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domingo, 30 de janeiro de 2011

Ano Internacional da Floresta – 2011


Em 2010 comemoramos o Ano Internacional da Biodiversidade, que contou com diversos eventos, inclusive um deles abordado aqui no blog a COP -10 (a décima Conferência das Partes que tratou sobre a Convenção sobre a Diversidade Biológica – que como já sabemos não deu em muita coisa). Já 2011 será o Ano Internacional das Florestas.

A data e o tema são iniciativas aprovadas pela Assembléia Geral das Nações Unidas, que tem como principal objetivo esclarecer para todos a importância das florestas e de seu manejo sustentável na redução da pobreza. A programação contará com atividades internacionais, coordenadas pelo Fórum de Florestas (UNFF) e organizações da ONU, além de eventos nacionais.

Segundo documento da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), para facilitar a realização dos objetivos deste Ano Internacional, o secretariado do “Fórum das Nações Unidas sobre as Florestas” propõe as seguintes atividades difusoras:

1.Logotipo do Ano Internacional das Florestas – 2011: O logotipo oficial foi idealizado por designers gráficos e desenvolvido em colaboração com o Departamento de Informação Pública da Secretaria Geral. Recebeu aprovação do Conselho de Publicações das Nações Unidas, tendo sido apresentado publicamente em todos os idiomas oficiais da Organização. Tem como tema “Florestas para o povo“, exaltando o papel das pessoas na gestão, conservação e exploração sustentável das florestas do mundo.

2. Site do Ano Internacional das Florestas – 2011: O site fornecerá uma plataforma on-line a todas as informações relativas ao Ano.

3. Porta-vozes ou mensageiros das florestas: Pessoas que ocupem lugares de liderança nas comunidades foram selecionadas para atrair a atenção da mídia, dando maior visibilidade à causa das florestas, sensibilizando para aumentar o apoio da população a essa causa.

4. Coleção de selos sobre o Ano Internacional das Florestas – 2011: Foi desenvolvida uma coleção de selos comemorativos para colaborar com a “Secretaria do Fórum das Nações Unidas sobre as Florestas”. Esta coleção será apresentada na inauguração oficial do Ano Internacional das Florestas, nos dias 2 e 3 de fevereiro de 2011, em Nova Iorque.

5. Concursos Artísticos, Cinematográficos e de Fotografia: Organização de eventos on-line para homenagear aqueles que expressem através das artes plásticas, fotografias, filmes e curtas-metragens a idéia de que as florestas são para o povo.

6. Anúncios de interesse público e curta-metragens promocionais: Existe a produção de um curta-metragem e alguns anúncios de interesse público que serão distribuídos em todo o mundo em diversos idiomas, a serem transmitidos pela televisão e outras mídias, incluindo espetáculos teatrais gratuitos em que se possa transmitir idéias e fomentar ações em prol das florestas.

7. Diversidade biológica das florestas: Em colaboração com a “Secretaria da Convenção sobre a Diversidade Biológica” estuda os âmbitos em que possa haver sinergia entre o Ano Internacional da Biodiversidade, 2010 e Ano Internacional das Florestas – 2011. Entre as atividades se incluiu a organização de um “ato de ligação dos Anos” que fará parte da cerimônia de encerramento do Ano Internacional da Biodiversidade, que será realizada em dezembro de 2010, no Japão.

8. Zonas Úmidas e Florestas: A Convenção de Ramsar[1] escolheu o lema “Os pântanos e florestas” Dia Mundial das Zonas Úmidas para 2011 em homenagem ao Ano Internacional das Florestas. “A Secretaria do Fórum das Nações Unidas sobre Florestas” colabora atualmente com a “Secretaria da Convenção Ramsar” para a produção de um documento sobre as zonas úmidas e florestas para o Dia Mundial das Zonas Úmidas 2011.

Panorama dos biomas brasileiro

O Brasil, possuidor de grande parte de florestas do mundo, conta com biomas como: Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa, sendo a Amazônia, o de maior extensão, o Pantanal, de menos que juntos ocupam  mais de metade do Brasil: o Bioma Amazônia, com 49,29%, e o Bioma Pantanal, com 1,76% do território brasileiro. (Dados do Mapa de Biomas do Brasil – IBGE, 2004)


Comemorações

Na Alemanha, o Ano das Florestas 2011 será organizado por autoridades florestais federais e estaduais, e pelo Ministério da Alimentação, Agricultura e Defesa do Consumidor (BMELV). Já em Portugal a comemoração será coordenada pelo Secretário de Estado das Florestas, Rui Barreiro. No Brasil ainda não saiu um calendário com a comemoração.

Fonte: Esse Tal Meio Ambiente

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Encontro sobre mudanças climáticas para povos indígenas

Por Redação Conservação Internacional 


Desta terça-feira (14/09) até quinta-feira (16/09), das 09h às 18h, acontece no Centro de Convenções Israel Pinheiro, em Brasília, o “Encontro de Povos Indígenas sobre Mudanças Climáticas e Redd+”.  Realizado pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) com apoio das ONGs Conservação Internacional (CI-Brasil), The Nature Conservancy (TNC), WWF Brasil e Agência Alemã de Cooperação Técnica (GTZ) e da embaixada dos Países Baixos, o evento tem como objetivo socializar informações entre os povos indígenas e identificar sua percepção em relação às mudanças climáticas e o mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e da Degradação florestal, conservação, manejo sustentável das florestas e aumento dos estoques florestais (Redd+).

Além disso, pretende-se realizar a troca de experiências e ideias entre os representantes de 17 povos indígenas que participarão do encontro promovendo um diálogo entre eles e representantes do governo sobre políticas públicas em Redd e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.  “Esse tipo de evento é importante, pois precisamos passar para as lideranças indígenas as informações sobre mudanças climáticas, principalmente sobre o Redd, para que eles possam fazer suas próprias experiências.  Mas, o fator crucial é que estão acontecendo uma série de discussões internacionais sobre o tema e agora em nível nacional também.  Com isso, as comunidades que são afetadas com os projetos precisam se preparar para ter conhecimento e domínio no tema”, afirma Francisco Purinaã, representante da Coiab em Brasília.

Para o alcance dos objetivos, representantes de diversas organizações indígenas e organizações da sociedade civil, e também do governo, como Fundação Nacional do Índio (Funai) e Ministério do Meio Ambiente (MMA), falarão sobre os temas por meio de oficinas e debates.  No primeiro dia o foco será no tema “Visão Indígena sobre as mudanças climáticas, o papel das florestas e das Terras Indígenas”.

No segundo dia, a discussão será sobre os riscos e as oportunidades de iniciativas de mudanças climáticas e Redd e haverá uma apresentação dos princípios e critérios socioambientais de Redd.  No último dia será abordada a legislação sobre povos indígenas e políticas públicas de âmbito nacional e internacional relacionadas às mudanças climáticas e povos indígenas.  No encerramento, a intenção é que sejam definidos os encaminhamentos e as agendas das organizações indígenas sobre políticas públicas e mudanças climáticas.

(Envolverde/Conservação Internacional)

Comércio de emissões na China preocupa especialistas

Por Fabiano Ávila, da Carbono Brasil 


País sediará a última rodada de negociações climáticas antes da COP 16 e já prometeu um mercado de carbono para os próximos cinco anos, mas críticos afirmam que a falta de regras é um risco para a credibilidade da ferramenta.

Durante as próximas semanas a cidade chinesa de Tianjin será um dos focos da atenção mundial. Neste momento, o município está sediando o Fórum Econômico da Ásia, o equivalente continental ao encontro anual em Davos, com o tema: %u201CImpulsionando o Crescimento através da Sustentabilidade%u201D. Em seguida receberá a última rodada de negociações climáticas antes da Conferência do Clima de Cancun (COP 16), no México no final de novembro. 

Um dos assuntos que vem ganhando a atenção no Fórum Econômico e será ainda mais debatido na rodada climática é o comércio de emissões. A China é o país com o maior número de projetos no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) e está planejando um mercado de carbono. Porém a falta de uma legislação nacional sobre o tema preocupa especialistas e ambientalistas, que temem que as ferramentas sejam desvirtuadas.

Autoridades chinesas anunciaram em julho que um comércio doméstico de permissões deve entrar em vigor até 2015. A conclusão é que colocar um preço nas emissões seria indispensável para que a China consiga reduzir sua contribuição para o aquecimento global e também para alavancar uma economia de baixo carbono.

%u201CSem a devida legislação, esse mercado ficará vulnerável a novas fraudes como as já observadas em projetos de MDL%u201D, afirmou Wu Changhua, diretora da ONG Climate Group, fazendo referência aos casos de empresas que estariam deliberadamente aumentando suas emissões de gases do efeito estufa para aproveitar uma brecha na legislação do MDL e assim lucrar com o esquema.

Além do temor de fraudes, muitos consideram que o avanço chinês em direção a um mercado de carbono é prematuro, visto que o país ainda possui grandes dilemas sociais e de crescimento econômico.

%u201CPrecisamos lembrar que a China ainda é um país em desenvolvimento e seu PIB per capita é de apenas 15% do norte-americano por exemplo. Simplesmente não existem as bases para uma ferramenta tão avançada quanto um esquema de comércio de permissões. Várias outras questões deveriam ser prioridades ao invés disso%u201D, explicou Peter Sheehan, do Centro de Estudos Econômicos Estratégicos da Universidade de Victoria da Austrália.

Negociações


O Fórum Econômico em andamento já está servindo de palco de debates sobre a importância da cooperação internacional para combater as mudanças climáticas. Porém, autoridades vêm ressaltando que as divergências não parecem estar perto de serem solucionadas.

%u201CExistem enormes diferenças nas posições dos países ricos e pobres. Esse impasse será o principal obstáculo para o acordo climático global%u201D, disse Su Wei, presidente da Secretaria de Mudanças Climáticas da Comissão de Reforma e Desenvolvimento Nacional da China.

Segundo Wei, que é a principal autoridade chinesa nas mesas de negociação, as nações industrializadas estão minando o conceito de %u201Cresponsabilidades comuns, porém diferenciadas%u201D firmado no Protocolo de Quioto ao demandar cortes ambiciosos da China e Índia.

Para diminuir esse atrito e tentar facilitar o andamento das negociações, a presidente do braço climático da ONU (UNFCCC) Christiana Figueres está em Tianjin e se encontrou com o vice-primeiro-ministro da China Li Keqiang.

Os dois conversaram sobre as novas políticas chinesas para promover o crescimento sustentável da economia, como novas regras de eficiência energética e a medida de fechar mais de duas mil indústrias poluidoras no país. Christiana elogiou as decisões e se disse ansiosa para essa última rodada climática antes de Cancun.

Negociadores de mais de 200 países devem se reunir a partir do dia 4 de outubro em Tianjin.

(Envolverde/Carbono Brasil)

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Fórum sobre práticas com inventários de emissões de GEE no setor de energia

  
19 agosto de 2010 – APIMEC/Rio – Av. Rio Branco, 103 – 21º andar – Centro – RJ

O Portal Ambiente Energia promoverá no dia 19 de agosto, no Rio de Janeiro, o 1º Fórum sobre Práticas com Inventários de Emissões de GEE no Setor de Energia. O fórum vai colocar em foco os cases das cinco empresas do setor energético que participam do Programa Brasileiro GHG Protocol – Petrobras, Eletrobras Furnas, EDP no Brasil, Cesp e Copel. Elas integram uma seleta lista de 35 empresas brasileiras que participam do Registro Público de Emissões de GEE (Gases do Efeito Estufa). Além de mostrar as iniciativas destas cinco empresas, o objetivo principal do fórum é estimular a troca de conhecimentos e experiências sobre o tema entre as empresas do setor de energia.

O Fórum sobre Práticas com Inventários de Emissões de GEE no Setor de Energia é uma iniciativa independente do Ambiente Energia, veículo de comunicação que busca trazer novos temas para o primeiro plano da pauta do setor de energia. O evento é portanto dissociado das atividades do Programa Brasileiro GHG Protocol e do Centro de Estudos em Sustentabilidade – GVces – FGV-EAESP, coordenador deste importante programa do país.

O fórum já conta com o apoio do Fórum de Meio Ambiente do Setor Elétrico (FMASE), da Associação Brasileira de Companhias de Energia Elétrica (ABCE), Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica (Apine) e Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Carbono (Abemc).

O fórum terá como resultado final a publicação de um “guideline”, uma publicação jornalística que vai mostrar a experiência das empresas de energia na elaboração de seus inventários de emissões de GEE e dos seus resultados trazendo a cobertura dos debates do evento.

Informações - http://www.ghgprotocolenergia.com.br/ 
  

segunda-feira, 14 de junho de 2010

British Council abre inscrições para o programa Climate Generation

 
100 jovens ativistas da América Latina e Caribe serão selecionados, sendo 25 do Brasil.

08 de Junho de 2010 – O British Council, a organização internacional do Reino Unido para oportunidades educacionais e relações culturais, está com inscrições abertas até 8 de julho de 2010 para o programa Climate Generation.
O programa Climate Generation convida jovens ativistas, de 16 a 35 anos de idade, a fazer parte de sua rede internacional de Climate Champions, que reúne jovens de todo o mundo que compartilham o interesse pela busca de soluções sustentáveis para os impactos das mudanças climáticas.
Como Climate Champions, os participantes do programa têm acesso ao conhecimento necessário para promover o debate sobre o tema em suas comunidades e elaborar projetos de adaptação e mitigação das mudanças climáticas. Também têm a oportunidade de solicitar apoio financeiro para seus projetos e candidatarem-se para participar de eventos nacionais e internacionais, como por exemplo, a conferência das Nações Unidas sobre o clima, COP16, que, em 2010, será realizada no México.

O programa Climate Generation, realizado em 60 países de todo o mundo, conta com uma rede de mais de 3000 pessoas, das mais variadas áreas da sociedade, como governos, empresas, universidades, escolas, meios de comunicação, ONGs, entre outras. Alguns exemplos dos participantes da rede incluem um cineasta independente da Finlândia, um músico do Nepal e uma estudante de engenharia civil de Bangladesh.
“A América Latina é uma das regiões mais preocupadas com as mudanças climáticas. Os jovens têm um grande interesse no futuro e representam os líderes do amanhã, mas necessitam dos recursos, conhecimento e oportunidades para desempenhar este papel. Através de nosso programa Climate Generation, oferecemos aos jovens a capacitação em habilidades de comunicação e negociação que podem ajudá-los a colocar seus projetos em prática e a disseminar as preocupações de sua geração” comentou Huw Jones, Diretor do Programa Climate Generation para a América Latina.
“Minha vida mudou de curso completamente após me tornar uma Climate Champion. Adquiri mais confiança e desenvolvi minha liderança para inspirar a mudança em outras pessoas. Participar da COP15, na Dinamarca, em 2009, junto com outros Champions de vários países, foi uma oportunidade incrível de mostrar a voz dos jovens para o mundo” – conta a Climate Champion de 16 anos Sofia Carvalho, de Brasília, DF, que fundou o MEMA - Mobilização Estudantil em prol do Meio Ambiente, para encorajar outros jovens a se unirem para promover a aplicação de práticas sustentáveis em suas escolas e comunidades.

Para participar, os candidatos devem ter entre 16 e 35 anos e estar engajados ativamente em algum projeto para combater as alterações climáticas. Ainda deverão fazer o upload de um vídeo no Youtube, preencher um formulário de inscrição e anexar duas cartas de referência que recomendem seu compromisso e entusiasmo com a busca de soluções para as mudanças climáticas.
No Brasil, o programa Climate Generation é realizado em parceria com a Escola Parque, uma renomada instituição educacional, com forte compromisso com a responsabilidade socioambiental em todos os projetos em que atua.
Para mais informações sobre o projeto e como participar, acesse: www.britishcouncil.org/BR/brasil-climate-generation. O prazo para recebimento das inscrições é 08 de julho de 2010.
Sobre o British Council:
O British Council é a organização internacional do Reino Unido para promover oportunidades educacionais e relações culturais. Busca estabelecer a troca de experiências e fortalecer laços que resulte em benefícios mútuos entre o Reino Unido e os países onde está presente, atuando em: Educação, Língua Inglesa, Ciências, Esportes, Arte e Mudanças Climáticas. O British Council é uma organização não-governamental com 75 anos de história e presente em mais de 100 países.

Apoio: Planeta Voluntários
A maior Rede Social de Voluntários e ONGs do Brasil !!!
Ana Paula Bessa
Gerente de Projetos | British Council | Rio de Janeiro
  

terça-feira, 6 de abril de 2010

Belém sediará próxima consulta sobre princípios e critérios de REDD+

Por Pedro César Batista* 


O Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), o Conselho Nacional de Seringueiros (CNS) e a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) realizarão nos próximos dias 13 a 15 de abril, em Belém (PA), a terceira oficina sobre REDD+, reunindo lideranças dos movimentos sociais do Amapá, Maranhão, Pará e Tocantins.

A primeira reunião, realizada em Manaus, contou com a participação de representantes de Amazonas e Roraima. A Consulta em Porto Velho (RO), ocorrida entre 29 e 31 de março, deu continuidade aos debates com a presença de lideranças de Acre, Mato Grosso e Rondônia. Em cada cidade, ao longo de três dias, as lideranças das comunidades tradicionais e das populações da floresta aprofundaram o debate sobre os Princípios e Critérios de REDD+.

Os mecanismos de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD) têm conquistado um espaço central na discussão internacional sobre mudanças climáticas. Estudos sugerem que a emissão de gases de efeito estufa a partir de desmatamento representa algo entre 10 e 20% do total das emissões antrópicas mundiais. Este papel central nas discussões sobre mudanças climáticas tem aberto diversas oportunidades para ações de combate ao desmatamento, tanto na esfera governamental (federal e estadual) quanto na escala de projetos demonstrativos.

Entretanto, os mecanismos de governança para que estas oportunidades sejam traduzidas em reduções efetivas de desmatamento, benefícios à conservação da biodiversidade, benefícios sociais, e respeito aos direitos das populações tradicionais, ainda não estão estabelecidos. Isso implica em uma situação de risco em que, tanto os projetos de carbono, como os programas governamentais, podem gerar impactos indesejáveis às populações tradicionais e à biodiversidade, e/ou não resultarem em reduções efetivas das taxas de desmatamento.

As consultas baseiam a discussão em documentos elaborados no final de 2009, por grupos multissetoriais, integrados por representantes do movimento social, indígena, ambientalista e do setor privado. Entres os documentos de referência está a “Carta de Princípios para REDD” do Fórum Amazônia Sustentável.

Os seminários propõem a capacitação de lideranças dos povos da floresta, incluindo índios, seringueiros, ribeirinhos e demais atores locais interessados em assuntos relacionados às mudanças climáticas e REDD. O objetivo é colher sugestões e recomendações que serão considerados na versão final dos Princípios e Critérios Socioambientais de REDD+.  Através de um processo includente de consulta aberta a toda a sociedade brasileira, os organizadores das consultas esperam que o novo documento reflita as preocupações da sociedade civil em relação ao tema, criando condições para que o REDD não resulte em impactos negativos socioambientais.

A atividade é uma iniciativa do GTA, CNS e Coiab, com apoio técnico do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) e Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam). A realização tem o apoio financeiro da Fundação Packard.

Serviço:

Seminário em Belém (PA)
Dias 13 a 15 de abril de 2010
CNBB
Travessa Barão do Triunfo, 3151 – Bairro do Marco (entre as Avenidas Almirante Barroso e 25 de setembro) Belém - PA

Informações:

Luiz Menezes – (68) 9984 9103
Rubens Gomes – (92) 9122 4647
GTA Nacional – (61) 3202 4452

www.reddsocioambiental.org.br.

*Pedro César Batista (Assessoria de Comunicação do GTA) 

Fonte: Envolverde/Assessoria de Imprensa

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Lula critica EUA, mas comemora acordo feito na COP

Por Luana Lourenço , da Agência Brasil 


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a posição dos Estados Unidos na Conferência do Clima (COP-15), em Copenhague, em avaliação que fez sobre a participação brasileira na Conferência nesta segunda-feira (21/12), em seu programa semanal de rádio, Café com o Presidente. Lula, no entanto, considerou que, apesar de um acordo parcial, a conferência conseguiu resolver parte do problema.

Para Lula, a redução de emissões de gases de efeito estufa deve ser encarada como um tema prioritário pelos governantes, principalmente os de países desenvolvidos, que historicamente emitiram mais e são mais responsáveis pelo aquecimento do planeta. O presidente citou os Estados Unidos, que nunca ratificaram o Protocolo de Quioto.

“Os Estados Unidos, ao tomarem essa atitude, fizeram com que muitos países europeus e mais o Japão, que são signatários de Quioto, quisessem acabar com o protocolo, não deixando nada no lugar, para que eles também não tivessem mais os compromissos com metas”.

Apesar das críticas, o presidente considerou um avanço nas negociações climáticas o acordo fechado entre a China, a Índia, a África do Sul, o Brasil e os Estados Unidos no fim da conferência, mas reconheceu que a solução global precisa ser legitimada por todos os países.

“Até o próximo encontro, no México, nós deveremos fazer um acordo e todo mundo concordar para que a gente possa, então, definir uma política mundial para que a gente trabalhe o desaquecimento global”.

O presidente afirmou ainda que as metas brasileiras apresentadas na conferência, de redução das emissões nacionais de gases de efeito estufa entre 36,1% e 38,9% até 2020, serão consolidadas com força de lei.

“Já não é mais a vontade do presidente Lula. Agora, quem quer que governe esse país vai ter que cumprir”. (Edição: Tereza Barbosa)

 
Fonte: Envolverde/Agência Brasil

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

COP15: sucesso ou fracasso?




A 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, realizada em Copenhague, foi a maior reunião diplomática da história. Resultou em frustrações, visto que as expectativas eram grandes, mas, também, em avanços significativos. Nós do Planeta Sustentável, depois de acompanhar as negociações - no Brasil e em Copenhague -, concluímos que há muitos motivos para otimismo

Caco de Paula e Matthew Shirts


O mundo não será o mesmo depois da COP15. Haverá, é claro, muito para se fazer ainda. Mas há também notícias positivas. A primeira delas é que o mundo todo tomou consciência do problema. A segunda é que os Estados Unidos e a China, os dois maiores emissores de gases de efeito estufa (GEE), concordaram em participar do acordo pela primeira vez, com metas. É um avanço significativo. Dá um claro sinal às empresas daqueles países – e do mundo -- de que o aquecimento deixa de ser uma preocupação ambiental movida por altruísmo e se firma como questão geopolítica e estratégica.

O papel do Brasil merece destaque. O país, que até pouco, mostrasse pouco entusiasmo pela questão pode ser considerado hoje um dos lideres mundiais no que tange ao aquecimento global. Ficou claro, ainda, que o debate sobre o assunto vai estar no centro da próxima campanha para presidente no nosso país. Os três pré-candidatos - José Serra, Dilma Rousseff e Marina Silva - estiveram atuantes no COP15. E a questão do aquecimento esteve, pelo menos durante a conferência, no centro da grande imprensa brasileira, com direito a manchetes nas primeiras páginas dos jornais e revistas.

Saímos de Copenhague com outra certeza, a de que o aquecimento global não será resolvido apenas pelos governos. A tarefa é gigantesca. Todos nós: empresas, mídia, indivíduos e governo precisamos contribuir e muito. Trata-se de uma questão de solidariedade para com as novas gerações. E também de uma importante questão econômica. A luta continua. Vamos trabalhar para, em 2010, darmos outro passo, ainda maior. A questão veio para ficar. A humanidade precisa resolvê-la para poder caminhar tranqüila.

Fonte: Planeta Sustentável

sábado, 12 de dezembro de 2009

Fome de ar, água e comida

Os donos do mundo e seus sábios reunidos em Copenhague ainda não se entenderam sobre como salvar o planeta. A COP15 já funcionou, porém, como uma martelada na cabeça dos líderes, alertando-os para a superlotação da Terra e a dramática escassez de recursos naturais.
 
Por Ronaldo França, de Copenhague
 
Fotos cortesia Royal Hollway/Universidade de Londres; Lain D. Willians/Reuters

 

ELES DEVORAM MESMO
 
Na fotografia acima, feita no Alasca, um urso-polar arrasta a carcaça de outro. Os ursos-polares costumam matar e devorar seus pares em lutas por dominação sexual e para controle populacional. Os pesquisadores suspeitam que o degelo precoce do Ártico, atribuído ao aquecimento global, tornou o canibalismo mais frequente entre os ursos. O quadro abaixo, do inglês Edwin Landseer, do século XIX, retrata uma cena descrita por sobreviventes de um naufrágio. O urso da direita tem entre as presas um osso humano ainda com carne. Que contraste. A ideia de animais selvagens como vítimas da ação do homem é recentíssima.

Antes que você acabe de ler esta frase, terão nascido no mundo quarenta bebês, enquanto vinte de nós terão deixado o plano material para prestar contas a Deus. O saldo é a chegada, a cada dez segundos, de vinte novos moradores da Terra, prontos para crescer, estudar, trabalhar, namorar, casar e ter filhos. Há dez anos, em 1999, o planeta estava na confortável situação de receber cada novo morador com comida e água na quantidade necessária para que ele conseguisse atingir seus sublimes objetivos na vida. De lá para cá, começou a se delinear um novo e desafiador cenário para a espécie humana. A demanda por comida e outros bens naturais passou a crescer mais rapidamente do que a oferta, como mostram as curvas desenhadas no globo da página anterior. Elas não foram parar ali por acaso. Aquele globo esverdeado e translúcido é, até agora, a imagem que melhor identifica a COP15, a reunião de representantes de 192 países que tem lugar em Copenhague, na Dinamarca. Esses senhores e seus assessores científicos têm como missão chegar a um acordo mundial para conter o ritmo do aquecimento global. Esse fenômeno é normalmente benéfico, mas saiu de controle, aparentemente como resultado da atividade industrial humana, e agora pode desarranjar o clima da Terra a ponto de ameaçar a sobrevivência de inúmeras espécies e impor um modo de vida mais áspero e severo à própria humanidade.

A COP15 acaba no fim da próxima semana, e seu encerramento está sendo esperado com tal ansiedade que muitos nem sequer cogitam, por assustadora, a possibilidade de um fracasso. Talvez se deva começar a pensar com mais realismo nessa possibilidade. Por razões metodológicas e ideológicas, e também para não ampliar em demasia a pauta das discussões, dificultando ainda mais um acordo final, a questão populacional está em plano secundaríssimo em Copenhague. É estranho que ela tenha sumido dos debates sobre as soluções do aquecimento global, quando se sabe que esteve na base do seu diagnóstico desde o primeiro momento em que o aquecimento global foi visto como um perigo potencial. Quando o físico sueco Svante Arrhenius concluiu seus cálculos pioneiros sobre o efeito das moléculas de gás carbônico (CO2) no aumento da temperatura média do planeta, em 1896, a Terra era habitada por cerca de 1 bilhão de pessoas. Arrhenius foi o primeiro a perceber que o aumento na concentração de CO2 poderia aquecer demais o planeta. Pouco mais de um século depois do trabalho do sueco, a Terra tem 6,8 bilhões de habitantes e caminha para os 9,2 bilhões por volta de 2050. Serão 2,5 bilhões de pessoas a mais, e, graças ao sucesso da globalização econômica, a maioria delas atingirá um padrão de consumo de classe média. Isso tem um peso extraordinário não apenas na equação do aquecimento global, mas no frágil equilíbrio que a civilização ainda consegue manter em suas relações de rapina com o mundo natural. É enorme o impacto da explosão populacional aliado à emergência social e econômica de imensas massas humanas antes fadadas à miséria. Seus efeitos já se fazem sentir no aumento da demanda de alimentos em ritmo superior ao da oferta, como mostram as curvas do gráfico sobreposto ao globo-símbolo da COP15 nas páginas de abertura desta reportagem.

Vivo estivesse, o sueco Svante Arrhenius enfatizaria em Copenhague o fator populacional no descontrole aparente em que se encontra o efeito estufa global. A cada dia que passa, o mundo tem de sustentar 213 000 pessoas a mais. Cada ser humano adulto produz, em média, 4,3 toneladas de gás carbônico por ano sem fazer nada de mais - apenas ao acender uma lâmpada, andar de carro ou ônibus, alimentar-se e vestir-se. Esses novos passageiros da espaçonave Terra, em conjunto, passarão a responder, então, por 880 000 toneladas a mais de carbono arremessado na atmosfera. As estimativas de aumento de emissões de gases de efeito estufa contemplam o choque populacional. O documento final do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU diz com clareza que "o crescimento do produto interno bruto per capita e o da população foram os principais determinantes do aumento das emissões globais durante as últimas três décadas do século XX". Outro relatório divulgado há menos de um mês pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) chama a atenção para o equívoco de desprezar o aumento populacional no debate sobre o aquecimento: "Os gases de efeito estufa não estariam se acumulando de modo tão perigoso se o número de habitantes da Terra não aumentasse tão rapidamente, mas permanecesse em 300 milhões de pessoas, a população mundial de 1 000 anos atrás". O intrigante é que, nas ações propostas para os próximos anos, o fator aumento da população desaparece.

O tema é realmente explosivo e tem conotações sombrias, por erros cometidos no passado. Com razão ou não, muitas pessoas encaram qualquer sugestão para conter o ritmo de aumento populacional como uma interferência indevida de forças estranhas no livre-arbítrio de países, famílias e das próprias mães. Razões culturais e socioeconômicas contribuem para tirar qualquer efeito prático das assombrosas constatações do crescimento populacional desenfreado. São dois os motivos principais para isso. O primeiro é que existe uma inegável disparidade no volume de emissões individuais quando se comparam cidadãos de países ricos e pobres. Um americano joga, em média, 19 toneladas de gás carbônico na atmosfera anualmente. Um afegão morador das montanhas de seu belo país contribui com modestíssimos 26 quilos de CO2. Como exigir do montanhês afegão que - quando não foi recrutado pelo Talibã para plantar papoula, matéria-prima do ópio - vive do leite de suas cabras e da hortinha no quintal que refreie seus impulsos reprodutivos usando como argumento o peso que o pobre coitado está colocando sobre o planeta? É ridículo. A maior força moral está em convencer o bem-educado e bem nutrido americano médio a repensar seu modo de vida, optando por uma sobrevivência mais frugal. Vale dizer que, embora as conversões ao naturalismo e à alimentação orgânica se contem aos milhares todos os meses nos Estados Unidos, elas são insignificantes do ponto de vista global.

A segunda razão do encalacramento da questão populacional vem da noção, bastante razoável, diga-se, de que os avanços educacionais e os saltos tecnológicos são muito mais eficientes nesse caso do que qualquer política governamental. O dinamarquês Bjorn Lomborg, estrela no grupo dos cientistas céticos quanto aos efeitos do aquecimento global e à responsabilidade humana nele, está entre os que acreditam que a solução virá do avanço tecnológico. Disse Lomborg a VEJA: "Realmente o tema não é tratado aqui. Pela ordem, eu diria que conter o consumo é um pouco mais prioritário, mas, definitivamente, apressar a busca por novas tecnologias limpas é o mais importante de tudo". O economista carioca Sérgio Besserman, ex-presidente do IBGE, que participa da COP15, descrê de qualquer política centralizada que vise a determinar ou influenciar os casais a respeito do número de filhos que devem ter. Ele lembra que a elevação do padrão cultural e educacional da população sempre coincide com a diminuição da taxa de fecundidade. "Quan-do se torna mais amplo o acesso à educação, à cultura e ao conhecimento, as populações passam a crescer em ritmo menor e até a decrescer", diz.

O caso brasileiro é ilustrativo dessa constatação. Há trinta anos, as mulheres brasileiras apre-sentavam taxas de fecundidade que se contavam entre as maiores do mundo, rivalizando com os padrões africanos. No começo da década de 90, a situação apresentava melhoras, mas ainda era preocupante. As mulheres do Brasil rural tinham então, em média, 4,3 filhos - dois a mais do que as mães urbanas. Uma década mais tarde, a diferença entre o número de filhos de mães rurais e urbanas se reduziu para 1,2. Em 2006, a taxa geral de fecundidade no Brasil havia estacionado em dois filhos por mulher. Um avanço cujo progresso só pode ser explicado pelos fatores apontados por Besserman, uma vez que as campanhas de controle de natalidade há muito foram desativadas no Brasil.

Fenômeno semelhante deve ocorrer na Ásia e na África com as melhorias educacionais e com o aumento da proporção da população urbana em relação à rural. Viver em cidades é um grande fator de diminuição do número de filhos. A ONU calcula que o somatório desses fatores terminará por estabilizar a população do planeta na casa dos 9 bilhões a partir do ano 2050. A questão é como chegar até lá sem grandes traumas. O prognóstico não é bom. Estudos científicos mostram que o mundo natural está sendo testado em seu limite para sustentar os atuais 6,8 bilhões de passageiros da espaçonave Terra. Segundo o OPT, organização inglesa que desenvolveu um indicador confiável de sustentabilidade, nos níveis tecnológicos atuais, o máximo que o planeta comporta sem risco de exaustão são 5,1 bilhões de pessoas. No fim da próxima semana, de Copenhague, virá a sinalização se a humanidade captou o dramático pedido de socorro que a Terra está emitindo.



Muita esperança, poucos resultados

Nem sempre as reuniões de líderes mundiais e seus
sábios chegam a resultados positivos e duradouros

Bettmann/Corbis/Latinstock


Liga das Nações (1919)

O que era: com o fim da I Guerra, 42 países assinaram uma declaração com o objetivo de garantir a paz no mundo. Tentava-se evitar uma nova escalada de desentendimentos como a que levou ao sangrento conflito na Europa. Os países deveriam submeter à arbitragem da Liga qualquer desavença internacional.
 
Em que resultou: foi um fracasso. A Liga das Nações não se mexeu para tentar evitar os movimentos expansionistas da Itália, do Japão e da Alemanha que tiveram como desfecho a II Guerra. Aperfeiçoado, o modelo da Liga resultou, em 1945, na criação da Organização das Nações Unidas (ONU). 
 
Bettmann/Corbis/Latinstock


Conferência de Bretton Woods (1944)

O que foi: representantes de 44 governos se reuniram com o objetivo de estabelecer as bases para a reconstrução econômica da Europa devastada pela II Guerra. Adotou-se o câmbio fixo entre o dólar e as demais moedas.
 
Em que resultou: os acordos costurados em Bretton Woods deram origem à criação do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, organismos que lançaram as sementes da globalização. Mas as medidas tomadas para estabilizar o câmbio foram abandonadas no início dos anos 70. 
 
Sergio Zalis


Eco 92 (1992)

O que foi: Representantes de 179 países se reuniram no Rio de Janeiro a fim de estabelecer metas para combater os males causados pelo uso predatório dos recursos naturais.
 
Em que resultou: O encontro produziu um documento aplaudido por todos, mas que, na prática, ficou restrito ao terreno das boas intenções. O crescimento da economia global, desde então, foi proporcional à degradação causada ao ambiente.

Fonte: VEJA


quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

“Texto dinamarquês” levanta polêmica

Segundo o The Guardian, os países em desenvolvimento “reagiram furiosamente” a um texto divulgado na terça-feira, supostamente escrito pelo país anfitrião da conferência da ONU.

Por mais de uma semana circulou um boato de que a Dinamarca, anfitrião da conferência da ONU sobre mudanças climáticas, foi elaboradora de  um texto de compromisso. Na tarde do segundo dia da conferência, o The Guardian publicou o que alegou ser este texto. O jornal britânico afirma também ter lido “uma análise confidencial do texto por parte dos países em desenvolvimento”, que “mostraram profundo mal-estar”.

“Você precisa ouvir todos os países. É disso que se trata a democracia e é isso que tem sido esperado na Dinamarca. Qual o seu primeiro-ministro (Lars Løkke Rasmussen) não é contrária ao espírito da ajuda de desenvolvimento, que a Dinamarca tem prestado para a África através de muitos anos, “Lumumba Estanislau Di-Aping (foto acima), presidente do Grupo dos 77, em sua maioria constituída dos países em desenvolvimento, diz dinamarquês Politiken.

O projeto no site The Guardian, é intitulado “O Acordo de Copenhague no âmbito do Quadro das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas”. Dá 2020 como o ano em que as emissões globais devem atingir um pico, enquanto que “reconhecendo que os países desenvolvidos coletivamente atingiram este pico e que o prazo será maior para os países em desenvolvimento.” O texto especifica que as emissões dos países desenvolvidos deve ser reduzidas em 80 por cento até 2050 em comparação aos níveis de 1990. Propõe também que uma meta de redução provisória para os países desenvolvidos até 2020, seja definida – uma  das principais exigências dos países em desenvolvimento. Contudo, até agora o valor é dado apenas como “X” – o que significa que não será indicado antes das negociações de alto escalão na próxima semana.
 
Uma questão crucial nas negociações da ONU é se certos países em desenvolvimento devem assumir compromissos ou não. Nos termos do presente acordo, o Protocolo de Quioto, os países em desenvolvimento estão isentos de obrigações, mas os países industrializados têm enfatizado que isso não é viável no futuro. Sobre esta questão, o texto “dinamarquês” diz que os países em desenvolvimento, exceto os menos desenvolvidos, comprometam-se com ações de mitigação apropriadas as suas realidades. “Esses compromissos são sugeridos para ser dado como um percentual – a ser negociado na próxima semana – que deve ser alcançados até 2020. No entanto, o percentual não deve ser comparado com os níveis atuais.

Segundo fontes do The Guardian, os países em desenvolvimento estão descontentes com a nova proposta de divisão entre os “menos desenvolvidos” e outras nações em desenvolvimento. Outro ponto de preocupação é a sugestão da proposta de transferir mais controle sobre a aplicação do acordo de Copenhague da administração da ONU – que desempenham um papel fundamental no Protocolo de Quioto – para o Banco Mundial. Este movimento, indiretamente, daria mais controle sobre as questões de mudança climática para o mundo industrializado.

Segundo o diário dinamarquês Berlingske, o vazamento do projeto nesta fase inicial da conferência é visto como infeliz por negociadores europeus:

“É extremamente inadequado ter este documento circulando neste momento. Não deveria ter saído até a próxima semana”, segundo uma fonte não identificada na delegação de um país europeu diz o Berlingske.

De acordo com o jornal dinamarquês Jyllands-Posten, um comunicado de imprensa o Ministério do Clima dinamarquês nega que o texto publicado pelo The Guardian é uma proposta oficial dinamarquês para um texto de compromisso.

Secretário Executivo da UNFCCC, Yvo de Boer comenta em um comunicado à imprensa: “Este foi um trabalho informal antes da conferência dada a um número de pessoas para fins de consultas. Os textos formal no processo da ONU são apenas os apresentadas pelos presidentes desta conferência de Copenhague a pedido das partes”.

AmbienteBrasil

Dinamarca está pronta para pagar a sua parte

A Dinamarca é um dos primeiros países do mundo a  destinar verbas para que os países em desenvolvimento fortaleçam suas capacidades de combater as mudanças climáticas a curto prazo, disse o governo dinamarquês.

Dinamarca – o país hospedeiro da corrente conferência da ONU sobre mudanças climáticas- colocou dinheiro na mesa para a adaptação dos países em desenvolvimento às mudanças climáticas.

Desde que haja um acordo climático global e os outros países paguem as suas parte também, a Dinamarca irá  destinar  0,16 bilhões de euro para ajudar países em desenvolvimento a fortalecer suas capacidades de combater as mudanças climáticas à curto prazo (2010-2012).

Os fundos que a Dinamarca irá destinar está de acordo com a opinião da União Européia de que necessita-se de um acordo imediato que financie os países em desenvolvimento de  2010 à 2012, seguido de um aumento proporcional significante proveniente do  fluxo de caixa publico e privado para os países em desenvolvimento a partir de 2013. A UE estimou que são necessários ( para 2010-2012) entre 5 à 7 bilhões de euros.

Em um press release, o governo dinamarquês alegou que a Dinamarca quer contribuir à ação imediata nos países em desenvolvimento, logo após a conferência sobre mudanças climáticas.

“Nós queremos mandar um sinal claro para os outros países de que dinheiro é necessário nas mesas de negociação em Copenhague.  Sem financiamento dos países mais pobres, que serão os mais afetados pelas mudanças climáticas, não haverá um acordo climático,” diz  Ulla Tørnæs, o Ministro dinamarquês de Cooperação ao Desenvolvimento.

AmbienteBrasil

Evento paralelo: Bright Green Cities Connections

Nesta quarta-feira, 09/12, às 11h, o Conselho Euro-Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável promove o painel “Bright Green Cities Connections, dentro da programação paralela da COP15.


O projeto Bright Green Cities Connections reúne cidades, empresas e universidades articulando ações e atividades que visam soluções e recursos econômicos para desenvolvimento limpo no século 21.

No evento serão apresentados casos de cidades brasileiras que se destacam por inovação e medidas efetivas para a redução de emissões, tais como: Iluminação LED e eficiência energética, ciclovias e uso de transporte público movido a eletricidade.

Outro destaque será o Programa Floresta Móbile, que consiste na produção de móveis a partir de resíduos florestais e sobras de madeira. A idéia é desenvolver o artesanato industrial, a partir do trabalho com comunidades de baixa renda em pequenas e médias cidades do Nordeste ou Norte do Brasil.

O painel será realizado no Espaço Brasil, Hall C7, no Bella Center.

FONTE: www.cop15brazil.gov.br

Sem dúvida: A Terra está aquecendo

O serviço do tempo do Reino Unido, Met Office, publicou os dados da temperatura das estações, em relação a mais de 1.500 estações que compõem o registro da temperatura global da superfície da Terra. Os dados mostram que a temperatura global média da Terra têm aumentado ao longo dos últimos 150 anos e que o aquecimento global tem aumentado desde a década de 1970.


Segundo a Reuters, o Met Office Hadley Centre, publicou os dados para aumentar a transparência e apoiar as evidências de que o planeta está aquecendo.

O lançamento da informação é uma resposta à série de vazamento e-mails da Universidade de East Anglia. Os e-mails indicaram que alguns especialistas em clima suprimiram dados de outros especilistas para realçar os seus próprios, relata Reuters.

O Met Office vai continuar a expor o máximo de registro de temperatura da estação possível para o domínio público. Quando as aprovações internacionais entrarem em vigor, os registros das outras estações - cerca de 5.000 no total – serão lançados.

Fonte: Rie Jerichow – http://en.cop15.dk/

Bangladesh pede 15 por cento de todo o fundo para o clima





Mesmo antes de qualquer fundo de adaptação climática ter visto a luz do dia, Bangladesh faz exigências substanciais.

Se o nível do mar subir um metro, pelo menos 20 milhões de pessoas em Bangladesh seriam desalojadas, de uma população total de cerca de 150 milhões. Se as geleiras do Himalaia vierem a derreter devido ao aquecimento global, a situação é ainda pior.

“A população do nosso (distrito) litoral é maior do que toda a população de todos os países insulares e consideramos que pelo menos 15 por cento de qualquer fundo de clima deve vir para nós”, disse Ministro de Estado do Meio Ambiente e Floresta Hasan Mahmud, em entrevista coletiva, segundo a Reuters.

Hasan Mahmud enfatizou que Bangladesh é o país mais vulnerável do mundo para as alterações climáticas, relatórios Reuters.

“Nós não estamos pedindo qualquer misericórdia de ninguém. Pelo contrário, queremos justiça como a pior vítima da mudança climática”, disse Qazi Kholiquzzaman Ahmad, um economista, que também faz parte da equipe de negociação do clima em Bangladesh.

(Rie Jerichow)

Brasil teme manobra para derrubar financiamento contra aquecimento global

Copenhague (Dinamarca) – As negociações do primeiro dia da 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15) puseram em alerta o Brasil e outras nações pobres e em desenvolvimento que participam das discussões. O G77, bloco de países composto por 77 nações, entre as quais o Brasil, a Índia e a África do Sul, teme que esteja em andamento uma manobra para limitar o financiamento dos países ricos às ações para tornar ambientalmente sustentável o crescimento econômico nas próximas décadas.

O receio é fundamentado pelo avanço da recente proposta de estabelecer como acordo, aqui em Copenhague, a destinação de U$ 30 bilhões para as ações de mitigação nos próximos três anos. A tese, defendida pelo Brasil, é de que esse é apenas um compromisso de curto prazo. Para que se chegue a um entendimento, seria preciso bater o martelo sobre o investimento previsto para os próximos dez anos.

“A tendência dos países em desenvolvimento é não se comprometer apenas com um dinheiro inicial que vai durar só até 2012. Já que a mudança do clima é um problema urgente e o desafio é de longo prazo, o financiamento também tem que ser urgente e de longo prazo”, garante o negociador chefe do Brasil, Luís Alberto Figueiredo.

De acordo com o Banco Mundial, o combate ao aquecimento global demanda investimentos anuais de até U$ 270 bilhões. O próprio secretário-geral da conferência, Yvo de Boer, afirmou que, além do investimento de curto prazo, é preciso assegurar outras “centenas de bilhões de dólares” para que a negociação seja bem sucedida.

O pesquisador Paulo Moutinho, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, lembra que esse dinheiro é fundamental para os países insulares da África e da Ásia, ameaçados diretamente pelo aumento do nível dos oceanos provocado pelo degelo dos polos.

“Não acredito que este seja um dinheiro que deva ser utilizado pelo Brasil para combater o desmatamento da Amazônia”, adverte.

No entanto, o governo brasileiro acredita que esses recursos devem estimular os chamados Redás, projetos para permitir que os donos de terras na floresta invistam em serviços ambientais, como o reflorestamento e a recuperação de áreas degradadas.

O cientista chefe da organização não governamental Oceana, Mike Hirshfield, residente nos Estados Unidos, admite que a COP-15 corre efetivamente o risco de ficar sem acordo por causa do impasse sobre o financiamento. “Essa realmente é uma preocupação que deve ser levada em conta pelos países em desenvolvimento”, alerta.

Fonte: Roberto Maltchik -Enviado Especial EBC

Brasil promove evento paralelo sobre biocombustíveis durante a COP15

Bioenergia e mudança do clima é o tema do evento paralelo promovido pelo governo brasileiro durante a COP15. O painel “The contribution of biofuels to climate change mitigation”, será realizado no dia 08 de dezembro, das 13h às 14h30, na sala Victor Borg do Bella Center, em Copenhague.

O objetivo do evento brasileiro será esclarecer questões relacionadas à bioenergia enquanto fonte energética de baixa emissão de gases causadores do efeito estufa. Especialistas e cientistas dedicados ao tema oferecerão respostas aos principais negociadores da COP15, contribuindo com informações consistentes para embasar o processo negociador. Além do Brasil, foram convidados para este segmento os chefes de delegação dos Estados Unidos e da Suécia, países desenvolvidos com posições de vanguarda sobre o tema.
O evento será presidido pelo Subsecretário-Geral de Energia e Alta Tecnologia, Embaixador André Mattoso Maia Amado, e contará com a participação do Diretor do Departamento de Meio Ambiente e Temas Especiais, Embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, chefe da delegação brasileira à COP15 nesse momento.

Já o painel de especialistas será moderado pelo Diretor do Departamento de Energia, Ministro André Aranha Corrêa do Lago. Como especialistas, foram convidados: Ricardo Dornelles, Diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do MME; Melinda Kimble, vice-presidente sênior e responsável pela “International Bioenergy Initiative” da UN Foundation; José Domingos Gonzalez Miguez, Secretário-Executivo da Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima; e Thelma Krug, Pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Na qualidade de “guest speakers” dedicados ao tema da diminuição das emissões em comunidades de baixa renda em países em desenvolvimento através da bioenergia foram convidados os senhores Eduardo Mallmann, da USI (Usinas Sociais Inteligentes), que compartilhará experiências sobre micro-destilarias; e Harry Stokes, do Projeto Gaia, que falará sobre biocombustíveis para cocção, em substituição a combustíveis fósseis ou lenha e carvão vegetal. Participarão igualmente acadêmicos, representantes do setor privado (como a UNICA) e da sociedade civil (como a ONG The Nature Conservancy).

Programa:

13h00 – Palavras de abertura do Bem AMMA, Seguido de Suécia e EUA

13h15 – 13h45 – Painel de Especialistas
José Miguez (Secretário-Executivo da Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima); Thelma Krug (Pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE); Ricardo Dornelles (Diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do MME) e Guest Speakers (Eduardo Mallmann (USI); Harry Stokes (Projeto Gaia); representantes do setor privado e da sociedade civil.

13h45 – Debate

14h30 – Almoço

Fonte: www.cop15brazil.gov.br

EPA e COP 15 em sintonia

A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), rotulou o dióxido de carbono como uma ameaça a saúde humana. Isto abre caminho para uma regulamentação, caso a proposta no Congresso falhe.

Coincidindo com o início da conferência da ONU sobre mudanças climáticas em Copenhague, o órgão norte americano abriu uma nova porta para a legislação que poderá reduzir as emissões de gases com efeito de estufa. A EPA (Environmental Protection Agency) conclui que o dióxido de carbono e cinco outros gases do efeito estufa são uma ameaça à saúde pública. Como tal, as seis substâncias podem ser objeto de regulamentação no âmbito do “Clean Air Act”.

“Isso é muito significativo no sentido de que se (…) o Senado não aprovar a legislação (sobre as emissões), então o governo terá autoridade para regulamentar”, disse Yvo de Boer, chefe do secretariado da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC), de acordo com a Reuters.


Apresentando o anúncio feito segunda-feira, Lisa Jackson da EPA disse que a agência está “agora autorizada e obrigada a fazer esforços razoáveis” para reduzir as emissões de gases do efeito estufa, mas ela também enfatizou que a agência de forma alguma, está sugerindo que as alterações propostas ao projeto de lei sobre clima no Congresso sejam agora redundante.

“Eu não quero que ninguém saia daqui acreditando que seja um ou outro”, disse Jackson segundo a AFP.

“Esta é uma mensagem clara para Copenhague dos compromissos da administração de Obama para enfrentar a mudança climática global. A mensagem ao Congresso é absolutamente clara: mexam-se “, disse o Senador John Kerry, segundo a AP.

Na nota da EPA,o prota voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse aos jornalistas que Obama “ainda acredita que a melhor maneira de avançar é através do processo legislativo”.

Segundo a AP, Gibbs sugeriu que o do anúncio da EPA na data da abertura da conferência sobre mudança climática da ONU em Copenhague foi coincidência.

AmbienteBrasil

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

COP-15 - Desmatamento pode causar menos dano ao clima

Por Servaas van den Bosch, da IPS

Windhoek, Namíbia, 09/12/2009 – Enquanto se intensifica o debate para se chegar a um acordo climático em Copenhague, um estudo holandês indica que os danos na atmosfera em razão do desmatamento e da degradação dos solos são muito menores do que se presumia. As partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a mudança climática, cuja 15ª conferência acontece na capital dinamarquesa, supunham que as emissões de dióxido de carbono como resultado do corte de árvores representavam cerca de 20% do total mundial. Mas, Guido van de Werf e seus colegas da Universidade Vrije calcularam que a porcentagem real gira em torno dos 12%.

Os resultados de recalcular esta fração usando os mesmos métodos, mas estimativas atualizadas, sugerem que em 2008 o aporte relativo de emissões de dióxido de carbono a partir do desmatamento e da degradação das florestas “foi substancialmente menor, de aproximadamente 12%”, afirmam os cientistas. “Assim, é provável que as economias máximas de carbono a partir das reduções no desmatamento sejam menores do que se esperava”, acrescentam. O corte de árvores e a transformação de florestas em terras de cultivo emitem gases-estufa, ao liberar o carbono armazenado. Depois da queima de combustíveis fósseis, é a maior fonte de emissões casadas pela ação do homem.

E também é a mais fácil de combater. “Mesmo com menos emissões, evitar o desmatamento é a maneira mais barata e rápida de concretizar enormes reduções”, disse Herbert Christ, da Associação Florestal da Bacia do Congo, que reúne 10 países. A Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD), mecanismo pelo qual serão destinados fundos a países em desenvolvimento em troca de proteção florestal, esteve na mesa de negociações por um tempo. Espera-se que seja formalizado em Copenhague. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), os países africanos abrigam 16% (635 milhões de hectares) de florestas do mundo.

Em Zâmbia, a degradação florestal é a maior fonte de emissões de dióxido de carbono, e o REDD promete dezenas de milhares de dólares anuais para a mitigação. Em sua forma mais reduzida, o REDD beneficiará principalmente a bacia do Congo, que é o maior sumidouro de carbono depois do Amazonas. Mas, cientistas e negociadores pressionam para que se concretize um acordo estendido, chamado REDD+, que idealmente inclua manejo de florestas, reflorestamento e captura de carbono em outras paisagens. Na África, 70% da população dependem da agricultura e 80% obtêm seu combustível de uso doméstico a partir de biomassa. Assim, o continente é um importante agente do desmatamento.

Mas, terão as últimas cifras um impacto negativo nas negociações do REDD os cientistas e as organizações da sociedade civil parecem esperançosos. “Inicialmente, isto pode fazer com que alguns percam o entusiasmo pelo REDD, mas em uma reflexão mais profunda 12% ainda é uma quantidade enorme para um setor”, disse o pesquisador Rodel Lasco, do Centro Mundial de Agrosilvicultura em Nairóbi. “Isto não enfraquece realmente nossa posição negociadora. Na verdade, indica a necessidade de um acordo REDD+, que é mais amplo”, acrescentou.

Segundo Doug Boucher, diretor da iniciativa de Florestas Tropicais e Mudança Climática na Union of Concerned Scientists, “ainda é uma grande quantidade, comparável às emissões totais da União Europeia, e superior à do transporte mundial”. Por esse motivo, é muito urgente concretizar o REDD+, ressaltou. “Não creio que a posição negociadora dos países florestais mude muito devido aos novos números”, prosseguiu.

O estudo da Universidade Vrije indica que as emissões derivadas das turbas, antes sem calcular, representam 3% das emissões mundiais, mais do que as geradas pelo tráfego aéreo internacional. Incluí-las em um acordo REDD+ pode fazer com que as economias totais voltem a 15%. “A desvantagem é que as turbas ocupam maiores espaços em países como Indonésia”, disse Godwin Kowero, diretor do Fórum Florestal Africano. Mas, o mais importante é que este tema destaca a necessidade de um acordo REDD+ inclusive e que se defina melhor a palavra “floresta”, já que atualmente se exclui a maior parte da cobertura vegetal africana por ser “floresta seca”, enfatizou.

Com o tempo, o debate deveria incluir cada vez mais todos os setores-chave baseados na terra. Não se trata apenas de reduzir as emissões, mas também de aumentar a capacidade de capturar carbono. “Para a África, isto significa envolver nossas florestas naturais, plantações, árvores em estabelecimentos rurais e árvores fora das florestas”, disse Kowero. As várias constelações regionais do Grupo Africano do Grupo dos 77 (integrado por 130 países em desenvolvimento) mais a China enfatizam reiteradamente a importância de um enfoque de agricultura, silvicultura e outros usos da terra (Afolu) em conexão com o REDD.

“Precisamos ter um acordo do tipo do Afolu que salvaguarde o REDD+ e agregue árvores mediante o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) do Protocolo de Kyoto. A África pode manejar e beneficiar-se das duas coisas”, disse Kowero, que acredita que em Copenhague se decidirá um mecanismo REDD+. Previsto no Protocolo de Kyoto, o MDL é um instrumento que permite aos países ricos extrapolar suas cotas de emissões de gás-estufa caso financiem projetos para reduzi-los nas nações em desenvolvimento.

Segundo Christ, “as necessidades dos países africanos têm de ser reconhecidas em Copenhague”. Na bacia do Congo, a proporção do desmatamento é baixa, comparada com a do Amazonas. Como se refletirão em um acordo estes históricos esforços de conservação? Mas, também preocupa que o relativo otimismo que cerca o REDD seja usado para dissimular um fracasso mais amplo da COP-15. “O fato de o REDD ser visto como uma questão ‘não controversa’ enquanto a maioria das negociações ficaram paralisadas em Bangcoc e Barcelona deveria nos alertar”, disse Simone Lovera, da Coalizão Mundial pelas Florestas.

“Estas últimas rodadas de negociações deixaram claro que o REDD é visto como uma maneira potencial de criar uma fachada verde para o fracasso de Copenhague, por parte de uma quantidade cada vez maior de países dispostos a aceitar qualquer tipo de acordo brando” na capital dinamarquesa, acrescentou Lovera. Esta especialista teme que seja o estado de ânimo dominante. “Não tornemos isso muito controverso. Façamos do modo simples. No final, todos queremos chegar a um acordo em Copenhague, não é mesmo?”, disse.

A maioria dos especialistas acredita que o REDD avançará na capital da Dinamarca, mas, também há preocupação a respeito. “Nos preocupa principalmente que o texto da negociação do REDD não inclua explicitamente linguagem que proteja as florestas naturais intactas apesar de se compreender amplamente que esta é uma aspiração do mecanismo”, disse Peg Putt, da Aliança para o Clima e os Ecossistemas, que reúne organizações florestais internacionais. “Este será um tema importante em Copenhague. O REDD substituirá a introdução do corte de florestas naturais intactas ou pagará para protegê-las?”, perguntou.

O estudo holandês parece dar crédito a esta linha de raciocínio. “Por exemplo, substituir as florestas de turba por plantações de palma pode não mudar a densidade da cobertura florestal, mas levar a um grande impulso das emissões de dióxido de carbono, devido às reduções tanto na biomassa de árvores como no carbono do solo”, segundo os cientistas da Universidade de Vrije. (IPS/Envolverde)

(Envolverde/IPS)

Texto secreto de pré-acordo vaza e tumultua Copenhague

Por Neuza Árbocz, para a Envolverde

O jornal britânico Guardian divulgou que um texto supostamente secreto para um pré-acordo vazou e tumultuou as negociações em Copenhague hoje.

Segundo a publicação, citada também pela tradicional revista The Ecologist, o texto sugere dar mais poderes aos países desenvolvidos e jogar para escanteio o papel da ONU nas negociações futuras quanto às mudanças climáticas.

O texto foi interpretado pelos países em desenvolvimento como estabelecendo limites desiguais para emissões de carbono por pessoa, em 2050; dando à população das nações mais desenvolvidas o direito de emitir quase que o dobro das demais.

O assim chamado "Danish Text" (texto dinamarquês) teria sido elaborado por representantes dos EUA, Reino Unido e Dinamarca e mostrado apenas para uma meia dúzia de países, após ser finalizado esta semana. Mesmo assim, isto já foi suficiente para enfurecer muitos negociadores na COP-15.

O rascunho também pediria contra-partidas aos países em desenvolvimento que desejem receber recursos para adaptação e combate às mudanças climáticas. Estes recursos ficariam sob controle do Banco Mundial e apenas países que tomassem ações para a redução de emissões de poluentes poderiam utilizá-los. Hoje, o Protocolo de Quioto exige ações de mitigação e redução apenas dos países mais ricos, deixando como voluntárias as ações dos países em desenvolvimento.

Leia o, até então, confidencial:

(http://www.guardian.co.uk/environment/2009/dec/08/copenhagen-climate-change)

O texto dinamarquês:

(http://www.guardian.co.uk/environment/2009/dec/08/copenhagen-climate-summit-disarray-danish-text)

Material produzido e editado pela Envolverde/Mercado Ético/Carbono Brasil/Rebia/Campanha Tic-Tac/EcoAgência, e distribuído para reprodução livre com o apoio da Fundação Amazonas Sustentável.

(Agência Envolverde)

Embaixador Serra confirma que país conhecia documento vazado

Por Reinaldo Canto, especial para a Envolverde

O embaixador Sergio Serra, negociador da delegação brasileira na COP-15, afirmou à imprensa em Copenhague que o governo do Brasil conhecia o texto vazado pelo jornal britânico The Guardian. Segundo ele, o texto havia sido apresentado pela delegação dinamarquesa na semana passada para alguns poucos países com “papel relevante” nas discussões climáticas. E, diante das reações negativas foi recolhido, inclusive, sem deixar cópias em mãos dos negociadores presentes a essa reunião.

Serra disse que quem estava representando o Brasil era o embaixador Luis Figueiredo  e que ele mesmo não conhecia em detalhes o documento. Sergio Serra minimizou o assunto afirmando que o mais importante é o esforço que está se fazendo para se chegar a um texto de consenso. “Essa divulgação causou algum desconforto, mas não irá levar as atuais discussões ao caos”, mas, por outro lado, não deixou de ressaltar: “não acredito que tenha sido útil para as negociações”.

O negociador brasileiro demonstrou tranqüilidade ao dizer que quem deve se sentir incomodado com o furo do jornal inglês é a delegação dinamarquesa.

A proposta divulgada pelo The Guardian  confere mais poderes aos países desenvolvidos e coloca em segundo plano o papel da ONU nas negociações das mudanças climáticas.

O texto que além da Dinamarca teria contado com a participação dos EUA e do Reino Unido também estabeleceria limites diferentes e desiguais de emissão entre os países em desenvolvimento, contra-partidas dos países que queiram receber recursos para o combate às mudanças climáticas e ainda daria o direito às nações mais desenvolvidas de emitir quase o dobro em relação aos demais países.

*Reinaldo Canto é Jornalista, consultor e palestrante, foi Diretor de Comunicação do Greenpeace e Coordenador de Comunicação do Instituto Akatu. BLOG – (cantodasustentabilidade.blogspot.com)

Material produzido e editado pela Envolverde/Mercado Ético/Carbono Brasil/Rebia/Campanha Tic-Tac/EcoAgência, e distribuído para reprodução livre com o apoio da Fundação Amazonas Sustentável.

(Agência Envolverde)