Mostrando postagens com marcador Desertificação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Desertificação. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Clima: Seca afeta 90% do território argentino

Por Marcela Valente, da IPS

Buenos Aires, 12/11/2009 – Centenas de milhares de animais mortos, incêndios florestais, restrições drásticas ao consumo de água e enfrentamentos entre populações pelo acesso a este recurso fundamental são as faces mais dramáticas da persistente seca que afeta, em diferentes graus, 90% do território argentino. A localidade de tostado, na província de Santa Fé (leste do país), é um dos focos mais complicados. Nos últimos dois anos, as altas temperaturas e a falta de chuva provocaram um extermínio silencioso do gado e levou à bancarrota pequenos e médios produtores agropecuários.

“Em nossa região o regime habitual de chuvas está entre 800 e 900 milimietros por ano, mas em 2008 caiu para 344 mm e em 2009 não chegamos a 340m”, disse à IPS Felipe Brizuela, veterinário e presidente do Conselho Econômico Regional de Tostado. “Tínhamos 974 mil cabeças de gado somente no departamento de 9 de Julho, agora não chegamos a 500 mil. Temos uma represa muito precária e nos abastecemos do rio Salado”, mas a vizinha província de Santiago del Estero que controla o rio “cortou quase todo fornecimento e em 10 dias ficamos sem água”, acrescentou.

Santa Fé e Santiago del Estero têm um acordo pelo qual a segunda fornece aos departamentos da região noroeste da primeira três metros cúbicos por segundo de água do rio Salado através de um precário aqueduto. Mas nas últimas semanas, o fornecimento caiu pela metade. A restrição é porque em Santiago del Estero a água também escasseia, e se as autoridades aumentam o fornecimento para Santa Fé podem causar uma catástrofe entre os pequenos produtores que vivem de seus cultivos.

Para o intendente de Tostado, Enrique Fedele, a situação é dramática. Ele disse que foram perdidos dois terços do gado e o desemprego chegou a 50% da população economicamente ativa da região. O município declarou este mês “emergência social”. À falta de água soma-se um calor insuportável, com temperaturas que chegaram a 45 graus. “É duríssimo. Tinha cem cavalos e só me restam 15, perdi as vacas, os cabritos, os bodes”, contou à IPS Armando Bustos, produtor da região de Tostado. “Não penso em me matar porque gosto da vida, mas quatro produtores daqui já se suicidaram porque lhes restavam pouquíssimos animais”, assegurou.

Segundo dados do Laboratório Climático Sul-americano, quase 90% do território argentino estão prejudicados, em maior ou menor média, pela escassez de chuvas. O Serviço Meteorológico Nacional informou que, neste ano, a temperatura máxima esteve entre um e dois graus acima da média. Os especialistas explicam que a forte seca é consequência de El Niño, a fase quente da chamada Oscilação do Sul, produzida pelo aumento da temperatura superficial da água nas áreas oriental e central do oceano Pacífico equatorial. Esse fenômeno climatológico cíclico causa significativos efeitos climáticos regionais observados em grande parte do mundo.

Um informe do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (Inta) indica que dos 32 milhões de hectares aptos para semear existentes no país, cerca de um terço estaria sofrendo o impacto da seca. As províncias mais afetadas são nove. Trata-se de uma faixa que se estende pelo centro do país e afeta Chaco, sobretudo o oeste desse território; Santiago del EStero e Tucumán, no leste de La Rioja e Catamarca; quase toda Córdoba; norte de Santa Fé e leste de La Pampa e de Buenos Aires.

Em alguns pontos, as autoridades declararam emergência hídrica e restringiram o consumo de água pro meio de cortes programados. Em localidades de Córdoba e San Luis consome-se água não potável, o que causou aumento de casos de gastroenterite e outros problemas vinculados à água contaminada. A oeste de Chaco, os animais morrem às centenas por dia. Neste ano já se perdeu 200 mil bovinos, segundo as autoridades provinciais. Ali a seca persiste há quatro anos e muitos produtores, já quebrados, tiveram de emigrar para as cidades.

Em San Luis, Córdoba, Catamarca e La Rioja a seca causou incêndios florestais. Apenas em Córdoba foram perdidos 300 mil hectares neste ano. A escassez já provoca conflitos entre as localidades desta província. Esta semana, moradores da cidade de Salsipuedes protagonizaram incidentes por causa da distribuição de água. As autoridades ordenaram levar água em caminhos-tanque com custódia policial. O conflito surge porque centenas de moradores de outras localidades próximas lutam para também se abastecerem das mesmas camadas de água suficientes para apenas 12 mil habitantes.

As autoridades de Salsipuedes alertaram que, diante do aumento da demanda, a região pode ficar sem água em duas semanas. A cidade tem 13 poços de captação, dos quais oito estão secos e o restante tem apenas 35% de sua capacidade habitual. Em Villa Carlos Paz, outra localidade de Córdoba, a falta de água pode ser observada na dramática redução do dique La Quebrada, que abastece a cidade. O nível normal é de 34 metros, mas nos últimos dias caiu para 23 metros. E o nível do lago San Roque, que abastece a capital da província baixou sete metros.

Fonte: IPS

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Minc afirma que combate à desertificação é prioridade

Por Redação do MMA

O combate à desertificação é uma das prioridades do Ministério do Meio Ambiente. A afirmação foi feita pelo ministro Carlos Minc, durante a I Conferência sobre Mudanças Climáticas: Implicações para o Nordeste, que ocorreu nesta quarta-feira (26), no Centro de Treinamento Passaré, em Fortaleza, Ceará. No evento, que encerrou o II Seminário sobre Mudanças Climáticas: Implicações para o Nordeste, iniciado na última segunda-feira, o ministro recebeu a "Carta de Fortaleza", um documento feito pelos especialistas presentes ao seminário, contendo sugestões de políticas públicas a serem adotadas para enfrentamento do problema.

De posse do documento, Minc frisou que, além dos convênios e parcerias que estão sendo fechados com os governos dos estados nordestinos, espera a aprovação do Fundo Nacional de Mudanças Climáticas, que destinará R$ 300 milhões à mitigação do problema. "Deste total, entre 60% e 70% serão destinados ao Nordeste. Não somos um ministério conhecido como samba de uma nota só. A resolução das questões da desertificação, da água e do Rio São Francisco é uma meta, que tenho certeza será alcançada", disse.

Resultado da reunião de mais de 50 especialistas em semi-árido, entre cientistas, técnicos de governo, especialistas em clima e desenvolvimento regional, a Carta de Fortaleza aponta para a ocorrência de temperaturas mais altas na Região Nordeste em função das mudanças climáticas. Isso implicaria em déficit hídrico, menor umidade do solo e maiores índices de aridez. As secas e as enchentes deverão ficar mais freqüentes e intensas. Haverá, por outro lado, a maior ocorrência de veranicos e certas áreas hoje caracterizadas como "sub-úmidas secas" podem passar a semi-áridas e as semi-áridas a áridas.

Por conta disso, atividades econômicas serão afetadas - com destaque para a agricultura, a mineração, a pecuária, a hidroenergia e o turismo. A perda de solos e biodiversidade será acelerada. Na ausência de esforços eficazes para a adaptação ao novo clima, o abastecimento de água limpa sofrerá impacto significativo. O êxodo rural para as cidades aumentará, assim como a pobreza e a fome.

O documento recomenda o fomento ao desenvolvimento sustentável do Nordeste. Serão exigidos grandes esforços de adaptação, sobretudo dos pobres e, por isso, faz-se necessário fortalecer a capacidade de adaptação por meio da educação e da capacitação profissional. Além disso, é necessário ter instituições públicas fortes, gestão de recursos hídricos e naturais, serviços de saúde eficazes e educação de qualidade. A disseminação de informação sobre o tema e suas implicações também foi apontado como necessária e, para isso, o envolvimento da mídia foi considerado fundamental.

O seminário e a conferência contaram com o apoio da Embaixada do Reino Unido, Banco do Nordeste do Brasil, da Fundação Esquel Brasil e Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).


Fonte: Envolverde/MMA

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Países árabes e sul-americanos discutem desertificação em Recife

Por Daniela Mendes, do MMA

De 20 a 22 de agosto, Recife (PE) sediará um encontro de especialistas em recursos hídricos e desertificação da Cúpula da América do Sul-Países Árabes (Aspa) e da União dos Países da América do Sul (Unisul). Esse encontro também será preparatório para a II Reunião de Ministros de Meio Ambiente da Aspa que será realizada em Riade, na Arábia Saudita, em novembro. A abertura será às 18h no hotel Atlante Plaza e contará com a presença de autoridades dos governos do estado e federal.

De acordo com José Roberto Lima, coordenador do Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação do Ministério do Meio Ambiente, o principal objetivo do encontro é tentar fechar uma cooperação no âmbito dos dois blocos (Aspa e Unisul) na área de desertificação e recursos hídricos.

"A idéia é que seja uma proposta semelhante ao que está sendo desenvolvida, sob coordenação do Brasil, com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, a CPLP. Estabelecendo ações, metas para combater problemas que todos os países têm como a fome, a queda de produção agrícola, o aumento das áreas impactadas pela seca", explicou Lima.

Na pauta de discussões de Recife também estão as propostas do Plano Executivo Bienal 2008-2009 para implementar as decisões da I Reunião de Ministros de Meio Ambiente da Aspa, além da criação do Comitê de Cooperação Ambiental. Esses dois assuntos serão encaminhados para a reunião de Riade com a expectativa de que a Cúpula aprove as deliberações de Recife.

A primeira Reunião de Ministros de Meio Ambiente da Aspa foi realizada em Nairóbi (Quênia), em fevereiro de 2007, durante a reunião do conselho de administração do Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente). O principal resultado daquele encontro foi a elaboração de um comunicado conjunto definindo áreas de interesse para uma possível cooperação regional. Entre elas agricultura irrigada, biotecnologia, reuso da água e energia renovável.

Sobre a Aspa - Proposta pelo presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva em 2003 e formalizada em maio de 2005, durante a Conferência de Chefes de Estado e de Governo, a I Cúpula da Aspa, em Brasília, teve por objetivo aproximar os líderes políticos de duas regiões com afinidades políticas, econômicas, históricas e culturais.

As razões para a convocação da Cúpula foram, entre outras, a presença de grande comunidade de origem árabe na América do Sul, particularmente no Brasil, e de sul-americanos nos países árabes (em especial, brasileiros no Líbano), que podem formar a base para uma aproximação maior entre os povos.


(Envolverde/MMA)

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Agricultura sustentável é tema do Dia Mundial de Combate à Desertificação

Por Sabrina Domingos, do Carbono Brasil

“Combater a degradação da terra para uma agricultura sustentável” é o tema que a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD, sigla em inglês) escolheu este ano para marcar o Dia Mundial de Luta contra a Desertificação e a Seca, comemorado em 17 de junho.

A degradação da terra nas regiões áridas, semi-áridas e sub-úmidas secas é resultante de fatores como as variações climáticas e as atividades humanas. O aumento da população e, consequentemente, a maior demanda por alimentos, energias e outros recursos naturais causam impactos nessas regiões, provocando a deterioração dos solos, da vegetação e da biodiversidade.

Atualmente, a questão do uso da terra para produção de alimentos e/ou de energia tem se apresentado como um problema ambiental, social e econômico. No Brasil, a fronteira agrícola expande-se sem que haja o devido controle – e os resultados desse movimento são sentidos por todo o ecossistema.

O secretário-executivo da UNCCD, Luc Gnacadja, afirma que o tema deste ano sublinha a importância da terra e do seu manejo para uma das atividades mais significantes na nutrição da nossa civilização – a agricultura. “Relatórios sobre o aumento dos preços globais dos alimentos e as revoltas ocasionadas por essa alta destacam o desafio que o mundo enfrenta”, afirma ele, reforçando que o problema é agravado pelas dificuldades já existentes para se alcançar as Metas de Desenvolvimento do Milênio.

Da terra

Gnacadja entende que, embora os altos preços dos alimentos possam ser mitigados temporariamente pelas novas possibilidades de produção na agricultura, as causas que limitam o alcance de uma produção sustentável permanecem. “Com o aumento da população e da demanda por diversos tipos de produção agrícola, as tentativas insustentáveis de manejo da terra estão evidentemente fracassando”. Como prova disso ele aponta um estudo sobre mudanças climáticas que afirma que, até 2080, a capacidade de produção agrícola poderá ser reduzida em cerca de 16% caso se omita a fertilização por carbono; e em cerca de 3% se esta for incluída.

O uso não-sustentável da terra pode exacerbar o círculo vicioso da degradação do solo, da perda de biodiversidade e da mudança climática. A degradação da terra enfraquece a fertilização do solo, destrói o equilíbrio do ciclo da água e contribui para insegurança alimentar, fome e pobreza, assim como força a migração.

“Confrontar essa questão complexa requer uma resposta global para se elevar a produtividade de ecossistemas de terra e fazer da produção agrícola sustentável uma prioridade por meio de políticas que visem à adaptação dos mais pobres às mudanças climáticas e à proteção da biodiversidade”, avalia Gnacadja.

Ele ressalta que não se pode esquecer o papel fundamental da ciência e da tecnologia no combate à degradação do solo para uma agricultura sustentável. “Um dos caminhos é desenvolverem-se diretrizes e padrões para usos alternativos de produtos e serviços agrícolas, como a produção de biocombustíveis – que tem como alvo os meios de subsistência sustentáveis das pessoas mais vulneráveis em terras degradadas”.

Mundo seco

As Nações Unidas apontam para mais de 100 países afetados pela desertificação. Há desertos em toda a extensão do planeta: no México, cerca de 70% do território está vulnerável; enquanto a África possui uma expectativa de 25 milhões de refugiados até 2023. No Brasil, a região mais frágil é o semi-árido – onde vivem 15 milhões de brasileiros (10% dessa região são atingidos pelo fenômeno da desertificação, incluindo nove estados do Nordeste e o norte de Minas Gerais).

O processo de desertificação atinge diretamente mais de 250 milhões de pessoas em todo o mundo e ameaça os meios de subsistências de aproximadamente 1 bilhão de habitantes, podendo obrigar outros 135 milhões a abandonarem suas terras – principalmente os mais pobres.

Desde 1990, cerca de 6 milhões de hectares de terras produtivas foram perdidos por ano e a previsão é de que os custos para recuperação das áreas mais afetadas seja de 2 bilhões de dólares em 20 anos.

Alternativa orgânica

O combate à desertificação requer ações integradas. A Federação Internacional de Movimentos pela Agricultura Orgânica (Ifoam, sigla em inglês) conta com mais de 700 membros em mais de 100 países e está convencida de que a agricultura orgânica pode contribuir significativamente para mitigar e até mesmo reverter os impactos negativos do uso insustentável da terra e da desertificação.

A aplicação de técnicas próprias conhecidas como “windbreaks” ou “shelterbelts” (que protegem a plantação do vento e o solo da erosão); assim como a prática de reflorestamento, fazem da agricultura orgânica uma medida socioeconômica para se lidar com as questões de posse de terra e promover o desenvolvimento humano sustentável.

A agricultura orgânica ajuda a aumentar a fertilidade do solo, previne erosão provocada por vento ou chuva, melhora a infiltração e retenção da água e reduz o consumo de água pelo solo e sua contaminação - ações contribuem para trazer a terra de volta à vida.

O presidente da Ifoam, Gerald A. Hermann, enfatiza que as práticas de plantio que não cuidam do solo e de seus conteúdos orgânicos vivos prejudicam o principal recurso da agricultura – a terra.

A diretora-executiva da Federação, Angela B. Caudle de Freitas, sugere que governos, agências de desenvolvimento e proprietários promovam o uso da agricultura orgânica como forma de reverter a desertificação onde esse fenômeno já ocorre e também para prevenir a sua expansão.

(Envolverde/Carbono Brasil)

terça-feira, 3 de junho de 2008

Programa da CPLP para combate à desertificação terá 100 milhões de euros

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) assinaram um termo de cooperação, em maio passado, que destina, inicialmente, 100 milhões de euros para a formulação do Programa de Cooperação CPLP para o Combate à Desertificação. Essa iniciativa é resultado das discussões do Grupo de Trabalho de Combate à Desertificação coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente no âmbito da CPLP.

A expectativa é de que, com este programa, os países da CPLP implementem um programa de cooperação comunitária, desenvolvido de forma cooperativa e sinérgica, visando a implementação da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação.

Para o MMA, o Programa de Cooperação CPLP para o Combate à Desertificação representa um elemento essencial na luta contra a degradação das terras e melhoria das condições de vida das populações que habitam as zonas afetadas e terá papel importante na gestão e conservação dos recursos naturais auxiliando, também, no combate às alterações climáticas. (Fonte: MMA)

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Comissão sobre Desenvolvimento Sustentável da ONU discute desertificação

Comissão sobre Desenvolvimento Sustentável da ONU discute desertificação

Por Daniela Mendes, do MMA

O secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, representará a ministra Marina Silva na 16ª reunião do segmento ministerial da Comissão sobre Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), no dia 14 de maio, em Nova Iorque. Na pauta das discussões seca, desertificação, África, agricultura, terra e desenvolvimento rural.

Capobianco participará, ainda, da reunião de consulta informal sobre governança ambiental internacional no contexto do processo de reforma das Nações Unidas. A reunião, coordenada pela Costa Rica, será no dia 13 de maio, também na sede da ONU, com a participação de 35 países e cinco representantes de agências internacionais.

Esse encontro do dia 13 dá continuidade à reunião ocorrida no Rio de Janeiro, em setembro do ano passado, com ministros das Relações Exteriores e de Meio Ambiente de 22 países, com o objetivo de estimular uma maior articulação entre os governos para que se avance nas propostas relacionadas ao meio ambiente e à governança ambiental.

Entre as propostas debatidas no Rio estavam a necessidade de reforma urgente nas estruturas do atual sistema de governança ambiental global e da implementação efetiva dos acordos multilaterais, além da transferência de tecnologias entre os países e aporte de recursos adicionais para as estruturas que lidam com o meio ambiente.


(Envolverde/MMA)

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Ministra anuncia mudanças no MMA para priorizar combate à desertificação

Por Lucia Leão, do MMA

A ministra Marina Silva anuncia nesta segunda-feira (05), no pronunciamento que fez na solenidade de abertura do I Seminário Nacional de Combate à Desertificação, em Brasília, mudanças na estrutura da Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável (SEDR), que passará a se chamar Secretaria de Combate à Desertificação, Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável. Não será uma simples mudança de nome, mas para dar ênfase a como o tema deve ser tratado dentro da política ambiental do governo, destacou a ministra.

"Nos últimos cinco anos saímos praticamente do zero, em termos de estrutura dentro do Ministério do Meio Ambiente, para a criação de uma Secretaria que incluirá a Convenção sobre a Desertificação como parte do seu nome: Secretaria de Combate à Desertificação, Extrativismo e Desenvolvimento Sustentável. Isso para dar o tamanho e a dimensão do problema e da solução que precisamos construir", afirmou a ministra.

Das três convenções internacionais que tratam dos problemas ambientais decorrentes da ação humana que mais afetam o Planeta - a de Mudanças Climáticas, a da Biodiversidade e a da Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (UNCCD) - esta última, segundo Marina Silva, é ainda a que menos mobiliza a opinião pública e, em conseqüência, os governos. No entanto, ela já afeta diretamente mais de dois bilhões de pessoas, especialmente nas regiões mais pobres do Planeta.

"O Brasil tem uma região semi-árida com graves problemas e que será a mais afetada pelos efeitos da mudança do clima pela perda da biodiversidade. É necessário garantirmos recursos e comprometimento político para enfrentar esse problema, promovendo o desenvolvimento sustentável nessas regiões". A ministra alertou os delegados da necessidade de cobrar esse compromisso dos candidatos que disputarão as eleições municipais de outubro próximo.

O I Seminário de Combate à Desertificação, que prossegue até esta terça-feira (6), marca os quatro anos do Programa de Ação Nacional de Combate e Mitigação dos Efeitos da Seca - o PAN-Brasil - e deve tirar propostas que serão levadas à Conferência Nacional do Meio Ambiente, que acontecerá a partir da próxima quarta-feira (7), em Brasília. Os debates contemplarão os quatro eixos temáticos do Programa PAN-Brasil: redução da pobreza e da desigualdade; ampliação sustentável da capacidade produtiva; preservação, conservação e manejo sustentável dos recursos naturais; e gestão democrática e fortalecimento institucional.

Cerca de cem delegados dos nove estados nordestinos, de Minas e do Espírito Santo, que abrigam as Áreas Susceptíveis à Desertificação participam do encontro. Além de ministra, participaram da mesa de abertura do evento, o secretário Egon Krackecke; o presidente da Agência de Cooperação Brasil-Alemanha GTZ, financiadora do PAN-Brasil, Ulrich Krammenschneider; o representante do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Carlos Américo Basco; a representante do Banco do Nordeste, Mônica Farias; o oficial da UNCCD para a América Latina e Caribe, Heitor Matalo; o coordenador institucional da Articulação do Semi-Árido Brasileiro, João Evangelista dos Santos; o diretor adjunto do Instituto Nacional do Semi-Árido, Alverício Pereira de Andrade; e o diretor da Agência Nacional de Águas, Dalvino Franca.

Homenagens - No encerramento do primeiro dia do seminário foram homenageadas 12 personalidades que contribuíram para a elaboração do PAN Brasil. Entre elas a ministra Marina Silva, na ocasião representada pelo secretário Egon Krakhecke; o diretor de Recursos Hídricos do MMA, João Bosco Senra; os deputados Edson Duarte e Paes Landim, além do economista Otamar de Carvalho, Sílvio Santana e Heitor Matallo.

Além da homenagem, no final da tarde, também foi lançado o livro Projeto Áridas e a Rede de Informação e Documentação sobre Desertificação do Rio Grande do Norte - RN Desert que pode ser acessada pelo endereço eletrônico http://www.ibama.gov.br/rndesert.

O Projeto Áridas foi a primeira experiência de planejamento do desenvolvimento, com foco específico na sustentabilidade socioeconômica e ambiental do Nordeste brasileiro iniciada nos anos 1990. O livro, que tem como organizador Sean E. Mckaughan e apoio do MMA, foi distribuído a todos os participantes do seminário que poderão usar seu conteúdo como referência para os projetos de combate à desertificação do semi-árido.

Segundo o secretário Krakhecke, o livro "vem socializar a metodologia desenvolvida por uma das mais importantes experiências de planejamento no Brasil: o Projeto Áridas".

Crédito da imagem: Jefferson Rudy/MMA

(Envolverde/MMA)

terça-feira, 6 de maio de 2008

Brasil serve de exemplo para outros países no combate à desertificação, diz ministra

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou na segunda-feira (5) que o Brasil tem servido de exemplo para outros países no combate à desertificação, mas ressaltou que ainda há muito a ser feito para acabar com o problema.

“O Brasil é considerado um dos países que têm conseguido maiores avanços na agenda do combate à desertificação. Tanto é que tem sido utilizado como exemplo para países da África, América Latina e Caribe", disse a ministra, ao participar da abertura do 1º Seminário Nacional de Combate à Desertificação.

Marina Silva destacou, entretanto, que ainda há um desafio muito grande: "Mais de dois bilhões de pessoas no mundo estão sob os efeitos da desertificação. É um processo que avança muito mais rápido do que a capacidade de reverter.”

A ministra disse que algumas medidas adotadas no país já surtem efeito e deu como exemplo o Plano de Combate à Desertificação. “É um processo em curso. Se formos fazer um balanço, tanto o governo federal, como os governos estaduais precisam ampliar suas ações. É preciso que tenha uma parcela do governo federal, mas também deve ser traduzido com os governos estaduais e os municipais e a sociedade de modo geral. Um problema dessa magnitude [não se resolve apenas] com políticas para as pessoas.”

A desertificação é um processo de degradação das terras nas zonas áridas, semi-áridas e subúmidas secas, resultante da ação de diversos fatores, principalmente atividades humanas. As Áreas Suscetíveis à Desertificação (ASD) no Brasil estão principalmente no Nordeste, nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Algumas regiões de Minas Gerais e do Espírito Santo também são afetadas. Estima-se que a desertificação atinja15,72% do território brasileiro e que uma população aproximada de 31,6 milhões de habitantes sofra com o problema.

Para o coordenador da Articulação do Semi-árido, João Evangelista, que também participou da abertura do seminário, falta vontade política para solução do problema. Segundo ele, o Plano de Combate à Desertificação, lançado há mais de um ano, ainda não saiu do papel. “Não sei se (foi) por omissão. Acho que não há uma decisão do governo de fazer o combate”, afirmou Evangelista.

Ele disse que tem acompanhado as discussões sobre o problema nos último dois anos e que tem observado um certo avanço. "Antes a discussão nem era possível com os estados", ressaltou Evangelista, que ainda considera muito tímidas as ações. "O plano nacional foi lançado em 2005 e, de lá para cá, muito pouco foi feito. Quase nada foi efetivado. Então, construir um plano e não ser efetivado é jogar recurso público no lixo”, criticou.

O seminário reúne até terça-feura (6), em Brasília, cerca de 250 pessoas, entre pesquisadores, moradores de municípios afetados pela desertificação e representantes da sociedade civil, de governos e do setor empresarial. As propostas aprovadas serão levadas à 3ª Conferência Nacional do Meio Ambiente, cujo tema central este ano são as mudanças climáticas. (Fonte: Agência Brasil)

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Salvem o planeta antes que seja tarde, diz papa Bento 16

O papa Bento 16, liderando o primeiro encontro ecológico de jovens da Igreja Católica, disse neste domingo a meio milhão de pessoas que os líderes mundiais devem tomar decisões corajosas para salvar o planeta "antes que seja tarde demais".

"Um ''sim'' decisivo é necessário em decisões para proteger a criação, assim como um forte comprometimento para reverter tendências que arriscam levar a irreversíveis situações de degradação", disse o papa, 80 anos, em seu sermão.

Vestindo trajes verdes, ele falou a uma vasta multidão, composta principalmente de jovens, na cidade de Loreto, em um evento em que a Igreja Católica celebra seu dia anual para salvar a criação.

Mais de 300 mil pessoas dormiram em colchonetes e barracas, rezando durante a noite de sábado para domingo. Organizadores disseram que mais 200 mil fiéis de toda a Itália chegaram para a celebração na manhã de domingo.

"Novas gerações serão encarregadas do futuro do planeta, que carrega sinais de um tipo de desenvolvimento que nem sempre tem protegido os delicados equilíbrios da natureza", afirmou Bento 16.

Fazendo seu mais forte apelo ambiental até agora, ele disse ainda que "escolhas corajosas que podem recriar uma forte aliança entre o homem e a terra devem ser feitas antes que seja tarde demais".

Fonte: Estadao.com.br

quinta-feira, 28 de junho de 2007

A América vai secar

Milhões de pessoas viverão num deserto até 2025 - o Brasil será um dos países mais afetados

Um problema leva a outro e, aos poucos, fica claro que as conseqüências do aquecimento global são piores do que imaginávamos. Vejamos o que declarou oficialmente na semana passada um dos homens que mais sofrem tentando solucionar essa fileira de problemas, Heitor Matallo, membro da Convenção das Nações Unidas para o Combate da Desertificação (UNCCD): “Há um ciclo em que um fenômeno alimenta o outro. Se o meio ambiente é degradado com desmatamento e erosão, os reservatórios de água diminuem, aumentando as áreas desertas.” Esse é um resumo do caos climático – curto e trágico. A alta temperatura que castiga a África e a China mostra-se devastadora no Brasil e na Argentina. “O caso da América do Sul é o mais alarmante. Até 2025 países como o Brasil perderão um quinto de suas terras produtivas”, diz Matallo.

A princípio, um quinto de terra pode não parecer muita coisa, mas palmo a palmo representa um rombo que muda seriamente as condições sociais e econômicas dos países envolvidos. Segundo dados oficiais da ONU, 1,5 milhão de quilômetros quadrados do território brasileiro é composto por áreas semiáridas e abriga cerca de 40 milhões de pessoas. A Argentina, com território de três milhões de quilômetros quadrados, tem 1,75 milhão deles coberto por deserto. A área semi-árida do Nordeste brasileiro, com o clima sujeito a freqüentes secas, vem aumentando com a degradação ambiental e as mudanças climáticas. O que preocupa os cientistas, agora, é o fato de saberem que é real a possibilidade de o planeta esquentar seis graus até 2050 – o que significaria o aumento de um milhão de quilômetros quadrados de área semiárida no Nordeste.

Do outro lado do planeta a situação não é menos crônica e grave. Na China, a desertificação avança a um ritmo de 1,3 mil quilômetros quadrados por ano, afetando diretamente cerca de 400 milhões de pessoas. O objetivo do governo chinês até 2050 é reflorestar todas as zonas desérticas. Segundo Zhu Lieke, subdiretor de Administração Estatal Florestal, são necessários US$ 31 bilhões para tratar as terras e torná-las novamente produtivas – o investimento atual, no entanto, é de apenas US$ 258 milhões por ano. Na África, a desertificação virou um alerta na boca do ministro argelino do Desenvolvimento, Sherif Rahmani: “Até 2025, 65 milhões de refugiados africanos baterão às portas do Ocidente.” Em tempo: dados da ONU da última semana revelam que anualmente 900 mil pessoas migram em todo o mundo por causa de secas. Em 2025 cerca de dois bilhões de pessoas viverão nos desertos.

ISTOÉ