segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Índia deve revelar detalhes sobre seu mercado de carbono

Por Fabiano Ávila, da Carbono Brasil 

O governo indiano irá divulgar mais informações sobre um mercado nacional de carbono no dia primeiro de fevereiro.  A princípio, a Índia seguirá o modelo do Esquema de Permissões de Emissão da União Européia (EU ETS) somado às iniciativas adotadas nos anos 1990 nos Estados Unidos para controlar chuvas ácidas.

O projeto piloto do mercado foi desenvolvido por uma equipe de especialistas do MIT em conjunto com a Universidade de Harvard. A intenção é que ele seja implementado nas províncias de Tamil Nadu e Gujarat.

Essas regiões foram escolhidas porque são áreas extremamente poluídas e sedes de grandes setores industriais. Tamil Nadu também se destaca por já possuir um avançado sistema de monitoramento de poluição e qualidade do ar.

Ainda existem muitos pré-requisitos que devem ser cumpridos antes que o mercado saia do papel.  É preciso que o governo estabeleça mecanismos transparentes e regulamentações sólidas para que o esquema receba confiança dos investidores.

(Envolverde/CarbonoBrasil)

IIED destaca papel das cidades na mitigação climática

Por Fabiano Ávila, da Carbono Brasil 

O Instituto Internacional de Meio Ambiente e Desenvolvimento analisou as emissões em 100 centros urbanos e afirma que novas políticas para o clima podem ser descobertas com a observação das diferenças entre as metrópoles

A cidade de São Paulo possui uma menor emissão per capita de gases do efeito estufa do que muitos centros urbanos do sudeste da Ásia, um exemplo de que mais riqueza não necessariamente implica em mais emissões.

Observar esses contrastes, principalmente no que diz respeito aos hábitos de consumo e padrões de vida, pode revelar grandes oportunidades e lições para novas políticas de mitigação das mudanças climáticas.

É isso que afirma o estudo “Cities and greenhouse gas emissions: moving forward”, do Instituto Internacional de Meio Ambiente e Desenvolvimento (IIED), divulgado nesta quarta-feira (26).

O trabalho coletou dados sobre as emissões de 100 cidades em 33 países justamente para salientar as diferenças entre elas e apontar possíveis sugestões para melhorar as vidas das pessoas diante das transformações do clima.

“Diferenças nos padrões de produção e consumo entre as cidades significam que não é muito útil atribuir as emissões para as metrópoles como um todo. Autoridades precisam entender melhor as fontes de emissões se é que desejam desenvolver soluções reais”, afirmou Daniel Hoornweg, principal autor do estudo e especialista em cidades e mudanças climáticas do Banco Mundial.

As emissões variam bastante ao redor do planeta, mesmo em cidades com aproximadamente o mesmo número de habitantes. Em algumas capitais dos países mais industrializados, as emissões chegam a 15 ou 30 toneladas de dióxido de carbono equivalente (tCO2e ) por ano, enquanto na Ásia podem ser encontradas cidades com meia tonelada por pessoa.

Entre as metrópoles mais ricas, as capitais européias se mostram mais limpas que as norte-americanas, possuindo em média menos da metade das emissões per capita.

Mas também existem muitas diferenças entre os centros urbanos nos EUA. Denver, por exemplo, apresenta o dobro das emissões per capita de Nova York. O motivo seria a maior utilização de automóveis e a preferência por veículos grandes, como caminhonetes e SUVs (Sport Utility Vehicles).

Até mesmo dentro uma só cidade pode haver grandes contrastes entre as emissões de seus habitantes. O estudo usa como exemplo Toronto, no Canadá, onde as pessoas que moram no centro, com acesso ao sistema público de transporte, apresentam apenas 1,3 tCO2e por ano, já as que vivem nos subúrbios mais distantes chegam a 13 tCO2e.

De forma semelhante, os índices podem variar conforme os critérios utilizados para medi-los.  Uma metrópole onde a população possui hábitos de grande consumo pode até ter poucas emissões se o critério for em termos de produção.

Uma das conclusões do trabalho foi que não é válido culpar as cidades como um todo pelas emissões. Existem muitas particularidades que devem ser levadas em conta e que também devem ser analisadas para o desenvolvimento de programas mais eficientes de redução.

“Este Estudo nos relembra que são as cidades mais ricas e os seus habitantes mais ricos que promovem índices insustentáveis de gases do efeito estufa, não cidades em geral”, concluiu David Satterthwaite, editor do portal Urbanização e Meio Ambiente e membro do IIED.

(Envolverde/Carbono Brasil)

Estudo da IUFRO recomenda inversão da lógica do REDD

Por Fabiano Ávila, da Carbono Brasil 

A União Internacional de Institutos de Pesquisa Florestal acredita que o foco do mecanismo em reduzir as emissões de gases do efeito estufa é prejudicial para os povos nativos e sugere a criação do Forest+

A Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD) parte do princípio que as florestas são essenciais para o equilíbrio do clima e por isso os países com grandes áreas intocadas de mata nativa devem ser incentivados a mantê-las assim. Dessa forma, o mecanismo permite acordos internacionais que recompensem ou ao menos compensem a não exploração dessas regiões.

Porém, logo surgiu a preocupação de que para arrecadar com o REDD, grandes latifundiários e corporações iriam expulsar índios e povos ribeirinhos de seus lares ou alterar o modo de vida dessas pessoas, para lucrar com os créditos de carbono.

Diante disso, foi preciso pensar além, e assim nasceu o REDD+, que leva em conta o tradicional estilo de vida das populações que vivem nas florestas. Essa nova iniciativa prevê uma gestão sustentável da floresta.

Agora, a União Internacional de Institutos de Pesquisa Florestal (IUFRO) alerta que apesar do REDD ter exemplos concretos de proteção florestal, mesmo sua versão REDD+ ainda é falha no que diz respeito às necessidades dos povos nativos.

“REDD+ foi um avanço, já que coloca a conservação das florestas como um objetivo e a administração sustentável das florestas como uma solução. Mas ainda continua a priorizar o valor do armazenamento de carbono acima das melhoras necessárias nas condições de vida das populações”, explicou Jeremy Rayner, presidente do painel da IUFRO.

A necessidade de expandir o REDD+ com novos conceitos foi apresentada pela IUFRO no estudo “Embracing complexity: Meeting the challenges of international forest governance” divulgado nesta segunda-feira (24) na abertura da nona edição do Fórum sobre Florestas das Nações Unidas (UNFF) como parte do lançamento do Ano Internacional das Florestas.

Produzido por 60 especialistas de diversos países e áreas de estudo, o relatório é considerado pela IUFRO como o mais completo trabalho científico sobre governança florestal já realizado.

Uma das soluções dadas pelo estudo é o estabelecimento do que foi chamado de “Forest +”, que tem como objetivo conservar as matas ao incentivar incrementos nas condições de vida das populações nativas.
“O Forest+ seria focado nas muitas maneiras que as pessoas utilizam as florestas. Assim, ele incentivaria melhores práticas sustentáveis ao mesmo tempo em que também encorajaria a compra de produtos que tenham o menor impacto no ecossistema”, explicou Benjamin Cashore, professor de governança ambiental e ciência política da Universidade de Yale e colaborador do estudo.

A IUFRO acredita que essa inversão da lógica, colocando as populações nativas acima do armazenamento de carbono, é o melhor caminho para a real preservação das florestas.

“O REDD foi mais eficiente do que qualquer outra estratégia de preservação no passado. Porém, povos indígenas acabam sofrendo com a criminalização do seu tradicional modo de vida e com a pressão de pessoas de fora querendo lucrar com os créditos de carbono. Melhor que ter uma iniciativa que olhe as coisas de cima para baixo, do global para o local, seria incentivar os bons exemplos regionais de preservação e multiplicá-los”, concluiu Constance McDermott, do Instituto de Mudanças Ambientais da Universidade de Oxford.

Segundo a IUFRO, o REDD+ está fadado ao fracasso se não revisar sua lógica de funcionamento.

(Envolverde/Carbono Brasil)

Além da meta de dois graus

Por Oliver Gedenis* 

Nos círculos internacionais de políticas climáticas existe um amplo consenso sobre a meta de limitar o aquecimento global a um máximo de dois graus acima dos níveis pré-industriais. Ainda assim, atingir essa meta é quase impossível.

Mas se os líderes mundiais abandonarem esse alvo, terão de tomar uma decisão estratégica fundamental em relação à estrutura e aos níveis de exigência de um novo objetivo climático. Portanto, é preciso uma mudança de paradigma. A abordagem científica da tradução da temperatura global em orçamentos nacionais de emissões precisos é politicamente inviável. Em vez disso, países com uma forte agenda de política climática devem defender fórmulas dinâmicas para fixação de metas.

O alvo dos dois graus é o ponto primário de referência para o debate atual. Um aumento correspondente na temperatura média global é normalmente visto como o limite além do qual os efeitos das mudanças climáticas começam a ficar perigosos. Mas, ao contrário da crença generalizada, o último relatório de avaliação do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC) não ligou para a meta dos dois graus, o que, desde o final dos anos 90, tem surgido como um símbolo e um ponto de orientação para uma ambiciosa, porém realista, agenda climática global.

A União Europeia foi a primeira força a impulsionar o alvo dos dois graus internacionalmente. Os ministros do ambiente europeus têm defendido a meta desde 1996. À frente da Conferência de Copenhagen, em 2009, a União Europeia conseguiu fazer com que todos os parceiros relevantes no âmbito das negociações incluindo até China, Índia, Rússia e Estados Unidos se comprometessem com a meta.

Dado que a quantidade de gases de efeito estufa (GEE) emitida até agora vai aumentar as temperaturas em 1,5°C em comparação com a época pré-industrial, decisões políticas maiores são necessárias para garantir o cumprimento da meta de dois graus. A ciência climática pressupõe que o pico das emissões globais deve ocorrer dentro dos próximos anos. Atualmente, entretanto, há poucos indícios de que uma reversão de tendências será mesmo visível no horizonte.

Então, até certo ponto no futuro próximo, um crescente número de vozes da comunidade científica deve definitivamente rejeitar a possibilidade de manter essa meta. Quando isso acontecer, simplesmente defender um alvo mais suave, de 2,5°C ou 3°C, não será suficiente.

De acordo com o paradigma atual, a meta global é definida por categorias científicas e entendida como um limite máximo absoluto. Dada essa abordagem, todos os esforços iniciais têm buscado criar um acordo climático global, levando a um forte foco em negociações globais, negligenciando os esforços concretos de descarbonização por países industrializados e em industrialização.

O resultado é um empate, porque os governos podem sempre culpar pelas falhas a falta de ação dos outros. Mesmo os EUA têm usado esse argumento para justificar sua recusa para aumentar a redução de emissão de GEE de 20% para 30% até 2020.

Um paradigma alternativo teria que combinar realismo com uma visão global positiva. Uma possibilidade é estabilizar uma neutralidade climática como um objetivo global de longo prazo, trabalhar para reduzir em rede as emissões de GEE. Mesmo que esse objetivo fosse inicialmente ligado a um calendário definido de forma ampla, ele estabeleceria o padrão para a ação, segundo o qual todos os países teriam de se basear.

Dentro desse quadro, ambiciosos atores da política climática como EUA, Suíça ou Japão enfrentariam a tarefa de se comprometer com medidas exatas de descarbonização. Eles teriam de reunir provas de que a transição para uma economia de baixo carbono é tecnicamente viável e rentável, gerando efeitos positivos não só para o clima, mas também para os preços da energia e para a segurança do abastecimento. O sucesso estimularia outros países do G-20, atuando fora do auto-interesse, a seguir os passos dos líderes do clima.

Esse tipo de abordagem, de baixo para cima, levaria a significativas reduções de emissões. Para ter certeza, seria impossível de prever, com base no princípio favorecido atualmente, de cima para baixo, quanto de aumento da temperatura o mundo suportaria. Dado que a exploração a um limite de temperatura estrito não é uma opção politicamente viável, focalizando a política do clima em benchmarks flexíveis, tais como a neutralidade do clima , seria mais eficaz no curto prazo e mais promissora no longo prazo.

*Oliver Gedenis é pesquisador sênior no SWP, o maior centro de estudos alemão de política de segurança e relações exteriores.

(Envolverde/Zero Hora)

Dor contratada

Por Míriam Leitão*, para O Globo 

Os economistas mostram que o erro é investir pouco na prevenção e gastar muito para remediar. Os meteorologistas descrevem encontros de fenômenos naturais que os tornam mais potentes. Os climatologistas alertam que vai piorar. Os urbanistas apontam erros do passado. Um conservacionista viajou pelo Brasil e viu a insensatez. Assim se contrata a dor presente e futura.

Cada especialista no seu ângulo registra um pedaço do erro. Eles juntos produzem uma zona de convergência de tragédias futuras. O Brasil é bom na emergência: os poderes se juntam, os diagnósticos são precisos, as soluções são prometidas, o dinheiro aparece, a generosidade brota, a imprensa se concentra. Cessou o momento extremo e tudo volta ao leito do rio dos adiamentos.

Marcelo Seluchi, meteorologista do Inpe, explicou ontem a coincidência dos fenômenos que vitimaram a Região Serrana do Rio:

- A Zona da convergência do Atlântico Sul produz umidade concentrada. Isso piorou pela nebulosidade da Serra, mas houve também o que a gente chama de Sistema de Bloqueio, que deixou essa umidade sobre o Rio e São Paulo. São fenômenos naturais, mas as grandes catástrofes estão ficando mais frequentes.

Chuvas, tempestades, enchentes sempre existiram, tragédias já marcaram o passado em eventos históricos, mas o que está convergindo são os avisos de especialistas de diversas áreas de que é perigoso insistir no mesmo padrão de comportamento. A presidente Dilma ontem sobrevoou a tragédia e disse que a população pode esperar medidas fortes. Que sejam também permanentes.

Do Japão, o climatologista Carlos Nobre mostrou empolgação com o sistema de alertas e prevenção de enchentes e deslizamentos em encostas que será criado no Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) usando computadores e sabedoria do INPE:

- Remover as pessoas de áreas de risco é mais difícil, mas é possível e factível um sistema de alertas efetivo. E esta será uma das minhas mais importantes tarefas no MCT.

Aumentou a volatilidade do clima, os fenômenos estão mais ativos, os extremos mais frequentes. Isso é evidente para qualquer leigo e uma constatação científica. Portanto, é mais do que repetição, é um movimento de piora constante. A cada nova tragédia, ela pode ser pior. Não tem volta, a humanidade já contratou uma parte da mudança climática. O que nos cabe agora é tentar mitigar seus efeitos, se adaptar aos seus rigores, evitar a continuação dos erros.

- O que tem sido observado globalmente é uma exacerbação dos ciclos naturais, isto é, extremos climáticos têm acontecido com mais freqüência, há maior volatilidade do clima. No Brasil, faltam estudos de longo prazo do clima contemporâneo para sermos mais conclusivos, mas é bom nos prepararmos para este aumento de volatilidade. Vamos desenvolver e implementar tão rápido quanto possível formas de reduzir riscos de desastres através do sistema de alerta. No longo pra$, esse aumento da volatilidade vai mexer profundamente com os usos da terra, principalmente nas áreas de risco e cidades. Há um limite para obras de engenharia. É preciso fazer a paisagem rural e urbana voltar a responder de maneira mais natural aos fenômenos climáticos — disse Carlos Nobre.

É como declarou ontem a presidente Dilma após visitar os locais da tragédia na Região Serrana. Cabe às autoridades atender às emergências e prevenir com política habitacional, drenagem, saneamento:

- Porque se o terreno aqui é uma camada fina sobre rocha e há deslizamento quando chove, que deslize, mas que não morra gente.

O sinal da presidente é exato: em vez de culpar a natureza, precisamos nos preparar. Para lidar com fenômenos que ela descreveu como “montanhas que se dissolveram.”

Foi o que viu também o conservacionista Miguel Milano. Ele acaba de voltar de uma viagem de 5 mil quilômetros, de carro, pelo interior do Brasil. Foi do Sul até a Bahia e passando por São Paulo, Minas, Rio, visitou o Vale do Paraíba e voltou pelo Espírito Santo, onde já pegou, na virada do ano, áreas alagadas:

- De propósito, fugi das grandes vias e viajei por dentro. Vi morro derretendo, vi todo o tipo de irregularidade. Não há áreas de preservação permanente, reserva legal, vegetação em declives. Vi encosta desmoronando por causa de erosão. Fiquei lembrando do que estudei de hidrologia florestal nos meus tempos de estudante, há décadas. Um desses estudos mostrava que a diferença entre o pico da cheia e o da seca nas áreas vegetadas é de sete vezes. Nas áreas degradadas, é de 20 vezes. A vegetação é proteção, atenua o impacto das chuvas, reduz o volume e o tempo do escorrimento, protege contra o vento e tem o efeito de transpiração, ou seja, as árvores bombeiam parte da água de volta para a atmosfera. Fui vendo isso e pensando na loucura do Brasil, que não só não respeita o Código Florestal como quer, a esta altura, mudá-lo.

No meio da mudança climática é estranho propor reduzir proteção das margens dos rios, dos picos dos morros, dos terrenos íngremes e diminuir as áreas de reserva legal. Mas é isso que o Congresso Nacional está votando na mudança do Código Florestal.

A presidente Dilma disse que agora é a hora de resgatar, amparar e cuidar das pessoas. Depois, reconstruir e prevenir.

É o triste momento de contar os mortos. Eles já passam dos 480. É também hora de ver que caminhamos no sentido contrário ao que manda a razão e a sensatez.

*Publicado originalmente na coluna da autora no site do jornal O Globo, em 14/01/2011 - http://oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2011/01/14/dor-contratada-356593.asp

(Envolverde/Portal do Meio Ambiente)

Estudo demonstra efeito de mudanças climáticas


Por Antônio Martins, do Outras Palavras* 

Movimentos como prosperidade do Império Romano, pestes e migrações maciças teriam sido influenciados por alterações ambientais.

Surgiu mais um dado importante, para o debate crucial sobre as consequências do aquecimento da Terra. A revista Science acaba de publicar os resultados de um vasto estudo que relaciona episódios marcantes da História, nos últimos 2500 anos, com mudanças atmosféricas na Europa. Situações naturais favoráveis, revela a pesquisa, influenciaram períodos de expansão da atividade material e intelectual humana — como no fase de glória do Império Romano. Em contrapartida, fenômenos como a peste que dizimou a população europeia no século 14, ou as crises que provocaram grandes migrações no século 19, teriam, entre suas causas, um clima hostil.

O trabalho é obra de uma equipe de cientistas coordenada por Ulf Büntgen, paloclimatólogo do Instituto Federal de Pesquisas sobre a Floresta, de Zurique. Baseou-se na dendrocronologia, o estudo que relaciona as idades das árvores com os aneis de seus troncos. A equipe de Büntgen examinou estudos de 9 mil amostras de árvores, colhidas nos últimos trinta anos, no Velho Continente, por arqueólogos. Cotejou-as com outras amostras, de plantas vivas. A partir da comparação, pensa ter feito descobertas importantes sobre a evolução da temperatura e umidade do ar.

O período de cinco séculos que se estende entre 300 a.C e o ano 200 parece ter sido marcado por verões quentes e úmidos. Eles favoreceram a atividade agrícola, base principal da economia da Antiguidade, e impulsionaram uma longa fase de desenvolvimento da produção, comércio, ciência e artes. É, também, o período de expansão do Império Romano. Um outro período quente e úmido abrangeu os séculos 11 a 13, quando se deu a chamado apogeu da Idade Média.

Já o período de declínio acelerado de Roma, e desmantelamento de seu império, pode ter sido acelerado por uma fase de seca prolongada. Outras condições metorológicas desfavoráveis (agora, temperaturas muito baixas associadas a umidade alta) coincidiriam com a epidemia de peste que dizimou boa parte da população europeia, no século 14, e com a escassez de alimentos que provocou as migrações maciças (rumo à América, principalmente) nos anos 1800.

O estudo, possivelmente pioneiro (veja resumo - http://www.sciencemag.org/content/early/2011/01/12/science.1197175 - e coleção de gráficos e tabelas - http://www.emetsoc.org/annual_meetings/documents/presentations_2010/UC4_Buentgen.pdf), abre uma pista para o investigação sobre as mudanças climáticas do passado e suas consequências. Além disso sugere, como declarou Büntgen, “repensar a hesitação atual, política e fiscal, em enfrentar a mudança climática acelerada do século 21″.

*Publicado originalmente no portal Outras Palavras. Para conhecer acesse http://ponto.outraspalavras.net/.

(Envolverde/Outras Palavras)

As alternativas da alternativa

Marilia Bugalho Pioli*, para a Agência Ambiente Energia – Que a energia eólica – e as outras fontes de energias renováveis – é uma alternativa vantajosa à matriz energética de fontes fósseis já é praticamente lugar comum, mas as vantagens são tantas que já se pode falar em alternativas dessa alternativa.

Com isso se pretende dizer que a energia eólica extrapola os limites dos parques eólicos que enchem os olhos de quem por eles passa – sem embargo dos protestos daqueles que reclamam do “enfeiamento” que as torres provocariam, em especial em locais próximos a sítios históricos e turísticos como acontece na Europa – e representa alternativa de geração de energia para consumidores domésticos e para consumo próprio.

Noticiou-se na imprensa, por exemplo, que no estado de Santa Catarina há um projeto de construção de condomínio residencial (Neo) no qual dois aerogeradores deverão alimentar aquecedores centrais. Em Maringá, cidade do noroeste do Paraná, foi instalada uma torre de 40 metros no condomínio Ecogarden Residence, com conclusão prevista para janeiro de 2012. A energia gerada pela turbina eólica deverá suprir a área comum do condomínio (quadras de tênis, salão de festas e postes das praças). A utilização de energia eólica em áreas residenciais contribui para o conceito de sustentabilidade, tão importante e tão em voga hoje em dia.

As vantagens da energia limpa, em especial da fonte eólica, servem inclusive de inspiração para a genialidade criativa dos inventores. Para proporcionar o acesso ao uso de energia eólica para unidades residenciais, Jonathan Globerson criou o GreenGenerator, um gerador com  miniturbinas eólicas e células solares em filme flexível que pode ser instalado em sacadas. O inventor defende que cada aparelho pode reduzir até 6% a conta de energia e impedir a emissão de cerca de 900 quilos de CO2 na atmosfera.

Divulgado como o primeiro prédio comercial do Brasil a usar energia eólica, o Edifício Eólis, localizado em Porto Alegre (RS), pretende que 20% de toda a energia consumida pelas áreas comuns (corredores, elevadores, estacionamento) provenha da energia eólica. O gerador eólico, que custou cerca de R$ 40 mil, foi instalado no topo do prédio e tem capacidade para gerar 3 KW. A expectativa da empresa administradora do projeto é que o retorno do investimento aconteça em cinco anos e que a economia, possibilitada também por tratativas com a Companhia Estadual de Energia Elétrica, supere 50%. Se as expectativas se concretizarem, a intenção dos responsáveis pelo projeto é triplicar a produção de energia eólica no prédio.

A energia eólica também se apresenta como alternativa de consumo para grandes empresas, a exemplo do Walmart do México. Perseguindo o objetivo de obter 100% de energia de fontes renováveis até 2025, desde 6 de maio de 2010 a divisão Walmart do México e América Central passou a ter as cerca de 350 lojas, lojas de descontos e restaurantes da capital mexicana e da cidade de Morelos integralmente supridas por energia eólica. Espera-se que a operação reduza a emissão de CO2 em cerca de 137.000 toneladas/ano, o que equivale à emissão de 21.000 automóveis.

As possibilidades de uso de energia eólica além dos parques chega mesmo a alcançar os oceanos (e não estamos aqui falando em instalação offshore). Recentemente navegou em águas brasileiras o primeiro – e por enquanto único – navio eólico. Trata-se do E-Ship 1, o primeiro cargueiro movido a energia eólica (em conjunto com propulsão diesel-elétrica). Os giros de quatro rotores cilíndricos (torres de 27 metros de altura por 4 metros de diâmetro) instalados no convés principal do navio, associados ao efeito do vento lateral, criam a força que ajuda a impulsionar o navio.

Com estes poucos e tímidos exemplos – certamente há muitos outros casos espalhados pelo mundo – denota-se que a energia eólica representa um mercado emergente (com as vantagens da sustentabilidade e com ganhos inquestionáveis para o meio ambiente) não somente para os milionários investidores de parques eólicos, mas também para bolsos e empreendimentos bem mais modestos, cabendo até mesmo “nos quintais” de nossas casas.

* Marilia Bugalho Pioli é advogada, sócia do escritório Becker, Pizzatto & Advogados Associados, coordenadora da área jurídica de Energia Eólica

Fonte:  Ambiente Energia

Rio Sustentável: lei define diretrizes

Prestes a ser palco da Rio +20 no ano que vem, quando a Rio 92 completará 20 anos, a cidade do Rio de Janeiro deu mais um passo para se tornar referência em sustentabilidade. Na quinta-feira, dia 27 de janeiro, o prefeito Eduardo Paes sancionou a Lei nº 5.248/2011, que instituiu a Política Municipal sobre Mudança do Clima e Desenvolvimento Sustentável. A Lei Aspásia Camargo, nome da sua autora, estabelece metas gradativas para a redução das emissões de gases de efeito estufa no município, sendo 8%, em 2012; 16%, em 2016; e 20%, em 2020, com base no inventário de 2005. A legislação leva em conta os princípios da prevenção, mitigação e adaptação.

Para atingir as metas estabelecidas, a lei busca fomentar o desenvolvimento de projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL); o incentivo ao estudo e à pequisa  de tecnologias sustentáveis; o estabelecimento de um programa de ecoeficiência; a gestão e o uso racional dos recursos naturais; a gestão dos resíduos sólidos; o planejamento do setor de transporte e de mobilidade urbana; e a criação de incentivos para a geração de energia descentralizada, a partir de fontes renováveis; e a criação de incentivos fiscais e financeiros para pesquisas relacionadas à eficiência energética e ao uso de energias renováveis em sistemas de conversão de energias.


domingo, 30 de janeiro de 2011

A importância do cerrado


O cerrado se constitui no segundo maior bioma brasileiro, ocupando uma área de aproximadamente 21% do território nacional. Este bioma é considerado a savana mais rica em biodiversidade de todo o mundo, maior até do que as típicas savanas africanas. Ao todo, possui cerca de 10.000 espécies de plantas, sendo que destas, 4.400 são endêmicas, ou seja, só existem nestes locais, além da fauna ser bem diversa, com destaque para as aves e os animais de grande porte. 

Sua vegetação é caracterizada por arbustos retorcidos e, em sua maioria, de médio e pequeno porte como forma de adaptação ao solo ácido e pobre em nutrientes, o que pode transmitir uma ideia de deficiência hídrica, como na caatinga. Mas é apenas uma falsa ideia.

Neste domínio há a maior riqueza hídrica, principalmente em termos de importância socioambiental, para o Estado nacional e pro povo brasileiro, ao meu ver (rs). O regime de chuvas anual é bastante característico, apesar de haver variações, às vezes normais outras vezes não, são fartas de setembro a março, sendo até raro, nos outros meses, ela vir. Contudo, apesar de ficar quase metade do ano sem chover, a presença de rochas sedimentares, e o relevo de planaltos e chapadões planos em quase a totalidade de sua extensão, permite que a água da chuva infiltre no solo e fique retida nos horizontes subterrâneos. Um exemplo disso é a presença dos dois maiores aquíferos do país lá – O Guarani e o Urucuia, onde este se localiza no oeste baiano.

Os afluentes dos principais rios brasileiros nascem no cerrado, isso significa dizer que ele é o grande distribuidor e abastecedor deles, especialmente o Rio Amazonas (em porções da margem direita), o Rio São Francisco (onde este possui 47% de sua área neste bioma, sendo que do total de sua vazão, 94% da água vem do cerrado), o Rio Paraguai e Paraná (este com 75% da vazão se originando no cerrado), que são importantes para escoamento da produção de grãos e da produção de energia elétrica, respectivamente, o Tocantins-Araguaia, um dos principais rios da região norte, entre outros.


Estima-se que 95% de toda a energia hidrelétrica produzida no nosso país depende das águas do cerrado. Número extremamente alto, que demonstra o enorme potencial deste domínio de natureza.

Pena que seja muito negligenciado pelas autoridades governamentais, que não dedicam esforços suficientes para a sua conservação e mesmo de nós, habitantes “comuns” desse país, que esquecemos de biomas paisagisticamente (em termos visuais somente) mais pobres colocando-os em patamares menores se comparando com as florestas equatoriais e tropicais do Brasil.

Acredito que este post seja importante para mostrar a importância de outros biomas brasileiros, inclusive para estudantes, que, acredito, possam compreender melhor o importante papel que o domínio do cerrado exerce, positivamente, para a sociedade. Em outro post falarei um pouco sobre o intenso processo de destruição do meio ambiente deste bioma, especialmente com a expansão das fronteiras agrícolas de latifúndios monoculturas.

Esse monocromatismo da natureza, ou seja, só o verde, “nada tem a ver com a variedade de cores que a natureza, em qualquer período [e espaço], tem” (Wendel Henrique). De uma forma ou de outra, precisamos abrir mais nossas mentes e discussões para outros espaços tão importantes quanto às belas florestas verdes (?) do nosso mundo.

Casca de banana pode despoluir água


“Yes, nós temos banana!” Engana-se quem pensa que esta fruta tropical serve apenas para matar a fome e é rica em potássio e fibras. A casca da banana, esnobada por muitos, tem um valor inimaginável.
Um projeto da doutoranda da Ufscar (Universidade Federal De São Carlos, no interior de São Paulo) Milena Boniolo demonstra que a partir de um pó feito com a casca da fruta, é possível descontaminar água com metais pesados.

Boniolo teve a ideia após assistir uma reportagem sobre o desperdício da fruta no Brasil. “Só na Grande São Paulo, quase quatro toneladas de cascas de banana são desperdiçadas por semana. E isso é apenas nos restaurantes”, diz em entrevista para a Folha.com.

A pesquisadora já trabalhava com estratégias de despoluição da água, porém todos os métodos sempre foram muito caros, como as nanopartículas magnéticas, inviabilizando o uso em pequenas e médias indústrias.
Como a casca da banana tem pouco interesse comercial, existem empresas dispostas a até doá-las. “O volume de sobras de banana é muito grande, as empresas têm gastos para descartar adequadamente esse material. Isso é um incentivo para que elas participem das pesquisas”, afirma Boniolo.

O método de despoluição se baseia no seguinte princípio: os opostos se atraem, pois na casca da banana existe grande quantidade de moléculas carregadas com carga negativa. Elas atraem os metais pesados, positivamente carregados.

“Eu comecei fazendo em casa. É realmente muito fácil“, diz a pesquisadora. As cascas de banana são colocadas em assadeiras e ficam secando ao sol durante quase uma semana. O material é triturado e, depois, passa por uma peneira especial. Isso garante que as partículas sejam uniformes. O resultado é um pó extremamente fino, que é adicionado à água contaminada. Para cada 100 ml a serem despoluídos, usa-se cerca de 5 mg do pó de banana.

Já em laboratório, o índice de descontaminação foi de 65% a cada vez que a água passava pelo processo. Logo, se for colocado em prática repetidas vezes, é possível chegar a altos níveis de “limpeza”.

O projeto, que foi apresentado na dissertação de mestrado da pesquisadora no Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares), foi pensado com urânio, mas, segundo Boniolo, é eficaz também com outros metais, como cádmio, chumbo e níquel, muito usados na indústria.

Boniolo ganhou o Prêmio Jovem Cientista e recebeu convite para apresentar a ideia no Brasil e na Inglaterra.

Ano Internacional da Floresta – 2011


Em 2010 comemoramos o Ano Internacional da Biodiversidade, que contou com diversos eventos, inclusive um deles abordado aqui no blog a COP -10 (a décima Conferência das Partes que tratou sobre a Convenção sobre a Diversidade Biológica – que como já sabemos não deu em muita coisa). Já 2011 será o Ano Internacional das Florestas.

A data e o tema são iniciativas aprovadas pela Assembléia Geral das Nações Unidas, que tem como principal objetivo esclarecer para todos a importância das florestas e de seu manejo sustentável na redução da pobreza. A programação contará com atividades internacionais, coordenadas pelo Fórum de Florestas (UNFF) e organizações da ONU, além de eventos nacionais.

Segundo documento da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), para facilitar a realização dos objetivos deste Ano Internacional, o secretariado do “Fórum das Nações Unidas sobre as Florestas” propõe as seguintes atividades difusoras:

1.Logotipo do Ano Internacional das Florestas – 2011: O logotipo oficial foi idealizado por designers gráficos e desenvolvido em colaboração com o Departamento de Informação Pública da Secretaria Geral. Recebeu aprovação do Conselho de Publicações das Nações Unidas, tendo sido apresentado publicamente em todos os idiomas oficiais da Organização. Tem como tema “Florestas para o povo“, exaltando o papel das pessoas na gestão, conservação e exploração sustentável das florestas do mundo.

2. Site do Ano Internacional das Florestas – 2011: O site fornecerá uma plataforma on-line a todas as informações relativas ao Ano.

3. Porta-vozes ou mensageiros das florestas: Pessoas que ocupem lugares de liderança nas comunidades foram selecionadas para atrair a atenção da mídia, dando maior visibilidade à causa das florestas, sensibilizando para aumentar o apoio da população a essa causa.

4. Coleção de selos sobre o Ano Internacional das Florestas – 2011: Foi desenvolvida uma coleção de selos comemorativos para colaborar com a “Secretaria do Fórum das Nações Unidas sobre as Florestas”. Esta coleção será apresentada na inauguração oficial do Ano Internacional das Florestas, nos dias 2 e 3 de fevereiro de 2011, em Nova Iorque.

5. Concursos Artísticos, Cinematográficos e de Fotografia: Organização de eventos on-line para homenagear aqueles que expressem através das artes plásticas, fotografias, filmes e curtas-metragens a idéia de que as florestas são para o povo.

6. Anúncios de interesse público e curta-metragens promocionais: Existe a produção de um curta-metragem e alguns anúncios de interesse público que serão distribuídos em todo o mundo em diversos idiomas, a serem transmitidos pela televisão e outras mídias, incluindo espetáculos teatrais gratuitos em que se possa transmitir idéias e fomentar ações em prol das florestas.

7. Diversidade biológica das florestas: Em colaboração com a “Secretaria da Convenção sobre a Diversidade Biológica” estuda os âmbitos em que possa haver sinergia entre o Ano Internacional da Biodiversidade, 2010 e Ano Internacional das Florestas – 2011. Entre as atividades se incluiu a organização de um “ato de ligação dos Anos” que fará parte da cerimônia de encerramento do Ano Internacional da Biodiversidade, que será realizada em dezembro de 2010, no Japão.

8. Zonas Úmidas e Florestas: A Convenção de Ramsar[1] escolheu o lema “Os pântanos e florestas” Dia Mundial das Zonas Úmidas para 2011 em homenagem ao Ano Internacional das Florestas. “A Secretaria do Fórum das Nações Unidas sobre Florestas” colabora atualmente com a “Secretaria da Convenção Ramsar” para a produção de um documento sobre as zonas úmidas e florestas para o Dia Mundial das Zonas Úmidas 2011.

Panorama dos biomas brasileiro

O Brasil, possuidor de grande parte de florestas do mundo, conta com biomas como: Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa, sendo a Amazônia, o de maior extensão, o Pantanal, de menos que juntos ocupam  mais de metade do Brasil: o Bioma Amazônia, com 49,29%, e o Bioma Pantanal, com 1,76% do território brasileiro. (Dados do Mapa de Biomas do Brasil – IBGE, 2004)


Comemorações

Na Alemanha, o Ano das Florestas 2011 será organizado por autoridades florestais federais e estaduais, e pelo Ministério da Alimentação, Agricultura e Defesa do Consumidor (BMELV). Já em Portugal a comemoração será coordenada pelo Secretário de Estado das Florestas, Rui Barreiro. No Brasil ainda não saiu um calendário com a comemoração.

Fonte: Esse Tal Meio Ambiente

Retrospectiva 2010: os principais acontecimentos ambientais do ano


Final de ano é tempo de fazer promessas para ano que se aproxima, além, é claro, de relembrar os fatos que nos marcaram durante o ano que se finda. Infelizmente, não somente coisas boas; mas mesmo as mais difíceis têm seus aspectos positivos.

O ano de 2010 está terminado, e o E esse tal meio ambiente? faz uma retrospectiva de alguns fatos que, em nossa opinião, tiveram grande importância para este ano.

Eleições Presidenciais: o fator Marina Silva 


Embora não tenha sido eleita, e nem ao menos ter chegado ao 2º turno, Marina Silva foi a grande surpresa das eleições. A então candidata do Partido Verde levou à discussão das questões ambientais ao centro do debate eleitoral, fazendo os demais candidatos mudar de postura, e até mesmo de opinião. A ex-senadora Marina Silva teve 20 milhões de votos.

O projeto de construção da Usina de Belo Monte


Apesar de estar em discussão há quase 20 anos, o debate sobre a construção da Usina de Belo Monte tornou-se mais forte este ano. Para realização da obra seria necessário um gasto de mais de R$ 19 bilhões, além do deslocamento de mais de 20 mil indígenas e o desmate de 50 mil hectares em zona de mata na Floresta Amazônica.

Vazamento de petróleo no Golfo do México


O acidente na plataforma Deepwater Horizon, da empresa BP, vitimou 11 pessoas e causou um dos maiores desastres ambientais do mundo. Cerca de 200 milhões de galões de petróleo vazaram no Golfo do México, ao longo de vários meses a partir de abril. O prejuízo financeiro foi de aproximadamente 11, 2 bilhões de dólares, já o ambiental é inestimável.

Mudanças no Código Florestal Brasileiro 
 

As alterações no Código Florestal foram propostas pelo deputado Aldo Rebelo e apresenta mudanças significativas no atual Código, entre elas estão: a redução das áreas de preservação permanente (APPs), como matas ciliares e topos de morro, e as reservas legais (RLs), que são partes de propriedades privadas que não podem ser desmatadas.

A votação do novo Código Florestal deve ocorrer logo no início de 2011.

Política Nacional de Resíduos Sólidos


A Lei de Resíduos Sólidos é um grande progresso para solucionar a questão do lixo no país. Ela deverá incentivar todo um novo setor da economia baseado na reutilização e reciclagem, impulsionando o desenvolvimento sustentável e a geração de “empregos verdes”.

A COP-16 e seu final relativamente positivo 


Apesar da COP-16 não ter terminado com um grande acordo sobre a redução de gases do efeito estufa, algumas surpresas positivas vieram de Cancún.Uma delas foi a criação do “fundo verde” que até 2020 deverá liberar US$ 100 bilhões por ano com o objetivo de apoiar os países em desenvolvimento.

Muitos dos acontecimentos acima ainda terão repercussão nos próximos anos, mas principalmente neste ano que se aproxima. Esperemos as discussões e, quem sabe, o tão esperado acordo climático que vá oficializar e até obrigar os países a reduzirem suas emissões, na COP-17, na África do Sul. Esperemos também uma boa saída em relação ao Código Florestal e às negociações de Belo Monte. É bom lembrar que, junto com o novo ano, um novo governo se inicia… e precisamos torcer e fazer parte dessa mudança.

Uma imagem vale mais que mil palavras (e ações)


A imagem se tornou cada vez mais poderosa no cotidiano da população, especialmente quando o soviético Yuri Gagarin exclamou: “a Terra é azul!”. As imagens ganharam uma força muito grande e foi muito bem apropriada pelas agências publicitárias. Na nova fase regulatória do capitalismo, imagem e publicidade adquirem um destaque especial.

Esse processo, iniciado lá pela década de 70, tem hoje importância fundamental nas relações comerciais das empresas (principalmente as grandes, pois têm mais condições) e, inclusive, dos Estados. O discurso ambiental vem se reforçando cada vez mais a partir do fim do século XX, e impõe às empresas novas formas de relação da produção com suas práticas ambientais. Todo mundo quer ser sustentável e, mais do que ser, precisa mostrar isso.

Com certeza, a sociedade evoluiu em importantes áreas nas últimas décadas com o avanço das novas tecnologias, mas, prevalece-se, e com muita intensidade, ações de marketing das empresas, dando-se destaque às suas responsabilidades socioambientais, mas, na verdade, existe muito mais criação de uma imagem responsável através da publicidade. Por isso, se intensifica a obtenção de “selos verdes”, como a série ISO 14.000, mas não muda-se a lógica da produção. Florestas são criadas, ditas de reflorestamento, mas na verdade são fundos de reserva que serão posteriormente utilizadas, como fazem as empresas de celulose. Ou seja, estamos falando muito mais de “produção de imagem” do que ações realmente efetivas para melhorias socioambientais.

Para se conseguir o famoso selo ISO 14.001 não é necessário nenhuma melhoria na prática. A obtenção do selo vem antes da melhoria, trazendo um diferencial para quem o possui em relação aos seus concorrentes. Não é nada mais que intenções! Ou seja, não são nada mais que ações de marketing.

O principal objetivo do marketing, no fim das contas, é fazer vender, fazer com que os produtos ou serviços sejam consumidos e a roda capitalista, enfim, continue a girar. Assim, por mais verde que seja o marketing dentro dessas configurações, o resultado final não será muito diferente do que vemos hoje, aumento dos problemas socioambientais em todo mundo.

Nos círculos de debates ambientais, virtuais ou não, têm-se um nome específico para essas práticas, que é o greenwashing, onde empresas constroem uma imagem ambiental a partir de práticas e produtos ditos sustentáveis. Como disse antes, a publicidade vale muito para as empresas no período atual, e não é à toa o que diz um já famoso ditado: “a propaganda é a alma do negócio”. Mas, como diria a galera da Nação Zumbi, “Como pode a propaganda ser a alma do negócio se esse negócio que engana não tem alma?”

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Cidade gaúcha de Osório tem o maior parque eólico da América Latina

O vento constante por muito tempo soprou apenas problemas sobre a cidade gaúcha. Agora, com o maior parque eólico do Brasil, é sinônimo de lucro e alegria.

Por Rodrigo Trespach
Foto de Tiago Lopez Trespach




Uma rodovia que liga Porto Alegre ao litoral corta ao meio o parque eólico. A iluminação dos aerogeradores, que têm altura de mais de 130 metros, propicia um raro espetáculo aos viajantes.

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Um ditado popular no brasil aponta "lá onde o vento faz a curva", em referência a um lugar que é muito, muito distante. Soa pejorativo na maior parte dos usos, mas, para os moradores de Osório, no Rio Grande do Sul, esse lugar é a casa deles - e com orgulho. Localizada no pé da serra Geral, em uma vasta planície repleta de rios e 23 lagoas, a cidade é um corredor natural para a passagem do vento e a criação de correntes ascendentes. É na região do morro da Borússia, por exemplo, que o sopro austral conhecido como minuano - nome de uma tribo indígena extinta - surge de sua jornada desde o interior gaúcho em direção ao oceano Atlântico. O seco e gélido minuano, que ultrapassa com facilidade os 30 quilômetros por hora, não é o único nem o mais temido vento que costuma fazer a curva em Osório. O nordeste, ou "nordestão", como é chamado pelos moradores, pode atingir 100 quilômetros por hora. Comum no verão, dura três dias, mas acaba com a paciência dos osorienses em bem menos tempo.

Em Osório, o vento é mais que apenas uma força invisível - é protagonista do cotidiano e da economia local. Emancipado desde 1857, o município sempre subsistiu sem maiores ambições com base nas atividades agrícola e comercial. Moradores antigos costumavam dizer que ele só conseguiria se desenvolver de verdade quando conseguisse "engarrafar o vento". O futuro chegou em abril de 2006. No dia em que o próprio presidente da República acionou o primeiro aerogerador dos Parque Eólico de Osório (são três parques, Sangradouro, Osório e dos Índios, conectados a uma única subestação), o maior complexo gerador de energia do vento da América Latina, inaugurou-se uma fase não apenas para a cidade mas para todo o país. Osório afinal havia conseguido "engarrafar o vento".

Hoje são 75 aerogeradores em funcionamento. Cata-ventos gigantes, as torres de concreto têm 98 metros de altura e cada uma das três pás que compõem o rotor pesa mais de 5 toneladas em seus 35 metros de comprimento. Com potencial de 150 megawatts/hora, o sistema gera aproximadamente 425 gigawatts anuais de energia, suficientes para abastecer o consumo doméstico de 650 mil pessoas - mais de 15 vezes a população de Osório - e evitar a emissão de 148 mil toneladas de CO2 na atmosfera pelo sistema elétrico brasileiro, economizando 36,5 mil toneladas de petróleo e 41 milhões de metros cúbicos de gás natural. Segundo dados de 2010 da Associação Brasileira de Energia Eólica, Osório produz20% dessa energia no país. E 50 novos aerogeradores estão sendo construídos.

Se o parque rende tributos aos cofres públicos, os vendavais, por outro lado, costumam causar estragos e prejuízos. Ao longo da RS-289, a Estrada do Mar, que liga Osório a Torres, no extremo norte do litoral gaúcho, as tendas de produtos típicos, as placas de publicidade e os eucaliptos que cercam os dois lados da rodovia sempre são castigados pelos ventos. Raízes expostas, galhos na estrada, casas destelhadas e outdoors desfigurados são visões comuns.

Pode ser difícil sair à rua em dia de nordestão. As mulheres evitam usar saia e prendem o cabelo; varais com roupas expostas parecem querer decolar; andar de bicicleta é um desafio olímpico. Certas pessoas, porém, acolhem a ventania como se ela fosse uma dádiva: os adeptos de esportes como o windsurf e o kitesurf, que lotam as águas da lagoa dos Barros. Com velocidade máxima de 85 quilômetros por hora, a raia local só é superada pelas marcas alcançadas por esportistas náuticos nas águas de Lüderitz, na Namíbia, costa sudoeste da África.

Outra modalidade dos esportes do vento é o planador, avião sem motor que depende exclusivamente das correntes ascendentes para planar. O aeroclube da cidade, o Albatroz, foi fundado, no início da década de 1950, por pioneiros da atividade no país, caso de Darci Assis, uma lenda da aviação brasileira. O Albatroz detém o recorde sul-americano de permanência no ar com planador, com uma marca impressionante. Em outubro de 1954, Almiro F. Barrichello e Adalberto Jayme Meneghini permaneceram 11 horas e 37 minutos nos céus da região.

Hoje, ainda que as façanhas de Almiro Barrichello, Meneghini e Assis, falecido em 2005, tenham ficado no passado, a nova geração de voadores luta por seu espaço. O número de pilotos formados no Albatroz cresceu nos últimos anos. Muitos deles seguem carreira nas grandes companhias aéreas do país, mas regressam para Osório sempre que possível - e por uma razão especial. "Apenas com o planador pode-se voar de verdade", dizem em uníssono. A cidade habituou-se ao barulho dos rebocadores, aviões responsáveis em levar os planadores a uma altura na qual possam ser soltos do cabo que os prende. Libertos, os planadores misturam-se aos pássaros, deslizam sobre a vasta bacia hidrográfica, as encostas verdes ainda intocadas do morro da Borússia e retornam mansamente ao ponto de partida, em uma sequência de subidas e descidas que só termina quando o sol se põe no horizonte.

Foi nos céus que, em setembro, o instrutor de voo Frederico Reckziegel, de 29 anos, desfrutou ao mesmo tempo das duas maiores paixões de sua vida. Depois de 11 anos de namoro, ele resolveu subir ao altar com Giani Tricai, de 26. Mas, antes da cerimônia na Igreja do Porto, onde de fato oficializariam o casamento dias depois, ele convidou Giani para um voo especial. "Eu não queria que fosse um passeio como nos tempos de namoro. Daquela vez, eu precisava de uma prova de amor", conta Frederico. Assim se fez. A noiva entrou na cabine do planador Blanik como manda o figurino: de vestido, véu e grinalda. Não faltaram olhares curiosos do público, sempre presente às margens da pista para apreciar as aeronaves. A operação envolveu três aviões, equipe de solo e uma sessão de fotografias para registrar o sonho. Frederico ganhou um presente memorável de sua noiva e o aeroclube registrou outro evento histórico. O velho Darci Assis gostaria de ter presenciado aquele momento.

Publicado em 12/2010
Fonte: National Geographic

domingo, 19 de dezembro de 2010

Mudanças Climáticas alteram o modo de vida de espécies e podem levá-las à extinção


A Terra é casa para 20 milhões de espécies, número bem maior se considerarmos as que cientistas nunca conseguiram identificar. Segundo eles, as extinções das espécies são cada vez mais frequentes e podem repercutir na vida do homem.

Podendo pesar mais de 700 kg e medir 2,5 m, a Tartaruga-de-couro é a maior espécie de tartaruga do mundo. Entretanto, o seu tamanho não é suficiente para livrá-la da extinção. Seus padrões de reprodução são extremamente sensíveis ao aumento da temperatura: a areia em muitos lugares está tão quente que os ovos não resistem. E tem mais: é a temperatura da areia que determina o sexo do animal. Ou seja, se a areia onde deixarem seus ovos esquentar demais, mais fêmeas irão nascer, destruindo assim o balanço natural dos gêneros, pondo em risco a reprodução e a própria existência da espécie.

Outro problema é a perda dos ninhos e das áreas de alimentação devido ao aumento do nível do mar. Com tudo isso, o número de animais está diminuindo dramaticamente. Recentemente, a espécie entrou na “lista vermelha” de espécies ameaçadas da International Union for Conservation of Nature – IUCN. De acordo com especialistas, se nenhuma medida for tomada para proteger a Tartaruga-de-couro, esses répteis, que existem por mais de 65 milhões de anos, irão desaparecer ainda em nossa geração.

Mudanças Climáticas e Biodiversidade

A ONU declarou 2010 como o Ano Internacional da Biodiversidade, com pesquisas que indicam que, por sua contribuição no aquecimento global, o homem é responsável pela maior extinção da vida selvagem desde a era dos dinossauros, aproximadamente 1/5 de todas as extinções enfrentadas pelos vertebrados, de acordo com a IUCN.

De fato, o papel do aquecimento global nessas transformações é um debate importante. Muitos cientistas acreditam que outros fatores também contribuem, como a caça e pesca ilegal, além do fato de que as consequências das mudanças climáticas acabam sendo intensificadas com a poluição.

As mudanças de temperatura também têm severos impactos nas espécies migratórias. “Ultimamente, você encontra espécies em lugares onde elas nunca existiram antes”, afirma Wendy Foden, do Programa Espécies da IUCN. “Algumas delas estão migrando para regiões mais frias”, continua.

A vida marinha é igualmente afetada, mas os animais têm ainda menos opções de regiões para migrar. O aumento dos níveis de CO2 na atmosfera está mudando os níveis de Ph do oceano, um processo que altera o habitat de muitas espécies. Helen Foden lembra o exemplo do peixe-palhaço: “quando a água está mais ácida que o normal, os peixes-palhaço começam a perder seu olfato”. Como outras espécies, o peixe-palhaço é levado de seus recifes para o mar aberto ainda quando filhotes, e assim usam seu acurado olfato para achar seu caminho de volta. As pequenas larvas dependem do rastro do aroma na água para ajudá-las a localizar o habitat dos adultos.

A ideia é usar a popularidade do peixe-palhaço para conscientizar acerca do impacto das mudanças climáticas nos ecossistemas. “Graças ao filme ‘Procurando Nemo’ todos conhecem o peixe-palhaço”, diz Foden.

Fonte: Threats to biodiversity are costly and widespread“.

10 links sobre energia limpa

Conheça algumas maneiras de ajudar o mundo

1. http://www.businessgreen.com
BusinessGreen é um site de negócios de Londres, que oferece às empresas as últimas notícias e melhores práticas de como se tornar ambientalmente responsável, sem que a empresa perca o foco de seu negócio. Eles oferecem muitas oportunidades de anúncios e patrocínios, como por exemplo a divulgação de vídeos curtos produzidos pelas empresas, sobre suas práticas sustentáveis. O site divulga eventos, possui enquetes, seções de dicas, colunas de debate e opiniões de especialistas

2. http://www.youtube.com/watch?v=G3WTqK_XgKc
Reportagem sobre a descoberta de cientistas da Universidade de Rio Grande, para utilização de uma lama retirada do Porto de Rio Grande que pode ser usada para geração de energia. Essa lama era colocada fora, porém ela possui a presença da bactéria "micróbio elétrico", a qual, se armazenada em quantidade suficiente, permite a criação de uma usina energética, com capacidade de abastecer cidades do tamanho de Florianópolis.

3. http://www.youtube.com/watch?v=fBptS_3xt78
Reportagem sobre uma pesquisa de alunas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Mato Grosso, que busca reduzir a quantidade de efluentes químicos, especialmente o sulfato de alumínio, usados na fabricação de tintas. O objetivo é a redução de custos e proteção do meio ambiente. Para a limpeza dos efluentes, o estudo propõe o uso de polímeros naturais, vindos da natureza, como o quiabo, por exemplo.

4. http://www.jnjbrasil.com.br/reach/sobre.html
Link para o site da empresa Johnson & Johnson, apresentando a escova REACH ECO Essencial. Esta escova tem na sua composição o uso de material reciclado pré-consumo, ou seja, 40% do cabo é fabricado mediante o reaproveitamento de resíduos plásticos que sobravam da produção de outros produtos.

5. http://www.youtube.com/watch?v=ciPkTz_KCSw
Link sobre uma empresa brasileira que aplica o conceito de P+L no seu processo de produção. Eles trabalham com pedras e granitos, os quais geravam um acúmulo de resíduos, que não eram reaproveitados. Hoje são utilizados para inúmeros fins, como fabricação de cimento.

6. http://super.abril.com.br/superarquivo/2003/conteudo_288190.shtml
Link para o site da revista SuperInteressante, que mostra uma iniciativa do Consórcio Univias, fazendo o uso de tecnologia para o reaproveitamento da borracha de pneus descartados para a produção de asfalto. Além de trazer mais economia, resolve um grave problema ambiental, já que o tempo de vida de um pneu é de 300 a 400 anos.

7. http://www.youtube.com/user/RecicleSeuSurf
Um grupo de amigos se juntou para fazer a primeira prancha de surf de garrafas pet do Brasil, utilizando apenas várias garrafas e uma cola caseira, bem resistente. Este vídeo é uma ação com o intuito de mostrar que, com criatividade e pouco dinheiro, pode-se reaproveitar o lixo, criando algo útil e divertido.

8. http://www.bnb.gov.br/content/aplicacao/Meio_Ambiente/Acoes/gerados/producao_mais_limpa.asp?idTR=meioambiente
Link para uma página no site do Banco do Nordeste, que apresenta um Projeto de Produção mais Limpa. Seu objetivo é patrocinar a instalação de Núcleos de Tecnologias Limpas, formar consultores em Produção mais Limpa, disseminar os conceitos e financiar projetos de tecnologias limpas aos empresários nordestinos.

9. http://www.cebds.org.br/cebds/eco-pmaisl-conceito.asp
Link para uma página que trata sobre P+L, no site do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS). Fundado em 1997, o CEBDS é uma coalizão dos maiores e mais expressivos grupos empresariais do Brasil, cujo desafio é criar condições no meio empresarial e nos demais segmentos da sociedade para que haja uma relação harmoniosa entre as três dimensões da sustentabilidade: econômica, social e ambiental.

10. http://www.mesaproducaomaislimpa.sp.gov.br/
Fórum sem fins lucrativos, criado em 2001, formado por mais de 1000 associados, com âmbito multi-setorial, com participação aberta e voluntária, conduzida por pessoas interessadas em tornar a Produção Mais Limpa um instrumento importante para a produção e o consumo sustentáveis de bens e serviços, bem como contribuir para o aumento da satisfação de todas as partes interessadas da sociedade, através do uso das estratégias e meios proporcionados pela Produção Mais Limpa.

Fonte: 2020 Sustentável - Capitalismo Natural e Produção + Limpa

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Conferência da ONU surpreende e fecha acordo climático

Fundo verde prevê US$ 100 bilhões anuais para auxiliar países pobres

foto
Foto: arquivo
Para colocar um fim na onda de desmatamentos, países pobres receberão indenização, prevê acordo
Os mais de 190 países que participam da 16ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP-16) concordaram neste sábado com um pacote de iniciativas que inclui bilhões de dólares para um fundo para países pobres, embora não tenham conseguido adotar um acordo vinculante em meio a um impasse entre Estados Unidos, China, Japão e outros países.
O acordo pede que países ricos cortem suas emissões de gases de efeito estufa nos percentuais prometidos um ano atrás, embora esses cortes não sejam legalmente vinculantes. Países em desenvolvimento devem desenvolver projetos para cortar suas emissões num esforço mundial para limitar o aquecimento global em menos de 2ºC acima dos níveis pré-industriais. O acordo inclui planos para a formação de um fundo verde de US$ 100 bilhões por ano, que países ricos disponibilizarão até 2020 para ajudar os países pobres a financiar programas para o corte de emissão de gases e a lidarem com a seca e outros efeitos do aquecimento global.
Felipe Calderón, presidente do México, país anfitrião do evento, elogiou os delegados por abrirem a um novo caminho na luta contra as mudanças climáticas. "Hoje, com esta conferência, temos a oportunidade de começar a construir uma nova história na qual o crescimento econômico, a luta contra pobreza e a vida em harmonia com o meio ambiente está ao nosso alcance", disse ele.
Calderón lembrou que embora o acordo não tenha conseguido assegurar medidas que garantam profundos cortes de emissões, a confiança e o clima de otimismo entre os participantes da conferência de Cancún vai ajudar os países a chegarem a um acordo mais abrangente.
O impasse entre os Estados Unidos, China, Japão, Índia e outros países congelou as negociações sobre o tratado climático global e colocou em questão o futuro do Protocolo de Kyoto. Mas diplomatas disseram esperar que as discussões em Cancún possam abrir caminho para um tratado legalmente vinculante sob os qual governos se reúnam novamente durante a reunião sobre o clima no ano que vem, que vai acontecer em Durban, na África do Sul.
O Japão disse que não vai se comprometer com uma segunda fase do Protocolo de Kyoto a menos que os maiores emissores do mundo de gases de efeito estufa como China, Estados Unidos e Índia, concordem em cortar suas emissões tendo como base um acordo legalmente vinculante. A primeira fase do tratado será encerrada em 2012.
Os Estados Unidos, que assinaram mas nunca ratificaram o Protocolo de Kyoto, argumentam que não vão concordar com cortes obrigatórios a menos que a China e outras economias em rápido crescimento também limitem suas emissões. Mas durante as negociações climáticas um ano atrás em Copenhague, Estados Unidos e China apresentaram compromissos voluntários para o corte de emissões de gases de efeito estufa. A China continua afirmando que, como um país em desenvolvimento, não tem recursos ou responsabilidade de cortar agressivamente suas emissões durante o período em que sua economia está crescendo.
Inicialmente, a Índia apresentou o mesmo argumento, embora o país tenha suavizado sua posição nesta semana, dizendo que vai considerar a hipótese de concordar com cortes obrigatórios no futuro.
Fonte: Agência Estado

Biólogo e educador faz balanço ambiental da década

O debate sobre o meio ambiente e sobre o aquecimento global muitas vezes se ressente da interferência política e ideológica, que conduz à radicalização de posições, bem como da simplificação das questões essenciais para facilitar a compreensão do assunto. Sem falar dos estereótipos que se criam no imaginário público. Nesse sentido, é esclarecedor ouvir a voz do cientista e educador Nelio Bizzo sobre o tema.

Bizzo é biologo com doutorado em Educação e pós-doutorado na Universidade de Leeds (Inglaterra). Foi representante do Brasil no primeiro projeto educacional internacional sobre Mudanças Globais promovido pelo International Council of Scientific Unions (ICSU) na década de 1990, que produziu material didático utilizado em diversos países. Atualmente, é fellow da Society of Biology (Londres) e professor visitante da Universidade de Verona, na Itália, de onde concedeu a entrevista que segue.

UOL Ciência e Saúde: Pode-se dizer que a discussão sobre o meio ambiente ganhou mais peso nesta década em relação aos anos 1980 e 1990? Por quê?

Nelio Bizzo: É difícil responder a pergunta, mas eu diria que, se de fato a questão ambiental ganhou peso, isso se deve mais a uma oferta de novos produtos “verdes” do que propriamente a uma efetiva mudança da demanda dos cidadãos. Na Europa, onde tradicionalmente se troca pouco de carro, hoje se anunciam modelos híbridos com forte apelo ambiental (e que custam o dobro!). A indústria do macarrão na Itália faz propaganda de uma pirâmide alimentar ambiental, onde o macarrão com ovos demonstra ser, na verdade, “verde”. As bicicletas híbridas “inteligentes” têm motor elétrico de última geração (o Kers da Fórmula 1) e custam o mesmo que um automóvel, mas têm forte apelo ambiental. Muitos governos se oferecem para pagar parte do custo da bicicleta híbrida inteligente se o cidadão declarar que vai usá-la para trabalhar. Isso gera incentivos para a indústria de alta tecnologia local e, ao mesmo tempo, serve de justificativa de cumprimento dos acordos internacionais de redução de emissões.

UOL Ciência e Saúde: Nas discussões sobre as mudanças climáticas há duas vertentes básicas – os que veem o homem como principal causador do aquecimento global, e os negacionistas, que negam a influência humana nesse fenômeno. Especulações, como a realizada pelo IPCC, da ONU, sobre o derretimento precoce das geleiras do Himalaia, acabaram reforçando a opinião dos negacionistas. Como o senhor enxerga esse debate?

Nelio Bizzo: Não creio que os negacionistas tenham conseguido demonstrar má-fé dos membros do IPCC. O fato é que os que apontam o ser humano como causador das mudanças não formam um grupo homogêneo e coerente. Os ditos negacionistas tampouco formam um bloco único e não podem ser reduzidos a meros testas de ferro da indústria do petróleo. Há fortes interesses econômicos de um lado e de outro. Creio que há um polo muito dinâmico, representado pelos setores de alta tecnologia, que incentiva a ação ambiental, e que tem sido chamado de “neocapitalista”. O discurso ambiental está também presente em certos críticos do capitalismo, que denunciam a falsidade do discurso ambiental dos “neocapitalistas”, pois a lógica capitalista conduziria inexoravelmente ao apocalipse ou a algum tipo de catástrofe. Para eles o desenvolvimento econômico deve ser freado parcial ou totalmente, o que só seria possível com uma economia planificada. De outro lado, há os que exploram os erros ou os exageros do movimento ambientalista, seja com argumentos sólidos, seja com sofismas. De qualquer forma, depois de viver algum tempo na Europa, vejo que existe uma percepção generalizada da gravidade do problema ambiental e de que ele é real. Energia solar e eólica, veículos híbridos, economia de energia, incentivos fiscais ambientais etc. estão cada vez mais presentes nas conversas do dia a dia das pessoas.

UOL Ciência e Saúde: A sociedade industrial ou pós-industrial tornou-se dependente dos combustíveis fósseis. Pensando no médio prazo, quais as fontes de energia que podem substituí-los sem provocar outros danos ao meio ambiente?

Nelio Bizzo: O problema dos combustíveis fósseis é que eles liberam carbono que, de outra maneira, ficaria aprisionado no subsolo. Hoje não é possível continuarmos a ensinar no ensino médio o ciclo do carbono como se o petróleo não fosse intensamente queimado em todo planeta. Mas não podemos deixar de pensar que terremotos, sobretudo no fundo oceânico, liberam grandes quantidades de metano, 16 vezes mais potente do que o CO2 como agente do efeito estufa. A produção de matéria orgânica depende de nitrogênio e - o que pouco se fala – a indústria de fertilizantes tem muito a ver com os problemas ambientais atuais. Muito do metano que se evade para a atmosfera provém, em última análise, da matéria orgânica adicional originada da enorme quantidade de nitrogênio bioassimilável produzido pela indústria a partir do início do século 20. Enfim, não há um único “vilão” do ambiente e não se poderia apontar o carbono isoladamente como tal. Porém, como o carbono que se acumulou no subsolo ao longo de centenas de milhões de anos, sua liberação, e ainda mais, em ritmo acelerado, certamente traz grande impacto sobre os ecossistemas. Assim, pensa-se atualmente em combustíveis que não emitam gás carbônico ou que o assimilem em sua produção, como é o caso do etanol brasileiro. A energia nuclear volta a ser pensada seriamente, mesmo por aqueles que a combateram no passado, como é o caso de James Lovelock, uma pessoa que admiro muito. Ele faz parte de um grupo que acredita que a quantidade de energia necessária para a população atual não pode ser suprida por fontes limpas, como a solar e eólica. Esse grupo propõe a volta da energia nuclear, em centrais nucleares pequenas e seguras.

UOL Ciência e Saúde: É possível conciliar a necessidade de as empresas explorarem as riquezas naturais com a preservação do meio ambiente? E que vantagens as empresas podem ter, caso concordem em atuar tendo em vista a proteção do meio ambiente?

Nelio Bizzo: Os diferentes países sabem que têm potenciais econômicos distintos. Alguns se preparam para o futuro, outros sabem que não têm condição de fazer isso. Uma das grandes empresas de telefonia celular do Báltico era, no passado, uma empresa madeireira. Ela teve a ousadia de se preparar para enfrentar o futuro, diante da evidente limitação imposta pelo ambiente. A questão é se isso é possível em termos globais. Na prática, o que essa empresa fez foi deslocar a produção de celulose do norte do planeta para uma região mais meridional. Isso é o que discute hoje, ou seja: é possível que as empresas se tornem “verdes” em termos globais? Alguns dizem que não, pelo menos em termos da atual organização econômica capitalista. Outros acham que isso é possível. Eu particularmente acredito que apenas uma mudança radical no padrão de consumo permitirá uma mudança global e isso dependerá essencialmente da consciência do cidadão como consumidor e de um rearranjo das relações entre blocos de países.

UOL Ciência e Saúde: Que iniciativas mais contribuíram para a diminuição dos danos já causados ao meio ambiente?

Nelio Bizzo: Seria difícil fazer um ranking, mas creio que um dos acordos internacionais mais bem sucedidos tenha sido o Protocolo de Montreal, de 1987, no qual os países se comprometiam a reduzir dramaticamente o uso de gases que destroem a camada de ozônio. Ficou demonstrado que quando os países estão realmente dispostos a estabelecer e cumprir metas, isso é conseguido. Novamente, as pessoas tiveram que se conformar e ter aparelhos de ar condicionado mais caros e menos eficientes, em fazer mais força para nebulizar desodorantes e até abandonar certos dispositivos (como abridores de garrafa a base de freon), mas ficou demonstrado que é possível conciliar metas ambientais e padrões de produção e consumo globais. Devemos a uma série de cientistas, inclusive James Lovelock, o entendimento do que estava acontecendo no planeta. Assim como hoje, havia os negacionistas, que acreditavam que o aumento da radiação ultravioleta na superfície de nosso planeta era decorrente de uma simples mudança da emissão do Sol. Todavia, deveremos esperar até 2050 para ver se realmente funcionou. Aliás, o sucesso desse acordo é uma razão adicional para acelerar as tratativas para redução das emissões dos gases estufa, pois o fechamento do buraco de ozônio na Antártica diminuirá as correntes descendentes de ar superfrio da alta atmosfera, que explicam a razão daquela região sofrer menos os efeitos do aquecimento global do que o Polo Norte.

UOL Ciência e Saúde: No início da década, Al Gore por pouco não se elegeu presidente dos EUA. Sete anos depois, ele ganhou o Prêmio Nobel da Paz, por seu ativismo ambientalista. No Brasil, a candidata do Partido Verde, Marina Silva, teve expressiva votação na última eleição presidencial. Em 2010, na França, o PV também obteve votação significativa. Na Alemanha, o PV atingiu a maior popularidade de sua história. A que você atribui o sucesso dos “verdes” na década de 2010?

Nelio Bizzo: Não penso que seja um único fenômeno. Al Gore se desmoralizou diante da divulgação do dispêndio energético de sua mansão, e, ademais, não podemos nos esquecer que ele foi o autor da tese do “dumping social” dos países pobres, ao justificar o protecionismo econômico de seu país. O sucesso dos verdes na Europa tem mais a ver com o fracasso da esquerda, sobretudo na França. Marina Silva teve um sucesso inesperado, que surpreendeu a todos, mas ela não tinha condição de transferir votos, o que demonstra que seu eleitorado era pouco ligado à sua pessoa e suas ideias. Ela é muito carismática, pois tem um ar desarmado que é muito sedutor na política. Mas não sei se seu eleitorado sabe ao certo o que ela pensa. Eu mesmo nem acredito que ela seja criacionista e que pense seriamente que toda a biodiversidade da Amazônia estava dentro da arca de Noé!

Fonte: PorAntonio Carlos Olivieri e Érika Finatti - UOl Ciência e Saúde

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Brasileiro está ficando mais preocupado com o aquecimento global

Pesquisa mostra que para 60% dos entrevistados mudanças climáticas são algo muito grave

O aquecimento global está deixando o brasileiro mais preocupado. Pesquisa da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e do Ibope apresentada nesta terça-feira (7) na Conferência do Clima, em Cancún, mostrou que o aquecimento global foi considerado muito grave por 60% dos entrevistados. Na pesquisa realizada no ano passado, 47% pensavam dessa forma.

Mas é o desmatamento das florestas o tema ambiental que mais preocupa o brasileiro. Ele foi citado por 44% dos entrevistados, seguido pela poluição da água (32%) e pelo aquecimento global (26%).

A pesquisa também mostrou que 47% dos entrevistados acreditam que é possível conciliar proteção ambiental com crescimento econômico, e 51% aceitariam pagar mais por produtos ecologicamente corretos.

“Isto desmente algumas antigas crenças de as pessoas achassem que o desenvolvimento pode ser barrado pela preservação do meio ambiente”, disse Heloisa Menezes, diretora de Relações Institucionais da CNI.

A maioria dos pesquisados (78%) atribui às ações humanas o fato de a temperatura da Terra estar aumentando; 11% acreditam que o aquecimento global é um processo natural; e os outros 11% não souberam responder.

Fonte: Maria Fernanda Ziegler - IG

Brasil protagoniza manifestações na COP-16


A faixa foi assinada por Greenpeace, Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, Observatório do Clima e Grupo de Trabalho .... Foto: Greenpeace/Divulgação
A faixa foi assinada por Greenpeace, Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, Observatório do Clima e Grupo de Trabalho Amazônico
Foto: Greenpeace/Divulgação
O Brasil fez parte de protestos realizados na manhã desta quarta-feira em Cancún, no México, onde está sendo realizada a 16ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-16). Com críticas e elogios.
Na primeira categoria se encaixa a campanha contra a aprovação do projeto do Código Florestal, que está pronto para ser votado no plenário da Câmara dos Deputados.
A faixa com os dizeres "Mudar Código Florestal = um Natal sem árvores" foi assinada por Greenpeace, Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, Observatório do Clima e Grupo de Trabalho Amazônico.
O Código Florestal também foi abordado pela publicação Eco, distribuída por Organizações Não Governamentais e de grande circulação na COP-16. O jornal classifica de "vergonhosa" a movimentação de partidos para acelerar a votação e afirma que a aprovação do código coloca toda a floresta brasileira novamente em risco.
Top ecológica
Outra manifestação vista hoje na Cancunmesse, uma das sedes da COP-16, trouxe a foto da top brasileira Gisele Bündchen, apoiando a campanha "Pare de falar. Comece a plantar". A proposta das fotos em que crianças cobrem a boca de personalidades é conscientizar a respeito dos problemas causados pelas mudanças climáticas.
Em Cancún, a campanha pretende convidar autoridades de diversos países para plantar árvores nos jardins do hotel que concentra as principais atividades da conferência, incluindo as plenárias em que presidentes e ministros discursam.
Motossera de Ouro Em release distribuído à imprensa também nesta quarta, o Greenpeace divulgou uma ação voltada diretamente para a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Ela teria recebido de uma ativista do movimento indígena da Amazônia uma réplica dourada de uma motossera, na entrada do hotel em que está hospedada em Cancún.
O release critica a "bancada da motosserra" que estaria trabalhando para que "um novo e enfraquecido código seja votado a qualquer preço, ainda este ano". "As alterações no Código Florestal representam um retrocesso em uma das legislações florestais mais avançadas do mundo", disse o representante da Campanha Amazônia da ONG na COP-16, André Muggiati, no texto divulgado.
Por Claudia Andrade - Terra