ao começo. Mesmo esquecendo todas as questões mencionadas neste artigo e admitindo que os planos para o Cerrado e a Amazônia sejam desejáveis, resta ver se sairão do papel. Não há nada mais difícil no Brasil do que tirar as intenções do papel em que são escritas e levá-las à prática, à concretude. E para tirá-las do papel é indispensável que o Ministério do Meio Ambiente deixe de trafegar na contramão de tantos outros ministérios (Agricultura, Transportes, Interior e outros) e disponha de recursos à altura das tarefas gigantescas que lhe caberiam (e não menos de 0,5% do Orçamento federal). Que haja uma estratégia efetiva para os dois biomas, centrada no conhecimento e aproveitamento de sua riquíssima biodiversidade. Que se preste atenção às consequências que o desmatamento já está tendo no fluxo das águas brasileiras.

E, neste momento crucial, que a tolerância com rumos devastadores que prometem emprego e renda (quando há outros caminhos para isso) não seja uma arma eleitoral.

Fonte: Envolverde/O autor

"Ambientalista cético" propõe comprar ar-condicionado como solução inteligente de adaptação ao aquecimento global

Por Aldrey Riechel, do Amazônia.org.br



O autor do livro "O Ambientalista Cético" e professor adjunto da Copenhagen Business School, Bjorn Lombor, defendeu nesta terça-feira (29) soluções "inteligentes" para que as pessoas se adaptem ao aquecimento global.  Para ele, investir em medidas como compra de ar-condicionados e pintar as cidades de brancos seria mais eficaz do que diminuir as emissões de gases de efeito estufa.

Lombor abriu o segundo dia do Fórum Internacional de Estudos Estratégicos para o Desenvolvimento Agropecuário e Respeito ao Clima (FEED), organizado pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA).  O evento começou neste domingo (28) e acontece até terça-feira (30) em São Paulo.

Algumas das medidas eficazes e inteligentes, segundo Lombor seriam: pintar as cidades de branco para economizar energia e diminuir o calor decorrente do aumento da temperatura, tornar os ar-condicionados disponíveis para toda a população para diminuir o impacto do aumento da temperatura, modificar geneticamente bois e vacas para diminuir a emissão de gases que causam o efeito estufa da atividade pecuária, dentre outras.

Para ele, soluções que resultariam na diminuição das emissões de gases de efeito estufa seriam um desperdício de dinheiro e significariam paralisar o desenvolvimento dos países.  Lombor acredita que o aquecimento global não é um problema que deveria preocupar o mundo.  Ele ironizou a frase "como você quer ser lembrado pelas gerações futuras", utilizada por Al Gore em seu documentário sobre o aquecimento global, ao dizer que se o mundo investir 180 bilhões de dólares em redução de emissão de gases, será lembrado como a geração que investiu grande quantidade de dinheiro e não alcançou resultados.

Resolvendo o aquecimento global

Um dos pontos mais destacados por Lombor é que o aquecimento global iria salvar milhares de pessoas que deixariam de morrer por causa do frio.  "Al Gore diz que, com o aumento da temperatura, pessoas vão morrer de calor.  Não é muito difícil chegar a esta conclusão.  Temos um estudo que diz que em cada ano vão morrer umas 2 mil pessoas por causa do calor, mas não dizem que, com o aumento da temperatura, menos pessoas vão morrer por causa do frio!".  Segundo ele, somente no Reino Unido serão 20 mil mortes evitadas pelo calor.

O professor também deu a solução para salvar os ursos polares: parar de matá-los. Ele admite que o aquecimento global irá prejudicar também esses animais, mas afirma que diminuir as emissões não irá salvar mais do que 1 urso polar por ano.  "Mas todos nós matamos, atiramos em cerca de 300 a 500 ursos polares. Não sei vocês, mas eu pensaria em uma solução mais eficiente como parar de atirar nesses ursos", explica.

Dessa forma, o palestrante tentou alertar o público de que o aquecimento global é um problema, mas não "é o pior do século".  Segundo Lombor, a forma como esse tema é tratado pelos cientistas, ambientalistas e pela imprensa serve para causar terror nas pessoas.  Mas, isso não representa uma tentativa de conspiração contra o mundo.  "Eles querem o bem para o mundo, nós também queremos e vamos pensar em como fazer da melhor maneira", diz Lombor.  Para ele, as propostas atuais envolvem muito dinheiro, não fazem bem e nem chegarão a ser implementadas.

Além disso, ele afirma que os acordos mundiais para redução de emissão nunca chegarão a ser cumpridos.  Lombor diz que reduzir CO2 custa caro e a maioria dos países que prosperaram aumentaram suas emissões.  "Um país rico produz mais CO2, mas se você tentar reduzir vai crescer menos".  Para ele, a experiência com a ECO 92, realizada no Rio de Janeiro, e com o Protocolo de Quioto, mostrou que as metas não serão atingidas, já que os países não têm interesses em cumpri-las.

Fonte: Amazônia.org.br

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Fundo Amazônia é tema de painel em Copenhague

Para a agenda climática brasileira, a proteção das florestas da Amazônia é ação prioritária. Por isso, no caminho para contribuir com a estratégia global de combater os efeitos das mudanças do clima, o Brasil se empenha em diversas frentes para reduzir o desmatamento na região.


Uma das iniciativas mais importantes é o Fundo Amazônia, tema da apresentação do Banco Nacional para o Desenvolvimento, que será realizada nesta quarta-feira, 09/12, às 16h.

O Painel “Fundo Amazônia – uma aplicação prática de iniciativas de REDD”, vai apresentar como esse fundo está sendo gerido e como os projetos contemplados irã contribuir para a redução do desmatamento. Recentemente, o Banco Nacional de Desenvolvimento anunciou os três primeiros projetos do Fundo. Leia matéria aqui.

A Noruega foi a primeira nação doadora e contribuiu no ano de 2008, com o repasse de 110 milhões, de um total de até US$ 1 bilhão a ser investido até 2015, condicionados aos resultados do combate ao desmatamento. Atualmente, estão em fase adiantada negociações com outros países para a realização de novos aportes. A Alemanha também deve contribuir com uma quantia que deve chegar a 18 milhões de euros, o que equivale a cerca deUS$ 30 milhões.

Fonte: www.cop15brazil.gov.br

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Emissão de peso na Amazônia

Aldem Bourscheit

 



Da Amazônia foram lançadas na atmosfera uma média de 800 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) por ano entre 1998 e 2008, apenas com desmatamento. A margem de erro é de 15%, para cima e para baixo. A taxa chega perto ao crescimento das emissões dos Estados Unidos entre 1990 e 2007 - 830 milhões de toneladas de CO2 equivalente - conforme dados das Nações Unidas (ver aqui). As emissões globais de CO2, juntando as “mudanças no uso da terra”, como desmatamento e agricultura, com a queima de combustíveis fósseis é de 32 bilhões de toneladas anuais.

Isso posiciona a contribuição do bioma entre 1,1% e 1,9% das emissões globais e representa entre 16% e 20% das emissões brasileiras de todos os setores, em 2008. As estimativas foram apresentadas hoje pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em Brasília. Pará, Mato Grosso e Rondônia, estados campeões de desmatamento neste período, são as unidades da Federação que mais contribuíram com as emissões brasileiras.

Para que o Brasil atinja sua meta de chegar em 2020 com um corte nacional de até 40% nas emissões, a contribuição anual da Amazônia deverá passar dos 800 milhões de toneladas anuais de CO2 medidas naquela década para 200 milhões de toneladas anuais. A taxa de sete mil quilômetros quadrados desmatados entre 2007 e este ano passado é importante, mas é preciso manter as derrubadas sob controle, mesmo com crescimento da economia. Anos eleitorais, como o que chega, registram picos históricos de desflorestamento.

O trabalho realizado em dois meses sob a batuta da pesquisadora Ana Paula Dutra de Aguiar (Inpe) estimou em 210 toneladas por hectare a biomassa das áreas desmatadas na região. Cerca da metade desse material se transforma em CO2. Outras áreas da Amazônia são ainda mais ricas em biomassa, informou a especialista.

O levantamento também mostra que um quarto da área desmatada ganha novo verde com o crescimento da chamada “vegetação secundária”. No Pará, Mato Grosso e Rondônia a área regenerada somada chegaria ao tamanho do estado do Rio de Janeiro. No entanto, metade desta nova floresta é novamente derrubada. “Não se pode contar de novo essas emissões, se não inflacionaríamos a conta nacional”, disse Jean Pierre Ometto, do Inpe. Ele também alertou que o Cerrado é grande contribuinte para as emissões brasileiras, mesmo com o crescimento da fatia verificada em outros setores, como indústria.

Por isso, quando o monitoramento sobre desmates chegar a todos os outros biomas - no Cerrado começou há cerca de um ano - será possível apontar com mais precisão as emissões brasileiras por perdas de vegetação nativa. Por enquanto, é feito com base em mapas não oficiais e grande dose de estimativas. “O que não aparece não quer dizer que não exista”, lembrou José Marengo, do Inpe.

Novo inventário

Na apresentação dos dados, Sérgio Rezende, ministro de Ciência e Tecnologia, disse que 70% do trabalho para o novo inventário nacional de emissões está concluído e já serve de base para as metas brasileiras que serão apresentadas em Copenhague. “Estamos mais otimistas agora do que há um mês sobre os resultados de Copenhague. Pela mobilização de outros países e porque o Brasil está fazendo essa ponte entre países desenvolvidos e em desenvolvimento”, comentou o ministro Carlos Minc.

Ainda segundo ele, o inventário começou a ser trabalhado de forma expressa há dois meses e abarcará emissões de todos os setores até 2005. Uma primeira versão deve ser lançada no início do ano que vem, com versão definitiva no segundo semestre. As metas nacionais devem ser aprovadas no Congresso, como lei. “Dados de alguns biomas ainda não são levados em conta com a devida precisão”, comentou.

Também foi instalado hoje o painel brasileiro de cientistas sobre mudanças do clima, primeiro do tipo criado em um país em desenvolvimento. A direção ficou por conta de Carlos Nobre (Inpe) e Suzana Kahn, secretária do Ministério do Meio Ambiente, ambos ligados ao painel das Nações Unidas sobre alterações climáticas, o IPCC. O grupo tem representantes de órgãos de governo e academia. Seu trabalho não será remunerado, mas recursos virão dos ministérios da Ciência e Tecnologia e Meio Ambiente para viabilizar suas reuniões.

De acordo com Carlos Nobre (Inpe), o painel movimentará a comunidade científica brasileira para produzir e publicar novas e melhores informações sobre as mudanças do clima, com dedicação especial à adaptação a seus efeitos. “Passamos do ponto para evitar aumento de temperatura”, ressaltou.

Segundo Suzana Kahn, o Brasil é carente em literatura científica sobre mudanças do clima e, com o funcionamento do painel, será possível até influenciar os próximos relatórios do IPCC, inserindo visões regionais sobre efeitos e combate aos destemperos climáticos no documento. “Quanto mais conhecimento tivermos sobre vulnerabilidade, mitigação e formas de adaptação, mais influenciaremos os relatórios e melhor desenharemos políticas públicas. Além de colocar o Brasil em melhor posição no cenário internacional”, disse.

Emissões de carbono (CO2) entre 1998 e 2008 = 800 milhões de toneladas / ano
Isso equivale a entre 1,1% e 1,9% das emissões globais
Ou a entre 16% e 20% das emissões nacionais




Fonte: O Eco.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Desmatamento na Amazônia e Redução das Emissões de Carbono - Verdades e Mentiras

Por Luiz Prado - Atualidades - www.luizprado.com.br

Enquanto o governo brasileiro – leia-se, Lula e Dilma – patina na tomada de decisões sobre metas de redução de emissões de gases causadores de mudanças climáticas, a China se posiciona oficialmente pela manutenção dos princípios do Protocolo de Kyoto, de acordo com o qual os países desenvolvidos devem assumir as responsabilidades, enquanto os demais – incluindo a própria China e a Índia, que parecem estar de acordo sobre esse ponto – ficam isentos de ter metas obrigatórias até 2020, pelo menos.

Metas obrigatórias no Brasil dependeriam de estudos sobre a viabilidade da redução das emissões por setores de atividades econômicas, e esses estudos simplesmente não existem.  Assim, apenas como exemplo, na área de transportes urbanos, a decisão de impor pelo menos um aumento progressivo e definido de ônibus híbridos – já fabricados no Brasil e exportados -, seria fácil avaliar a redução nas emissões nessa área.  E assim, em muitas outras.  Mas não, o samba de uma nota só reduz-se a compensar emissões com o plantio de florestas.

Enquanto isso, a China investe massivamente em tecnologias de energias renováveis e em eficiência energética.  Os compressores eletrônicos de alta eficiência utilizados nos aparelhos de ar condicionado brasileiros, por exemplo, são todos fabricados na China.

É literalmente impossível falar em desmatamento zero na Amazônia quando até o final de 2010 deverão ser regularizadas 500.000 posses!  Mas, que importa?  Esse é assunto para as próximas administrações.  O que pesa agora é o lero-lero político.

Além disso, vale lembrar que (a) apenas 60% das florestas amazônicas estão em território brasileiro (os 40% restantes estão no Perú, Colômbia, Venezuela, Ecuador, Bolívia, Suriname Guiana e Guiana Francesa), (b) as florestas amazônicas representam apenas 50% das florestas tropicais úmidas remanescentes no mundo (as demais, na Ásia por exemplo, estão sendo rapidamente substituidas por plantações de dendê para a produção de biocombustíveis) e, (c) o que tem sido guardado em segredo, as florestas boreais estocam quase o dobro do carbono contido nas florestas tropicais úmidas!

Aos costumes!

No Canadá, apenas 8% dessas florestas são protegidos, enquanto 50% foram concedidos a empresas florestais para corte raso.   Simples assim!  Cerca de 80% das árvores de florestas boreais nativas cortadas no Canadá são exportados para consumo e processamento nos EUA para fazer desde produtos madeireiros até papel higiênico.  E a maioria dessas empresas concessionárias desse corte raso nas florestas boreais do Canadá exporta madeira “certificada” por organizações impostoras como o Forest Stewardship Council (FSC).

O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC recomendou, em 2007, que as florestas boreais fossem totalmente protegidas e o Canadá nem piscou.  Nele encontram-se a maior extensão de florestas nativas do mundo.  As florestas boreais cobrem 15% da superfície terrestre do planeta e estocam 30% do carbono de todos os biomas.

Uma boa parte dessas florestas está no Alasca – em território dos EUA -, mas os cientistas dos países altamente industrializados e as suas ONGs que tudo sabem e tanto falam sobre as emissões das florestas amazônicas ainda estão “pesquisando” as emissões decorrentes do corte raso das florestas boreais.  Sobre as emissões decorrentes do desmatamento na Amazônia as ONGs tipo WWF enchem o peito para fazer afirmações certeiras, em casas decimais.

Esses “segredinhos” talvez valham como subsídios para as decisões do presidente Lula.  Mas valem, sobretudo, para abrir os olhos dos brasileiros que vivem nas cidades e se alarmam com as manipulações de informações dos Greenpeaces da vida.


Essas informações podem ser encontradas em
http://news.mongabay.com/2009/1112-hance_boreal.html
e em http://www.whrc.org/borealNAmerica/index.htm, em inglês.


Não se defende, aqui, que as florestas amazônicas brasileiras sejam deixadas ao léu.  Apenas, tenta-se esclarecer como atuam os grupos de interesse e com que tipo de responsabilidade moral para com a humanidade outros países se comprometem.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Mudança no conceito de floresta pode ajudar REDD

Por Redação da Amazônia.org.br 


Estudo apresentado por Nophea Sasakie, da Universidade de Harvard, e Francis E. Putz, da Universidade da Flórida, afirma que se os conceitos de "floresta" e "floresta degradada" internacionalmente aceitos desde a reunião de 2001 do Quadro das Nações Unidas para Mudança do Clima forem mantidos, enormes quantidades de carbono e outros serviços ambientais serão perdidos.  Enquanto isso, florestas naturais serão severamente degradadas ou substituídas por plantações, mas ainda serão reconhecidas como "florestas".

Os padrões de 2001 entendem que um ecossistema pode ser chamado de floresta quando possui cobertura vegetal de ao menos 30% de sua área, e com árvores variando de dois a cinco metros de altura.  Na proposta dos pesquisadores norte-americanos, florestas seriam diferenciadas de pastagens, com um mínimo de cobertura de 40%.  Eles crêem que essa mudança contribui na diminuição da emissão dos gases de efeito estufa pelo que hoje em dia é conhecido como "degradação florestal".

Somente essa pequena mudança já conceitual já promoveria a mudança de degradação para gerenciamento florestal responsável, que ajudaria na mitigação no aquecimento global enquanto protege a biodiversidade e contribui para o desenvolvimento sustentável.  O mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD) é atrativo para os autores do estudo, pois reconhece o valor das florestas e porque os custos associados para quem for desenvolvê-lo são baixos.

Se a idéia de degradação florestal estiver desregrada durante a implementação do REDD, as florestas podem perder muito de seu carbono.  E essas perdas não serão computadas porque as áreas exploradas continuarão a ser consideradas florestas.  "O segundo "D" da sigla REDD é injustificado.  Incluir a degradação florestal no novo acordo de mudanças climáticas ajudará a assegurar a sustentabilidade dos ecossistemas e proteger o estilo de vida das populações dependentes da floresta, criando uma opção de baixo custo para a redução das emissões de carbono", diz o estudo.

Para Virgílio Viana, presidente da Fundação Amazonas Sustentável, o principal debate posto é de que maneira se pode financiar o REDD.  Ele defende uma posição mista, que considere instrumentos de marcado e financiamentos governamentais.  Sobre a necessidade de mudança no conceito de florestas ele diz: "Definição de florestas é complicado.  Não entro nesse mérito, mas sim no mérito da forma de inserção do REDD dentro das negociações de contensão.  Uma das conclusões é que o REDD tem metodologia suficientemente robusta para se completar o cálculo de carbono".

Ane Alencar, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) entende que o conceito de floresta é bastante claro para todos.  "Degradação é mais ambíguo.  Por exemplo, a extração seletiva de madeira, dependendo de como for feita, pode gerar um processo de degradação, mas também pode ser sustentável.  O REDD está há muito tempo fechado numa discussão de floresta que pressupõe uma biomassa mais densa.  Não sei como seria estendido para outros sistemas que naturalmente queimam muito, como cerrado, savanas.  Fica difícil, a expansão natural disso é que o REDD não fosse só para desmatamento de florestas tropicais, mas sim biomas vegetais".

Segundo a pesquisadora, ao mesmo tempo em que estamos tentando caminhar na construção de uma agenda política de implementação de mecanismos, também tem outra série de lacunas técnicas critérios importantes.  "Devemos apoiar a criação de um mecanismo que incentive a redução de emissões por desmatamento em áreas tropicais, definindo critérios gerais e também internos, para cada país", completa.

Veja aqui o estudo: Forest degradation in the REDD initiative - http://www.amazonia.org.br/arquivos/328032.pdf

(Envolverde/Amazônia.org.br)

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Plano para Amazônia é visto com ceticismo por ONGs na Polônia

Ambientalistas que participam da reunião das Nações Unidas sobre o clima na Polônia expressaram desconfiança sobre a capacidade do governo brasileiro em reduzir o desmatamento no Brasil em 40% entre 2006 e 2010.

Para o presidente da Global Forest Coalition, um coalizão de grupos ambientalistas e de direitos de povos indígenas, Miguel Lavera, o anúncio feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva é 'mais do mesmo', embora admita que a adoção inédita de metas fixas é um avanço.

"O histórico do Brasil não confere muita credibilidade ao país, qualquer coisa que eles prometerem é visto como tática de negociação", disse Lavera à BBC Brasil.

De fato, especialistas que também participam da 14ª reunião das Nações Unidas sobre mudanças climáticas (COP 14) em Poznan, na Polônia, afirmaram à BBC Brasil que o plano divulgado pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, reforça a posição brasileira no encontro.

Menos pessimista, o diretor da campanha para a Amazônia do Greenpeace, Paulo Adario, acredita que "o carro está na direção certa, mas a velocidade está errada".

"A adoção de metas é extremamente positiva, mas precisa ser muito mais ambiciosa", disse Adario à BBC Brasil.

Ele afirma que até 2010, o plano do governo brasileiro é suficientemente arrojado, mas a partir de 2017, "poderia fazer mais e melhor".

Já para Miguel Lavera, o problema é que é difícil levar a sério o compromisso assumido pelo governo brasileiro, já que ele "desperdiçou verbas recebidas para proteção de florestas e contra o desmatamento e continuou desmatando".

"É preciso muito mais que um anúncio. Eles precisam provar que podem cumprir as metas."  
Fonte: Estadão Online

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Brasil divide opiniões em Poznan

A semana decisiva para as discussões diplomáticas da 14ª Conferência do Clima das Nações Unidas, em Poznan, Polônia, dirá se, ao fixar metas para a redução do desmatamento da Amazônia, o Brasil se tornou líder ou vilão na questão ambiental. Apresentadas na segunda-feira, em Brasília, dentro do Plano Nacional de Mudanças Climáticas, as metas de reduzir 70% o desflorestamento vêm dividindo opiniões em Poznan.

O País é elogiado por se comprometer com números, atitude vista por parte dos analistas como arrojada, em uma conferência marcada por evasivas. Mas enfrenta críticas de ambientalistas por prever objetivos "pouco ambiciosos", reconhecendo, na melhor das hipóteses, a perda 70 mil km² de floresta - um território igual ao da Bélgica e da Holanda somados.

O plano nacional, divulgado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, marca uma reviravolta na política de Estado para a Amazônia. Cobrado desde sempre nos fóruns internacionais, o Brasil até aqui não aceitava estipular metas para redução do desmatamento enquanto nações industrializadas não se comprometessem.

Segundo o consenso da comunidade científica em 2007, 20% das emissões mundiais de gases-estufa têm origem no desflorestamento. No Brasil, essas emissões representam 75% do total. Pelo texto, o governo se responsabiliza a reduzir em 40% o desmatamento médio anual no período 2006 a 2009 comparado a 1996-2005. Nos períodos seguintes (2010-2013 e 2014-2017), a meta passa para 30% em cada etapa. Com isso, o País evitaria a emissão de 4,8 bilhões de toneladas de gás carbônico (CO2) até 2017.

Em Poznan, os primeiros sete dias de discussões foram impactados pelas divergências na União Européia, pelas evasivas de China e Índia e pela indiferença ao tema de parte da delegação dos EUA. Em meio à crise financeira, quando nenhuma delegação se mostra disposta a anunciar metas ambiciosas, o Brasil enviou sinal forte, dizem observadores.

"Estão todos impressionados em Poznan. O fato de as metas serem muito limitadas ainda não ressoou", disse Paula Moreira, advogada do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia. "De maneira geral, o PNMC provocou uma reação positiva", confirmou Juliana Russar, da ONG Vitae Civilis. "Para os outros países, o Brasil, um país em desenvolvimento e com papel-chave nas negociações, apresentar um plano sobre mudanças climáticas é considerado relevante."

Mas o discurso elogioso pode virar crítica ao longo desta semana, quando os representantes das delegações governamentais tentarão detalhar o "mapa do caminho" de um futuro acordo pós-Protocolo de Kyoto, previsto para ser assinado em Copenhague, em 2009. Paulo Adario, coordenador da Campanha de Amazônia do Greenpeace, reconhece que o PNMC criou euforia na Polônia, mas também ceticismo. "Houve um entusiasmo grande. Mas também tive contato com delegações que me disseram: 'O Brasil não está falando sério?'", conta.

Uma prova dos argumentos que podem vir contra o Brasil nesta semana são os discursos dos militantes ambientalistas. Na quinta-feira, Jamie Woolley, da seção britânica do Greenpeace, analisou as intenções do ministério: "Na superfície, o plano deveria soar ambicioso e visionário, mas mesmo que as metas sejam alcançadas, elas reduzirão o desmatamento, mas não acabarão com ele." A ONG diagnosticou pontos fracos: metas restritas ao desmatamento ilegal - quando o Congresso analisa a ampliação da área legal de desflorestamento - e baseadas em previsões de doações ao Fundo da Amazônia que podem não se concretizar.

Um termômetro preciso da reação gerada pela iniciativa brasileira será conhecido na quinta ou na sexta, quando Carlos Minc apresentará o PNMC na Conferência do Clima.

Fonte: Andrei Netto / Estadao.com.br

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Brasil descarta crédito de carbono para proteger Amazônia

O Brasil descartou nesta quinta-feira (4) a possibilidade de deixar os países ricos compensarem suas emissões de gases do efeito estufa com contribuições financeiras para a proteção da Floresta Amazônica, uma idéia que vem sendo discutida ativamente na União Européia.

Povos indígenas que compareceram à conferência de clima da Organização das Nações Unidas (ONU) em Poznan, Polônia, protestaram que não tinham chance de ver esse dinheiro do crédito de carbono e pediram verba para, primeiro, acabar com a corrupção e para a demarcação de terras.

"O Brasil sempre foi contra a compensação na área florestal", disse Sérgio Serra, embaixador brasileiro para mudança climática.

Na semana passada, o governo brasileiro informou que a taxa de desmatamento anual da Amazônia aumentou durante o ano até julho, pela primeira vez em quatro anos.

Mas o país é contra a compensação financeira para proteger a floresta, informaram autoridades brasileiras à Reuters nesta quinta-feira, 4, explicando que tal medida absolveria os países ricos de cortarem suas próprias emissões.

A posição brasileira jogou um balde de água fria nas esperanças da maioria dos outros países que abrigam florestas tropicais, que estão em busca de dinheiro para proteger as matas com um novo tratado sobre o clima. Analistas dizem que Indonésia, México e Índia são favoráveis a essa proposta.

Em vez disso, o Brasil apóia a criação de um fundo público, baseado, por exemplo, na promessa da Noruega de doar 1 bilhão de dólares este ano para o Fundo Amazônico, com o propósito de melhorar a conservação e a aplicação de leis contra o desmatamento.

Com o mercado de carbono global, os países ricos poderiam exceder as metas de emissão de gases do efeito estufa, mas apenas se pagassem por cortes de emissões correspondentes no mundo em desenvolvimento, em um sistema de créditos de carbono.

Países membros da UE debateram o esquema amplamente na quinta-feira, para permitir "créditos da floresta" - pelo qual os países e empresas compensam pelo excesso de emissões de carbono ao financiar a conservação da floresta tropical.

Um esboço de documento francês, obtido pela Reuters na quarta-feira, 3, sugere que o bloco permitiria o crédito da floresta como uma forma de ajudar algumas empresas a cumprirem suas obrigações de carbono de uma maneira menos custosa durante a recessão. Isso marcaria uma reversão nas propostas feitas pela comissão-executiva da UE em outubro.

Um membro da delegação de Guiné Equatorial disse que as duas abordagens poderiam ser combinadas. "Deveria ficar em aberto tanto para os que querem levantar dinheiro público como para aqueles que querem entrar no mercado (de carbono). Mas é preciso haver o aspecto de mercado", disse à Reuters Deogracias Ikaka Nzami.

Em todo o mundo, anualmente, uma área de floresta maior que o tamanho da Grécia é destruída, contribuindo com cerca de um quinto das emissões de gases do efeito estufa, aos quais se atribui o aquecimento global.

A conferência na Polônia segue até o dia 12 e visa preparar o terreno para um novo tratado sobre o clima até o fim de 2009 para substituir o Protocolo de Kyoto.

Fonte: Estadão Online

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Brasil quer reduzir em 4,8 bilhões de toneladas emissões de dióxido de carbono Por Daniela Mendes, do MMA O governo brasileiro quer reduzir em 72% o

Por Daniela Mendes, do MMA

O governo brasileiro quer reduzir em 72% o índice de desmatamento na Amazônia até 2017. O Plano Nacional sobre Mudança do Clima, lançado na segunda-feira (1º/12) no Palácio do Planalto, prevê a redução de 40% no primeiro quadriênio, 30% no segundo e 30% no terceiro, atingindo cinco mil Km2 em 2017. Isso equivale a 4,8 bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) a menos na atmosfera. O documento aponta outras medidas a serem tomadas nas áreas de produção de energia elétrica, álcool, biodiesel e carvão. "Isso é mais do que o esforço de todos os países desenvolvidos. A Inglaterra, por exemplo, quer reduzir 80% até 2050", avaliou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

O documento, elaborado com a participação de 17 ministérios, traz, pela primeira vez, metas voluntárias nacionais para redução de emissões de gás carbônico provocadas pelo desmatamento. As metas de redução têm como base a média de desmatamento entre 1996 e 2005 que é de 19 mil km².

No Brasil, o desmatamento e as queimadas são responsáveis por 75% das emissões de gases causadores do efeito estufa. Segundo Minc, o estabelecimento de metas de redução de emissões - que enfrentava resistência no governo brasileiro - só foi possível porque mudou a relação política dentro do governo e a percepção da sociedade e de outros segmentos sobre o tema.

"O bom de ter meta é que cada um tem que fazer sua parte", disse Minc ao afirmar que não só o governo federal, mas a sociedade como um todo tem de assumir seu papel, suas responsabilidades e trabalhar para que os objetivos do plano sejam alcançados.

O ministro informou ainda que o plano passará por avaliações anuais. "O plano não é uma obra acabada. Vamos ter acompanhamento setor por setor, meta por meta, todo ano. Assim podemos fazer os ajustes necessários e avaliar nosso desempenho", esclareceu durante sua apresentação do plano aos representantes do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas. A secretária de Mudanças Climáticas do MMA, Suzana Kahn, também participou da reunião.

Segundo Minc, no plano há também metas importantes de redução associadas ao etanol e ao biocombustível que, em 15 anos, vão significar a redução de 508 milhões de toneladas de CO2. "Queremos ampliar em 11% ao ano a participação desses combustíveis na nossa matriz", afirmou o ministro.

Somado ao esforço de combate ao desmatamento haverá estímulo a políticas de incentivo para uso de energias limpas como a solar, incentivo ao uso de automóveis que emitam menos e gastem menos combustível, à reciclagem, além de metas importantes para redução do desperdício de energia.

O aumento do número de árvores plantadas é outra meta importante do plano. "Queremos passar de 5,5 milhões de hectares para 11 milhões de hectares em 2017, sendo 2 milhões de nativas", informou Minc.

O passo seguinte é a definição de metas setoriais com compromissos por setor e por região. Minc informou que no início de 2010 o plano deverá passar por uma revisão incorporando novas sugestões e os dados do novo inventário de emissões que está em elaboração pelo Ministério de Minas e Energia.


Objetivos - Com o Plano Nacional sobre Mudança do Clima, o governo brasileiro pretende incentivar o desenvolvimento de ações no Brasil e colaborar com o esforço mundial de combate ao problema. Além disso, quer criar condições internas para enfrentar as conseqüências sociais e econômicas das alterações climáticas.

O plano possui oito objetivos centrais e está estruturado em quatro eixos: mitigação; vulnerabilidade, impacto e adaptação, pesquisa e desenvolvimento; e capacitação e divulgação.

Nesta sua primeira fase, o plano busca organizar as ações em curso, reforçar medidas existentes e identificar e criar novas oportunidades, para permitir o intercâmbio de experiências e a integração de ações nos mais diversos segmentos da sociedade. Tem a função principal de maximizar os resultados positivos do conjunto dos esforços nacionais em favor do clima global e fortalecer o processo adaptativo do País ao sistema climático.

Nas próximas fases, deverão ser incluídos os mecanismos de avaliação do desempenho das ações em curso e respectivos resultados. Serão também apresentadas ações e instrumentos complementares, incluindo pactos com os estados da federação, destinados a garantir que os objetivos possam ser alcançados.

Nesse sentido, devem ser realizados estudos sobre novos mecanismos econômicos de estímulo ao desenvolvimento sustentável, contemplando incentivos fiscais e tributários, dentre outros.

Para que o plano seja resultado de um diálogo permanente com a sociedade civil, será mantido ainda o canal de comunicação com o objetivo de garantir a ampla participação da população em todas as suas fases.

Para cada objetivo apresentado foram estabelecidas ações para alcançá-los. O entendimento do governo é que para que o desenvolvimento do País ocorra em bases sustentáveis, as ações governamentais dirigidas ao setor produtivo deverão buscar, cada vez mais, a promoção do uso mais eficiente dos recursos naturais, científicos, tecnológicos e humanos.

Segundo o plano, os esforços em fomentar um nível de desempenho nos setores da economia, pautado nas melhores práticas em cada um dos setores específicos, serão uma forma de se buscar reduzir o conteúdo de carbono do produto interno bruto brasileiro, aumentar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional, fazer crescer a renda e gerar excedentes econômicos que possam garantir maiores níveis de bem-estar social.

Principais objetivos do Plano Nacional sobre Mudanças do Clima

1) Identificar, planejar e coordenar as ações para mitigar as emissões de gases de efeito estufa geradas no Brasil, bem como àquelas necessárias à adaptação da sociedade aos impactos que ocorram devido à mudança do clima;

2) Fomentar aumentos de eficiência no desempenho dos setores da economia na busca constante do alcance das melhores práticas;

3) Buscar manter elevada a participação de energia renovável na matriz elétrica, preservando posição de destaque que o Brasil sempre ocupou no cenário internacional;

4) Fomentar o aumento sustentável da participação de biocombustíveis na matriz de transportes nacional e, ainda, atuar com vistas à estruturação de um mercado internacional de biocombustíveis sustentáveis;

5) Buscar a redução sustentada das taxas de desmatamento, em sua média quadrienal, em todos os biomas brasileiros, até que se atinja o desmatamento ilegal zero;

6) Eliminar a perda líquida da área de cobertura florestal no Brasil, até 2015;

7) Fortalecer ações intersetoriais voltadas para redução das vulnerabilidades das populações;

8) Procurar identificar os impactos ambientais decorrentes da mudança do clima e fomentar o desenvolvimento de pesquisas científicas para que se possa traçar uma estratégia que minimize os custos sócio-econômicos de adaptação do País.

Para consultar o Plano Nacional sobre Mudança do Clima, acesse: http://www.nejal.com.br/PlanoClima.PDF


Fonte: Envolverde/MMA

Brasil propõe Fundo Amazônia como modelo para REDD

Por Paula Scheidt, do CarbonoBrasil

Entre os pontos cruciais do novo acordo climático que será discutido na Conferência do Clima a partir de hoje está a proposta de pagamento pelo desmatamento evitado (REDD) e, segundo Minc, isto é justamente o que sugere o Fundo Amazônia.

Delegações de 192 países chegaram ontem (01/12) em Pozdan, na Polônia, para a Conferência do Clima (COP 14), e na bagagem devem ter idéias para o novo acordo climático que irá substituir o Protocolo de Quioto, depois de 2012. O Brasil pretende apresentar uma solução para colocar em prática a proposta de Emissões Reduzidas do Desmatamento e Degradação, conhecido como REDD.

Segundo o ministro do meio ambiente, Carlos Minc, o Fundo Amazônia é justamente um exemplo do funcionamento do REDD, que deve ser um ponto-chave no acordo pós-Quioto, tema central da reunião climática das Nações Unidas.

“A gente pretende levar não só para Pozdam como para Copenhague no ano que vem e dizer: meus amigos, quem tem dúvidas se isso funciona, veja aqui. Isso é o pagamento pela emissão evitada, pelo desmatamento evitado, ou seja, é isso na prática”, disse Minc em entrevista para a CarbonoBrasil.

A proposta REDD, que vem sendo discutida desde 2005, consiste no repasse de uma compensação financeira para países que conseguirem reduzir as taxas de desmatamento com base em um determinado período.

O Fundo Amazônia, lançado em agosto, receberá recursos internacionais que poderão ser sacados pelo governo de acordo com o total de desmatamento evitado a cada ano, tendo com base a média anual do desmatamento de 1996 a 2005, que foi de 19.500 quilômetros quadrados.

Para cada tonelada de dióxido de carbono deixado de ser emitido pelo desmatamento, o Brasil receberá US$ 5. Baseado neste cálculo, o país poderá sacar até US$ 1 bilhão em 2009, que poderá ser aplicado em medidas de recuperação de áreas degradadas, extrativismo, manejo florestal, etc. A Noruega foi o primeiro país doador, oferecendo US$ 1 bilhão.

“Digamos que aconteça um milagre. A gente vai para a Polônia agora e todo mundo resolve dar dinheiro para o Fundo Amazônia e captamos US$ 2 bilhões. Não podemos usar no ano que vem. Só podemos usar US$ 1 bilhão, pois isto é uma conta matemática. É o quanto você diminuiu em 2006/2007, comparado à média desta década, vezes o equivalente disso em tonelada de carbono, multiplicado por US$ 5 por tonelada de carbono. Isso que dá um bilhão”, explicou Minc.

Assim, se no ano seguinte o país desmatar menos, poderá sacar mais. Mas se, por outro lado, for desmatado mais do que o total do período base, o valor que poderá ser usado do fundo será menor. A cada cinco anos, a média do período-base é refeita. “Senão fica mole, sempre se comparando a um balúrdio de desmatamento”, ressaltou o ministro.

Plano e metas

Depois de duras críticas quanto à falta de metas de redução de emissões de gases do efeito estufa, o governo finalmente deve assumi-las. Quais serão e como serão executadas são detalhes que serão conhecidos hoje, quando o presidente Luis Inácio Lula da Silva assina o Plano Nacional sobre Mudança do Clima, em Brasília.

Em entrevista para o jornal Valor Econômico no início de novembro, Minc disse que seria “perfeitamente factível” assumir um compromisso de diminuir de 10% a 20% as emissões entre 2012 a 2020, com base nas emissões de 2004.

Segundo o Blog do Josias, a proposta enviada a Casa Civil continha metas quadrienais. Para o período de 2006 a 2010, o governo propunha uma redução desmatamento em 40%, tendo como base de comparação o mesmo período usado no Fundo Amazônia (1995-2005). A partir de 2010, a redução esperada seria de 30% por quadriênio, na comparação com os quatro anos anteriores.

Outras metas citadas por Minc durante uma mesa-redonda em Florianópolis, no dia 21 de novembro, seriam o aumento da cogeração energética de 0,5% para 20%, a queda de 15% no desperdício de energia e o aumento de 11% ao ano da participação do etanol e do biocombustivel na matriz do setor de transportes.

“Acho que os países em desenvolvimento têm que cobrar dos desenvolvidos a sua própria parte, mas também devem entrar com linhas mais limpas de produção e consumo”, comentou Minc.


Fonte: Envolverde/CarbonoBrasil

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Reunião da ONU inicia negociação do substituto do Protocolo de Kyoto, avalia embaixador

A 14ª Conferência da Organização das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, a COP-14, que começou na segunda-feira (1°) em Póznan, na Polônia, será a transição entre a fase de debates e a efetiva negociação de textos para o substituto do Protocolo de Kyoto. A avaliação é do negociador-chefe da delegação brasileira na COP-14, embaixador Luiz Alberto Figueiredo.

Ao longo de 2008, Figueiredo comandou a negociação do chamado Mapa do Caminho, roteiro definido na última COP, em Bali, para guiar a elaboração de um novo acordo climático global.

“Os países atenderam ao chamado com idéias e propostas, discutidas intensamente em preparação para a negociação de textos. Póznan marca a mudança de marcha no carro: passamos de um momento de debate para a negociação”, disse em entrevista à Agência Brasil.

Um dos temas que mais avançaram, segundo Figueiredo, foi a discussão de estratégias de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD). O assunto interessa particularmente ao Brasil, onde o desmatamento é responsável por quase 75% das emissões nacionais de gases de efeito estufa.

“Há um consenso muito claro de que ações de redução de emissões por desmatamento devem ser apoiadas internacionalmente. A discussão agora será sobre quais meios irão financiar essas ações”, explicou. Na avaliação do embaixador, nesse contexto, o Fundo Amazônia, lançado em agosto pelo governo, deverá ganhar força em Póznan, mesmo diante da crise financeira internacional.

A expectativa do negociador-chefe da delegação brasileira é de que a crise não afete os esforços internacionais de enfrentamento às mudanças climáticas acordados até agora. “As medidas de combate à crise [econômica]podem se transformar numa grande oportunidade para também ajudar no combate à crise do clima. A crise é preocupante, mas há essa esperança de que ela possa ser uma oportunidade."

Sobre o estabelecimento de metas obrigatórias de redução de emissões de gases de efeito estufa para os países em desenvolvimento, entre eles o Brasil, o embaixador disse que o assunto “não está em negociação”.

“O que está sendo negociado para os países em desenvolvimento são ações de redução de emissões no âmbito de políticas de desenvolvimento sustentável, ações que sejam nacionalmente adequadas e que sejam apoiadas por financiamento e tecnologia dos países industrializados. Isso tudo feito de maneira mensurável”, afirmou.

A inclusão desse tipo de compromisso para os países pobres é uma das principais bandeiras das organizações não- governamentais e de ambientalistas.

A posição brasileira é baseada no chamado princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas. Ou seja, os países desenvolvidos, que historicamente contribuíram mais para as emissões de gases do efeito estufa, devem ter mais responsabilidade no enfrentamento das mudanças do clima. “Não é um princípio meramente político, é comprovado pela ciência. É a tradução jurídica de um conceito científico”, argumentou.

Fonte: Luana Lourenço/ Agência Brasil

Brasil quer reduzir em 4,8 bilhões de toneladas emissões de dióxido de carbono

O governo brasileiro quer reduzir em 72% o índice de desmatamento na Amazônia até 2017. O Plano Nacional sobre Mudança do Clima, lançado nesta segunda-feira (1°) no Palácio do Planalto, prevê a redução de 40% no primeiro quadriênio, 30% no segundo e 30% no terceiro, atingindo cinco mil Km2 em 2017. Isso equivale a 4,8 bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) a menos na atmosfera. O documento aponta outras medidas a serem tomadas nas áreas de produção de energia elétrica, álcool, biodiesel e carvão. "Isso é mais do que o esforço de todos os países desenvolvidos. A Inglaterra, por exemplo, quer reduzir 80% até 2050", avaliou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

O documento, elaborado com a participação de 17 ministérios, traz, pela primeira vez, metas voluntárias nacionais para redução de emissões de gás carbônico provocadas pelo desmatamento. As metas de redução têm como base a média de desmatamento entre 1996 e 2005 que é de 19 mil km².

No Brasil, o desmatamento e as queimadas são responsáveis por 75% das emissões de gases causadores do efeito estufa. Segundo Minc, o estabelecimento de metas de redução de emissões - que enfrentava resistência no governo brasileiro - só foi possível porque mudou a relação política dentro do governo e a percepção da sociedade e de outros segmentos sobre o tema.

"O bom de ter meta é que cada um tem que fazer sua parte", disse Minc ao afirmar que não só o governo federal, mas a sociedade como um todo tem de assumir seu papel, suas responsabilidades e trabalhar para que os objetivos do plano sejam alcançados.

O ministro informou ainda que o plano passará por avaliações anuais. "O plano não é uma obra acabada. Vamos ter acompanhamento setor por setor, meta por meta, todo ano. Assim podemos fazer os ajustes necessários e avaliar nosso desempenho", esclareceu durante sua apresentação do plano aos representantes do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas. A secretária de Mudanças Climáticas do MMA, Suzana Kahn, também participou da reunião.

Segundo Minc, no plano há também metas importantes de redução associadas ao etanol e ao biocombustível que, em 15 anos, vão significar a redução de 508 milhões de toneladas de CO2. "Queremos ampliar em 11% ao ano a participação desses combustíveis na nossa matriz", afirmou o ministro.

Somado ao esforço de combate ao desmatamento haverá estímulo a políticas de incentivo para uso de energias limpas como a solar, incentivo ao uso de automóveis que emitam menos e gastem menos combustível, à reciclagem, além de metas importantes para redução do desperdício de energia.

O aumento do número de árvores plantadas é outra meta importante do plano. "Queremos passar de 5,5 milhões de hectares para 11 milhões de hectares em 2017, sendo 2 milhões de nativas", informou Minc.

O passo seguinte é a definição de metas setoriais com compromissos por setor e por região. Minc informou que no início de 2010 o plano deverá passar por uma revisão incorporando novas sugestões e os dados do novo inventário de emissões que está em elaboração pelo Ministério de Minas e Energia.

Fonte: Daniela Mendes/ MMA

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Taxa anual de desmatamento da Amazônia cresce 3,8%

O dado representa uma ruptura na tendência de queda que vinha sendo verificada desde 2005. Instituição defende desmatamento zero

De agosto de 2007 a julho de 2008, o Brasil desmatou 11.968 km2 de florestas na Amazônia Legal. Esse é o dado do desmatamento anual divulgado hoje pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O número representa um aumento de 3,8% em relação ao desmatamento verificado no ano anterior, indicando uma quebra na tendência de reduções da taxa verificada desde o período 2004-2005. É um indício de que ainda é necessário rever e ampliar os esforços para conter o desmatamento, tornando-os mais sistêmicos, integrados e estratégicos.

Entre agosto de 2006 e julho de 2007, a taxa de desmatamento foi de 11.532 km2, 18% menor do que o desmatamento medido entre 2005 e 2006. Essa relativa estabilidade da taxa de desmatamento neste último ano contrasta com algumas expectativas de maior aumento associado ao aquecimento do mercado de commodities agrícolas pré-crise econômica. Parte dessa tendência está associada às ações implementadas pelo governo federal desde o final de 2007, que passou a envolver mais o setor produtivo no esforço de redução do desmatamento.

As principais ações do governo foram a restrição do crédito para propriedades que não comprovem conformidade com as regras ambientais (reserva legal, área de preservação permanente, autorização de desmatamento etc.) e fundiárias (propriedade legalizada), além do fortalecimento e foco mais concentrado nas ações de fiscalização e do compartilhamento de responsabilidades com estados e municípios. "A restrição de crédito coíbe efeitos ligados à grilagem de terra, principal responsável direto específico pelo desmatamento na Amazônia", afirma a secretária-geral do WWF-Brasil, Denise Hamú.

Para Denise Hamú, no entanto, "um desmatamento equivalente a duas vezes o tamanho do Distrito Federal é preocupante, uma vez que o WWF-Brasil defende o que foi estabelecido pelo Pacto pela Valorização da Floresta Amazônica e Redução do Desmatamento, que propõe ações concretas e conclama esforços governamentais e de toda a sociedade para reduzir a zero o desmatamento em sete anos". O Pacto é uma iniciativa de um conjunto de ONGs e as ações propostas têm custo estimado em R$ 1 bilhão por ano, relativamente barato se comparado a outros gastos governamentais ou investimentos e principalmente se comparado aos custos sociais (secas, enchentes, mortes, dificuldades econômicas etc.) que o desmatamento impõe a todos.

A secretária-geral do WWF-Brasil afirma ainda que é necessário adotar uma estratégia mais ampla de conservação. "Defendemos a definição de metas claras de redução no desmatamento, além de mecanismos econômicos e tributários que incentivem a conservação e o uso sustentável dos recursos naturais e desestimulem as práticas predatórias", afirma.

Florestas e o clima

O desmatamento e as queimadas são responsáveis por 75% das emissões brasileiras de gases do efeito estufa e, por causa da falta de cuidado com nossas florestas, o Brasil é o quarto colocado no ranking dos maiores contribuintes para o aquecimento do planeta.

As florestas armazenam carbono, refletem calor, ajudam a reter a água da chuva e trazem vários outros benefícios para os seres humanos e o meio ambiente. Por isso, a maioria dos cientistas que estudam o clima do planeta afirma que para evitar o aumento do aquecimento global é fundamental que o desmatamento seja detido.

Com a diminuição das taxas de desmatamento na região amazônica ocorrida nos últimos dois anos, a adoção de metas de redução das emissões pelo Brasil é factível. O estabelecimento de metas para redução de emissões oriundas do desmatamento colocaria o Brasil em posição de vanguarda nas negociações internacionais sobre clima, que ocorrerão em dezembro em Poznan, Polônia.

O superintendente de Conservação do WWF-Brasil, Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza, explica, ainda, que as ações de combate ao desmatamento devem seguir quatro eixos. O primeiro é a proteção efetiva de florestas, por meio da criação e implementação de unidades de conservação. O segundo é a promoção do uso sustentável dos recursos naturais, desenvolvendo capacidades nos estados para a gestão florestal. Em seguida, vêm as ações de fiscalização, para enfrentar ameaças de atividades ilegais associadas, por exemplo, à grilagem de terras, ao agronegócio e a grandes obras de infra-estrutura. Por último, estão as ações de compensação financeira para quem proteger a floresta,

"Reconhecemos algumas ações positivas do governo federal, mas defendemos algumas melhorias, particularmente a manutenção do processo de criação de unidades de conservação, um maior esforço na implementação das unidades já criadas, com alocação e formação de equipes para a gestão das áreas, e a implementação efetiva da nova política florestal, com o desenvolvimento de capacidades nos estados para a gestão florestal", afirma Scaramuzza.

Fundo Amazônia

O Fundo Amazônia, criado pelo governo em agosto deste ano, é uma importante política de viabilização do eixo de compensação financeira para quem protege a floresta. No entanto o WWF-Brasil defende que a aplicação dos recursos contemple a ponta da cadeia. "É imprescindível que os recursos cheguem ao terreno, por exemplo, às comunidades locais, proprietários de terras e áreas protegidas", afirma Scaramuzza. "Esperamos que a execução do Fundo Amazônia estimule a inovação, a criatividade, a experimentação e o envolvimento da sociedade civil, e que seja complementado por recursos públicos, em lugar de ser sugado para preencher lacunas de programas governamentais", completa.

Mais informações:

Assessoria de comunicação do WWF-Brasil pelo telefone +55 61 3364.7464 ou pelo email comunicacao@wwf.org.br / maristela@wwf.org.br.

Alteração climática na Amazônia pode afetar Europa, diz Inpe

Por Redação da Agência Lusa

O volume de chuvas na Amazônia poderá diminuir até 40% nas próximas três décadas, caso seja mantido o atual ritmo de desmatamento. Isso poderá gerar alterações climáticas no mundo todo, com efeitos em países da Europa, disse Maria Assunção Dias, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Em declarações à Agência Lusa, a coordenadora geral do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do Inpe, afirma que o “cenário é preocupante”, devido à quantidade da área já destruída.

Dias participa, nesta semana, da conferência internacional “Amazônia em Perspectiva: Ciência Integrada para um Futuro Sustentável”, em Manaus, capital amazonense.

Até 2006, aproximadamente 17% da floresta foi desmatada. O Inpe estima que a taxa projetada de desmatamento da Amazônia Legal (região composta por nove estados brasileiros) no período entre 2006 e 2007 tenha sido de quase 12 mil quilômetros quadrados, a partir de dados obtidos por imagens de satélite.

Cerca de 85% do total de 6,5 milhões de quilômetros quadrados fica no território brasileiro, que ocupa 60% da área do Brasil.

“O volume das chuvas pode diminuir cerca de 30% a 40% em 20 ou 30 anos se o ritmo de desmatamento continuar”, disse Maria Assunção Dias.

A especialista afirmou que o impacto no regime das chuvas pode trazer mudanças em outros continentes.

“O efeito desta alteração pode dispersar-se localmente, mas tem um potencial para afetar o clima global. A chuva provoca ondas na atmosfera e na medida que muda o ritmo das chuvas, isto pode atingir a América do Norte, a Europa ou a Ásia com efeitos variados”, frisou.

Europa

Segundo Dias, “existem modelos que projetam o efeito na Europa indicando invernos mais rigorosos”. No entanto, avisou, isto ainda é uma projeção, não havendo certeza do que de fato acontecerá.

“Estamos imaginando como vai ser e projetando previsões. Todos os modelos indicam que [o clima] vai alterar-se de alguma forma”, afirmou.

A coordenadora do Inpe explicou que, para reverter o quadro, o ideal seria reduzir a “zero” a destruição, acrescentando que a retirada da madeira ilegal é o “principal problema para o desmatamento”.

A tendência, ao longo dos anos, é ocorrer o processo de savanização da floresta amazônica: “Sabemos que vai haver a transição da floresta para a savana, principalmente na parte sul e leste da floresta”, disse.

Sustentabilidade

Um dos principais desafios é promover o uso sustentável dos recursos naturais.

“No que se refere a políticas públicas, é usar os serviços da floresta sem a destruir, como a extração de frutas, e não de forma destrutiva como tem sido feito”, especificou.

De acordo com a especialista, ainda há um grande caminho a percorrer na área das pesquisas para compreender os limites da Amazônia: “Ainda precisamos entender melhor como a floresta se adapta a condições extremas. A floresta amazônica é bastante resistente ao fogo e à seca, ela é extremamente vasta, o nosso conhecimento está gradualmente percebendo que não podemos generalizar como uma coisa só”, declarou.

"O ponto principal é conter o desmatamento e como a influência humana pode atuar para isso”, acrescentou.


Fonte: Envolverde/Agência Lusa

Áreas alagáveis são as principais fontes de gases do efeito estufa na Amazônia

Por Fábio de Castro, da Agência Fapesp

Áreas alagáveis da Amazônia correspondem a 20% do bioma, de acordo com novo mapa georreferenciado apresentado por pesquisadores do Inpe e da Universidade da Califórnia. Várzeas são as principais fontes naturais de gases de efeito estufa.

Cerca de 20% da Amazônia corresponde a áreas alagáveis, de acordo com um novo mapa georreferenciado produzido por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara (UCSB).

De acordo com os autores, uma das maiores limitações para estudos sobre o ciclo do carbono ou o balanço de gases do efeito estufa é a imprecisão dos dados sobre a dimensão das áreas alagáveis, responsáveis pela maior parte das emissões de metano e carbono na atmosfera.

O estudo que gerou os mapas – apresentado nesta terça-feira (18), durante a Conferência Internacional Amazônia em Perspectiva, em Manaus – foi realizado por Evlyn Novo, pesquisadora titular da Divisão de Sensoriamento Remoto do Inpe, Laura Hess, do Instituto para a Ciência Computacional dos Sistemas Terrestres (Icess, na sigla em inglês) da UCSB, e John Melack, pesquisador do Icess e da Nasa, a agência espacial norte-americana.

Por intermédio de Melack, a pesquisa iniciada na década de 1990 teve participação da Agência de Exploração Aeroespacial Japonesa (Jaxa). Evlyn teve apoio da FAPESP por meio da modalidade Auxílio Regular a Pesquisa. Laura, também com apoio da FAPESP por meio da modalidade Auxílio Pesquisador Visitante, atuou como professora visitante do Inpe, onde ajudou a desenvolver e testar a metodologia de mapeamento.

"As áreas alagáveis são as principais fontes naturais de gases causadores do efeito estufa. Qualquer estimativa sobre o aumento das emissões fica distorcida se não tivermos uma linha mestra que nos permita identificar se essas emissões são antropogênicas ou naturais", disse Evlyn à Agência FAPESP.

De acordo com a pesquisadora, a quantificação dessas informações depende de dados sobre as áreas alagáveis amazônicas, que por sua vez são de difícil obtenção. "Os rios da bacia amazônica chegam a ter oscilações de nível de até 18 metros. Em algumas regiões há variações de 50 quilômetros em relação às margens. Por isso, as estimativas sobre as áreas alagáveis até agora eram muito imprecisas", afirmou.

O sensoriamento remoto, segundo Evlyn, é a solução para monitorar as áreas alagáveis da bacia, por sua grande extensão e difícil acesso. Em meados da década de 1990, o projeto teve início a partir de imagens SAR (radares de abertura sintética) obtidas pelo Jers-1 (Japanese Earth Resources Satellite-1), da Jaxa. Os sistemas SAR foram usados como alternativa aos sensores ópticos, cuja ação é limitada em regiões tropicais devido à alta taxa de cobertura de nuvens.

"Com esses dados, foram realizadas coberturas das duas fases do ciclo hidrológico da bacia: o período de águas mínimas e o período de cheias. As informações, então, foram processadas por uma cooperação entre o Inpe e a UCSB para gerar um mapa das áreas alagáveis da Amazônia inteira", disse.

A pesquisadora explica que a conclusão dos trabalhos foi demorada porque era preciso validar o mapa. "Foram feitos vários sobrevôos com uma aeronave do Inpe, para produzir uma videografia. Os resultados preliminares, que consideravam a Amazônia Central, indicavam 17% de áreas alagáveis. O resultado final, que foi apresentado nesta terça-feira (18), é o mapa para toda a Amazônia, incluindo os países vizinhos, e mostra que 20% do bioma é composto por áreas alagáveis", destacou.

Segundo Evlyn, o principal responsável pelas áreas alagadas é a flutuação dos rios da bacia amazônica, mas há também uma contribuição de outras fontes de água, como lençóis freáticos que afloram.

De acordo com ela, o mapa ajudará a preencher várias lacunas de informação científica na região. "As áreas de terra firme sempre receberam mais atenção por conta do desflorestamento e da maior extensão. Mas as áreas alagáveis – com pouca oxigenação e favoráveis à decomposição de material orgânico – têm importância crucial, porque a evasão de carbono e metano nesses sistemas é imensa. Sem considerar esses 20% da Amazônia, é impossível fechar o balanço dos estudos sobre emissões", disse.


Fonte: Envolverde/Agência Fapesp

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Projeto alia estudo do direito e das mudanças climáticas para preservação da Amazônia

Por Silvia FM*

As ações internacionais sozinhas serão insuficientes para combater o aquecimento global. Nesse sentido, as normas jurídicas de cada país têm fundamental importância nessa trajetória. Essa foi uma das justificativas do Embaixador Britânico no Brasil, Peter Collecott, que participou da abertura do workshop do projeto "Direito e Mudanças Climáticas nos Países Amazônicos". O encontro foi realizado na terça (28) e quarta-feira (29) na Associação dos Juízes Federais, em Brasília. O projeto é coordenado pelo Instituto O Direito por um Planeta Verde e financiado pela Embaixada Britânica.

Representantes da Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela irão identificar as normas que têm relação às mudanças climáticas, principalmente com relação aos temas: desmatamento, agropecuária, transporte, energia, resíduos e desastres naturais.

O embaixador informou ainda que o Reino Unido criou recentemente um Ministério de Mudanças Climáticas e Energia. Ainda enviou ao parlamento inglês uma emenda à lei de mudanças climáticas para aumentar a meta de redução das emissões de gases de efeito estufa para 80%. O evento conta com a participação dos coordenadores da pesquisa em cada um dos países: Ricardo Saucedo Borenstein, da Sociedad Boliviana de Derecho Ambiental, María Amparo Albán, do Centro Equatoriano de Derecho Ambiental, Isabel Calle e Carolina Tejada, da Sociedade Peruana del Derecho Ambiental, Luis Fernando Macías, da Colômbia e Isabel de Los Rios, professora de Direito Ambiental e Assessora do Ministério do Meio Ambiente da Venezuela.

O fundador do Instituto Planeta Verde e ministro do Superior Tribunal Federal, Herman Benjamin, salientou a importância do evento. Disse que é a primeira vez que se tem uma iniciativa de estudar marcos regulatórios de vários países com foco em mudanças climáticas. Segundo o ministro, elogiou que o debate do assunto esteja sendo realizado na "casa dos juízes", que conhecem a aplicabilidade, as dificuldades e os caminhos necessários para o aperfeiçoamento das leis.

A abertura contou também com a participação do presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, Jirair Aram Meguerian, cuja jurisdição abrange dois terços do território brasileiro: 14 Estados. O desembargador destacou o grande número de processos que correm em segunda instância na área ambiental no Tribunal. Somente de Rondônia estão em análise 1.700 processos, do Amazonas, mil, do Acre, 300, de Roraima 400 e de Minas Gerais mais de mil. E informou que está em estudo a criação de varas especiais em meio ambiente, o que seria uma novidade para o Judiciário Federal.

Já o juiz Ivanir César Ireno Jr., da Associação dos Juízes Federais, destacou a necessidade de se capacitar os juízes para enfrentarem temas que extrapolam a tradicional formação jurídica, como o entendimento da multidisciplinaridade dos assuntos e questões técnicas. Para ele, os juízes devem estar melhor aparelhados para enfrentar essas questões. E lembrou que o tema do Encontro Nacional de Juízes desse ano será sobre meio ambiente.

Desafios do Projeto

À tarde, o evento ouviu profissionais de diferentes áreas que tem experiência nas questões relacionadas ao bioma amazônico e mudanças climáticas, como o ex-deputado Fabio Feldman, que alertou para a necessidade do poder público tomar ciência da necessidade de se tomar medidas para amenizar os problemas. O secretário de meio ambiente de São Paulo, Eduardo Jorge, apresentou o projeto de lei sobre a redução de CO2 na capital paulista. Para a diretora do Planeta Verde e coordenadora geral do projeto, Vanêsca Prestes, ouvir os especialistas reforçou o entendimento que o Planeta Verde já tinha do enorme desafio a ser enfrentado. Ela disse que aumentou a convicção da importância da aproximação do direito com o tema mudanças climáticas. A procuradora do município de Porto Alegre acredita que trazer esse tema para o âmbito do direito, percebendo os reflexos das decisões judiciais, das ações ajuizadas, dos entendimentos sustentados, possibilitará que os operadores do direito percebam o quanto uma decisão pode interferir em outras áreas.

O Projeto terá três anos de duração e três fases: desenvolvimento de uma pesquisa com duas etapas, diagnóstico das normas existentes em cada um dos países e apresentação de proposições. Na segunda serão publicados os resultados e haverá o desenvolvimento de um site sobre direito e mudanças. Na terceira, haverá a realização de seminários de capacitação para os operadores do direito, como juízes, promotores e juízes, onde serão apresentados os resultados da pesquisa e trabalhadas as informações coletadas.

* Silvia FM é assessora de comunicação do Projeto Direito e Mudanças Climáticas nos Países Amazônicos.
Fonte: Envolverde/Assessoria

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Conferência divulga estudos inéditos sobre a Amazônia

Por Glória Malavoglia e Ana Paula Soares, do Inpa

Um amplo panorama com dados inéditos sobre a Amazônia será apresentado pelos maiores especialistas do mundo na área ambiental, durante a Conferência Científica Internacional Amazônia em Perspectiva: Ciência Integrada para um Futuro Sustentável, organizada pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia/INPA, Museu Paraense Emílio Goeldi/ MPEG e outras instituições parceiras e patrocinada pelo MCT, através do PPA, Fundos Setoriais, FINEP e CNPq, dentre outros apoiadores. O evento ocorrerá entre os dias 17 a 20 de novembro, em Manaus (AM).

Pela primeira vez, os três mais importantes programas de pesquisas do Ministério da Ciência e Tecnologia para a Amazônia (MCT), o LBA (Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia), o Geoma (Rede Temática em Modelagem Ambiental da Amazônia) e o PPBio (Programa de Pesquisa em Biodiversidade) realizam uma conferência conjunta.

As discussões terão como foco principal a geração, síntese e integração de dados recentes sobre a Biodiversidade, o Clima, as Políticas Públicas e o Desenvolvimento Sustentável, e o Uso e Cobertura da Terra e suas Dimensões Sociais na Amazônia, bem como a discussão e avaliação dos diferentes cenários de alteração ambiental provocados pelo desmatamento e pelo aquecimento global.

Pesquisas inéditas

Abrindo a Conferência, a plenária Amazônia – Um sistema em desequilíbrio? Avaliações integradas da biogeoquímica, hidrologia, clima e biodiversidade da Amazônia, apresentará estudos mostrando, por exemplo, que a radiação solar para fotossíntese das plantas pode ser reduzida em até 60%, em algumas áreas da Amazônia, devido à fumaça das queimadas. As pesquisas, coordenadas por Paulo Artaxo (USP), indicam também que aumentos modestos de concentrações de aerossóis no ar podem aumentar a formação de nuvens e aumentar a fotossíntese de plantas em luz difusa.

A retro-alimentação atual entre as ações humanas e a integridade do funcionamento climático, hidrológico e biológico do sistema amazônico serão apresentadas por Meinrat Andreae (Max Planck Institute for Chemistry).

A visão dos jovens cientistas – O que foi aprendido no LBA, GEOMA e PPBio e as necessidades futuras de pesquisas na Amazônia é o tema de outra plenária, que tem como moderador Irving Foster Brown (Universidade Federal do Acre). Esta sessão tratará dos avanços nas pesquisas de cada um dos programas envolvidos na Conferência.

A importância das redes de parcelas permanentes para inventários de biodiversidade e estoques de carbono apresentada por Oliver Phillips (University of Leeds) e Elizabeth Franklin (INPA) é um dos principais destaques na área. Os pesquisadores mostrarão como essas redes têm sido usadas para estudos de diversos grupos de organismos, desde microorganismos do solo até animais de médio porte, e incluindo toda a vegetação.

O presente e o futuro da modelagem da biodiversidade amazônica também está entre as novidades. O trabalho tratará dos resultados obtidos pelos diversos estudos da distribuição da biodiversidade na paisagem e a modelagem de suas relações com o ambiente. A especialização do PPBio de gerar informações com abrangência e qualidade sobre a ocorrência da biodiversidade, complementa perfeitamente com os objetivos do LBA (modelar processos ecossistêmicos) e do GEOMA (modelar distribuição das espécies em função do ambiente). A sessão será coordenada por Ana Albernaz (Museu Paraense Emilio Goeldi) e Bruce Nelson (INPA).

Outro destaque nessa área, coordenado por Alexandre Bonaldo (Museu Paraense Emilio Gueldi) e Mike Hopkins (PPBio Amazônia Ocidental), enfocará a integração de taxonomia e das coleções biológicas com estudos ecossistêmicos. Essa integração é fundamental, pois estudos ecossistêmicos têm potencial de gerar uma quantidade enorme de material biológico de grande interesse para as coleções biológicas, enquanto que a qualidade desses estudos depende muito da identificação correta das espécies que compõem os ecossistemas amazônicos.

Acelerando o efeito estufa


A integração e disseminação de dados e metadados, um grande desafio para o Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio), será o tema da sessão coordenada por Marlúcia Martins (Museu Paraense Emilio Goeldi) e Laurindo Campos (Inpa). Como o programa está se especializando em obter, gerir e disseminar dados sobre a biodiversidade em diversos sítios da Amazônia, a busca por soluções nesse sentido é prioridade absoluta.

Conferência irá apresentar também trabalhos que comprovam que os desflorestamentos e as queimadas aceleram o efeito estufa, alteram o mecanismo da formação de nuvens e podem diminuir as chuvas na Amazônia e em outras partes do país ou mesmo do continente. Estudos recentes revelam ainda que outros compostos orgânicos voláteis importantes para a formação de gotas de chuva vêm do chão ou sub-bosque.

As evidências de uma forte relação entre a formação de nuvens na Amazônia e a ocorrência e distribuição de chuvas no Sudeste e Sul do Brasil e em toda a América do Sul serão debatidas na Conferência. Especialistas em meteorologia, ligados ao Programa LBA e a outros projetos internacionais de pesquisa, têm agora fortes razões para acreditar que a mudança de clima, em conseqüência do desmatamento amazônico esteja afetando o regime de chuvas nessas áreas, inclusive na Bacia do Prata. A fumaça das queimadas também estaria alcançando o sul do continente.

Efeitos do desmatamento

Outro assunto inédito a ser debatido é a comprovação de que, ao contrário de pensamentos iniciais, sistemas com adição de material vegetal triturado não produzem grandes aumentos de emissão de CO2 e outros gases do efeito estufa. Ao contrário, podem servir para fixar carbono no solo. Esse estudo vem complementar pesquisas anteriores, que demonstram que áreas abandonadas e/ou degradadas após uso como pastagens ou cultivos agrícolas podem ser recuperadas, voltar a ser produtivas e prestar serviços ambientais ecossistêmicos, por meio de métodos de cultivo sem queima ou do uso de sistemas agroflorestais diversificados, com espécies arbóreas nativas.

O desenvolvimento e a criação de sistemas avançados de detecção de desflorestamentos e queimadas por imagens de satélite, permitindo não somente estimar a extensão e o impacto da extração seletiva de madeira, mas também a construção de novas estradas de penetração na floresta (em geral ilegais), em tempo quase real, permitindo prontas ações de fiscalização e controle do desmatamento, é outro destaque da Conferência.

Na área de Políticas Públicas e Desenvolvimento Sustentável e de Mudanças de Uso e Cobertura das Terras e suas Dimensões Sociais, destacam-se as sessões sobre as causas socioeconômicas de mudanças de uso da terra, apresentada por Diógenes Alves (INPE) e Mateus Batistella (Embrapa); Modelos e cenários de múltipla escala sobre mudanças de uso e cobertura da terra para a Amazônia, apresentada por Ana Paula Dutra (INPE) e Ima Vieira (Museu Paraense Emilio Goeldi); Cenários para o desenvolvimento sustentável, apresentada por Paulo Moutinho (IPAM - Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e Roberto Araújo (Museu Paraense Emilio Goeldi).

Na área de Clima, os destaques são: Efeitos do desmatamento no clima regional e global, apresentado por John Gash (Centre for Ecology & Hydrology Crowmarsh Gifford, UK) e Maria Assunção Dias (INPE); Cobertura da terra e mudanças climáticas, população humana e infecções na Amazônia: conexões e riscos para o futuro, apresentadas por Alisson Barbieri (UFMG) e Ulisses Cofalonieri (Fiocruz).

Saiba mais sobre a Conferência em http://www.lbaconferencia.org/lbaconf_2008

Fonte: Envolverde/Agência Amazônia