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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Meta de redução da desflorestação da Amazônia antecipada em quatro anos

O Brasil vai antecipar em quatro anos a meta assumida na conferência sobre o clima de Copenhaga (COP 15) de reduzir a desflorestação da Amazónia em 80 por cento até 2020.
"A meta anunciada na COP 15 será antecipada em quatro anos. Nenhum país vai dar tamanha contribuição ao planeta como o Brasil",
assinalou o ainda presidente Lula da Silva, durante a reunião anual do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, no Palácio do Planalto.
Lula da Silva admitiu não ter grandes expetativas em relação à Conferência sobre Mudanças Climáticas que se vai realizar em Cancún, no México, a 29 de novembro.
Não espero que os grandes líderes do mundo apareçam, porque, como não tem acordo, eles não vão querer se expor",
considerou.
O ministro de Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, também disse que as expetativas são "modestas" para Cancún e que não há previsão de grandes acordos.Os principais esforços do Brasil para essa reunião no México serão, segundo o ministro, evitar retrocessos e preparar as próximas negociações.
De acordo com o governo brasileiro, a estimativa das emissões brasileiras de gases de efeito estufa em 2009 é de 1,77 mil milhões de toneladas, 33 por cento a menos do que em 2004.
No ano passado, durante a conferência climática da ONU em Copenhague, o Brasil comprometeu-se a reduzir as suas emissões entre 36 e 39 por cento até 2020, para 1,7 mil milhões de toneladas.
A maior parte da queda nas emissões deve-se a uma redução substancial na desflorestação da Amazônia.

Fonte: sic. sapo.pt




segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Norte e Nordeste serão mais afetados por mudanças climáticas, aponta Ipea

Segundo o estudo, o aquecimento global poderá elevar a temperatura no Norte e Nordeste em até 8 graus Celsius (ºC) em 2100 como consequência do desmatamento da floresta amazônica

As populações das regiões Norte e Nordeste serão as mais afetadas nas próximas décadas se houver agravamento das condições climáticas no Brasil, o que pode aprofundar as atuais desigualdades regionais e de renda. O diagnóstico consta do Boletim Regional, Urbano e Ambiental número 4, elaborado por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), e feito com a participação de especialistas de diversos setores no País.

O documento associa os problemas climáticos ao aquecimento global e prevê resultados de longo prazo. A perspectiva macroeconômica traçada pelo estudo indica em uma das simulações que o Produto Interno Bruto (PIB) nacional poderia ser, numa primeira hipótese prevista para 2050, de R$ 15,3 trilhões (no valor do real em 2008). Em outra alternativa, com menos danos para o meio ambiente, poderá chegar a R$ 16 trilhões, se o clima ajudar.

O Ipea estima o risco de reduções de 0,55% ou 2,3% respectivamente para esses valores. O aquecimento global poderá elevar a temperatura no Norte e Nordeste em até 8 graus Celsius (ºC) em 2100 como consequência do desmatamento da floresta amazônica.

Entre os compromissos assumidos pelo País no Protocolo de Kyoto, a redução do desmatamento figura como a contribuição de menor custo. O valor médio de carbono estocado na Amazônia foi estimado em US$ 3 por tonelada ou US$ 450 por hectare. Se estes valores forem utilizados para remunerar os agentes econômicos poluidores, seriam suficientes para desestimular até 80% a pecuária na Amazônia. Seria possível reduzir em 95% o desmatamento com o custo de US$ 50 por tonelada de carbono, aponta o Boletim Regional, Urbano e Ambiental divulgado pelo Ipea.

Fonte: abril.com.br

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

MMA e MCT anunciam nova queda no desmatamento

Por Redação MMA 


Os novos dados do Sistema Detecção do Desmatamento em Tempo Real - Deter, do Inpe, revelam que o desmatamento na Amazônia voltou a diminuir, confirmando a tendência de queda dos últimos doze meses. A ministra Izabella Teixeira, do Meio Ambiente, e o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, divulgam e comentam os números de junho em entrevista coletiva.


Quando: Segunda-feira, 9 de agosto, 11h

Onde: Sala Multimídia do Ministério do Meio Ambiente, Esplanada dos Ministérios, Bloco B, Sala Multimídia, 5° andar, Brasília-DF

(Envolverde/MMA)

terça-feira, 13 de abril de 2010

Programa Defensores do Clima do WWF-Brasil é lançado oficialmente em São Paulo

O auditório lotado, na manhã desta sexta-feira (9), era a prova irrefutável: o evento, que começaria dentro de poucos minutos, trataria de um assunto dos mais importantes. Distribuídos pelo auditório do Hotel Meliá Jardim Europa, em São Paulo, representantes de empresas e jornalistas presenciaram, nas três horas seguintes, o Lançamento Nacional do Programa Defensores do Clima, do WWF-Brasil. Criada pela Rede WWF em 2009, a iniciativa é um convite para que o setor privado reduza, em termos absolutos, as emissões de carbono de seus processos operacionais. A Natura é a primeira companhia brasileira (e, também, entre todos os países em desenvolvimento) a aderir ao Programa.

A primeira metade da agenda foi destinada à apresentação técnica de representantes do WWF-Brasil e empresas parceiras, além de personalidades atuantes na causa ambiental. Composta por Eduardo Jorge, Secretário Municipal do Verde e Meio Ambiente de São Paulo, Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza, Superintende de Conservação do WWF-Brasil, Marcos Vaz, Diretor de Sustentabilidade da Natura, Fernando Von Zuben, Diretor de Meio Ambiente da Tetra Pak e Dr. José Eli da Veiga, professor titular do Departamento de Economia da Universidade de São Paulo (USP), a mesa se encarregou de reforçar a importância da adequação de análises de riscos e oportunidades aos negócios do setor corporativo em busca de uma economia de baixo carbono.

Criado em 1999 pela Rede WWF, o Programa Defensores do Clima conta com um grupo seleto de empresas. Apenas em 2010, as 21 parceiras evitarão, juntas, o lançamento de 14 milhões de toneladas de gases de efeito estufa, número de mesma ordem da grandeza das emissões da cidade de São Paulo em 2003. De acordo com Eduardo Jorge, aliás, a lei de Mudanças Climáticas aprovada pela prefeitura de São Paulo é referência para outras cidades. “É muito importante ter um diagnóstico geral dos setores responsáveis pela concentração de carbono na atmosfera. Só assim é possível estabelecer políticas públicas”, afirmou.

O inventário de todas as emissões empresariais é, também, um dos pilares do Programa. Dividido em seis etapas, ele teve hoje o seu primeiro passo na relação com as empresas convidadas. Trata-se de uma conversa informal, de explicação sobre os parâmetros propostos e a importância do engajamento de companhias. Em seguida, há a avaliação das políticas e ações climáticas da empresa pleiteante e o acordo de metas ambiciosas, com apoio técnico e de comunicação do WWF-Brasil. Por fim, existe a comunicação de resultados e a verificação bi-anual feita por uma auditoria independente.

“É uma questão de sobrevivência. Estamos vivendo uma mudança de paradigma e, se o clima e o capital natural não estiveram na equação dos negócios, não será possível alcançar a perenidade empresarial. Existe um leque variado de opções para a mitigação do problema, como eficiência energética de produtos, em processos industriais ou administrativos e uso de energias renováveis. A meta global é que, em 2012, o Programa chegue a 100 milhões de toneladas de carbono evitadas”, disse Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza, Superintendente de Conservação do WWF-Brasil.

A Natura saiu na frente de seus pares do Hemisfério Sul e, em dezembro do último ano, confirmou a inclusão na lista de Defensores do Clima – durante a COP15, realizada em Copenhague. O objetivo é cortar 10% das emissões de carbono em seu processo industrial, responsável por 6% do lançamento total da empresa. Para tanto, vai substituir os combustíveis fósseis de seus fornos, que geram energia térmica para o site Cajamar, por etanol, assim como o da frota particular de veículos. O mesmo vale para o site Benevides, no Pará, a ser alimentado por biomassa em breve.

“É uma questão de longevidade do negócio. Vamos continuar crescendo, mas queremos que isto aconteça junto com a conservação da biodiversidade, manutenção dos recursos hídricos e combate às mudanças climáticas. Mas, com o Programa Natura Carbono Neutro, lançado em 2007, já conseguimos diminuir em 96 mil toneladas o lançamento de gases estufa”, explicou o diretor de sustentabilidade da Natura, Marcos Vaz.

Engajamento semelhante tem a Tetra Pak no mundo, outra parceira do Defensores do Clima. Até o fim deste ano, ela terá cortado 10% das emissões nas fábricas, com foco em eficiência energética. Uma nova meta, no entanto, está sendo preparada, ainda mais grandiosa. “A Rede WWF foi essencial para a compra de Green Energy, como eólica, solar, hidrelétricas. Elas têm certificado e isto nos ajudou muito a atingir os alvos”, completou Fernando Von Zuben.

A segunda metade do evento foi destinada a perguntas dos convidados e entrevistas com a imprensa. Agora que o Programa foi, de fato, lançado no Brasil, a expectativa é de que novas empresas identificadas com o tema também contribuam na luta contra o aquecimento global. Deste modo, elas terão a oportunidade de liderar o seu segmento e se preparar melhor para as regulações que, sem duvida, estão por vir. A crise ecológica é urgente, sem precedentes e só conseguirá ser superada com o apoio do setor corporativo.

WWF-Brasil

Desmatamento em fevereiro resultou na emissão de 5 milhões de ton de CO2, diz Imazon

O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) divulgou na última sexta-feira (9) os dados do desmatamento da Amazônia no mês de fevereiro de 2010, e a quantidade de emissões de gases de efeito estufa que foram causadas por essa devastação.

Segundo o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), a devastação da floresta em fevereiro resultou na emissão de 5,8 milhões de toneladas de CO2 equivalente.

As emissões provenientes da devastação nos sete primeiros meses do calendário do desmatamento (agosto de 2009 a fevereiro de 2010) foram de 60 milhões de toneladas de CO2 equivalente.

Segundo o Imazon, a emissão de gases de efeito estufa, entre agosto de 2009 e fevereiro de 2010, foi maior que a do mesmo período do ano passado.  Isso indica que o desmatamento está ocorrendo em áreas com maiores estoques de carbono.

Desmatamento aumenta em 2010

Segundo o SAD, foram desmatados 88 km2 de florestas em fevereiro de 2010, um aumento de 41% em relação ao mesmo mês de 2009, quando o desmatamento somou 62 km2.

Os dados do Imazon diferem dos dados oficiais, medidos pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe).  A ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira anunciou, na semana passada, que, segundo o Inpe ,o desmatamento caiu 51% no primeiro bimestre do ano.

Já de acordo com o Imazon, nos sete primeiros meses do calendário do desmatamento, 924 km2 foram desmatados, representando um aumento de 23% em comparação com o mesmo período do ano anterior, quando foram desmatados 749 km2.

Em fevereiro de 2010, o vilão do desmatamento foi Mato Grosso: 75% da derrubada de árvores ocorreram no Estado.  Em seguida, vêm Pará (15%) e Roraima (8%).  O SAD também registrou 99 km2 de degradação florestal - florestas que sofreram intensa exploração ou ação de queimadas, mas não foram totalmente derrubadas.  Quase toda a degradação (99%) ocorreu também em Mato Grosso.

Segundo o SAD, 60% da Amazônia estavam cobertos por nuvens em fevereiro, e por isso não puderam ser monitorados.  A região não mapeada corresponde a parte do Amapá, Rondônia, Pará e Amazonas.  Portanto, os dados nesses Estados podem estar subestimados.

Amazônia.org.br

quarta-feira, 7 de abril de 2010

O Pantanal ameaçado. Entrevista especial com Débora Calheiros


Por Redação IHU


Imprevisível dizer como será o novo perfil do Pantanal caso os 116 projetos de centrais hidrelétricas forem instalados nessa região. De acordo com Débora Calheiros, “o que se sabe é que, muito provavelmente, irá mudar o fluxo natural das águas de cada rio, e, por conseguinte, do sistema Pantanal como um todo”. Ela concedeu à IHU On-Line uma entrevista, por telefone, sobre as ameaças colocadas ao Pantanal em nome da produção de energia em função do crescimento econômico do país. Débora respondeu também questões sobre o desmatamento e criação de gado na região, além do que ela acha que está em jogo quando se trata da implementação de centrais hidrelétricas e barragens. “Criar 116 barragens sem nenhum estudo prévio, em uma região que deveria ser conservada, que é patrimônio nacional e da humanidade, além de ser uma reserva da biosfera, é temerante. Por isso, nós pesquisadores junto das ONGs e a sociedade civil do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul alertamos para esta questão”, opinou.

Débora Calheiros é biológa e, atualmente, trabalha na Embrapa Pantanal.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – O que significa, para o Pantanal, a instalação de 116 pequenas centrais hidrelétricas?

Débora Calheiros – Na verdade, são vários tipos de centrais, não só as pequenas. Existem as Usinas Hidrelétricas (UHEs) que têm potência superior a 30 megawatts, as PCHs, que têm potência de até 30 megawatts, e as Centrais Geradoras de Eletricidade (CGHs) que são menores ainda. Dessas 116, a maioria serão PCHs, mas também estão previstas as CGHs e as UHEs. Estamos preocupados com o efeito conjunto e cinérgico de todos esses empreendimentos nos rios formadores do Pantanal que estão ao redor do planalto.

Fizemos um workshop intitulado “A influência de usinas hidrelétricas no funcionamento hidroecológico do Pantanal Brasil”, na 8ª Conferência Internacional de Áreas Úmidas, a Intecol, que ocorreu em Cuiabá, em julho de 2008. Fizemos uma carta de recomendações que foi enviada a todos os órgãos envolvidos, tanto em nível federal quanto estadual. Agora o Ministério Público Federal também está atuando nesta questão, justamente para tentarmos fazer com que haja um planejamento e um estudos dos impactos de todo o conjunto de barragens que estão previstas. Atualmente, existem 29 barragens em operação, tanto grandes quanto pequenas, e 87 já em construção, licenciamento e sob estudo. O que queremos é evitar a mudança do pulso de inundação, dos ciclos de cheias e secas natural do sistema Pantanal.

IHU On-Line – Se forem instaladas essas PCHs no Pantanal, qual seria o novo perfil da região?

Débora Calheiros – É imprevisível. Como cada rio terá um regime diferente, por conta do funcionamento do regime da hidrelétrica, seja grande ou pequena, não temos como prever. O que se sabe é que, muito provavelmente, irá mudar o fluxo natural das águas de cada rio, e, por conseguinte, do sistema Pantanal como um todo. Por exemplo, a bacia do Rio Cuiabá, principal tributário do Rio Paraguai, é responsável por 40% da água do sistema. Esta bacia já tem barragens grandes em seus principais rios, o Manso, Itiquira, Correntes e São Lourenço.

Já temos evidências de que o curso de inundação já é alterado abaixo da cidade de Cuiabá, pela hidrelétrica de Manso. O conjunto dessas quatro hidrelétricas na mesma bacia é um problema. No fim dos rios Paraná e Paraguai, temos o Parque Nacional do Pantanal Matogrossense, que possui uma área ransa, além de ser uma unidade de conservação nacional. Temos que conservar esse ambiente. A mudança do pulso de inundação é um potencial importante para operar a ecologia da própria área do parque.

IHU On-Line – Neste momento, qual a situação do desmatamento na região do Pantanal?
Débora Calheiros – Na planície, ainda temos uma boa conservação do sistema, segundo dados do último levantamento realizado por ONGs, como WWF, TNC, SOS Pantanal e outras da região, junto com a EMBRAPA Pantanal. O levantamento na planície aponta que temos 15% de área alterada. No caso do Pantanal, não podemos falar só de desmatamento, pois não é só mata. A vegetação nativa inclui pastagens e arbustos. Falamos de supressão da área vegetal nativa.  O problema está no planalto. No planalto secundante estão as nascentes dos rios, formadores do Pantanal. Nesta região do planalto, de 60% a 80% da área está alterada. Isto é muito preocupante, pois é um desmatamento que não respeita a nascente e não respeita a mata ciliar, em geral. Não respeita, também, o código florestal e as áreas de preservação permanente que conservam os rios. Os rios que formam o Pantanal estão comprometidos já na área de nascente. Na região de planície, ainda há conservação e boa qualidade ambiental, pelo menos por enquanto.

IHU On-Line – Em que áreas estão concentradas as criações de gado? Essas áreas modificadas em pastagens têm diminuido?

Débora Calheiros – Na região de planície, a maioria dos sistemas de produção agrícola é tradicional. Este sistema respeita o ciclo das águas e se utiliza, na maior parte, de pastagens nativas. O manejo do gado é feito conservando o ambiente, tanto é que temos um dos biomas mais conservados do Brasil. O problema é que as fazendas estão mudando de dono, que estão vindo de fora da região. Geralmente são pessoas de São Paulo e do Paraná que têm a cultura de desmatar tudo e colocar pastagens exóticas, como a braquiária, uma gramínea africana. Isso altera profundamente o ambiente, e não respeita a questão das APPs. O desmatamento é indiscriminado e temos evidências de que isso está aumentando. Hoje as áreas desmatadas estão em 15%, mas, em 1999, eram apenas 5%. A tendência é que aumente, justamente por que as fazendas estão mudando de dono.

IHU On-Line – O que está em jogo em relação à construção dessas PCHs?


Débora Calheiros – É a questão da ampliação da matriz energética do país. Só que as PCHs geralmente têm um licenciamento muito superficial e são muitas no mesmo rio. Uma PCH é uma coisa, mas várias no mesmo rio é praticamente uma grande barragem. Elas, em geral, são um fio d’água, ou seja, não criam reservatório de água, mas alteram o fluxo das águas. Embora não se tenha um reservatório, quando se tem muitas PCHs no mesmo rio, há uma variação na vazão e a retenção de nutrientes, o que altera a qualidade da água, e, por conseguinte, o funcionamento ecológico do rio juzante da barragem. Este é um problema sério, mas o maior problema é essa proliferação indiscriminada de barragens sem planejamento. Ainda mais no caso do Pantanal, uma área que deve ser preservada. Se fosse em um rio, em São Paulo, onde já encontram vários problemas ambientais, é uma coisa. Mas criar 116 barragens sem nenhum estudo prévio, em uma região que deveria ser conservada, que é patrimônio nacional e da humanidade, além de ser uma reserva da biosfera, é temerante. Por isso, nós pesquisadores junto das ONGs e a sociedade civil do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul alertamos para esta questão.

Uma reportagem de um jornal de São Paulo apontou que, recentemente, o presidente da empresa de pesquisa energética, a EPE, afirmou que eles vão realizar, finalmente, o estudo que estávamos pleiteando, a Avaliação Ambiental Integrada. Este é um estudo feito pelo setor elétrico para saber o efeito sinérgico de várias barragens em uma mesma bacia. Pela Resolução Conama de 1985, relacionada com estudos de impacto ambiental e com a lei de recursos hídricos de 1997, temos que trabalhar sempre com a visão de bacia hidrográfica. Não se pode licenciar um empreendimento sem ter a noção do que irá acarretar na área da bacia hidrográfica. No caso da bacia do Rio Paraguai, como ela é grande e possui vários empreendimentos, deve se fazer uma análise de todos eles em conjunto. O setor elétrico já tem esse tipo de análise, que já fizeram no Rio Uruguai e em outros rios do país, por isso, estávamos pleiteando, desde 2008, para que colocassem a bacia do Rio Paraguai como prioridade.

Uma outra solicitação que fizemos na carta de recomendações é que se faça, também, uma avaliação ambiental estratégica. Esta é uma outra ferramenta e poderia ser feita pelo Ministério do Meio Ambiente. Inclusive, anteriormente, já houve uma tentativa de se fazer estudo na região, quando existia o Programa Pantanal, atualmente não existe nenhuma política pública voltada para o Pantanal. O estudo começou a ser feito, mas não teve finalização, para ver a questão do desenvolvimento da bacia como um todo, incluindo principalmente a questão da industrialização pesada que existe aqui na região e não só para a questão das hidrelétricas. A avaliação ambiental estratégica tem uma visão geral do sistema e de opções de desenvolvimento sustentável para o sistema, levando em conta todos os fatores dos empreendimentos e os propósitos de desenvolvimento. Estamos pleiteando esses dois estudos profundos, para que possamos, pelo princípio de precaução, evitar que se altere um ecossistema tão importante mundialmente como o Pantanal.

IHU On-Line – Porque não se fez uma avaliação ambiental integrada da região anteriormente?


Débora Calheiros – Não tenho ideia. Sabemos que existem várias bacias já contempladas. Além do Rio Uruguai, existem outros como Trombetas, no Pará. No site da EPE, encontra-se a lista de todos os rios contemplados e os estudos completos. Estamos sugerindo o estudo desde 2008, e o próprio Conselho Estadual de Recursos Hídricos do Mato Grosso do Sul e a Secretaria Estadual de Meio Ambiente estão preocupados com essa problemática, que levantamos durante a realização do workshop. Questionamos, ainda em 2008, a EPE sobre essa questão. O problema é que 70% de todos esses empreendimentos estão previstos para a parte norte da bacia, no estado de Mato Grosso, e isso pode alterar o pulso de inundação e o fluxo das águas para Mato Grosso do Sul, que está rio abaixo. A preocupação mais evidente foi do estado de Mato Grosso do Sul. O Ministério Público Federal também se sensibilizou com a questão e está atuando. Provavelmente, agora, em abril, eles irão informar a decisão de que estão preocupados com essa questão e estão pedindo também que se façam estudos para que não haja problemas no futuro, na questão de conservação do Pantanal Matogrossense.

IHU On-Line – Ao analisar os projetos de eficiência energética em andamento no Brasil, como Belo Monte, o complexo do Rio Madeira etc., podemos dizer que o Brasil precisa mesmo de toda essa energia?
Débora Calheiros – Não sou exatamente do setor energético, trato da questão ambiental e acho que devemos, simplesmente, pensar se queremos ou não preservar o Pantanal. Se queremos produzir energia na região, que a energia seja gerada no Pantanal para suprir São Paulo, Rio Grande do Sul etc., temos que saber que teremos perdas, e uma delas é a conservação do Pantanal. A outra opção que temos, que até propomos na carta de recomendações, é que as barragens do Pantanal não sejam ligadas ao sistema interligado nacional. Uma vez que se precisa de energia em São Paulo, a hidrelétrica de Mato Grosso terá de fornecer energia para lá. O regime de águas e de fucionamento do reservatório não é regido pelo fluxo natural das águas, é regido pela demanda de energia. Se ele não tiver esse vínculo, de fornecer energia para fora do sistema, seria uma opção de ter um funcionamento mais ecológico. Se pode produzir energia, mas de uma forma natural.

Fora esta questão, ainda tem aquela da retenção de nutrientes, a barragem impede a migração dos peixes. O pulso de inundação para o ecossistema e a população da região pantaneira depende do fluxo das águas, tanto para os ribeirinhos e os pescadores, quanto para o turismo, que é baseado em pesca e pecuária. A pecuária tem atividades tradicionais e econômicas da região e dependem da forma ambiental do ecossistema. Então, se alterarem o pulso de inundação, alteram a vida, a economia e a questão social de toda a região pantaneira. Além disso, o Brasil é signatário das metas do milênio e, dentre essas existem as metas ecossistêmicas do milênio. As metas ecossistêmicas colocam claramente que não se pode pegar uma região, como uma bacia com ecossistema, e dela retirar todos os serviços ambientais possíveis. Se deve escolher alguns deles que serão usufruidos, como água de boa qualidade e pesca ou energia. Não dá para se tirar todos os serviços ambientais de uma região sem perdas. Ou optamos que a bacia do Alto Paraguai seja fornecedora de energia, ou optamos pela sua conservação e do Pantanal.

IHU On-Line – Numa entrevista anterior, a senhora revelou que um dos problemas que o Pantanal vem enfrentando é a introdução de espécies exóticas de animais. Como está essa situação hoje?

Débora Calheiros – Uma vez que a espécie exótica é introduzida em um sistema natural, é muito difícil que ela saia. Uma vez que ela se estabelece, ela se adapta ao ambiente.  No caso do Pantanal, há espécies de peixes da amazônia, o Tucunaré e o Tambaqui, e alguns moluscos que são originários da China, o Mexilhão Dourado e a Corbícula. Esse é um problema que não se pode resolver, temos que conviver com isso. Há sempre um momento de explosão da população, já que não há predador, vírus ou bactérias que causem mortandade. A tendência é o aumento vertiginoso da população. No caso da bacia do Paraná e Paraguai, onde o Mexilhão Dourado foi introduzido através da Argentina, houve um problema seríssimo nas hidrelétricas desse sistema. Itaipu, por exemplo, tem um problema sério, que provavelmente demanda milhares de reais para poder limpar esses moluscos.

Como eles crescem rápido e vertiginosamente, sem predadores, eles acabam bloqueando as grades de proteção das turbinas, e os canos começam a fechar e a bloquear a passagem de água. Este é um problema sério, econômico e social. Na questão do Pantanal, este mexilhão é um pouco menos problemático do que na região do Rio Paraná, pois existe um fenômemo natural chamado Dequada, que acontece no processo de decomposição durante a enxente. A água transborda do rio, vai para a planície e há uma decomposição muito grande de plantas submersas. Isso abaixa o oxigênio, aumento o CO2 na água, essas espécies exóticas acabam morrendo e há um controle maior da população.

No caso do Rio Paraná, esta população explodiu de forma absurda e acabou se tornando um problema. Uma vez que se introduzem espécies, que não pertencem a uma bacia, e elas se adaptam, é muito difícil se controlar. Isto causa um desequilíbrio ecológico absurdo, pois essas espécies competem com as nativas por espaço e alimento, os peixes da região não estão acostumados a comer esses moluscos, e, quando comem, destroem o trato digestivo. Apenas algumas espécies já estão adaptadas para comer alguns moluscos nativos, e já têm dentes e um sistema digestivo apropriados. No caso dos peixes amazônicos é a mesma coisa. Eles competem com as espécies nativas e acabam desequilibrando as relações da cadeia alimentar. Infelizmente só vamos perceber a junção de todos esses problemas e impactos a médio e longo prazo.

Fonte: Envolverde/IHU-OnLine

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Publicação divulga na COP-15 ações do governo contra o desmatamento

A política de controle e prevenção do desmatamento na Amazônia, empreendida pelo governo federal desde 2004, é tema principal de uma publicação que o Ministério do Meio Ambiente leva à COP-15, iniciada esta semana em Copenhague (Dinamarca).

Em 28 páginas, a publicação detalha os esforços bem-sucedidos empreendidos pelo governo brasileiro para enfrentar as causas do desmatamento na região, o que propiciou ao país alcançar a menor taxa de desmatamento anual da história no período de agosto de 2008 a julho de 2009, de 7 mil km2.

A publicação também destaca outras iniciativas, como o Plano Nacional de Mudança do Clima (PNMC), a meta voluntária de reduzir em 80% o desmamento do bioma Amazônia até 2020 e a implementação do Fundo Amazônia que, juntos, compõem a estratégia brasileira para mitigar as emissões de gases de efeito estufa oriundas da mudança do uso do solo.
 
ASCOM/MMA

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

COP-15 - Desmatamento pode causar menos dano ao clima

Por Servaas van den Bosch, da IPS

Windhoek, Namíbia, 09/12/2009 – Enquanto se intensifica o debate para se chegar a um acordo climático em Copenhague, um estudo holandês indica que os danos na atmosfera em razão do desmatamento e da degradação dos solos são muito menores do que se presumia. As partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a mudança climática, cuja 15ª conferência acontece na capital dinamarquesa, supunham que as emissões de dióxido de carbono como resultado do corte de árvores representavam cerca de 20% do total mundial. Mas, Guido van de Werf e seus colegas da Universidade Vrije calcularam que a porcentagem real gira em torno dos 12%.

Os resultados de recalcular esta fração usando os mesmos métodos, mas estimativas atualizadas, sugerem que em 2008 o aporte relativo de emissões de dióxido de carbono a partir do desmatamento e da degradação das florestas “foi substancialmente menor, de aproximadamente 12%”, afirmam os cientistas. “Assim, é provável que as economias máximas de carbono a partir das reduções no desmatamento sejam menores do que se esperava”, acrescentam. O corte de árvores e a transformação de florestas em terras de cultivo emitem gases-estufa, ao liberar o carbono armazenado. Depois da queima de combustíveis fósseis, é a maior fonte de emissões casadas pela ação do homem.

E também é a mais fácil de combater. “Mesmo com menos emissões, evitar o desmatamento é a maneira mais barata e rápida de concretizar enormes reduções”, disse Herbert Christ, da Associação Florestal da Bacia do Congo, que reúne 10 países. A Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD), mecanismo pelo qual serão destinados fundos a países em desenvolvimento em troca de proteção florestal, esteve na mesa de negociações por um tempo. Espera-se que seja formalizado em Copenhague. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), os países africanos abrigam 16% (635 milhões de hectares) de florestas do mundo.

Em Zâmbia, a degradação florestal é a maior fonte de emissões de dióxido de carbono, e o REDD promete dezenas de milhares de dólares anuais para a mitigação. Em sua forma mais reduzida, o REDD beneficiará principalmente a bacia do Congo, que é o maior sumidouro de carbono depois do Amazonas. Mas, cientistas e negociadores pressionam para que se concretize um acordo estendido, chamado REDD+, que idealmente inclua manejo de florestas, reflorestamento e captura de carbono em outras paisagens. Na África, 70% da população dependem da agricultura e 80% obtêm seu combustível de uso doméstico a partir de biomassa. Assim, o continente é um importante agente do desmatamento.

Mas, terão as últimas cifras um impacto negativo nas negociações do REDD os cientistas e as organizações da sociedade civil parecem esperançosos. “Inicialmente, isto pode fazer com que alguns percam o entusiasmo pelo REDD, mas em uma reflexão mais profunda 12% ainda é uma quantidade enorme para um setor”, disse o pesquisador Rodel Lasco, do Centro Mundial de Agrosilvicultura em Nairóbi. “Isto não enfraquece realmente nossa posição negociadora. Na verdade, indica a necessidade de um acordo REDD+, que é mais amplo”, acrescentou.

Segundo Doug Boucher, diretor da iniciativa de Florestas Tropicais e Mudança Climática na Union of Concerned Scientists, “ainda é uma grande quantidade, comparável às emissões totais da União Europeia, e superior à do transporte mundial”. Por esse motivo, é muito urgente concretizar o REDD+, ressaltou. “Não creio que a posição negociadora dos países florestais mude muito devido aos novos números”, prosseguiu.

O estudo da Universidade Vrije indica que as emissões derivadas das turbas, antes sem calcular, representam 3% das emissões mundiais, mais do que as geradas pelo tráfego aéreo internacional. Incluí-las em um acordo REDD+ pode fazer com que as economias totais voltem a 15%. “A desvantagem é que as turbas ocupam maiores espaços em países como Indonésia”, disse Godwin Kowero, diretor do Fórum Florestal Africano. Mas, o mais importante é que este tema destaca a necessidade de um acordo REDD+ inclusive e que se defina melhor a palavra “floresta”, já que atualmente se exclui a maior parte da cobertura vegetal africana por ser “floresta seca”, enfatizou.

Com o tempo, o debate deveria incluir cada vez mais todos os setores-chave baseados na terra. Não se trata apenas de reduzir as emissões, mas também de aumentar a capacidade de capturar carbono. “Para a África, isto significa envolver nossas florestas naturais, plantações, árvores em estabelecimentos rurais e árvores fora das florestas”, disse Kowero. As várias constelações regionais do Grupo Africano do Grupo dos 77 (integrado por 130 países em desenvolvimento) mais a China enfatizam reiteradamente a importância de um enfoque de agricultura, silvicultura e outros usos da terra (Afolu) em conexão com o REDD.

“Precisamos ter um acordo do tipo do Afolu que salvaguarde o REDD+ e agregue árvores mediante o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) do Protocolo de Kyoto. A África pode manejar e beneficiar-se das duas coisas”, disse Kowero, que acredita que em Copenhague se decidirá um mecanismo REDD+. Previsto no Protocolo de Kyoto, o MDL é um instrumento que permite aos países ricos extrapolar suas cotas de emissões de gás-estufa caso financiem projetos para reduzi-los nas nações em desenvolvimento.

Segundo Christ, “as necessidades dos países africanos têm de ser reconhecidas em Copenhague”. Na bacia do Congo, a proporção do desmatamento é baixa, comparada com a do Amazonas. Como se refletirão em um acordo estes históricos esforços de conservação? Mas, também preocupa que o relativo otimismo que cerca o REDD seja usado para dissimular um fracasso mais amplo da COP-15. “O fato de o REDD ser visto como uma questão ‘não controversa’ enquanto a maioria das negociações ficaram paralisadas em Bangcoc e Barcelona deveria nos alertar”, disse Simone Lovera, da Coalizão Mundial pelas Florestas.

“Estas últimas rodadas de negociações deixaram claro que o REDD é visto como uma maneira potencial de criar uma fachada verde para o fracasso de Copenhague, por parte de uma quantidade cada vez maior de países dispostos a aceitar qualquer tipo de acordo brando” na capital dinamarquesa, acrescentou Lovera. Esta especialista teme que seja o estado de ânimo dominante. “Não tornemos isso muito controverso. Façamos do modo simples. No final, todos queremos chegar a um acordo em Copenhague, não é mesmo?”, disse.

A maioria dos especialistas acredita que o REDD avançará na capital da Dinamarca, mas, também há preocupação a respeito. “Nos preocupa principalmente que o texto da negociação do REDD não inclua explicitamente linguagem que proteja as florestas naturais intactas apesar de se compreender amplamente que esta é uma aspiração do mecanismo”, disse Peg Putt, da Aliança para o Clima e os Ecossistemas, que reúne organizações florestais internacionais. “Este será um tema importante em Copenhague. O REDD substituirá a introdução do corte de florestas naturais intactas ou pagará para protegê-las?”, perguntou.

O estudo holandês parece dar crédito a esta linha de raciocínio. “Por exemplo, substituir as florestas de turba por plantações de palma pode não mudar a densidade da cobertura florestal, mas levar a um grande impulso das emissões de dióxido de carbono, devido às reduções tanto na biomassa de árvores como no carbono do solo”, segundo os cientistas da Universidade de Vrije. (IPS/Envolverde)

(Envolverde/IPS)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Serviço Florestal apresenta levantamento inédito sobre REDD no Brasil

Por Carine Corrêa, do MMA




O Serviço Florestal Brasileiro (SFB) apresentou nesta terça-feira (24/11) o primeiro levantamento das ações de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD) realizadas no Brasil. O objetivo é sistematizar informações de projetos que estão sendo implementados no País.

Dos 18 projetos apresentados, quinze estão na região amazônica e dois no Vale do Ribeira. O Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES com cooperação do SFB, também foi computado, pois já utiliza o conceito para apoiar projetos de combate ao desmatamento. As informações levantadas vão fortalecer as ações de REDD no país e o governo brasileiro pretende defender a ideia desse mecanismo de mitigação de gases de efeito estufa nas negociações da COP-15, em Copenhague.

De acordo com o levantamento, os projetos ainda são incipientes e estão distribuídos em propriedades públicas, privadas e terras indígenas. Apenas 12% deles estão implementados, sendo que 53% estão em fase de elaboração e os outros 35% ainda estão em processo de negociação de créditos e captação de recursos.

No documento foram incluídos ainda os conceitos de REDD Plus, que abrange o manejo florestal, e REDD Plus Plus, que implica no sequestro de carbono.

As fontes de financiamento são fundos públicos, mercado de crédito de carbono e de responsabilidade social corporativa (RSC). As instituições envolvidas na gestão dessas iniciativas são empresas, ONGs e os governos federal e estaduais. A maior parte dos projetos tem enfoque em redução de desmatamento evitado (61%), seguidos por conservação (29%) e degradação evitada (10%).

Segundo Osvaldo Stella, pesquisador do Instituto de Pesquisa da Amazônia (Ipam), o estado do Mato Grosso já foi considerado o maior responsável pelo desmatamento, e atualmente é o que mais investe na redução desta prática, graças a várias iniciativas de REDD implementadas na região.

Osvaldo explica que muitos produtores matogrossenses já estão se comprometendo com a conservação da vegetação nativa e do solo, e com a disposição adequada de resíduos, para que estes não se transformem em fonte de contaminação ambiental.

Dos projetos mapeados, seis estão no Mato Grosso, cinco no Pará, quatro no estado do Amazonas e dois no Paraná. O Fundo Amazônia tem abrangência nacional.

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, participou do lançamento do documento e pretende levá-lo ao presidente Lula para que seja apresentado na reunião com presidentes dos países da Amazônia, nesta quinta-feira (26/11), em Manaus.

Ele disse ainda que em Copenhague o Brasil vai apoiar integralmente os mecanismos de REDD, que incluem não só a redução do desmatamento, mas também ações de conservação e reflorestamento de áreas degradadas.

Minc explicou que estes projetos abrangem cerca de 46 milhões de hectares. Como a referência de cálculo é a tonelada de carbono por hectare, se nas negociações de Copenhague for estabelecido um preço médio de U$ 5 dólares por hectare, o País pode gerar, apenas com estas primeiras iniciativas, uma captação de U$ 230 milhões. "Esse é só o início dos REDDs no Brasil, e já estamos defendendo nossas florestas com recursos próprios. Depois de Copenhague podemos ter um aumento expressivo de recursos investidos, porque o potencial do País é muito grande", exemplifica.

Mas o ministro adverte: a proposta brasileira vai defender que apenas 10% das metas estipuladas por outros países possam ser utilizadas em REDD compensatório. Por exemplo, quem assumir uma meta de 20% de redução de emissões pode aplicar até 2% em investimentos neste tipo de mecanismo de mitigação no Brasil, ou em outros países florestais. Se o país quiser investir recursos extras em REDD, a ação será considerada voluntária, e não deve ser computada nas metas assumidas.

Iniciativas

As ações foram promovidas por governos estaduais, empresas e organizações da sociedade civil. Segundo Thaís Juvenal, diretora do Serviço Florestal Brasileiro, o mapeamento vai ajudar a conhecer as características dos projetos brasileiros em suas diferentes formas e metodologias. "À medida que o REDD seja reconhecido como um mecanismo eficiente de mitigação, poderemos conseguir recursos maiores para as florestas brasileiras e mundiais", explica.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) estima que 17% das emissões de gás carbônico são causadas pelo desmatamento e degradação. Além de evitar o aumento das emissões, os mecanismos de REDD estimulam o manejo florestal sustentável, controle da erosão, qualidade da água e conservação da biodiversidade.

O presidente do ICMBio, Rômulo Mello, disse que o instituto pretende captar recursos para instaurar o mecanismo também em unidades de conservação. A estimativa é de que seja necessário um volume de cerca de R$10 bilhões de dólares para estas ações em todo o território nacional.

(Envolverde/MMA)

“Copenhague é aqui”

Por Redação do Greenpeace







São Paulo — Greenpeace participa de evento paralelo, realizado pela Matilha Cultural, em São Paulo, com exposição fotográfica sobre desmatamento e mudanças climáticas

Vivemos em uma era onde todas as escolhas parecem possíveis. E como se tivéssemos todo o tempo do mundo. Mas, o desafio que as mudanças climáticas colocam na nossa frente é justamente o contrário: temos cada vez menos escolhas e menos tempo para agir. Esta é a idéia central da mostra fotográfica do Greenpeace, que abre nesta segunda-feira (24/11) em São Paulo. A exposição faz parte do projeto “Copenhague é aqui” realizado pela Matilha Cultural, centro cultural independente localizado no centro da cidade.

O evento paralelo, com duração de quase um mês, pega carona na Convenção do Clima, marcada para o início de dezembro, em Copenhagen, na Dinamarca, para trazer para perto do público a discussão sobre as mudanças climáticas, através de filmes, exposições de fotos, instalações de arte e debates sobre aquecimento global, desmatamento, reciclagem, reuso e lixo eletrônico. A programação, gratuita, vai até 20 de dezembro.

“O público terá a oportunidade de se informar e conhecer quais são os instrumentos imediatos, coletivos ou não, para tornar o cidadão comum um agente transformador da sociedade”, disse Rebeca Lerer, diretora da Matilha. A iniciativa do novo centro cultural está alinhada com a campanha “TictacTictac – Hora de agir pelo clima”, coalizão global de ONGs voltada para a Convenção do Clima.

A exposição fotográfica do Greenpeace traz uma seleção de 20 imagens alarmantes sobre desmatamento, aquecimento global e ativismo feito pelo Greenpeace em dez anos de presença na Amazônia. A mostra tem como principal fotógrafo o espanhol Daniel Beltra, que recebeu importantes prêmios de fotografia pelo seu trabalho na Amazônia, como o Prince’s Rainforests Project (2009) e o World Press Photo (2006/2007).

A crise financeira global nos mostrou que os governos sabem agir firme e rapidamente para salvar a economia. Através da exposição fotográfica, o Greenpeace desafia nossos governos a agir da mesma forma para salvar nosso futuro.

O Brasil tem papel importante nas mudanças climáticas, já que figura entre as 10 maiores economias do mundo e é o quarto maior emissor de gases de efeito estufa.

Ao contrário da maioria dos países, 75% das emissões brasileiras são provenientes do desmatamento e das mudanças no uso do solo. O Brasil abriga a maior parte da Amazônia, maior floresta tropical do planeta, berço de diversidade biológica e cultural, além de importante regulador climático. Até hoje, 700 mil quilômetros quadrados de floresta amazônica já foram completamente destruídos. Para fazer sua parte no combate às mudanças climáticas, o Brasil deve zerar o desmatamento da Amazônia e reverter a tendência de entrada de combustíveis fósseis na matriz elétrica, além de investir em fontes limpas de geração de energia.

“Os dados científicos são claros: em 2015, precisaremos ter estabilizado as emissões globais de CO2. Até 2050, devemos ter construído uma economia de carbono zero. Temos escolha? Ou tempo?”, questiona Márcio Astrini, da campanha Amazônia do Greenpeace.

(Envolverde/Greenpeace)

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Desmatamento na Amazônia e Redução das Emissões de Carbono - Verdades e Mentiras

Por Luiz Prado - Atualidades - www.luizprado.com.br

Enquanto o governo brasileiro – leia-se, Lula e Dilma – patina na tomada de decisões sobre metas de redução de emissões de gases causadores de mudanças climáticas, a China se posiciona oficialmente pela manutenção dos princípios do Protocolo de Kyoto, de acordo com o qual os países desenvolvidos devem assumir as responsabilidades, enquanto os demais – incluindo a própria China e a Índia, que parecem estar de acordo sobre esse ponto – ficam isentos de ter metas obrigatórias até 2020, pelo menos.

Metas obrigatórias no Brasil dependeriam de estudos sobre a viabilidade da redução das emissões por setores de atividades econômicas, e esses estudos simplesmente não existem.  Assim, apenas como exemplo, na área de transportes urbanos, a decisão de impor pelo menos um aumento progressivo e definido de ônibus híbridos – já fabricados no Brasil e exportados -, seria fácil avaliar a redução nas emissões nessa área.  E assim, em muitas outras.  Mas não, o samba de uma nota só reduz-se a compensar emissões com o plantio de florestas.

Enquanto isso, a China investe massivamente em tecnologias de energias renováveis e em eficiência energética.  Os compressores eletrônicos de alta eficiência utilizados nos aparelhos de ar condicionado brasileiros, por exemplo, são todos fabricados na China.

É literalmente impossível falar em desmatamento zero na Amazônia quando até o final de 2010 deverão ser regularizadas 500.000 posses!  Mas, que importa?  Esse é assunto para as próximas administrações.  O que pesa agora é o lero-lero político.

Além disso, vale lembrar que (a) apenas 60% das florestas amazônicas estão em território brasileiro (os 40% restantes estão no Perú, Colômbia, Venezuela, Ecuador, Bolívia, Suriname Guiana e Guiana Francesa), (b) as florestas amazônicas representam apenas 50% das florestas tropicais úmidas remanescentes no mundo (as demais, na Ásia por exemplo, estão sendo rapidamente substituidas por plantações de dendê para a produção de biocombustíveis) e, (c) o que tem sido guardado em segredo, as florestas boreais estocam quase o dobro do carbono contido nas florestas tropicais úmidas!

Aos costumes!

No Canadá, apenas 8% dessas florestas são protegidos, enquanto 50% foram concedidos a empresas florestais para corte raso.   Simples assim!  Cerca de 80% das árvores de florestas boreais nativas cortadas no Canadá são exportados para consumo e processamento nos EUA para fazer desde produtos madeireiros até papel higiênico.  E a maioria dessas empresas concessionárias desse corte raso nas florestas boreais do Canadá exporta madeira “certificada” por organizações impostoras como o Forest Stewardship Council (FSC).

O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC recomendou, em 2007, que as florestas boreais fossem totalmente protegidas e o Canadá nem piscou.  Nele encontram-se a maior extensão de florestas nativas do mundo.  As florestas boreais cobrem 15% da superfície terrestre do planeta e estocam 30% do carbono de todos os biomas.

Uma boa parte dessas florestas está no Alasca – em território dos EUA -, mas os cientistas dos países altamente industrializados e as suas ONGs que tudo sabem e tanto falam sobre as emissões das florestas amazônicas ainda estão “pesquisando” as emissões decorrentes do corte raso das florestas boreais.  Sobre as emissões decorrentes do desmatamento na Amazônia as ONGs tipo WWF enchem o peito para fazer afirmações certeiras, em casas decimais.

Esses “segredinhos” talvez valham como subsídios para as decisões do presidente Lula.  Mas valem, sobretudo, para abrir os olhos dos brasileiros que vivem nas cidades e se alarmam com as manipulações de informações dos Greenpeaces da vida.


Essas informações podem ser encontradas em
http://news.mongabay.com/2009/1112-hance_boreal.html
e em http://www.whrc.org/borealNAmerica/index.htm, em inglês.


Não se defende, aqui, que as florestas amazônicas brasileiras sejam deixadas ao léu.  Apenas, tenta-se esclarecer como atuam os grupos de interesse e com que tipo de responsabilidade moral para com a humanidade outros países se comprometem.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

DESMATAMENTO: Governo comemora menor taxa, desde 1988

Por Luana Lourenço e Carolina Pimentel 


O Inpe divulgou nesta quinta-feira (12/11) que o desmatamento da Amazônia entre agosto de 2008 e julho de 2009 foi de 7 mil km² de floresta. É a menor taxa anual de desmate já registrada pelo Instituto, desde o início do levantamento em 1988.

O número, que superou as expectativas do governo – que previa 9 mil km² –  foi divulgado pelo diretor do Inpe, Gilberto Câmara. “É uma queda substancial. De longe a menor desde que o Inpe começou a observação”, afirmou durante apresentação dos dados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros e governadores de estados da Amazônia.

A taxa é calculada pelo Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal (Prodes), que utiliza satélites para observação das áreas que sofreram desmatamento total, o chamando corte raso. O menor índice registrado até agora era o de 1991, quando os satélites identificaram 11,03 km².

Em relação ao período anterior (agosto de 2007 a julho de 2008), quando o desmatamento atingiu 12,9 km², a queda foi de 45%.

“É um momento de muita alegria constatar que o esforço da sociedade brasileira de conter o desmatamento da Amazônia chegou a um nível muito satisfatório”, afirmou Câmara.

O Inpe registrou queda em quase todos os estados da Amazônia. Em Mato Grosso e no Pará, tradicionalmente líderes dos rankings de desmatamento mensais, a queda foi de 65% e 35%, respectivamente. Em Rondônia, a queda foi de 55%.

Apesar da redução, o Pará foi o estado que mais desmatou no período, com 3.680 km², seguido por Mato Grosso, com 1.047 km² , e Maranhão, com 980 km² a menos de florestas.

De acordo com o Inpe, a margem de erro da estimativa anual de desmatamento é de 10%, ou seja, pode resultar em uma variação de 700 km² para ou mais ou para menos quando os dados forem consolidados.

Para Minc, governo vestiu a camisa

A divulgação da taxa anual de desmatamento da Amazônia, serviu de palco para o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, tentar selar uma reconciliação entre os desenvolvimentistas e os defensores da preservação do meio ambiente. Segundo ele, essa divisão não existe mais entre os ministérios.

“Não tem o lado desenvolvimentista e o lado ecologista do governo, todo o governo vestiu a camisa do desenvolvimento sustentável”, disse.

Minc defendeu a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, como chefe da delegação brasileira na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em Copenhague, em dezembro. Dilma tem participado cada vez mais de eventos sobre meio ambiente e assumido a coordenação de projetos que eram tradicionalmente da área ambiental do governo.

“Algumas pessoas falaram que a ministra Dilma estava querendo se vestir de verde agora que vai chefiar a delegação em Copenhague. Eu quero dizer que muita gente não sabe é que quando a gente chegou no governo estávamos com dificuldade com o plano de mudança do clima e com o Fundo Amazônia e a ministra Dilma se empenhou e bancou para que saíssem”, afirmou.

A inclusão de placas solares nos projetos de habitação popular no programa Minha Casa, Minha Vida também teve influência decisiva da ministra, segundo Minc.

Dilma, que foi a primeira ministra a discursar na cerimônia, defendeu a geração de alternativas econômicas ao desmatamento na Amazônia e disse que vai apresentar em Copenhague os números que indicam queda do desmate e os resultados de ações de regularização fundiária da Amazônia.

Carlos Minc também contemporizou divergências que teve com o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, e com o ministros da Agricultura, Reinhold Stephanes, e do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel.

“O Reinhold, quem diria, pediu para que eu desse hoje aqui o recado de que a agricultura está do lado do desenvolvimento sustentável.”

Em relação a Maggi e a outros governadores da Amazônia, Minc disse que o governo federal está fazendo uma “parceria bonita” para conter o desmatamento na região.

O ministro adiantou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode definir nesta sexta-feira (13/11) os números da proposta de redução de emissões de gases de efeito estufa que o Brasil levará para a reunião em Copenhague.

Fonte: Envolverde/Agência Brasil

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Desmatamento não melhora índices sociais


Ao se fazer a comparação dos municípios que mais desmataram com a sua superfície, a disparidade é ainda maior.  Por exemplo, São Félix do Xingu (PA), cidade líder em desmatamento, viu seu índice de emprego e renda crescer 9% acima da média da região, mas o de saúde ficou 17% abaixo.  O segundo município que mais desmata, Paragominas (PA), tem perfil semelhante: índice de emprego e renda 14% acima da média, e o de saúde 83% abaixo.

Para especialistas procurados pelo jornal Folha de S. Paulo, o desmatamento concentra renda e gera empregos de forma passageira.  "É uma espécie de febre.  No período do desmatamento tem a venda da madeira, tem emprego para formar pasto.  Mas, depois que colocou os bois, ninguém ganha mais nada", afirma José Eli da Veiga, da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo (USP).


Fonte: Amazonia.org.br

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Exploração ilegal de carvão contribui para desmatamento do Cerrado


Exploração ilegal de carvão vegetal e lenha, insuficiência de políticas públicas para promoção de atividades produtivas sustentáveis e baixa valorização da biodiversidade e dos recursos hídricos estão entre as causas críticas para o desmatamento no Cerrado. Os pontos foram identificados pelos participantes da oficina técnica sobre o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas no Cerrado (PPCerrado), promovida pelo Departamento de Prevenção e Controle do Desmatamento do MMA, nos dias 4 e 5 de novembro.

O encontro teve por objetivo identificar os problemas e as causas críticas do desmatamento no Cerrado, bem como analisar os fatores de contexto e a pertinência das ações previstas no Plano Operativo para o bioma.

Os resultados da oficina vão subsidiar a construção da versão final do PPCerrado, que passou por consulta pública, entre os dias 10 de setembro e 12 de outubro. O documento tem lançamento previsto para o início de dezembro.

Como resultado da oficina realizada no dia 6 de novembro com os representantes dos órgãos de meio ambiente dos estados do Cerrado (MA, TO, SP, MG, GO, PI, BA, MS e MT e do DF), será realizada oficina específica com os estados de Minas Gerais, Tocantins e Bahia, coordenada pelo MMA, para discutir uma ação conjunta de combate à exploração ilegal de carvão vegetal, expressiva nesses três estados.

Até o dia 16 de novembro, os representantes deverão enviar as ações de responsabilidade dos estados focadas na mitigação e/ou resolução das causas críticas apontadas para compor a parte das ações estaduais do Plano Operativo.

A oficina contou com apoio da Secretaria de Planejamento e Investimentos Estratégicos (SPI) do Ministério do Planejamento.


Fonte: ASCOM/MMA

MMA apoiará município matogrossense exemplo no combate ao desmatamento

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, recebeu, na tarde desta terça-feira (10/11), requerimento de priorização do município matogrossense de Marcelândia nas políticas e programas do MMA. A proposta foi entregue por uma comitiva de parlamentares do Mato Grosso, acompanhada pelo prefeito do município, Adalberto Diamante, e pelo juiz diretor do Foro de Marcelândia, Anderson Candiotto.

O objetivo é que as iniciativas de educação ambiental e mobilização popular do município se tornem referência de sustentabilidade, de desenvolvimento econômico e de serviços públicos de qualidade para a população Amazônica. Até pouco tempo, Marcelândia liderava a lista dos maiores desmatadores do País e hoje é considerada modelo no combate ao desmatamento.

Com um programa de combate a queimadas que reduziu em 94% os focos de calor em 2008 e de quase 50% em 2009, graças ao envolvimento e organização da sociedade, Marcelândia está prestes a sair da lista dos 43 municípios que mais desmatam a Amazônia. Dessa forma, os representantes do município vieram ao Ministério do Meio Ambiente pleitear que sejam os primeiros a colocar em prática ações como o manejo florestal comunitário, acesso ao crédito fundiário e renovação da matriz produtiva por alternativa sustentável, entre outras diretrizes do Mutirão Arco Verde/Terra Legal, do Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia (PPCDAm) e do Programa Agenda 21.

"Um bom exemplo vale mais que dez ações de repressão. O ideal seria que todos os municípios estivessem na mesma linha", elogiou Minc ao receber o documento. Durante o encontro, o ministro garantiu o apoio do Serviço Florestal para o desenvolvimento do manejo comunitário em Marcelândia e pediu aceleração do processo de cadastramento ambiental rural para retirar o município de uma vez por todas da lista dos desmatadores, mas ressaltou: "a mobilização popular deve continuar e ser ainda mais forte, pois o cadastramento é voluntário".

O juiz de Marcelândia lembrou que, com essa legalização ambiental, "os agricultores esperam poder certificar os produtos e agregar valor às mercadorias, ganhando, assim, preferência de mercado". De acordo com Candiotto, Marcelândia tem 75% da área de floresta em pé e, caso consiga ser pioneira nos programas do MMA, se compromete em proibir corte raso nos 25% de área que já está desmatada.

"Queremos mostrar na prática aos demais municípios que é possível mudar a cultura e explorar os recursos naturais de forma sustentável, gerando renda e preservando o patrimônio público ambiental", garantiu.

Satisfeito com a boa prática dos oficiais de justiça de Marcelândia como aliados na fiscalização ambiental, o ministro Minc pediu uma recomendação ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, para que a iniciativa tenha alcance nacional. "Experiências assim soam como música aos meus ouvidos", comemorou Minc.

O ministro aproveitou para anunciar que, até o final deste ano, o MMA deve lançar, em parceria com os ministérios da Integração Nacional, Agricultura e Transporte, o primeiro Plano Nacional de Combate a Queimadas e Incêndios.

Fonte: ASCOM/MMA

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Brasil precisa decidir se apoia ou não o REDD

Por Dal Marcondes, da Envolverde 


A sigla significa "Redução de Emissões por Desmatamento e Degração Evitados" e deverá ser um dos principais focos da discussão sobre mudanças climáticas, em dezembro próximo, em Copenhague.

O desmatamento representa 20% das emissões globais de gases de efeito estufa, e trabalhar para eliminar este fonte de CO² é a forma mais rápida e barata que o mundo tem para começar a reduzir de maneira efetiva os riscos que as mudanças climáticas impõem a todos os ecossistemas do planeta. Há, ainda, muitas dúvidas sobre as metodologias e os benefícios dos projetos de REDD, mas é consenso entre especialistas reunidos no 1° Simpósio Latino-Americano de REDD, em Manaus, que a regulamentação deste mecanismo é muito importante para o Brasil e para a construção de políticas públicas de preservação das florestas.

Outro consenso explicitado no evento é o senso de urgência em relação à necessidade de redução das emissões globais de carbono. Este simpósio, organizado pela Fundação Amazonas Sustentável, trouxe para o debate especialistas que atuam em governos, no Brasil e em outros países da região, acadêmicos e lideranças da sociedade civil, que durante três dias estão buscando traduzir em palavras que sejam compreensíveis para a sociedade conceitos que ainda causam desconforto até entre os iniciados. Para Paulo Adário, diretor do Greenpeace, pouca gente fora deste círculo sabe o que é REDD ou tem consciência dos impactos das mudanças climáticas na vida cotidiana. “Temos pouco tempo para construir um grande acordo internacional que consiga evitar tragédias”, diz. Ele afirma que com apenas dois graus de elevação na temperatura média da Terra haverá 360 milhões de mortes nos países mais pobres.

Este sentido de urgência ganha ainda mais força quando se sabe que o governo brasileiro ainda não assumiu uma posição clara em relação às políticas de preservação florestal que podem ser construídas a partir de um ordenamento jurídico internacional que torne o REDD uma alternativa viável para governos e projetos que envolvam empresas e organizações da sociedade civil. O que existe atualmente são projetos paralelos, que ainda carecem de uma regulamentação que se traduza em um link com as políticas das Nações Unidas que irão suceder os acordos de MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo) que foram estabelecido pelo Protocolo de Quioto e regularam o mercado global de créditos de carbono.

Virgílio Viana, diretor geral da Fundação Amazonas Sustentável (foto), acredita o o Brasil ainda não se definiu por uma política de REED por conta de uma visão equivocada de alguns setores que ainda acreditam que desmatamento gera desenvolvimento. Ele explica que é preciso mostrar a setores estratégicos para o Brasil, como o agronegócio, que desmatar a Amazônia pode significar mudanças  nos regimes de chuva das mais importantes regiões produtoras do Sul e Sudeste, com impactos desastrosos para a economia. “Hoje 75% das emissões brasileiras vem do desmatamento, conservar florestas é do interesse nacional”. E alerta: “temos de passar por uma metamorfose, caminhar com urgência em direção a uma economia de baixo carbono”.

Existem algumas questões básicas que estão colocadas em relação aos mecanismos de financiamento que podem ser configurados como REDD. A principal delas, e que tomou um bom espaço nos debates em Manaus, é se este financiamento deve ser público ou privado, ou mesmo, um modelo misto. O Brasil tem dois projetos que mostram a viabilidade dos dois formatos, sem que sejam excludentes. O Fundo Amazônia, que é gerido pelo BNDES, e que funciona com doações (até o momento recebeu um aporte do governo da Noruega de R$ 215 milhões), e o projeto da Fundação Amazonas Sustentável, que faz a gestão de recursos públicos e privados em um projeto que trabalha com populações tradicionais em unidades de conservação do estado do Amazonas.

Outra questão estrutural é se as escalas de creditação do REDD serão nacionais ou subnacionais, ou ainda um sistema misto que permita a convivência dos dois modelos. Isto significa principalmente se poderá haver a creditação de projetos como o da Fundação Amazonas Sustentável, ou se apenas mecanismos de com medição nacional, como o Fundo Amazônia, poderão participar. Esta questão também mobilizou uma força tarefa de governadores de nove estados da Amazônia, secretariados por Virgílio Viana, para tentar influir na posição que o Itamaraty vai levar à Dinamarca.

A questão relativa ao âmbito dos projetos, nacionais ou subnacionais, tem uma relação direta com o interesse de empresas em contribuir com recursos para os programas. Para Mariano Cenano, do Idesam (Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia), o desmatamento tem uma tendência histórica e crescente. Conter este processo custa cerca de US$ 15 bilhões por ano. “A lógica do desmatamento é que existe mercado para seus produtos, é preciso viabilizar e fortalecer a dinâmica de uma economia baseada em produtos florestais a partir da preservação dos biomas”, diz. Dentro desta lógica, as empresas tem interesse em participar quando identificam claramente uma cadeia de valor que inclua benefícios ambientais, sociais e econômicos.

Além das questões meramente regulatórias, os mecanismos de REDD precisam estar alicerçados em fatores de legitimidade e credibilidade, como consistência técnica, independência, transparência, participação social e acesso a informações. “Não se pode fazer REDD em segredo”, diz Maurício Voivodic, do Imaflora, uma organização que atua com certificação. Ele alerta que os programas de REDD devem ter cuidados especiais em relação a vazamentos (quando o projeto funciona em uma determinada área, mas empurra os processos de degradação para outros territórios) ou dupla contagem dos resultados. “Quando conseguimos o sucesso em conter o desmatamento, é preciso saber quais são os programas e projetos que realmente estão contribuindo para este resultado”, diz Voivodic. Aliado a estas preocupações estão questões relativas a como realizar a partição dos benefícios com as comunidades tradicionais, povos da floresta e comunidades indígenas.

Durante o seminário, do qual participam quase 30 palestrantes, existe a certeza de que REDD é uma janela de oportunidades não apenas para o Brasil, mas para diversos países da região. Mas, também, é consenso de que é uma janela de riscos. Segundo Carlos Young, economista da UFRJ, a maior parte dos problemas que existem não são exclusivos do REDD, também acontecem nas áreas de energia e resíduos, e isto não inviabiliza projetos de crédito de carbono nesta áreas. (Envolverde)

(Agência Envolverde)

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Globo usa internautas no Orkut para monitorar queimadas ilegais na Amazônica

Os veículos de comunicação tradicionais estão finalmente entendendo o potencial de usar a Rede para engajar suas audiências a partir de temas de interesse comum. A Abril está demonstrando ter chegado a essa maturidade pelo lançamento da Abril Digital. E agora a Rede Globo apresenta um grande produto 100% colaborativo.
O projeto chama Globo Amazônia e é uma ação que permite ao usuário de internet ajudar a monitorar as queimadas na Amazônia.
É uma ação idealizada no início de 2007 por um velho amigo, o jornalista Eduardo Acquarone, começou a ser produzida em 2008 e foi lançada em setembro do ano passado.

Ir onde o internauta está

Me surpreendeu a decisão lúcida dos responsáveis pela Web na emissora de não ter medo de compartilhar tráfego. Existe um site de notícias do projeto - www.globoamazonia.com. Mas todos os protestos são feitos por um aplicativo externo. Eles aproveitaram a força do Orkut.
Até dezembro, quando escrevi este post, mais de 463 mil pessoas tinham instalado o aplicativo de monitoramento em seus perfis no Orkut e mais de 42 milhões de protestos foram registrados. Além do monitoramento com imagens de satélite, o internauta também pode enviar denúncias, o que até o momento gerou sete reportagens sobre desmatamento que foram ao ar nos últimos 3 meses.
Nem a emissora tinha idéia da repercussão que o projeto traria. No dia seguinte ao lançamento, feito pelo Fantástico, mais de 2 milhões de protestos haviam sido feitos.
Talvez você esteja dizendo: - com uma promoção dessas, qualquer um. Tanto não é verdade que o tráfego do Globo Amazônia, em outubro, foi o terceiro maior da Globo em outubro, perdendo só para o G1 e para o Globo Esporte, mas ficando à frente do próprio Fantástico, na quarta posição, que se auto-promove muito mais do que promove outros projetos.

Repercussões chegaram ao Congresso Nacional

O sucesso do Globo Amazônia é consequência ainda da disposição da emissora de enfrentar interesses comerciais e de aceitar que este tipo de mobilização está fora de controle.
Em quatro meses, por exemplo, o projeto foi citado no Congresso pela ex-Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Leia aqui

Construir não é problema

E considere que se trata de um projeto relativamente barato. Toda a parte técnica foi desenvolvida pela globo.com. Uma equipe de 11 pessoas, chefiada por Diego Cox, trabalhou no projeto.
Aqui em São Paulo dois jornalistas - Dennis Darbosa e Iberê Thenório - editam o site, e eles ainda contam com a colaboração e estrutura do Fantástico, Globo Rural e demais veículos da Globo para cobrir a Amazônia.
É um exemplo de projeto de mídia cruzada, a plataforma online abrindo oportunidade de reportagens que, por sua vez, retroalimentam o site com novas denúncias e participação.

Mash-up com dados públicos

Tecnicamente, ele funciona da seguinte maneira: os dados de queimadas e desmatamento são fornecidos pelo INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Esses dados são públicos. Eles apenas conseguiram uma forma muito dinâmica de apresentá-los ao público.
Os dados de queimadas são em tempo real, atualizados até seis vezes por dia. Ou seja, o que se vê no mapa são os pontos que estão queimando neste momento na Amazônia.
Os dados de desmatamento são sempre os dados mais recentes divulgados pelo INPE. Normalmente esses dados são divulgados todos os meses, exceto agora, no período em que a Amazônia fica quase toda coberta por nuvens e os satélites não conseguem "enxergar" direito o que acontece lá.

Diferença entre protestos e denúncias

Os protestos são ações virtuais, mini-abaixo assinados contra uma situação institucionalizada na Amazônia: o desmatamento ilegal.
Quando o site registra 42 milhões de protestos em 3 meses, é um indício de que a sociedade está dizendo em alto e bom som que o desmatamento da Amazônia incomoda.
Mas os protestos não são denúncias. Até para termos um peso jornalístico correto no projeto, todos os pontos onde é possível protestar são os pontos identificados pelo Inpe, ou seja, chancelados por especialistas em monitoramento por satélite.
Além disso as pessoas são estimuladas a fazer relatos e denúncias do que acontece na região, e essa é a base das matérias feitas pelo site e pelo Fantástico.

Superando a burocracia

Outra vitória da equipe foi conseguir demonstrar internamente que não havia problema em mencionar nas reportagens o site de relacionamentos Orkut, o que, de praxe, se evita, para não fazer promoção gratuita.
E vamos torcendo para que a iniciativa continue dando os passos certos. Um deles, por exemplo, seria abrir o conteúdo para o resto do mundo, oferecendo um espelho do site em inglês.
Para quem quiser saber um pouco mais, aqui está a entrevista dos criadores do projeto para o Jô Soares.


segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Agricultura gera 30% de emissões de CO2, diz FAO

Por Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, informou que os setores de agricultura e florestas podem desempenhar um papel maior no combate ao aquecimento global.

Segundo um estudo da FAO, 30% das emissões que causam o efeito estufa são produzidos por florestas e atividades agrícolas como o uso de fertilizantes e a liberação de gás metano.

Desmatamento

O diretor-geral assistente da FAO, Alexander Mueller, disse que o desmatamento e o setor agrícola são um dos maiores responsáveis pela mudança climática.

Mas segundo ele, com a ajuda de agricultores e de trabalhadores que se utilizam da floresta, a tendência pode ser revertida.

No estudo, a FAO pede mais investimentos nos países em desenvolvimento para treinamento de pescadores, pequenos produtores e agricultores.

Biomassa

A agência da ONU afirma que 42% da biomassa terrestre são gerenciados por agricultores e pastores de rebanhos.

Mueller afirmou que o aquecimento global já está afetando a vida de comunidades rurais em várias partes do mundo com redução de rebanhos, perda de plantações e escassez de recursos marinhos

Fonte: Envolverde/Rádio ONU

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Brasil propõe Fundo Amazônia como modelo para REDD

Por Paula Scheidt, do CarbonoBrasil

Entre os pontos cruciais do novo acordo climático que será discutido na Conferência do Clima a partir de hoje está a proposta de pagamento pelo desmatamento evitado (REDD) e, segundo Minc, isto é justamente o que sugere o Fundo Amazônia.

Delegações de 192 países chegaram ontem (01/12) em Pozdan, na Polônia, para a Conferência do Clima (COP 14), e na bagagem devem ter idéias para o novo acordo climático que irá substituir o Protocolo de Quioto, depois de 2012. O Brasil pretende apresentar uma solução para colocar em prática a proposta de Emissões Reduzidas do Desmatamento e Degradação, conhecido como REDD.

Segundo o ministro do meio ambiente, Carlos Minc, o Fundo Amazônia é justamente um exemplo do funcionamento do REDD, que deve ser um ponto-chave no acordo pós-Quioto, tema central da reunião climática das Nações Unidas.

“A gente pretende levar não só para Pozdam como para Copenhague no ano que vem e dizer: meus amigos, quem tem dúvidas se isso funciona, veja aqui. Isso é o pagamento pela emissão evitada, pelo desmatamento evitado, ou seja, é isso na prática”, disse Minc em entrevista para a CarbonoBrasil.

A proposta REDD, que vem sendo discutida desde 2005, consiste no repasse de uma compensação financeira para países que conseguirem reduzir as taxas de desmatamento com base em um determinado período.

O Fundo Amazônia, lançado em agosto, receberá recursos internacionais que poderão ser sacados pelo governo de acordo com o total de desmatamento evitado a cada ano, tendo com base a média anual do desmatamento de 1996 a 2005, que foi de 19.500 quilômetros quadrados.

Para cada tonelada de dióxido de carbono deixado de ser emitido pelo desmatamento, o Brasil receberá US$ 5. Baseado neste cálculo, o país poderá sacar até US$ 1 bilhão em 2009, que poderá ser aplicado em medidas de recuperação de áreas degradadas, extrativismo, manejo florestal, etc. A Noruega foi o primeiro país doador, oferecendo US$ 1 bilhão.

“Digamos que aconteça um milagre. A gente vai para a Polônia agora e todo mundo resolve dar dinheiro para o Fundo Amazônia e captamos US$ 2 bilhões. Não podemos usar no ano que vem. Só podemos usar US$ 1 bilhão, pois isto é uma conta matemática. É o quanto você diminuiu em 2006/2007, comparado à média desta década, vezes o equivalente disso em tonelada de carbono, multiplicado por US$ 5 por tonelada de carbono. Isso que dá um bilhão”, explicou Minc.

Assim, se no ano seguinte o país desmatar menos, poderá sacar mais. Mas se, por outro lado, for desmatado mais do que o total do período base, o valor que poderá ser usado do fundo será menor. A cada cinco anos, a média do período-base é refeita. “Senão fica mole, sempre se comparando a um balúrdio de desmatamento”, ressaltou o ministro.

Plano e metas

Depois de duras críticas quanto à falta de metas de redução de emissões de gases do efeito estufa, o governo finalmente deve assumi-las. Quais serão e como serão executadas são detalhes que serão conhecidos hoje, quando o presidente Luis Inácio Lula da Silva assina o Plano Nacional sobre Mudança do Clima, em Brasília.

Em entrevista para o jornal Valor Econômico no início de novembro, Minc disse que seria “perfeitamente factível” assumir um compromisso de diminuir de 10% a 20% as emissões entre 2012 a 2020, com base nas emissões de 2004.

Segundo o Blog do Josias, a proposta enviada a Casa Civil continha metas quadrienais. Para o período de 2006 a 2010, o governo propunha uma redução desmatamento em 40%, tendo como base de comparação o mesmo período usado no Fundo Amazônia (1995-2005). A partir de 2010, a redução esperada seria de 30% por quadriênio, na comparação com os quatro anos anteriores.

Outras metas citadas por Minc durante uma mesa-redonda em Florianópolis, no dia 21 de novembro, seriam o aumento da cogeração energética de 0,5% para 20%, a queda de 15% no desperdício de energia e o aumento de 11% ao ano da participação do etanol e do biocombustivel na matriz do setor de transportes.

“Acho que os países em desenvolvimento têm que cobrar dos desenvolvidos a sua própria parte, mas também devem entrar com linhas mais limpas de produção e consumo”, comentou Minc.


Fonte: Envolverde/CarbonoBrasil

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

WWF-Brasil pede ao governo brasileiro que se empenhe nas negociações de clima

Por Redação do WWF-Brasil

O WWF-Brasil enviou hoje uma carta ao governo brasileiro com seus posicionamentos e perspectivas sobre as negociações de clima da 14ª COP (Conferência das Partes) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que será realizada em Poznan, na Polônia, e começa na hoje (1/12).

A carta, assinada pela secretária-geral do WWF-Brasil, Denise Hamú, e pelo líder da Iniciativa Global de Clima da Rede WWF, Kim Carstensen, foi endereçada ao ministro Luiz Alberto Figueiredo Machado, diretor-geral do Departamento de Meio Ambiente e Assuntos Especiais do ministério de Relações Exteriores, chefe da delegação brasileira em Poznan.

O WWF-Brasil e a Rede WWF pedem que o governo brasileiro atue de forma decisiva em Poznan para que haja avanço nas negociações da ONU sobre o clima, até que as discussões estejam concluídas e prontas para que tenhamos um acordo global ambicioso e justo em dezembro de 2009.

Leia a íntegra da carta:

A COP-14 (Conferência das Partes) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que será realizada em Poznan, na Polônia, representa uma etapa importante para o acordo internacional sobre o clima, que se faz necessário para impedir o aumento das temperaturas na Terra, cujas conseqüências seriam catastróficas para o Planeta.

A Rede WWF e o WWF-Brasil conclamam Vossa Excelência e demais representantes de delegação brasileira presentes na Conferência a atuarem de forma decisiva em Poznan para que haja avanço nas negociações da ONU sobre o clima, até que as discussões estejam concluídas e prontas para que tenhamos um acordo global ambicioso e justo em dezembro de 2009.

Tudo depende da capacidade de se alcançar os seguintes resultados em Poznan:

1. Um movimento para começar a negociar seriamente e com base em textos concretos
Só conseguiremos chegar a um consenso sobre o novo acordo global do clima em 2009 se sairmos de Poznan com conclusões firmes, focadas nas propostas mais promissoras das partes, até agora representadas principalmente no Grupo de Trabalho ad hoc em cooperação de longo prazo (AWG LCA). A Rede WWF e o WWF-Brasil reconhecem e apreciam o esforço de Vossa Excelência para compilar, em um único texto, todas as contribuições das partes e de representantes da sociedade civil, o que facilitará as negociações em Poznan.

Durante esta COP, os AWG do Protocolo de Quioto e o da Convenção do Clima precisam começar a discutir as fortes metas de redução do Anexo 1. Além disso, Poznan precisa esclarecer o processo de negociação do próximo ano e estabelecer metas intermediárias que assegurem o progresso. A Rede WWF e o WWF-Brasil também são favoráveis a um maior envolvimento de alto nível ministerial no processo formal antes de Copenhague.

2. Roteiro de uma visão compartilhada, baseada em justiça, ciência e precaução
Um dos focos principais de Poznan será o debate ministerial sobre uma visão compartilhada, que fornecerá a ambição e a diretriz para um tratado de Copenhague com efeito legal. Tal visão compartilhada deve garantir que:
• as emissões globais atinjam o pico e declinem muito antes de 2020, assim como a visão de um patamar bem abaixo de 2°C em comparação com níveis pré-industriais, o que irá exigir reduções de no mínimo 80% até 2050, em relação às emissões de 1990;
• os países desenvolvidos, enquanto grupo, reduzam suas emissões por meio do estabelecimento de metas entre -25% a -40% até 2020, em relação a 1990;
• qualquer compensação das emissões dos países industrializados envolvendo os países em desenvolvimento deve ser além do desvio substancial das emissões de ambos os grupos de nações, em relação a atual tendência;
• os países em desenvolvimento ajam urgentemente para alcançar esse desvio substancial abaixo da linha tendencial; e
• os países industrializados forneçam apoio tecnológico apropriado, mensurável, que possa ser relatado e verificado, para que os países em desenvolvimento implementem medidas de redução e adaptação.

3. Apoio à capacitação institucional e ação precoce nos países em desenvolvimento até 2012
Já para o período anterior a 2012, as partes deverão se comprometer ainda mais com ações programáticas que melhorem a capacidade institucional dos países em desenvolvimento para (1) se adaptarem às mudanças climáticas, e (2) diminuírem suas emissões de gases de efeito estufa por meio de ações relacionadas à energia e à floresta.

Tais esforços precisam ser apoiados financeiramente pelos países desenvolvidos, mas devem ser uma prioridade política nas nações em desenvolvimento. Para isso, os países em desenvolvimento precisam considerar quais ações e estratégias desejam implementar.

4. Metas
O WWF-Brasil parabeniza o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, por suas declarações a favor do estabelecimento de metas para redução de emissões. A defesa desta posição por parte da delegação brasileira em Poznan colocaria o Brasil, mais uma vez, em posição de vanguarda nas negociações sobre clima. Esta posição serviria como exemplo para outros países em desenvolvimento e, mais importante, incentivaria a adoção de metas mais ambiciosas pelos países industrializados. Com a tendência de reduções significativas de desmatamento na região amazônica verificada nos últimos anos, a adoção de metas de redução das emissões pelo Brasil é perfeitamente factível.

5. REDD
Reconhecemos o papel de liderança exercido pelo Brasil nas negociações sobre REDD. Para garantir o apoio máximo pelas partes deste assunto no acordo de Copenhague, o WWF-Brasil recomenda que a delegação brasileira apóie:
• a busca de metodologias para incentivar a manutenção de florestas tropicais em países com baixas taxas históricas de desmatamento; e
• o reconhecimento do uso de diversos mecanismos financeiros de compensação para REDD para incentivar os países desenvolvidos a assumirem metas mais ambiciosas.

A Rede WWF e o WWF-Brasil estão ansiosos para trabalhar junto com Vossa Excelência e demais membros de sua delegação em Poznan para alcançar esses objetivos, que são necessários para o sucesso da COP15 em Copenhague. Além disso, consideramos que, felizmente, tais objetivos são plenamente possíveis de serem atingidos. Ficaremos satisfeitos em discutir isso de forma mais aprofundada, quando for conveniente para Vossa Excelência, e de ouvir vossa opinião em relação à maneira certa de seguir adiante, no afã de proteger a população e a natureza contra as perigosas mudanças climáticas.


Fonte: Envolverde/WWF-Brasil