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terça-feira, 13 de abril de 2010

Programa Defensores do Clima do WWF-Brasil é lançado oficialmente em São Paulo

O auditório lotado, na manhã desta sexta-feira (9), era a prova irrefutável: o evento, que começaria dentro de poucos minutos, trataria de um assunto dos mais importantes. Distribuídos pelo auditório do Hotel Meliá Jardim Europa, em São Paulo, representantes de empresas e jornalistas presenciaram, nas três horas seguintes, o Lançamento Nacional do Programa Defensores do Clima, do WWF-Brasil. Criada pela Rede WWF em 2009, a iniciativa é um convite para que o setor privado reduza, em termos absolutos, as emissões de carbono de seus processos operacionais. A Natura é a primeira companhia brasileira (e, também, entre todos os países em desenvolvimento) a aderir ao Programa.

A primeira metade da agenda foi destinada à apresentação técnica de representantes do WWF-Brasil e empresas parceiras, além de personalidades atuantes na causa ambiental. Composta por Eduardo Jorge, Secretário Municipal do Verde e Meio Ambiente de São Paulo, Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza, Superintende de Conservação do WWF-Brasil, Marcos Vaz, Diretor de Sustentabilidade da Natura, Fernando Von Zuben, Diretor de Meio Ambiente da Tetra Pak e Dr. José Eli da Veiga, professor titular do Departamento de Economia da Universidade de São Paulo (USP), a mesa se encarregou de reforçar a importância da adequação de análises de riscos e oportunidades aos negócios do setor corporativo em busca de uma economia de baixo carbono.

Criado em 1999 pela Rede WWF, o Programa Defensores do Clima conta com um grupo seleto de empresas. Apenas em 2010, as 21 parceiras evitarão, juntas, o lançamento de 14 milhões de toneladas de gases de efeito estufa, número de mesma ordem da grandeza das emissões da cidade de São Paulo em 2003. De acordo com Eduardo Jorge, aliás, a lei de Mudanças Climáticas aprovada pela prefeitura de São Paulo é referência para outras cidades. “É muito importante ter um diagnóstico geral dos setores responsáveis pela concentração de carbono na atmosfera. Só assim é possível estabelecer políticas públicas”, afirmou.

O inventário de todas as emissões empresariais é, também, um dos pilares do Programa. Dividido em seis etapas, ele teve hoje o seu primeiro passo na relação com as empresas convidadas. Trata-se de uma conversa informal, de explicação sobre os parâmetros propostos e a importância do engajamento de companhias. Em seguida, há a avaliação das políticas e ações climáticas da empresa pleiteante e o acordo de metas ambiciosas, com apoio técnico e de comunicação do WWF-Brasil. Por fim, existe a comunicação de resultados e a verificação bi-anual feita por uma auditoria independente.

“É uma questão de sobrevivência. Estamos vivendo uma mudança de paradigma e, se o clima e o capital natural não estiveram na equação dos negócios, não será possível alcançar a perenidade empresarial. Existe um leque variado de opções para a mitigação do problema, como eficiência energética de produtos, em processos industriais ou administrativos e uso de energias renováveis. A meta global é que, em 2012, o Programa chegue a 100 milhões de toneladas de carbono evitadas”, disse Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza, Superintendente de Conservação do WWF-Brasil.

A Natura saiu na frente de seus pares do Hemisfério Sul e, em dezembro do último ano, confirmou a inclusão na lista de Defensores do Clima – durante a COP15, realizada em Copenhague. O objetivo é cortar 10% das emissões de carbono em seu processo industrial, responsável por 6% do lançamento total da empresa. Para tanto, vai substituir os combustíveis fósseis de seus fornos, que geram energia térmica para o site Cajamar, por etanol, assim como o da frota particular de veículos. O mesmo vale para o site Benevides, no Pará, a ser alimentado por biomassa em breve.

“É uma questão de longevidade do negócio. Vamos continuar crescendo, mas queremos que isto aconteça junto com a conservação da biodiversidade, manutenção dos recursos hídricos e combate às mudanças climáticas. Mas, com o Programa Natura Carbono Neutro, lançado em 2007, já conseguimos diminuir em 96 mil toneladas o lançamento de gases estufa”, explicou o diretor de sustentabilidade da Natura, Marcos Vaz.

Engajamento semelhante tem a Tetra Pak no mundo, outra parceira do Defensores do Clima. Até o fim deste ano, ela terá cortado 10% das emissões nas fábricas, com foco em eficiência energética. Uma nova meta, no entanto, está sendo preparada, ainda mais grandiosa. “A Rede WWF foi essencial para a compra de Green Energy, como eólica, solar, hidrelétricas. Elas têm certificado e isto nos ajudou muito a atingir os alvos”, completou Fernando Von Zuben.

A segunda metade do evento foi destinada a perguntas dos convidados e entrevistas com a imprensa. Agora que o Programa foi, de fato, lançado no Brasil, a expectativa é de que novas empresas identificadas com o tema também contribuam na luta contra o aquecimento global. Deste modo, elas terão a oportunidade de liderar o seu segmento e se preparar melhor para as regulações que, sem duvida, estão por vir. A crise ecológica é urgente, sem precedentes e só conseguirá ser superada com o apoio do setor corporativo.

WWF-Brasil

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Investir em tecnologias limpas é lucrativo

É o que confirma relatório da Rede WWF, divulgado hoje em Copenhague. Relatório lembra que Brasil lidera, por exemplo, a tecnologia de biocombustíveis.

Copenhague, Dinamarca - As tecnologias para a geração de energia limpa estão despontando como um caminho que traz inovação, sustentabilidade e lucratividade. Com isso, está em vias de se tornar o terceiro maior setor industrial mundial, segundo relatório da Rede WWF, divulgado hoje em Copenhague.

A construção de uma indústria forte em tecnologias limpas pode transformar um país em liderança mundial. Já é possível observar o pioneirismo de alguns países neste aspecto, como é o caso da Dinamarca, com a energia eólica, e do Brasil, com o biocombustível, que já lideram o conhecimento sobre essas tecnologias sustentáveis, além da Alemanha, que já vem desenvolvendo com sucesso iniciativas para a produção de energia eólica e solar.

O relatório da Rede WWF prevê que os ganhos das indústrias que desenvolvem essas tecnologias devem movimentar 1.600 bilhões de euros em 2020, atrás apenas da indústria de produtos eletrônicos e automóveis, ocupando o terceiro lugar no ranking industrial. Para se ter uma idéia comparativa, já em 2007, as tecnologias de energia limpa movimentaram 630 bilhões de euros, mais que a indústria farmacêutica.

A receita das vendas de produtos de eficiência energética em 2007 foi mais de cinco vezes a receita dos produtos de energia renovável. Porém, isso deve se alterar significativamente em 2020, com a taxa de crescimento das energias renováveis em 15% ao ano, que representa três vezes mais do que os ainda respeitáveis 5% das vendas de produtos e processos ligados à eficiência energética.

“Avaliando estes dados, chega-se à conclusão óbvia de que os governos e a iniciativa privada devem investir em tecnologias limpas – com subsídios e recursos diretos, respectivamente. Primeiro porque se trata da segurança energética do planeta. Segundo porque é lá, na energia limpa, onde estará o dinheiro. Claramente, a partir de uma perspectiva nacional, há muito a ganhar e nada a perder ao investir em energia limpa“, analisa Denise Hamú, secretária geral do WWF-Brasil.

Os bancos centrais podem ajudar, incentivando a inclusão do "risco carbono" no modelo financeiro. O acesso ao capital de risco também tem sido um fator para o sucesso da energia limpa nos países, que já estão buscando a liderança no desenvolvimento desse tipo de tecnologia. O relatório sublinha, também, a importância de se desenvolver um forte mercado interno para essas tecnologias. Isso permite às empresas experimentar, ganhar experiência e rapidez ao percorrer a curva de aprendizado, dando-lhes uma vantagem competitiva e dotando-as de referências e exemplos de projetos.

Os governos podem apoiar tais mercados domésticos com subsídios, energias renováveis, metas e políticas de contratos. Isso poderia beneficiar muitos países, como o grupo da União Européia, que se classificou em 18º lugar no ranking do PIB, atrás da Alemanha, mesmo em termos absolutos, e do Reino Unido, que ficou com a 19° posição. Ilustrando as oportunidades perdidas, a Austrália, que desperdiçou uma vantagem inicial de seus técnicos em energia solar, está classificada em 28°. A China é o quarto país classificado em termos de vendas absolutas e sexto em vendas relativas ao seu PIB.

Para o WWF-Brasil, renunciar a estas oportunidades por causa do velho hábito de se utilizar combustíveis fósseis poluentes, em razão das fortes pressões do lobby da indústria tradicional é uma demonstração de que se está agindo contra os interesses mundiais.

Sobre o WWF-Brasil

O WWF-Brasil é uma organização não governamental brasileira dedicada à conservação da natureza com os objetivos de harmonizar a atividade humana com a conservação da biodiversidade e de promover o uso racional dos recursos naturais em benefício dos cidadãos de hoje e das futuras gerações. O WWF-Brasil, criado em 1996 e sediado em Brasília, desenvolve projetos em todo o país e integra a Rede WWF, a maior rede independente de conservação da natureza, com atuação em mais de 100 países e o apoio de cerca de 5 milhões de pessoas, incluindo associados e voluntários.

Natura adere ao Programa Defensores do Clima do WWF-Brasil

Copenhague, 10 de dezembro de 2009 – A Natura anunciou hoje sua adesão ao programa Defensores do Clima do WWF-Brasil e seu compromisso em reduzir em 10% as emissões absolutas dos seus processos operacionais até 2012, em relação ao ano de 2008. O anúncio foi feito em Copenhague, em um evento paralelo à 15ª Conferência das Partes (COP15) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima.

“Neste momento em que nosso futuro no planeta está em jogo por causa do aquecimento global, é preciso unir todos os esforços para enfrentar esse problema”, afirma Denise Hamú, secretária-geral do WWF-Brasil. “É possível dissociar crescimento econômico e emissões de gases do efeito estufa, mesmo nos países em desenvolvimento, e a Natura está mostrando como dar esse passo”, conclui.

Defensores do Clima é o nome de um programa da Rede WWF. No Brasil, o programa está sendo inaugurado pelo acordo firmado entre Natura e WWF-Brasil, organização não governamental brasileira que trabalha em articulação com a Rede WWF, a maior rede independente de conservação da natureza. O programa global conta com 22 empresas participantes, dentro as quais Coca-Cola, IBM, Tetrapak, Nokia, National Geographic e Sony. Juntas, essas empresas reduzirão suas emissões de gases do efeito estufa em 50 milhões de toneladas de CO2 até 2010, o equivalente às emissões anuais da Suíça.

“As crises decorrentes das mudanças climáticas exigem uma mudança nos padrões de consumo e produção. Em 2007, lançamos nosso projeto Carbono Neutro pelo qual adotamos uma meta de redução de 33% nas emissões por quilo de produto”, destaca Alessandro Carlucci, diretor-presidente da Natura. “Agora, ao aceitar o desafio proposto pelo WWF-Brasil, estamos dando mais um passo em nosso compromisso com a sustentabilidade e garantindo que, independente do nosso crescimento, reduziremos nossas emissões de gases do efeito estufa relacionadas às nossas operações”, conclui.

Para atingir a meta, a Natura investirá no uso de energias renováveis. Ela substituirá o combustível dos seus fornos de calor por biomassa e etanol, insumos renováveis, e usará etanol em sua frota própria de veículos.

A exemplo do compromisso da Natura, o WWF-Brasil está prospectando outras empresas que queiram se engajar na redução de emissões de gases de efeito estufa em seus processos industriais e operacionais para assim contribuir para uma economia de baixo carbono,

A Natura

A Natura é a maior fabricante brasileira de cosméticos e produtos de higiene e beleza e líder no setor de venda direta. Criada há 40 anos a partir de um laboratório e uma pequena loja em São Paulo, hoje a empresa possui cerca de 5,7 mil colaboradores e registrou no ano de 2008, receita bruta de R$ 4,9 bilhões, um crescimento de 14,2% em relação ao ano anterior. O lucro líquido foi de R$ 542,2 milhões. A Natura está presente no Brasil, Argentina, Peru, Chile, México, Colômbia e França – onde mantém uma loja e um centro-satélite de pesquisa e tecnologia. Na Bolívia atua por meio de um distribuidor. Sua força de vendas é formada por 1 milhão de consultoras, sendo 851 mil no Brasil e 149 mil no exterior.

O WWF-Brasil

O WWF-Brasil é uma organização não governamental brasileira dedicada à conservação da natureza com os objetivos de harmonizar a atividade humana com a conservação da biodiversidade e de promover o uso racional dos recursos naturais em benefício dos cidadãos de hoje e das futuras gerações. O WWF-Brasil, criado em 1996 e sediado em Brasília, desenvolve projetos em todo o país e integra a Rede WWF, a maior rede independente de conservação da natureza, com atuação em mais de 100 países e o apoio de cerca de 5 milhões de pessoas, incluindo associados e voluntários.

Áreas protegidas: Soluções Naturais para a crise de mudanças climáticas

Livro mostra como as áreas protegidas contribuem significativamente para reduzir os impactos das alterações climáticas

Copenhague, Dinamarca – O livro, Soluções Naturais: áreas protegidas ajudando as pessoas a lidar com as mudanças climáticas exprime como as áreas protegidas contribuem significativamente para reduzir os impactos das alterações climáticas e o que é necessário para ampliar e consolidar essa contribuição.

Apresentado nesta terça-feira (8/12) durante 15ª Conferência das Partes (COP-15) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima, o livro foi elaborado pelas instituições UICN (União Internacional para a Conservação da Natureza), TNC (The Nature Conservancy), o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), WCS (Wildlife Conservation Society), Banco Mundial e WWF.*

Segundo a publicação, as áreas protegidas têm um papel importante no combate ao aquecimento global já que cerca de 15% do estoque mundial de carbono terrestre – 312 giga toneladas – são armazenados em áreas protegidas ao redor do mundo.

As áreas protegidas também servem como redutoras dos impactos climáticos e outros desastres, como enchentes, deslizamentos de terra e tempestades. Alem disso, são responsáveis por manter recursos naturais saudáveis e produtivos gerando resultados positivos também para os moradores de centros urbanos. Entre os serviços ecológicos das áreas protegidas podemos destacar o fornecimento de água potável, regulação do clima, formação dos solos e manutenção de sua fertilidade, manutenção da biodiversidade e controle de pragas e doenças.

“Os líderes mundiais precisam reconhecer que criar e manter adequadamente as áreas protegidas é um investimento na segurança de suas comunidades. A rede global de áreas protegidas precisa de apoio financeiro para sua máxima eficiência e ampliação”, afirma Alexander Belokurov, gerente de Conservação do WWF Internacional.

Para o WWF-Brasil, a manutenção e expansão das áreas protegidas devem ser reconhecidas, tanto na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), como também na Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB), como uma poderosa ferramenta, que deve ser utilizada nas estratégias nacionais sobre alterações climáticas, seja para minimização das mudanças, seja para nossa adaptação à elas.

Brasil e as áreas protegidas

A Amazônia desempenha um papel central na manutenção do clima global, além de ser uma das regiões do globo potencialmente mais afetadas pelas mudanças climáticas. A redução das emissões oriundas por desmatamento na Amazônia representa mais da metade dos compromissos brasileiros anunciados recentemente.

As áreas protegidas contribuem de forma significativa, tanto aumentando a resistência dessa e outras regiões, como Pantanal, aos impactos das mudanças climáticas, como contribuindo para essa redução de emissões. Somente na Amazônia, as áreas protegidas evitariam emissões de 8 giga toneladas de carbono até 2050.**

O programa Arpa, lançado pelo governo brasileiro em 2002, apóia a criação de novas áreas protegidas na Amazônia, além da implementação e gestão em longo prazo, com meta de apoiar 60 milhões de hectares. As áreas protegidas apoiadas pelo programa Arpa são responsáveis por armazenar 4,6 bilhões de toneladas de carbono, número que representa um décimo do carbono retido nas florestas remanescentes na Amazônia brasileira.

Um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com participação e apoio do Woods Hole Research Center e WWF-Brasil, divulgado em 2008, calculou a quantidade de carbono armazenada em 13 áreas protegidas que recebem suporte do Arpa e comparou com o desmatamento estimado na região se as áreas não fossem criadas e apoiadas pelo programa, revelando que as áreas protegidas apoiadas pelo programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa) têm potencial para reduzir pelo menos 1,1 bilhão de toneladas de emissões de carbono originárias de desmatamento e degradação florestal até 2050, representando montante aproximadamente igual ao total de emissões do mundo todo por desmatamento e degradação florestal em 2007.***

“O Brasil tem potencial para ampliar e consolidar o sistema de áreas protegidas, não só na Amazônia, como no Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica, bem como em outras áreas do país, contribuindo ainda mais para a redução das emissões de gases de efeito estufa e a adaptação aos efeitos das mudanças climáticas. Por isso é importante continuar fortalecendo a implementação do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa) e incentivar iniciativas de conservação em todos os biomas”, afirma a secretária-geral do WWF-Brasil, Denise Hamú.

Em seminário realizado em outubro, em Brasília, as organizações não governamentais e gestores de unidades de conservação solicitaram ao governo brasileiro esforços para fortalecimento do sistema de áreas protegidas, em parceria com comunidades locais e povos indígenas, para cumprir as funções de minimização e adaptação às mudanças climáticas.**

Notas:

* Baixe o documento em: http://cmsdata.iucn.org/downloads/natural_solutions.pdf

** Veja informações sobre o papel das áreas protegidas na redução das emissões e o seminário brasileiro em: http://www.wwf.org.br/?22140/Governo-recebe-documento-sobre-reas-protegidas-e-clima. Baixe a declaração final em: http://assets.wwfbr.panda.org/downloads/aps___redd_seminario_declaracao_2009out09_3.pdf

*** Veja informações sobre o papel do Arpa na redução da emissões em: http://www.wwf.org.br/informacoes/especiais/vote_pelo_planeta/?21021/Unidades-de-conservacao-apoiadas-pelo-Arpa-reduzem-em-1-bilhao-de-toneladas-as-emissoes-de-carbono. Baixe o documento do estudo em: http://assets.wwfbr.panda.org/downloads/reducao_das_emissoes_de_carbono_do_desmatamento_no_brasil___o_papel_do_programa_areas_pr.pdf

Sobre o WWF-Brasil

O WWF-Brasil é uma organização não governamental brasileira dedicada à conservação da natureza com os objetivos de harmonizar a atividade humana com a conservação da biodiversidade e de promover o uso racional dos recursos naturais em benefício dos cidadãos de hoje e das futuras gerações. O WWF-Brasil, criado em 1996 e sediado em Brasília, desenvolve projetos em todo o país e integra a Rede WWF, a maior rede independente de conservação da natureza, com atuação em mais de 100 países e o apoio de cerca de 5 milhões de pessoas, incluindo associados e voluntários.


sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Brasil participa de ação mundial pelo clima

Por Redação da WWF-Brasil 


Um acordo global de clima ambicioso ainda pode ser alcançado em Copenhague, no próximo mês de dezembro. Por isso, o WWF-Brasil traz ao país a primeira eleição feita simultaneamente no mundo inteiro. Por meio do aplicativo Vote pelo Planeta, desenvolvido pela Rede WWF em parceria com o Google, a sociedade brasileira poderá participar da mobilização para persuadir os líderes mundiais a chegarem a um acordo climático justo e eficiente capaz de manter o aumenta da temperatura do planeta abaixo dos 2ºC.

“Se cada um fizer sua parte, nossas vozes se transformarão num só coro a pedir aos líderes mundiais que tomem a decisão certa em Copenhague”, afirma a secretária-geral do WWF-Brasil, Denise Hamú. “O novo acordo global de clima não é apenas possível. É absolutamente necessário. Convidamos cada brasileiro a dar seu voto pelo planeta”, completa.

Coordenado globalmente pela Rede WWF, presente em mais de 100 países, o movimento Vote pelo Planeta já conta com participações de países como Japão, Espanha, Austrália e Canadá. A cada dia novos países engrossam a lista. É uma oportunidade histórica de unir o mundo em torno de uma questão que afeta a todos e pedir uma mudança rumo a um futuro mais sustentável.

A ação soma-se a vários outros esforços organizados pela sociedade civil para mobilizar pessoas em torno das questões climáticas. Entre elas, a campanha TicTacTicTac, coordenada pela Campanha Global de Ações pelas Mudanças Climáticas (GCCA, na sigla em inglês). O WWF-Brasil faz parte dessa mobilização, junto com diversas outras organizações da sociedade civil, como Greenpeace, Oxfam e Vitae Civilis, além de lideranças sindicais, empresariais e religiosas.

Como funciona?
No site do WWF-Brasil (http://www.wwf.org.br) há um mapa mundi onde a pessoa ou organização se cadastra e registra seu voto pelo planeta. No aplicativo, é possível deixar mensagens ao votar, ver quem já votou e a localização das pessoas ou organizações participantes.

A ideia surgiu da experiência global Hora do Planeta, que ocorre anualmente em março, desde 2007. Este ano, milhares de pessoas em 103 países apagaram suas luzes e mostraram ao mundo que estão contra o aquecimento global.

Além de dar o voto pelo planeta, o internauta pode ajudar a espalhar a ideia nas mídias sociais como Twitter, Facebook e Orkut.  A blogosfera também está incluída e o WWF-Brasil pede que os blogueiros abracem o movimento e divulguem esta ação e outras questões climáticas, como fizeram no Dia de Ação dos Blogs, 15 de outubro de 2009.

Principais demandas da Rede WWF para o acordo de Copenhague:

1. Criar um esquema com força de lei, dentro do Protocolo de Quioto e relacionado com um novo protocolo de Copenhague;
2. Manter o aquecimento global bem abaixo do limiar de 2 °C. Para isso, as emissões globais precisam começar a declinar antes de 2017;
3. Os países industrializados precisam se comprometer a reduzir suas emissões em 40% até 2020, em comparação aos níveis de 1990;
4. Os países em desenvolvimento precisam concordar em agir significativamente para que suas emissões fiquem menores em pelo menos 30% que a tendência atual de crescimento em 2020;
5. Países com florestas tropicais precisam reduzir as emissões por desmatamento em 75% em 2020;
6. Acordo sobre um sistema de ação imediato para adaptação aos impactos das mudanças climáticas, especialmente para os países mais vulneráveis. Isso inclui financiamento de seguros especiais;
7. Financiamento público na ordem de 160 bilhões de euros para países em desenvolvimento investirem em adaptação e redução de emissões;
8. Um mecanismo para fortalecer a cooperação e transferência de tecnologia e incentivo à pesquisa, desenvolvimento e difusão de tecnologias de baixo carbono;
9. Um novo conjunto institucional no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima, permitindo coordenação, apoio e execução das decisões de forma transparente e democrática; e
10. Acordos com base no Protocolo de Quioto para temas específicos, tais como mercados de carbono, florestas e uso do solo.

Crédito da imagem: WWF / Ezequiel Scagnetti

Fonte: Envolverde/WWF-Brasil

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Cientistas enviam alerta sobre clima

Um manifesto assinado por 40 renomados cientistas especializados em mudanças climáticas foi divulgado nesta quinta-feira (17/9) pedindo que os países desenvolvidos reduzam suas emissões de gases de efeito estufa em 40% até 2020 para que o aumento da temperatura do planeta se mantenha abaixo de 2ºC. Há seis brasileiros entre os cientistas que assinam o documento.

A ação da comunidade científica foi apoiada pela Rede WWF e endossada por ícones como Sir John Houghton, ex-presidente do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), órgão científico da ONU quando o assunto é aquecimento global.

“É importante ver a comunidade científica empenhada em mandar um recado claro para os governantes mundiais”, afirma Denise Hamú, secretária-geral do WWF-Brasil. “Estamos às vésperas de importantes encontros de cúpula como a Assembléia-Geral da ONU e o G-20 e cada sinal que os chefes de estado fazem de que irão realmente comprometer recursos e esforços para deter o aquecimento global no prazo necessário é um grande passo em direção a um acordo justo, eficiente e ambicioso em Copenhague, em dezembro”, completa.

As evidências científicas indicam que até mesmo um aumento de temperatura de 2ºC terá consequências graves principalmente para países mais pobres, pois os eventos climáticos extremos como ciclones, enchentes e secas podem ficar cada vez mais fortes e mais freqüentes. Esses países serão os mais afetados por não terem recursos financeiros e tecnológicos disponíveis para enfrentar os desastres provocados por esses eventos.

Por isso, a Rede WWF avalia que será necessário que os países desenvolvidos, além de reduzir suas emissões, contribuam com cerca de 160 bilhões de dólares por ano para ajudar a financiar ações de adaptação, transferência de tecnologia e redução de emissões nos países em desenvolvimento.

O WWF-Brasil espera também que os países em desenvolvimento busquem estabilizar e reduzir suas emissões de gases de efeito estufa nas próximas décadas. “O compromisso com uma economia de baixa emissão de carbono e a adoção de medidas e ações para a redução dessas emissões são fundamentais no esforço comum que todos devem fazer para manter a temperatura do planeta abaixo dos 2oC”, afima Carlos Rittl, coordenador do programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil.

Entre os seis cientistas brasileiros que assinam o manifesto, cinco são autores principais do IV Relatório de Avaliação do IPCC. São eles: Dr. Carlos Afonso Nobre, Dr. José Antonio Marengo, Dr. Paulo Artaxo, Dr. Roberto Schaeffer e Dra. Suzana Kahn Ribeiro. O Dr. Luis Pinguelli Rosa, presidente do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, também assina o documento.

Crédito da imagem: Staffan Widstrand

(Envolverde/WWF-Brasil)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Mudanças Climáticas: Plano Nacional é insuficiente para lidar com desafios brasileiros

O WWF-Brasil reconhece a preocupação do governo brasileiro com a questão do clima, ao apresentar o Plano Nacional sobre Mudanças do Clima, porém não é o suficiente para lidar com os grandes desafios oferecidos pelo tema. A falta de uma meta geral de redução de emissões de gases de efeito estufa para o país, que seja mensurável, reportável e verificável, conforme os padrões da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima, e a ausência de um período definido para que sejam atingidas são algumas das principais fragilidades do documento.

A falta de articulação entre diferentes setores de emissões como floresta, energia e adaptação e a ausência de relações adequadas entre as razões, os objetivos e as ações previstas no documento também são marcantes. Outro fator que preocupa o WWF-Brasil é que o Plano não aponta com clareza a totalidade das fontes dos recursos financeiros que serão utilizados para sua implementação. Deveria constar anualmente da Lei das Diretrizes Orçamentárias da União, por exemplo.

Desmatamento
É importante realçar que é a primeira vez que o governo brasileiro estabelece metas para o desmatamento, porém é preciso que o governo federal e os governos estaduais assumam a responsabilidade por combater o desmatamento em todo o país e não só Amazônia, como aponta o Plano.

Acabar com o desmatamento na Amazônia em sete anos foi a proposta do Pacto pela Valorização da Floresta e pelo Fim do Desmatamento na Amazônia, apresentado por nove organizações não-governamentais, inclusive o WWF-Brasil, no ano passado. O Pacto pressupõe o estabelecimento de um regime de metas anuais de redução progressiva da taxa de desmatamento da Amazônia, que seria zerada em 2015. Para isso, as ONGs estimam serem necessários investimentos da ordem de R$ 1 bilhão por ano, vindos de fontes nacionais e internacionais como incentivos para a Redução de Emissões oriundas do Desmatamento e Degradação florestal (REDD).

O Plano Nacional sobre Mudanças do Clima, por sua vez, propõe reduzir o desmatamento por etapas até 2017. Para alcançar a meta para o período atual, o desmatamento para 2009 terá que ser reduzido em 23%, objetivo ambicioso para um curto período de tempo.

Já a longo prazo, as metas se tornam pouco ousadas, pois segundo o Plano, em cada período de quatro anos após 2009 o desmatamento deve ser reduzido em 30% em relação ao período anterior. Isso significa que no período de 2014 a 2017 o país vai continuar desmatando uma área de 5,742 km2, o que equivale a todas as emissões do Canadá.Energia elétrica

No setor de energia, as metas apresentadas pelo Plano Nacional de Mudanças do Clima são tímidas e não há uma visão da composição da matriz elétrica desejada pelo governo. O documento não considera o enorme potencial existente de energias renováveis não-convencionais, como solar, eólica e biomassa. A diversificação é chave para o Brasil por questões de segurança energética.

A Agenda Elétrica Sustentável 2020, estudo do WWF-Brasil, mostra que é possível gerar 20% de nossa energia elétrica por meio de fontes renováveis não-convencionais, além de 38% de aumento da eficiência energética. O governo prevê em seu plano 10% até 2030.


Adaptação
A questão de adaptação é um importante tema para países em desenvolvimento como o Brasil, segundo aponta do relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), órgão das Nações Unidas. O Plano faz importantes menções a análises e mapeamento das vulnerabilidades do país, porém é preciso ter metas e ações mais específicas.

Eventos climáticos extremos, como a inundação ocorrida recentemente em Santa Catarina, deverão ser cada vez mais recorrentes no país. Por isso, o Plano Nacional sobre Mudanças do Clima deveria se articular principalmente com o Plano Nacional de Recursos Hídricos e as instâncias que compõem os Sistemas Nacional e Estaduais de Recursos Hídricos. No âmbito das bacias hidrográficas, o documento deveria trazer uma abordagem mais ecossistêmica cuja manutenção da integridade ecológica, também chamada de "infra-estrutura natural", ajudará no processo de resiliência (a capacidade dos ecossistemas de absorver impactos e se recuperarem).

Fonte: WWF

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Acordo para vítimas do clima pode ser necessário, diz WWF

O mundo pode precisar de um novo acordo da Organização das Nações Unidas (ONU) para compensar as vítimas da mudança climática, ou os países correm o risco de serem envolvidos em processos bilionários ligados a ondas de calor, secas e elevações do mar, disse um estudo nesta quarta-feira (3).

O relatório, preparado pela unidade britânica do grupo ambientalista WWF, afirmou que o mundo já viu acordos de compensação por acidentes nucleares, derramamentos de petróleo e até por objetos lançados ao espaço. Mas não há um plano da ONU para compensar os danos da mudança climática.

"A probabilidade de uma ação legal contra os países que emitem mais gases está aumentando", afirmou o estudo de 37 páginas, escrito por dois advogados da área de clima.

Entre as opções dadas pelo relatório está um fundo de compensação internacional definido por algum tratado futuro da ONU para compensar as vítimas. O estudo foi divulgado junto com o encontro da ONU entre 1o e 12 de dezembro em Poznan, na Polônia, para discutir o combate à mudança climática.

"Você precisa enfrentar isso. A ciência está progredindo suficientemente para tornar legítimos esses processos", disse Peter Roderick, diretor do Programa de Justiça Climática e co-autor do estudo.

"Faz mais sentido apresentar um sistema do que ver as pessoas irem à Justiça."

O Painel Climático da ONU afirmou no ano passado que há pelo menos 90 por cento de certeza de que as atividades humanas, principalmente a queima de combustíveis fósseis, são responsáveis pela maior parte do aquecimento dos últimos 50 anos.

Roderick disse que um problema é que a maior parte dos recursos internacionais são destinados a compensar acidentes abruptos - não os danos assustadores provocados pela elevação gradual do mar, projetada pelo Painel Climático.

Os recursos prometidos pelos principais programas da ONU para ajudar os países totalizam apenas 300 milhões de dólares, aproximadamente. Muitos estudos projetam que serão necessários dezenas de bilhões de dólares para ajudar na adaptação.

"Corremos o risco de uma crise enorme", disse Vaughan. Ele afirmou que o estudo tinha a intenção de provocar o debate sobre opções.

Fonte: Estadão Online

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

WWF-Brasil pede ao governo brasileiro que se empenhe nas negociações de clima

Por Redação do WWF-Brasil

O WWF-Brasil enviou hoje uma carta ao governo brasileiro com seus posicionamentos e perspectivas sobre as negociações de clima da 14ª COP (Conferência das Partes) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que será realizada em Poznan, na Polônia, e começa na hoje (1/12).

A carta, assinada pela secretária-geral do WWF-Brasil, Denise Hamú, e pelo líder da Iniciativa Global de Clima da Rede WWF, Kim Carstensen, foi endereçada ao ministro Luiz Alberto Figueiredo Machado, diretor-geral do Departamento de Meio Ambiente e Assuntos Especiais do ministério de Relações Exteriores, chefe da delegação brasileira em Poznan.

O WWF-Brasil e a Rede WWF pedem que o governo brasileiro atue de forma decisiva em Poznan para que haja avanço nas negociações da ONU sobre o clima, até que as discussões estejam concluídas e prontas para que tenhamos um acordo global ambicioso e justo em dezembro de 2009.

Leia a íntegra da carta:

A COP-14 (Conferência das Partes) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que será realizada em Poznan, na Polônia, representa uma etapa importante para o acordo internacional sobre o clima, que se faz necessário para impedir o aumento das temperaturas na Terra, cujas conseqüências seriam catastróficas para o Planeta.

A Rede WWF e o WWF-Brasil conclamam Vossa Excelência e demais representantes de delegação brasileira presentes na Conferência a atuarem de forma decisiva em Poznan para que haja avanço nas negociações da ONU sobre o clima, até que as discussões estejam concluídas e prontas para que tenhamos um acordo global ambicioso e justo em dezembro de 2009.

Tudo depende da capacidade de se alcançar os seguintes resultados em Poznan:

1. Um movimento para começar a negociar seriamente e com base em textos concretos
Só conseguiremos chegar a um consenso sobre o novo acordo global do clima em 2009 se sairmos de Poznan com conclusões firmes, focadas nas propostas mais promissoras das partes, até agora representadas principalmente no Grupo de Trabalho ad hoc em cooperação de longo prazo (AWG LCA). A Rede WWF e o WWF-Brasil reconhecem e apreciam o esforço de Vossa Excelência para compilar, em um único texto, todas as contribuições das partes e de representantes da sociedade civil, o que facilitará as negociações em Poznan.

Durante esta COP, os AWG do Protocolo de Quioto e o da Convenção do Clima precisam começar a discutir as fortes metas de redução do Anexo 1. Além disso, Poznan precisa esclarecer o processo de negociação do próximo ano e estabelecer metas intermediárias que assegurem o progresso. A Rede WWF e o WWF-Brasil também são favoráveis a um maior envolvimento de alto nível ministerial no processo formal antes de Copenhague.

2. Roteiro de uma visão compartilhada, baseada em justiça, ciência e precaução
Um dos focos principais de Poznan será o debate ministerial sobre uma visão compartilhada, que fornecerá a ambição e a diretriz para um tratado de Copenhague com efeito legal. Tal visão compartilhada deve garantir que:
• as emissões globais atinjam o pico e declinem muito antes de 2020, assim como a visão de um patamar bem abaixo de 2°C em comparação com níveis pré-industriais, o que irá exigir reduções de no mínimo 80% até 2050, em relação às emissões de 1990;
• os países desenvolvidos, enquanto grupo, reduzam suas emissões por meio do estabelecimento de metas entre -25% a -40% até 2020, em relação a 1990;
• qualquer compensação das emissões dos países industrializados envolvendo os países em desenvolvimento deve ser além do desvio substancial das emissões de ambos os grupos de nações, em relação a atual tendência;
• os países em desenvolvimento ajam urgentemente para alcançar esse desvio substancial abaixo da linha tendencial; e
• os países industrializados forneçam apoio tecnológico apropriado, mensurável, que possa ser relatado e verificado, para que os países em desenvolvimento implementem medidas de redução e adaptação.

3. Apoio à capacitação institucional e ação precoce nos países em desenvolvimento até 2012
Já para o período anterior a 2012, as partes deverão se comprometer ainda mais com ações programáticas que melhorem a capacidade institucional dos países em desenvolvimento para (1) se adaptarem às mudanças climáticas, e (2) diminuírem suas emissões de gases de efeito estufa por meio de ações relacionadas à energia e à floresta.

Tais esforços precisam ser apoiados financeiramente pelos países desenvolvidos, mas devem ser uma prioridade política nas nações em desenvolvimento. Para isso, os países em desenvolvimento precisam considerar quais ações e estratégias desejam implementar.

4. Metas
O WWF-Brasil parabeniza o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, por suas declarações a favor do estabelecimento de metas para redução de emissões. A defesa desta posição por parte da delegação brasileira em Poznan colocaria o Brasil, mais uma vez, em posição de vanguarda nas negociações sobre clima. Esta posição serviria como exemplo para outros países em desenvolvimento e, mais importante, incentivaria a adoção de metas mais ambiciosas pelos países industrializados. Com a tendência de reduções significativas de desmatamento na região amazônica verificada nos últimos anos, a adoção de metas de redução das emissões pelo Brasil é perfeitamente factível.

5. REDD
Reconhecemos o papel de liderança exercido pelo Brasil nas negociações sobre REDD. Para garantir o apoio máximo pelas partes deste assunto no acordo de Copenhague, o WWF-Brasil recomenda que a delegação brasileira apóie:
• a busca de metodologias para incentivar a manutenção de florestas tropicais em países com baixas taxas históricas de desmatamento; e
• o reconhecimento do uso de diversos mecanismos financeiros de compensação para REDD para incentivar os países desenvolvidos a assumirem metas mais ambiciosas.

A Rede WWF e o WWF-Brasil estão ansiosos para trabalhar junto com Vossa Excelência e demais membros de sua delegação em Poznan para alcançar esses objetivos, que são necessários para o sucesso da COP15 em Copenhague. Além disso, consideramos que, felizmente, tais objetivos são plenamente possíveis de serem atingidos. Ficaremos satisfeitos em discutir isso de forma mais aprofundada, quando for conveniente para Vossa Excelência, e de ouvir vossa opinião em relação à maneira certa de seguir adiante, no afã de proteger a população e a natureza contra as perigosas mudanças climáticas.


Fonte: Envolverde/WWF-Brasil

A história da Convenção de Clima, Protocolo de Quioto e próximo acordo global de clima

Por Redação do WWF Brasil

Os países-membros da Organização das Nações Unidas começaram a discutir o combate às mudanças climáticas em 1992, no Rio de Janeiro. Foi então que surgiu a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, um primeiro passo em direção a um esforço global em prol do clima. A Convenção entrou em vigor em 1994. A partir daí, foram estabelecidos os alicerces para acordos climáticos posteriores.

Foi na Convenção que estabeleceu-se o princípio das “responsabilidades comuns, porém diferenciadas”, que diz que todos países devem reduzir suas emissões de gases de efeito estufa, porém o esforço daqueles que mais emitiram ao longo da história deverá ser maior. Anualmente, os países signatários da Convenção se reúnem na Conferência das Partes (COP) para discutirem questões sobre mudanças climáticas.

O primeiro acordo internacional sobre mudanças climáticas foi assinado em 21 de março de 1994 por 182 países, inclusive o Brasil. O objetivo era estabilizar a concentração do gás associado ao aquecimento global, o gás carbônico (CO2), mas esse acordo não especificou o limite das concentrações.

Por isso, surgiu o Protocolo de Quioto, que estabelece metas de redução dos gases causadores do efeito estufa para os países que assinaram e ratificaram o acordo. Ele foi assinado em 1997, mas só em 2005 foi ratificado pelo número mínimo de países para que pudesse começar a valer.

O Protocolo representa o primeiro passo concreto no sentido de evitar o super aquecimento da terra e reduzir as previsões trágicas que vêm sendo traçadas por causa da intensificação das mudanças climáticas.

Segundo o Protocolo, as nações industrializadas que assinaram o documento devem diminuir suas emissões de gases de efeito estufa em 5,2% em relação aos níveis emitidos em 1990. O período de compromisso do Protocolo vai de 2008 a 2012, prazo para que a meta estabelecida seja atingida. As negociações agora giram basicamente em torno do que será feito depois de 2012, quando termina a vigência do Protocolo.

A expectativa da Rede WWF como resultado da próxima COP de Clima, que será de 1 a 12 de dezembro, em Poznan, na Polônia, é que os líderes produzam um texto claro e um mapa do caminho para as etapas formais de negociações durante 2009. Os ministros devem demonstrar vontade de ter um acordo global sobre clima em 2009, na 15ª COP de Copenhagen, que seja verdadeiramente ambicioso e justo e forte o bastante manter a temperatura global abaixo 2º C, se comparada aos níveis pré-industriais.

O próximo acordo global sobre clima deve ser assinado em 2009, pois ele tem de entrar em vigor assim que o Protocolo de Quioto terminar, em 2012. Depois da assinatura do acordo, cada país deve ratificá-lo. E, para isso, é preciso que os Congressos Nacionais concordem com os termos do tratado.

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WWF-Brasil entra em campanha global "de olho em Poznan"

Campanha incentiva o upload de fotos dos olhos dos internautas. As fotos serão expostas na sede da próxima reunião da Conferência das Partes sobre o Clima, a se realizar em Poznan, Polônia, em Dezembro.

"O mundo está de olho", ou "The world is watching", em inglês, é a mensagem global que a Rede WWF e o Greenpeace, em parceria com diversas outras ONGs, estão divulgando pela internet.

Ao acessar o link http://www.flickr.com/groups/theworldiswatching , da rede social Flickr, o internauta pode postar fotos de seus olhos e se fazer representar, em painéis e vídeos, diante da sede da próxima reunião da Conferência das Partes sobre o Clima, da ONU, em Poznan, Polônia, de 1 a 12 de dezembro deste ano.

A idéia é alertar os líderes dos países participantes de que o mundo está de olho nas negociações de Poznan, um passo crucial rumo à reunião da COP do Clima em Copenhagen, a se realizar em Dezembro de 2009, quando os dirigentes devem chegar a um acordo global para enfrentar as ameaças das mudanças climáticas.

Ambientalistas de todo o planeta esperam que os países participantes, desenvolvidos e em desenvolvimento, cheguem a um consenso e a uma agenda comum para prevenir uma catástrofe climática, com intensificação de eventos extremos como secas, inundações e furacões, que acentuaria a crise financeira. Para isto, é necessário estancar e reduzir as emissões de gases de efeito estufa resultantes, principalmente, do uso de combustíveis fósseis e do desmatamento das florestas tropicais.


Fonte: Envolverde/WWF-Brasil