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sexta-feira, 24 de outubro de 2008

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Lobão: País fará 1 usina nuclear por ano em 50 anos

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse na sexta-feira (12) que o Brasil vai construir uma usina nuclear por ano ao longo dos próximos 50 anos. No total, elas irão produzir 60 mil MW. Cada uma delas será um pouco menor do que Angra 3, que está projetada para ter capacidade de 1,4 mil MW. Segundo o ministro, esse pacote começará a sair do papel assim que o governo concluir a contratação das obras de quatro novas usinas nucleares, que já foram aprovadas em âmbito federal para serem construídas "imediatamente".

"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva entende que a política nuclear é prioritária no Brasil e sua decisão é de que o processo para a instalação destas usinas deve prosseguir", disse o ministro em entrevista após visitar as usinas de Angra 1 e 2, em Angra dos Reis (RJ). De acordo com Lobão, o governo atualmente "está cuidando de Angra 3".

Terminado este processo, disse, o governo vai definir as áreas em que serão instaladas as quatro primeiras usinas do grande pacote nuclear, que terão capacidade de 1,4 mil MW. Duas delas serão construídas no Nordeste e duas no Sudeste. Segundo ele, na região Nordeste, disputam os investimentos os Estados de Pernambuco, Sergipe e Alagoas. Já no Sudeste, segundo ele, não houve manifestação de interesse. "Mas não acreditamos que haverá problema algum nisso", disse.

Sobre as 50 usinas, o ministro disse que ainda faltam ajustes a serem feitos no pacote e que ele será discutido após o governo dar seqüência a estas primeiras quatro unidades.

Questões ambientais - Edison Lobão também disse que as obras para a construção de Angra 3 devem ser iniciadas em abril de 2009. Por enquanto, segundo ele, está sendo viabilizada a instalação do canteiro de obras para abrigar os cerca de 9.500 trabalhadores que participarão da construção.

Ele negou que haja qualquer risco de atraso no cronograma de conclusão da usina em cinco anos, por conta de questões ambientais. Segundo Lobão a lista de 60 exigências feita pelo Ibama para que a licença de instalação fosse concedida está sendo cumprida "corretamente, a contento e dentro de um escalonamento". "O que não puder ser feito agora, de imediato, será feito ao longo do processo de obtenção desta licença. Mas tudo será devidamente cumprido", disse em entrevista coletiva realizada após visita às instalações das usinas nucleares de Angra 1 e 2.

Indagado sobre a dificuldade em encontrar um local definitivo para o depósito dos dejetos nucleares, o ministro disse apenas que "a ferro e fogo um lugar definitivo não existe em lugar nenhum do mundo".

Pré-sal - O ministro de Minas e Energia afirmou que, além dos campos de Tupi e de Iara, já seriam conhecidas também as estimativas de volumes de petróleo para a área de Jupiter, na região do pré-sal da Bacia de Santos. Ele evitou dar detalhes sobre o andamento das discussões no âmbito da Comissão Interministerial que está discutindo um novo marco regulatório, mas comentou o potencial das áreas que vêm sendo descobertas pela Petrobras na Bacia de Santos.

A certa altura, concluiu: "Temos três blocos que acabam de ser definidos, que são Tupi, Iara e Jupiter", disse comentando o potencial da área do pré-sal na Bacia de Santos.

Apesar de todas as estimativas feitas pelo mercado com base em estudos geológicos, até esta semana, a Petrobras havia divulgado estimativas apenas sobre os cerca de 5 bilhões a 8 bilhões de barris existentes em Tupi. Anteontem, a estatal revelou que há um potencial de 4 bilhões de barris em Iara, área que pertence ao mesmo bloco de Tupi, o BM-S-11.

O mercado está na expectativa das perfurações que estavam para ser concluídas em setembro tanto em Jupiter, no BM-S-24, quanto em Bem-te-vi, no BMS-8.

Ainda segundo Lobão, a Comissão Interministerial que está discutindo o novo marco regulatório vai reunir-se de maneira "definitiva" no próximo dia 25. "De lá sairão as propostas que estarão nas mãos do presidente no dia 30", disse Lobão. Ele não quis dar qualquer detalhe sobre as propostas que estão sendo discutidas. Disse apenas que "o Brasil tem tradição de manter seus contratos e vai continuar tendo respeito a eles". (Fonte: Kelly Lima/ Estadão Online)

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Marinha espera concluir usina para produzir combustível nuclear em 2010

A Marinha espera concluir até 2010 sua própria usina para transformar o concentrado de urânio em gás e assim produzir combustível nuclear na quantidade necessária para continuar desenvolvendo seu programa nuclear.

Com o fôlego renovado desde a promessa do governo federal de destinar R$ 1 bilhão para que dê continuidade ao programa, a Marinha estima construir até 2014 um laboratório onde poderá gerar energia elétrica a partir da tecnologia nuclear.

Tanto a Usexa (Usina de Hexafluoreto de Urânio, o gás UF6) quanto o Laboratório de Geração Núcleo-Elétrica (Labgene) irão funcionar no Centro Experimental de Aramar (CEA), instalação que a Marinha mantém no município de Iperó, no interior de São Paulo, a cerca de 130 quilômetros da capital paulista.

Embora já domine todo o ciclo de produção do combustível nuclear, da prospecção mineral à fabricação das pastilhas de urânio que alimentam os reatores nucleares, o Brasil segue dependente de outros países para produzir a quantidade de combustível necessária para alimentar as Usinas de Angra 1 e 2, por não conseguir produzir nem o gás UF6 nem o urânio enriquecido nos volumes necessários.

Segundo o superintendente do Programa Nuclear da Marinha, comandante Arthur Campos, a conversão do urânio em pó (yellowcake) no gás UF6 - processo que poderá ser feito na Usexa tão logo ela fique pronta - hoje é realizada no Canadá. Já o enriquecimento do urânio é feito na Europa, pela companhia Urenco (do inglês Uranium Enrichment Services Worldwide), um consórcio formado pela Inglaterra, Alemanha e a Holanda.

Atualmente, apenas sete países realizam o enriquecimento do urânio: Estados Unidos, França, Rússia, Grã-Bretanha, Alemanha, Japão e Holanda.

Com a Usexa em funcionamento, a Marinha será capaz de produzir 40 toneladas de UF6. Pouco, mas suficiente para suas necessidades. Além disso, o conhecimento tecnológico adquirido pelos pesquisadores da força certamente servirão a outros setores, como já aconteceu no final 2005, quando as Indústrias Nucleares do Brasil (INB) comprou da Marinha e instalou em Resende (RJ) o modelo avançado de ultracentrífugas desenvolvido pelos militares em 1988 para a produção contínua de urânio enriquecido. O valor pago à Marinha é mantido em sigilo.

Para se ter uma noção do potencial energético do material obtido na Usexa, o chefe da divisão do Laboratório de Materiais Nucleares do CEA, Lauro Roberto, explica que com 24 quilos de UF6 podem ser produzidos cerca de 17 quilos de dióxido de urânio (UO2), matéria-prima para a fabricação de quase 3 mil pastilhas utilizadas como combustível nos reatores nucleares.

“A energia contida em uma só pastilha de urânio de 7 gramas, enriquecida a 3,5%, equivale a três barris de petróleo e a uma tonelada de carvão. Não significa que você vá obter toda essa energia, mas é possível ver o potencial do material”, explica Roberto.

Já o projeto do Labgene visa a construção de uma planta nuclear capaz de gerar energia elétrica. O reator que deverá ser utilizado terá cerca de 11 megawatts de potência, o que, segundo a Marinha, é suficiente para iluminar uma cidade de aproximadamente 20 mil habitantes. Sozinha, Angra 1 gera cerca de 600 megawatts.

Além de garantir que as instalações do laboratório servirão de base para um eventual projeto de desenvolvimento de um reator nuclear brasileiro, a Marinha também assegura que o Labgene servirá como um protótipo do sistema de propulsão naval, que permitirá a obtenção de parte do conhecimento necessário à possível construção de um submarino nuclear.

As empreiteiras contratadas pela Marinha preparam o terreno onde serão construídos os prédios que vão abrigar o reator e o protótipo de uma turbina. De acordo com o engenheiro civil consultor da obra Roberto Marczynski, o local foi escolhido devido a estabilidade geológica, já que seu subsolo rochoso atinge cem metros de profundidade. Além disso, o projeto dos dois prédios, interligados por uma ponte rolante e licenciados pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cenen), prevê as mesmas contenções de proteção que usadas nas Usinas de Angra dos Reis (RJ).

“A população pode estar segura”, garante o engenheiro.
(Fonte: Alex Rodrigues / Agência Brasil)

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Energia - Espanha: Perigo e falta de transparência em acidente nuclear

Por Alicia Fraerman, da IPS

Madri, 28/08/2008 – A falta de transparência nas informações sobre o alcance e as conseqüências do incêndio que no último domingo afetou a central nuclear espanhola Vandellós II compromete as atividades das empresas e dos organismos públicos do setor, já que aumenta o temor de que ocorram acidentes de maior envergadura. Uma pesquisa feia pelo jornal catalão La Vanguardia para avaliar a opinião dos cidadãos a respeito mostrou 88% de respostas negativas à pergunta se existe transparência na informação, enquanto 7% disseram que sim e 5% afirmaram não saber se havia ou não.

O que mais preocupa os entrevistados não é apenas saber de que o conhecimento das falhas teria permitido ações preventivas, mas a ocorrência de fatos mais graves, como não chamar os bombeiros e, depois, impedir que estes entrassem na central onde no ocorreu o incêndio. Os bombeiros somente conseguiram entrar após discutirem por mais de meia hora com os guardas de segurança e após ficaram um bom tempo com seus seis veículos parados fazendo soar as sirenes na porta da unidade, localizada na província de Tarragona, na Comunidade Autônoma da Catalunha, no mar Mediterrâneo.

As autoridades de socorristas receberam o alerta mais de uma hora depois após o fogo ter começado, quando o Conselho de Segurança Nuclear (CSN) decretou um plano de emergência nuclear que levou o governo da Catalunha a mobilizar os bombeiros. Uma vez dentro da central, puderam comprovar “importantes danos na sala de turbinas e na galeria subterrânea que há sob ela”, conforme contou um dos operários da empresa, que pediu para não ser identificado, segundo o jornal El Mundo, de Madri.

Carlos Bravo, responsável pela campanha de Energia Nuclear da organização ambientalista Greenpeace, disse à IPS que trabalhadores da central haviam informado por várias vezes sobre vibrações no alternador, um sistema básico da usina que ao apresentar esse movimento pode provocar um incêndio e, inclusive, causar vazamentos radioativos, “fato que também informaram ao seus superiores”. Bravo admitiu que no acidente de domingo não foram registradas radiações, mas alertou que em 1989 já houve um incêndio semelhante que esteve a ponto de se converter em radioativo e que “o governo tem de fechar de uma vez todas as centrais nucleares, como se comprometeu a fazer o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero em sua campanha eleitoral”.

Sobre o ocorrido, o subdiretor-geral de instalações nucleares do CSN, Javier Zarzuela, assegurou à IPS que a central afetada não emite radiações e que, diante da informação de que o alternador apresentava vibrações a entidade determinou na oportunidade que os equipamentos fossem revisados pelos técnicos, que o fizeram e comprovaram que as mesmas não chegavam aos limites que obrigassem a uma intervenção mais rígida. Em todo caso, determinou-se que a empresa agisse para corrigir o defeito, o que não fez e agora a CSN ordenou que uma equipe se dirija imediatamente à central para investigar o ocorrido, “o que levará dias”, concluiu Zarzuela.

No incêndio de 1989, na central Vandellós I, que estava próxima da segunda, ficou destruído o edifico de turbinas da usina e parte das instalações de segurança. Diante da gravidade dos danos, o CNS orientou na época o governo para que ordenasse o fechamento definitivo. Por isso nos últimos anos foi desmantelada em 80%, com o reator isolado com concreto e que será desmontado quando sua radioatividade baixar, o que levará décadas. A Espanha foi um dos primeiros países do mundo a contar com central nuclear. A primeira foi instalada em 1968, uma década depois de construída a primeira do mundo, e há dois anos deixou de funcionar e foi desmantelada.

Agora, há seis centrais em funcionamento no país, com um total de oito reatores que produzem entre 25% e 30% da energia elétrica consumida pela Espanha, segundo o CSN. A mais antiga delas está em funcionamento desde 1971. Nessas centrais foram registradas 93 incidentes em 2007, os quais foram classificados com sendo de nível zero dentro da Escala Internacional de Fatos Nucleares (INES), ou seja, sem radiações, exceto uma que chegou ao nível dois. O máximo, o mais perigoso, é o nível sete. O CSN, além de enviar uma equipe técnica para investigar o ocorrido domingo em Vandellós II, decidiu convocar uma reunião do Comitê de Ligação, onde estão representadas todas as companhias proprietárias de centrais ou de outros elementos vinculados à energia nuclear com o objetivo de analisar os incidentes ocorridos nos últimos tempos nas usinas e os planos de atuação que elas possuem.

As organizações não-governamentais, encabeçadas pelo Greenpeace e pela Ecologistas em Ação, reiteraram sua demanda ao governo do socialista Zapatero pedindo que cumpra sua promessa eleitoral de fechar todas as centrais nucleares e substituí-las por energias mais limpas, mais seguras e menos caras. Mais otimista se mostrou o prefeito de Vandellós e Hospitales, de Tarragona, Joseph Castellnou, que não deu tanta importância ao problema, destacando que o incêndio aconteceu longe do núcleo do reator e que foi controlado por meios próprios da empresa “em cerca de 10 minutos”. (IPS/Envolverde)


(Envolverde/IPS)

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Governo está próximo de consenso sobre destinação para lixo nuclear

O grupo criado pelo governo para debater os rumos da política nuclear para o Brasil está perto de chegar a um consenso sobre a destinação do lixo nuclear da Usina de Angra 3 e das próximas que serão construídas no Brasil.

O Comitê de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro se reuniu na segunda-feira (18) com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e deverá apresentar uma proposta conclusiva em 60 dias. Nesse período, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, vai estabelecer um calendário de reuniões para que a proposta seja concluída. A assessoria de imprensa da Presidência não se manifestou oficialmente, mas auxiliares do Palácio do Planalto confirmaram a informação.

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, pediu mais detalhes técnicos sobre a proposta de destinação dos rejeitos, apresentada pelo presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva, que garante a segurança do lixo nuclear por mais de 500 anos. O ministro chegou a dizer que só autorizaria a retomada da construção de Angra 3 se o governo encontrasse uma solução definitiva para o lixo nuclear.

A Eletronuclear garantiu que as exigências estabelecidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para a concessão da Licença de Instalação da Usina de Angra 3 serão cumpridas dentro do prazo previsto.

O programa estratégico do governo para a área de geração de energia prevê ainda a continuidade do processo de enriquecimento de urânio no país e a construção de submarinos nucleares, que poderão ser utilizados para a proteção das reservas de petróleo na camada pré-sal.

A reunião contou com a presença dos ministros Miguel Jorge (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Nelson Jobim (Defesa), Dilma Roussef (Casa Civil), Guido Mantega (Fazenda), Carlos Minc (Meio Ambiente), Edison Lobão (Minas e Enegia), Sérgio Rezende (Ciência e Tecnologia), Reinold Stephanes (Agricultura), Jorge Felix (Gabinete de Segurança Institucional), Mangabeira Unger (Políticas a Longo Prazo), além de Samuel Pinheiro, secretário executivo do Ministério das Relações Exteriores.

Também participou da reunião, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim. (Fonte: Agência Brasil)

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Greenpeace protesta contra licença ambiental para Angra 3

Ativistas do Greenpeace protestaram na quarta-feira (23) em frente ao Ministério do Meio Ambiente contra a concessão de licença ambiental prévia para a Usina Nuclear de Angra 3, no Rio de Janeiro, anunciada pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e pelo presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Roberto Messias.

Os manifestantes exibiam um quadro com a fotografia do presidente do Ibama identificado com o símbolo da radioatividade e com os dizeres “O Messias chegou e traz más notícias: Angra 3 aprovada”.

De acordo com o diretor da Campanha Energia do Greenpeace, Ricardo Baitelo, a opção pela retomada do programa nuclear não é a opção mais recomendada e ambientalmente viável para o país. “A (energia) nuclear é pior, tanto em custos quanto em relação a benefícios sociais, de criação de empregos, e principalmente em relação a poluição ambiental”, compara.

Baitelo acredita que a exigência de projeto para disposição final dos rejeitos radioativos entre as condicionantes não será cumprida. “Eles pedem que no início dos projetos, que se encaminhe essa questão, mas a gente sabe que isso não vai ser resolvido, porque simplesmente não há uma solução definitiva para os resíduos tóxicos no Brasil”.

De acordo com o Greenpeace, a “solução” que o governo exige da Eletronuclear para os resíduos de Angra 3 “vem apresentando problemas graves na Europa”, em países como França e Alemanha.

“O país não precisa de energia nuclear, existe um potencial enorme, só no Nordeste temos 10 Itaipus em eólica. O Brasil desperdiça milhões por ano com desperdício de energia. Se o país cumprisse as metas do Procel (Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica) poderia evitar a necessidade de se construir usinas nucleares”, defendeu. (Fonte: Luana Lourenço/ Agência Brasil)

Minc anuncia licença para Angra 3 com 'exigências brutais'

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, declaradamente contrário à energia nuclear, informou que a Licença de Instalação da terceira usina nuclear brasileira, Angra 3, no Rio de Janeiro, será liberada nesta quarta-feira (23).

"Sai amanhã (quarta-feira), mas com exigências brutais", disse o ministro a jornalistas, após reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) na terça-feira (22).

De acordo com Minc, a Eletronuclear, responsável pela construção da unidade, terá que encontrar uma solução definitiva para o lixo nuclear; contratar um monitoramento independente dos níveis da radiação; resolver o problema de saneamento em Angra dos Reis e na cidade vizinha Parati; e adotar o Parque Nacional da Serra da Boicana.

De acordo com especialistas, apenas encontrar uma solução definitiva para o lixo nuclear já é algo difícil.

Essas condições terão que ser cumpridas para que a empresa obtenha a Licença de Operação, segundo Minc.

Angra 3 terá a mesma capacidade de Angra 2, ou 1,3 mil megawatts, e a previsão é de que comece a operar em 2013. (Fonte: Estadão Online)

sexta-feira, 13 de junho de 2008

ONU discute uso de energia nuclear contra aquecimento global

A conferência climática da ONU em Bonn discute propostas para ajudar os países em desenvolvimento a construírem usinas nucleares, o que lhes permitiria emitir menos gases do efeito estufa.

A energia nuclear é uma opção polêmica dentro do mecanismo da Organização das Nações Unidas (ONU) que estimula investimentos de países ricos em energias "limpas" no exterior e lhes dá crédito pela redução doméstica dos gases do efeito estufa.

Na conferência que vai de 2 a 13 de julho, Índia, Canadá e outros propuseram mais ajuda ao desenvolvimento nuclear nos países pobres. "É uma das questões que precisam ser consideradas", disse na quinta-feira Yvo de Boer, diretor do Secretariado de Mudança Climática da ONU, responsável pelo evento.

Também estão em discussão a adoção de um sistema que permita capturar e enterrar o dióxido de carbono emitido por usinas termoelétricas, por exemplo, e mecanismos de estímulo para o reflorestamento global.

Muitos países e ambientalistas são contra a inclusão da energia nuclear no chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL, parte do Protocolo de Kyoto, tratado climático da ONU que expira em 2012).

"A energia nuclear não é a energia do futuro", disse Martin Hiller, da ONG WWF. "Ela não deveria estar no MDL. O MDL deveria tratar de energia renovável."

Ele disse que a energia nuclear é perigosa demais, apesar de praticamente não emitir carbono, como os combustíveis fósseis.

A conferência de Bonn não tomará nenhuma decisão sobre mudanças no MDL. O evento é parte de uma série de negociações destinada a criar até o final de 2009 um tratado que substitua o Protocolo de Kyoto.

"Acho que a energia nuclear no MDL não será nem levada em conta pela maioria das delegações", disse um delegado europeu.

O debate reflete a polêmica sobre a conveniência de tratar as usinas nucleares como alternativas aos combustíveis fósseis, principais "vilões" do aquecimento.

De Boer estimou que o MDL poderia canalizar até 100 bilhões de dólares por ano para os países em desenvolvimento nas próximas décadas, desde que os países industrializados aceitem reduções expressivas nas suas emissões e façam metade dos cortes no exterior.

O cálculo também se baseia no pressuposto de que os créditos por evitar emissões de gases do efeito estufa serão cotados a uma média de 10 dólares por tonelada.

Até agora, o MDL tem projetos aprovados ou sob avaliação que iriam evitar uma emissão total de 2,7 milhões de toneladas até 2012, mais ou menos o equivalente a um ano de emissões conjuntas de Japão, Alemanha e Grã-Bretanha. (Fonte: Estadão Online)

domingo, 13 de abril de 2008

França e Japão reafirmam apoio ao uso de energia nuclear

Japão e França concordaram nesta sexta-feira (11) em cooperar para a promoção do uso pacífico da energia nuclear e para o combate às mudanças climáticas.

"Concordamos em trabalharmos juntos em questões globais como a mudança climática e desenvolvimento da África", disse o primeiro-ministro japonês, Yasuo Fukuda, nesta sexta-feira, após conversar durante visita oficial com o primeiro-ministro francês, Francois Fillon.

"O Japão vai reforçar a cooperação em energia nuclear com a França", ele disse durante uma conferência de imprensa conjunta.

Os dois líderes "nós compartilhamos da idéia de que a energia nuclear vai ter um papel importante para a prosperidade e sustentabilidade do desenvolvimento no século 21", disse uma declaração conjunta sobre uso pacífico de energia nuclear anunciado nesta sexta-feira.

Embora reconhecendo a importância da não-proliferação nuclear, proteção e segurança, os líderes disseram na declaração que a energia nuclear tem se tornado cada vez mais importante para garantir a segurança energética global e para conter o aquecimento global.

A visita de Fillon marca o 150° aniversário dos laços diplomáticos entre os dois países e vem à frente da reunião do G8 das nações industrializadas no Japão, na qual se espera que os líderes foquem a discussão no aquecimento global.

"A reunião vai ser a chance para os países desenvolvidos apresentarem um modelo para o corte nas emissões de CO2, mantendo o desenvolvimento para as nações em desenvolvimento", disse Fillon.

Viajando com Fillon ao Japão estava Anne Lauvergeon, presidente da estatal francesa de energia nuclear Areva, que assinou um memorando nesta sexta-feira (11) com a Mitsubishi Heavy Industry, Chairman Kazuo Tsukuda, para expandir a cooperação entre as duas companhias no negócio de combustíveis para reatores nucleares no Japão.

As duas companhias procurarão estabelecer um joint venture para o fornecimento de combustível para reatores nucleares de água pressurizada e de gás, entre outros, disseram as empresas.

O presidente da Mitsubishi Heavy, Hideaki Omiya, disse que as empresas esperam que o esforço conjunto possa "contribuir para a sustentabilidade do renascimento nuclear."

As empresas também vão trabalhar juntas para dois novo reatores na África do Sul.

O primeiro-ministro francês também vai fazer uma visita à central nuclear da vila de Rokkasho, 600 quilômetros ao norte de Tóquio.

A central, que usa tecnologia da Areva, começou testes em março de 2006 e vai, eventualmente, produzir MOX, combustível que mistura urânio e plutônio.

A reciclagem é um elemento central nos planos de Tóquio para reduzir sua dependência em importações de energia, construindo reatores mais rápidos, que produzam plutônio que possa ser reaproveitado como combustível.

O Japão, que tem poucos recursos, depende agora da energia nuclear em um terço de suas necessidades energéticas, busca aumentar esse percentual para 40% até 2010.

Já a França retira mais de 70% de sua eletricidade de energia nuclear e tem desejado exportar sua tecnologia de produção. (Fonte: Estadão Online)

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Greenpeace reafirma posição contrária à energia de fonte nuclear

A coordenadora da campanha antinuclear da Organização Não-Governamental (ONG) ambientalista Greenpeace, Beatriz Carvalho, disse que a opção de energia nuclear não tem viabilidade no Brasil. “A gente sempre foi contra e continua sendo contra”, afirmou, em entrevista à Agência Brasil.

Beatriz Carvalho participou das audiências públicas sobre a Usina Nuclear Angra 3, promovidas na última semana no Rio de Janeiro e São Paulo pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Ela considera que essas audiências são importantes porque representam “o único momento realmente democrático” que o brasileiro tem para discutir se quer ter essa solução energética no país.

Carvalho disse que Angra 3 vai contribuir muito pouco para a matriz energética brasileira, em comparação com o potencial energético do país, a partir de outras fontes renováveis, que seriam “seguras e limpas”. O aumento, em termos de fornecimento de energia, seria de apenas 1% na matriz energética, acrescentou.

Em relatório econômico divulgado recentemente no país, o Greenpeace acusa o governo de ter feito uma “ginástica financeira" para apresentar tarifa baixa para a energia nuclear de R$ 138,00 por megawatt/hora (MWh). “A gente contesta esses dados, mostrando que, na verdade, há subsídios que estão escondidos nessa conta. E que tem dinheiro público sendo jogado fora nessa construção matemática que eles fizeram. Os custos da usina, principalmente de construção, vão ser muito mais altos do que o governo está apresentando”, afirmou Beatriz Carvalho.

Segundo a ativista do Greenpeace, o custo de construção declarado pelo governo para Angra 3 seria de R$ 7,2 bilhões. A entidade alega que com a incidência de juros sobre o capital que está imobilizado para as obras, esse valor seria de R$ 9,5 bilhões. “E se contar os quatro anos de atraso médio na construção de uma usina nuclear, o valor dela vai dobrar para R$ 15 bilhões”.

Ela lembrou que o ponto principal que o Greenpeace debate na questão nuclear está ligado à insegurança, à falta de soluções para o lixo de alta radioatividade e à instabilidade geopolítica “que gera o país que tem a tecnologia nuclear”. Lembrou ainda que o Greenpeace é totalmente contra o uso dessa energia para quaisquer finalidades, a não ser para fazer exames médicos. "Mas, para geração de energia, a gente é contra”. (Agência Brasil)

sexta-feira, 28 de março de 2008

Olhos europeus se voltam para a energia nuclear

Por José Antonio Gurriarán, da IPS

Madri, 26/03/2008 – O presidente da França, Nicolas Sarkozy, e o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, darão impulso esta semana em Londres a uma nova geração de centrais nucleares, cuja tecnologia pretendem exportar ao resto do mundo. O acordo, adiantado pelo jornal britânico The Guardian, contraria os critérios da Alemanha e da Espanha de fechamento paulatino, por razões de segurança, de todas as centrais nucleares e sua substituição por mecanismos de produção de eletricidade a partir de fontes renováveis.

Os governos de José Luis Rodríguez Zapatero e Angela Merkel seguirão com atenção a cúpula que acontecerá no estádio do clube de futebol Arsenal, em Londres, e que , por outro lado, confirma a aproximação da França com a Grã-Bretanha em detrimento da Alemanha. Também reabre a discussão, na União Européia, entre os partidários do fechamento das centrais nucleares e os que defendem essa tecnologia, devido ao seu impacto ambiental supostamente menor que o do petróleo e à alta do seu preço.

Reeleito há 15 dias primeiro-ministro por um período de quatro anos, o socialista Zapatero reafirmou que a Espanha “aposta nas energias renováveis e não na opção fácil da energia nuclear quando, ainda, não se resolveu o grave problema que supõem os resíduos radioativos. “A posição de Zapatero permanece invariável desde o acordo programático que assinou com o partido Os Verdes para as eleições legislativas de 2004, pelo qual se compromete a “abandonar gradualmente a energia nuclear na Espanha para substituí-la por outras mais seguras, limpas e menos caras”.

Dois meses depois, já como governante, anunciou na Câmara dos Deputados o fechamento da central de Santa Maria Garoña, em Burgos, em 2009, e em seguida o das outras sete, e reiterou que não autorizaria a construção de novas usinas nucleares. Garoña foi inaugurada em 1971, com vida útil estimada em 40 anos. Suas proprietárias, as empresas elétricas Endesa e Iberdrola, asseguram hoje que podem funcionar sem risco até os 60 anos e pedem ao governo que não as feche.

As duas companhias argumentam que a energia nuclear é menos contaminante do que a produzida por combustíveis fósseis e que é conveniente não depender de outros países para a geração de eletricidade. A central de Guadalajara, a única que superava em antiguidade a de Garoña, foi fechada em 2006. O PSOE já estava governo, mas esse partido se encontrava na oposição quando alcançou um acordo a respeito em 2002 com o então governante Partido Popular. Este precedente torna impensável a prorrogação solicitada pela Endesa e Iberdrola.

A alta do petróleo altera a opinião pública de uma Europa que, após a catástrofe na central ucraniana de Chernobyl, em 1986, se opôs à energia nuclear. A cada dia surgem mais dúvidas sobre o modelo energético a ser seguido na Europa. O debate abre caminho entre os membros mais antigos e industrializados da União Européia, que não querem perder o trem do crescimento e começam a olhar a energia nuclear como alternativa para a crise energética. Os países da Europa central e oriental se negam a desmontar no próximo ano seus velhos reatores, que remontam à era soviética, como lhes pede a EU: dizem que elas lhes garantem o fornecimento de energia.

Os governos da Alemanha e Espanha são hoje os que se opõem mais firmemente às centrais nucleares. “É preciso que a Espanha se afaste da tentação da energia nuclar. Deve apostar nas fontes renováveis, já que tem uma enorme capacidade de energia eólica e solar, que nos permitiria ser líderes no mundo”, disse Zapatero dois dias antes das últimas eleições à rede SER. Mas, mesmo dentro do PSOE há quem discorde da linha do primeiro-ministro, como o ex-chefe de governo Felipe González; o ex-ministro da Indústria Juan Manuel Eguiagaray; o comissário de Assuntos Econômicos da EU, Joaquín Almunia, e o responsável pela Segurança e Política Externa do bloco, Javier Solana.

Também há discrepâncias no PP: ali coexistem tendências minoritárias partidárias de prolongar a moratória nuclear com a do presidente do partido, Mariano Rajov, e o ex-primeiro-ministro José María Aznar, mais inclinados à volta aos reatores nucleares. O especialista em física nuclear Guillermo Valverde alertou, em um informe para a Fundação para a Análise e os Estudos Sociais (FAES), presidida por Aznar, que “a elevada dependência energética espanhola e os compromissos de Kyoto reforçam as vantagens da energia nuclear para a Espanha”.

Valverde se referia ao Protocolo de Kyoto, que determina aos países industrializados que reduzam suas emissões de gases causadores do efeito estufa, grande parte surgida da queima de combustíveis fósseis como petróleo, gás e carvão. A cúpula de Londres pode reabrir em nível nacional e europeu a discussão silenciada pelo drama de Chernobyl e, possivelmente também, por razões eleitorais. O secretário-geral da central sindical comunista Comissões Operárias, José María Hidalgo, expressou opinião favorável ao debate. Na Espanha pode ser desinibido e franco, pois as eleições já aconteceram. (IPS/Envolverde)

(Envolverde/IPS)

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Bush vê na energia nuclear a melhor solução contra o efeito estufa

O presidente George W. Bush garantiu nesta quinta-feira (20) que ele leva a sério o efeito estufa e considera a energia nuclear a "melhor solução", ao mesmo tempo em que cobre as crescentes necessidades energéticas, durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca para fazer um balanço do ano

Bush declarou ter dito ao Prêmio Nobel da Paz - e ex-vice-presidente dos Estados Unidos - Al Gore que leva "seriamente" o tema das emissões de gases de efeito estufa e que seu governo está desenvolvendo uma estratégia para tratar do tema.

Bush disse ainda que seu governo está trabalhando numa forma para tornar os carros mais eficientes em termos de consumo de combustível, mas que a energia nuclear é peça fundamental.

"Se alguém é verdadeiramente sério sobre como enfrentar os gases de efeito estufa, deveria ser um simpatizante maior da energia nuclear", assinalou.

"Eu, por certo, sou, e aplaudo os esforços dos membros do Congresso para dar incentivos para a construção de novas usinas. É a melhor solução para assegurar que tenhamos crescimento econômicos e, ao mesmo tempo, sejamos bons administradores do meio ambiente.

Bush também disse que não está satisfeito com o progresso político no Iraque e pressionou a favor de uma reconciliação e reformas maiores.

"Muitas vezes a política local é que move a política nacional. Estamos satisfeitos com o progresso lá? Não", afirmou Bush.

O presidente mencionou sua preocupação ante a possibilidade de que alguns países aliados dos Estados Unidos abandonem seu compromisso no Afeganistão, e deixem esse território antes que fique estabilizado.

"Minha maior preocupação é que as pessoas digam: 'bom, estamos cansados do Afeganistão, então acho que vamos embora".

Segundo ele, os aliados americanos devem entender que vai levar tempo para que esta experiência democrática no Afeganistão funcione. "E acredito que vai funcionar", enfatizou.

Bush também disse que vai acompanhar como evolui o futuro político da Rússia de Vladimir Putin, e que espera que Moscou se mantenha no caminho da democracia.

"Minha esperança é que a Rússia seja um país que entenda que são necessários os pesos e contrapesos, as escolhas livres e limpas, uma imprensa vibrante", afirmou Bush.

"Há especulação sobre se Putin será ou não o primeiro-ministro. Não sei se será. Não falei com ele a respeito. E até que aconteça, acho que é melhor esperar para ver".

Quanto à Síria, descartou conversações diretas com o presidente Bashar al-Assad e disse que "sua paciência em relação a Assad se esgotou há muito tempo".

"De modo que, se estiver me ouvindo, não precisa de uma ligação telefônica; ele sabe exatamente qual é minha posição".

"Minha paciência com o presidente se esgotou há muito tempo, e a razão é que ele protege o Hamas, dá facilidades ao Hezbollah, aos suicidas que saem de seu país e desestabilizam o Líbano", acrescentou. (Globo Online)

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Energia nuclear é solução para desenvolvimento sustentável, dizem empresários

O diretor da Associação Nuclear Mundial (WNA, em inglês), John Ritch, disse hoje que a energia nuclear é a "quinta-essência" do desenvolvimento sustentável, no seminário internacional "Energia Nuclear como Alternativa Sustentável?" que começou no Rio de Janeiro.

Ritch apresentou a energia nuclear como a melhor alternativa para se preparar para o "desafio" do aumento da demanda energética mundial derivada do crescimento populacional, "que deve chegar a 9 bilhões em 2050".

O diretor da WNA assegurou que os danos causados pelos gases do efeito estufa "terão um ponto sem volta" e que produzirão "catástrofes" como o aumento de secas, inundações, perda da biodiversidade, fome, e "a destruição da civilização humana".

Como solução, ele apresentou o "renascimento" da energia atômica - que, segundo ele, é limpa, segura e só apresenta riscos mínimos, que se "podem ser controlados com a colaboração internacional", como a proliferação de armas nucleares ou o terrorismo.

O diretor também rebateu os argumentos que alertam para o perigo do lixo nuclear.

"Os resíduos são o maior ativo da energia nuclear, pois seu volume é mínimo e eles podem ser manuseados sem risco para a sociedade nem para o meio ambiente", afirmou.

Ritch aproveitou para criticar os movimentos ecologistas contrários à tecnologia nuclear, qualificando-os de "poucas forças reacionárias".

"A velha guarda do ambientalismo está sendo eclipsada por uma nova corrente realista e já está reconhecendo que a energia nuclear terá um papel completo na revolução global da energia limpa", acrescentou.

Na mesma linha, autoridades nacionais defenderam a construção da usina nuclear de Angra III, no estado do Rio de Janeiro.

"O projeto deve ser retomado para que o Brasil possa crescer de forma sustentável e contínua", disse Armando Coelho, do Conselho Empresarial de Energia da Federação de Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), que inaugurou o evento.

Angra III foi encomendada em 1976 e as obras começaram em 1984, mas estão suspensas desde 1986. A retomada da construção só foi aprovada em junho, em meio a polêmicas com grupos ambientalistas dentro do próprio Governo. (Yahoo Brasil)

Diretor da Aiea diz que Brasil não pode prescindir da energia nuclear

O consumo de energia continuará subindo no Brasil e as fontes nucleares têm que ser usadas para garantir o suprimento do país, em consórcio com outras matrizes como gás e hidrelétricas, disse nesta quinta-feira (06) o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), Mohamed El Baradei, durante visita às instalações das Indústrias Nucleares Brasileiras (INB), em Resende (RJ).

"O consumo per capita de energia elétrica no Brasil é de 2,6 mil quilowatts/hora ao ano, o que é um terço do consumo em países desenvolvidos. Por isso, o Brasil continuará necessitando desenvolver fontes de energia e tem que usar todas as formas possíveis: gás, hidrelétrica e nuclear", disse.

El Baradei afirmou que não tem qualquer preocupação com o plano estratégico do governo brasileiro de construir oito pequenas usinas nucleares até 2030, além da conclusão de Angra 3.

"Nós vemos grande interesse na expansão da energia nuclear, influenciada pelas mudanças climáticas e pela competição por gás e petróleo. Temos que entender que a energia nuclear garante independência".

O diretor da Aiea disse que 30 países já fazem uso da energia nuclear e que outros grandes países em desenvolvimento, como Indonésia e Turquia, também decidiram investir em energia nuclear como parte das várias opções de energia.

Perguntado se havia preocupação sobre a finalidade do programa nuclear brasileiro, desenvolvido na INB, disse que "o importante é ter certeza de que a energia nuclear é usada com altos níveis de segurança e exclusivamente com fins pacíficos. Nossos inspetores estão aqui o tempo todo, trabalhando próximos às autoridades brasileiras". (Agência Brasil)

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Relatório do Greenpeace revela que usinas nucleares contribuem para efeito estufa

A entidade ambientalista Greenpeace apresentou nesta segunda-feira (26) um relatório sobre a emissão de gás carbônico a partir do funcionamento da usina nuclear de Angra 3. Intitulado Cortina de Fumação: Emissões de CO2 e Outros Impactos da Energia Nuclear, o estudo mostra que as emissões da usina poderiam atingir até 400 gramas de gás carbônico (CO2) por quilowatt/hora gerado de energia. O nível mínimo de emissões na atmosfera seria de 150 gramas de CO2 por quilowatt hora. O estudo foi apresentado no Rio de Janeiro durante audiência pública promovida pelo Ibama - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis.

O relatório trata das emissões de gases de efeito estufa no ciclo de energia nuclear no Brasil. Em entrevista à Agência Brasil a coordenadora da Campanha de Energia do Greenpeace, Rebeca Lerner, afirmou que o relatório quer “rebater esse argumento de que a energia nuclear seria uma energia mais limpa e uma solução para o aquecimento global”.

Ela reiterou a posição da Greenpeace que é contra a retomada da usina e o uso da tecnologia nuclear para geração de energia de modo geral.

Os números do relatório da organização não-governamental (ONG) levam em consideração desde a etapa de extração do urânio nas minas até o descomissionamento (desinstalação) da usina ao fim de sua vida útil, estimada entre 30 a 40 anos. As etapas intermediárias seriam a fabricação do combustível nuclear; transporte do combustível; construção da infra-estrutura da usina; operação; e gerenciamento de rejeitos radioativos.

Para os cálculos, a ONG utilizou uma metodologia desenvolvida internacionalmente, aplicada na Inglaterra e na Alemanha, e adaptou ao caso nacional de Angra 3. “Essa metodologia estuda o gasto energético de cada uma dessas etapas da produção da energia nuclear. E a geração dessa energia que é consumida nesse ciclo provoca emissões de gases de efeito estufa”, informou Lerner.

A coordenadora da Campanha de Energia do Greenpeace reconheceu que o provável índice de emissões de 150 gramas de gás carbônico por quilowatt hora de Angra 3 “é menor do que o de uma termelétrica a diesel ou a carvão mineral, mas é mais alto do que uma hidrelétrica, que o uso da biomassa, da energia eólica ou da energia solar”.

De acordo com o documento, o índice de emissões de uma usina nuclear como Angra 3 seria cerca de cinco vezes mais alto do que a poluição atmosférica gerada pela energia solar e pela energia eólica. As emissões de uma usina hidrelétrica oscilariam entre 20 e 300 gramas de CO2 por quilowatt/hora, índice menor que o da geração de energia nuclear.

Já o maior nível de poluição é encontrado na usina térmica a carvão, de 800 a 1,3 mil gramas de gás carbônico pro quilowatt/hora. Rebeca Lerner revelou, ainda, que o índice de emissões de gases do efeito estufa de uma termelétrica a biomassa também é menor que o da usina nuclear e varia de 40 a 80 gramas de CO2 por quilowatt/hora.

De acordo com Rebeca Lerner, ao divulgar o documento, o Greenpeace deseja fomentar o debate. As últimas audiências públicas sobre Angra 3 foram realizadas pelo Ibama em junho, nos municípios de Angra dos Reis, Paraty e Rio Claro, na Costa Verde Fluminense.

O Greenpeace também insiste na importância de encontrar locais adequados para a destinação dos rejeitos radioativos que, segundo expôs Lerner, continuam sem solução pela Eletronuclear, estatal que opera as usinas nucleares no país. “Os rejeitos que já são gerados hoje pelas usinas de Angra 1 e 2 continuam sendo armazenados de forma provisória no próprio local das usinas. E com a construção de Angra 3, esse problema vai se agravar”. Rebeca Lerner afirmou que ainda não há encaminhamento para o licenciamento de um eventual depósito de lixo nuclear.

A ONG ambientalista questiona, na Justiça, a legalidade da usina e solicita a suspensão da resolução do CNPE - Conselho Nacional de Política Energética que autorizou a construção de Angra 3 em junho deste ano. (Agência Brasil)

Eletronuclear diz que há distorção em relatório sobre emissão de gás carbônico de Angra 3

O novo relatório Cortina de Fumaça: Emissões de CO2 e Outros Impactos da Energia Nuclear, divulgado nesta segunda-feira (26) pela organização ambientalista Greenpeace a respeito da usina de Angra 3, foi avaliado como uma “informação distorcida” pelo superintendente de Licenciamento e Meio Ambiente da Eletronuclear, Yukio Ogawa. A estatal é responsável pela construção e operação das usinas nucleares de Angra 1 e 2 no Brasil.

Ogawa avaliou que há distorção nos dados apresentados, porque “eles (o Greenpeace) estão contabilizando todo o ciclo do combustível”. Para Ogawa, o mais correto seria verificar a emissão de gás carbônico a partir do momento que a usina começasse a gerar energia. Em entrevista à Agência Brasil, o superintendente da Eletronuclear afirmou que “se a gente comparar isso com as outras fontes de geração, nós ainda temos alguma vantagem”.

De acordo com o relatório, a usina de Angra 3 seria capaz de gerar emissões de gás carbônico equivalentes a 150 gramas por quilowatt hora, alcançando o máximo de 400 gramas por quilowatt/hora.

Yukio Ogawa analisou que a divulgação do estudo do Greenpeace objetiva “reduzir a vantagem competitiva (da geração nuclear) no caso das emissões”. Segundo ele, em comparação com a matriz térmica, a emissão de gás carbônico no ciclo nuclear, “mesmo comparando o ciclo completo, é bem abaixo do carvão mineral e continua abaixo do gás”. No carvão mineral, por exemplo, as emissões oscilam de 800 a 1,3 mil gramas de gás carbônico por quilowatt/hora.

Segundo o superintendente, não há perspectiva de remanejamento de populações para a retomada da obra e tampouco de vegetação.

“(Não haverá) nenhum impacto, porque nós estamos utilizando o mesmo sítio de Angra 1 e 2. Ela está dentro do mesmo sítio de 3,5 quilômetros quadrados da área industrial. Toda a área já tinha sido escavada no passado. Então, nós não temos, efetivamente, nenhuma realocação de população nem remoção de vegetação”.

Nessa fase, não há impacto ambiental, assegurou Yukio Ogawa. Ele esclareceu que “a única interferência foi feita no passado, quando estava em vigência o Acordo Brasil/Alemanha”. O acordo de cooperação bilateral foi firmado em junho de 1975, durante o governo Ernesto Geisel, e visava à implantação da tecnologia nuclear no Brasil.

O processo de licenciamento prevê uma compensação para possível impacto ambiental na região. Ogawa esclareceu, entretanto, que pela legislação em vigor, não há uma definição clara sobre a forma de quantificar uma compensação ambiental.

Ele revelou que, para os empreendimentos de grande porte, tem sido aplicado o percentual de 0,5% do valor do empreendimento como compensação ambiental. No caso de Angra 3, cujos investimentos previstos são de aproximadamente R$ 7,2 bilhões, essa compensação seria de aproximadamente R$ 36 milhões. Esses recursos devem ser transferidos para o Ibama.

Outras compensações estão previstas no processo de mitigação dos efeitos das obras e ocorreriam por meio de políticas de responsabilidade social da Eletronuclear na região. Ogawa enfatizou que a retomada de Angra 3 faz parte da política energética do governo. E salientou que “não cabe a gente ficar discutindo sobre a política nuclear brasileira. Esse é um ponto fora de discussão”. (Agência Brasil)

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Venezuela admite produzir energia nuclear em 10 anos

A diplomacia venezuelana admite que o país poderá ter uma planta de energia nuclear nos próximos dez anos. Em declarações ao Estado, o diretor do Departamento de Assuntos Multilaterais da chancelaria da Venezuela, Ruben Dario Molina, confirmou que Caracas tem planos de desenvolver uma planta. Mas garante: "Será apenas para o uso pacífico de energia".

Na semana passada, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez afirmou que não descartava a opção nuclear para o país, durante sua visita a Moscou. "No futuro, Caracas também poderá seguir nesta direção (nuclear)", afirmou.

Segundo a diplomacia venezuelana, o plano não será implementando no curto prazo, mas de fato existe entre os formuladores da política energética do país a convicção da necessidade de se pensar na construção de uma planta nos próximos anos. A avaliação de Caracas é de que precisam diversificar suas fontes de energia, apesar de ter amplas reservas de petróleo e gás. A Venezuela está hoje entre os maiores fornecedores de petróleo aos Estados Unidos e, com os recursos gerados pela alta no preço do barril, está financiando não apenas suas despesas internas, como pagando por iniciativas em outros países. Só na África, os venezuelanos destinaram mais de US$ 16 milhões em projetos de cooperação.

Para garantir que isso seja uma opção real, a Venezuela não perde a oportunidade de assinar contratos de transferência de tecnologia com vários países. Mas em um deles - com o Irã - certas desconfianças foram criadas, inclusive dentro do Itamaraty.

O Estado obteve um telegrama interno da chancelaria em que ficava claro que a embaixada do Brasil em Teerã questionou os venezuelanos sobre a natureza dos acordos com o Irã.

Quanto ao projeto nuclear, Caracas acredita que pode já contar com uma usina em pleno funcionamento "bem antes" de 2020. Uma das vantagens, segundo a diplomacia venezuelana, é o fato de o país contar com reservas de urânio.

Dados oficiais do governo estimam que as reservas seriam de 50 mil toneladas. Caracas garante, porém, que atualmente não tem a capacidade de enriquecer o material.

Estadão Online

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Energia nuclear não alivia aquecimento

O mundo precisaria começar a construir usinas nucleares já, ao ritmo inédito de quatro por mês, para que a energia nuclear tivesse uma participação significativa no combate ao aquecimento global, disse na quarta-feira (27) o Grupo de Pesquisa de Oxford sobre o futuro desse tipo de energia.

Segundo os especialistas do grupo, além disso ser impossível, tem graves implicações para a segurança mundial, por causa da proliferação das armas nucleares. O estudo rebate o crescente movimento pelo investimento na energia nuclear como forma de energia "limpa." Hoje, a energia nuclear é responsável por cerca de 16% da demanda de eletricidade do mundo.

De acordo com o documento, para que a energia nuclear ajudasse significativamente a reduzir as emissões de carbono, ela teria de responder por um terço da demanda de eletricidade até 2075.

Para chegar a isso, de acordo com os autores, teriam de ser construídas quatro usinas nucleares ao mês pelos próximos 70 anos. "Um renascimento nuclear mundial está fora da capacidade da indústria nuclear, e sobrecarregaria a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica)", disse o texto.

"A menos que se demonstre com certeza que a energia nuclear pode fazer uma grande contribuição para a mitigação global do CO2, ela deve ser deixada de fora", afirmou o relatório.

Os defensores da energia nuclear dizem que ela emite muito pouco dióxido de carbono, o gás-estufa que está entre os responsáveis pelo aquecimento global. O levantamento afirmou que existem 429 reatores nucleares em operação, e 25 estão em construção.

Globo Online

terça-feira, 22 de maio de 2007

Angra 3 é desperdício de dinheiro, diz Greenpeace

É possível garantir mais crescimento econômico sem aumentar a produção de energia. Essa é a avaliação do diretor-executivo do Greenpeace internacional, Gerd Leipold. Na contramão do discurso econômico usual, Leipold afirma que o crescimento sustentável depende mais da eficiência energética e de fontes renováveis do que do aumento da oferta.

Ele citou como exemplo o Estado da Califórnia, nos EUA. Segundo Leipold, o consumo de energia lá não cresce há quase três décadas porque o Estado decidiu implementar medidas de regulamentação, que envolvem a participação do governo, das indústrias e dos consumidores.

Nos demais Estados americanos, o consumo cresceu de 30% a 50% no período.

Em visita ao Brasil, ele tem encontro marcado com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, para discutir mudanças climáticas, a situação da Amazônia e o papel de liderança que o país pode exercer em desenvolvimento sustentável.

Leipold criticou a discussão da retomada do programa brasileiro de energia nuclear. Segundo ele, construir Angra 3 é uma decisão errada e o Brasil tem condições de diversificar as fontes de energia com a aposta na energia solar e na energia eólica. Leipold afirmou que a tecnologia eólica --cujo custo é criticado-- já é competitiva hoje em dia.

"Existem muitas maneiras de desperdiçar dinheiro e a energia nuclear é uma das melhores. Se olharmos ao redor do mundo, o número de reatores está caindo. Nenhuma usina nuclear foi construída no mundo somente com financiamento privado nos últimos 20 anos", disse.

O Greenpeace critica ainda o planejamento energético brasileiro. A estimativa é que o percentual de energia gerado a partir de fontes renováveis caia de 85% para 50% nos próximos anos. Sobre o álcool, a organização afirma que é melhor do que o petróleo, mas que pode fazer aumentar o preço da comida.

O Greenpeace conta com 30 mil membros no Brasil e 2,8 milhões no mundo todo. É mantido com doações. Suas campanhas no Brasil se referem à preservação da floresta amazônica, a aspectos climáticos e energias renováveis e à agricultura sustentável.

Janaína Lage

da Folha de S.Paulo, no Rio

terça-feira, 8 de maio de 2007

Para ambientalista, energia nuclear é cara e deve ser descartada

A energia nuclear apresenta uma série de desvantagens: é a mais cara dentre todas as fontes de energia existentes e ao custo elevado se somam as questões da segurança, da viabilidade e da destinação dos resíduos.

O alerta é do coordenador da Campanha do Clima do Greenpeace do Brasil, Luís Piva, que acrescentou: "Ao mesmo tempo, os recursos potenciais de serem empregados na construção dessa tecnologia podem ser perfeitamente alocados em projetos de energia renováveis e de eficiência energética, onde se tem um rol de energia descentralizado e seguro”.

A energia nuclear foi apontada como uma opção para reduzir o impacto das mudanças climáticas no 4º relatório do Painel Governamental sobre Mudanças do Clima (IPCC) das Nações Unidas, divulgado na sexta-feira (4), ressalvando porém as questões de segurança e destinação do lixo radioativo.

Para concluir a construção da usina nuclear de Angra 3, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) estima que serão necessários mais US$ 1,8 bilhão. O custo total, incluindo a colocação da unidade em funcionamento, adaptação da malha para fazer chegar eletricidade à casa dos consumidores, entre outras operações, atingiria R$ 17 bilhões.

Na opinião do coordenador, esses recursos poderiam ser utilizados em outras fontes de geração de energia, como por exemplo um parque eólico (gerada por ventos) com o dobro da potência de Angra 3, cuja capacidade prevista é de 1.350 megawatts (MW).

Em relação ao lixo radioativo, Luís Piva afirmou que esse é um problema ainda sem solução. “E, por mais que o governo diga que não é um problema, uma vez que o armazenamento é apropriado, a gente acha que está totalmente errada essa posição. Se construírem outras usinas, haverá o acúmulo, a falta de local apropriado. Além disso, esse tipo de lixo permanece por muito tempo com um potencial muito alto de acidentes e de causar algo pior”, avaliou o ambientalista.

(Fonte: Alana Gandra / Agência Brasil)