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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Clima - Mudanças Climáticas e Desenvolvimento Sustentável

A CARE Brasil faz em setembro o lançamento da segunda fase do projeto Mudanças Climáticas e Desenvolvimento Sustentável na região do semiárido brasileiro, uma das áreas mais vulneráveis às mudanças climáticas no país. O projeto é fruto da parceria entre a CARE Brasil e a Fundação Demócrito Rocha (FDR).

Na primeira fase, de janeiro a maio deste ano, foram publicados três suplementos especiais sobre o tema, com foco nos impactos das mudanças climáticas no Nordeste do Brasil. Os suplementos foram distribuídos pelo jornal O Povo, do Estado do Ceará, com tiragem de 35 mil exemplares. As publicações em formato tablóide, com 12 páginas, acompanharam as edições dos dias 25, 26 e 27 de maio de 2010 do jornal.

Você pode ler os suplementos nos seguintes links: A Terra, O Homem e A Luta.

Ainda na primeira fase, foram realizadas oficinas para líderes comunitários, gestores públicos e estudantes em mais de 20 cidades em áreas rurais dos Estados do Ceará e Piauí com o objetivo de sensibilizar a população, fazer o diagnóstico dos impactos previstos e discutir medidas de adaptação às mudanças climáticas nesses territórios.

CURSO GRATUITO

A segunda fase do projeto foi lançada em agosto, com o anúncio do curso livre de ensino à distância “Mudanças Climáticas e Desenvolvimento Sustentável”. São 30 mil vagas oferecidas gratuitamente pela Universidade Aberta do Nordeste (UANE), com conteúdo em Português. Qualquer cidadão, residente em qualquer região do Brasil ou no exterior, independentemente do nível de escolaridade, nacionalidade, idade, sexo ou etnia, pode fazer sua inscrição no link: www.fdr.com.br/mudancasclimaticas.

No mesmo site, é possível acessar fascículos relacionados ao conteúdo do curso, que também estão sendo distribuídos, semanalmente, aos leitores do jornal O Povo. Serão 11 fascículos que trazem o conteúdo que será abordado nas aulas. No ambiente virtual, os alunos inscritos terão a oportunidade de interagir com os tutores para tirar dúvidas e esclarecer questões relacionadas à disciplina.

Além da distribuição dos fascículos, 10 vídeo-aulas e 10 rádio-aulas estão sendo produzidas para a TV O Povo e para a rádio O Povo/CBN, respectivamente, e o material será também distribuído a 80 mil professores de Ensino Fundamental da rede pública de ensino do Ceará, que serão convidados a fazer o curso.

SUPLEMENTOS SOBRE O SEMIÁRIDO

Ainda como parte da segunda fase do projeto Mudanças Climáticas e Desenvolvimento Sustentável, três suplementos sobre as regiões semiáridas do Nordeste do Brasil estão sendo distribuídos para os leitores do jornal O Povo e para a 10 mil escolas públicas do estado do Ceará.

Para acessar as versões online, veja no site www.care.org.br e busque pelos títulos a seguir:

- Os rumos do planeta – As mudanças climáticas desafiam o mundo a repensar estratégias para o desenvolvimento sustentável. Reduzir a vulnerabilidade e fortalecer a adaptação em regiões semiáridas atingidas por estas alterações do clima entram na pauta de discussão de pesquisadores e governantes.

- Há vida na Caatinga – A necessidade faz surgir no semiárido, especialmente no Ceará, projetos e articulações populares para reduzir a vulnerabilidade diante das mudanças climáticas.

- Por novas paisagens – Pesquisas e políticas públicas, aliadas à difusão das informações sobre o clima, permitem que experiências de agroecologia, educação ambiental e reflorestamento ganhem o semiárido.

O projeto Mudanças Climáticas e Desenvolvimento Sustentável é financiado pelo Governo do Estado do Ceará e pelo Departamento de Desenvolvimento Internacional do Reino Unido por meio de uma parceria entre a CARE Reino Unido e a CARE Brasil.

Fonte: www.care.org.br

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Objetivos de Desenvolvimento do Milênio - 4.º Relatório Nacional de Acompanhamento

  
O 4.º relatório dos ODM traz a 
avaliação de 18 metas monitoradas 
por 48 indicadores propostos 
pela ONU e 60 assumidos
voluntariamente pelo Brasil.

Baixe AQUI
  

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Reunião da ONU inicia negociação do substituto do Protocolo de Kyoto, avalia embaixador

A 14ª Conferência da Organização das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, a COP-14, que começou na segunda-feira (1°) em Póznan, na Polônia, será a transição entre a fase de debates e a efetiva negociação de textos para o substituto do Protocolo de Kyoto. A avaliação é do negociador-chefe da delegação brasileira na COP-14, embaixador Luiz Alberto Figueiredo.

Ao longo de 2008, Figueiredo comandou a negociação do chamado Mapa do Caminho, roteiro definido na última COP, em Bali, para guiar a elaboração de um novo acordo climático global.

“Os países atenderam ao chamado com idéias e propostas, discutidas intensamente em preparação para a negociação de textos. Póznan marca a mudança de marcha no carro: passamos de um momento de debate para a negociação”, disse em entrevista à Agência Brasil.

Um dos temas que mais avançaram, segundo Figueiredo, foi a discussão de estratégias de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD). O assunto interessa particularmente ao Brasil, onde o desmatamento é responsável por quase 75% das emissões nacionais de gases de efeito estufa.

“Há um consenso muito claro de que ações de redução de emissões por desmatamento devem ser apoiadas internacionalmente. A discussão agora será sobre quais meios irão financiar essas ações”, explicou. Na avaliação do embaixador, nesse contexto, o Fundo Amazônia, lançado em agosto pelo governo, deverá ganhar força em Póznan, mesmo diante da crise financeira internacional.

A expectativa do negociador-chefe da delegação brasileira é de que a crise não afete os esforços internacionais de enfrentamento às mudanças climáticas acordados até agora. “As medidas de combate à crise [econômica]podem se transformar numa grande oportunidade para também ajudar no combate à crise do clima. A crise é preocupante, mas há essa esperança de que ela possa ser uma oportunidade."

Sobre o estabelecimento de metas obrigatórias de redução de emissões de gases de efeito estufa para os países em desenvolvimento, entre eles o Brasil, o embaixador disse que o assunto “não está em negociação”.

“O que está sendo negociado para os países em desenvolvimento são ações de redução de emissões no âmbito de políticas de desenvolvimento sustentável, ações que sejam nacionalmente adequadas e que sejam apoiadas por financiamento e tecnologia dos países industrializados. Isso tudo feito de maneira mensurável”, afirmou.

A inclusão desse tipo de compromisso para os países pobres é uma das principais bandeiras das organizações não- governamentais e de ambientalistas.

A posição brasileira é baseada no chamado princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas. Ou seja, os países desenvolvidos, que historicamente contribuíram mais para as emissões de gases do efeito estufa, devem ter mais responsabilidade no enfrentamento das mudanças do clima. “Não é um princípio meramente político, é comprovado pela ciência. É a tradução jurídica de um conceito científico”, argumentou.

Fonte: Luana Lourenço/ Agência Brasil

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Florestas: Busca-se desenvolvimento sustentável

Por Carlos Marx Carneiro*

Roma, 29 de setembro (Terramérica) - A América Latina e o Caribe abrigam, em seus 924 milhões de hectares de florestas naturais, a maior parte da biodiversidade do planeta. Embora nos últimos anos tenham se reforçado as ações para preservá-las, este patrimônio continua ameaçado, principalmente pela ação humana. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), entre 2000 e 2005, o desmatamento anual foi de 4,7 milhões de hectares na região. Isso equivale a uma redução média de 0,5% ao ano da superfície total de florestas.

Essa tendência pode ter conseqüências graves. Segundo o Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre Mudança Climática (IPCC), a atividade florestal é responsável por 17,4% das emissões de gases causadores do efeito estufa, principalmente por incêndios florestais e outros processos de desmatamento. O setor florestal é um dos principais emissores de gases causadores do efeito estufa e também um dos maiores afetados pelo aquecimento global. Estima-se que a mudança climática poderá transformar em savanas regiões de florestas tropicais na Amazônia oriental e no México, e aumentar a freqüência dos incêndios florestais na América do Sul.

Esses são alguns dos efeitos previstos, que devem ser motivo de nossa atenção, preocupação e ação. As conseqüências da mudança climática já são visíveis e não temos outra opção a não ser nos movermos em busca de modelos de desenvolvimento sustentável. Já existe consenso sobre a necessidade de reduzir drasticamente o desmatamento, a degradação das florestas nos países em desenvolvimento e, por fim, as emissões de gases causadores do efeito estufa. O modo de fazê-lo é dar maior valor econômico ao setor florestal. Uma forma de obter isso é incentivar a conservação dos ecossistemas por meio do manejo florestal sustentável e do pagamento por serviços ambientais.

Nas últimas décadas, ganhamos muita experiência com o manejo florestal sustentável e multiplicaram-se iniciativas de pagamento por serviços ambientais, que podem ser copiadas. Entretanto, grande parte delas é de experiências ad-hoc e carecem de maior institucionalidade e planejamento. Para ter êxito, é preciso definir os mecanismos de compensação para os países que evitarem o desmatamento e a degradação de suas florestas, aspecto fundamental, já que o desmatamento costuma não ser a causa, mas o resultado da aplicação de outras políticas públicas setoriais.

A conclusão também aponta para a necessidade de reforçar a institucionalidade e o planejamento das atividades florestais e de articulá-las com outras políticas públicas, nos planos nacional e regional, além de trabalhar com o setor privado para atingir o desenvolvimento sustentável. Os esforços para mitigar os efeitos negativos da mudança climática recebem incentivos. O Protocolo de Kyoto inclui as atividades de reflorestamento entre as que podem se qualificar para o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, embora ainda sejam poucos os projetos aprovados nessa área. Nos mercados voluntários de carbono, a realidade é outra, já que os projetos florestais somaram 36%, a maior parte dos bônus de carbono vendidos.

Por outro lado, o segmento de plantio de florestas é um dos que mais crescem economicamente na América Latina e no Caribe, o que reforça a importância de uma ação que inclua os atores privados. Entre 2005 e 2007, as exportações de produtos florestais passaram de US$ 9,6 bilhões para US$ 19 bilhões, pelo crescente investimento estrangeiro, que aumentou de US$ 6,5 milhões anuais em 1994 para US$ 100 milhões em 2006. Vários países da América Latina e do Caribe já reforçaram sua atuação no combate à mudança climática, como Brasil, Chile, México e Costa Rica. Esta nação centro-americana adotou a meta de se converter em país neutro em emissões de carbono até 2021.

As ações nacionais são de suma importância e devem ser complementadas por políticas regionais e pela coordenação entre os países. Apoiar as nações para que consigam isso é um dos objetivos da Comissão Florestal para a América Latina e o Caribe, que realiza sua 25ª reunião entre 28 de setembro e 3 de outubro, em Quito, no Equador. Representantes de quase todos os governos da região, e mais de 20 organizações intergovernamentais e não-governamentais analisam a situação e as perspectivas do setor florestal, debatem propostas e buscam caminhos para o desenvolvimento sustentável.

* O autor é secretário da Comissão Florestal para a América Latina e o Caribe e oficial florestal principal da FAO para a América Latina e o Caribe.

Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.


(Terramérica)

quarta-feira, 14 de maio de 2008

De boas intenções, o PAS está cheio - conheça detalhes do pacotão

De boas intenções, o PAS está cheio - conheça detalhes do pacotão

Por Redação do Greenpeace

Brasília (DF), Brasil — Após 5 anos, pacotão do governo para a Amazônia promete ações sustentáveis e recursos. O problema é a postura do próprio governo.

Em uma solenidade bastante confusa, o governo federal lançou quinta-feira, em Brasília, o Plano Amazônia Sustentável (PAS), que vem sendo discutido e preparado desde 2003, e a Operação Arco Verde, um conjunto de medidas para controlar e combater o desmatamento, focado nos 36 municípios campeões do desmatamento na região. Mais com características de uma carta de boas intenções do que um programa oficial que define claramente metas, cronograma e origem dos recursos, os pacotes anunciados pelo presidente Lula batem de frente com a postura deste mesmo governo que, em recentes ações, tem fortalecido e descriminalizado grileiros e outros destruidores da floresta.

Ao término da solenidade, que contou com a participação de governadores da Amazônia, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, questionada sobre ações concretas e novas medidas para a Amazônia, afirmou que a linha de crédito liberada chega a R$ 1 bilhão. No entanto, não houve nenhum esclarecimento sobre a origem, as aplicações ou os prazos para o investimento desse recurso.

Uma importante iniciativa proposta é o financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para os governos estaduais no valor de R$ 500 milhões de reais para os próximos três anos. Este montante será destinado, especificamente, para ações de licenciamento ambiental, zoneamento ecológico e econômico (ZEE) e gestão territorial (cadastro e regularização fundiária).

Outra importante medida será a criação de uma linha de crédito com condições especiais como, por exemplo, taxa de juros (4% ao ano) e carência de 12 anos e a possibilidade de penhorar a floresta, para a recuperação de espécies nativas das áreas de reserva legal desmatadas em propriedades rurais.

Além disso, incentivos na ordem de R$ 24 milhões nos próximos três anos serão investidos para estimular o aumento da produtividade nas áreas já abertas na Amazônia. A iniciativa estará a cargo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), através de 36 Unidades de Referência Tecnológica. O governo também vai disponibilizar cerca de R$ 200 milhões extras para o monitoramento dos desmatamentos nos assentamentos rurais neste mesmo período.

O Greenpeace reconhece que o PAS traz medidas interessantes para conter a destruição da Amazônia por disponibilizar recursos financeiros para atividades que estimulam a manutenção da floresta. Segundo o relatório O Leão Acordou, que faz uma análise do plano governamental de combate ao desmatamento, o pior desempenho foi observado exatamente nas ações de fomento às atividades sustentáveis, que deveriam consolidar um modelo de desenvolvimento não predatório e adaptado à realidade da região. Entre 2003 e 2007, o governo só conseguiu cumprir 31% das ações previstas no Plano de Ação para o Controle e Prevenção do Desmatamento na Amazônia Legal.

“No entanto, o esforço anunciado para mudar a realidade da Amazônia só será efetivo se este mesmo governo derrubar a Medida Provisória que instituiu o chamado Plano de Aceleração da Grilagem (PAG), que legaliza as áreas públicas invadidas na região, e vetar o Projeto de Lei (PL) 6424/05, de autoria do senador Flexa Ribeiro, que pretende reduzir a área de reserva legal florestal da Amazônia de 80% para 50%, considerado um verdadeiro ‘Estatuto do Desmatamento’”, declara Marcelo Marquesini, da campanha da Amazônia do Greenpeace. “Existe uma dualidade neste governo, que ora apóia o desmatamento ora o combate. Esperamos que as recentes declarações do presidente Lula de que o Brasil não precisa mais desmatar para aumentar a produção de alimentos ou agrocombustíveis prevaleçam sobre as pressões de setores governamentais de flexibilizar a proteção das florestas brasileiras”.

Na solenidade, em um discurso inflamado, o presidente Lula afirmou que “falta assumir a Amazônia dentro do nosso discurso”. “Na realidade, o que falta ao governo é sair do discurso e colocar em prática ações efetivas para zerar o desmatamento e proteger a Amazônia”, afirma Marquesini.


Crédito da imagem: Greenpeace / Rodrigo Baleia


(Envolverde/Greenpeace)

Governo federal lança Plano Amazônia Sustentável

Governo federal lança Plano Amazônia Sustentável

Por Daniela Mendes, do MMA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou, nesta quinta-feira (8), no Palácio do Planalto, o Plano Amazônia Sustentável (PAS). Uma política inovadora de desenvolvimento regional baseada no uso sustentável dos recursos naturais com estratégias voltadas para a geração de emprego e renda e redução das desigualdades sociais. Na solenidade, o presidente também assinou decreto criando três novas unidades de conservação no bioma Amazônia e foi anunciada a Operação Arco Verde que complementa o PAS e, entre outras ações, cria linha de crédito para recuperação da área de reserva legal com espécies nativas.

A cerimônia teve a presença das ministras Marina Silva, do Meio Ambiente, e Dilma Rousseff, da Casa Civil; do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima; além dos governadores dos estados da Amazônia Legal, com exceção do de Roraima, e autoridades do Legislativo, do Judiciário, representantes de movimentos sociais, da academia e do setor empresarial.

Em seu discurso, Lula lembrou a importância de se valorizar os conhecimentos tradicionais e de se produzir cuidando do meio ambiente. "Essa é uma vantagem competitiva para os que querem vender seus produtos", disse. O PAS terá o ministro Mangabeira Unger como coordenador do Conselho Gestor, informou o presidente.

Para a ministra, o PAS marca o início de uma nova narrativa para a economia na Amazônia. "Nós não queremos propaganda da Amazônia. Nós queremos uma nova narrativa. As pessoas hão de preferir nossos produtos porque a nossa madeira é sustentável, o grão que produzimos é sustentável, a carne que produzimos e o padrão civilizatório que nós temos para a Amazônia são sustentáveis. Por isso é que nós vamos ser os preferidos", acredita Marina Silva.

Operação Arco Verde - Tem por objetivo atender demandas sociais emergenciais nos municípios da região sob intenso controle ambiental, além de promover a transição das atividades agropecuárias e florestais para a legalidade e sustentabilidade, com foco nos 36 municípios considerados críticos na Amazônia, segundo decreto presidencial de dezembro de 2007.

Entre as ações previstas na Operação, destaca-se a criação de uma linha de crédito com enfoque na recuperação ambiental de imóveis rurais, com condições especiais de crédito para recuperação da área de reserva legal com espécies nativas. A linha terá prazo de carência de até 12 anos, e prazo total de pagamento de até 20 anos. A taxa de juros passa para 4% para projetos florestais (reflorestamento e manejo) no âmbito dos fundos constitucionais. Outra novidade, que será válida para todo o País, é a permissão de se utilizar a floresta como garantia de crédito.

A ministra explicou que o PAS vem sendo implementado com um conjunto de medidas já em curso e outras ações serão aprofundadas pela Operação Arco Verde. A operação está dividida em quatro grandes ações: as emergenciais, as de fomento às atividades sustentáveis, as de ordenamento fundiário e territorial e as de governança ambiental. Entre as ações emergenciais estão o atendimento agilizado do seguro-desemprego, a oferta de cestas de alimentos para 40 mil famílias e a contratação e capacitação de cerca de 2.500 agentes de defesa ambiental para prevenção e combate a incêndios florestais.

Nas ações de fomento, haverá apoio à comercialização de produtos do extrativismo com a inclusão desses produtos na Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) do governo federal, permitindo a equalização dos preços dos produtos extrativistas e a realização de leilões específicos para o seu escoamento.

Também está entre as principais medidas da operação a difusão de tecnologias para o aumento da produção de alimentos por meio do incremento da produtividade em áreas abertas. Com essa medida o governo espera implantar 36 Unidades de Referência Tecnológica, treinar mais de 4 mil profissionais de assistência técnica e atender, numa fase inicial, 100 mil produtores rurais. Outro ponto definido nas ações de fomento é o desenvolvimento de estudos sobre indicadores de monitoramento e políticas públicas associadas aos desmatamentos na região.

Em relação ao ordenamento territorial e fundiário, a operação Arco Verde estabelece como uma de suas prioridades o georreferenciamento da ocupação nos 36 municípios prioritários, em parceria com estados e municípios, para viabilizar o mapeamento das propriedades e posses rurais e criar condições para a confecção do Cadastro Ambiental Rural, que será necessário para o produtor receber acesso ao crédito, fomento e assistência técnica. A operação também prevê apoio à elaboração do Plano de Desenvolvimento Local e Zoneamento Ambiental, além de ações de educação ambiental nos 36 municípios prioritários.

Na linha da governança ambiental, está prevista a inclusão dos órgãos estaduais de meio ambiente no Programa Nacional de Apoio à Modernização da gestão e do Planejamento dos Estados e do Distrito Federal, além da liberação de uma linha de crédito do BNDES para investimentos em melhorias do processo de licenciamento, gestão territorial, elaboração e implementação do zoneamento.

No evento, a ministra Marina Silva assinou ainda um Protocolo de Intenções com os governadores dos estados de Rondônia, Ivo Cassol; do Amazonas, Eduardo Braga; e do Pará, Ana Júlia Carepa, para elaboração e implementação do Plano Estadual de Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas.

Outro documento foi assinado pelo presidente Lula, em conjunto com governadores de oito estados amazônicos, onde foram estabelecidos 16 compromissos pela Amazônia. São eles:

1. Promover o desenvolvimento sustentável com valorização da diversidade sociocultural e ecológica e redução das desigualdades regionais;

2. Ampliar a presença democrática do Estado, com integração das ações dos três níveis de governo, da sociedade civil e dos setores empresariais;

3. Fortalecer os fóruns de diálogo intergovernamentais e esferas de governos estaduais para contribuir para uma maior integração regional, criando o Fórum dos Governadores da Amazônia Legal;

4. Garantir a soberania nacional, a integridade territorial e os interesses nacionais;

5. Fortalecer a integração do Brasil com os países sul-americanos amazônicos, fortalecendo a OTCA e o Foro Consultivo de Municípios, Estados, Províncias e Departamentos do Mercosul;

6. Combater o desmatamento ilegal, garantir a conservação da biodiversidade, dos recursos hídricos e mitigar as mudanças climáticas;

7. Promover a recuperação das áreas já desmatadas, com aumento da produtividade e recuperação florestal;

8. Implementar o Zoneamento Ecológico-Econômico e acelerar a regularização fundiária;

9. Assegurar os direitos territoriais dos povos indígenas e das comunidades tradicionais e promover a eqüidade social, considerando gênero, geração, raça, classe social e etnia;

10. Aprimorar e ampliar o crédito e o apoio para atividades e cadeias produtivas sustentáveis;

11. Incentivar e apoiar a pesquisa científica e a inovação tecnológica;

12. Reestruturar, ampliar e modernizar o sistema multimodal de transportes, o sistema de comunicação e a estrutura de abastecimento;

13. Promover a utilização sustentável das potencialidades energéticas e a expansão da infra-estrutura de transmissão e distribuição com ênfase em energias alternativas limpas e garantindo o acesso das populações locais;

14. Assegurar que as obras de infra-estrutura provoquem impactos socioambientais mínimos e promovam a melhoria das condições de governabilidade e da qualidade de vida das populações humanas nas respectivas áreas de influência;

15. Melhorar a qualidade e ampliar o acesso aos serviços públicos nas áreas urbanas e rurais;

16. Garantir políticas públicas de suporte ao desenvolvimento rural com enfoque nas dimensões da sustentabilidade econômica, social, política, cultural, ambiental e territorial.

Histórico do PAS - A proposta do PAS surgiu em 9 de maio de 2003, em Rio Branco (AC), em reunião do presidente Lula com os governadores dos estados da Região Norte, quando foi aprovado o documento Amazônia Sustentável. Em 2007 foram realizadas consultas públicas nas capitais dos nove estados da Amazônia Legal: Cuiabá (MT), Belém (PA), Macapá (AP), Porto Velho (RO), Boa Vista (RR), Palmas (TO), São Luís (MA), Manaus (AM), Rio Branco (AC). Cerca de 3 mil pessoas participaram representando organizações de empresários, de movimentos sociais, universidades, governos municipais e estaduais, além de técnicos do governo federal. Também em 2007, o Plano foi debatido em seminários preparatórios e no I Simpósio Amazônia e Desenvolvimento Nacional, coordenado pela Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional da Câmara dos Deputados com a participação de 2 mil representantes de diversas organizações.

Ao longo do processo de construção e pactuação em torno do PAS, suas diretrizes estratégicas já nortearam a implementação e execução de políticas públicas na região. No âmbito do Ministério do Meio Ambiente e instituições vinculadas, pode-se mencionar, dentre os principais desdobramentos do PAS: i) ações contidas no Plano BR-163 Sustentável, com destaque para a criação do Distrito Florestal Sustentável da BR-163; ii) as operações conjuntas, entre o Ibama, a Polícia Federal e o Exército, de combate aos desmatamentos ilegais e à grilagem de terras públicas na Amazônia, desenvolvidas no âmbito do Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento da Amazônia Legal PPCDAM, iii) a elaboração do Plano de Desenvolvimento Territorial Sustentável para o Arquipélago do Marajó; iv) inúmeras ações que integram o recém-lançado programa Territórios da Cidadania.

(Envolverde/MMA)

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

País árabe anuncia construção de 'cidade sustentável'

O governo de Abu Dhabi, um dos emirados que integram os Emirados Árabes Unidos, anunciou ter começado a construir o que diz que será a primeira cidade verdadeiramente "verde" do mundo, com emissão zero de carbono, sem carros e sem produção de dejetos.

A Cidade de Masdar deverá custar US$ 22 bilhões e está sendo erguida na periferia da cidade de Abu Dhabi, que é a capital do país no Golfo Pérsico.

A energia usada em Masdar vai ser produzida por painéis solares, e os residentes vão usar como meio de transporte vagões sem condutores que vão circular em trilhos magnéticos.

A previsão é de que a nova cidade fique pronta em oito anos e seja o lar de cerca de 50 mil pessoas.

Críticas - A arquitetura das construções vai ser inspirada na arquitetura tradicional dos países do Golfo a fim de minimizar o gasto de energia. Assim, em vez de ar condicionado, as construções vão ter torres para coleta e resfriamento do vento.

A água será produzida em uma usina de dessanilização a energia solar. Como a água será inteiramente reaproveitada, os engenheiros acreditam que o consumo de água na cidade vai ser 50% menor do que a média nacional nos Emirados Árabes.

Apesar das vantagens ao Meio Ambiente, o projeto da Cidade de Masdar, que tem o apoio da ONG WWF, já está sendo alvo de críticas.

Abu Dhabi é uma das cidades líderes do mundo em termos de emissões de carbono per capita, e os céticos dizem que o novo empreendimento não irá mudar essa realidade.

Outros temem que Masdar se transforme em apenas mais um grande empreendimento de luxo para os milionários do Emirado. (Globo Online)

Índia dá início a cúpula sobre desenvolvimento sustentável

O primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, inaugurou nesta quinta-feira (7) a Cúpula sobre Desenvolvimento Sustentável de Nova Délhi. Trata-se do primeiro grande encontro internacional sobre o assunto desde a Conferência da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre Mudança Climática, realizada em Bali, na Indonésia, em dezembro.

"A mudança climática é uma grande preocupação e a Índia estará na primeira linha de batalha", disse Singh, que afirmou que o aquecimento global representa uma "crise humana coletiva" que exige como resposta o "aumento da solidariedade".

Viajaram a Nova Délhi os presidentes da Islândia e Maldivas, os primeiros-ministros da Dinamarca, Noruega e Finlândia, quatro ex-chefes de Estado e de governo e dez ministros.

O encontro, realizado anualmente, servirá para que os representantes políticos discutam os riscos das emissões de poluentes, o aumento do nível do mar e os efeitos da mudança climática.

Durante a Conferência de Bali, os países chegaram a um consenso que abre caminho para negociar um novo acordo sobre mudança climática, mais ambicioso, para o período pós-Kyoto.

Com uma duração de três dias, a conferência é organizada pelo Instituto de Energia e Recursos, dirigido por Rajendra Pachauri, que também lidera o IPCC (Painel Intergovernamental para a Mudança Climática).

"A mudança climática ocorre porque o mundo não segue um desenvolvimento sustentável. Necessitamos de uma política mundial", disse Pachauri, na inauguração do evento. (Folha Online)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Tecnologias apropriadas, gestão de tecnologias e o desenvolvimento sustentável

Maurício Novaes Souza (*)

Analisando o comportamento da humanidade ao longo de sua história, observam-se um enorme fascínio pelo uso de novas tecnologias, associadas ao desenvolvimento de novos produtos e/ou processos de produção. Porém, apesar de significativas vantagens proporcionadas com essas inovações, servindo de auxílio para a solução de grandes problemas, questiona-se a sua efetividade, com inúmeras dúvidas, tais como:

· Tem havido melhoria na qualidade de vida?;
· Até onde ir com a modernização dos padrões tecnológicos?;
· Algumas tecnologias contribuem efetiva e decisivamente para o aumento do bem-estar dos indivíduos e o aprimoramento dos sistemas sociais?;
· Estariam as inovações levando apenas à degradação progressiva da qualidade da vida humana?;
· Qual têm sido a participação e o grau de envolvimento dos centros de pesquisa e universidades públicas nessas questões?

Estas perguntas devem ser profundamente analisadas quando o objetivo é o desenvolvimento sustentável, e as suas respostas devem estar apoiadas no campo ético-moral.

A ciência moderna modificou a natureza dos objetos técnicos porque os transformou em objetos tecnológicos, isto é, em ciência materializada, de tal maneira que a teoria cria objetos técnicos e estes agem sobre os conhecimentos teóricos. A ciência contemporânea foi além ao transformar os objetos em autômatos, capazes de intervir não só sobre teorias e práticas, mas sobre a organização social e política.

Dessa forma, a ciência e a técnica contemporâneas se tornaram forças produtivas e trouxeram um crescimento brutal do poderio humano sobre a realidade total, a qual é construída pelos próprios homens. As tecnologias desenvolvidas revelam a capacidade humana para um controle total sobre a natureza, a sociedade e a cultura. Controle que, não sendo puramente intelectual, mas determinado pelos poderes econômicos e políticos, pode ameaçar todo o planeta.

Na busca para o desenvolvimento sustentável, não podem ser considerados apenas fatores como a eficiência para afirmar que uma determinada tecnologia é apropriada para a manutenção, elevação ou degradação da qualidade de um determinado sistema social, sendo necessário a definição do grupo de critérios a serem utilizados para a determinação se uma tecnologia é apropriada ou não.

Questões como o consumo de energia na produção, geração de resíduos e o tempo para a degradação natural de um produto, devem ser considerados no desenvolvimento das novas tecnologias, que deverão possuir os atributos e critérios das tecnologias apropriadas.

Atributos e critérios das tecnologias apropriadas

O conceito de desenvolvimento sustentável, que é condicionado a posturas ética-morais e sustentado por uma efetiva eqüidade social, tem criado uma série de tecnologias alternativas ou intermediárias, onde recentemente várias linhas de pesquisa têm sido desenvolvidas. Três ênfases básicas podem ser identificadas no desenvolvimento do conceito de tecnologia apropriada:

· a preocupação com o significado sócio-político das tecnologias;
· com o seu tamanho, nível de modernidade e sofisticação; e
· com o impacto ambiental causado por elas.

Os atributos e critérios das tecnologias para se atingir o desenvolvimento sustentável são aqueles que garantem:

· a manutenção em longo prazo dos recursos naturais e da produtividade agropecuária e florestal;
· mínimo de impactos adversos aos produtores;
· retorno adequado aos produtores;
· otimização da produção com o mínimo de insumos externos, reduzindo os riscos de poluição e aumento da entropia no sistema;
· satisfação das necessidades sociais das famílias e das comunidades rurais; e
· satisfação das necessidades humanas de alimentos e renda.

Baseado nesses princípios e condições, considerando a cultura e desejo pessoal dos produtores e das comunidades, devem sair as linhas de pesquisa que definirão as tecnologias apropriadas.

Importantes pesquisadores já propuseram um grupo de critérios para analisar de maneira multidimensional as tecnologias:

· Eficiência econômica;
· Escala de funcionamento;
· Grau de simplicidade;
· Densidade de capital e trabalho;
· Nível de agressividade ambiental;
· Demanda de recursos finitos; e
· Grau de autoctonia e auto-sustentação.

Todos os conceitos - educacionais, liberdades individuais e coletivas, etc. - devem estar articulados com os conceitos de sustentabilidade dos recursos naturais, porém embasados sob uma nova ética, a qual, a par de novas tecnologias, produzirão avanços consistentes e consolidados na gestão dos recursos naturais e no enfrentamento da escassez atual e futura.

Gestão da tecnologia

Os avanços científicos e tecnológicos voltados para o setor produtivo deverão permitir a implantação de indústrias limpas, que estão na base de um crescimento econômico mais equilibrado e integrado como o meio ambiente. Para isso deve haver uma visão equilibrada e integrada do meio ambiente, sistêmica, que favoreçam a própria gestão da tecnologia.

Dessa forma, os usos de tecnologias apropriados oferecerão oportunidades de otimizações regionais, absorvendo a tradição cultural do meio onde estão inseridas, oferecendo uma base empírica para a compreensão dos problemas locais e favorecendo o surgimento de empreendimentos. No meio urbano, a produção mais limpa é uma solução; na área rural, os modelos de produção agroecológicos podem ser considerados fortemente inseridos nessas propostas.

Antes de avançarmos no tema Recuperação Ambiental, tão discutido nos tempos recentes, é necessário conhecer um pouco mais sobre Impactos Ambientais e a importância de sua prévia avaliação na fase de planejamento de uma determinada atividade a ser implantada.

Facilitará de maneira decisiva a implementação e monitoramento dos Sistemas de Gestão Ambiental, garantindo a sustentabilidade da atividade, evitando o surgimento de áreas degradadas e a necessidade de recuperá-las: procedimentos geralmente onerosos, e de difícil implementação.

* Engenheiro agrônomo, mestre em Recuperação de Áreas Degradadas e Gestão Ambiental e doutorando em Engenharia de Água e Solo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Professor do CEFET - Rio Pomba, coordenador dos cursos Técnico em Meio Ambiente e Pós-graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável.
mauriciosnovaes@yahoo.com.br.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Declaração do Panamá encerra fórum de Desenvolvimento Sustentável

A Declaração do Panamá, que identifica as principais ameaças à biodiversidade, encerou na quinta-feira (22) o V Encontro Ibero-americano de Desenvolvimento Sustentável (EIMA 5), do qual participaram 50 especialistas de 22 países.

O encontro foi organizado pela Fundação Conama, da Espanha, e pelo Centro Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (Cides). OS debatedores denunciaram a superexploração dos recursos, a perda de habitats, o transporte de espécies invasoras, a poluição e a mudança climática como as grandes agressões ao meio ambiente.

Também apontaram ameaças indiretas, como a pobreza, as desigualdades econômicas e os modelos comerciais insustentáveis, como responsáveis pela deterioração do ambiente.

O fórum convidou os países participantes a se comprometerem com a criação de um novo esquema de cooperação para o desenvolvimento sustentável. O modelo uniria parceiros produtivos e comerciais que compartilhem responsabilidades e interesses.

A sessão final discutiu projetos de biocombustíveis e o seu risco para a produção de alimentos, assim como o modelo de cidade atual, que desgasta os recursos naturais. (Yahoo Brasil)

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável

Maurício Novaes Souza (*)

A evolução natural das condições ambientais por um período prolongado de tempo proporcionou a evolução natural das espécies, permitindo o surgimento dos seres humanos. Nesse mesmo período, houve um grande número de espécies extintas pelo fato do ambiente ter-se modificado para condições adversas a estas. Por esse motivo, ao recriar-se um novo ambiente, pode ser gerado, paralelamente, uma série de efeitos colaterais, que poderão facilitar, dificultar ou mesmo impedir o desenvolvimento e a qualidade de vida da humanidade, à medida que alteram os ecossistemas.

Em 1992, durante as reuniões preparatórias para a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD), a ECO 92, realizada no Rio de Janeiro, ocorreram intensas discussões sobre as atividades e mecanismos econômicos especialmente capazes de produzirem impactos ambientais e destruírem os recursos naturais. O documento denominado Agenda 21 é resultante dessas discussões, contendo inúmeras recomendações: inclusive aquelas que enfatizam a importância dos governos e organismos financeiros internacionais priorizarem políticas econômicas para estimular a sustentabilidade por meio da taxação do uso indiscriminado dos recursos naturais, da poluição e despejo de resíduos, da eliminação de subsídios que favoreçam a degradação ambiental e da contabilização de custos ambientais e de saúde.

Pode-se afirmar que a idéia de objetivar o desenvolvimento sustentável revela, inicialmente, a crescente insatisfação com a situação criada e imposta pelos modelos vigentes de desenvolvimento e de produção das atividades humanas. Resulta de emergentes pressões sociais pelo estabelecimento de uma maior eqüidade social. Na elaboração da Agenda 21 Brasileira, foi considerada fundamental que se promova à substituição progressiva dos sistemas simplificados convencionais, por sistemas diversificados que integrem os sistemas produtivos aos ecossistemas naturais.

Contudo, percebe-se que as propriedades rurais, a indústria, o comércio e as diversas comunidades, não estão aproveitando efetivamente os seus recursos. Estes incluem seu potencial de transformação dos produtos agropecuários, da matéria-prima florestal e agroflorestal, e da administração de seus resíduos gerados durante os processos produtivos, urbanos e rurais, em produtos de maior valor agregado.

Dessa forma, a tão discutida retomada do crescimento, intensamente discutida nos dias atuais, não é suficiente para a solução dos diversos problemas e não é a melhor alternativa para se chegar ao desenvolvimento sustentável. É necessário que haja, paralelamente à transformação da estrutura produtiva que garanta a recuperação do dinamismo econômico, políticas que promovam uma maior eqüidade social. Os critérios de eficiência econômica, orientados apenas pelas forças de mercado não são suficientes para reduzirem as desigualdades sociais e regionais, típicas no Brasil, e ao uso racional dos recursos naturais.

Como aconteceu na década de 1970, o então Ministro da Fazenda do governo militar Delfim Neto dizia que era preciso fazer o bolo crescer para depois dividi-lo. Nesse período os trabalhadores brasileiros foram convocados a um esforço coletivo, que deu origem ao crescimento econômico e tecnológico que fez do Brasil a oitava maior economia do mundo. O país cresceu e acumulou riquezas, contudo, em ritmo ainda mais acelerado, multiplicaram-se as desigualdades sociais e o empobrecimento dos trabalhadores, particularmente da classe média, que ainda se encontram à espera de sua fatia do bolo. Nesse período, os problemas ambientais se agigantaram.

Essa promessa, que chegou a ser esquecida pela maior parte dos trabalhadores brasileiros da época e é desconhecida dos mais jovens, até mesmo dos estudantes universitários e daqueles do ensino tecnológico, foi retomada em janeiro desse ano pelo presidente Lula por meio Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Atitude traduzida na oferta de R$ 503 bilhões a serem investidos ao longo dos próximos quatro anos para vencer desigualdades ao gerar ambientes favoráveis ao surgimento e desenvolvimento de negócios que irão gerar emprego e renda ao recolocar o país no caminho do crescimento.

Durante o primeiro debate público do PAC apresentado logo depois de seu lançamento pelo senador Tião Viana, o deputado federal Nilson Mourão, um dos maiores entusiastas do programa, fez questão de ressaltar: “esse plano não realizará milagres, mas será executado com realismo e seu sucesso dependerá do comprometimento e empenho dos setores público e privado e de cada um dos brasileiros trabalhando para construir o desenvolvimento econômico sustentável com justiça social”.

Ele fez questão de destacar que o PAC está sendo posto em debate porque não é uma proposta pronta e acabada que estaria sendo imposta pelo governo central, mas exposta como uma determinação que será aplicada na esfera governamental e que se espera seja abraçada pelos demais setores da sociedade. Segundo ele, “o programa está aberto a propostas e sugestões a serem feitos por políticos, empresas, igrejas, a comunidade, enfim, todos que estejam dispostos a nos ajudar a tirar os entraves que estão atrapalhando o desenvolvimento sustentável do Brasil e dos brasileiros”. Comenta ainda, “inclusive, estamos abertos às críticas, desde que elas venham acompanhadas de propostas de solução dos problemas. Não aceitaremos críticas vazias porque quem é responsável sabe que isso não é bom para o país”.

Contudo, o que se percebe, é que apesar de terem ocorrido no Brasil alterações significativas no tratamento das questões ambientais, do ponto de vista político, legal e institucional, o mesmo não pode ser dito do ponto de vista econômico, financeiro, científico e tecnológico, cujas questões estruturais impedem a plena concretização de soluções de curto prazo. Isso porque, procedimentos como aqueles de recuperação ambiental, fundamentais para se garantir a sustentabilidade, exigem também, que sejam revistos os conceitos sócio-econômicos, necessitando, portanto, alterações das políticas públicas.

O fato é que estamos chegando ao final de 2007, e muito pouco tem sido verificado de efetivo relacionado à educação, à extensão, às questões ambientais, entre outros, quando se deseja a sustentabilidade em sua forma plena. A educação ainda não vem recebendo os estímulos que se fazem necessários. Nos interiores do Brasil os organismos de extensão rural ainda são por demais precários e ineficientes: em quantidade e qualidade.

O que se tem verificado é a expansão de áreas desmatadas em todo o nosso País, o aumento de áreas de pastagens degradadas, o crescimento de áreas contaminadas por agroquímicos, a ausência de saneamento básico, entre outros. Na verdade, são os seguintes principais procedimentos necessários para atingir o desenvolvimento sustentável:

• Formação de recursos humanos, em todos os níveis, de onde deverão resultar a universalização do acesso à educação básica e à conscientização da população com respeito aos problemas ambientais;
• Políticas públicas que tenham como prioridade a área social voltada para os recursos humanos, sendo necessário ampliar e intensificar a formação de educadores e profissionais dos mais diversos ramos da ciência;
• Organização e administração dos processos de trabalho nos diversos setores, que deverá contar com a participação dos produtores em decisões que afetem seus destinos;
• Desenvolver políticas específicas em função das peculiaridades regionais e a promoção prioritária de atividades geradoras de empregos, capazes de assimilar e incorporar tecnologias que maximizem o aproveitamento de recursos energéticos locais;
• Estimular cursos de formação, reciclagem e pós-graduação dirigidos aos atores que atuam na área ambiental;
• Promover treinamentos intensivos em gestão de recursos e impactos ambientais, nas empresas privadas e nas instituições públicas;
• Colocar em prática uma nova gestão ambiental, na qual o Estado deve repartir responsabilidades com o setor privado, ONGs e com a sociedade em geral, tanto por questões financeiras, como democráticas, por meio de uma visão abrangente, considerando as questões ambientais e as de desenvolvimento sócio-econômico;
• Intensificar a formação de uma nova geração de profissionais do ensino tecnológico para atuarem diretamente com os produtores / industriais, rurais e urbanos, tendo por base os princípios do desenvolvimento sustentável; e
• Criar sistemas tecnológicos fechados, ou seja, com o mínimo de dependência dos recursos naturais.

Caso tais medidas fossem adotadas, o uso intensivo dos fatores de produção induziria a reprodução de um modelo que garantiria a sua sustentabilidade. Então, é necessária que as políticas sociais trouxessem propostas além da redução da pobreza, como a reforma das organizações e dos programas da área social voltado no longo prazo. Por esse motivo, faz-se necessário as seguintes mudanças nos modelos vigentes de produção e gestão: a) inicialmente, a recuperação ambiental fundamentada em princípios éticos, ou seja, onde exista a real preocupação com o meio ambiente, dentro das propostas do desenvolvimento sustentável; b) a elaboração de tecnologias apropriadas que poupem e conservem os recursos naturais; c) maior rigor na concessão do licenciamento ambiental, condicionando-o à adoção de sistemas de gestão ambiental; d) efetividade no monitoramento e na fiscalização pelos órgãos responsáveis, com a participação de toda a sociedade, politizada e ambientalmente educada, que resultem em punição efetiva aos infratores; e e) políticas públicas voltadas nessa direção e com a necessária determinação exigida nesse momento.

Há de se considerar que a finalidade do desenvolvimento sustentável deverá ter como prioridade as questões sociais que se baseiem em princípios éticos e solidários. Dessa forma, poderá haver uma melhor distribuição dos benefícios do desenvolvimento, reduzindo os casos de pobreza extrema e de iniqüidade sócio-econômica, característicos da sociedade brasileira.

Somente quando esses conceitos estiverem em plena sincronia com os condicionantes ecológicos e com as garantias de viabilidade econômica, será possível construir um projeto voltado às presentes e às futuras gerações, tendo por base os aspectos sociais, ambientais e econômicos, todos fundamentais quando o objetivo é o desenvolvimento sustentável.

* Engenheiro Agrônomo, mestre em Recuperação de Áreas Degradadas e Gestão Ambiental e doutorando em Engenharia de Água e Solo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). É professor do CEFET - Rio Pomba, coordenador dos cursos Técnico em Meio Ambiente e Pós-graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável.
mauriciosnovaes@yahoo.com.br.