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terça-feira, 17 de novembro de 2009

Groenlândia perdeu 1,5 tri de toneladas de água em 9 anos, diz estudo

Ricardo Mioto

O degelo está se acelerando na segunda maior massa de gelo do mundo, a Groenlândia, que nos últimos nove anos perdeu 1,5 trilhão de toneladas de água --o suficiente elevar o nível do mar em mais de 4 milímetros. O número é apontado em um estudo publicado na edição de hoje da revista "Science", liderado por Eric Rignot, geocientista da Nasa.

"Nenhuma notícia boa por aqui. Sinto muito", disse o cientista em entrevista à Folha. Segundo ele, a aceleração do derretimento se verifica desde 2006 em um nível sem precedentes. Isso pode ser apenas uma oscilação normal --em alguns anos o gelo derrete mais, em outros menos. Mas, se for uma tendência, trata-se de mais um sinal de que o planeta está esquentando rápido.


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Jefferson Simões, glaciologista da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, diz que não se trata de mero acaso. "É preciso ver que esse não é um estudo isolado, existem várias outras evidências científicas, tudo vai se somando."

Os números, de qualquer forma, impressionam. Nesta década, as regiões que mais derreteram, aquelas próximas ao oceano, chegaram a perder mais de uma tonelada de água --uma caixa d'água cheia-- por metro quadrado por ano.

Outro dado novo é sobre o destino do gelo perdido. Cerca de metade dele se transforma em icebergs, perdendo contato com a Groenlândia. A outra metade se torna lagos de água líquida sobre a superfície de gelo, dizem os cientistas.

Além de servir como sinal de aquecimento, o derretimento do gelo tem uma consequência imediata a elevação do nível dos mares e, com isso, o alagamento de regiões litorâneas.

Se a Groenlândia derretesse por completo, os oceanos subiriam sete metros --uma catástrofe global para áreas costeiras. Nem os pesquisadores mais pessimistas, entretanto, acreditam que isso acontecerá.

O estudo na "Science" pode forçar uma revisão das previsões de 2007 do painel do clima da ONU (o IPCC) sobre o assunto, dizem os cientistas.

Estimava-se que os mares, na pior das piores hipóteses, subiriam no máximo 58 centímetros até 2100. "Levando em conta o novo cenário, eu diria que existe uma real possibilidade de ultrapassarmos esse valor", diz Jonathan Bamber, físico da Universidade de Bristol, no Reino Unido, e um dos coautores do estudo.

"O valor da ONU é muito pequeno. Infelizmente, o gelo está derretendo rápido. Eu estou preocupado", diz Rignot.

Falta a Antártida

Para ter certeza que não estavam cometendo erros, os cientistas utilizaram dois métodos diferentes. Um deles usou dados obtidos em solo, outro, via satélite, e os resultados estavam de acordo um com outro.

Para saber com precisão o que vai acontecer com o planeta no futuro, será necessário fazer algo similar com a Antártida. Apesar de o continente gelado ter 90% do gelo mundial --e, portanto, ser muito mais decisivo do que a Groenlândia-, sabe-se relativamente pouco sobre o degelo por lá.

Ainda não existe para a Antártida um estudo como este que sai agora na "Science", diz Simões. "É o único local onde ainda não está clara a situação, ela é a grande incógnita."

Os cientistas sabem que a Antártida está passando por um aumento de temperatura e que vem perdendo gelo. Mas ainda é difícil quantificar.

"Sabemos que a região mais central e alta está tranquila, estável, se alguém falar que está mudando é bobagem. O nosso receio é que os derretimentos que estão ocorrendo no norte da península Antártica se espalhem", diz Simões.

Fonte:  Folha Online Ambiente.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Cientistas explicam como se formam os icebergs

Um processo que contribui para o aumento dos níveis do mar é a formação de icebergs a partir dos mantos de gelo da Groenlândia e da Antártida. À medida que essas expansões de gelo fluem da terra para dentro da água, formam extensões flutuantes, ou plataformas. E é da principal extremidade dessas plataformas que os icebergs se desprendem.

Cientistas que estudam o impacto potencial das mudanças climáticas precisam ser capazes de simular como se comportam os mantos de gelo e as plataformas, incluindo a rapidez com que se formam os icebergs. Mas ninguém foi capaz de formular uma regra fundamental para sua formação.

Agora, Richard B. Alley, da Universidade Estadual da Pensilvânia, e colegas encontraram uma teoria. A taxa de formação, afirmam eles na publicação "Science", é primariamente uma função da taxa pela qual uma plataforma de gelo se espalha.

Essa regra bastante simples foi desenvolvida após um longo estudo com dados de plataformas de gelo, incluindo a maior do mundo, Ross, na Antártida. Eles descobriram que plataformas de crescimento mais rápido possuem uma taxa mais alta de formação, enquanto as que se espalham mais lentamente devido a apoios laterais ou do fundo do mar produzem icebergs em taxas mais baixas.

Os pesquisadores afirmam que mesmo sua regra não sendo perfeita, ela pode ser útil quando associada a modelos de computador para ajudar a estudar o comportamento de mantos de gelo no mundo em aquecimento.

Fonte: G1

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Ciência comprova aquecimento da Antártida

Por Adrianne Appel*

Boston, 10 de novembro (Terramérica) - A Antártida, que contém em seus gelos a maior reserva de água doce do planeta, está esquentando por ação dos gases causadores do efeito estufa, afirmam novos estudos. “Pela primeira vez podemos atribuir diretamente à influência humana o aquecimento no Ártico e na Antártida”, disse o físico Nathan Gillett, da Universidade de East Anglia, na Grã-Bretanha, que liderou uma pesquisa publicada no dia 30 de outubro pela revista científica Nature Geoscience. A evidência do aquecimento global causado pela emissão de dióxido de carbono e outros gases poluentes foi encontrada em todos os continentes. A exceção, até agora, era a Antártida, que contém 90% dos gelos do planeta e 70% da água doce.

O continente antártico, 1,4 vez maior do que o dos Estados Unidos, tem apenas 20 estações de coletam informações climáticas. Por esta e outras razões, sabe-se pouco sobre ele. Os cientistas observam que estão esquentando as zonas menos frias, como a região ocidental e a Península Antártica, cujo extremo norte se aproxima da América do Sul e é lar de milhões de focas, pingüins e uma grande variedade de outras aves. Mas a gélida porção oriental, com uma cobertura de gelo de 2.226 metros de espessura, não experimentou mudanças significativas de temperatura nos últimos 50 anos, e inclusive mostrou evidências de esfriamento. Por isso, foi impossível tirar conclusões sobre o efeito dos gases que provocam o efeito estufa.

A Quarta Avaliação do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre Mudança Climática (IPCC) concluiu que a Antártida era o único continente onde as mudanças de temperatura antropogênicas não foram detectadas, possivelmente por dados e observações insuficientes. O trabalho de Gillett “prova de maneira convincente o que sugeriam estudos anteriores, que os humanos contribuem para aquecer tanto a região ártica quanto a antártica”, disse ao Terramérica o cientista Andrew Monaghan, do Centro Nacional dos Estados Unidos para a Pesquisa Atmosférica, e colega próximo da equipe pesquisadora. O grupo de Gillett utilizou informação coletada entre 1990 e 2000 nas 20 estações instaladas na Antártida, e criou quatro modelos em computador para chegar às suas conclusões.

Um destes modelos inclui o impacto de gases de efeito estufa e outro não. O primeiro apresentou resultados que coincidem com as temperaturas observadas até agora, afirma a pesquisa “Atribution of polar warming to human influence” (Atribuição do aquecimento polar à influência humana). “Se pegarmos a temperatura média de toda a Antártida, encontraremos um aquecimento” de uns poucos décimos, disse Gillett ao Terramérica. Porém, foram encontrados aumentos de temperatura de até três graus centígrados na Península Antártica desde 1950, dos maiores registrados no planeta, disse Monaghan. A temperatura média mensal ali varia entre um grau e 15 graus abaixo de zero.

Várias grandes geleiras da região ocidental estão derretendo e elevando o nível do mar pelas correntes oceânicas mais quentes que tocam e desgastam as barreiras de gelo. As temperaturas médias nessa área ficam entre -12 graus e -35 graus. “Este derretimento tem conseqüências no aumento do nível do mar”, afirmou Gillett. Em 2002, afundou a enorme barreira de Larsen B, na península. Media 3.250 quilômetros quadrados, acrescentou Gillett. Os pesquisadores alertam que os dados indicam um aquecimento ao longo da costa da Antártida oriental e esperam que o fenômeno sofra uma aceleração.

Gillet apresentou a hipótese de que certo esfriamento do Pólo Sul pode ser causado por uma acentuada perda de ozônio na atmosfera polar, atribuída à contaminação. O cientista acredita que sua pesquisa permitirá delinear uma imagem mais precisa do futuro da Antártida. Os cálculos mostram que os gelos antárticos que afundarem no próximo século poderão ajudar a elevar o nível do mar em 70 metros. “Não veremos nada catastrófico nos próximos cem anos se as coisas seguirem o ritmo atual. Contudo, o derretimento pode ter uma aceleração”, alertou Monaghan.

Os informes do IPCC não incluíram previsões completas e precisas sobre a elevação do nível do mar por falta de dados sobre a Antártida. Suas previsões foram de 18 e 59 centímetros, disse Gillett. Em janeiro, o presidente do IPCC, Rajendra Pachauri, exortou seus colegas a estudarem a Antártida e a Groenlândia. “Minha esperança é que o próximo informe do IPCC, se é que vai existir, possa fornecer informação muito melhor sobre a possibilidade de essas duas grandes massas de gelo estarem derretendo, o que seria aterrador”, disse Pachauri.

A pesquisa sobre a Península Antártica aumentou. Este ano, Eric Rignot, da Universidade da Califórnia, estudou imagens obtidas via satélite, entre 1996 e 2006, e encontrou mostras claras de derretimento na região ocidental e na Península. A Antártida ocidental perdeu 132 bilhões de toneladas de gelo em 2006, enquanto há uma década a perda registrara 83 bilhões de unidades, disse Rignot. No mesmo ano, na Península desapareceram 60 bilhões de toneladas. Não fosse por um simultâneo acúmulo de gelos na zona oriental, o nível do mar teria aumentando 0,5 milímetro, disse Rignot.

Os estudos que mostram a atividade humana como responsável pela mudança climática podem produzir esforços para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, disse ao Terramérica a especialista Meg Boyle, da organização ambientalista Greenpeace. “Nos Estados Unidos temos uma pequena porcentagem da população mundial, mas produzimos 25% da poluição que influencia na mudança climática. É hora de colocarmos um limite”, acrescentou. Tomara que o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, mostre vontade de conseguir acordos sobre mudança climática, concluiu.

* A autora é correspondente da IPS.

LINKS

+Nature Geoscience - Atribuição do aquecimento polar à influência humana
http://www.nature.com/ngeo/journal/v1/n11/abs/ngeo338.html

+Uma oportunidade verde diante da crise financeira
http://ipsnoticias.net/nota.asp?idnews=90166

+Bom para o clima, ruim para cangurus
http://ipsnoticias.net/nota.asp?idnews=90193

Crédito de imagem: Photo Stock
Legenda: Foca caranguejeira, Logodon carcinophagus, flutua em um bloco de gelo diante do Monte Shackleton, na Península Antártica.

Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.


Fonte: Envolverde/Terramérica

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Fóssil indica que Antártida era mais quente do que é hoje

Um fóssil descoberto na Antártida indica que a região era, há milhões de anos atrás, mais quente do que é agora. A descoberta pode causar novas implicações nos estudos da evolução da calota polar e da mudança climática.

A descoberta, realizada por um grupo de cientistas de universidades do Reino Unido e Estados Unidos, foi publicada na revista britânica "Proceedings of the Royal Society B", na terça-feira (22).

Segundo os cientistas, os fósseis pertenciam a um antigo lago de aproximadamente 14 milhões de anos, estão bem conservados em três dimensões, inclusive em suas partes mais delicadas.

O professor Mark Williams, do departamento de Geologia da Universidade de Leicester (Inglaterra), afirmou que a existência deste tipo de fósseis, até agora desconhecida, na Antártida, demonstra que essa área do planeta era mais quente que é atualmente.

Para Williams, a descoberta destes fósseis demonstra que houve um esfriamento "substancial e muito intenso" do clima antártico, o que é um dado "importante para traçar a evolução da calota polar, fator-chave para entender os efeitos do aquecimento global", disse ele. (Fonte: Folha Online)

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Retração de gelo na Antártida ameaça sobrevivência de baleias

O recuo da camada de gelo na Antártida, fenômeno provocado pelo aquecimento global, colocará em perigo as já ameaçadas baleias migratórias ao reduzir suas áreas de alimentação, afirmou o Worldwide Fund for Nature (WWF) na quinta-feira (19).

Em um relatório intitulado "Quebra-Gelo - Empurrando as Fronteiras para as Baleias", o grupo diz que o gelo marítimo do inverno será reduzido em até 30 por cento em alguns lugares, obrigando as baleias a viajarem mais 500 quilômetros em busca de comida.

Além de retroceder, essa fronteira vital entre as águas geladas e as águas mais quentes, que provoca a subida dos nutrientes consumidos pelo krill (do qual as baleias se alimentam), poderia encolher, reduzindo a quantidade de comida disponível.


"Essencialmente, o que estamos vendo é que as baleias associadas ao gelo como as baleias mink da Antártida enfrentarão mudanças dramáticas em seu habitat dentro de um período não muito maior do que o período de vida desses animais", afirmou Heather Sohl, dirigente do WWF.


O prolongamento das rotas de migração não apenas fará aumentar o montante de energia usado pelas baleias para chegar a suas áreas de alimentação como também reduzirá a temporada de alimentação por causa do tempo consumido para chegar até lá, afirmou o relatório.


O documento foi divulgado para coincidir com o 60o encontro anual da Comissão Internacional Baleeira (IWC), que ocorre em Santiago (Chile), na próxima semana. Nesse encontro, o Brasil deve propor a criação de um Santuário para Baleias no Atlântico Sul.


Países baleeiros como o Japão e a Noruega, de outro lado, realizam uma campanha para que seja levantada a moratória sobre a caça comercial de desses animais, adotada pelo IWC em 1982. Entre as baleias mais ameaçadas pelo derretimento do gelo na Antártida encontram-se a baleia-azul, o maior animal do mundo, e a cachalote.

Só recentemente, essas espécies começaram a se recuperar depois de terem ficado à beira da extinção no século 20, antes da moratória da IWC entrar em vigor.


Cientistas prevêem que as temperaturas médias do planeta subirão entre 1,8 e 4 graus Celsius neste século devido à emissão de gases do efeito estufa produzidos na queima de combustíveis fósseis em usinas de energia e em veículos automotores - e o aquecimento deve ser maior e mais rápido nos pólos do globo terrestre.
As previsões do WWF baseiam-se na premissa de que as temperaturas vão se elevar, até 2042, em 2 graus Celsius.

(Fonte: Estadão Online)

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Livro retrata pesquisa financiada pelo MMA na Antártica


Suelene Gusmão

O secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, disse nesta terça-feira (6), na Biblioteca Acadêmico Luiz Viana Filho, no Senado Federal, que a Antártica é a região do planeta mais sensível às mudanças globais. Segundo ele, a Antártica é o termômetro da saúde do planeta. "É lá que percebemos primeiro as alterações que ele vem sofrendo", disse. Capobianco abriu a solenidade de lançamento dos livros "O Brasil e o Meio Ambiente Antártico" e "Brasil na Antártica - 25 Anos de História", a convite da Frente Parlamentar em Prol do Programa Antártico Brasileiro.

O livro "O Brasil e o Meio Ambiente Antártico" representa o resultado do trabalho de pesquisa e monitoramento que o Brasil vem desenvolvendo naquele continente, financiado pelo Ministério do Meio Ambiente. O trabalho, coordenado pela pesquisadora Tânia Brito, envolveu cerca de 300 pessoas de mais de 20 instituições de pesquisa no Brasil e foi o alicerce para o engajamento pleno e bem-sucedido do Brasil nas atividades do Ano Polar Internacional (2007/2008). A iniciativa tem por objetivo compreender as implicações das mudanças ambientais percebidas na Antártica e no Ártico e sua importância ambiental para o planeta.

Capobianco explicou que ao financiar e induzir, em parceria com outras instituições, o projeto "Mudanças Ambientais na Antártica: impacto global e local", que investigou os reflexos das alterações ambientais globais percebidas na Antártica e seu impacto no território brasileiro, o MMA cumpriu com os compromissos assumidos pelo governo brasileiro ao ratificar o Protocolo de Madri. Os recursos alocados pelo MMA para o projeto foram da ordem de R$ 6 milhões, em quatro anos. O trabalho foi considerado em reuniões internacionais como o melhor estudo do meio ambiente já realizado na Antártica e "tido como modelo a ser seguido por outras nações", disse o secretário-executivo.

Estiveram presentes à solenidade a secretária de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental, Thelma Krug e o secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano, Luciano Zica (ambos do MMA); o presidente da Frente Parlamentar em Prol do Programa Antártico Brasileiro, senador Cristovam Buarque; o almirante Júlio Sabóia de Araújo Jorge, comandante em exercício da Marinha, além de diplomatas e outros parlamentares.

ASCOM/MMA

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Alteração climática aquece o Ártico e resfria a Antártida

O Ártico e a Antártida estão literalmente em pólos opostos quando se trata dos efeitos da mudança climática, disseram cientistas nesta sexta-feira (2). No norte, o gelo está derretendo e caindo no mar, enquanto no sul as atuais condições alimentam ventos que resfriam o ambiente.

Ambos os pólos estão expostos à radiação solar e aos gases do efeito estufa, mas a Antártida também é afetada pelo buraco na camada de ozônio nos meses de verão, disseram os cientistas em uma teleconferência.

"Todas as evidências apontam que os efeitos provocados pelo homem estão tendo um papel importante nas mudanças que vemos em ambos os pólos, e é muito difícil encontrar evidências que contradigam isso", afirmou Jennifer Francis, cientista atmosférica da Universidade Rutgers, de Nova Jersey.

Um exame de muitos estudos prévios sobre o clima polar, a ser publicado em 6 de maio na revista Eos, "esvazia ainda mais o arsenal dos que insistem que não é o caso de se preocupar com a mudança climática causada pelo homem", segundo Francis.

No Ártico, segundo Francis e seus colegas, o aquecimento provocado pelas emissões humanas de dióxido de carbono se somou a variações climáticas naturais, gerando consequências como o dramático desaparecimento do gelo marinho no ano passado, uma tendência que deve se manter.

"A variabilidade climática natural e o aquecimento global estavam na verdade trabalhando juntos e deixaram o Ártico num novo estado para o clima, com muito menos gelo marinho", disse o oceanógrafo James Overland, da Administração Nacional Oceânico-Atmosférica dos EUA. "Há pouquíssima chance de que o clima volte às condições de 20 anos atrás."

Na Antártida, o buraco da camada de ozônio cria um novo fator num conjunto já complicado de padrões climáticos, segundo Gareth Marshall, do Departamento Britânico de Pesquisas Antárticas.

As mudanças na pressão atmosférica que acompanham a destruição do ozônio estratosférico são responsáveis pelo aumento nos ventos que sopram em direção a oeste, circundando o continente um pouco ao norte do seu litoral.

Esses ventos isolam grande parte da Antártida de uma parte do aquecimento global, segundo Marshall. A exceção é a Península Antártica, que avança em direção à América do Sul, para além da zona protegida por esses ventos. Ali, os efeitos do aquecimento foram dramáticos, segundo o pesquisador.

O buraco na camada de ozônio é provocado pela emissão de gases que costumavam estar presentes, por exemplo, em sprays e geladeiras. Nas últimas décadas, porém, essas substâncias vêm deixando de ser usadas, graças a tratados internacionais, e por isso a camada de ozônio deve se recuperar totalmente até 2070.

A camada de ozônio protege a Terra de radiações solares nocivas. Sua recuperação, porém, deve contribuir com o aquecimento do interior do continente meridional. (Fonte: Estadão Online)

terça-feira, 22 de abril de 2008

Nova Zelândia quer fazer parque eólico em base na Antártida

A Nova Zelândia planeja construir um pequeno parque eólico na Antártida que fará a estação científica Base Scott auto-suficiente em energia, disse nesta quinta-feira (17) o ministro de Relações Exteriores Winston Peters.

Três turbinas sobre a plataforma de Gelo Ross serão desenvolvidas com energia de geradores Meridian Energy, do governo neozelandês, próximo à estação científica na costa norte da Antártida, informou Peters.

As turbinas irão reduzir a necessidade de enviar combustíveis fósseis à base e diminuirão o risco de acidentes ambientais com petroleiros que transportam o combustível através de mares congelados, afirmou o ministro.

Segundo Peters, as turbinas têm capacidade de reduzir o consumo de óleo diesel em aproximadamente 460 mil litros (120 mil barris) por ano.

O ministro disse esperar que o parque eólico possa ser operado em conjunto com os Estados Unidos e que o fornecimento de energia elétrica chegue à base científica vizinha, a norte-americana McMurdo Station.

A Austrália já opera um parque eólico na sua base cientifica do continente antártico. (Fonte: Estadão Online)

quinta-feira, 27 de março de 2008

Pedaço de plataforma de gelo da Antártida desprende-se

Imagens de satélite mostraram que uma grande fatia da plataforma de gelo Wilkins, da Antártida, começou a entrar em colapso em uma área do continente cujas temperaturas elevam-se com rapidez, disseram cientistas na terça-feira (25).

A fatia que se desprendeu mede cerca de 415 quilômetros quadrados e fazia parte da plataforma de gelo Wilkins, segundo imagens de satélite do Centro Nacional de Dados sobre a Neve e o Gelo da Universidade do Colorado.

A Wilkins consiste em uma imensa camada de gelo permanente formado sobre as águas da Antártida, com um total de 13 mil quilômetros quadrados. A plataforma fica localizada na península Antártida, a cerca de 1.600 quilômetros da América do Sul.

"Pedaço a pedaço, o gelo está caindo e espalhando-se pelo oceano", afirmou Ted Scambos, chefe do Centro Nacional de Dados sobre a Neve e o Gelo, em entrevista concedida por telefone.

"A plataforma não está apenas rachando, de forma que um pedaço dela se afastaria, mas está pulverizando-se totalmente. Esse tipo de acontecimento não se vê com frequência. Mas desejamos compreender isso melhor porque é o tipo de coisa que poderia levar ao total desaparecimento da plataforma de gelo", acrescentou.

Segundo Scambos, uma grande porção da Wilkins sustentava-se agora somente por uma pequena faixa de gelo. Esse último "esteio de gelo" poderia ruir e cerca de metade de toda a área da plataforma se perderia nos próximos anos, afirmou.

O cientista David Vaughan, da British Antarctic Survey, disse em um comunicado: "Essa plataforma está por um fio."

"Um canto dela que se encontra exposto ao oceano está ruindo segundo um padrão que vimos ocorrer em alguns lugares nos últimos 10 a 15 anos. De toda forma, concluímos que isso resulta do aquecimento da Terra", acrescentou Scambos.

Segundo o cientista, a plataforma Wilkins existe há ao menos algumas centenas de anos. No entanto, correntes de ar quente e a exposição às ondas do mar estão provocando seu esfacelamento.

Nos últimos 50 anos, a península Antártida registrou um processo de aquecimento que está entre os mais rápidos do planeta, afirmaram.

"O aquecimento que vem ocorrendo na península tem uma relação bastante clara com o aumento dos gases do efeito estufa e as mudanças que isso provocou na circulação das massas de ar na região da Antártida", afirmou Scambos. (Estadão Online)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Aumento de temperatura é que eleva nível do mar na Antártida

MICHAL BYRNES - REUTERS

SYDNEY - O aumento no nível do mar ao redor da Antártida na última década ocorreu quase exclusivamente pela alta da temperatura do oceano, e não por causa do derretimento de gelo, disse um cientista australiano à frente de um importante programa internacional de pesquisa.

O estudo de 15 anos sobre mudanças na temperatura e na salinidade do oceano revelou que as temperaturas médias aumentaram cerca de 0,3 grau.

Satélites mediram ainda um crescimento de cerca de dois centímetros no nível dos mares na região do Pólo Sul, em uma área equivalente a metade da Austrália, afirmou à Reuters Steve Rintoul, líder do programa que reúne Austrália, Estados Unidos e França.

"A maior contribuição até o momento foi o aquecimento dos oceanos por meio de expansão", disse Rentoul.

O programa de pesquisa vem medindo a temperatura e a salinidade do mar a uma profundidade de 700 metros, ao longo da rota de 2.700 quilômetros entre Hobart e a Antártida.

Ele produziu o maior registro contínuo de mudanças de temperatura e salinidade na região para os cientistas que estudam como os oceanos contribuem para o clima global.

"A pesquisa nos deu muita base para o que é sabido sobre a maneira como o oceano nesta região inóspita e de difícil acesso controla o clima global", acrescentou Rintoul.

O líder do projeto disse que o aumento do nível do mar não é uniforme na região e que nada garante que esse crescimento continue a ocorrer no mesmo ritmo no futuro.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Descoberta de meteorito na Antártida pode revelar informações sobre clima

Especialistas do Departamento Federal de Geologia e Matérias Primas de Hannover (BGR) esperam que a recente descoberta, na Antártida, do maior meteorito de ferro dos últimos 20 anos sirva para analisar as mudanças climáticas ao longo de milênios.

O meteorito, de 31 quilogramas, foi encontrado por um grupo de geólogos do BGR durante uma expedição antártica, e apresentado na quarta-feira (6) em Hannover (noroeste da Alemanha).

Ao redor do meteorito a expedição achou outros 15 meteoros menores, o que, segundo os cientistas, poderia revelar alguns fatores sobre a história do clima na região durante os últimos milênios.

O gelo antártico abriga uma infinidade de meteoritos que atingiram a Terra durante milhares de anos. Durante o verão, o degelo revela algumas destas "jóias geológicas".

Os especialistas analisarão agora a idade do meteorito descoberto, o que por sua vez permitirá tirar conclusões sobre a evolução da camada de gelo e assim comprovar quão exatos são os modelos desenvolvidos sobre o clima.

O meteorito foi encontrado a uma altura de cerca de 2.350 metros, em um planalto no leste da Antártida, uma zona que até então permanecia inexplorada. (Yahoo Brasil)

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Cientistas lançam o mais detalhado mapa já feito da Antártica

Cientistas britânicos e americanos reuniram mais de mil imagens de satélite da Antártica para criar o que afirmam ser o mais detalhado mapa do Continente Branco já elaborado.

Segundo os idealizadores do projeto, as imagens, em sua maioria feitas pelo satélite americano Landsat 7, formam um panorama em alta definição do continente, 10 vezes mais detalhado do que qualquer outro.

O projeto, chamado de Landsat Image Mosaic of Antarctica (Lima, na sigla em inglês), reúne cientistas da Nasa (a agência espacial americana), da US Geological Survey (USGS), da US National Science Foundation (NSF) e da British Antarctic Survey (BAS).

A equipe de cientistas teve de pesquisar milhares de imagens de satélite para encontrar fotos sem nuvens da Antártica e montar as imagens perfeitas.

Os cientistas afirmam que esse novo panorama detalhado vai revolucionar as pesquisas sobre o continente.

Segundo os pesquisadores, esse mapa vai fornecer um apoio inestimável em termos de logística, permitindo que equipes investiguem certas regiões antes de ir a campo.

A alta resolução das imagens também vai permitir que os pesquisadores consigam analisar mudanças em regiões de difícil acesso.

"Há imensas áreas que as pessoas simplesmente nunca tinham visto antes nesse nível de detalhe", disse à BBC o pesquisador Andrew Flemming, do BAS.

O programa é lançado no meio do Ano Polar Internacional (IPY, na sigla em inglês), que é um esforço conjunto da comunidade científica mundial para tentar responder às grandes questões relacionadas às regiões polares.

As imagens podem ser vistas pelo público na internet.

"A maioria das pessoas nunca esteve na Antártica. O Lima é uma maneira de levar a Antártida até elas", disse o pesquisador Robert Bindschadler, do Centro Espacial Goddard, da Nasa. (Estadão Online)