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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

TERRAMÉRICA - Um gás que esfria o clima

Por Risto Isomäki* 


Enquanto há pouco progresso para reduzir os gases que provocam o aquecimento global, avança-se rapidamente na proibição de substâncias capazes de esfriar a atmosfera, afirma neste artigo o escritor Risto Isomäki.

Helsinque, Finlândia, 30 de agosto (Terramérica).- Em uma temporada de impressionantes notícias vinculadas ao clima, há sinais de que estão derretendo gelos submarinos que abrigam depósitos de gases-estufa cuja liberação tornaria insignificantes as atuais emissões dessas substâncias causadoras da mudança climática. Neste ano de 2010, são batidos recordes mundiais e nacionais de calor: 37,2 graus na Finlândia, 35 na república russa de Sajá e 54 no Paquistão.

Os incêndios de florestas e jazidas de carvão causam enormes danos na Rússia, enquanto o Paquistão sofreu grandes inundações e enxurradas de lama. Um enorme bloco de gelo se desprendeu da geleira Petermann, no noroeste da Groenlândia, e a extensão do gelo no Mar do Ártico é a segunda menor que se recorde.

Em 1994, foi feita uma estimativa de que havia cerca de 25 mil quilômetros cúbicos de bancos de gelo flutuantes no Ártico. Desde então, a quantidade caiu, pelo menos, em 80%. Enquanto o gelo e a neve refletem entre 70% e 90% da radiação solar para o espaço, as superfícies aquáticas refletem apenas entre 4% e 10%. Portanto, a perda de gelo marinho acelera o aquecimento das águas em áreas polares. O Ártico abriga enormes depósitos naturais de carvão orgânico e metano, potente gás de efeito estufa.

As áreas terrestres com gelo permanente (permafrost) contêm sozinhas um bilhão e meio de toneladas de carvão orgânico que poderia ser liberado na atmosfera em forma de metano se o permafrost derretesse. Quase metade do leito do Ártico está coberta por um permafrost submarino além de existirem ali jazidas de hidratos de metano, uma mistura de gelo comum e gás presa dentro e debaixo do gelo. O derretimento deste permafrost e destes depósitos de hidratos de gás pode, teoricamente, liberar tanto metano e dióxido de carbono que, em comparação, nossas atuais emissões de gases-estufa seriam insignificantes.

Há sinais de que algo assim começa a acontecer. Em agosto de 2009, uma equipe da britânica Universidade de Southampton descobriu 250 locais em que as jazidas submarinas de hidratos de gás tinham começado a derreter e a liberar metano, ao redor do arquipélago ártico de Spitsbergen. É necessário deter esse derretimento antes que as coisas fujam ao controle.

Enquanto há pouco progresso nas negociações para reduzir as emissões que causam o aquecimento global, os esforços para reduzir emissões de substâncias capazes de esfriar a atmosfera avançam rapidamente. A Organização Marítima Internacional (OMI) decidiu, em outubro de 2008, que o máximo de conteúdo de enxofre no combustível usado pelas embarcações que percorrem os oceanos deverá ser de 0,5% até 2020, enquanto o limite no momento é de 2,7%.

As pequenas gotinhas de enxofre emitidas na atmosfera pela combustão dos motores dos navios estimulam a formação de nuvens baixas, que têm um impacto refrescante sobre o planeta, indicam observações científicas. As estimativas disponíveis indicam que as emissões de enxofre das embarcações ajudam a esfriar o planeta com uma eficiência de 58 décimos de watt por metro quadrado. Além disso, esse enxofre faz com que as nuvens sejam mais brancas, reflitam melhor a luz solar e tenham maior vida útil. Seu efeito é especialmente importante sobre os oceanos, onde frequentemente há escassez de pequenas partículas que possam atuar como núcleos de condensação para as nuvens.

Assim, a aplicação dessa disposição da OMI pode reduzir o efeito refrescante dos barcos em 0,31 watt por metro quadrado. Pode parecer pouco importante, mas, segundo medições da Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, o desequilíbrio do calor planetário, o aquecimento global, chega hoje a 85 décimos de watt por metro quadrado. Isto significa que a Terra recebe mais energia do Sol do que a irradia de volta ao espaço, e que essa diferença é de 0,85 watt por metro quadrado.

Em outras palavras, a colocação em prática do tratado da OMI pode elevar o aquecimento global em 26%, de 0,85 para 1,16 watt por metro quadrado, um extremo perigoso, sobretudo porque o impacto se concentraria sobre os oceanos, especialmente no Atlântico Norte e no Ártico. O enxofre é prejudicial à saúde humana, por isso tem sentido reduzir as emissões nas zonas marinhas próximas de lugares densamente povoados, como o Báltico e o Mediterrâneo.

Porém, o enxofre emitido no meio do oceano dificilmente pode ser um problema importante para a saúde humana. Este é realmente um bom momento para investir mais de US$ 200 bilhões por ano para reduzir as emissões de enxofre das embarcações que cruzam os oceanos? Embora o tratado da OMI tenha boas intenções, poderia nos empurrar para a beira do abismo.

* Risto Isomäki é ambientalista e escritor finlandês com livros traduzidos para vários idiomas. Direitos exclusivos IPS.

Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.

(Envolverde/Terramérica)
  

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Rachadura no gelo assusta pesquisadores britânicos no Ártico


Martin Hartley

da BBC Brasil

Uma equipe de pesquisadores britânicos foi surpreendida por uma rachadura gigante no gelo logo abaixo de uma das barracas de seu acampamento, no Ártico.

Os três integrantes da equipe Catlin Arctic Survey estão na região para uma pesquisa anual que avalia os efeitos das mudanças climáticas.

Rachadura no gelo assusta pesquisadores britânicos do Catlin Arctic Survey no Ártico


Os pesquisadores Ann Daniels, Martin Hartley e Charlie Paton, estavam acampados no gelo quando ele começou a rachar.

"Ouvimos um estalido, alguns estrondos e, de repente, o gelo começou a se romper. Tudo aconteceu muito rápido", disse Charlie Paton.

A pesquisadora Ann Daniels conta que os pesquisadores já tinham observado o gelo se movimentando. Na manhã seguinte, depois dos barulhos, o gelo começou a se abrir de repente.

"O gelo começou a se romper do lado de fora [do acampamento]. Então o gelo começou a se romper cada vez mais perto das barracas e então, embaixo das barracas. Martin [Hartley] e eu começamos a tirar tudo (das barracas) e empacotar tudo o mais rápido que podíamos."

"Estávamos retirando todo o equipamento quando Charlie [Paton] gritou: 'Saiam agora'", relatou a pesquisadora à BBC.

"Tivemos que decidir rapidamente em lado da rachadura iríamos ficar e resgatar rapidamente todo o equipamento para evitar danos."

Apesar do susto, nenhum dos equipamentos ficou danificado e os pesquisadores não se feriram.

A equipe de pesquisadores britânicos também está tendo que enfrentar outras dificuldades na região, como grandes extensões de águas abertas, gelo se movimentando rapidamente e placas de gelo deslizando umas sobre as outras.

A missão da equipe britânica é coletar dados para investigar qual o impacto do dióxido de carbono no Oceano Ártico. Além de caminhar na região, os pesquisadores estão perfurando o gelo para fazer medições, além de coletar amostras de água do mar de diferentes profundidades. 
 
Fonte: http://www.folha.uol.com.br/

sábado, 19 de setembro de 2009

Um atalho no gelo


Pela primeira vez na história, navios cargueiros fazem
pelo Ártico a rota entre a Ásia e a Europa. A proeza
é uma triste consequência do aquecimento global

Thomaz Favaro

Passagem aberta
Navios alemães navegam pelo Oceano Ártico: menos gelo no caminho


O triunfo humano sobre as forças da natureza é, desta vez, um triste sintoma da saúde do planeta. Dois cargueiros alemães estão prestes a se tornar os primeiros a navegar por inteiro a Passagem Nordeste, como é conhecido o trajeto via Ártico entre os oceanos Atlântico e Pacífico. Essa rota marítima mais curta entre a Europa e a Ásia sempre foi um risco no mapa impossível de ser navegado. Durante o verão, quando a camada de gelo da calota polar se retrai, somente comboios liderados por navios quebra-gelo trafegam pela imensa costa russa – e apenas por trechos curtos. Essa situação já tem data marcada para acabar. Salvo algum contratempo imprevisível, os dois navios, que já ultrapassaram os trechos mais difíceis, devem completar a viagem até o fim do mês. E aqui está a má notícia: a proeza dos cargueiros alemães só foi possível devido ao encolhimento progressivo da calota polar do Ártico, provocada pelo aquecimento global.

A temperatura no Ártico aumentou 2 graus no último século, o dobro da média mundial. O resultado é uma espiral de derretimento que reduziu a camada de gelo permanente em 40%. "Quanto menor a área congelada, menor a capacidade de reflexão dos raios solares. Ou seja, à medida que a área gelada diminui, a região absorve mais calor, aumentando a temperatura e acelerando o derretimento do gelo", diz o glaciologista Jefferson Simões, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que já participou de três expedições ao Ártico. Em 2007 e 2008, a superfície congelada foi reduzida ao menor tamanho já registrado. A camada de gelo também está mais fina: sua espessura encolhe, em média, 17 centímetros por ano.

Toda a fauna adaptada ao clima único da região está ameaçada. As focas criam seus filhotes durante as primeiras semanas em placas de gelo flutuantes, para que acumulem gordura suficiente antes de se aventurar pela água gelada do mar. O degelo precoce dos glaciares pode resultar na separação prematura desses filhotes, diminuindo suas chances de sobrevivência. Estudos preveem que, devido à diminuição de seu território de caça, a população de ursos-polares estará reduzida a um terço da atual até 2050. Morsas, renas e baleias típicas da região também sofrem com os efeitos da mudança climática. Mas o impacto do derretimento dos polos não se limitará aos rincões frios do planeta. As calotas polares ajudam a manter o clima global ameno e alimentam as correntes marítimas, que redistribuem o calor pelo planeta. A Groenlândia, um imenso reservatório de água doce congelada, contribuiu sozinha para 20% do aumento do nível dos oceanos no século passado.

O paradoxo do aquecimento é que, conforme o gelo derrete, o Oceano Ártico se abre à navegação e viabiliza a exploração de riquezas até então intocadas. Estima-se que a região concentre 13% das reservas de petróleo e 30% de todo o gás natural do planeta. Cinco países que fazem fronteira com o Círculo Polar Ártico (Estados Unidos, Canadá, Rússia, Noruega e Dinamarca) disputam o controle desses recursos. Construídos especialmente para a travessia de águas repletas de icebergs e blocos de gelo, os navios MV Beluga Fraternity e MV Beluga Foresight saíram em julho do Porto de Ulsan, na Coreia do Sul, levando 3 500 toneladas de materiais de construção para uma termelétrica na Sibéria. Se usassem a rota habitual, atravessando o Canal de Suez, no Egito, os barcos percorreriam 20 000 quilômetros até o Porto de Roterdã, na Holanda, o destino final das embarcações. A opção pela Passagem Nordeste fez com que a distância encolhesse 26% – o que representa uma economia de combustível de 100 000 dólares por navio.

A empresa alemã Beluga, dona dos navios que cruzaram a Passagem Nordeste, já anunciou que vai mandar outros dois barcos para fazer o mesmo trajeto no ano que vem. Ainda levará tempo até que a rota seja considerada uma opção confiável para todos os tipos de cargueiro. Mesmo com cascos reforçados para transitar num mar repleto de placas de gelo, os navios alemães foram acompanhados, por precaução, por pelo menos um quebra-gelo russo. Os cargueiros tiveram de parar por alguns dias no Estreito de Vilkitsky, o ponto mais ao norte da rota, até encontrar um trecho não coberto por gelo para poder seguir viagem. Apesar da mudança do clima, a região só é navegável durante três ou quatro semanas por ano. Devido às condições climáticas adversas e às placas de gelo de centenas de quilômetros que flutuam no oceano, a viagem continua uma aventura imprevisível.
Johnny Johnson/Getty Images

Pouco espaço para caçar
A população de ursos-polares pode cair a um terço da atual até 2050

Fonte: Veja






sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Derretimento no Ártico afeta o mundo inteiro

Por Stephen Leahy, da IPS 
Genebra, 03/09/2009 - A cada vez mais quente região polar do Ártico está desestabilizando o clima da Terra de forma que a ciência apenas começa a entender. O mundo inteiro está sendo afetado e, sem medidas urgentes para reduzir as emissões de gases de efeito estufa pode haver uma catastrófica e irreversível mudança climática, alertam destacados cientistas em um relatório apresentado ontem nesta cidade suíça.

"É fundamental conhecer as consequências do aquecimento do Ártico, e esta é uma revisão sem precedentes” sobre o tema, disse à IPS Martin Sommerkorn, pesquisador e consultor em matéria de alterações climáticas do Fundo Mundial para a Natureza.
"Simplificando: se não mantivermos o Ártico suficientemente frio, em todo o mundo as pessoas vão sofrer as consequências", resumiu. O aumento superior às extremas alterações climáticas um metro no nível do mar, inundações que afetam um quarto da população e as extremas alterações climáticas é o que nos espera se for mantido o ritmo atual de emissões, alerta o relatório "Reações climáticas do Ártico: implicações globais".

O aquecimento do Ártico pode ter consequências mais amplas e mais graves do que se acredita, como indicado pelas pesquisas científicas nos últimos três anos, incluindo o próprio estudo do Ano Polar Internacional 2008-2009. "Há uma grande possibilidade de um Ártico aquecido agravar a mudança climática”, disse Sommerkorn, que foi o editor do relatório, elaborado por 10 dos principais especialistas em clima do mundo. As regiões polares são fundamentais para o clima do planeta. Nos últimos 40 anos, o Ártico começou a derreter e as temperaturas a aumentar a um ritmo duas vezes maior do que em qualquer outro lugar do mundo.

A cada verão boreal, o congelado oceano Ártico está derretendo mais e mais, e poderá ficar sem gelo em menos de uma década. Como aconteceria ao abrir a janela de um quarto durante o inverno, os que estão mais próximos seriam os mais afetados, mas, mesmo os mais afastados sofrerão as consequências. O relatório prevê mudanças na temperatura e nos padrões de precipitação na Europa e América do Norte, afetando agricultura, silvicultura e abastecimento de água. "As secas podeão ser pior na Califórnia e no sudoeste norte-americano. Os invernos podem ser mais úmidos no mar Mediterrâneo e mais secos na Escandinávia, se prosseguir o aquecimento no Ártico", disse Sommerkorn, radicado em Oslo.

Mais alarmante é a probabilidade de que um Ártico mais quente emita grandes quantidades de carbono e metano atualmente abrigados nos solos congelado chamado permafrost, que contêm pelo menos três vezes mais carbono do que o existente na atmosfera. Os níveis atmosféricos de metano, um gás de estufa particularmente potente, aumentou ao longo dos últimos dois anos, e este aumento seria resultado de um aquecimento do permafrost.
O relatório mostra que os primeiros dois ou três metros de gelo permanente ao longo da região do Ártico provavelmente derreterão até 2100. A quantidade de carbono e de metano que pode ser liberada é desconhecida, mas seria mais do que suficiente para elevar a temperatura global ainda mais. "Nós já estamos vendo o derretimento do permafrost em muitas partes do Ártico", disse Sommerkorn.

Pior ainda é a libertação potencial de vastos depósitos de hidratos de metano (gás natural congelado) sob o oceano Ártico. Em ambientes muito frios ou de alta pressão, as moléculas de metano são presas na água congelada. Quando esta se aquece, o gelo se decompõe e libera o gás. Se for aceso um fósforo sobre o gelo, este literalmente queimará. O metano já está saindo à superfície na costa da leste da Sibéria, de acordo com pesquisas recentes. Esta água, com menos de 50 metros de profundidade, pode superaquecer e liberar metano, embora isto ainda não tenha sido confirmado.

“O que sabemos é que os níveis mundiais de metano aumentaram nos últimos dois ou três anos”, disse Sommerkorn. E as temperaturas no leste siberiano agora estão muito perto das necessárias para que os hidratos derretam. No mês passado, outros pesquisadores descobriram 250 colunas de gás metano saindo do solo marítimo a oeste do arquipélago de Svalbard, no norte da Noruega.

O que o informe não deixa claro se o que acontece no Ártico afeta o resto do mundo, disse o coautor do trabalho, Mark Serreze, pesquisador do Centro Nacional de Informação sobre Neve e Gelo do Estado norte-americano do Colorado. “As mudanças que vivemos não são totalmente inesperadas. Simplesmente estão ocorrendo mais cedo”, afirmou à IPS. Se grandes áreas de permafrost começarem a derreter, “será uma péssima notícia para a humanidade”, ressaltou. “O mundo é um lugar muito pequeno e não fomos bons administradores. A mudança climática é um sintoma desta pobre administração”, disse Serreze.

O informe cobra ações urgentes, como estabelece um teto mundial para as emissões de carbono entre 2013 e 2017 para manter o aquecimento do planeta abaixo dos dois graus centígrados. Isto implica que os países industrializados devem reduzir suas emissões em pelo menos 40$ até 2020 em relação às suas emissões em 1990, e os do Sul em desenvolvimento 30%. “As reduções necessárias são um grande desafio”, reconheceu Sommerkorn.

Porém, os líderes não deveriam duvidar porque proteger o meio ambiente também é uma solução para a crise econômica e a única via para um futuro sustentável, concordam os especialistas. O tratado sobre mudança climática que será negociado em dezembro, em Copenhague, deve responder à urgência exposta no relatório, ressaltaram. IPS/Envolverde

(Envolverde/IPS)

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Temperatura no Ártico atinge nível recorde

A temperatura atmosférica ártica atingiu um novo recorde para o outono, devido à perda de enormes volumes de gelo numa região que há décadas sofre com o aquecimento, segundo relatório anual divulgado na quinta-feira (16) pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA).

A temperatura chega a ser 5 graus Celsius superior à média dos outonos árticos, porque sem a proteção do gelo a luz solar aquece mais o oceano.

O aquecimento do ar e do mar pode afetar os ecossistemas e reduzir a quantidade de gelo que sobra no verão seguinte, segundo o estudo, que dá mais uma pincelada sombria num quadro já bastante dramático dos efeitos das mudanças climáticas sobre a região.

O estudo diz ainda que manadas de renas e alces parecem estar encolhendo, e que o gelo na superfície da Groenlândia também está sendo afetado.

"As mudanças no Ártico demonstram um efeito-dominó de causas múltiplas mais claramente do que em outras regiões", disse em nota um dos autores do relatório, o oceanógrafo James Overland, do Laboratório Ambiental Marinho do Pacífico, ligado ao NOAA, em Seattle.

"É um sistema delicado e frequentemente reflete mudanças de forma relativamente rápida e dramática", acrescentou.

O Centro Nacional de Dados da Neve e do Gelo, ligado à Universidade do Colorado, informou em setembro que o gelo do Ártico havia caído neste verão para o seu segundo menor nível.

Esses pesquisadores dizem que a temporada de 2008 reforça a tendência de degelo vista nos últimos 30 anos no Ártico. A atual extensão está 34 por cento menor do que na média de 1979 a 2000, embora supere em 9 por cento o recorde negativo de 2007, o ano mais quente já registrado na região.

Fonte: Estadão Online

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Ártico perdeu gelo em velocidade recorde em 2008, diz Nasa

Imagens de satélite da Nasa mostram que, durante um intervalo de quatro semanas em agosto deste ano, o gelo sobre o Oceano Ártico derreteu-se mais depressa do que em qualquer outra época registrada. A perda total de gelo deste ano foi a segunda maior desde o início das observações por satélite. O recorde ocorreu em 2007.

A cada ano, no verão boreal, o gelo sobre o mar no Ártico se derrete, atingindo o menor nível anual. O gelo que permanece, ou "gelo perene", tem sobrevivido ano após ano e contém gelo antigo e mais espesso. A área total de oceano coberta por gelo, incluindo sazonal e perene, vem sofrendo nos últimos anos, á medida que o derretimento acelera. No ritmo atual, cientistas acreditam que todo o gelo ártico poderá desaparecer neste século.

"Não esperava que a cobertura de gelo ao final do verão deste ano ficasse tão ruim quanto a de 2007, porque o gelo do inverno foi quase normal", disse o pesquisador Joey Comiso, do Centro de Vôo Espacial Goddard, da Nasa.

"Vimos um bocado de resfriamento no Ártico que acreditamos estar associado ao La Niña. O gelo sobre o mar no Canadá recuperou-se e até se expandiu no Estreito de Bering e BA Baía Baffin. No geral, foi um bom sinal de que este ano não será tão ruim quanto o ano passado", afirmou.

Mas o mínimo de gelo de 2008 só ficou atrás do de 2007, de acordo com nota conjunta da Nasa e do Centro de Dados de gelo e Neve da Universidade de Colorado. Em 12 de setembro de 2008, a extensão do gelo era de 4,5 milhões de quilômetros quadrados, abaixo da média mínima entre 1979 e 2000.

O quase-recorde de 2008 foi impulsionado, entre outros fatores, por um período de um mês que assistiu à mais rápida taxa de perda de gelo já registrada. De 1º a 31 de agosto, dados da Nasa mostram que a área coberta de gelo caiu ao ritmo de quase 85 mil quilômetros quadrados ao dia, ante a taxa diária para o mês de 63 mil, em 2007.

(Fonte: Estadão Online)

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Aquecimento faz Ártico liberar metano, dizem cientistas

Cientistas que viajam a bordo de um navio russo dizem ter provas de que milhões de toneladas de metano, um gás do efeito estufa vinte vezes mais potente que o dióxido de carbono, está escapando para a atmosfera a partir das profundezas do Oceano Ártico.

Depósitos de metano aprisionado nas profundezas emergem sob a forma de grandes bolhas, fenômeno que coincide com o aquecimento da região e o desaparecimento das capas de gelo que cobriam as águas da região, diz informe divulgado pelo jornal britânico The Independent.

Os depósitos de metano são importantes porque cientistas acreditam que, no passado, uma liberação semelhante teria sido responsável por uma elevação rápida das temperaturas, mudanças climáticas abruptas e extinções em massa, diz o jornal.

Cientistas que percorreram toda a costa norte da Rússia descobriram grandes concentrações de metano em várias regiões que cobrem milhares de quilômetros quadrados da plataforma continental siberiana.

Recentemente foram avistadas bolhas na superfície do mar, produzidas por "chaminés de metano".

Os especialistas acreditam que isso se deve ao derretimento das camadas de solo congelado que impediam o metano de escapar dos depósitos submarinos. Há o temor de que a liberação maciça desse metano venha a acelerar o aquecimento global e gerar um círculo vicioso, no qual as temperaturas maiores aumentariam o derretimento do solo, liberando mais metano, que aceleraria o aquecimento.

A quantia de metano depositada sob o Ártico pode superar o carbono armazenado nas reservas mundiais de carvão.

O pesquisador Örjan Gustafsson, da Universidade de Estocolmo, um dos chefes da equipe científica do navio Jacob Smirnitskyi, disse ter descoberto o primeiro campo em que a liberação de metano é tão intensa que o gás não tinha tempo de dissolver-se na água do mar, emergindo em grandes bolhas.

(Fonte: Estadão Online)

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Cobertura de gelo no Oceano Ártico chega ao 'limite'

A notícia, divulgada da quarta-feira (27) de que a cobertura de gelo sobre o Oceano Ártico está no segundo menor nível dos últimos 30 anos levou vários especialistas a afirmar que a região está chegando "ao limite".

Dados levantados por um órgão do governo americano indicam que o gelo, agora, cobre 5,2 milhões de quilômetros. O ponto mais baixo já registrado desde o início das leituras por satélite, em 1979, foi 4,2 milhões de quilômetros quadrados, em setembro de 2007. O verão ártico ainda durará mais três semanas, o que sugere que o recorde será quebrado neste ano.

O gelo do Ártico sempre derrete no verão e volta a congelar no inverno. Mas, ao longo dos anos, cada vez mais gelo se perde para o oceano e menos volta a congelar depois. Enquanto o gelo reflete o calor do Sol de volta ao espaço, o mar aberto absorve mais calor, acelerando o aquecimento global em outras partes do mundo.

O gelo do mar também é um importante habitat para os ursos polares.

"Podemos muito bem estar rolando ladeira abaixo, rumo ao ponto de virada", disse o cientista Mark Serreze. "Está virando agora. Estamos vendo acontecer".

Dentro de "cinco a menos de dez anos" o ártico poderá estar livre de gelo sobre o mar no verão, disse o cientista Jay Zwally, da Nasa. "Isso também significa que o aquecimento global vai chegar mais depressa e em maior intensidade do que os modelos estão prevendo, e ninguém ainda levou isso em consideração", disse ele.

Cinco cientistas especializados em clima ouvidos pela Associated Press disseram que é correto chamar o que ocorre agora no Ártico de "ponto de virada". (Fonte: Estadão Online)

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Geleira do Ártico atinge 2º menor nível já registrado

Novas medições de satélite apontam que uma importante geleira no Oceano Ártico reduziu seu tamanho para o segundo menor nível já registrado. O Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo anunciou na quarta-feira (27) que o bloco mede 5,2 milhões de quilômetros quadrados. Nas próximas semanas, seu tamanho pode diminuir ainda mais. O menor nível já registrado para essa importante geleira foi de 4,2 milhões de quilômetros quadrados.

O gelo do Ártico sempre derrete no verão e congela novamente no inverno. Porém, nos últimos anos, mais e mais gelo tem sido perdido para o mar e não mais recuperado na estação fria. O fenômeno é importante, pois o Ártico funciona como uma espécie de geladeira do planeta. (Fonte: Estadão Online)

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Expedição acha rachaduras em área de 16 km no Ártico

Uma expedição organizada por militares do Canadá no norte do país descobriu uma série de grandes rachaduras no gelo do Ártico, reforçando a preocupação dos cientistas com os efeitos do aquecimento global. em 2007.

A expedição encontrou as rachaduras distribuídas em uma área de 16 km em uma região de gelo chamada Ward Hunt.

Um dos cientistas que participou da expedição, Derek Mueller, disse ter ficado "desconcertado" com a descoberta.

"Elas (as rachaduras) significam que a camada de gelo está se desintegrando, os pedaços estão unidos como um quebra-cabeças, mas podem se separar e sair flutuando", disse o estudioso da Trent University, da Província canadense de Ontário.

Outro cientista, Luke Copland, da Universidade de Ottawa, disse que as novas rachaduras ecoam as mudanças que vêm ocorrendo no Ártico.

"Estamos testemunhando mudanças bastante dramáticas, da diminuição dos glaciares ao derretimento do mar de gelo (no Ártico)", explicou.

"Nós tivemos um mar de gelo (no Ártico) 23% menor no ano passado em relação ao que costumávamos ter, e o que está acontecendo nos glaciares é parte desse fenômeno."

Verão

Depois do derretimento recorde no ano passado, os cientistas estão agora na expectativa quanto ao que acontecerá no Ártico neste verão no hemisfério norte (inverno no Brasil).

Embora o alcance máximo da camada de gelo na região tenha sido um pouco maior neste inverno do que no ano passado, sua área ainda foi menor do que a média.

Ao contrário do que acontece na região do pólo sul, onde o gelo cresce sobre a terra do Continente Antártico, boa parte do gelo do ártico se forma no mar.

As rápidas mudanças no Ártico estimularam a retomada da disputa entre os diversos países que reclamam soberania pela região.

A expedição canadense foi apelidada de "patrulha de soberania" e incluía snowmobiles (veículos para locomoção na neve) com bandeiras canadenses.
(Fonte: G1)

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Ártico derrete "muito mais rápido" que o previsto, diz WWF

O derretimento das geleiras no Ártico acontece "muito mais rápido" que o previsto até então e se aproxima do "ponto de não retorno", segundo um estudo publicado nesta quinta-feira pelo WWF (Fundo Mundial para a Natureza).

A calota glacial da Groelândia, com o volume atual estimado em 2,9 milhões de metros cúbicos, e as geleiras do Oceano Ártico, avaliadas em 4,4 milhões de metros cúbicos em setembro de 2007, estão nos níveis mais baixos jamais observados, segundo a organização.

O volume das camadas de gelo do oceano conheceu uma redução de 39% em relação ao volume médio observado de 1979 a 2000.

"As mudanças recentes constatadas no Ártico se produzem a uma taxa muito mais rápida que o previsto", pela Avaliação dos impactos da Mudança Climática no Ártico, publicada em 2005, e o relatório do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas de 2007, conclui o WWF.

O derretimento da calota glacial da Groenlândia e da cobertura glacial do Ártico está próxima do "ponto de não retorno", além do que a situação será irreversível, estima a organização internacional.

Ponto crítico - "Quando analisamos detalhadamente as pesquisas científicas sobre as recentes mudanças no Ártico torna-se dolorosamente claro que nossa compreensão do impacto do aquecimento climático está a reboque das mudanças observadas no Ártico", declarou Martin Sommerkorn, um dos autores do relatório.

O WWF publica seu estudo por ocasião de uma reunião do Conselho do Ártico, uma organização que reúne os países nórdicos (Estados Unidos, Rússia, Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia), nesta quinta-feira (24) nas ilhas Lofoten, na Noruega.

Os cientistas da WWF alertam para o desaparecimento dos ursos polares do Canadá, onde vivem dois terços da população mundial dessa espécie.

"Estudos anteriores prevêem que o derretimento das geleiras nos mares do norte levaria à extinção de algumas populações de ursos polares por volta de 2050. Mas novos elementos destacam que a extinção em algumas regiões poderia acontecer mais rapidamente", destaca Peter Ewins, diretor da conservação das espécies da WWF-Canadá. (Fonte: Folha Online)

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Ártico derrete "muito mais rápido" que o previsto, diz WWF

da France Presse, em Montreal (Canadá)

O derretimento das geleiras no Ártico acontece "muito mais rápido" que o previsto até então e se aproxima do "ponto de não retorno", segundo um estudo publicado nesta quinta-feira pelo WWF (Fundo Mundial para a Natureza).

A calota glacial da Groelândia, com o volume atual estimado em 2,9 milhões de metros cúbicos, e as geleiras do Oceano Ártico, avaliadas em 4,4 milhões de metros cúbicos em setembro de 2007, estão nos níveis mais baixos jamais observados, segundo a organização.

O volume das camadas de gelo do oceano conheceu uma redução de 39% em relação ao volume médio observado de 1979 a 2000.

"As mudanças recentes constatadas no Ártico se produzem a uma taxa muito mais rápida que o previsto", pela Avaliação dos impactos da Mudança Climática no Ártico, publicada em 2005, e o relatório do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas de 2007, conclui o WWF.

O derretimento da calota glacial da Groenlândia e da cobertura glacial do Ártico está próxima do "ponto de não retorno", além do que a situação será irreversível, estima a organização internacional.

Ponto crítico

"Quando analisamos detalhadamente as pesquisas científicas sobre as recentes mudanças no Ártico torna-se dolorosamente claro que nossa compreensão do impacto do aquecimento climático está a reboque das mudanças observadas no Ártico", declarou Martin Sommerkorn, um dos autores do relatório.

O WWF publica seu estudo por ocasião de uma reunião do Conselho do Ártico, uma organização que reúne os países nórdicos (Estados Unidos, Rússia, Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia), nesta quinta-feira nas ilhas Lofoten, na Noruega.

Os cientistas da WWF alertam para o desaparecimento dos ursos polares do Canadá, onde vivem dois terços da população mundial dessa espécie.

"Estudos anteriores prevêem que o derretimento das geleiras nos mares do norte levaria à extinção de algumas populações de ursos polares por volta de 2050. Mas novos elementos destacam que a extinção em algumas regiões poderia acontecer mais rapidamente", destaca Peter Ewins, diretor da conservação das espécies da WWF-Canadá.

Fonte: Folha Online

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Nasa inicia estudo de mudança climática e poluição no Ártico

A Nasa, a agência espacial americana, iniciará nesta semana o estudo dos componentes da atmosfera sob o Ártico para identificar como a poluição do ar contribui à mudança climática na região, informou nesta quarta-feira (02) o Laboratório de Propulsão a Jato (JPL, na sigla em inglês).

A campanha começará em Fairbanks (Alasca), de onde decolarão um DC-8 e um B-200 da Nasa que durante três semanas se transformarão em laboratórios voadores, disse o organismo da agência em comunicado.

Os instrumentos instalados em ambos os aviões medirão os gases e aerossóis que contribuem para a poluição do ar, assim como a radiação solar.

O JPL indicou que o ponto central do estudo será a formação da bruma do Ártico, que reflete as reações químicas dos poluentes acumulados durante o inverno após se deslocar das latitudes inferiores.

Segundo o comunicado do laboratório, a recente redução da plataforma de gelo é um dos indicadores de que o Ártico passa por grandes mudanças ambientais vinculadas ao aquecimento global.

A Nasa e seus parceiros planejam estudar o papel desempenhado pela atmosfera nesta delicada região com a campanha chamada Pesquisa Ártica da Troposfera desde Aviões e Satélites (ARCTAS, na sigla em inglês), acrescentou.

"É importante que vamos ao Ártico para compreender a contribuição atmosférica ao aquecimento e em um lugar que está mudando rapidamente", disse Jim Crawford, diretor do Programa de Química Troposférica da Nasa.

"Estamos em posição de fornecer a mais completa caracterização que se tenha até agora de uma região que quase nunca é observada, mas que é crucial para entender a mudança climática", acrescentou.

Segundo Daniel Jacob, cientista do projeto ARCTAS na Universidade de Harvard, o Ártico é "representativo da mudança global" e ainda se desconhecem "os processos que estão impulsionando essa mudança".

"Precisamos ter um melhor conhecimento e é por isso que vamos para lá", acrescentou.

De acordo com Hanwant Singh, cientista do ARCTAS no Centro Ames de Pesquisas da Nasa, um dos problemas é que até agora não foi feito qualquer estudo integral sobre o deslocamento dos poluentes na atmosfera.

"Podemos ver a bruma ártica, mas desconhecemos sua composição ou como foi formada. Um objetivo do ARCTAS é fornecer um conhecimento completo sobre a composição de aerossóis, a química e os efeitos climáticos na região ártica", acrescentou.

As observações dos aviões também ajudarão os cientistas a interpretar dados oferecidos pelos satélites da Nasa que realizam órbitas sobre o Ártico.

Estes incluem o satélite Aura, que conta com um Espectrômetro de Emissão Troposférica, e o satélite Pathfinder, de observação em infravermelho de nuvens e aerossóis.

Os dados transmitidos por esses satélites serão comparados com os dos aviões para reduzir ao máximo as margens de erro, assinalaram fontes de JPL.

Eles explicaram que a interpretação da informação fornecida pelos satélites pode ser difícil no Ártico devido à camada permanente de nuvens, aos reflexos da neve e ao gelo, assim como às frias temperaturas na superfície.

"A Nasa investiu grandes recursos em satélites que podem ser úteis no diagnóstico dos efeitos da mudança climática", assinalou Jacob.

"Os satélites passam sobre os pólos em sua órbita e tem boa cobertura, mas são necessárias as observações dos aviões para apoiá-las", acrescentou.
(Fonte: Portal G1)

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Satélites da Nasa detectam mudança radical de correntes no Ártico

Cientistas detectaram uma profunda alteração nas correntes do oceano Ártico, causada por novas condições atmosféricas e não pela mudança climática dos últimos anos, revelou na terça-feira (13) o Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa.

A modificação no curso das correntes foi detectada na análise dos dados fornecidos entre 2002 e 2006 por um satélite da Nasa e dispositivos para medir as pressões submarinas, disse o JPL em comunicado. "Os resultados sugerem que nem todas as grandes mudanças detectadas no Ártico nos últimos anos são resultado das tendências a longo prazo vinculadas com o aquecimento global", disse o JPL.

As mudanças foram descobertas em colunas de água medidas da superfície até o fundo do mar. Numa pesquisa publicada na revista "Geophysical Research Letters", os autores do estudo atribuem a mudança total de sentido das correntes a um enfraquecimento da "Oscilação Ártica", um padrão de circulação atmosférica no hemisfério Norte.

Segundo o trabalho, o enfraquecimento da oscilação reduziu a salinidade nas camadas superiores do mar no Pólo Norte, diminuindo sua densidade e modificando a circulação. "Nosso estudo confirma que muitas mudanças detectadas na circulação do Ártico superior na década de 1990 foram periódicas e não resultado do aquecimento global", disse James Morison, do Centro de Ciências Polares do Laboratório de Física Aplicada da Universidade de Washington.

No entanto, o cientista advertiu que a maioria dos modelos climáticos prevê que a Oscilação Ártica será mais forte no futuro. "O que vimos pode muito bem ser uma antecipação da forma como o Ártico responderá a períodos mais prolongados de aumento das temperaturas", observou. (Globo Online)