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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

2010 já empata com 98 como o ano mais quente da história

Passados oito meses, 2010 corre cabeça a cabeça com 1998 pelo título de ano mais quente já registrado.

A cobertura de gelo do Ártico parece ter atingido seu nível mínimo para este ano

A temperatura média do planeta para o período janeiro-agosto ficou em 14,7º C, empatado com o mesmo período de 1998, informa a Administração Nacional de Atmosfera e Oceano (NOAA) dos Estados Unidos. Os dados da NOAA indicam ainda que agosto foi o terceiro mais quente já registrado, com temperatura média global de 16,2º C.

Em relatório separado, o Centro Nacional de dados de gelo e Neve dos EUA informa que a cobertura de gelo do Ártico parece ter atingido seu nível mínimo para este ano, sendo a terceira menor extensão já anotada desde o início das observações por satélite, em 1979.

O gelo do Ártico cobriu uma área média de 6 milhões de quilômetros quadrados, 22% abaixo da média 1979-2000. Este foi o 14º agosto consecutivo com gelo do Ártico abaixo da média.

Fonte: Associated Press - AP - Estadão

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Neves eternas do monte Ararat ameaçadas pelo aquecimento global

As neves eternas do lendário monte Ararat, no leste da Turquia, perderam 30% de sua superfície em três décadas, declarou nesta quarta-feira à AFP o geólogo Mehmet Akif Sarikayaun, que pesquisou a respeito.

"Utilizamos imagens de satélites para analisar a resposta do gelo no topo do monte Ararat ao aquecimento global. Descobrimos que havia perdido 30% de sua superfície entre 1976 e 2008", indicou o cientista, cujo estudo ainda não foi publicado.

"A superfície das neves eternas passou de 8 km² em 1976 para 5,5 km² em 2008, o que significa uma redução de aproximadamente sete hectares por ano", explicou Mehmet Akif Sarikayaun, professor da universidade Fatih de Istambul e pesquisador da universidade americana de Omaha.

De acordo com o geólogo, as mudanças climáticas são a causa mais provável do degelo, e pode ameaçar a existência das neves eternas do monte a longo prazo.

Sarikayaun indicou ainda que a "temperatura aumentou 0,03 graus por ano" na área durante o período estudado. Entretanto, não descartou que outros fatores tenham influenciado no degelo.

O pesquisador reconheceu que não tem elementos para determinar se as causas do aquecimento local estão ligadas ou não ao fenômeno do aquecimento global.

Religiões como o judaísmo e o cristianismo acreditam que o monte Ararat (5.137 m) é o local onde a arca de Noé parou depois do dilúvio universal narrado no Antigo Testamento.

Fonte: AFP - www.terra.noticias.com.br

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Mudança climática-Índia: Faça a sua geleira

Por Athar Parvaiz, da IPS 
 

 
Ladakh, Índia, 25/11/2009 – Para enfrentar os efeitos do aquecimento global nas montanhas do Himalaia, um indiano lançou uma ideia original que pode ser aplicada também em outras áreas do mundo: criar glaciais artificiais. Para esta árida região que raramente vê chuva, as geleiras são uma fundamental fonte de água, mas estão diminuindo rapidamente. Os agricultores encontram cada vez mais dificuldades para cultivar suas terras. A água é muito escassa quando mais necessitam dela para irrigar seus campos.

Chwang Norphel, de 74 anos, ex-engenheiro civil do governo indiano, encontrou uma forma singular de enfrentar este problema. Não, não tem o poder de deter o derretimento dos gelos, mas é pioneiro na criação de geleiras artificiais que ajudam os agricultores a superarem a crise de irrigação na temporada de maior necessidade para o cultivo. Em entrevista à IPS, Norphel falou sobre sua invenção, que lhe valeu em seu país o apelido de “Homem glacial”, e também de suas lutas e suas esperanças.

IPS – A ideia de criar geleiras artificiais está lentamente ganhando ampla aceitação. Conte um pouco sobre o conceito geral.

Chewang Norphel – A criação de geleiras artificiais é uma técnica de conservação de água em altitude elevada diante da mudança climática. Os glaciais estão retrocedendo rapidamente, e os invernos ficam cada vez mais curtos e mais quentes. Assim, a pouca neve que cai derrete rapidamente. A água derretida da neve e das geleiras flui para os rios sem que possa ser usada (pelos agricultores) durante a maior parte do ano, e estes não podem encontrar nada de água quando precisam dela durante a temporada de nevadas.

Portanto, a construção de geleiras artificiais é um meio de coletar a água derretida para as necessidades de irrigação dos agricultores. Os glaciais naturais estão bem no alto das montanhas e derretem lentamente no verão. Assim, chegam às aldeias em junho, enquanto as geleiras artificiais começam a derreter na primavera, bem quando ocorre a primeira necessidade de irrigação, chamada “thachus”, que significa “água germinadora”.

IPS – Como são criadas as geleiras artificiais?

CN – Trata-se de uma técnica simples de coletar água, adequada para os desertos frios em elevada altitude que são totalmente dependentes das geleiras. A água derretida em diferentes altitudes é desviada para a parte da montanha que se encontra na sombra, de face para o norte, onde o sol do inverno é bloqueado pela pendente. Quando começa o inverno (boreal, em novembro) a água desviada flui para a parte inclinada da colina através de canais de distribuição desenhados de forma adequada.
São construídos muros de contenção de pedra em intervalos regulares, impedindo o fluxo de água e criando tanques pouco profundos. Nas câmaras de distribuição são instalados canos de 38 milímetros a cada 1,5 metro para haver um fornecimento adequado. A água flui em pequenas quantidades e baixa velocidade através da tubulação e se congela de forma instantânea. O processo de formação do gelo prossegue por três ou quatro meses de inverno, e uma grande quantidade de água congelada acumula-se na pendente da montanha. Isto é acertadamente chamado de “geleira artificial”.

IPS – Quantos agricultores são favorecidos pelas geleiras artificiais?

CN – Já que são construídas perto de uma aldeia, todas as famílias que a habitam se favorecem por igual. Oitenta por cento dos produtores de Leh (capital de Ladakh) dependem do derretimento dos glaciais para irrigar suas terras, onde cultivam verduras, cevada e trigo. Até agora criamos oito glaciais vizinhos a muitas aldeias, ajudando os agricultores que vivem nelas. Quando a instalação se estender a todas as aldeias, todos os produtores serão favorecidos.

IPS – Quais os outros benefícios das geleiras artificiais?

CN – Além de solucionar o problema de irrigação, ajudam a recarregar a água subterrânea e estimulam o rejuvenescimento que se produz na primavera. Permitem que os agricultores tenham duas colheitas ao ano, ajudam a desenvolver pastagens para o gado e conseguem reduzir as disputas entre os fazendeiros pela distribuição da água. Também ajudam a gerar confiança nos produtores de regiões áridas como Ladakh. Os aldeões podem ganhar dinheiro e continuar sendo agricultores.

IPS – Como o senhor teve essa ideia?

CN – Você sabe, nas regiões frias deixamos meio aberta a torneira de nossos banheiros durante as noites de inverno para impedir que a água congele no cano. Uma bela manhã me dei conta de que a água se congelava em nosso jardim. Me ocorreu que se poderia formar pequenas geleiras artificiais da mesma forma. Por ter viajado à maioria dos lugares da região como engenheiro do governo até 1986, conhecia sua completa topografia. Pensei que as áreas sombreadas nas cordilheiras baixas poderiam ser usadas para esse fim. Isso levou, em 1987, à criação da primeira geleira artificial na aldeia de Phuktse Phu usando este método simples.

IPS – Quanto custa criar uma geleira artificial?

CN – Depende do lugar. Geralmente, custa entre US$ 5 mil e US$ 6 mil.

IPS – O que mais é preciso para construir uma estrutura desse tipo?

CN – Os aldeões são os principais atores. Seu envolvimento é crucial para a sustentabilidade do projeto. Uma comunidade contribui para a construção e manutenção dos glaciais, tornando o projeto sustentável e benéfico no longo prazo.

IPS – De onde vem o financiamento para criar as geleiras artificiais?

CN – Os fundos para as geleiras artificiais perto da aldeia de Stakmo procedem do exército da Índia, enquanto para outros chegam dos programas governamentais de desenvolvimento hídrico. Recentemente, o Departamento de Ciência e Tecnologia começou a fornecer fundos para a reabilitação de geleiras artificiais danificadas. O financiamento é da organização não-governamental Projeto pela Nutrição em Leh.

IPS – Quais os desafios para se construir um glacial artificial?

CN – Dinheiro é um problema, porque demora muito para consegui-lo. Por outro lado, o interesse dos habitantes em ajudar começa a diminuir. Antes costumavam se apresentar como voluntários para a criação desses recursos coletivos, mas agora não. Conseguem grãos subsidiados do governo, o que os deixa um tanto indolentes. A falta de acesso das estradas e os altos custos do transporte de materiais são outros problemas que enfrentamos, pois temos de trabalhar a uma altitude de 4.600 metros acima do nível do mar.

IPS – Seu modelo de geleira artificial pode ser aplicado a outras partes?

CN – Como disse, a técnica é fácil e simples, e pode ser aplicada em regiões similares a Ladakh do ponto de vista climático e geográfico, como Spiti, em Hamachal Pradech, na Índia, ou em alguns países da Ásia central, com Cazaquistão e Quirguistão. Esta tecnologia pode ser aplicada em áreas que têm entre 4.666 e 5.333 metros de altitude, temperatura entre 15 e 20 graus negativos durante o inverno e longos períodos invernais de quatro a cinco meses, o que garante maior expansão e formação de geleiras.

IPS – Os líderes do mundo se reunirão em Copenhague em dezembro para uma conferência sobre a mudança climática. Como alguém que ajuda a enfrentar o problema da adaptação, qual sua mensagem para eles?

CN – Minha humilde sugestão aos povos das regiões que já sofreram o impacto da mudança climática ou sofrerão no futuro é que devem agir. Para os líderes mundiais, meu humilde pedido para que trabalhem duro a fim de elaborar um acordo que salvaguarde o futuro e os interesses da população de todo o planeta. (IPS/Envolverde)

Foto
Legenda: Chewang Norphel, o "Homem glacial", explica sua criativa invenção
Crédito: Athar Parvaiz/IPS

(Envolverde/IPS)

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Groenlândia perdeu 1,5 tri de toneladas de água em 9 anos, diz estudo

Ricardo Mioto

O degelo está se acelerando na segunda maior massa de gelo do mundo, a Groenlândia, que nos últimos nove anos perdeu 1,5 trilhão de toneladas de água --o suficiente elevar o nível do mar em mais de 4 milímetros. O número é apontado em um estudo publicado na edição de hoje da revista "Science", liderado por Eric Rignot, geocientista da Nasa.

"Nenhuma notícia boa por aqui. Sinto muito", disse o cientista em entrevista à Folha. Segundo ele, a aceleração do derretimento se verifica desde 2006 em um nível sem precedentes. Isso pode ser apenas uma oscilação normal --em alguns anos o gelo derrete mais, em outros menos. Mas, se for uma tendência, trata-se de mais um sinal de que o planeta está esquentando rápido.


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Jefferson Simões, glaciologista da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, diz que não se trata de mero acaso. "É preciso ver que esse não é um estudo isolado, existem várias outras evidências científicas, tudo vai se somando."

Os números, de qualquer forma, impressionam. Nesta década, as regiões que mais derreteram, aquelas próximas ao oceano, chegaram a perder mais de uma tonelada de água --uma caixa d'água cheia-- por metro quadrado por ano.

Outro dado novo é sobre o destino do gelo perdido. Cerca de metade dele se transforma em icebergs, perdendo contato com a Groenlândia. A outra metade se torna lagos de água líquida sobre a superfície de gelo, dizem os cientistas.

Além de servir como sinal de aquecimento, o derretimento do gelo tem uma consequência imediata a elevação do nível dos mares e, com isso, o alagamento de regiões litorâneas.

Se a Groenlândia derretesse por completo, os oceanos subiriam sete metros --uma catástrofe global para áreas costeiras. Nem os pesquisadores mais pessimistas, entretanto, acreditam que isso acontecerá.

O estudo na "Science" pode forçar uma revisão das previsões de 2007 do painel do clima da ONU (o IPCC) sobre o assunto, dizem os cientistas.

Estimava-se que os mares, na pior das piores hipóteses, subiriam no máximo 58 centímetros até 2100. "Levando em conta o novo cenário, eu diria que existe uma real possibilidade de ultrapassarmos esse valor", diz Jonathan Bamber, físico da Universidade de Bristol, no Reino Unido, e um dos coautores do estudo.

"O valor da ONU é muito pequeno. Infelizmente, o gelo está derretendo rápido. Eu estou preocupado", diz Rignot.

Falta a Antártida

Para ter certeza que não estavam cometendo erros, os cientistas utilizaram dois métodos diferentes. Um deles usou dados obtidos em solo, outro, via satélite, e os resultados estavam de acordo um com outro.

Para saber com precisão o que vai acontecer com o planeta no futuro, será necessário fazer algo similar com a Antártida. Apesar de o continente gelado ter 90% do gelo mundial --e, portanto, ser muito mais decisivo do que a Groenlândia-, sabe-se relativamente pouco sobre o degelo por lá.

Ainda não existe para a Antártida um estudo como este que sai agora na "Science", diz Simões. "É o único local onde ainda não está clara a situação, ela é a grande incógnita."

Os cientistas sabem que a Antártida está passando por um aumento de temperatura e que vem perdendo gelo. Mas ainda é difícil quantificar.

"Sabemos que a região mais central e alta está tranquila, estável, se alguém falar que está mudando é bobagem. O nosso receio é que os derretimentos que estão ocorrendo no norte da península Antártica se espalhem", diz Simões.

Fonte:  Folha Online Ambiente.

sábado, 19 de setembro de 2009

Um atalho no gelo


Pela primeira vez na história, navios cargueiros fazem
pelo Ártico a rota entre a Ásia e a Europa. A proeza
é uma triste consequência do aquecimento global

Thomaz Favaro

Passagem aberta
Navios alemães navegam pelo Oceano Ártico: menos gelo no caminho


O triunfo humano sobre as forças da natureza é, desta vez, um triste sintoma da saúde do planeta. Dois cargueiros alemães estão prestes a se tornar os primeiros a navegar por inteiro a Passagem Nordeste, como é conhecido o trajeto via Ártico entre os oceanos Atlântico e Pacífico. Essa rota marítima mais curta entre a Europa e a Ásia sempre foi um risco no mapa impossível de ser navegado. Durante o verão, quando a camada de gelo da calota polar se retrai, somente comboios liderados por navios quebra-gelo trafegam pela imensa costa russa – e apenas por trechos curtos. Essa situação já tem data marcada para acabar. Salvo algum contratempo imprevisível, os dois navios, que já ultrapassaram os trechos mais difíceis, devem completar a viagem até o fim do mês. E aqui está a má notícia: a proeza dos cargueiros alemães só foi possível devido ao encolhimento progressivo da calota polar do Ártico, provocada pelo aquecimento global.

A temperatura no Ártico aumentou 2 graus no último século, o dobro da média mundial. O resultado é uma espiral de derretimento que reduziu a camada de gelo permanente em 40%. "Quanto menor a área congelada, menor a capacidade de reflexão dos raios solares. Ou seja, à medida que a área gelada diminui, a região absorve mais calor, aumentando a temperatura e acelerando o derretimento do gelo", diz o glaciologista Jefferson Simões, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que já participou de três expedições ao Ártico. Em 2007 e 2008, a superfície congelada foi reduzida ao menor tamanho já registrado. A camada de gelo também está mais fina: sua espessura encolhe, em média, 17 centímetros por ano.

Toda a fauna adaptada ao clima único da região está ameaçada. As focas criam seus filhotes durante as primeiras semanas em placas de gelo flutuantes, para que acumulem gordura suficiente antes de se aventurar pela água gelada do mar. O degelo precoce dos glaciares pode resultar na separação prematura desses filhotes, diminuindo suas chances de sobrevivência. Estudos preveem que, devido à diminuição de seu território de caça, a população de ursos-polares estará reduzida a um terço da atual até 2050. Morsas, renas e baleias típicas da região também sofrem com os efeitos da mudança climática. Mas o impacto do derretimento dos polos não se limitará aos rincões frios do planeta. As calotas polares ajudam a manter o clima global ameno e alimentam as correntes marítimas, que redistribuem o calor pelo planeta. A Groenlândia, um imenso reservatório de água doce congelada, contribuiu sozinha para 20% do aumento do nível dos oceanos no século passado.

O paradoxo do aquecimento é que, conforme o gelo derrete, o Oceano Ártico se abre à navegação e viabiliza a exploração de riquezas até então intocadas. Estima-se que a região concentre 13% das reservas de petróleo e 30% de todo o gás natural do planeta. Cinco países que fazem fronteira com o Círculo Polar Ártico (Estados Unidos, Canadá, Rússia, Noruega e Dinamarca) disputam o controle desses recursos. Construídos especialmente para a travessia de águas repletas de icebergs e blocos de gelo, os navios MV Beluga Fraternity e MV Beluga Foresight saíram em julho do Porto de Ulsan, na Coreia do Sul, levando 3 500 toneladas de materiais de construção para uma termelétrica na Sibéria. Se usassem a rota habitual, atravessando o Canal de Suez, no Egito, os barcos percorreriam 20 000 quilômetros até o Porto de Roterdã, na Holanda, o destino final das embarcações. A opção pela Passagem Nordeste fez com que a distância encolhesse 26% – o que representa uma economia de combustível de 100 000 dólares por navio.

A empresa alemã Beluga, dona dos navios que cruzaram a Passagem Nordeste, já anunciou que vai mandar outros dois barcos para fazer o mesmo trajeto no ano que vem. Ainda levará tempo até que a rota seja considerada uma opção confiável para todos os tipos de cargueiro. Mesmo com cascos reforçados para transitar num mar repleto de placas de gelo, os navios alemães foram acompanhados, por precaução, por pelo menos um quebra-gelo russo. Os cargueiros tiveram de parar por alguns dias no Estreito de Vilkitsky, o ponto mais ao norte da rota, até encontrar um trecho não coberto por gelo para poder seguir viagem. Apesar da mudança do clima, a região só é navegável durante três ou quatro semanas por ano. Devido às condições climáticas adversas e às placas de gelo de centenas de quilômetros que flutuam no oceano, a viagem continua uma aventura imprevisível.
Johnny Johnson/Getty Images

Pouco espaço para caçar
A população de ursos-polares pode cair a um terço da atual até 2050

Fonte: Veja






domingo, 6 de setembro de 2009

Foto da ‘Mãe Natureza chorando’ impressiona o mundo


A imagem marcante da calota de gelo, localizada no arquipélago de Svalbard (Noruega), foi registrada pelo ambientalista e professor Michael Nolan, enquanto fazia uma viagem para observar as geleiras e seus animais selvagens ao redor.

Na foto, percebe-se o degelo formando uma imagem parecida com um rosto. “Seria a Mãe Natureza chorando?”, pergunta o jornal britânico Daily Mail.

O perito disse que esse fenômeno não é por acaso. Ele confirmou que a calota de gelo tem diminuído cerca de 160 metros a cada ano há várias décadas.

A situação é preocupante, declara Jon Ove Hagen, respeitado especialista. O cientista diz que há outras mudanças drásticas sendo observadas em outras massas de gelo na região.

A geleira de Austfonna é a segunda maior da Europa e a sétima maior do mundo.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Derretimento no Ártico afeta o mundo inteiro

Por Stephen Leahy, da IPS 
Genebra, 03/09/2009 - A cada vez mais quente região polar do Ártico está desestabilizando o clima da Terra de forma que a ciência apenas começa a entender. O mundo inteiro está sendo afetado e, sem medidas urgentes para reduzir as emissões de gases de efeito estufa pode haver uma catastrófica e irreversível mudança climática, alertam destacados cientistas em um relatório apresentado ontem nesta cidade suíça.

"É fundamental conhecer as consequências do aquecimento do Ártico, e esta é uma revisão sem precedentes” sobre o tema, disse à IPS Martin Sommerkorn, pesquisador e consultor em matéria de alterações climáticas do Fundo Mundial para a Natureza.
"Simplificando: se não mantivermos o Ártico suficientemente frio, em todo o mundo as pessoas vão sofrer as consequências", resumiu. O aumento superior às extremas alterações climáticas um metro no nível do mar, inundações que afetam um quarto da população e as extremas alterações climáticas é o que nos espera se for mantido o ritmo atual de emissões, alerta o relatório "Reações climáticas do Ártico: implicações globais".

O aquecimento do Ártico pode ter consequências mais amplas e mais graves do que se acredita, como indicado pelas pesquisas científicas nos últimos três anos, incluindo o próprio estudo do Ano Polar Internacional 2008-2009. "Há uma grande possibilidade de um Ártico aquecido agravar a mudança climática”, disse Sommerkorn, que foi o editor do relatório, elaborado por 10 dos principais especialistas em clima do mundo. As regiões polares são fundamentais para o clima do planeta. Nos últimos 40 anos, o Ártico começou a derreter e as temperaturas a aumentar a um ritmo duas vezes maior do que em qualquer outro lugar do mundo.

A cada verão boreal, o congelado oceano Ártico está derretendo mais e mais, e poderá ficar sem gelo em menos de uma década. Como aconteceria ao abrir a janela de um quarto durante o inverno, os que estão mais próximos seriam os mais afetados, mas, mesmo os mais afastados sofrerão as consequências. O relatório prevê mudanças na temperatura e nos padrões de precipitação na Europa e América do Norte, afetando agricultura, silvicultura e abastecimento de água. "As secas podeão ser pior na Califórnia e no sudoeste norte-americano. Os invernos podem ser mais úmidos no mar Mediterrâneo e mais secos na Escandinávia, se prosseguir o aquecimento no Ártico", disse Sommerkorn, radicado em Oslo.

Mais alarmante é a probabilidade de que um Ártico mais quente emita grandes quantidades de carbono e metano atualmente abrigados nos solos congelado chamado permafrost, que contêm pelo menos três vezes mais carbono do que o existente na atmosfera. Os níveis atmosféricos de metano, um gás de estufa particularmente potente, aumentou ao longo dos últimos dois anos, e este aumento seria resultado de um aquecimento do permafrost.
O relatório mostra que os primeiros dois ou três metros de gelo permanente ao longo da região do Ártico provavelmente derreterão até 2100. A quantidade de carbono e de metano que pode ser liberada é desconhecida, mas seria mais do que suficiente para elevar a temperatura global ainda mais. "Nós já estamos vendo o derretimento do permafrost em muitas partes do Ártico", disse Sommerkorn.

Pior ainda é a libertação potencial de vastos depósitos de hidratos de metano (gás natural congelado) sob o oceano Ártico. Em ambientes muito frios ou de alta pressão, as moléculas de metano são presas na água congelada. Quando esta se aquece, o gelo se decompõe e libera o gás. Se for aceso um fósforo sobre o gelo, este literalmente queimará. O metano já está saindo à superfície na costa da leste da Sibéria, de acordo com pesquisas recentes. Esta água, com menos de 50 metros de profundidade, pode superaquecer e liberar metano, embora isto ainda não tenha sido confirmado.

“O que sabemos é que os níveis mundiais de metano aumentaram nos últimos dois ou três anos”, disse Sommerkorn. E as temperaturas no leste siberiano agora estão muito perto das necessárias para que os hidratos derretam. No mês passado, outros pesquisadores descobriram 250 colunas de gás metano saindo do solo marítimo a oeste do arquipélago de Svalbard, no norte da Noruega.

O que o informe não deixa claro se o que acontece no Ártico afeta o resto do mundo, disse o coautor do trabalho, Mark Serreze, pesquisador do Centro Nacional de Informação sobre Neve e Gelo do Estado norte-americano do Colorado. “As mudanças que vivemos não são totalmente inesperadas. Simplesmente estão ocorrendo mais cedo”, afirmou à IPS. Se grandes áreas de permafrost começarem a derreter, “será uma péssima notícia para a humanidade”, ressaltou. “O mundo é um lugar muito pequeno e não fomos bons administradores. A mudança climática é um sintoma desta pobre administração”, disse Serreze.

O informe cobra ações urgentes, como estabelece um teto mundial para as emissões de carbono entre 2013 e 2017 para manter o aquecimento do planeta abaixo dos dois graus centígrados. Isto implica que os países industrializados devem reduzir suas emissões em pelo menos 40$ até 2020 em relação às suas emissões em 1990, e os do Sul em desenvolvimento 30%. “As reduções necessárias são um grande desafio”, reconheceu Sommerkorn.

Porém, os líderes não deveriam duvidar porque proteger o meio ambiente também é uma solução para a crise econômica e a única via para um futuro sustentável, concordam os especialistas. O tratado sobre mudança climática que será negociado em dezembro, em Copenhague, deve responder à urgência exposta no relatório, ressaltaram. IPS/Envolverde

(Envolverde/IPS)

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

WWF: aumento de apenas 2 graus provocaria degelo na Groenlândia

Um aumento inferior a dois graus Celsius na temperatura global bastaria para provocar o derretimento da camada de gelo da Groenlândia, advertiu nesta quinta-feira (27) a organização WWF, que pede uma ação urgente.

"Os cientistas sugerem agora que um aquecimento de menos de dois graus Celsius poderia ser suficiente para provocar o derretimento da camada de gelo da Groenlândia", assinala a World Wildlife Fund (WWF) em um comunicado divulgado em Genebra.

"Como consequência, o nível do mar se elevaria em vários metros, ameaçando dezenas de milhões de pessoas no mundo", que vivem nas regiões costeiras, destaca o documento.

Segundo a WWF, com o degelo da Groenlândia o nível do mar subiria até sete metros, com um impacto devastador para o resto do planeta.

WWF pede aos governos que se reunirão na Polônia, a partir da próxima segunda-feira, em uma conferência internacional patrocinada pela ONU, que "desenvolvam um texto de negociação forte para um novo tratado climático".

Kim Carstensen, responsável da Iniciativa Climática Global da WWF, disse que os "dirigentes políticos não podem desperdiçar um só segundo adiando estratégias", diante deste desafio urgente.

Fonte: Yahoo!

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Temperatura no Ártico atinge nível recorde

A temperatura atmosférica ártica atingiu um novo recorde para o outono, devido à perda de enormes volumes de gelo numa região que há décadas sofre com o aquecimento, segundo relatório anual divulgado na quinta-feira (16) pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA).

A temperatura chega a ser 5 graus Celsius superior à média dos outonos árticos, porque sem a proteção do gelo a luz solar aquece mais o oceano.

O aquecimento do ar e do mar pode afetar os ecossistemas e reduzir a quantidade de gelo que sobra no verão seguinte, segundo o estudo, que dá mais uma pincelada sombria num quadro já bastante dramático dos efeitos das mudanças climáticas sobre a região.

O estudo diz ainda que manadas de renas e alces parecem estar encolhendo, e que o gelo na superfície da Groenlândia também está sendo afetado.

"As mudanças no Ártico demonstram um efeito-dominó de causas múltiplas mais claramente do que em outras regiões", disse em nota um dos autores do relatório, o oceanógrafo James Overland, do Laboratório Ambiental Marinho do Pacífico, ligado ao NOAA, em Seattle.

"É um sistema delicado e frequentemente reflete mudanças de forma relativamente rápida e dramática", acrescentou.

O Centro Nacional de Dados da Neve e do Gelo, ligado à Universidade do Colorado, informou em setembro que o gelo do Ártico havia caído neste verão para o seu segundo menor nível.

Esses pesquisadores dizem que a temporada de 2008 reforça a tendência de degelo vista nos últimos 30 anos no Ártico. A atual extensão está 34 por cento menor do que na média de 1979 a 2000, embora supere em 9 por cento o recorde negativo de 2007, o ano mais quente já registrado na região.

Fonte: Estadão Online

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Degelo no Ártico - Aquecimento Global?

Muito tem se falado do aquecimento global e degelo no ártico. Também se fala se as condições são naturais ou causadas pelo homem. Minha opinião é que seja um mix das duas hipóteses. Não acredito muito no estardalhaço da imprensa, mas por outro lado, a atitude humana é a mais irresponsável possível, que só visa maximização dos lucros com a menor responsabilidade social e ambiental possível.

Veja as imagens, tirem suas conclusões mas procurem mais fontes e dados sobre o aquecimento global.

Clique nas imagens para aumentar.

Ártico - 1979

Ártico - 2003

Ártico - 01/08/2007

Ártico - 31/08/2008

Fontes: NASA Earth Observatory, The Cryosphere Today

Encontrado em Idealismo de Buteco

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Ártico perdeu gelo em velocidade recorde em 2008, diz Nasa

Imagens de satélite da Nasa mostram que, durante um intervalo de quatro semanas em agosto deste ano, o gelo sobre o Oceano Ártico derreteu-se mais depressa do que em qualquer outra época registrada. A perda total de gelo deste ano foi a segunda maior desde o início das observações por satélite. O recorde ocorreu em 2007.

A cada ano, no verão boreal, o gelo sobre o mar no Ártico se derrete, atingindo o menor nível anual. O gelo que permanece, ou "gelo perene", tem sobrevivido ano após ano e contém gelo antigo e mais espesso. A área total de oceano coberta por gelo, incluindo sazonal e perene, vem sofrendo nos últimos anos, á medida que o derretimento acelera. No ritmo atual, cientistas acreditam que todo o gelo ártico poderá desaparecer neste século.

"Não esperava que a cobertura de gelo ao final do verão deste ano ficasse tão ruim quanto a de 2007, porque o gelo do inverno foi quase normal", disse o pesquisador Joey Comiso, do Centro de Vôo Espacial Goddard, da Nasa.

"Vimos um bocado de resfriamento no Ártico que acreditamos estar associado ao La Niña. O gelo sobre o mar no Canadá recuperou-se e até se expandiu no Estreito de Bering e BA Baía Baffin. No geral, foi um bom sinal de que este ano não será tão ruim quanto o ano passado", afirmou.

Mas o mínimo de gelo de 2008 só ficou atrás do de 2007, de acordo com nota conjunta da Nasa e do Centro de Dados de gelo e Neve da Universidade de Colorado. Em 12 de setembro de 2008, a extensão do gelo era de 4,5 milhões de quilômetros quadrados, abaixo da média mínima entre 1979 e 2000.

O quase-recorde de 2008 foi impulsionado, entre outros fatores, por um período de um mês que assistiu à mais rápida taxa de perda de gelo já registrada. De 1º a 31 de agosto, dados da Nasa mostram que a área coberta de gelo caiu ao ritmo de quase 85 mil quilômetros quadrados ao dia, ante a taxa diária para o mês de 63 mil, em 2007.

(Fonte: Estadão Online)

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Nível dos oceanos aumentará 1,5 m até 2100


O derretimento de geleiras, o desaparecimento de placas de gelo e o aquecimento das águas poderiam fazer com que o nível dos oceanos subisse até 1,5 metro até o final deste século, expulsando de suas casas dezenas de milhões de pessoas, afirmou uma nova pesquisa divulgada na terça-feira.

Apresentado em uma conferência da União Européia de Geociências, a pesquisa prevê uma elevação do nível dos oceanos três vezes maior do que o estipulado pelo Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC) no ano passado.
O painel sobre o clima, uma entidade ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), dividiu o Prêmio Nobel da Paz de 2007 com o ex-vice-presidente dos EUA Al Gore. Svetlana Jevrejeva, do Laboratório Oceanográfico Proudman, na Grã-Bretanha, disse que a estimativa baseava-se em um novo modelo matemático que permitiu estabelecer com precisão o nível dos oceanos nos últimos 2.000 anos.

"Durante os últimos 2.000 anos, o nível dos oceanos manteve-se praticamente estável", afirmou a cientista a jornalistas, em meio ao encontro realizado em Viena.
No entanto, o ritmo no qual o nível dos oceanos sobe hoje está ganhando velocidade, e as águas ficarão de 0,8 a 1,5 metro acima de seu patamar atual quando chegar o próximo século, afirmaram pesquisadores, entre os quais Jevrejeva, em um comunicado.

O nível dos oceanos elevou-se 2 centímetros no século 18,6 centímetros no século 19 e 19 centímetros no século passado, disse a cientista, acrescentando: "parece que o rápido aumento do nível dos oceanos no século 20 deveu-se ao derretimento de placas de gelo."
Os pesquisadores debatem acaloradamente a respeito do quanto o nível dos mares vai elevar-se.

O IPCC, por exemplo, diz que tal elevação deve ficar entre 18 e 59 centímetros.
"Os números do IPCC subestimam a realidade", afirmou Simon Holgate, membro também do Laboratório Proudman. Segundo os pesquisadores, o IPCC não havia levado em conta a dinâmica do gelo -- a velocidade maior na movimentação das placas de gelo, velocidade essa alimentada pelo derretimento, é ela também um fator no desaparecimento das placas e na elevação do nível das águas.

Esse efeito, segundo Steve Nerem, da Universidade do Colorado (EUA), deve gerar um terço do futuro aumento do nível dos oceanos.
"Há vários indícios de que vamos ver uma elevação de 1 metro em 2100", afirmou o cientista, acrescentando que esse fenômeno não ocorreria de maneira uniforme no planeta e que mais pesquisas seriam necessárias para determinar os efeitos dele em cada região.

Os cientistas podem estar em desacordo a respeito da magnitude da elevação, mas estão afinados quando se trata de prever quais serão as áreas mais atingidas -- os países em desenvolvimento na África e na Ásia, que não possuem os recursos necessários para construir proteções contra as águas.


Entre esses estão nações como Bangladesh, cujo território situa-se quase totalmente a uma altura de no máximo 1 metro do atual nível do mar. "Se o nível dos oceanos elevar-se 1 metro, 72 milhões de chineses vão perder suas casas, junto com 10 por cento da população vietnamita", afirmou Jevrejeva.

(Reuters)

WWF alerta para baixos níveis de gelo no Ártico

O Fundo Mundial para a Natureza (WWF, em inglês) advertiu nesta segunda-feira (15) para o baixo nível de gelo no Ártico e das conseqüências que isso pode ter.

Segundo uma nota distribuída pela instituição, os últimos dados revelam que este ano a cobertura de gelo no Ártico pode ser igual ou inclusive menor que a do ano passado, quando alcançou um mínimo histórico de apenas 4,13 milhões de quilômetros quadrados.

"Se levarmos em conta a redução da espessura do gelo, em conjunto há menos gelo no Ártico este ano que em qualquer outro ano desde que os controles começaram", disse Martin Sommerkorn, coordenador do programa do Ártico.

"Também é o primeiro ano em que a passagem entre América do Norte e Rússia não tem gelo", acrescentou.

O cientista explicou que a perda contínua de gelo antigo e espesso significa que o Ártico está se cobrindo de gelo cada vez mais fino e mais jovem.

Segundo os cálculos, a área de gelo que tem pelo menos cinco anos diminuiu 56% entre 1985 e 2007, enquanto os tipos de gelo antigo praticamente desapareceram.

"Estamos esperando que 2008 seja o pior ou o segundo pior ano em relação à cobertura de gelo no verão (hemisfério norte)".

"Já há sinais de que espécies como o urso polar estão experimentando efeitos negativos por causa da erosão da plataforma de gelo onde vivem", acrescentou o cientista.

Sommerkorn advertiu de que a perda de gelo afetará a Terra em geral, já que "se o gelo desaparece, as águas absorverão o calor dos raios do sol, o que contribuirá ao aquecimento global. Além disso, esse calor liberará mais gases do efeito estufa que antes estava bloqueado no gelo", alertou. (Fonte: Estadão Online)

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Degelo na Groenlândia: metrópoles como São Paulo são as principais responsáveis

Por Fernanda B Muller, CarbonoBrasil

Os governos devem criar leis, como o estabelecimento de um preço sobre o carbono, para que as empresas se sintam incentivadas a investirem na redução de emissões de gases do efeito estufa, sugere a Confederação das Indústrias Britânicas (CBI) no relatório "Mudanças climáticas: um assunto de todos" divulgado nesta terça-feira em São Paulo.

“Muitas tecnologias já estão disponíveis para alcançarmos as reduções de emissão necessárias, algumas ainda não são comercialmente disponíveis (como o CCS) e precisam de um arcabouço apropriado para o desenvolvimento”, afirmou o presidente da CBI, Martin Broughton.

O relatório avalia os custos e benefícios econômicos para as empresas na construção do que chamam ‘uma sociedade de baixa emissão de carbono’. A CBI é composta por 18 companhias com a petrolífera britânica BP e a maior rede de supermercados do país, o Tesco, além de diversas do setor químico. Em conjunto, elas são responsáveis por 1% da pegada de carbono mundial.

"Somos pessoas da área de negócios e gerenciamos riscos", disse Broughton.

O relatório pede também mais investimentos em pesquisa e desenvolvimento que, na avaliação das empresas, são essenciais. “Cabe ao governo fornecer este arcabouço legal, ao setor privado encontrar e entregar as soluções e ao consumidor a demanda por novas soluções. Essas três esferas precisam trabalhar em conjunto”, comentou o presidente da CBI.

Durante o evento, representantes brasileiros e britânicos comentaram sobre as diferenças na realidade econômica do Reino Unido e do Brasil, ressaltando as principais necessidades para incentivar as empresas brasileiras a reduzir as emissões de gases do efeito estufa (GEE).

“Está claro que no futuro as empresas terão que ser ecológicas para crescer", adicionou Broughton.

Contexto Brasileiro

Citando o princípio da “responsabilidade comum, porém diferenciada”, alguns participantes afirmaram que isto muitas vezes serve como justificativa para a inação do Brasil. Algumas empresas brasileiras respondem às ansiedades da sociedade a tais ações fazendo inventários de emissões, por exemplo.

Segundo o diretor executivo da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) José Augusto Fernandes, a inação não é a estratégia do setor. “A política econômica tem um papel nesta transição para uma economia com baixas emissões de carbono”, disse.

As fontes renováveis atendem 45% das necessidades energéticas do Brasil, enquanto que a média mundial é de 14%, segundo Fernandes. “Há muito tempo já ultrapassamos a meta de 20% que a União Européia deseja atingir em 2020. Assim, a prioridade no Brasil deve ser o desmatamento, responsável por cerca de 75% das emissões do país, e a eficiência energética. Para isso, as tecnologias são elementares”, afirmou.

Com relação à abordagem setorial, Fernandes defendeu o fomento de estudos, estimulando os diferentes setores a compreender seus problemas. “A ciência energética tem recebido grande atenção do setor industrial brasileiro e estão sendo iniciados trabalhos de benchmarking para estimar o potencial de economia de energia nos diferentes setores”, comentou.

Na questão da eficiência energética, Fernandes citou o trabalho da CNI com a indústria de transformadores para reduzir as perdas de energia durante a transmissão.

Abordando novamente a questão das tecnologias já disponíveis, Fernandes utilizou como exemplo o apagão, onde o país conseguiu economizar 20% de energia e as perdas produtivas foram muito menores do que o esperado. "Qualquer empresa pode aumentar a sua eficiência energética em 10 a 15%", concluiu.

A coordenadora do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), Marina Grossi, relembrou o Pacto de ação em defesa do clima assinado em 2007 por empresas como Alcoa, OAB, Petrobrás, Greenpeace e WWF que estabelece metas voluntárias de redução de GEE.

Marina citou também a iniciativa do CEBDS, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas e o Ministério do Meio Ambiente, de trazer o GHG Protocol para a realidade brasileira, adaptando questões como o setor florestal. “Esta ferramenta está ganhando força no Brasil e a adaptação pode ajudar a reduzir os custos dos projetos de carbono”, disse.


(Envolverde/Carbono Brasil)

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Mantos de gelo encolhem 23% em um verão

Pesquisadores anunciaram anteontem que os cinco mantos de gelo que cobrem a ilha Ellesmere, no Ártico canadense, encolheram 23% somente neste verão. As capas glaciais têm 4.000 anos.

A maior delas, de 55 km2, se esfacelou totalmente no mês passado, afirmou Warwick Vincent, da Universidade Laval, em Québec. Segundo ele, a desintegração foi dez vezes maior do que o previsto por ele e colegas.

Segundo o pesquisador, o impacto das temperaturas mais altas neste ano foi "impressionante". "O extraordinário era a grande quantidade de água. Você podia ver água até o horizonte numa área que é tipicamente coberta de gelo o verão todo", afirmou.

"Claramente, a viabilidade do manto de gelo no longo prazo é na verdade no curto prazo", disse Vincent em entrevista. (Fonte: Folha Online)

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Plataformas de gelo no Canadá perderam 23% da área

As plataformas de gelo localizadas na costa norte da ilha Ellesmere, no Ártico canadense, perderam 23% de sua área apenas neste ano, segundo informações da Universidade de Trent, no Canadá.

Os desprendimentos de blocos de gelo que ocorreram neste ano totalizaram uma perda de 214 km² da área das plataformas - mais do que o triplo da área da ilha de Manhattan.

A plataforma de Ward Hunt, a maior do Canadá, perdeu 40% de sua área, enquanto a geleira Markham, de 50km², se desprendeu completamente da ilha e está à deriva no Oceano Ártico. Dois blocos de gelo também se desprenderam da plataforma Serson, reduzindo sua área em 60% (122km²).

Para o pesquisador Derek Mueller, essas perdas ressaltam a rapidez das mudanças que estão ocorrendo no Ártico e alerta para o impacto do clima na região.

"Essas mudanças são irreversíveis nas condições climáticas atuais e indicam que as condições ambientais que mantiveram essas geleiras em equilíbrio durante anos já não estão mais presentes", disse Mueller.

Temperatura
Segundo os pesquisadores, a redução do gelo do mar e as altas temperaturas contribuíram para o desprendimento dos blocos no primeiro semestre deste ano.

As plataformas de gelo da ilha Ellesmere são remanescentes de uma grande área de gelo 10 mil km² que circundava a ilha.

Os registros mostram que esta região do Pólo Norte - a costa norte da Ilha Ellesmere - perdeu 90% de suas plataformas de gelo no último século e no início deste ano cobria uma área de 1 mil km².

A maioria destas perdas ocorreu no período mais quente da década de 40. Nos períodos mais frios das décadas seguintes, parte das plataformas de gelo mostrou sinal de estar se reformando.

A perda de gelo no Ártico tem implicações globais. O "guarda-sol branco" na superfície do planeta reflete a energia do Sol, ajudando a controlar a temperatura da Terra.

Caso ocorram ainda mais perdas, a radiação pode passar a ser absorvida pela água escura do mar e pela terra não coberta pelo gelo, o que poderia acelerar ainda mais o aquecimento do planeta. (Fonte: UOL Notícias)

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

ONU adverte que geleiras podem desaparecer neste século

A maior parte das montanhas do mundo poderá perder suas geleiras até o final do século se o aquecimento global persistir, adverte um relatório da ONU (Organização das Nações Unidas).

Foram registradas variações entre períodos de glaciação e aquecimento na história, mas a tendência atual detectada do Ártico até a América do Sul - passando pela Europa Central - é diferente, segundo o documento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

"A tendência atual de um rápido derretimento das geleiras, que poderá se acelerar durante este século, provavelmente não tem relação com os períodos climáticos naturais e pode levar ao derretimento da maioria delas, até o final do século 21", afirmam os especialistas do PNUMA.

Entre 1996 e 2005, as geleiras perderam em média o equivalente a um metro de água, o que representa o dobro do desgelo ocorrido na década anterior (1986-1995), e mais de quatro vezes a massa perdida entre 1976 e 1985. (Fonte: Folha Online)

terça-feira, 2 de setembro de 2008

IPCC diz que geleiras estão derretendo com velocidade recorde

As geleiras estão derretendo com velocidade recorde desde o início deste século, segundo um relatório apresentado nesta segunda-feira (1º) durante a 29ª Sessão do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, em inglês).

Segundo o documento, o ritmo atual de derretimento das geleiras dobrou, e em 2006, o último ano com dados disponíveis, foram registradas perdas de gelo sem precedentes.

"Se esta tendência continuar e os Governos não entrarem em acordo sobre as novas reduções de gás de efeito estufa em Copenhague em 2009, é possível que as geleiras desapareçam de muitas regiões montanhosas durante este século", adverte o relatório.

Apesar de os fenômenos extraordinários do degelo já estarem acontecendo nas duas últimas décadas do século passado, o ritmo tem se acelerado nos oito primeiros anos do atual.

As perdas de 1998, que foram históricas, já foram superadas três vezes: em 2003, 2004 e 2006.

De fato, o relatório evidencia que o degelo de 2004 e 2006 foram duas vezes maiores em comparação com 1998.

Segundo cálculos dos especialistas, a perda anual registrada na década 1996-2005 foi o dobro da produzida no período 1986-1995 e quatro vezes superior à do período 1976-1985.

Nos Alpes, a cobertura de gelo diminuiu 35% entre 1850 e a década de 1970, em uma diminuição que avançou 22% até 2000.

Em 2003, quando a Europa sofreu uma onda de calor, o derretimento do gelo ficou entre 5% e 10% em apenas um verão.

Os especialistas destacam que, além das conseqüências globais da perda das geleiras, o fornecimento de água de milhões de pessoas está ameaçado.

"É urgente, precisamos desenvolver e utilizar tecnologias modernas e estender a rede de vigilância para as regiões onde ainda não há sistemas de controle eficazes", afirmou o diretor do Serviço Mundial de Controle das Geleiras (WGMS, em inglês), Wilfrid Haeberli.

O estudo foi apresentado paralelamente à 29ª Sessão do IPCC, realizada esta semana em Genebra.

No ano passado, o IPCC dividiu o Prêmio Nobel da Paz com o ex-vice-presidente americano Al Gore "por seus esforços para construir e divulgar maior conhecimento sobre a mudança climática causada pelos seres humanos e sugerir medidas para contra-atacar e modificar o fenômeno."

O IPCC foi criado em 1988 com o objetivo de pesquisar e determinar se realmente estava acontecendo uma mudança climática e as conseqüências que esse fenômeno traria.

O grupo, formado por 400 especialistas de todas as partes do mundo, afirmou que a atividade humana tem provocado a mudança climática, descartando a visão de muitos céticos que negavam a evidência.

O relatório do IPCC também deixou claro que a mudança climática terá conseqüências nefastas para o planeta, como o derretimento das geleiras e das calotas polares, as conseqüentes inundação de terras e falta de abastecimento de água, além dos fenômenos meteorológicos extremos que o aquecimento global provocará.

As negociações mundiais para combater a mudança climática continuam atualmente após vários encontros internacionais, e está previsto que terminem em uma reunião que acontecerá em Copenhague em dezembro de 2009. (Fonte: Estadão Online)

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Cobertura de gelo no Oceano Ártico chega ao 'limite'

A notícia, divulgada da quarta-feira (27) de que a cobertura de gelo sobre o Oceano Ártico está no segundo menor nível dos últimos 30 anos levou vários especialistas a afirmar que a região está chegando "ao limite".

Dados levantados por um órgão do governo americano indicam que o gelo, agora, cobre 5,2 milhões de quilômetros. O ponto mais baixo já registrado desde o início das leituras por satélite, em 1979, foi 4,2 milhões de quilômetros quadrados, em setembro de 2007. O verão ártico ainda durará mais três semanas, o que sugere que o recorde será quebrado neste ano.

O gelo do Ártico sempre derrete no verão e volta a congelar no inverno. Mas, ao longo dos anos, cada vez mais gelo se perde para o oceano e menos volta a congelar depois. Enquanto o gelo reflete o calor do Sol de volta ao espaço, o mar aberto absorve mais calor, acelerando o aquecimento global em outras partes do mundo.

O gelo do mar também é um importante habitat para os ursos polares.

"Podemos muito bem estar rolando ladeira abaixo, rumo ao ponto de virada", disse o cientista Mark Serreze. "Está virando agora. Estamos vendo acontecer".

Dentro de "cinco a menos de dez anos" o ártico poderá estar livre de gelo sobre o mar no verão, disse o cientista Jay Zwally, da Nasa. "Isso também significa que o aquecimento global vai chegar mais depressa e em maior intensidade do que os modelos estão prevendo, e ninguém ainda levou isso em consideração", disse ele.

Cinco cientistas especializados em clima ouvidos pela Associated Press disseram que é correto chamar o que ocorre agora no Ártico de "ponto de virada". (Fonte: Estadão Online)

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Geleira do Ártico atinge 2º menor nível já registrado

Novas medições de satélite apontam que uma importante geleira no Oceano Ártico reduziu seu tamanho para o segundo menor nível já registrado. O Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo anunciou na quarta-feira (27) que o bloco mede 5,2 milhões de quilômetros quadrados. Nas próximas semanas, seu tamanho pode diminuir ainda mais. O menor nível já registrado para essa importante geleira foi de 4,2 milhões de quilômetros quadrados.

O gelo do Ártico sempre derrete no verão e congela novamente no inverno. Porém, nos últimos anos, mais e mais gelo tem sido perdido para o mar e não mais recuperado na estação fria. O fenômeno é importante, pois o Ártico funciona como uma espécie de geladeira do planeta. (Fonte: Estadão Online)