Mesmo com evidências científicas de que o desmatamento da Floresta Amazônica e do Cerrado brasileiro contribui para o aumento das temperaturas globais - e sabendo que essa é hoje a principal causa dos altos índices de emissões de gases do efeito estufa (GEE) do país - o governo federal não mostra sinais de que pretende empregar metas de redução.
“Não existe interesse em adotar metas”, afirma o professor visitante do Instituto Coppead de Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Sérgio Abranches, que aponta duas razões para esta postura. A primeira se deve ao fato de o governo brasileiro e a elite econômica terem um grande desprezo pela questão climática. O segundo, aponta, é o modelo de desenvolvimento ultrapassado que todos os presidentes adotam - enraizado na ideologia da década de 50. “Todos querem ser Juscelino Kubitschek, construir grandes indústrias, grandes projetos, como o PAC do Lula”, ressalta.
A única proposta brasileira que será levada à conferência mundial do clima (COP-13, que será realizada em Bali de 3 a 14 de dezembro) é a do incentivo positivo para a redução do desmatamento, uma vez que, no período de 2004 a 2006, o governo afirma ter reduzido em 50% as taxas de queimadas evitando a emissão de 500 milhões de toneladas equivalentes de CO2.
Em debate no workshop Mudanças Climáticas – O cenário brasileiro, a COP-13 e a Cobertura da Imprensa, o membro da Coordenação Geral de Mudanças Globais de Clima do Ministério da Ciência e Tecnologia, Mauro Meirelles, argumentou que assumir metas pode ser irresponsabilidade “porque não sabemos o que pode ser reduzido”.
Rubens Born, coordenador do Grupo de Trabalho do Clima do Fórum Brasileiro das ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e Desenvolvimento (FBOMS), rebateu dizendo que, na verdade, os negociadores não se sentem seguros para assumir algo que não poderão cumprir depois. “Há questões que ainda não foram resolvidas, como a fundiária e as de comodities agrícolas brasileiras. Em 1992 o Brasil sediou a Cúpula da Terra (Rio-92) e em 1994 o governo ratificou o Protocolo de Kyoto, ou seja, há pelo menos 13 anos sabe-se o peso da Convenção do Clima”, afirma Born. Segundo ele, debates sobre metas de redução de emissões de GEE são necessárias e não existiram até agora.
Quando se perturba o clima da Amazônia, com desmatamentos por exemplo, as conseqüências são sentidas em escalas que vão da local (no raio de um quilometro) até a global. O professor associado do Departamento de Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo, Humberto Ribeiro da Rocha, explica que existe alta confiança teórica de que o desmatamento da floresta provoca o aumento das temperaturas em escalas local, meso e regional. Já pela escala global, a suposição teórica com base em diversas pesquisas aponta para o aumento da temperatura devido ao carbono emitido. “Em escala local, eu sou categórico em afirmar que há o aquecimento do ar toda vez que ocorre o desmatamento. Digo isso pois temos pesquisas que comprovam”, afirma Rocha.
Como a evapotranspiração da Floresta Amazônia é responsável por 50% do processo de formação das chuvas, o desmatamento acaba influenciando também nos padrões de chuvas. Em escalas regionais, há evidências de redução das precipitações, já nas escalas meso e global, apesar de não existirem pesquisas, há suposições teóricas de que a chuva será variável.
Já no Cerrado, vegetação que ocupa 2 milhões de quilômetros quadrados (1/4 do território nacional), as atividades relacionadas com a agricultura emitem 220 toneladas de Co2 por hectare - o que representa 1/3 da taxa na Amazônia. Para a professora-adjunta do Depto de Ecologia da Universidade de Brasília, Mercedes Bustamante, por este motivo o Cerrado tem um papel importante e os processos de mudança do uso do solo não podem ser desprezados. “No estado do Mato Grosso, 88% das plantações de soja estão em área de savana, enquanto que os outros 12% estão em áreas de floresta”, afirma Mercedes. (CarbonoBrasil)
“Não existe interesse em adotar metas”, afirma o professor visitante do Instituto Coppead de Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Sérgio Abranches, que aponta duas razões para esta postura. A primeira se deve ao fato de o governo brasileiro e a elite econômica terem um grande desprezo pela questão climática. O segundo, aponta, é o modelo de desenvolvimento ultrapassado que todos os presidentes adotam - enraizado na ideologia da década de 50. “Todos querem ser Juscelino Kubitschek, construir grandes indústrias, grandes projetos, como o PAC do Lula”, ressalta.
A única proposta brasileira que será levada à conferência mundial do clima (COP-13, que será realizada em Bali de 3 a 14 de dezembro) é a do incentivo positivo para a redução do desmatamento, uma vez que, no período de 2004 a 2006, o governo afirma ter reduzido em 50% as taxas de queimadas evitando a emissão de 500 milhões de toneladas equivalentes de CO2.
Em debate no workshop Mudanças Climáticas – O cenário brasileiro, a COP-13 e a Cobertura da Imprensa, o membro da Coordenação Geral de Mudanças Globais de Clima do Ministério da Ciência e Tecnologia, Mauro Meirelles, argumentou que assumir metas pode ser irresponsabilidade “porque não sabemos o que pode ser reduzido”.
Rubens Born, coordenador do Grupo de Trabalho do Clima do Fórum Brasileiro das ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e Desenvolvimento (FBOMS), rebateu dizendo que, na verdade, os negociadores não se sentem seguros para assumir algo que não poderão cumprir depois. “Há questões que ainda não foram resolvidas, como a fundiária e as de comodities agrícolas brasileiras. Em 1992 o Brasil sediou a Cúpula da Terra (Rio-92) e em 1994 o governo ratificou o Protocolo de Kyoto, ou seja, há pelo menos 13 anos sabe-se o peso da Convenção do Clima”, afirma Born. Segundo ele, debates sobre metas de redução de emissões de GEE são necessárias e não existiram até agora.
Quando se perturba o clima da Amazônia, com desmatamentos por exemplo, as conseqüências são sentidas em escalas que vão da local (no raio de um quilometro) até a global. O professor associado do Departamento de Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo, Humberto Ribeiro da Rocha, explica que existe alta confiança teórica de que o desmatamento da floresta provoca o aumento das temperaturas em escalas local, meso e regional. Já pela escala global, a suposição teórica com base em diversas pesquisas aponta para o aumento da temperatura devido ao carbono emitido. “Em escala local, eu sou categórico em afirmar que há o aquecimento do ar toda vez que ocorre o desmatamento. Digo isso pois temos pesquisas que comprovam”, afirma Rocha.
Como a evapotranspiração da Floresta Amazônia é responsável por 50% do processo de formação das chuvas, o desmatamento acaba influenciando também nos padrões de chuvas. Em escalas regionais, há evidências de redução das precipitações, já nas escalas meso e global, apesar de não existirem pesquisas, há suposições teóricas de que a chuva será variável.
Já no Cerrado, vegetação que ocupa 2 milhões de quilômetros quadrados (1/4 do território nacional), as atividades relacionadas com a agricultura emitem 220 toneladas de Co2 por hectare - o que representa 1/3 da taxa na Amazônia. Para a professora-adjunta do Depto de Ecologia da Universidade de Brasília, Mercedes Bustamante, por este motivo o Cerrado tem um papel importante e os processos de mudança do uso do solo não podem ser desprezados. “No estado do Mato Grosso, 88% das plantações de soja estão em área de savana, enquanto que os outros 12% estão em áreas de floresta”, afirma Mercedes. (CarbonoBrasil)
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