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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

BNDES estuda impactos de tecnologias de baixo carbono

 
Da Agência Ambiente Energia - O Banco Nacional de Desensolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgou, na semana passada, chamada pública para pesquisa que visa identificar os efeitos potenciais sobre a estrutura econômica da indústria brasileira resultantes da adoção de tecnologias de baixo carbono nos países desenvolvidos. Segundo o BNDES, o estudo busca identificar o impacto na indústria brasileira de ações como adoção de tributação sobre o carbono emitido nas exportações brasileiras; impactos das tecnologias de baixo carbono na estrutura de preços; tendências de trajetória tecnológica nos setores da indústria mais intensivos em emissões; vantagens comparativas; e modelos institucionais de inovação nos países líderes em tecnologias de baixo carbono.

A chamada pública contará com recursos do Fundo de Estruturação de Projetos (BNDES FEP). De acordo com o cronograma do edital, o prazo para o recebimento de consultas prévias vai até o dia 8 de outubro de 2010. O banco vai fazer esclarecimentos e tirar dúvidas até o dia 23 de setembro. Veja todas as condições da Chamada Pública nº 01/2010

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Fonte: Ambiente Energia

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Estudo prevê impactos na economia provocados pelo aquecimento global

Carlos Américo

O estudo "Economia das Mudanças do Clima no Brasil", lançado nesta quarta-feira (25/11), em Brasília e no Rio de Janeiro, prevê que o Brasil poderá perder R$ 3,6 trilhões do seu PIB até 2050, em consequência dos impactos provocados pelo aquecimento global. O relatório analisa os impactos da mudança climática no desenvolvimento do país, com perspectivas macroeconômicas, regionais e setoriais, além de recomendações para adaptação, mitigação e ações prioritárias.

Segundo o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que participou do lançamento no Rio de Janeiro, os dados desse estudo vão ser utilizados, por exemplo, em um programa do governo federal de prevenção das mudanças climáticas no Nordeste, a ser lançado em fevereiro do ano que vem, pelo presidente Lula. 

Para Minc, o estudo mostra que as consequências da mudança do clima no futuro já é fato. "Elas virão e não serão pequenas", disse Minc, que ressaltou que a sociedade precisa pressionar as autoridades públicas e os diferente setores econômicos para implementar ações de redução de CO2 e de mitigação dos efeitos do aquecimento global.

O estudo, desenvolvido por cientistas das principais instituições de pesquisa do país, é inédito e foi inspirado no Relatório Stern, do Reino Unido, que fez uma análise econômica do problema das mudanças climáticas em nível global. O ponto de partida foram projeções do comportamento do clima até 2050, como temperatura e fluxo hidrológico. A partir daí, foram interpretados os impactos econômicos para cada setor econômico. Foram usadas possíveis trajetórias do aquecimento global, desenvolvidas pelo Painel Intergovernamental de Mudança do Clima (IPCC).

A Amazônia e o Nordeste serão as regiões brasileiras que terão o maior impacto do aquecimento global, prevê o estudo. O aquecimento na Amazônia pode chegar a 8ºC em 2100. Com esse cenário, 40% da cobertura florestal na região sul-sudeste-leste da Amazônia poderá ser substituída por savana.

Já no Nordeste, as chuvas tenderiam a diminuição de cerca de 2,5 mm por dia até 2100, causando uma brusca redução na vazão das principais bacias hidrográficas. A geração de energia poderá ter uma redução de cerca de 30%. Com menos chuva, o Nordeste ainda poderá ter grandes perdas agrícolas, além de reduzir em 25% a capacidade de pastoreiro de bovinos de corte.

O estudo também prevê perdas expressivas para a agricultura em todos os estados. Todas as culturas, com exceção da cana-de-açúcar, sofreriam redução das áreas com baixo risco de produção, em especial a soja (até 34%), milho (15%) e café (18% ).

O estudo também mostra ações de adaptações às mudanças climáticas. Considerando o pior cenário elevação do mar, a estimativa dos valores materiais em risco ao longo da costa brasileira é de R$ 136 bilhões a R$ 207,5 bilhões. Para adaptações, o documento sugere o investimento de R$ 3,72 bilhões até 2050, em pesquisas e políticas públicas para prevê e conter o avanço do mar.

O relatório recomenda, ainda, que as ações de proteção social sejam reforçadas para a população mais pobres do Norte e Nordeste. Dentre as ações prioritárias citadas no estudo, estão a de garantir que a matriz energética mantenha-se limpa, estancar o desmatamento na Amazônia, investimento em pesquisas.

Participaram do lançamento do estudo "Economia das Mudanças do Clima no Brasil" os coordenadores técnicos do relatório Sérgio Margulis (Banco Mundial) e Carolina Dubeox (Coppe/UFRJ), o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e o embaixador do Reino Unido, Alan Charlton, que deu apoio à produção.


Veja resumo executivo do estudo
ASCOM

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Crise financeira terá impacto nas discussões climáticas

Por Fábio de Castro, da Agência Fapesp

Para o economista inglês Nicholas Stern – autor do relatório que mediu quanto custa combater o aquecimento global – a crise econômica mundial traz lições para a discussão do problema climático: “Não se pode ignorar riscos da falta de sustentabilidade”.

Para o conselheiro do governo britânico para assuntos de mudanças climáticas, a crise financeira global terá impacto fundamental nas discussões da Conferência Mundial sobre Mudanças Climáticas. A cúpula, que será realizada na Dinamarca em dezembro de 2009, deverá estabelecer o acordo internacional destinado a substituir o Protocolo de Kyoto.

Embora a crise financeira possa diminuir a capacidade de investimento dos países desenvolvidos em esforços de redução das emissões de carbono, ela também ensina muito sobre os riscos da falta de sustentabilidade econômica, na opinião de Stern, que participou nesta segunda-feira (3) do workshop Avaliação do Relatório Stern, realizado na sede da FAPESP em São Paulo, em promoção conjunta com a Embaixada Britânica.

O relatório Stern, coordenado pelo economista a pedido do governo britânico e publicado em 2006, analisa os impactos econômicos das mudanças climáticas e conclui que, com um investimento de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, pode-se evitar a perda de 20% do PIB em 50 anos.

Durante o evento, que integra as atividades do Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais, Stern comentou a revisão posteriormente realizada no relatório e divulgada em abril de 2008. O novo estudo, intitulado Acordo Global em Mudanças Climáticas feito na Escola de Ciência Política e Econômica de Londres (LSE, na sigla em inglês), faz diversas propostas para a realização de um acordo global a ser discutido na conferência de dezembro.

No novo estudo, Stern admite ter subestimado os efeitos do aquecimento global no relatório de 2006 e propôs que os países desenvolvidos devem se comprometer a cortar em até 80% suas emissões de carbono até 2050, enquanto as nações emergentes devem concordar em estabelecer metas de cortes até 2020.

Stern, que já foi economista-chefe e vice-presidente do Banco Mundial, comparou os efeitos da crise financeira mundial com as conseqüências previstas das mudanças climáticas globais. “A crise financeira não é um desastre natural, assim como o aquecimento global. São desastres de origem humana, conseqüências de se ignorar os riscos de uma economia que não é sustentável. O risco ignorado é geralmente amplificado. Essa é uma lição da crise econômica que precisa ser transposta para a crise ambiental”, afirmou Stern.

Para ele, a inércia que levou à crise financeira não pode ser repetida na crise climática. “Ignorar os riscos das mudanças climáticas é muito mais grave que ignorar os riscos financeiros. Por outro lado, as novas tecnologias de baixa emissão de carbono e os mercados de carbono são grandes oportunidades abertas pela crise ambiental. E elas se caracterizam pela sustentabilidade, ao contrário do que acontece com as bolhas especulativas das empresas na internet ou no mercado imobiliário”, declarou.

Citando o estudo, o economista afirmou que a eficiência energética será central de agora em diante, tanto para o combate aos efeitos das mudanças climáticas como para a economia. “As adaptações para melhorar a eficiência energética têm grande potencial para gerar renda e trabalho, além de representar uma fonte de energia. A eficiência será o principal motor do processo de recuperação, assim como o desenvolvimento de tecnologias limpas”, disse.

Stern destacou também a necessidade de estabelecer os preços do carbono por meio de taxas, comércio de carbono e regulamentações. Segundo ele, é importante definir um valor global para o carbono, de modo a deixar claro o custo social e ambiental de cada atividade que provoca emissões. “O preço, que está por volta de 25 euros, em média, deverá chegar a 40 euros em poucos anos”, estimou.

Para o economista, o desenvolvimento e o clima são os problemas centrais do século 21. “Se falharmos para lidar com um deles, vamos falhar com o outro também. As mudanças climáticas minam o desenvolvimento e não vamos mais poder separar os dois assuntos. O que chamamos de adaptação às mudanças climáticas é um sinônimo de desenvolvimento em uma situação hostil”, afirmou.

Economia do Clima no Brasil

Participaram do debate o diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, o professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP) Jacques Marcovitch, o coordenador da Comissão Especial de Bioenergia do Estado de São Paulo, José Goldemberg, e o pesquisador do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e coordenador executivo do Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais, Carlos Nobre.

Coordenador do estudo Economia das Mudanças Climáticas no Brasil (EMCB), realizado por um consórcio de pesquisadores de diversas instituições, Marcovitch apresentou durante o evento o site Economia do Clima.

De acordo com Marcovitch, o estudo terá seus resultados consolidados apresentados a partir de junho de 2009. “O objetivo é identificar estratégias para lidar com os riscos das mudanças climáticas e avaliar a efetividade das medidas de mitigação já em curso a fim de propor políticas públicas”, disse.

Marcovitch explicou que o estudo, cuja concepção teve início em junho de 2007, conta com apoio da Embaixada do Reino Unido. “Com um horizonte focado no ano de 2100 e com base nos modelos climáticos desenvolvidos pelo CPTEC-Inpe, o projeto estuda temas como agricultura, energia, uso da terra e desmatamento, biodiversidade, recursos hídricos, zona costeira, migração e saúde”, explicou.

Fonte: Envolverde/Agência Fapesp

Redução de impacto

As mudanças climáticas terão impactos devastadores se as emissões de gases que provocam efeito estufa não forem reduzidas em 80% até 2050 – uma meta bem mais severa que a de 50%, discutida por vários países até agora. E, mesmo com uma redução dessa magnitude, será necessário investir em adaptação, já que alguns impactos serão inevitáveis.

O alerta foi feito por Martin Parry e Vicente Barros, dois dos coordenadores do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), que apresentaram palestras na última quinta-feira (31/10), na sede da FAPESP, em São Paulo. O evento, organizado pela Fundação e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), integra o Programa Fapesp de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG).

Parry é professor do Centro de Políticas Ambientais do Imperial College, em Londres, na Inglaterra, e foi co-presidente do Grupo de Trabalho II do IPCC até 2007. Barros é professor titular do Departamento de Ciências Atmosféricas da Universidade de Buenos Aires, na Argentina, e atual co-presidente do mesmo grupo de trabalho, que concluirá o próximo relatório de avaliação em 2013.

De acordo com Parry, os efeitos das mudanças climáticas já começaram e é preciso ter uma liderança global que permita fazer as mudanças necessárias a fim de evitar os piores cenários. Para ele, o Brasil terá um papel central nessa liderança.

“É importante que os países emergentes – e sobretudo o Brasil – assumam uma posição de liderança durante a Conferência Mundial sobre Mudanças Climáticas para defender a adoção de um percentual de 80% como meta de redução das emissões por todos os países”, disse à Agência Fapesp.

Durante a Conferência Mundial sobre Mudanças Climáticas, que será realizada em dezembro de 2009 na Dinamarca, uma nova meta de corte das emissões será estabelecida para o acordo que substituirá, a partir de 2012, o Protocolo de Kyoto.

Parry destacou que, mesmo com muito investimento em adaptação, será preciso adotar a meta de 80% e começar a reduzir as emissões imediatamente para evitar danos que atingirão milhões de pessoas em todo o planeta, como a severa restrição de água.

“O nível dos oceanos já está subindo e a margem que temos para ação sobre os efeitos da mudança climática é muito pequena. Não podemos mais perder tempo. Cada dez anos de atraso para agir significa um aumento de 0,5ºC na temperatura. Os países desenvolvidos falam muito sobre ação, mas sempre serão apontados como os grandes responsáveis pelas emissões. Por isso, seria interessante ter uma liderança como o Brasil”, disse.

Segundo Parry, a partir de agora será necessário dar mais atenção às medidas de adaptação, que ele afirma serem ainda muito pouco estudadas e pouco desenvolvidas em todo o mundo.

“Perdemos dez anos falando apenas sobre mitigação, mas agora temos que recuperar esse tempo perdido, porque mesmo com o corte de 80% nas emissões vamos ter impactos inevitáveis e os danos residuais poderão ser imensos se não investirmos em adaptação agora”, afirmou.

As áreas prioritárias para adaptação, segundo Parry, seriam as regiões tropicais e equatoriais, a África, os megadeltas de bacias hidrográficas – especialmente na Ásia – e as pequenas ilhas. “As adaptações mais urgentes terão que ser feitas em alimentos e água – especialmente nas regiões áridas – e nos assentamentos suscetíveis a inundações.”

De acordo com ele, em um cenário pessimista, caso as emissões não sejam reduzidas drasticamente, a temperatura subiria 4°C, causando a extinção de 50% das espécies de árvores da Amazônia. Um aumento de 2°C seria suficiente para eliminar um quarto das espécies.

Conhecimento necessário - Barros reforçou que mesmo com todos os esforços mundiais concentrados na redução de emissões será preciso investir em esforços de adaptação. Um dos maiores entraves para que isso seja feito é o ainda escasso conhecimento sobre o assunto.

“No melhor dos cenários ainda teremos um aumento de temperatura que nos obrigará a fazer um esforço adaptativo. O problema é que há muito pouca literatura sobre adaptação”, disse à Agência Fapesp.

O cientista argentino ressaltou que a literatura científica existente sobre adaptação tem o foco em “como deveria ser” e não em “como é”. “A consciência sobre a mudança climática ainda é recente. Essa literatura do ‘como deveria ser’ indica como agir no melhor dos mundos, mas não no mundo real”, apontou.

Barros afirma que o interesse sobre o que pode ser feito em termos de adaptação está aumentando no debate público, que até agora vinha se concentrando excessivamente nas discussões sobre mitigação. “O principal fator para a adaptação é a aquisição da consciência da mudança climática por atores-chave”, disse.

Segundo ele, é provável que os esforços de adaptação se concentrem nas chamadas adaptações reativas, realizadas depois que os efeitos das mudanças climáticas já estão consumados.

“A adaptação reativa resulta de decisões mais individualizadas. As adaptações antecipatórias são mais problemáticas, porque para fazê-las é preciso prever mudanças tecnológicas, socioeconômicas e de infra-estrutura que deverão acontecer em um tempo remoto. Além disso, os modelos climáticos globais não são muito aptos a descrever as variabilidades interdecadais, o que complica ainda mais as ações”, afirmou.

Fonte: Fábio de Castro/Agência Fapesp

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Degelo no Ártico - Aquecimento Global?

Muito tem se falado do aquecimento global e degelo no ártico. Também se fala se as condições são naturais ou causadas pelo homem. Minha opinião é que seja um mix das duas hipóteses. Não acredito muito no estardalhaço da imprensa, mas por outro lado, a atitude humana é a mais irresponsável possível, que só visa maximização dos lucros com a menor responsabilidade social e ambiental possível.

Veja as imagens, tirem suas conclusões mas procurem mais fontes e dados sobre o aquecimento global.

Clique nas imagens para aumentar.

Ártico - 1979

Ártico - 2003

Ártico - 01/08/2007

Ártico - 31/08/2008

Fontes: NASA Earth Observatory, The Cryosphere Today

Encontrado em Idealismo de Buteco

A Cerca

Fonte Meio Ambiente

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Relatório adverte para impacto ambiental de fumaça e fuligem

Smog, fuligem e outras partículas como aquelas freqüentemente vistas sobre Pequim agravam o aquecimento global e podem aumentar as temperaturas de verão nos Estados Unidos em três graus em 50 anos, disse um novo relatório publicado na quinta-feira (5).

Esses poluentes de rápida dispersão e freqüentemente esquecidos - produzidos na queima de madeira, querosene e combustíveis de automóveis - causam mais aquecimento localizado do que já se imaginou, dizem os autores do estudo. Eles alegam que deve haver um esforço maior para atacar esse tipo de poluição, para gerar resultados mais rápidos.

Por décadas, cientistas se concentraram no dióxido de carbono, o gás estufa mais prejudicial, porque permanece na atmosfera por décadas. Estudos passados quase não prestaram atenção aos poluentes que permanecem na atmosfera apenas por alguns dias.

O novo relatório, elaborado por cientistas da Nasa e da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), defende a luta contra os poluentes de curto prazo, enquanto reconhecem que o dióxido de carbono ainda é a principal causa do aquecimento global.

Esse conceito também é a política oficial da administração Bush, disse o secretário assistente de comércio, Bill Brennan.

Nos Estados Unidos, essa abordagem significaria cortar emissões de carros e caminhões mesmo antes de restrições às usinas energéticas termoelétricas. Nos países em desenvolvimento, ela significaria uma migração para formas mais limpas de energia.

Além da fuligem, smog e sulfatos, outros poluentes de curto prazo são o carbono orgânico, poeira e nitratos. Enquanto o dióxido de carbono é invisível, esses são poluentes que as pessoas conseguem ver.

As projeções de aumentos nas emissões desses poluentes na Ásia farão com que contribuam em cerca de 20% para o aquecimento global e alguns centímetros a menos de chuva na América até 2060, disse o relatório. (Fonte: Estadão Online)

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Embrapa estuda impactos regionais das mudanças climáticas

A Embrapa Agropecuária Oeste, empresa vinculada ao Ministério de Agricultura Pecuária e Abastecimento, juntamente com outras unidades da empresa, vem desenvolvendo um grande projeto ambiental em função das mudanças climáticas globais que tem resultado na emissão cada vez maior de gases tóxicos na atmosfera e aquecimento do Planeta.

O chefe adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da unidade local, o doutor em Fitopatologia, Guilherme Asmus, explicou que há vários níveis de discussões, mas em âmbito regional o objetivo é estudar os efeitos das mudanças nos sistemas de produção, como conviver com esses impactos e como amenizá-los.

Em nível regional, por exemplo, ainda não se sabe exatamente o que vem acontecendo, mas está cientificamente comprovado que há presença de gás carbônico e metano na atmosfera, mas o impacto que isso vem tendo no meio ambiente e no sistema produtivo precisa ser mais bem conhecido.

A Embrapa Agropecuária Oeste é uma das entidades envolvidas na X Semana do Meio Ambiente e XII Eco Dourados que começou no dia 29 de maio e prossegue até o dia 5 de junho com o tema “Desenvolvendo Estratégias para Caminhos Sustentáveis”.

O doutor Guilherme disse que esse grande projeto nacional teve início há mais de dois anos, independente de ações pontuais que já vêm sendo colocadas em prática. O trabalho está sendo coordenado pelo Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento (DPD) da Embrapa Brasília.

Os cientistas buscam, nesse sentido, uma melhor sustentabilidade ambiental, econômica e social e em nível regional o principal trabalho é a integração lavoura-pecuária. “O grande objetivo é diminuir esses impactos e aumentar o índice de produção (...) Mas o grande desafio é desenvolver a tecnologia compatível com um baixo impacto ambiental (...)”.

Na unidade local ações pontuais já vêm sendo aplicadas há algum tempo como a criação de um laboratório para se dar o destino correto dos resíduos dos demais laboratórios de pesquisa, “resíduos que antes iam para o ralo, o que hoje é inconcebível (...)”. Esse mesmo laboratório recebe os resíduos do campo como embalagens, há o tratamento da água usada na lavagem de pulverizadores, coleta seletiva interna e uma central de operação de agrotóxicos. No caso dos resíduos orgânicos, procura-se aproveitá-los sob a forma de fertilizantes.

Na realidade, todos os projetos da Embrapa Agropecuária Oeste só são realizados se tiverem estudos prévios de impactos ambientais e há diversos trabalhos com resultados reconhecidos como o Plantio Direto na Palha, o sistema integrado - Lavoura-pecuária., entre outros. Outro projeto que foi desenvolvido com sucesso inclusive premiado pela sua característica, foi sobre o de desenvolvimento sustentável que visou aumentar a percepção ambiental. Foi utilizado como ferramentas, trilhas ambientais e oficinas temáticas, possibilitando os visitantes conhecerem fragmentos de mata natural, em recomposição e sistemas de exploração sustentável comparado com os tradicionais. Este projeto atendeu professores, acadêmicos de graduação e pós-graduação, crianças de escolas que já atuavam como monitores ambientais entre outras. Em função da procura pela sociedade em fazer visitas nas trilhas e conhecer o projeto foi elaborado um outro para dar continuidade às ações . O projeto foi aprovado intitulado como Trilhas Ecológicas: Metodologias e Ferramentas de Comunicação para |Educação Ambiental, em breve iniciam-se as ações e volta a atender o público externo.

Fonte: MS Notícias

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Ipea estuda impactos das mudanças climáticas na economia para os próximos 100 anos

Os impactos decorrentes das mudanças climáticas afetam não só o meio ambiente. Os setores industrial, econômico e empresarial também sofrem as conseqüências da poluição descontrolada. Para orientar as políticas públicas e decisões empresariais do setor privado brasileiro, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) promoveu na quarta-feira (14) o Fórum de Mudanças Climáticas, em Brasília.

O pesquisador do Ipea José Aroldo Mota explicou em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional, que os impactos econômicos no país, decorrentes ao aquecimento global, variam de acordo com as regiões.

Ele apontou as previsões de mudança para os 100 anos, que constam no relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

Segundo pesquisador do Ipea, o Brasil sofrerá com a perda de biodiversidade, enchentes – devido ao aumento da incidência de chuvas e ao avanço do mar –, limitação da área litorânea, principalmente no Nordeste. Porém, uma das perdas econômicas mais significativa será com a agricultura, devido às variações climáticas e à ocorrência de erosões, de acordo com o estudo.

"Até o final do século, sofreremos todas essas mudanças se nós não fizermos nada agora. O Brasil está bastante ativo, o governo federal está muito preocupado com essa problemática e tem somado todos os esforços no sentido de minimizar os impactos, sem deixar de lado a questão econômica que é muito importante”, disse Mota. (Fonte: Agência Brasil)

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Indústria da aviação se compromete a diminuir impacto ambiental

Representantes dos principais nomes da indústria da aviação mundial - incluindo a brasileira Embraer - comprometeram-se a acelerar as medidas que diminuam seu impacto no meio ambiente, especialmente no que se refere ao aquecimento global. Os representantes se reuniram nesta terça-feira (22) em Genebra, na Suiça, durante a Cúpula de Aviação e Meio Ambiente.

Em declaração divulgada na terça-feira, os participantes reconheceram suas "responsabilidades ambientais" e se comprometeram a fazer todo o possível para minimizar os efeitos causados pela indústria da aviação.

Os principais executivos das companhias aéreas, empresas de aviação e organizações como a Iata (Associação Internacional de Transporte Aéreo, na sigla em inglês) expressam a intenção de impulsionar o desenvolvimento e a aplicação de novas tecnologias, especialmente para viabilizar combustíveis mais limpos.

No texto, os diretores também afirmam estar dispostos a otimizar a eficiência dos combustíveis de suas frotas e em melhorar a elaboração de rotas aéreas, a gestão do tráfego aéreo e as infra-estruturas aeroportuárias.

Para alcançar este objetivo, os signatários da declaração apelam aos governos para que participem destes esforços realizando pesquisas apropriadas para conseguirem tecnologias mais limpas.

Além disso, a declaração pede aos executivos que tomem medidas urgentes para melhorarem a disposição do espaço aéreo.

Participação - Segundo dados da ONU (Organização das Nações Unidas), a aviação é responsável por 2% das emissões globais de CO2 e está previsto que até 2050 passe a ser responsável por 3%.

Segundo as mesmas fontes, a indústria de automóveis é responsável do 18% das emissões globais.

O diretor da Iata, Giovanni Bisignani, afirmou que, apesar de o transporte aéreo ser responsável por 2% das emissões de CO2, representa 8% do Produto Interno Bruto mundial.

Além da Embraer, participam da cúpula os presidentes e diretores da Airbus, Boeing, Bombardier e British Airways. Entre os organizadores está também o Conselho Internacional de Aeroportos. (Fonte: Folha Online)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Mapa mostra impacto do homem sobre oceanos


Estudo mostrou que a ação humana afetou 41% dos
oceanos do mundo, em menor ou maior grau


Um mapa feito por cientistas americanos e divulgado nesta sexta-feira na revista científica Science mostra que 41% dos oceanos do mundo foram afetados, em menor ou maior grau, pela ação humana.

Para mapear o impacto da atividade humana nos ecossistemas marítimos, os cientistas da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, nos Estados Unidos, fizeram uma sobreposição de 17 mapas que demonstravam o impacto de fatores diversos, como a pesca, a poluição e a mudança climática.

Os mapas foram feitos com base em um estudo que analisou o impacto dos seres humanos em ecossistemas como os recifes de corais, as colônias de algas marinhas, plataformas continentais e os oceanos profundos. O mapa mostra que as áreas mais afetadas pelo impacto humano são o Mar do Norte, Mar da China Oriental e Meridional, Mar do Caribe, a costa leste da América do Norte, os mares Mediterrâneo e Vermelho,o Golfo Pérsico, o Mar de Bering e várias regiões do Pacífico Oeste.

O estudo indica ainda que as áreas menos afetadas são aquelas próximas aos pólos. "Este projeto nos permite começar a ver o cenário do impacto dos humanos nos oceanos", diz Ben Halpern, que liderou o estudo. "Os resultados mostram que, somados, os impactos individuais revelam uma situação muito pior do que imagino que as pessoas esperavam. Certamente foi uma surpresa para mim", afirma.

Brasil
Segundo os cientistas, a influência dos humanos varia de forma significativa de acordo com cada ecossistema. Nas áreas mais afetadas, por exemplo, há grande concentração de recifes de coral, algas marinhas, mangues e montanhas marinhas. Já os ecossistemas menos afetados são áreas de oceanos abertos e onde o fundo do mar é mais liso.

O mapa revela que em grande porção da costa brasileira, o impacto dos humanos é "médio alto", o que indicaria uma influência de 4,95 até 8,47%. No entanto, enquanto algumas áreas na costa sul do Brasil o impacto aparece mais ameno, uma grande faixa da costa sudeste do país revela um impacto alto, maior que 15,52%.

Processo
A pesquisa envolveu quatro etapas. Na primeira, os cientistas desenvolveram técnicas para quantificar e comparar o impacto das atividades humanas em diferentes ecossistemas. Na segunda etapa, a distribuição dos ecossistemas e das influências humanas foi analisada.

Os cientistas então combinaram as duas informações - a distribuição e o impacto - para determinar "os índices do impacto humano" para cada região do mundo. Finalmente, os cientistas usaram estimativas sobre as condições dos ecossistemas marítimos já disponíveis para fundamentar ainda mais os índices levantados pela pesquisa.

Os cientistas afirmam que, apesar dos esforços, o mapa ainda é incompleto, já que os dados sobre algumas atividades humanas ainda é escasso.

Futuro
Apesar do cenário revelado pela pesquisa, os cientistas sugerem que ainda há tempo para tentar preservar os oceanos. "Há certamente espaço para a esperança", diz Carrie Kappel, que participou do estudo. "Com esforços para proteger as porções dos oceanos que ainda continuam puras, temos uma boa chance de preservar estas áreas em boas condições", afirma.

De acordo com o estudo, o mapa poderá servir como referência para o desenvolvimento de políticas de conservação e manutenção, além de oferecer informações sobre o impacto de certas atividades.

"O homem sempre usará os oceanos para recreação, extração de recursos e outras atividades comerciais, como o transporte marítimo. O que precisamos é fazer isso de forma sustentável para que os oceanos continuem saudáveis e continuem a nos oferecer os recursos que precisamos", conclui Halpern.

BBC Brasil

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Pnud defende estímulo fiscal ao etanol brasileiro para reduzir impactos climáticos

Marco Antônio Soalheiro
Repórter da Agência Brasil

Brasília - A remoção da taxação imposta pelos países desenvolvidos ao etanol brasileiro seria, segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano 2007/2008, uma medida capaz de amenizar de forma significativa os efeito das mudanças climáticas no mundo. O documento, produzido anualmente e divulgado em mais de 100 países pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), foi lançado hoje (27) em Brasília.

O estudo sustenta que o álcool brasileiro, produzido a partir da cana de açúcar, emite até 70% menos gases do efeito estufa do que os combustíveis fósseis, enquanto o etanol com base em milho, dos Estados Unidos, reduziria as emissões em apenas 13% e com custo unitário maior. “As barreiras comerciais e os subsídios estão, ao mesmo tempo, elevando o custo de mitigar [atenuar os efeitos] as emissões de carbono e de diminuir a dependência do petróleo”, diz trecho do relatório.

Em artigo anexado ao relatório, escrito a pedido do Pnud, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressalta que o uso do álcool no setor de transporte reduz em cerca de 25,8 milhões de toneladas por ano as emissões brasileiras de gás carbônico. “Nosso alvo é aumentar a oferta de biodiesel em 5% para cada litro de combustível fóssil vendido no Brasil até 2013”, diz o texto.

O relatório aponta o desmatamento da Amazônia como “uma das grandes fontes de emissões do mundo”, responsável 730 milhões de toneladas de gás carbônico por ano. Mas lembra que os biocombustíveis não agravam o problema, pois “menos de 1% [da produção de cana-de-açúcar] provém da Amazônia”.
Segundo o relatório, o Brasil ainda tem a quinta menor taxa de emissão per capita entre os 70 países de alto desenvolvimento humano. A taxa nacional ( 1,8 tonelada por habitante em 2004) é 60% inferior à média mundial (4,5 toneladas) e 30% menor que a da América Latina e do Caribe (2,6 toneladas).

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Conferência sobre mudanças climáticas discute impactos e ações para a América do Sul

O último relatório do IPCC, divulgado no começo deste ano, trouxe a diminuição de incertezas quanto à origem e tendência de aumento da temperatura do planeta, além de indicações mais precisas de impactos do aquecimento global. Novas questões começam a emergir a partir deste cenário traçado pelo IPCC. O tema será amplamente discutido na III Conferência Regional sobre Mudanças Climáticas: América do Sul, a ser realizada entre os dias 4 e 8 de novembro, em São Paulo. Durante o evento, serão mapeados os possíveis impactos do aquecimento global na América do Sul para este século e, ao mesmo tempo, pretende-se analisar e avaliar as ações - algumas já em curso - que possam tornar o processo de adaptação mais eficiente e com menor impacto social.

Especialistas e representantes das áreas acadêmica, governamental, privada e do terceiro setor participam do evento, procurando discutir os resultados dos estudos mais recentes e avançar em questões que envolvam o planejamento de ações adaptativas e mitigadoras. O envolvimento dos diversos atores da sociedade tem como intuito o entendimento e o estabelecimento de sinergias e parcerias que permitam a formulação de políticas públicas e a criação de soluções científicas, tecnológicas e comerciais sustentáveis para as possíveis mudanças climáticas.

A Conferência, coordenada pelo Instituto de Estudos Avançados (IEA), da USP, e pela Academia Brasileira de Ciências (ABC), acontecerá no Bourbon Ibirapuera (antigo Hotel Blue Tree Ibirapuera). Para o evento foram aprovados 115 trabalhos científicos que serão apresentados em forma de painel. Oito mesas redondas e 12 palestras foram especialmente programadas e devem apresentar e discutir os conhecimentos atuais em temas, como: a ciência das mudanças globais, impactos e vulnerabilidades, processos de adaptação, como evitar o aumento da concentração dos gases de efeito estufa e o futuro do regime climático global.

Durante a conferência, será realizada em paralelo uma exposição tecnológica reunindo centros de pesquisa, universidades, instituições públicas da área ambiental, Organizações Não-Governamentais (ONGs) e a iniciativa privada, entre estas, empresas de consultoria. Os expositores estarão divulgando ações, produtos e/ou serviços desenvolvidos para a mitigação, adaptação e busca de oportunidades.

Cada um dos quatro grupos temáticos terá um dia inteiro dedicado a discussões. Confira abaixo os temas do evento e um resumo das discussões:

Dia 05/11
  • A Ciência das Mudanças Globais: serão apresentados e discutidos os avanços e descobertas mais recentes das ciências (exatas, biológicas e sociais) no campo das mudanças climáticas globais; em especial o Fourth Assessment Report (AR4) do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change – www.ipcc.ch).
Coordenadores: Carlos Nobre (INPE/CPTEC e IGBP) e Jean Pierre Ometto (IGBP)

Dia 06/11
  • Impactos, vulnerabilidade e adaptação: serão apresentados e discutidos os possíveis impactos das mudanças globais; as vulnerabilidades atuais e futuras dos ecossistemas, das aglomerações urbanas e do setor rural, das atividades econômicas e das relações humanas com seu meio físico, assim como as eventuais adaptações às mudanças globais.

Coordenadores: Márcio de Miranda Santos (CGEE) e Marcelo Khaled Poppe (CGEE)

Dia 07/11
  • Evitando as mudanças climáticas: serão apresentadas e discutidas as ações e tecnologias de redução das emissões e de captura de gases de efeito estufa; os projetos de mitigação (MDL e outros); as mudanças de paradigmas, modelos de desenvolvimento e padrões de consumo necessários para a solução do desafio global, assim como o papel de cada segmento da sociedade.
Coordenadores: Luiz Pinguelli Rosa (FBMC e COPPE/UFRJ) e Emilio Lebre La Rovere, (Centro Clima, COPPE/UFRJ)

Dia 08/11
  • O futuro do regime climático global: serão apresentados e discutidos os avanços nas negociações internacionais da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e do Protocolo de Quioto, assim como outras iniciativas regionais para o estabelecimento de um regime climático pós-2012.
Coordenadores: José Goldemberg (IEE/USP) e Jacques Marcovitch (FEA/USP)

Informações Adicionais:
Jornalistas com interesse na cobertura do evento deverão entrar em contato com a Assessoria de Imprensa do evento para o credenciamento.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Impacto de usinas no Madeira é imprevisível, diz biólogo

O cientista Mario Cohn-Haft, que recentemente liderou uma expedição que descobriu espécies diferentes de animais e plantas na região próxima ao rio Madeira, na Amazônia, disse que o impacto da construção de usinas no rio é "imprevisível".

Em abril e julho deste ano, Mario Cohn-Haft, biólogo do Inpa - Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas, encontrou variedades diferentes de animais e plantas na região entre os rios Purus e Madeira.

No mês passado, o governo federal aprovou as licenças prévias para a construção de duas usinas no rio Madeira.

As usinas de Santo Antônio e Jirau - cujos editais estão em fase de elaboração - gerariam 6,5 mil megawatts, o equivalente a metade da potência de Itaipu, uma das maiores usinas hidrelétricas do mundo em potência.

Cohn-Haft explica que a região onde foram encontradas novas espécies não será diretamente afetada, pois está fora da área que será inundada para a construção das barragens.

Mas o impacto indireto das barragens pode ser grande o suficiente para afetar a biodiversidade local.

"O impacto de barragens em um rio com teor sedimentar muito grande como o Madeira é imprevisível. Nós não temos precedentes para saber", disse o biólogo à BBC Brasil.

"O rio Madeira é o quarto maior e um dos mais barrentos do mundo. Então, colocar barragem em um rio como esses e dizer que nós sabemos o que vai acontecer é muita ousadia."

Cohn-Haft diz que até mesmo o rio Amazonas pode ser afetado pelas barragens. "Se isso causar uma diminuição no teor sedimentar do rio, isso pode impactar a fertilidade e a produtividade da várzea todinha. Então se você faz isso no alto do rio Madeira, impacta o sistema biológico do resto do rio inteiro, e o próprio rio Amazonas, ao qual o Madeira é o maior contribuinte de sedimentos."

O cientista também afirma que a colonização e o aumento no número de habitantes na região também podem ter impacto no local.

"Uma vez que você tem grandes projetos que estão empregando gente, atraindo gente de outras partes do país, encorajando investimento, agricultura, agropecuária, rapidinho a área toda é colonizada, é desmatada, é convertida permanentemente."

Estadão Online

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Usina hidrelétrica pode ganhar com gás emitido em represas

A emissão de gases-estufa pelos reservatórios de hidrelétricas na Amazônia pode deixar de ser um problema para se tornar solução. Dois grupos de pesquisa --um no Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e outro no Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia)-- já elaboraram maneiras de capturar o gás metano (CH4) liberado pela água que passa nas turbinas e queimá-lo para gerar mais energia.

A idéia é impedir que o metano concentrado no fundo dos lagos chegue até as turbinas e seja liberado na atmosfera no momento em que a água perde pressão, da mesma maneira que uma garrafa de refrigerante ou de champanhe borbulha logo depois de ser aberta.

Os dois métodos elaborados para captura e queima de metano já estão patenteados e, segundo os cientistas, podem ampliar em mais de 50% a capacidade de produção das hidrelétricas amazônicas localizadas em zona tropical úmida, dependendo da usina. Para duas delas --Balbina, no norte do Amazonas, e Tucuruí, no leste do Pará-- já há estimativas de quanto a estratégia pode vir a render.

"Em Ballbina passam cerca de 65 mil toneladas de metano por ano, conforme medimos em 2005", diz Alexandre Kemenes, responsável pelo projeto no Inpa. "Se esse mecanismo [de captura e queima de metano] fosse usado para aumentar o potencial da usina, poderia acrescentar a ela cerca 80 megawatts, cerca de 60% mais."

Em Tucuruí, que teve o potencial analisado pelo grupo de Fernando Manuel Ramos, do Inpe, a taxa de aproveitamento é menor, pois a usina solta menos metano por megawatt gerado. O total das emissões lá, porém, se equipara em escala, já que a represa paraense é bem maior. "A estimativa é que a gente poderia aumentar em até 35% a produção de energia em Tucuruí só queimando metano que ela emite hoje através das turbinas e nos reservatórios", diz o pesquisador. "E isso com investimentos relativamente modestos, considerando o tamanho de Tucuruí."

Ainda não está claro quanto pode ser o potencial da técnica para usinas de outras regiões. Hidrelétricas em áreas de cerrado, por exemplo, tendem a emitir menos, mas para as duas centrais mencionadas e para outras três da Amazônia --Samuel, em Rondônia, Curuá-Una, no leste do Pará, e Petit Saut, na Guiana Francesa-- o caso deve ser outro.

"Se todo o metano que passa pelas turbinas dessas cinco hidrelétricas fosse aproveitado, a gente teria um aumento de 1.640 megawatts no potencial hidrelétrico instalado", diz Kemenes. As represas amazônicas tendem a produzir mais metano, em geral, porque a massa de plantas afogadas que apodrecem e soltam carbono ao se decompor é muito maior que a de outros biomas.

Além do aporte na geração há a possibilidade de captar receita com créditos de carbono, que entram na forma de investimento estrangeiro de países ricos que querem compensar suas emissões de gases-estufa. "Os números são enormes, da ordem de grandeza da própria usina hidrelétrica", diz Ramos.

Kemenes já se arriscou a fazer um estimativa. "Todo esse processo diminuiria a contribuição de metano em 65%; convertendo isso para crédito de carbono, só Balbina arrecadaria cerca de US$ 20 milhões por ano", afirma.

Aspirador de piscina

Segundo o grupo do Inpe, que trabalha com a idéia há mais tempo, a tecnologia para reter o metano e usá-lo é relativamente simples. A idéia consiste em barrar a entrada de águas profundas nas turbinas da usina e depois bombeá-la para a superfície, onde o gás é retirado para a queima.

Não é muito difícil explicar como se faz para transportar a água rica em metano para uma câmara na superfície. "Você já viu um daqueles aspiradores de piscina?", pergunta Ramos, procurando um exemplo. "Não existe nenhum item de tecnologia para fazer isso que já não tenha sido desenvolvido, que não seja de gaveta."

Após capturar o gás, a queima seria feita nos moldes de uma termelétrica comum, mas aproveitaria boa parte da infra-estrutura já construída para a hidrelétrica. "A gente geraria energia onde já existem os linhões para distribuí-la ou, quando muito, ampliar esses linhões", diz o cientista do Inpe. "Isso é mais barato e dispensa a obtenção das licenças ambientais para fazer novos linhões, o que é bem complicado."

Folha de S.Paulo


terça-feira, 8 de maio de 2007

Bife aguado


Xico Graziano

Cuidado. Esses temerosos tempos de aquecimento climático provocam uma perigosa mistura de neurose ecológica com preconceito cultural. Basta ver o caso da pecuária. O coitado do boi está sendo esculachado. Seu arroto virou crime.

Verdade não se esconde. Do processo de ruminação, característico dos animais vegetarianos de duplo estômago, como os bovinos e ovinos, resulta a produção de gases. Quando arrotam, as vacas libertam metano, gás que é 23 vezes mais nocivo, quanto ao efeito estufa, que o dióxido de carbono.

Desgraçadamente, o feijão, entre outros alimentos, causa problema semelhante para humanos. O metano é subproduto da fermentação anaeróbica, quer dizer, aquela verificada na ausência de oxigênio. Estufou, precisa sair. Muitas rodas sociais já se prejudicaram por este desleixo da vida.

Até aí, tudo bem. Ocorre que, pela internet, circula a informação de que uma vaca pode arrotar até 500 litros de metano por dia. Haja atmosfera que agüente! Sabendo-se que o rebanho bovino mundial atinge 1,4 bilhão de cabeças, tal volúpia gasosa é altamente condenável. Morte às vacas!

Procurando solução amena, o cientista alemão Winfred Dochner criou uma pílula antiarroto para receitar aos bovinos. Tecnologia veterinária de última geração contra os gases. Chega a ser engraçado.

O assunto, porém, é muito sério. E enganoso. Os cálculos sobre as emissões de metano advindas dos rebanhos são pouco críveis. Geralmente meras suposições. Como poderia um animal expelir 500 litros de gás por dia, se ele, o bicho inteiro, ossos e músculos, geralmente, pesa menos que isso? Será possível arrotar mais que seu próprio volume?

Segundo dados divulgados pela Embrapa, um boi libera cerca de 60 quilos de metano, não por dia, mas a cada ano. Dariam perto de 30 gramas diários, bem longe daqueles assustadores 500 litros. Enorme diferença.

Contra o boi ou sua digníssima vaca, existe ainda forte polêmica sobre o custo ambiental de sua carne. O problema reside no consumo de água pelo rebanho. Segundo propagado, a produção de um quilo de carne bovina exige 15 mil litros de água. Fazendo as contas, uma pessoa que mastigue 200 gramas de carne estará contribuindo, por dia, para o consumo de 3 mil litros do precioso bem. Será verdade?

Claro que não. O antiecológico bife aguado é outro engodo do raciocínio, uma conta de bocó. Comprado barato por conhecidos formadores de opinião, o cálculo considera a quantidade total de água que um animal bebe em toda sua vida. Dividido pelo peso de abate, surge o número mentiroso. Onde está o erro?

No xixi do boi. É fato elementar que o bicho, por muito beber, urina várias vezes no dia, fartamente. Aliás, assim também procedem os humanos. Se a água ingerida fosse sempre armazenada, aquele número assustador estaria correto. Ocorre que, ao fazer pipi, o animal recicla a água no ambiente. Não gasta coisa nenhuma.

Entidades ambientalistas e até mesmo gente da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) entraram nessa onda de combater o desperdício de água culpando a agropecuária. Já fizeram a conta mostrando que a produção de um único hambúrguer exige tanta água quanto 40 banhos de chuveiro. Balela total.

Tais apocalípticos cálculos se esquecem da lei básica de Lavoisier: na natureza nada se perde, tudo se transforma. Confundindo a opinião pública com informações fantasiosas, pouco contribuem para equacionar os verdadeiros problemas da produção agropecuária. E são vários.

Parece que, aos ecologistas inocentes, falar mal do campo é mais fácil. Não fica estranho. A sociedade urbana tem sido contumaz no trato preconceituoso contra seus agricultores, como a querer renegar seu sofrido passado. Agora que a urbe paga os pecados do aquecimento global, volta sua culpa contra a pobre da vaca.

Ora, quem anda estragando as águas da Terra é a imundície urbano-industrial. E as elevadas emissões de carbono se devem à frenética civilização consumista, oposta à pacata vida rural. Botar a culpa no campo é como varrer a sujeira para debaixo do tapete. O raciocínio fácil, enviesado, todavia, permeia inclusive os cientistas de asfalto.

A maior prova disso se encontra nos atuais dados sobre emissão de gás carbônico. Afirmam os cientistas do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) que o desmatamento é responsável, no Brasil, por cerca de 70% das emissões nacionais dos gases estufa. As queimadas na Amazônia, portanto, sobrepujariam, de longe, as emissões urbanas. Estranho.

Cuidado, novamente, com o número. A metodologia do cálculo das emissões oriundas do desmatamento supõe que, numa certa área, toda a massa vegetal das árvores - madeira, galhos e folhas - seja queimada, fazendo subir aos céus a fumaça carregada com dióxido de enxofre. Pura hipótese.

Na prática, apenas pequena parte do volume derrubado da floresta arde no fogo. O restante, acima de 70%, representa exatamente a cobiçada madeira, que segue adiante para a construção civil e a movelaria do Centro-Sul do País ou embarca para o resto do mundo. Bem ou mal, esse cerne valioso significa carbono imobilizado. Na conta dos desavisados ecologistas, todavia, tudo virou fumaça.

Qualquer desflorestamento é condenável. Seguido de fogo, então, deve ser execrado. Mas é errado considerar que a agropecuária seja a maior responsável pela emissão dos gases estufa. Fazendo as contas corretas, são as emissões veiculares e as chaminés nas metrópoles as grandes culpadas pelo aquecimento do Planeta.

Ecologia não combina com ideologia.

Xico Graziano, agrônomo, foi presidente do Incra (1995) e secretário de Agricultura de São Paulo (1996-98).

O Estado de São Paulo

quinta-feira, 3 de maio de 2007

País não tem informações sobre impactos locais do aquecimento

Encontro na USP lembra que, sem dados, é impossível traçar políticas

Leia os relatórios prévios do IPCC (em inglês) e saiba mais sobre aquecimento global

Giovana Girardi

O Brasil vive hoje um “vazio de monitoramento” sobre os impactos do aquecimento global nos sistemas físicos e biológicos do País. Sem essas informações é impossível adotar políticas de mitigação e adaptação aos danos das mudanças climáticas. A conclusão, do climatologista Carlos Nobre, foi o tema que norteou ontem o debate promovido pelo Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP).

O evento, que visava a discussão com a sociedade dos aspectos regionais e setoriais da segunda parte do relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, divulgado na sexta-feira, contou com a participação de cinco cientistas brasileiros que colaboraram na elaboração do texto.


Nobre e José Marengo, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), juntamente com os pesquisadores Philip Fearnside (do Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas), Ulisses Confalonieri (Fiocruz) e Antonio Rocha Magalhães (do Banco Mundial), foram categóricos: o Brasil precisa desenvolver o quanto antes um mapa que aponte exatamente onde está a nossa vulnerabilidade, tanto dos ecossistemas como dos sistemas sociais e econômicos.

“Faltam informações básicas, como projetos de monitoramento de longo prazo por meio dos quais seja possível apontar efetivamente quais mudanças são atribuídas ao aquecimento global”, explica Nobre. “Só com esse tipo de informação é possível convencer a sociedade a pagar os custos de adaptação e mitigação.”

POLÍTICA PÚBLICA SEM CIÊNCIA

Marengo, que lançou em fevereiro o primeiro modelo matemático que prevê os impactos futuros para o País, como aquecimento de até 8°C na Amazônia até 2100, alerta que o governo tem de considerar a ocorrência de eventos extremos para projetar suas ações.

“O Brasil, assim como outros países em desenvolvimento, tem o mau hábito de criar políticas públicas sem levar em conta o conhecimento científico. O que temos medo é que muito tem se falado em dois pilares: mitigação e adaptação, mas nenhuma mesa se segura só com duas pernas. E a terceira é a vulnerabilidade. Essa só é obtida com a base científica.”

O pesquisador usou como exemplo o projeto de transposição do Rio São Francisco, que tem como objetivo combater a seca. “O problema é que ele foi feito em cima de um clima estável, de uma realidade atual de seca, mas as projeções para o Nordeste apontam para uma maior aridez do semi-árido. Sem a inclusão dessa variável, ele provavelmente não será efetivo”, diz.

Para Marengo, o mesmo vale para a construção de piscinões e galerias fluviais. Muitos já foram e ainda estão sendo projetados de acordo com a quantidade atual de chuvas, mas cidades como São Paulo e Rio devem sofrer cada vez mais com tempestades e inundações.

Os pesquisadores, no entanto, estão confiantes em que agora o País está mais alerta à necessidade de mais pesquisa. Nobre prevê que o mapa de vulnerabilidade esteja pronto em cinco anos.

Fonte: O Estado de São Paulo