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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Além da meta de dois graus

Por Oliver Gedenis* 

Nos círculos internacionais de políticas climáticas existe um amplo consenso sobre a meta de limitar o aquecimento global a um máximo de dois graus acima dos níveis pré-industriais. Ainda assim, atingir essa meta é quase impossível.

Mas se os líderes mundiais abandonarem esse alvo, terão de tomar uma decisão estratégica fundamental em relação à estrutura e aos níveis de exigência de um novo objetivo climático. Portanto, é preciso uma mudança de paradigma. A abordagem científica da tradução da temperatura global em orçamentos nacionais de emissões precisos é politicamente inviável. Em vez disso, países com uma forte agenda de política climática devem defender fórmulas dinâmicas para fixação de metas.

O alvo dos dois graus é o ponto primário de referência para o debate atual. Um aumento correspondente na temperatura média global é normalmente visto como o limite além do qual os efeitos das mudanças climáticas começam a ficar perigosos. Mas, ao contrário da crença generalizada, o último relatório de avaliação do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC) não ligou para a meta dos dois graus, o que, desde o final dos anos 90, tem surgido como um símbolo e um ponto de orientação para uma ambiciosa, porém realista, agenda climática global.

A União Europeia foi a primeira força a impulsionar o alvo dos dois graus internacionalmente. Os ministros do ambiente europeus têm defendido a meta desde 1996. À frente da Conferência de Copenhagen, em 2009, a União Europeia conseguiu fazer com que todos os parceiros relevantes no âmbito das negociações incluindo até China, Índia, Rússia e Estados Unidos se comprometessem com a meta.

Dado que a quantidade de gases de efeito estufa (GEE) emitida até agora vai aumentar as temperaturas em 1,5°C em comparação com a época pré-industrial, decisões políticas maiores são necessárias para garantir o cumprimento da meta de dois graus. A ciência climática pressupõe que o pico das emissões globais deve ocorrer dentro dos próximos anos. Atualmente, entretanto, há poucos indícios de que uma reversão de tendências será mesmo visível no horizonte.

Então, até certo ponto no futuro próximo, um crescente número de vozes da comunidade científica deve definitivamente rejeitar a possibilidade de manter essa meta. Quando isso acontecer, simplesmente defender um alvo mais suave, de 2,5°C ou 3°C, não será suficiente.

De acordo com o paradigma atual, a meta global é definida por categorias científicas e entendida como um limite máximo absoluto. Dada essa abordagem, todos os esforços iniciais têm buscado criar um acordo climático global, levando a um forte foco em negociações globais, negligenciando os esforços concretos de descarbonização por países industrializados e em industrialização.

O resultado é um empate, porque os governos podem sempre culpar pelas falhas a falta de ação dos outros. Mesmo os EUA têm usado esse argumento para justificar sua recusa para aumentar a redução de emissão de GEE de 20% para 30% até 2020.

Um paradigma alternativo teria que combinar realismo com uma visão global positiva. Uma possibilidade é estabilizar uma neutralidade climática como um objetivo global de longo prazo, trabalhar para reduzir em rede as emissões de GEE. Mesmo que esse objetivo fosse inicialmente ligado a um calendário definido de forma ampla, ele estabeleceria o padrão para a ação, segundo o qual todos os países teriam de se basear.

Dentro desse quadro, ambiciosos atores da política climática como EUA, Suíça ou Japão enfrentariam a tarefa de se comprometer com medidas exatas de descarbonização. Eles teriam de reunir provas de que a transição para uma economia de baixo carbono é tecnicamente viável e rentável, gerando efeitos positivos não só para o clima, mas também para os preços da energia e para a segurança do abastecimento. O sucesso estimularia outros países do G-20, atuando fora do auto-interesse, a seguir os passos dos líderes do clima.

Esse tipo de abordagem, de baixo para cima, levaria a significativas reduções de emissões. Para ter certeza, seria impossível de prever, com base no princípio favorecido atualmente, de cima para baixo, quanto de aumento da temperatura o mundo suportaria. Dado que a exploração a um limite de temperatura estrito não é uma opção politicamente viável, focalizando a política do clima em benchmarks flexíveis, tais como a neutralidade do clima , seria mais eficaz no curto prazo e mais promissora no longo prazo.

*Oliver Gedenis é pesquisador sênior no SWP, o maior centro de estudos alemão de política de segurança e relações exteriores.

(Envolverde/Zero Hora)

terça-feira, 31 de agosto de 2010

IPCC precisa de reforma "fundamental", constata comitê ligado a ONU

 

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon (à esq.) e o atual chefe do IPCC, Rajendra Pachauri, ainda vão ler o documento de revisão do IPCC/Foto: Eskinder Debebe/UN

Apesar de ter sido avaliado positivamente no âmbito geral, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas (IPCC) necessita de uma reforma fundamental em relação a maneira como é gerenciado, no intuito de se evitar erros, anunciou nesta segunda-feira, 30 de agosto, o grupo de especialistas responsável por revisar o relatório de 2007.

O IPCC foi duramente criticado há três anos em razão de erros cometidos no último relatório do órgão, que divulgava, por exemplo, a previsão de que as geleiras do Himalaia poderiam desaparecer até 2035 - estimativa posteriormente desconsiderada. Apesar de o documento apresentar mais acertos do que equívocos, o episódio ajudou a reforçar o movimento dos chamados "céticos do clima", que negam a existência do aquecimento global.

O chefe do comitê de especialistas que revisou o desempenho do órgão, Harold Shapiro, elogiou o trabalho do IPCC à frente das avaliações sobre o clima. "Em nossa opinião, de forma geral, o trabalho do IPCC tem sido um sucesso e serve positivamente à sociedade." Contudo, o líder do InterAcademy Council (IAC) fez uma ressalva, ao afirmar que a reação do órgão da ONU sobre os erros de 2007 foi feita de forma "lenta e inadequada".

Conclusões

Uma das recomendações do comitê sugere que o IPCC deverá nomear um diretor-executivo que se encarregue de atividades diárias, seja considerado um porta-voz do órgão e permaneça no cargo apenas durante os cinco anos da elaboração de cada um dos relatórios.

Atualmente, as regras estabelecem que o chefe do IPCC (hoje é o indiano Rajendra Pachauri) pode permanecer no cargo por dois mandatos de seis anos. Pachauri foi eleito para o cargo em 2002 e reeleito para um segundo mandato em 2008.

Em entrevista concedida nesta segunda-feira, Pachauri, esclareceu que não comentaria o resultado do relatório porque ele ainda não havia lido o documento. Ao ser perguntado se renunciaria ao cargo, o indiano mostrou-se disposto a implementar as mudanças sugeridas e que não especularia sobre nenhum ponto antes de ler a revisão. O atual chefe do IPCC ressaltou que quaisquer que sejam as ações e recomendações, "elas ajudarão a guiar as futuras avaliações sobre a ciência das mudanças climáticas".

A revisão também recomenda que os grupos de trabalho do IPCC passem a adotar diretrizes semelhantes ao analisar as incertezas referentes a ciência climática, com o objetivo de que haja mais coerência entre eles. Hoje esses comitês usam critérios diferentes.

"O que o IAC espera é uma contribuição especial para que os trabalhos do IPCC tenham a base científica mais sólida possível, o que é fundamental para que as conclusões e projeções tenham legitimidade junto a governos e ao público", explicou ao jornal O Estado de S.Paulo o físico Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) - único brasileiro entre os 12 membros do comitê.

O InterAcademy Council elogiou a utilização de trabalhos acadêmicos ainda não revisados ou divulgados em publicações científicas pelo IPCC, mas ponderou que os autores devem seguir mais de perto as diretrizes do órgão, embora algumas delas tenham sido consideradas vagas.

Agilidade

Em nota, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, agradeceu aos revisores do relatório, e afirmou que devido à gravidade das mudanças climáticas, é vital que o mundo receba as melhores avaliações sobre o tema por meio do IPCC. Ele informou que vai ler o documento, além de pedir aos 194 países-membros do painel que também o examinem e tomem a ação apropriada o mais rápido possível.

Segundo o IPCC, o erro cometido em 2007 não muda o fato de que a ação humana contribui diretamente para o agravemento do aquecimento global.

As recomendações do comitê serão discutidas na próxima sessão plenária do IPCC, entre os dias 11 e 14 de outubro, na Coreia do Sul.

 

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Clima descontrolado

Por Julio Godoy* 


O clima planetário mostra perturbações graves enquanto as discussões políticas para adotar um acordo contra o aquecimento global navegam à deriva, alertam especialistas.

Bonn, Alemanha, 9 de agosto (Terramérica).- Calor incomum, inundações, secas e furacões cada vez mais frequentes e intensos. Já ouvimos estas notícias? Quando se estreitam as opções para negociar um pacto mundial contra a mudança climática, a Organização das Nações Unidas (ONU) insiste em assinalar a emergência de “condições extremas”. Um olhar sobre o clima global dá sinais dessas “condições extremas”.

Nos Andes sul-americanos, as nevadas deste inverno foram tão intensas que mataram centenas pessoas. Ao mesmo tempo, as geleiras peruanas e bolivianas derretem irremediavelmente. No Paquistão e em outras regiões da Ásia central, prolongadas chuvas torrenciais causaram inundações igualmente mortais. Em toda a Europa e na América do Norte, o verão deste ano assola com temperaturas elevadas, de mais de 35 graus, que se mantêm constantes.

Na Rússia, o prolongado calor, com jornadas de até 40 graus, junto com uma seca extrema, provocou, no final de julho e começo deste mês, incêndios gigantescos ao redor da capital e em outras seis regiões do país, obrigando o governo a declarar o estado de emergência. O calor, a seca e o fogo mataram cerca de duas mil pessoas, destruíram milhares de casas e aproximadamente dez milhões de hectares de plantações.

“O teto da casa da humanidade está queimando”, disse um ativista ambiental que participou em Bonn da terceira rodada de negociações preparatórias para a 16ª Conferência das Partes (COP-16) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, que acontecerá em novembro e dezembro no México. Nos corredores do gigante Hotel Maritim desta cidade alemã, onde aconteceu o encontro, de 2 a 6 deste mês, proliferam cartazes sobre os efeitos do aquecimento global.

Segundo a agência espacial norte-americana (Nasa), as altas temperaturas médias registradas entre março e junho no planeta fizeram história: foi o período mais quente dos últimos 130 anos. Além das catástrofes, o aquecimento global tem outras consequências desastrosas. Na Europa, governos e empresários temem que o calor e a seca causem enormes perdas agrícolas.

“A colheita de grãos e cereais deste ano vai diminuir cerca de 10%, ou 25 milhões de toneladas”, disse ao Terramérica um dos mais importantes comerciantes de produtos da Alemanha, Ludwig Höchstetter, diretor da BayWa. Estas perdas representam escassez de alimentos, alta de preços e insegurança alimentar.

A nova secretária-executiva da Convenção Marco, Christiana Figueres, recordou novamente aos governos dos países industrializados sua “responsabilidade este ano de dar o passo essencial na luta contra a mudança climática”. Na COP-16, que acontecerá no balneário mexicano de Cancún, os governos devem aprovar um acordo vinculante que regule a redução de emissões de gases-estufa responsáveis pelo aquecimento global a partir de 2012, quando expirar o primeiro período de obrigações do Protocolo de Kyoto.

“Precisamos estabilizar as emissões antes de 2030 e reduzi-las em 50% antes de 2050”, para limitar o aumento médio da temperatura global a dois graus em relação às medições da era pré-industrial, disse Christiana ao Terramérica. Contudo, o mundo enfrenta um paradoxo. De um lado, vai precisar atender a crescente demanda por energia, especialmente nos países em desenvolvimento. Por outro, deve evitar o aumento das emissões provocadas pela queima de combustíveis fósseis, como o petróleo.

Para gerar energia limpa e criar uma economia de baixa intensidade de carbono, a Secretaria da Convenção considera necessários investimentos de US$ 20 bilhões. Mais da metade desse dinheiro deveria favorecer os países em desenvolvimento. A quantia é relativamente baixa, comparada com o que custará a mitigação da mudança climática. “Para cada dólar investido na geração de energia limpa nas nações em desenvolvimento o mundo economizaria US$ 7 em custos de mitigação”, disse Christiana.

A responsabilidade de reduzir os gases-estufa “recai sobre os países industrializados”, disse ao Terramérica, em Bonn, o representante da China para a mudança climática, Huang Huikang. “Nos últimos 200 anos, as nações industrializadas, com seu modo de produção e de vida, causaram um grande acúmulo de dióxido de carbono na atmosfera”, disse Huang. “A responsabilidade histórica e moral destes países é muito clara”, acrescentou.

Embora sem mencionar os Estados Unidos, a mensagem de Huang estava dirigida a Washington. Esse país ainda tem a maior quantidade de emissões de gases contaminantes por habitante, mas o governo se nega a ratificar o Protocolo de Kyoto e o Senado abortou, no final de julho, um projeto de lei contra a mudança climática. A questão de Washington não assumir responsabilidades ambientais globais continua bloqueando as negociações com vistas a Cancún, a ponto de os especialistas e observadores sugerirem sua suspensão e a busca de canais alternativos.

“Talvez devêssemos simplesmente aprovar a prorrogação do Protocolo de Kyoto para depois de 2012”, disse Christiana ao Terramérica. Outros, como Jo Leinen, presidente do comitê ambiental do Parlamento Europeu, acreditam que o contexto da ONU demonstrou sua inutilidade nas negociações para combater a mudança climática. “Se Cancún fracassar, e tudo sugere que fracassará, deveremos considerar uma coalizão de países voluntários, realmente comprometidos com o combate à mudança climática”, afirmou Jo ao Terramérica. “Esta coalizão deveria representar pelo menos 80% das emissões”, acrescentou.

Como a China encabeça a lista de contaminadores, com 23% das emissões globais, seguida dos Estados Unidos com 20%, tal coalizão deveria incluir uma destas duas nações. Missão que, no momento, parece impossível.

* O autor é correspondente da IPS.

Crédito da imagem: Domínio Público

Legenda: Terra ressecada é um dos efeitos do descontrole do clima.

LINKS

Senado dos Estados Unidos freia lei contra mudança climática
http://envolverde.com.br/materia.php?cod=78396&edt=33

O clima contra o relógio, em espanhol
http://www.ipsnoticias.net/_focus/cclimatico/index.asp

O menu legal mexicano para enfrentar a mudança climática, em espanhol
http://www.ipsnoticias.net/nota.asp?idnews=95993

Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, em espanhol, inglês e francês
http://unfccc.int/portal_espanol/items/3093.php

(Envolverde/Terramérica)

terça-feira, 13 de abril de 2010

ONU reabre negociação climática

Reunião de Bonn definirá o cronograma das reuniões em 2010.

Negociadores climáticos se reúnem nesta sexta-feira, 9, na cidade de Bonn, na Alemanha, pela primeira vez desde a cúpula de Copenhague, mas com poucas chances de fecharem um novo acordo de cumprimento obrigatório ainda neste ano.

Delegados de 170 países discutirão até domingo, 11, formas de reconstruir a confiança no processo, depois da frustração da cúpula climática de dezembro, que terminou sem acordo em torno de um novo tratado com valor jurídico vinculante, apesar dos dois anos de negociações prévias.

A reunião de Bonn definirá o cronograma das reuniões em 2010 e circulará ideias sobre o Acordo de Copenhague, um documento que não é de cumprimento obrigatório, mas já foi apoiado por mais de 110 países, inclusive grandes emissores, como China, EUA, Rússia e Índia. Vários países em desenvolvimento se opõem a ele.

O acordo busca limitar a menos de 2 graus Celsius o aumento da temperatura global, mas não diz como. “Precisamos reavaliar a situação depois de Copenhague”, disse Bruno Sekoli, do Lesoto, que fala em nome dos países menos desenvolvidos, que defendem cortes mais duros nas emissões de gases do efeito estufa, de modo a limitar o aquecimento global a 1,5 graus Celsius.

Muitos países cobram medidas concretas já em 2010, como a liberação da ajuda climática aos países em desenvolvimento, prometida em Copenhague, num valor de cerca de US$ 10 bilhões por ano entre 2010 e 2012, podendo chegar a US$ 100 bilhões por ano a partir de 2020.

Delegados disseram que talvez sejam necessárias duas sessões extraordinárias antes da próxima reunião ministerial anual, de 29 de novembro a 10 de dezembro em Cancún, no México. Isso significaria um ritmo menos frenético do que nas discussões pré-Copenhague.

O norueguês Harald Dovland, vice-presidente das negociações da ONU, disse que "tem havido uma atitude construtiva" nas negociações preparatórias informais realizadas em Tóquio e no México.

Mas não está claro o que acontecerá com o Tratado de Copenhague. Muitos países não querem que ele substitua a Convenção Climática de 1992, pois acreditam que cabe aos países ricos liderarem o processo de lidar com a mudança climática - o que era a base do sistema hoje em vigor, ancorado no Protocolo de Kyoto, que expira em 2012. “Não acredito que o Acordo de Copenhague se tornará um novo marco jurídico”, disse na semana passada Yvo de Boer, chefe do Secretariado Climático da ONU.

Ele também disse duvidar da adoção de um tratado vinculante em 2010, mas afirmou torcer para que a reunião de Cancún defina uma arquitetura básica, "para que um ano depois se possa decidir ou não transformar isso em um tratado". A reunião de 2011 será na África do Sul.

Pauta Social

Chuvas em excesso este ano no Brasil são atípicas, diz OMM

Por Daniela Traldi, da Rádio ONU em Nova York. 


Antônio Divino Moura, 3º vice-presidente da Organização Meteorológica Mundial, diz que El Niño está atuando na área central do Pacífico, provocando desde novembro do ano passado chuvas fortes, principalmente no sudeste brasileiro, incluindo o Rio de Janeiro e o Espírito Santo.

2010 tem sido um ano atípico em relação ao volume de chuvas no Brasil, principalmente nas regiões sul e sudeste do país.

A afirmação é do diretor-geral do Instituto Nacional de Meteorologia do Brasil, Inmet, Antônio Divino Moura, que também ocupa o cargo de 3º vice-presidente da Organização Meteorológica Mundial, OMM.

Excesso
Segundo Moura, o fenômeno climático conhecido como El Niño está atuando de maneira moderada a forte na área central do Pacífico, provocando desde novembro do ano passado chuvas fortes, principalmente no sudeste brasileiro, incluindo o Rio de Janeiro e o Espírito Santo.

Em entrevista à Rádio ONU, de Brasília, ele disse que a entrada de uma nova frente fria no Rio esta semana trouxe chuvas em excesso, piorando as condições do solo que já estava encharcado.

"Nós temos por exemplo várias medições na cidade do Rio de Janeiro, em regiões típicas como Tijuca, Santa Teresa e Copacabana, com mais de 200 milímetros de chuvas em 24 horas. Para se ter uma ideia 200 milímetros significa que, num quadrado de um metro por um metro, choveu de 20 a 200 litros de água. É uma coisa enorme, uma quantidade muito grande", afirmou.

Condições do Solo

Antônio Divino Moura ressaltou que as condições do solo associadas à ocupação irregular e à topografia da cidade, que tem muitos morros, encostas e bueiros com lixo, provocaram a recente tragédia na capital fluminense e em Niterói.

Segundo agências de notícias, as chuvas no Rio de Janeiro já provocaram mais de 180 mortes em todo o estado.

O representante da OMM ressaltou que os alertas de previsão do tempo foram passados de maneira adequada à Defesa Civil e aos governos, e que há uma tendência no litoral sul e sudeste do Brasil, devido às alterações climáticas, de aumento de chuvas, baseado em dados dos últimos 50 anos.

*Apresentação: Daniela Traldi, da Rádio ONU em Nova York.


Para ouvir esta notícia clique em: http://downloads.unmultimedia.org/radio/pt/real/2010/1004093i.rm
ou acesse: http://www.unmultimedia.org/radio/portuguese/detail/178586.html

Rádio ONU

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

ONU defende IPCC em erro sobre Himalaia

Homem caminha com criança em frente à geleira de Gankar Punsun em Dochula no Butão: há mais de 90% de certeza de que a atividade humana é a principal causa das mudanças climáticas globais.

OSLO - A ONU saiu hoje em defesa da sua comissão científica para o clima, criticada por ter feito um alerta infundado a respeito do degelo dos glaciais do Himalaia.

Achim Steiner, chefe do Programa de Meio Ambiente da ONU, que patrocina o Painel Intergovernamental sobre a Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês), disse que esse órgão científico "continua sendo sem dúvida o melhor e mais sólido fundamento" para a avaliação da questão climática no planeta.

Steiner disse que as críticas ao IPCC e ao seu presidente, Rajendra Pachauri, alcançaram "proporções quase de caça às bruxas em alguns quadrantes", e que por

conta de um erro houve quem chegasse a equiparar a mudança climática "a um boato comparável ao bug do milênio".

No mês passado, o IPCC se desculpou pelo exagero em um relatório que alertava que as geleiras do Himalaia podem derreter completamente até 2035.

Steiner disse que é correto expor erros e cruzar fontes, e que também é correto o fato de a comissão ter admitido a necessidade de controles mais rígidos. O IPCC foi criado em 1988 pelo Programa de Meio Ambiente e pela Organização Meteorológica Mundial.

"Deixemos de lado também o mito de que a ciência da mudança climática está com um rombo abaixo da linha da água e está afundando rapidamente em um mar de

falsidades", escreveu ele num artigo distribuído à imprensa internacional.

Steiner disse que o erro ocorreu por causa de um "erro tipográfico", já que uma fonte original havia cogitado o degelo das geleiras do Himalaia até 2350, e não 2035.

"O IPCC é tão falível quanto os seres humanos que o compõem", argumentou.

Mas o erro - e a exposição de checagens mal feitas e do uso de uma "literatura cinzenta", fora das publicações revisadas por cientistas - danificou a imagem do IPCC, que em 2007 recebeu o Prêmio Nobel da Paz junto com o ativista climático Al Gore.

No mesmo ano, o IPCC concluiu que há mais de 90% de certeza de que a atividade humana é a principal causa das mudanças climáticas globais.

As conclusões do IPCC não são meramente acadêmicas, pois podem influenciar medidas políticas com um impacto econômico de trilhões de dólares.

Pachauri prometeu que não irá deixar o cargo por causa da polêmica, e Steiner afirmou que ao longo dos anos a comissão se guia "pela cautela, e não pelo sensacionalismo". Ele lembrou ainda que desde 2007 o IPCC vem sendo criticado por ser conservador demais na sua projeção sobre a possível elevação do nível dos mares neste século.

Fonte: http://info.abril.com.br/

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Empresas e governos temem luta climática

Yvo de Boer, chefe climático da ONU: ataques ao Painel Intergovernamental sobre as
Mudanças Climáticas (IPCC) podem ter sido orquestradas por céticos climáticos e interesses corporativos.
NOVA DÉLHI - Certos países e certas empresas sentem-se ameaçados pelos esforços crescentes de combate às mudanças climáticas, disse o chefe climático da ONU, Yvo de Boer.

De Boer falou em meio a uma controvérsia em torno de projeções incorretas sobre derretimento de geleiras feitas pelo painel climático das Nações Unidas. O erro nas projeções levou ao questionamento da credibilidade do painel e a ataques pessoais contra seu chefe, Rajendra Pachauri.

Pachauri declarou que não vai renunciar ao cargo em função de uma previsão de que as geleiras do Himalaia desaparecerão até 2035.

"Eu gostaria de saber se há um ataque organizado contra a comunidade científica, e de onde está partindo", disse De Boer a jornalistas.

"Não sei se há uma campanha. Sei que há empresas e países que estão muito seriamente preocupados com a possibilidade de serem economicamente prejudicados por ações ambiciosas para fazer frente às mudanças climáticas", acrescentou.

Pachauri disse ontem ao jornal Financial Times que os ataques ao Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC) e a ele próprio são "cuidadosamente orquestradas" por céticos climáticos e interesses corporativos.

De Boer falou que a projeção errônea feita em um estudo de 2007 pode ser usado como munição por céticos climáticos. Mas defendeu o histórico de atuação de Pachauri e disse que o erro não enfraquece o consenso internacional amplo sobre as mudanças climáticas.

"Árvores altas recebem muito vento. O Dr. Pachauri é uma árvore alta", disse ele ao ser perguntado sobre os ataques a Pachauri.

Erros em relatórios do IPCC podem ter efeito prejudicial, já que as conclusões do painel servem de balizas para políticas governamentais. O governo indiano e alguns pesquisadores climáticos criticaram o IPCC por ter exagerado o encolhimento das geleiras do Himalaia.

Em declarações separadas, o ministro do Meio Ambiente da Índia, Jairam Ramesh, disse que o governo criou um painel nacional sobre as mudanças climáticas e que o organismo entregará sua primeira avaliação em novembro.

"Não é um rival do IPCC - é uma espécie de IPCC indiano", disse Ramesh ao canal de notícias indiano Times Now, "Não podemos depender unicamente do IPCC."

Já tivemos equívocos sobre as geleiras, equívocos sobre a Amazônia, equívocos sobre os picos nevados, sobre algumas montanhas, mas o IPCC é um organismo responsável", acrescentou.

A polêmica surgiu após a cúpula da ONU sobre mudanças climáticas em Copenhague, em dezembro, que produziu resultados apenas moderados.

Desde então, mais de 50 países, responsáveis por quase 80 por cento das emissões globais, se comprometeram com metas para combater as mudanças climáticas. A próxima reunião anual da ONU será no México, no final do ano.

O fato de as negociações da ONU não terem conseguido resultar em um pacto, apesar do prazo final fixado para o fim de 2009, dois anos depois de as negociações terem sido iniciadas em Bali, na Indonésia, em 2007, pôs em dúvida o papel futuro da ONU.

Enquanto isso estão previstas reuniões menores entre diversos agrupamentos de países, mas De Boer disse que elas não prejudicarão a capacidade da ONU de orquestrar um pacto mais substancial.

"Não é uma situação de ou uma coisa, ou outra", afirmou.

Fonte: info.abril.com.br

sábado, 12 de dezembro de 2009

Compromissos e propostas da indústria sobre mudanças climáticas

João Guilherme Sabino Ometto, engenheiro (EESC/USP), é presidente do Grupo São Martinho, vice-presidente da Fiesp e coordenador do Comitê de Mudanças Climáticas da entidade. 
 
O maior desafio da Conferência do Clima (COP 15) de Copenhague é encontrar o ponto de equilíbrio entre a meta do crescimento econômico e a imposição de mitigar as emissões de gases de efeito estufa. Não se pode vislumbrar qualquer solução alheia a esse dualismo, considerando que, em síntese, a humanidade precisar continuar consumindo, respirando e vivendo sob temperaturas adequadas à sua biologia.

Tais premissas já delineiam um fator exponencial a ser negociado na Dinamarca: o meio ambiente não deve servir de pretexto para a adoção de medidas protecionistas. Portanto, contrariando especulações veiculadas na imprensa de todo o mundo, é essencial que as políticas internacionais e nacionais sobre mudanças climáticas sejam consentâneas com as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC).

A segunda condição essencial é a necessidade de se estabelecerem condições mínimas para o fomento socioeconômico dos numerosos países, inclusive os emergentes, ainda não incluídos no rol dos desenvolvidos. Desde a 1ª Revolução Industrial, estes prosperaram, ao longo de 259 anos, com base numa economia radicalmente movida a carbono, enriquecendo antes de o mundo atingir limites insustentáveis de poluição. É justo, agora, que a oportunidade de desenvolvimento seja mais equânime.

Dessa maneira, ao defender suas posições na COP 15, o Brasil não pode abrir mão de um fluxo duradouro de crescimento econômico. Seus compromissos terão de estabelecer como prioridade a inclusão social e a redução das assimetrias regionais. A capacidade de contribuição do País à melhoria do ambiente e à redução dos gases de efeito estufa é imensa, considerando seu potencial hidrelétrico, suas reservas hídricas e florestais, sua imensa biodiversidade e suas excepcionais condições para a produção de biocombustíveis, em especial o etanol. Tudo isso é estratégico para o advento de uma nova economia ancorada em fontes energéticas limpas e renováveis.

Nesse contexto, é inegável o papel primordial da indústria. Por isso, a Fiesp, representante de um dos maiores parques manufatureiros do mundo, reafirma o compromisso de fomentar a economia de baixo carbono nas fábricas. Com esse propósito, a entidade estabeleceu plano de ação voltado a incentivar os distintos segmentos a realizarem inventários de gases de efeito estufa expelidos, visando a diminuir a emissão. Também está previsto o incentivo à transferência de tecnologia de produção limpa às médias, pequenas e microindústrias.

A indústria paulista defende, ainda, regulação jurídica nacional que estruture o desenvolvimento e defina a natureza jurídica dos créditos de carbono. A partir dessas referências legais, será possível criar mecanismos de financiamento hoje não encontrados no Brasil. Ademais, é necessário reavaliar o procedimento de aprovação dos projetos, essencialmente no que diz respeito à validação, e reduzir a burocracia agregada internamente ao já muito complexo protocolo criado pela ONU. Esses problemas oneram os custos dos projetos nacionais.

No tocante à matriz energética brasileira, a hidrelétrica deve ser mantida como a principal componente, por ser uma das mais limpas. Em caráter complementar, é preciso ampliar o uso de fontes com baixo nível de emissão de carbono, como bagaço de cana-de-açúcar e eólica, reduzindo-se a utilização das térmicas. Outras medidas importantes são o incentivo à eficiência energética e ao consumo racional e a expansão do uso de biocombustíveis no transporte de cargas.

Na área de pesquisa e inovação, é preciso incentivar o desenvolvimento do etanol de segunda geração e incrementar a transferência de tecnologias produtivas e de uso dos biocombustiveis oriundas do Brasil. Medida importante é estimular a transferência dos direitos de propriedade intelectual, com a devida proteção e remuneração, facilitando o acesso de países em desenvolvimento a tecnologias que visem a maximizar os esforços globais de mitigação das emissões de gases de efeito estufa.

Como se observa, a indústria é um dos setores protagonistas nessa epopeia em busca de uma civilização com menos contrastes socioeconômicos e vida de melhor qualidade. Para viabilizá-la, é premente que todos façam sua parte e permitam que o diálogo e o entendimento prevaleçam na COP 15.

Fonte: Leandro Vieira

Lembrem bem deste nome - Tuvalu

Sucena Shkrada Resk, Educomunicação - http://www.cidadaodomundo.blogse.com.br

Em três dias de negociações da 15ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, nada foi mais representativo para mim, do que a manifestação do pequeno estado insular do Pacífico - Tuvalu. O seu representante praticamente implorou aos países em desenvolvimento, que as metas a serem implementadas, tenham como objetivo não ultrapassar 1,5 graus na temperatura média do planeta. Não é preciso dizer, que um sonoro não ressoou no encontro. Países, como Índia, China e África do Sul não aceitaram a reivindicação, que na verdade, já havia sido feita na COP14, mas só agora, havia sido colocada para a apreciação das partes.

Acredito, que nem os professores de Geografia sabem onde fica Tuvalu. E é importante marcar bem esse nome, porque literalmente o arquipélago está desaparecendo com o aumento das águas no Pacífico. É um exemplo das mudanças climáticas em ação, entre outras centenas de situações semelhantes no mundo.

Será que é tão difícil compreender que o processo dos refugiados climáticos está aí, bem à nossa frente? A situação é tão crítica, que este arquipélago, a poucos metros acima do nível do mar, onde havia 11 mil pessoas, está sumindo e sofrendo o exôdo de milhares de pessoas. Desde 2002, há um acordo com a Nova Zelândia, para que receba anualmente 75 pessoas de lá, segundo o artigo Sustentabilidade do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, de pós-graduação de Ana Cristina Casa, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) - 2007.

Para dar sustentação à prioridade dos países em prol da adaptação - como ilustra a situação de Tuvalu - durante esses dias, também foram lançados dois estudos importantes. Um deles é a 5ª edição do Global Climate Risk Índex 2010, da organização não-governamental(ONG) Germanwatch - http://www.germanwatch.org/klima/cri2010.pdf. Entre os dados mais impactantes, revela que houve cerca de 600 mil mortes no mundo, entre 1990 e 2008, em decorrência de eventos climáticos extremos. Os países com maior vulnerabilidade, nesse histórico, são Bangladesh, Myanmar e Honduras.

O outro é o estudo Migração, Desenvolvimento e Mudança Climática - Acessando a Evidência, da OIM – Organização Internacional para as Migrações. O levantamento chega à constatação da possibilidade de que 25 milhões a 1 bilhão de pessoas podem ser expulsas das terras onde vivem nas próximas quatro décadas; algo que já ocorre, como o exemplo de Tuvalu... http://publications.iom.int/bookstore/free/migration_and_environment.pdf.

Fonte: Blog Cidadãos do Mundo.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Dirigente das Nações Unidas otimista com forte acordo climático

“De todos os cantos do globo vemos acelerações nunca vista para um acordo “,  disse o Secretário Geral da ONU Ban Ki-moon aos repórteres, na sede da ONU. “Estou animado e estou otimista”.


Ban disse que para a conferência de Copenhague ser um sucesso, o acordo deve incluir reduções ambiciosas das emissões de carbono pelos países desenvolvidos, bem como ações ambiciosas por países em desenvolvimento a reduzir as emissões. As nações ricas também devem fornecer apoio financeiro e assistência tecnológica para ajudar os países em desenvolvimento a limitarem as suas emissões e na adaptação aos efeitos das mudanças climáticas, como inundações e secas, disse ele.

“Esse tratado terá um efeito imediato operacional logo que for acordado”, disse Ban.

O secretário-geral indicou que a ONU quer que as disposições do acordo político que venha a ser alcançado em Copenhague seja implementado rapidamente, sem esperar por um tratado legalmente obrigatório a ser negociado no próximo ano.

O chefe da ONU disse que é provável um acordo entre países desenvolvidos e em desenvolvimento em 10 bilhões de dólares em “curto prazo, curso rápido” de financiamento para ajudar os países mais pobres até 2012. Apoio financeiro além do que será discutido em Copenhague, e não só esse, disse ele.

Ban disse que vai abrir o segmento de alto nível da conferência de Copenhague em 15 de dezembro e espera que 105 líderes mundiais assistam às sessões final em 17-18 dezembro para pressionar por um acordo. Ele destacou o presidente Barack Obama, o premiê chinês Wen Jiabao eo primeiro-ministro indiano Manmohan Singh.

“Nunca tantas nações diferentes de todas as dimensões e condição econômica garantiram, juntos, compromissos firmes”, disse ele. “Devemos aproveitar este momento e continuar pressionando por pretensão ainda maior.”

“Isto terá uma importância crucial para o futuro da humanidade, e mesmo para o planeta Terra”, disse Ban.

Fonte: http://en.cop15.dk

Agência meteorológica da ONU: década mais quente já registrada

Esta década tem sido provavelmente a mais quente no registro histórico e 2009 provavelmente acabará como um dos anos mais quentes, anunciou a agência meteorológica da ONU nesta terça-feira no segundo dia da conferência em Copenhague.

Em algumas áreas – em partes da África, da Ásia Central – este será provavelmente o ano mais quente, mas 2009 em geral “é provável que seja sobre o quinto ano mais quente já registrado”, disse Michel Jarraud, secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial.

A década 2000-2009 “é muito provável que seja a mais quente já registrada, mais quente que os anos 1990 e 1980 e assim por diante”, disse Jarraud.

Os dados foram divulgados no momento em que negociadores trabalham para criar um acordo global que deve acelerar os esforços para travar as mudanças climáticas.

A União Européia comprometeu-se a reduzir as emissões de gases do efeito estufa em 20 por cento em 2020, em comparação com 1990, e que está considerando aumentar para 30 por cento, se outros governos também aumentarem suas metas. Os líderes do governo terão uma oportunidade de fazer tal movimento em uma cúpula da UE nesta quinta-feira e sexta-feira em Bruxelas.

Na segunda-feira, quando abriu a conferência do clima, a administração Obama deu um impulso nas negociações, ao anunciar as medidas que poderiam levar a novas emissões E.U. controles que não exigem a aprovação do Congresso E.U..

AmbienteBrasil

Que “Climategate”?

A Grosso modo Rajendra Pachauri, líder do  IPCC, defende seus colegas ingleses cujos  e-mails forjados deram início a um grande debate sobre a credibilidade da linha principal das ciências climáticas.

A falsificação de e-mails de um Centro de Pesquisas Britânico líder em mudanças climáticas é um “ato terrível e ilegal”, de acordo com  Rajendra Pachauri,  líder do  IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas)  advertindo as negociações da ONU sobre o clima.

“Eu acho que isso é um ato ilegal. O único aspecto que deve ser lidado levando em consideração essa ocorrência, é achar quem está por trás disso,” Mr. Pachauri disse a uma conferencia da imprensa de acordo com o  AFP.

Os e-mails foram  forjados de computadores da Universidade East Anglia. Alguns dos e-mails parecem refletir tentativas de cientistas que seguem a linha de pensamento comum, para bloquear publicações de artigos de cientistas com diferentes opiniões. O caso foi nomeado pela mídia como “Climategate”. Isto é uma frase enganosa de acordo com  Rajendra Pachauri:

“Só podemos supor que aqueles que realizaram esse ato, o fizeram com a clara intençao de influenciar o processo em Copenhague– mas, barrando poucas vozes isoladas, as pessoas aqui estão totalmente convencidas da solidez dos dados encontrados no relatório do IPCC.”

O secretario da ONU, Ban Ki-moon concordou: “Nada que foi divulgado ao público como resultado do recente forjamento de e-mails, colocou dúvidas na mensagem básica científica das mudanças climáticas, e essa mensagem é muito clara – o clima está mudando muito, mais rapidamente do que nos achávamos e nós humanos somos a causa principal,”  alegou Ban Ki-moon, de acordo com o Reuters.

AmbienteBrasil

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Proposta na ONU sobre emissões é para valer, diz governo


Os ministros Carlos Minc (Meio Ambiente) e Dilma Rousseff (Casa Civil) afirmaram ontem, ao participarem de diferentes eventos em Brasília e no Rio, que o Brasil assumirá um compromisso "firme" e "político sério" de redução das emissões de gases-estufa.

O governo federal, porém, ainda não divulgou qual proposta será levada à conferência da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre mudanças climáticas em Copenhague, em dezembro. A ministra disse a definição depende de reuniões que ocorrerão nos próximos dias, entre elas, um encontro sábado marcado pelo presidente Lula no Palácio da Alvorada.

Na segunda-feira, Dilma afirmou que o país terá um "objetivo voluntário" de redução. Segundo Minc, a proposta brasileira será "como se fosse realmente uma meta". Ele confirmou que o percentual de redução das emissões ficará entre 38% e 42% e que os cortes vão ser definidos por setor.

"O que é objetivo firme com números definidos se não é uma meta? São como se fossem realmente metas", afirmou o ministro, após participar de um seminário sobre políticas públicas e mudanças climáticas, organizado pelo TCU (Tribunal de Contas da União).

A ministra, no Rio, tentou esclarecer: "Não estamos falando em meta. País em desenvolvimento não tem meta. O que temos é um compromisso voluntário de redução porque isso é uma questão política séria".

Segundo Dilma, o Brasil fará "um gesto político" que legitima o país como "nação comprometida com sustentabilidade". "Vamos dizer: "Ó, não temos meta porque não estamos na lista [de países desenvolvidos], mas vamos reduzir em tanto e gostaríamos que os senhores reduzissem também"."

"Sejam elas metas ou apenas um objetivo, isso é igualmente vinculante", afirmou a senadora e ex-ministra Marina Silva (PV-AC), também presente no seminário do TCU.

Lula, ao discursar em evento em São Paulo, citou a questão ambiental e repetiu cobranças aos países desenvolvidos.

"Como é que a gente vai discutir essa questão do clima com seriedade se a gente vai ter em Copenhague uma reunião e, pelo que eu estou sabendo, os grandes líderes não vão?", perguntou. "Na hora de assinar os protocolos, todo mundo assina qualquer coisa. Na hora de cumprir, pão, pão, queijo, queijo, ninguém quer abrir mão do seus hábitos e costumes."

O Planalto não confirma se Lula vai a Copenhague. Dilma vai chefiar a delegação brasileira. Entre os líderes mundiais, já confirmaram presença o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy. O presidente dos EUA, Barack Obama, disse que só irá a Copenhague se sua presença for o "fiel da balança".

São Paulo

Um dia depois de elogiar o governo de São Paulo pelo lançamento de metas de redução de emissões, Dilma afirmou que a proposta do governador José Serra corresponde a apenas 10% do esforço da União.

"É interessante notar que vocês acham 24 milhões de toneladas de CO2 como muito significativo quando se trata de São Paulo, e não consideram a nossa redução de 20% de emissões significativa", disse. "É 10% da nossa redução de emissão."

Segundo a ministra, o governo proporá na ONU esforços para reduzir em 80% o desmatamento, o que, em suas contas, equivale a cortar 20% das emissões. "Representa 6,2 gigatoneladas [bilhões de toneladas] de emissão de CO2."


Fonte: Online Ambiente 

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

ONU busca impulso político para enfrentar mudança climática

Por Thalif Deen, da IPS 


Nações Unidas, 17/09/2009 – O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, acredita que os líderes mundiais irão conferir um alto perfil político à crise ambiental que ameaça causar uma devastação global naspróximas décadas . “A mudança climática é o maior desafio desta e das futuras gerações”, alertou Ban, um dos principais promotores da cúpula sobre este fenômeno que acontecerá no próximo dia 22 nas Nações Unidas. “Se queremos evitar as consequênciascatastróficas para a população e o planeta, temos menos de 10 anos para frear o aumento das emissões de gases causadores do efeito estufa”, acrescentou.

Da cúpula participarão cerca de cem governantes, entre eles o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em sua primeira vista à ONU. Mas, nessa reunião não será adotado um plano de ação nem se aprovará uma declaração política, como costuma ocorrer com a maioria das cúpulas da ONU. Tampouco é uma conferência para arrecadar entre US$ 500 bilhões e US$ 600 bilhões necessários hoje para deter a mudança climática, com medidas como reduzir as emissões de gás estufa, interromper o desmatamento, deter a degradação dos solos, combater o aumento do nível do mar e prevenir secas e inundações. Em definitivo, espera-se que o secretário-geral elabora um “resumo” da cúpula que reflita as declarações políticas dos lideres mundiais.

O encontro é uma oportunidade única para que os governos mostrem que estão comprometidos em alcançar um acordo na 15ª Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, que acontecerá em dezembro na cidade de Copenhague. Foi o que disse Kim Carstensen, líder da Iniciativa Climática Mundial no Fórum Mundial para a Natureza (WWF) ,ao ser consultada se a cúpula será um exercício político inútil.

Espera-se que a reunião da capital dinamarquesa sirva para negociar um novo regime climático vinculante para reduzir as emissões humanas de carbono, o principal gás estufa. “Se os lideres fizerem declarações fortes e claras que sejam refletidas em um resumo elaborado por Ban Ki-moon, isso poderá ajudar a gerar o impulso político que precisamos tão desesperadamente nas atuais negociações da Convenção Marco”, disse Carstensen à IPS. “Esperamos palavras firmes das autoridades, que mostrem claramente a perseverança de seus representantes nas negociações climáticas da Convenção Marco”, acrescentou.

Janos Paztor, diretor da Equipe de Apoio para a Mudança Climática da ONU, disse na semana passada à imprensa que a cúpula se centrará em quatro áreas: medidas de adaptação à mudança climática, objetivos de redução dos gases estufa por parte de todos ospaíses ; financiamento para apoiar os esforços de mitigação e adaptação, e estruturas de gerenciamento necessárias para um regime climático novo e efetivo. Pasztor disse que o mais importante para a reunião de Copenhague não são os números do financiamento, mas “uma fórmula efetiva que reúna diferentes fontes de financiamento que possam ser ampliadas segundo as necessidades”. E, “se as coisas estivessem bem, não precisaríamos de uma cúpula”, ressaltou.

Em seu “Estudo Econômico e Social Mundial 2009”, divulgado no começo deste mês, a ONU diz que, segundo recentes estimativas, a cada ano morrem cerca de 300 mil pessoas devido ao aquecimento da Terra, enquanto as vidas de outros 300 milhões estão seriamente ameaçadas. Culpando principalmente as nações industrializadas, a investigação diz que a crise climática é o resultado de um modelo de desenvolvimento econômico muito desigual que evoluiu nos últimos dois séculos. “Este modelo permitiu que os países ricos de hoje conseguissem seus atuais níveis de renda em parte por não levarem em conta o dano ambiental que agora ameaça o sustente de outros”, diz o documento.

Carstensen afirmou que os governantes deveriam se centrar em compreender como a ação contra a mudança climática pode se converter em um beneficio econômico para seus países, gerando crescimento e empregos amigáveis com o meio ambiente. Também deveriam analisar como garantir um resultado claro e obrigatório nas negociações de Copenhague. “Espero que as autoridades venham a Nova York preparadas para dizer que se comprometerão com a ação para manter o aumento das temperaturas mundiais abaixo de dois graus. E que digam algo sobre como atuarão para que isto ocorra”, afirmou Carstensen.

Os países industriais devem se comprometer com fortes objetivos de médio prazo para reduzir sua contaminação e proporcionar um financiamentosignificativo à ação climática nas nações em desenvolvimento. Em troca, estas nações devem apresentar planos para reduzir suas emissões de gás estufa, incluídas as derivadas do desmatamento. Isto significa que o tratado mundial deve ser justo, ambicioso e obrigatório, acrescentou Carstensen.

Entre as demandas específicas da WWF figura um regime climático obrigatório para o período posterior a 2012 (quando expira o Protocolo de Kyoto) estipulado no novo Protocolo de Copenhague. A organização internacional também pede garantias de que as emissões mundiais de carbono cheguem ao seu teto em 2017 e depois caiam rapidamente, com o objetivo de reduzir em pelo menos 80% as emissões mundiais ate 2050, em relação aos níveis de 1990.

A WWF também reclama dos governos que “descarbonizem” as economias industriais ate 2050, e que, como primeiro passo, reduzam em 40% suas emissões ate 2020 (base de 1990). Além disso, a entidade pede que seja facilitada a transição para economias livres de carbono dospaíses em desenvolvimento, aportando US$ 160 bilhões anuais par5a os esforços de mitigação e adaptação, e permitindo acesso a tecnologias limpas. A WWF também quer que os governos apóiem uma ação imediata para a adaptação à mudança climática dos países pobres e que dêem respaldo a um objetivo de desmatamento zero ate 2020. IPS/Envolverde.

(Envolverde/IPS)

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Acordo sobre clima em 2009 perde força em encontro da ONU

A recessão e a mudança de governo nos Estados Unidos tornam improvável que o mundo cumpra em 2009 a meta de assinar um acordo completamente novo para combater o aquecimento global, disseram delegados em um encontro climático da Organização das Nações Unidas (ONU).

Há um ano, 190 países decidiram trabalhar pela aprovação de um acordo climático abrangente no final de 2009, em um encontro em Copenhague. Mas negociadores e analistas que compareceram à uma reunião prévia em Poznan, Polônia, entre 1° e 12 de dezembro, dizem que o objetivo parece difícil de ser alcançado.

O mais longe que pode ser alcançado no ano que vem, para muitos, são os princípios para um pacto, ainda que alguns digam que isso seja muito pessimista.

"Uma meta adequada e um grande feito (em Copenhague) seria chegar a um acordo sobre os princípios a serem negociados, e não a um texto", disse Robert Stavins, professor de administração pública da Universidade de Harvard.

Com a recessão, a emissão de gases estufa pelos países desenvolvidos deve cair em cerca de 2 por cento no próximo ano, tornando outras ações menos urgentes, disse.

O prazo de 2009 foi estabelecido para assegurar que as novas metas de redução de emissão de gases possam ser ratificadas em todo o mundo antes da expiração das metas do Protocolo de Kyoto, em 2012.

Yvo de Boer, autoridade da ONU sobre mudança climática, insistiu que os países ricos deveriam concordar em 2009 com cortes na emissão de gases até 2020. Mas ele também afirmou que qualquer acordo deveria ser "ratificável", deixando muitas partes importantes para depois.

Uma meta em 2009 teria que incluir o financiamento para ajudar os países em desenvolvimento a trabalhar mais contra o aquecimento global e precisaria tornar clara a estrutura institucional necessária, disse de Boer.

Obama - Todos os lados concordam que o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, vai querer evitar os erros de Bill Clinton sobre o Protocolo de Kyoto. O ex-presidente democrata aceitou o acordo em 1997 para reduzir a emissão em 7% até 2012, mas nunca mandou o texto para ratificação no Senado.

"Não serve para nós chegar a um acordo internacionalmente e esperar que nosso Congresso aprove isso", disse Harlan Wilson, negociador-chefe dos Estados Unidos. Alguns especialistas dizem que dezembro de 2009 será cedo demais para que o Senado norte-americano aprove qualquer lei.

Países em desenvolvimento como China e Índia querem ver os países desenvolvidos tomarem atitudes drásticas antes de começar a limitar suas próprias emissões de gases estufa.

Nesta segunda-feira, em Poznan, 140 companhias de grande porte como Ebay, Sun Microsystems, BP e Unilever e grandes investidores pediram uma "ação decisiva" contra as mudanças climáticas.
 
Fonte: Estadão Online

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Mudança climática: Sem participação indígena esforços são inúteis

Por Haider Rizvi, da IPS

Nova York, 05/12/2008 – Os esforços contra a mudança climática serão em vão enquanto os povos indígenas continuarem de fora do debate sobre medidas paliativas, afirmam ativistas que participam da conferência da Organização das Nações Unidas que acontece esta semana na cidade polonesa de Poznan. “As comunidades indígenas adaptam-se às mudanças ambientais há séculos e podem ajudar na criação de estratégias que a ONU pretende incluir no novo tratado”, disse Mark Lattimer, da organização Minority Rights Group International, com sede em Londres. Com vistas à Convenção das Nações Unidas sobre Mudança Climática, que começou segunda-feira, a MRG divulgou um estudo onde se conclui que um novo tratado ficará “seriamente comprometido” se os governos continuarem silenciando os mais afetados pelo fenômeno.

Cerca de 800 delegados participam desta conferência, que terminará no próximo dia 12, segundo a ONU. Nas diferentes reuniões são discutidas estratégias para combater a mudança climática e como financiá-las. Na semana passada funcionários das Nações Unidas descreveram os encontros como um “marco pelo caminho do sucesso”, em relação ao processo de negociação lançado nas conferências anteriores. Defensores dos direitos dos povos indígenas têm grande cepticismo a respeito.

“O processo da ONU está viciado porque as comunidades que sofrem diretamente os efeitos da mudança climática não participam dele”, ressaltou Lattimer. “É incompreensível que os governos cheguem a um acordo sobre objetivos sem contar com a opinião dos que sofrem as conseqüências do fenômeno”. A Conferência de Poznan prevê fixar objetivos de restrição às emissões de dióxido de carbono na atmosfera, mas os líderes indígenas que vivem na selva se queixam que não foram consultados nas discussões sobre os planos e as estratégias com vistas ao futuro.

“Sofremos as piores conseqüências da mudança climática sem termos contribuído” para o fenômeno, disse por e-mail Ben Powless, ativista canadense pelos direitos dos indígenas, desde a Polônia, onde observa o desenrolar da conferência. Segundo ele, as estratégias e os planos para minimizar o problema não são mais do que “soluções falsas. Colocam em risco nossos direitos e nossa própria existência”, alegou, acrescentando que vários projetos para produzir combustível vegetal, promovidos por governos e pelo setor privado, são levados adiante sem “o consentimento prévio, livre e informado dos indígenas”.

A maioria dos projetos de desenvolvimento feitos na selva objetiva, de fato, roubar os recursos dos indígenas para obter lucro comercial, mais do que contribuir para a preservação do meio ambiente, segundo Lattimer e Powless. Vários estudos feitos nos últimos anos mostram que a maioria dos 370 milhões de indígenas do mundo vive em áreas de grande diversidade ecológica e que dependem totalmente dos recursos naturais. Mas a aceleração da mudança climática reduz as fontes sobre as quais baseiam seu sustento.

“É dada muita atenção aos danos que a mudança climática causa ao meio ambiente e à perda de espécies de plantas e animais, mas não se reconhece a verdadeira dimensão do prejuízo sobre as pessoas”, destacou Farah Mihlar, que escreveu o estudo do MRG. “As soluções, metodologias e tecnologias científicas para mitigar e se adaptar às mudanças climáticas discutidas pelos políticos não refletem o conhecimento nem a concepção ancestral” dos indígenas, acrescentou.

“Violam ou ameaçam violar nossos direitos humanos”, disse Powless. “Teremos de discutir, em algum momento, a dívida ecológica que, em especial, as nações industrializadas têm conosco. As consultas que nos fazem costumam tomar a forma de simples informação”. A pesquisa do MRG mostra que aborígines de todo o mundo costumam constituir as populações mais pobres e marginalizadas e com mais probabilidades de serem discriminadas quando ocorre algum tipo de desastre natural. “Comunidades inteiras podem ser perdidas”, diz a declaração de Mihlar, acrescentando que “culturas e línguas podem ser apagadas da face da Terra”.

Na conferência anterior da ONU sobre mudança climática, realizada na ilha de Bali, na Indonésia, em dezembro de 2007, ativistas em defesa dos indígenas protestaram por sua exclusão das negociações oficiais. Destas atividades participaram muitos representantes de comunidades selváticas em todo o mundo. Na conferência se mostraram preocupados com os planos de governos e instituições financeiras internacionais para controlar a degradação das selvas, em especial uma iniciativa do Banco Mundial que oferece incentivos em grande escala para reduzir as emissões liberadas pelo desmatamento.

Nas selvas tropicais e subtropicais, onde se concentra a iniciativa do Banco, vivem cerca de 160 milhões de indígenas, considerados guardiões e administradores de sua biodiversidade por muitos cientistas. “Pode ser uma boa iniciativa, mas por nossa experiência negativa nos preocupa como funcionar´”, disse Victoria Tauli-Corpuz, presidente do Fórum Permanente para as Questões Indígenas da ONU. A Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas aprovada pela ONU reconhece o direito de as comunidades controlarem seus territórios e recursos, incluídas as selvas, mas muitos governos e corporações continuam transgredindo-as. “Continuamos em uma situação muito vulnerável, porque muitos governos desconhecem nossos direitos sobre as selvas e os recursos que há nelas”, disse Tauli-Corpuz.

Entre os países onde governo e corporações violam mais os direitos indígenas estão Brasil, Botswana, Estados Unidos, Malásia, Nova Zelândia, Paraguai e Peru, segundo avaliação do ano passado da organização Survival International, com sede em Londres. Ao contrário do que ocorre no processo de negociação sobre mudança climática, as comunidades indígenas gozam de um papel relativamente importante nas discussões em matéria de biodiversidade. A secretaria do Convenio sobre Diversidade Biológica da ONU criou, inclusive, um grupo de trabalho para garantir esse papel.

Os representantes indígenas que participam da Conferência de Poznan expressaram o desejo de que as Nações Unidas incluam as comunidades afetadas pela mudança climática no processo de negociação de medidas para conter o fenômeno. “Reclamamos uma participação total na implementação de medidas em tudo o que diz respeito à mudança climática e às selvas”, disse Powless.

Fonte: IPS

Em 2050 serão 250 milhões de refugiados do clima

Por Fernanda B Muller, do Carbono Brasil

As mudanças climáticas podem se tornar a principal causa de migrações de refugiados, disse um oficial da ONU na quarta-feira durante a COP 14.

“O clima sempre foi um elemento, uma das razões que forçam as pessoas a se mudarem, mas não a principal razão”, comentou o conselheiro do Alto Comissário da ONU para Refugiados José Riera. Segundo ele, estimativas conservadoras prevêem que cerca de 250 milhões de pessoas sejam forçadas a se mudar devido às mudanças climáticas em 2050.

Por esta razão é essencial um acordo internacional para ajudar os países mais pobres, e mais vulneráveis, a se adaptarem aos eventos climáticos extremos que devem ocorrer como conseqüência das mudanças climáticas, segundo a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas.

Os deslocamentos devem ocorrer dentro dos próprios países, ressaltou Riera. Ele completou relembrando a importância de discutir questões como quem será o responsável por estas pessoas e quais serão seus direitos.

A ONU e a Cruz Vermelha salientaram que a população deve ser preparada para enfrentar estes eventos, por exemplo, através da informação, proteção das fontes de água, plantio de árvores para evitar escorregamentos de terra e a desertificação e melhoria nas técnicas de construção em áreas de risco.

O secretário geral da Federação Internacional da Cruz Vermelha Bekele Geleta colocou um valor sobre a resposta aos desastres dizendo que a cada US$1 investido na redução de risco, pode-se economizar de US$ 3 a US$ 10.

* Com informações da Associated Press.

Fonte: Envolverde/CarbonoBrasil

ONU faz campanha sobre impacto do efeito estufa

Por Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York

Uma campanha do Escritório das Nações Unidas de Assistência Humanitaria, Ocha, está pedindo mais investimentos no preparo de países mais vulneráveis às tragédias climáticas.

Segundo o Ocha, Moçambique, no sul da África, é um bom exemplo de nação que conseguiu lidar de maneira positiva com os desastres naturais.

Perdas

A ONU afirma que nos últimos 20 anos, os desatres naturais dobraram passando de 200 para 400 por ano.

O subsecretário-geral de Assuntos Humanitarios, John Holmes, lembrou que o mundo já está sentindo os efeitos das mudanças climáticas.

Entre 1988 e 2007, mais de 75% de todas as tragédias ocorridas no mundo estavam relacionadas ao clima. E mais da metade das perdas econômicas foi causada por desastres naturais.

Fonte: Envolverde/Rádio ONU

Fundo da ONU para adaptação climática está quase sem dinheiro

O principal fundo da ONU para ajudar nações pobres a se adaptarem a mudanças climáticas está com tão pouco dinheiro que não poderá realizar reuniões no ano que vem, disse o chefe de seu conselho diretor neste sábado.

Richard Muyungi, um funcionário do governo da Tanzânia que preside o Conselho de Adaptação do Fundo, disse à Reuters à margem das conversações da ONU sobre clima, que se realizam de 1 a 12 de dezembro, em Poznan, que os doadores têm de pagar vários milhões de dólares com urgência apenas para manter o fundo funcionando.

"Precisamos de dinheiro o mais rápido possível, porque não podemos nem sequer realizar uma reunião em março", disse Muyungi.

Ele pediu aos países mais ricos que façam maiores doações para bancar a implementação, pelas nações pobres, de medidas para lidar com os impactos do aquecimento global, incluindo mais secas e inundações, queda na produção de alimentos e elevação dos mares.

O Fundo de Adaptação ainda terá de começar a desembolsar recursos porque o conselho diretor passou o ano trabalhando em questões técnicas e legais. Os governos estão tentando definir os detalhes finais para que projetos concretos possam ser iniciados em 2009.

Os negociadores em Poznan também se desentenderam sobre como gerenciar as fontes de recursos, embora Muyungi disse acreditar que um acordo possa ser alcançado até o final da próxima semana.

A principal fonte de recursos do fundo será a arrecadação de 2 por cento sobre projetos de um mecanismo da ONU que permite a países ricos investir em programas de energia limpa no mundo em desenvolvimento em troca de compensação de emissões de carbono.

"A adaptação está de fato se tornando uma questão importante agora, os impactos estão aumentando, os países estão se tornando mais vulneráveis," disse Muyungi. O secretariado do fundo não recebeu todo o valor de um orçamento de quase 4 milhões de dólares que almeja para cobrir os gastos de 2008 e metade dos de 2009.

"Estimativas indicam que o fundo vai alcançar com dificuldade 900 milhões de dólares até 2012, mas isto não é suficiente em termos das necessidades de adaptação dos países, por isso está mais que na hora de (governos) colocarem dinheiro nele."

A ONU diz que até 2012 serão necessários 86 bilhões de dólares por ano para os países pobres se adaptarem ao aquecimento global. Grupos de ajuda pedem pelo menos 50 bilhões de dólares.

Especialistas alertam que o fracasso para um acordo em Poznan para o início do lançamento de projetos pode fazer retrocederem os esforços para um novo pacto amplo sobre o clima até 2009, em Copenhagen, para suceder ao protocolo de Kyoto.

Fonte: Estadao.com.br

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Acordo para vítimas do clima pode ser necessário, diz WWF

O mundo pode precisar de um novo acordo da Organização das Nações Unidas (ONU) para compensar as vítimas da mudança climática, ou os países correm o risco de serem envolvidos em processos bilionários ligados a ondas de calor, secas e elevações do mar, disse um estudo nesta quarta-feira (3).

O relatório, preparado pela unidade britânica do grupo ambientalista WWF, afirmou que o mundo já viu acordos de compensação por acidentes nucleares, derramamentos de petróleo e até por objetos lançados ao espaço. Mas não há um plano da ONU para compensar os danos da mudança climática.

"A probabilidade de uma ação legal contra os países que emitem mais gases está aumentando", afirmou o estudo de 37 páginas, escrito por dois advogados da área de clima.

Entre as opções dadas pelo relatório está um fundo de compensação internacional definido por algum tratado futuro da ONU para compensar as vítimas. O estudo foi divulgado junto com o encontro da ONU entre 1o e 12 de dezembro em Poznan, na Polônia, para discutir o combate à mudança climática.

"Você precisa enfrentar isso. A ciência está progredindo suficientemente para tornar legítimos esses processos", disse Peter Roderick, diretor do Programa de Justiça Climática e co-autor do estudo.

"Faz mais sentido apresentar um sistema do que ver as pessoas irem à Justiça."

O Painel Climático da ONU afirmou no ano passado que há pelo menos 90 por cento de certeza de que as atividades humanas, principalmente a queima de combustíveis fósseis, são responsáveis pela maior parte do aquecimento dos últimos 50 anos.

Roderick disse que um problema é que a maior parte dos recursos internacionais são destinados a compensar acidentes abruptos - não os danos assustadores provocados pela elevação gradual do mar, projetada pelo Painel Climático.

Os recursos prometidos pelos principais programas da ONU para ajudar os países totalizam apenas 300 milhões de dólares, aproximadamente. Muitos estudos projetam que serão necessários dezenas de bilhões de dólares para ajudar na adaptação.

"Corremos o risco de uma crise enorme", disse Vaughan. Ele afirmou que o estudo tinha a intenção de provocar o debate sobre opções.

Fonte: Estadão Online