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sábado, 10 de abril de 2010

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Dicas interessantes para salvar o mundo

1. Informe-se
Acompanhe as notícias sobre o meio ambiente, atualize-se, estude a fundo os aspectos que mais lhe interessam.

2. Aja localmente
Pense a respeito de como colaborar na família, na vizinhança, na escola dos filhos e na comunidade. Participe mais de tudo e difunda suas idéias sobre um mundo melhor.
 
3. Pense localmente
Estabeleça vínculo entre temas locais e globais. Apesar de magnitudes diferentes, os dois universos se correlacionam.

4. Some
Antes de pensar em formar uma organização não-governamental, procure ema parecida na qual você possa se engajar.

5. Otimismo é fundamental
Envolva-se de maneira criativa e divertida. Se quer atrair outras pessoas, pense em discursos e eventos positivos.

6. Seja efetivo
Envolva-se, torne-se ativo, mas não duplique suas obrigações. Trabalhe para ampliar sua efetividade.

7. Crie notícia
Identifique temas que possam interessar a muitas pessoas. Então, escreva para jornais, revistas, redes de rádio e TV.

8. Planeje sua família
Se a população da Terra, em 2050, ficará em 7,9 ou 10,9 bilhões de pessoas, conforme projeta a ONU, a diferença será de um filho por casal.

9. Não polua
Não jogue pilhas e baterias de celular no lixo comum. Mantenha bacias hidrográficas, rios, represas e lagoas livres de lixo ou qualquer tipo de resíduo. Lembre-se: o cano que sai da sua casa provavelmente deságua num rio, numa lagoa ou no mar.

10. Preserve a biodiversidade
Espécies animais e vegetais merecem respeito. Plante árvores: elas produzem oxigênio e são abrigos para aves.

11. Seja coerente
Economize energia, água, prefira equipamentos que não prejudiquem a camada de ozônio, reutilize materiais, recicle o lixo caseiro, use menos o carro, ande mais a pé, evite produtos de origem animal.

12. Passe a sua vida a limpo
Reveja seu estilo de vida. Pense num padrão condizente com o mundo sustentável.

13. Boicote
Engaje-se em movimentos de boicote a produtos que não respeitam o meio ambiente. Aliás, nem espere por moviemntos: faça isso sempre que cair a ficha.

14. Eleja e cobre
Fiscalize o trabalho e a postura dos deputados e senadores ligados à sua comunidade ou cidade. Escreva para eles fazendo sugestões ou cobranças.

15. Separe o joio
Nunca na história tivemos acesso a tanta informação - e também a tantas opiniões diferentes. Faça a coisa certa.

16. Ensine as crianças
Preparar as novas gerações à luz de princípios ecológicos é a garantia de um mundo mais redondo daqui para frente.
 
17. Acredite no futuro
Estimule idéias inovadoras, invista em grupos não-governamentais, renove sua crença de que tudo vai dar certo. Quanto mais pessoas acreditarem na paz, mas ela será possível.

Fonte: Ambiente Brasil

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Globo usa internautas no Orkut para monitorar queimadas ilegais na Amazônica

Os veículos de comunicação tradicionais estão finalmente entendendo o potencial de usar a Rede para engajar suas audiências a partir de temas de interesse comum. A Abril está demonstrando ter chegado a essa maturidade pelo lançamento da Abril Digital. E agora a Rede Globo apresenta um grande produto 100% colaborativo.
O projeto chama Globo Amazônia e é uma ação que permite ao usuário de internet ajudar a monitorar as queimadas na Amazônia.
É uma ação idealizada no início de 2007 por um velho amigo, o jornalista Eduardo Acquarone, começou a ser produzida em 2008 e foi lançada em setembro do ano passado.

Ir onde o internauta está

Me surpreendeu a decisão lúcida dos responsáveis pela Web na emissora de não ter medo de compartilhar tráfego. Existe um site de notícias do projeto - www.globoamazonia.com. Mas todos os protestos são feitos por um aplicativo externo. Eles aproveitaram a força do Orkut.
Até dezembro, quando escrevi este post, mais de 463 mil pessoas tinham instalado o aplicativo de monitoramento em seus perfis no Orkut e mais de 42 milhões de protestos foram registrados. Além do monitoramento com imagens de satélite, o internauta também pode enviar denúncias, o que até o momento gerou sete reportagens sobre desmatamento que foram ao ar nos últimos 3 meses.
Nem a emissora tinha idéia da repercussão que o projeto traria. No dia seguinte ao lançamento, feito pelo Fantástico, mais de 2 milhões de protestos haviam sido feitos.
Talvez você esteja dizendo: - com uma promoção dessas, qualquer um. Tanto não é verdade que o tráfego do Globo Amazônia, em outubro, foi o terceiro maior da Globo em outubro, perdendo só para o G1 e para o Globo Esporte, mas ficando à frente do próprio Fantástico, na quarta posição, que se auto-promove muito mais do que promove outros projetos.

Repercussões chegaram ao Congresso Nacional

O sucesso do Globo Amazônia é consequência ainda da disposição da emissora de enfrentar interesses comerciais e de aceitar que este tipo de mobilização está fora de controle.
Em quatro meses, por exemplo, o projeto foi citado no Congresso pela ex-Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Leia aqui

Construir não é problema

E considere que se trata de um projeto relativamente barato. Toda a parte técnica foi desenvolvida pela globo.com. Uma equipe de 11 pessoas, chefiada por Diego Cox, trabalhou no projeto.
Aqui em São Paulo dois jornalistas - Dennis Darbosa e Iberê Thenório - editam o site, e eles ainda contam com a colaboração e estrutura do Fantástico, Globo Rural e demais veículos da Globo para cobrir a Amazônia.
É um exemplo de projeto de mídia cruzada, a plataforma online abrindo oportunidade de reportagens que, por sua vez, retroalimentam o site com novas denúncias e participação.

Mash-up com dados públicos

Tecnicamente, ele funciona da seguinte maneira: os dados de queimadas e desmatamento são fornecidos pelo INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Esses dados são públicos. Eles apenas conseguiram uma forma muito dinâmica de apresentá-los ao público.
Os dados de queimadas são em tempo real, atualizados até seis vezes por dia. Ou seja, o que se vê no mapa são os pontos que estão queimando neste momento na Amazônia.
Os dados de desmatamento são sempre os dados mais recentes divulgados pelo INPE. Normalmente esses dados são divulgados todos os meses, exceto agora, no período em que a Amazônia fica quase toda coberta por nuvens e os satélites não conseguem "enxergar" direito o que acontece lá.

Diferença entre protestos e denúncias

Os protestos são ações virtuais, mini-abaixo assinados contra uma situação institucionalizada na Amazônia: o desmatamento ilegal.
Quando o site registra 42 milhões de protestos em 3 meses, é um indício de que a sociedade está dizendo em alto e bom som que o desmatamento da Amazônia incomoda.
Mas os protestos não são denúncias. Até para termos um peso jornalístico correto no projeto, todos os pontos onde é possível protestar são os pontos identificados pelo Inpe, ou seja, chancelados por especialistas em monitoramento por satélite.
Além disso as pessoas são estimuladas a fazer relatos e denúncias do que acontece na região, e essa é a base das matérias feitas pelo site e pelo Fantástico.

Superando a burocracia

Outra vitória da equipe foi conseguir demonstrar internamente que não havia problema em mencionar nas reportagens o site de relacionamentos Orkut, o que, de praxe, se evita, para não fazer promoção gratuita.
E vamos torcendo para que a iniciativa continue dando os passos certos. Um deles, por exemplo, seria abrir o conteúdo para o resto do mundo, oferecendo um espelho do site em inglês.
Para quem quiser saber um pouco mais, aqui está a entrevista dos criadores do projeto para o Jô Soares.


segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

eCO2 Transforma Gás Carbônico em Oxigênio!

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O eCO2 é um conceito inspirado no Carbon Dioxide Scrubber, um aparelho que retira gás carbônico da atmosfera e libera oxigênio, desenvolvido por David Keith e um time de cientistas.
O eCO2, criado pelos designers James Kershaw e Chad Garn, é um eliminador de carbono pessoal na forma de uma pulseira esportiva. O conceito é bem simples e o eCO2 usa energia cinética como fonte de energia limpa.
O eCO2 também funciona como relógio, mas sua função principal é capturar gás carbônico de um lado e expelir oxigênio puro do outro. Um conceito interessante que se fosse usado por milhões de pessoas ao mesmo tempo talvez desse algum resultado!
O eCO2 é apenas um conceito e não está sendo produzido comercialmente.
Via Yanko Design.

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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Cientistas explicam como se formam os icebergs

Um processo que contribui para o aumento dos níveis do mar é a formação de icebergs a partir dos mantos de gelo da Groenlândia e da Antártida. À medida que essas expansões de gelo fluem da terra para dentro da água, formam extensões flutuantes, ou plataformas. E é da principal extremidade dessas plataformas que os icebergs se desprendem.

Cientistas que estudam o impacto potencial das mudanças climáticas precisam ser capazes de simular como se comportam os mantos de gelo e as plataformas, incluindo a rapidez com que se formam os icebergs. Mas ninguém foi capaz de formular uma regra fundamental para sua formação.

Agora, Richard B. Alley, da Universidade Estadual da Pensilvânia, e colegas encontraram uma teoria. A taxa de formação, afirmam eles na publicação "Science", é primariamente uma função da taxa pela qual uma plataforma de gelo se espalha.

Essa regra bastante simples foi desenvolvida após um longo estudo com dados de plataformas de gelo, incluindo a maior do mundo, Ross, na Antártida. Eles descobriram que plataformas de crescimento mais rápido possuem uma taxa mais alta de formação, enquanto as que se espalham mais lentamente devido a apoios laterais ou do fundo do mar produzem icebergs em taxas mais baixas.

Os pesquisadores afirmam que mesmo sua regra não sendo perfeita, ela pode ser útil quando associada a modelos de computador para ajudar a estudar o comportamento de mantos de gelo no mundo em aquecimento.

Fonte: G1

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

O planeta tem pressa

Até mesmo os mais incrédulos já concordam: a temperatura da Terra está subindo e a maior parte do problema é provocada por ações do homem, como a queima de combustíveis fósseis. Ainda persistem divergências acerca do tamanho do impacto sobre a vida humana. As soluções também são controversas

Por Ronaldo França e Ronaldo Soares
Revista Veja - 07/05/2008

VEJA listou 50 perguntas e respostas que vão ao centro da questão. O conjunto demonstra que é preciso agir agora.


PREVISÕES

1. EXISTE ALGUMA DÚVIDA CIENTÍFICA INCONTESTÁVEL DE QUE O PLANETA ESTÁ SE AQUECENDO?
Não. Nem os cientistas mais céticos colocam esse fato em dúvida. Nos últimos 100 anos, a temperatura média mundial subiu 0,75 grau Celsius. Também não existe contestação séria ao fato de que isso vem ocorrendo em um ritmo muito elevado. Entre 1910 e 1940 (portanto, em trinta anos), a temperatura média do planeta se elevou 0,35 grau. Entre 1970 e hoje (38 anos), subiu 0,55 grau. Nos últimos doze anos o planeta experimentou onze recordes consecutivos de altas temperaturas.

2. ALÉM DAS MEDIÇÕES, EXISTEM OUTRAS EVIDÊNCIAS IRREFUTÁVEIS DO AQUECIMENTO?
O derretimento do gelo especialmente na calota norte, o Ártico, que vem perdendo área a cada verão, é uma forte evidência. Na calota sul, a Antártica, as perdas são menores e há até aumento da massa total de gelo mesmo com diminuição da área. Paradoxo? Não. Esse aumento é atribuído ao aquecimento global, que elevou a umidade na região, em geral mais seca do que o Deserto do Saara. Com mais chuvas, forma-se mais gelo.

3. OS CIENTISTAS DISPÕEM DE INSTRUMENTOS CONFIÁVEIS PARA AVALIAR AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS?
Os sinais do aquecimento global não são produto de modelos de computador, mas de medições por instrumentos precisos. Entre as mais concretas estão as medições feitas por satélites e por sondas flutuantes nos oceanos, que fornecem dados em tempo real, segundo a segundo.

São consideradas também as medições menos diretas, como a que detecta a espessura e a extensão do chamado "permafrost", o terreno eternamente congelado no Círculo Polar Ártico. Até as flutuações de cores nas auroras boreais fornecem dados sobre a temperatura da Terra. O interessante é que todas as medições, diretas e indiretas, apontam para o aquecimento, sem discrepâncias.

4. A TEMPERATURA DA TERRA TEM CICLOS NATURAIS DE AQUECIMENTO E RESFRIAMENTO. POR QUE O AQUECIMENTO VERIFICADO AGORA NÃO É NATURAL?
Há menos de quarenta anos, na década de 70, alguns cientistas chegaram a prever que o planeta estava entrando em uma nova era glacial, tamanha a agressividade dos invernos no Hemisfério Norte. Essa previsão não pode ser comparada à previsão de aquecimento de agora.

Nunca houve consenso sobre a iminência de uma nova era glacial, tratava-se de pura especulação. Agora existe um consenso mundial entre os cientistas de todas as tendências de que o planeta está se aquecendo. Menos consensual, mas majoritária, é a noção de que o aquecimento é causado pelo atual estágio civilizatório humano, em especial as atividades industrial e de consumo.

5. POR QUAIS PERÍODOS DE AQUECIMENTO A TERRA JÁ PASSOU?
Nos últimos 650 000 anos foram identificados pelo menos quatro. O primeiro há 410 000 anos, o segundo há 320 000, o terceiro há 220.000 e o quarto há 110 000. Em todos esses casos, mesmo sem intervenção humana, houve aumento da concentração de gases que capturam o calor e acentuam o chamado efeito estufa. A fonte mais provável desses gases foram as grandes erupções vulcânicas.

6. SE A METEOROLOGIA NÃO CONSEGUE AFIRMAR COM 100% DE CERTEZA SE VAI FAZER SOL NO FIM DE SEMANA, COMO ELA PODE PREVER O QUE VAI ACONTECER DAQUI A CINQÜENTA OU 100 ANOS?
Saber se vai dar praia ou não é mesmo mais complexo do que fazer um modelo confiável de longo prazo. A modelagem climática lida com tendências e faz afirmações gerais sobre mudanças mínimas na temperatura global. Já a meteorologia imediata trabalha sobre o microclima e sua interação com outros eventos climáticos mais gerais. Essas interações são, por definição, caóticas.

7. AS ESTIMATIVAS DE QUE A TEMPERATURA MÉDIA DO PLANETA SUBIRÁ ATÉ 4 GRAUS ATÉ 2100 SÃO CONFIÁVEIS?
Esse é o cenário mais pessimista projetado pelos cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), que reúne as maiores autoridades do mundo nesse ramo da pesquisa. É um cenário catastrófico, mas ele só ocorrerá, na avaliação dos cientistas, se nada for feito. A projeção mais otimista dá conta de que o aumento projetado seria de 1,8 grau. Isso exigiria um corte de até 70% nas emissões de gases até o ano 2050.

8. EM QUE PONTOS OS CIENTISTAS DIVERGEM?
Todos concordam que o mundo está mesmo se aquecendo. As principais
divergências são sobre a extensão da influência humana e, em especial, sobre se vale a pena ainda buscar a qualquer custo a redução drástica das emissões de gases do efeito estufa.

Quem discorda dessa linha sugere que todo o esforço científico e financeiro dos países seja colocado no desenvolvimento de tecnologias que permitam à civilização conviver com os efeitos de um planeta mais quente.

9. QUANDO O AQUECIMENTO PASSOU A ACONTECER COM MAIS INTENSIDADE?
O acúmulo de gases começou com o advento da Revolução Industrial, no século XVIII. O aquecimento é diretamente proporcional à atividade industrial. Portanto, quanto mais intensa ela for, mais dióxido de carbono (CO2), metano e óxido nitroso (N2O) serão lançados na atmosfera. Os problemas começaram a se manifestar agora porque esses gases tendem a se acumular.

10. QUANTO A TEMPERATURA GLOBAL JÁ SUBIU?
Durante o século XX, a temperatura média global subiu cerca de 0,75 grau.

11. O EX-VICE-PRESIDENTE AMERICANO AL GORE GANHOU O OSCAR E O NOBEL DA PAZ POR SEU FILME EM QUE MOSTRA CONSEQÜÊNCIAS TRÁGICAS DO AQUECIMENTO. TODAS AS SUAS PREVISÕES ESTÃO CORRETAS?
Al Gore optou por mostrar as conseqüências esperadas para os piores cenários. Fez um filme de propaganda, e não um documentário científico. Um exemplo: ele ressalta a previsão de que o nível do mar subirá 6 metros até 2100. O IPCC falava em um aumento máximo de 60 centímetros. Gore, o catastrofista, exagerou feio.

A favor dele, diga-se que as previsões têm sido recalibradas para cima. Os mesmos cientistas do IPCC consideram agora que se pode chegar a 1,2 metro de elevação do nível do mar em 2100.

RAZÕES

12. O AQUECIMENTO GLOBAL É PROVOCADO PELA AÇÃO HUMANA?
Como se viu, a Terra já experimentou ciclos de aquecimento muito antes de o homem fazer sua primeira fogueira. O que parece claro, agora, é que a atividade humana está contribuindo para o aumento no ritmo da elevação da temperatura média global. Isso se dá pela emissão principalmente de CO2, o que dificulta a dissipação do calor para o espaço. Atualmente, a atividade humana produz mais CO2 do que a natureza.

Antes da Revolução Industrial, as emissões de origem humana somavam 290 ppm (partes por milhão) de CO2. Agora chegam a 380 ppm. Uma das principais razões é a ineficiência energética. Para se ter uma idéia, uma única lâmpada, ao final de sua vida útil, terá consumido em eletricidade o equivalente a 250 quilos de carvão (cálculo, claro, válido para os países que geram energia elétrica com carvão mineral).

13. POR QUE A EMISSÃO DE CO2 AUMENTA A TEMPERATURA?
O aumento da concentração de gases cria uma barreira na atmosfera. Ela impede que o calor do sol, quando refletido pela Terra, se dissipe no espaço. O calor fica retido entre a superfície do planeta e a camada de gases. Daí o nome efeito estufa. O CO2 é o principal vilão porque sua presença é predominante. Equivale a 70% da concentração desses gases.

14. QUE OUTROS FATORES PODEM CONCORRER PARA O AUMENTO DA CONCENTRAÇÃO DE GASES DO EFEITO ESTUFA?
Além da atividade humana, fatores naturais contribuem para as alterações climáticas: o processo de decomposição natural de florestas, o aumento na atividade solar e as erupções vulcânicas. Mas nenhum desses fatores produziu transformações com a velocidade que a atividade humana vem provocando.

15. QUAL O PRINCIPAL AGENTE DA EMISSÃO DE CO2?
A queima de combustíveis fósseis. Ela é responsável por cerca de 80% das emissões globais desse gás, o que coloca o mundo numa espécie de sinuca de bico. Não há desenvolvimento sem consumo de energia, e a energia disponível em larga escala depende de carvão, petróleo e gás natural. A principal razão é que os combustíveis fósseis, quando queimados, emitem, em forma de gás, o carbono que ficava armazenado no subsolo. Isso aumenta a concentração na atmosfera.

16. QUAL O PESO DO DESMATAMENTO E DAS QUEIMADAS NESSE FENÔMENO?
Cerca de 18% das emissões de CO2 são originadas de queimadas.

17. QUAL A PARCELA DE RESPONSABILIDADE DOS PAÍSES EMERGENTES NO AQUECIMENTO GLOBAL?
Quando se analisa historicamente, a parcela de culpa desses países é pequena. A questão é como eles vão se comportar daqui em diante. Como são muito populosos e têm grande potencial de crescimento econômico, podem se tornar os grandes vilões do futuro.

18. QUAL A PARTICIPAÇÃO DO BRASIL, EM ESPECIAL?
A maior preocupação em relação ao Brasil é quanto às queimadas e aos desmatamentos. Esses dois fatores respondem por 75% das emissões de CO2 no país. Se forem consideradas apenas as emissões de CO2 decorrentes da queima de combustíveis fósseis, o Brasil é o 16º maior poluidor do mundo. Mas, se for levada em conta a devastação ambiental, o país salta para a quarta posição.

19. É RAZOÁVEL ESPERAR QUE OS PAÍSES EMERGENTES REDUZAM SUA TAXA DE CRESCIMENTO PARA NÃO CONTRIBUIR AINDA MAIS PARA O AQUECIMENTO GLOBAL?
É uma resposta difícil. Agora que o Hemisfério Sul começou a crescer e proporcionar melhores condições de vida a sua população surge a questão da sustentabilidade que não existia quando os atuais países ricos se industrializaram. O melhor que as nações ricas podem fazer é ajudar as emergentes a ter acesso mais rápido a tecnologias limpas.

CONSEQÜÊNCIAS

20. O RITMO DE CRESCIMENTO DA TEMPERATURA DÁ SINAIS DE ESTAR ARREFECENDO?
Não. Tudo indica que ele está sendo mantido e continuará assim.

21. POR QUE ACREDITAR QUE ESSE RITMO SERÁ MANTIDO?
O aquecimento que se observa hoje é uma soma das ações do passado com as ações presentes. Não há, a médio prazo, nenhuma alternativa energética com potencial de substituir os combustíveis fósseis em larga escala. Para mudar radicalmente as emissões, seriam necessárias intervenções muito profundas, que dificilmente seriam feitas de uma hora para outra. O ritmo de implementação das ações previstas no Tratado de Kioto principal instrumento dos países e das organizações multilaterais para a redução das emissões de gases do efeito estufa está sendo mais lento do que se esperava. O tratado é até agora um fracasso. Os países não-signatários de Kioto aumentaram suas emissões em ritmo menor do que os que assinaram o documento.

22. ATÉ QUE TEMPERATURA A VIDA NA TERRA É VIÁVEL?
A experiência em regiões desérticas e tropicais mostra que a vida humana em sociedade é possível à temperatura constante de 45 graus. Isso não significa que a vida seria tolerável se todo o planeta atingisse esse pico de temperatura. O desarranjo obrigaria a humanidade a buscar novas estratégias de sobrevivência. Por outro lado, nem o mais pessimista dos cientistas acredita que o aquecimento global ofereceria risco de sobrevivência para toda a raça humana.

23. HÁ O RISCO DE MORRER GENTE?
Sim. Muitos cientistas acreditam que a onda de calor que matou mais de 30 000 pessoas na Europa durante o verão de 2003 já seja reflexo do aquecimento global. Se essas ondas se tornarem mais freqüentes, farão mais vítimas, principalmente entre os mais pobres (que não têm alternativas de proteção) e os mais indefesos, caso de crianças e idosos.

24. QUAIS AS CONSEQÜÊNCIAS PREVISÍVEIS PARA O BRASIL?
A mais grave seria a mudança de vegetação em metade da Amazônia, que se tornaria uma espécie de savana ou cerrado, já a partir de 2050. Isso porque a temperatura na região subiria pelo menos 3 graus. Com a temperatura média do país, que hoje é de 25 graus, passando aos 29 graus, milhares de famílias teriam de deixar o sertão nordestino em busca de regiões de clima mais ameno. O nível do mar também subiria nas cidades litorâneas, como Recife e Rio de Janeiro.

25. HÁ RISCO DE AUMENTO DE DOENÇAS COMO MALÁRIA, FEBRE AMARELA OU DENGUE, POR EXEMPLO?
Esse é um ponto controverso. Os que discordam são em número muito maior do que os que concordam. A exceção são aquelas doenças em que a relação é direta, caso da dengue, cujo mosquito transmissor se reproduz em maior escala no calor.

26. AS GELEIRAS VÃO DERRETER COMPLETAMENTE?
Não vão. A previsão mais pessimista indica que 2% de todas as geleiras derreterão até 2100. Esse derretimento é que levará ao aumento de 1,2 metro no nível do mar.

27. QUAIS OS RISCOS DE FALTAR ÁGUA? A ÁGUA POTÁVEL VAI ACABAR? OS RIOS VÃO SECAR? É POSSÍVEL DIZER TAMBÉM QUE O SERTÃO NORDESTINO VAI SE DESERTIFICAR?
A disponibilidade hídrica do planeta não mudará. A distribuição das chuvas pelo globo é que será alterada. Aumentará a disponibilidade de água em alguns lugares, principalmente nas latitudes médias e nas regiões tropicais úmidas. Quanto às regiões equatoriais, existe muita incerteza. Mas pode-se dizer que haverá mais seca nas regiões áridas e semi-áridas. O fim da água potável pode ocorrer, mas não somente por causa do aquecimento. Está relacionado também à poluição provocada pelo homem e ao aumento de demanda por água, principalmente para a agricultura irrigada.

28. QUE OUTROS IMPACTOS PODERIAM OCORRER NO DIA-A-DIA DAS PESSOAS?
As chuvas seriam muito mais intensas, e isso afetaria todas as regiões. Esperase que haja um maior número de noites quentes e ondas de calor, mas também invernos mais rigorosos. A temperatura variaria em extremos. Se for mantido oatual ritmo de emissões e levando-se em conta as projeções de crescimento econômico, populacional etc. , haverá elevação do nível do mar, redução de florestas, enchentes nas regiões mais úmidas, secas mais severas nas regiões de clima árido e semi-árido.

29. A DISPONIBILIDADE DE ALIMENTOS ESTARÁ COMPROMETIDA?
Depende do aumento da temperatura. Se a elevação for de 2 graus (no máximo), poderá haver aumento da área plantada, incorporando-se vastas áreas do Canadá e da Sibéria à produção mundial. Se a temperatura subir além disso, 4 graus ou mais, toda a agricultura mundial será prejudicada. Outro problema é a mudança das chuvas, que pode provocar secas mais severas na África e no sul da Ásia.

30. PODE-SE ESPERAR QUE O AQUECIMENTO INVIABILIZE A VIDA EM ALGUMAS REGIÕES DO PLANETA, PROVOCANDO MIGRAÇÕES POPULACIONAIS EM MASSA?
Mais uma vez depende de quanto a temperatura vai aumentar. No pior cenário, haverá migração em massa de populações pobres, da ordem de dezenas de milhões de pessoas, em razão da falta de água para beber e para a agricultura. No sudeste da Ásia também podem ocorrer fugas em massa, mas por causa de inundações.

31. A ELEVAÇÃO DO NÍVEL DO MAR PODERÁ ENGOLIR PARTES INTEIRAS DO LITORAL DOS PAÍSES?
Caso se confirme a elevação do nível da água do mar entre 30 e 60 centímetros, os efeitos serão reduzidos. Mas a aceleração do degelo na Groenlândia e na Antártica Ocidental obrigou os cientistas a rever suas previsões. Um exemplo: a Holanda tem mais de 40% de seu território abaixo do nível do mar.

Se a elevação da água for pequena, será possível contornar o problema com a construção de diques. Mas, se chegar ao limite máximo imaginado pelos cientistas, o país poderá perder uma parte enorme de seu território. Durante o século XX, o aumento do nível do mar na costa brasileira foi de 20 centímetros. A média global foi de 17 centímetros.

32. O AQUECIMENTO GLOBAL SERÁ A PRINCIPAL CAUSA DE EXTINÇÃO DE ESPÉCIES?
Sim. Já neste século e no próximo, o aquecimento vai superar os dois grandes vilões atuais, que são a caça predatória e a fragmentação de hábitats.

33. JÁ HÁ ALGUMA ESPÉCIE AMEAÇADA POR ESSE MOTIVO?
Pelo menos 74 espécies de sapo desapareceram nas montanhas da América Central devido ao aumento de 1 grau na temperatura média. Isso mudou o microclima e fez com que um fungo da pele dos sapos se desenvolvesse descontroladamente. Os anfíbios de todo o planeta também correm perigo.

34. PODE-SE ESPERAR ALGUM BENEFÍCIO DO AQUECIMENTO OU APENAS TRAGÉDIA?
Os impactos são principalmente negativos, pois perturbam um sistema já equilibrado. Mas há alguns positivos, sim, como o incremento à agricultura em lugares hoje muito frios e a diminuição, na média mundial, na freqüência de noites muito frias, o que trará benefícios à saúde humana.

SOLUÇÕES

35. O MUNDO NÃO TEM PROBLEMAS QUE EXIGEM ENFRENTAMENTO MAIS URGENTE DO QUE O AQUECIMENTO GLOBAL?
A fome, a falta d'água e as doenças matam mais gente hoje. Mas o mundo não pode se dar ao luxo de ignorar o aquecimento global. Isso porque, além de efeitos desastrosos, tudo o que se fizer agora só terá resultado décadas à frente. Além disso, para muitos dos problemas atuais há soluções tecnológicas iminentes.

O buraco na camada de ozônio é um exemplo. Ele se fechará num futuro próximo, graças a ações já empreendidas. No caso do aquecimento, se o mundo parar de emitir gases de efeito estufa hoje, o problema ainda levará séculos para ser resolvido. Alguns limites já foram até ultrapassados.

O melhor exemplo é o gelo ártico. Em 2050, ele poderá desaparecer totalmente durante o verão. Não há mais o que fazer. Não se pode esperar mais cinco ou dez anos para começar a agir vigorosamente.

36. QUANTO SERÁ NECESSÁRIO INVESTIR NA SUAVIZAÇÃO DOS EFEITOS DA MUDANÇA CLIMÁTICA?
Num primeiro cálculo, estimou-se que seriam necessários 150 bilhões de dólares anuais para cumprir as metas do Protocolo de Kioto. Mas é possível que a conta seja menor, dados o avanço tecnológico e os ganhos em eficiência energética. Um exemplo são os combustíveis fósseis, os que mais emitem gases do efeito estufa.

Já existem hoje tecnologias capazes de reduzir em 20% as emissões. Há outros exemplos mais simples. Os sistemas de iluminação com LED, diodos de efeito luminoso, têm eficiência quase vinte vezes superior à das lâmpadas de bulbo.

37. É POSSÍVEL REVERTER TOTALMENTE O AQUECIMENTO?
Não. O máximo que se pode fazer é reduzir o ritmo. Caso se reduzam as emissões globais entre 60% e 70% até 2050, a temperatura subirá até o fim do século entre 2 e 2,5 graus. Se não se fizer nada, ela poderá aumentar entre 4 e 5 graus no mesmo período, com efeitos desastrosos.

38. REDUZIR A EMISSÃO DE GASES DO EFEITO ESTUFA, COMO O CO2, É MESMO O MELHOR CAMINHO?
O que importa é a concentração "líquida", ou seja, a diferença entre o que é emitido e o que é absorvido pela Terra. Ao mesmo tempo em que se reduz a emissão de gases do efeito estufa, pode-se investir no seqüestro de carbono, seja biológico (caso do aumento de área de florestas), seja geológico (armazenagem de gás carbônico no subsolo, tecnologia ainda em estudo). Há ainda o aumento da eficiência energética em relação à que se tem hoje.

39. É ECONOMICAMENTE VIÁVEL REDUZIR AS EMISSÕES DE CO2 EM ESCALA SUFICIENTE PARA RESOLVER O PROBLEMA?
Se nada for feito, a economia mundial sofrerá um abalo descomunal. O Estudo Stern (do ex-economista-chefe do Banco Mundial Nicholas Stern) fala em perdas anuais de até 20% no PIB mundial (o conjunto de riquezas produzidas pelas nações). Em economia, o que torna possível pagar o preço de uma solução é o valor do prejuízo causado pela inação. O estudo calcula que o investimento necessário para resolver o problema chegaria a 1% do PIB.

40. NÃO SERIA MAIS FÁCIL RESOLVER O PROBLEMA ATRAVÉS DO DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO?
Ainda que se obtenha um elevado grau de desenvolvimento tecnológico, vai demorar para que isso aconteça. Não há tempo para esperar sem trabalhar para reduzir as emissões.

41. FONTES DE ENERGIA ALTERNATIVA SUPREM AS NECESSIDADES DE REDUÇÃODE EMISSÕES DE CO2?
Todas as fontes renováveis, juntas, não substituiriam sequer metade da quantidade do combustível fóssil usado hoje. Portanto, é preciso reduzir as emissões de CO2 em no mínimo 55% até 2050. O papel das fontes de energia alternativas é auxiliar nesse esforço, assim como na busca de eficiência energética.

42. NÃO SERIA MAIS FÁCIL ACEITAR QUE AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS SÃO INEVITÁVEIS E INVESTIR EM FORMAS DE CONVIVER COM ELAS?
Buscar formas de adaptação será necessário de qualquer jeito. A diferença está no grau de intervenção que será necessário. Dependerá da extensão das mudanças climáticas.

43. ATITUDES INDIVIDUAIS, COMO ECONOMIZAR PAPEL E ÁGUA, POR EXEMPLO, SURTEM ALGUM EFEITO?
Somente com atitudes individuais se poderá promover uma mudança no perfil do consumo, com impacto ambiental significativo. O planeta tem de buscar a máxima reciclagem dos produtos e torná-los mais duradouros. E isso deve ocorrer paralelamente às mudanças em grande escala, como a substituição de fontes de energia e a otimização no uso dos transportes.

44. O QUE É DE RESPONSABILIDADE DOS PAÍSES E O QUE COMPETE EXCLUSIVAMENTE AOS CIDADÃOS?
Devido à urgência, são os governos que devem começar a fazer sua parte primeiro.

45. É POSSÍVEL ESPERAR QUE A HUMANIDADE CONSIGA SE ADAPTAR PLENAMENTE, SEJA QUAL FOR A INTENSIDADE DA MUDANÇA CLIMÁTICA?
Dependendo da elevação da temperatura, torna-se impossível a adaptação, em razão da falta de água para beber e para a agricultura. Mas é preciso dizer que as mudanças não afetarão a humanidade de forma igual. Quem mora na Sibéria, por exemplo, se beneficiará. Para os países pobres da África, Ásia e América Latina, no entanto, elas serão prejudiciais, com o risco de migrações em massa.

46. O CONTROLE DE EMISSÕES DE GÁS CARBÔNICO CONFORME ESTABELECIDO NO TRATADO DE KIOTO TERÁ ALGUM RESULTADO PRÁTICO?
O único efeito prático do tratado foi deslanchar um vigoroso esforço mundial para o desenvolvimento de tecnologias alternativas. O esforço conjunto dos países é o único caminho.

47. POR QUE OS ESTADOS UNIDOS NÃO QUEREM ASSINÁ-LO?
O principal argumento é o impacto negativo na competitividade da economia americana. É grande a influência da indústria automobilística e do petróleo sobre as decisões do governo americano. Para escapar das pressões internacionais, o governo daquele país resolveu investir bilhões de dólares na busca de tecnologias mais limpas e tem conseguido melhores resultados do que os dos signatários do protocolo.

48. O QUE GOVERNOS E ORGANISMOS INTERNACIONAIS JÁ ESTÃO FAZENDO DE CONCRETO?
Alguns países, como Inglaterra e Alemanha, estão tão avançados na redução das emissões e na busca de novas tecnologias que deverão alcançar, já no próximo ano, as metas definidas para 2012. A União Européia começou a se impor novas metas, mais arrojadas, para 2020.

49. AS MEDIDAS COMPENSATÓRIAS, COMO O MERCADO DE CRÉDITOS DE CARBONO, TERÃO RESULTADOS GLOBAIS EXPRESSIVOS?
O resultado ainda é pequeno, pois o mercado de carbono funciona como compensação. Ou seja, o que se planta de novas árvores no Brasil apenas compensa o CO2 emitido por outro país. Ele não vai além, promovendo uma redução líquida. Conclusão: é bem-vindo, mas insuficiente.

50. HÁ TEMPO PARA EVITAR O DESASTRE?
Há tempo de evitar as conseqüências mais negativas, mas não todas. A Terra já está se aquecendo. O objetivo viável é evitar que se aqueça catastroficamente.

Entre os especialistas consultados por VEJA na elaboração deste questionário destacam-se alguns dos integrantes do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática. São eles os cientistas Carlos Nobre, José Marengo, Roberto Schaeffer e Suzana Kahn Ribeiro, que colaboraram na revisão das respostas.

Fonte:
Revista Veja

domingo, 16 de novembro de 2008

Jogo Energuy

Arraste o “Energuy” pela mão e clique sobre coisas que irão ajudá-lo a economizar energia. Mas cuidado com o relógio!

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

NASA mostra o que mudou com o Aquecimento Global

NASA lança site que revela as mudanças no planeta.

Derretimento do gelo, nível dos mares, emissão de CO2 e mudanças climáticas são as variáveis analisadas e apontadas desde o início da Revolução Industrial até os dias atuais.

Site


sexta-feira, 9 de maio de 2008

Será que isso vai para a reciclagem?

Por Redação Akatu

CDs, clipes, embalagens de creme dental, ... ainda são muitas as dúvidas das pessoas na hora de separar o lixo para reciclagem.

Como já dizia o pai da química, Antoine Laurent Lavoisier nas últimas décadas do século XVIII, em sua conhecida lei da conservação da matéria: "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". Hoje, no século XXI, a surpreendente quantidade de lixo produzido nas nossas cidades e a consciência de que é preciso reciclar e reutilizar materiais e produtos como forma de promover o moderno conceito de sustentabilidade, faz com que a frase ganhe fôlego renovado e seja novamente entoada como um “mantra”.

Atualmente, são coletadas mais de 140.000 toneladas de lixo urbano por dia no Brasil. Desse total, 60% não têm um destino final adequado, em aterros sanitários, sendo jogados nos chamados lixões. E segundo o Relatório Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2007, da ABRELPE (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais), o total de lixo gerado nas cidades brasileiras pode ser muito maior. Estima-se que cerca de 10 milhões de toneladas de resíduos sólidos (algo como 20 a 25% do total coletado de lixo urbano) deixam de ser coletados todos os anos, acabando por ter um destino incerto, geralmente, inadequado.

Para se ter uma idéia do que significa esse volume de lixo, apenas no município de São Paulo são geradas cerca de 15 mil toneladas de lixo por dia, das quais 9 mil toneladas são provenientes do lixo domiciliar. Um caminhão de transporte de lixo tem capacidade de carregar 12 toneladas de lixo a cada viagem. Assim, para transportar essas 9 mil toneladas de lixo doméstico produzidas apenas na capital paulista em um único dia, seriam necessários 750 caminhões de lixo que, estacionados um na frente do outro, formariam uma fila de mais de 7 quilômetros.

No entanto, nem todos esses resíduos precisariam ter como fim as latas de lixo. Até 30% dessa montanha de lixo produzidos diariamente nas cidades brasileiras é composta por materiais recicláveis, como plástico, vidro, papel, latas entre outros que, se adequadamente separados, coletados e encaminhados poderiam ser reaproveitados na confecção de novas matérias primas que poderiam ser reprocessadas em processos de reciclagem e usadas na fabricação de novos produtos.

De acordo com dados da ABRELPE (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais), dos 5.564 municípios brasileiros, 65% já possuem algum tipo de iniciativa de coleta seletiva, seja realizada porta a porta, por meio de cooperativas de catadores, seja pela existência de postos de coleta em locais definidos, organizados pelo poder público ou pela iniciativa privada.

As vantagens da coleta seletiva e da reciclagem são muitas. Além de evitar o desperdício de materiais que ainda podem ser utilizados, ao separarmos nosso lixo e enviarmos o material reciclável para o reaproveitamento nas indústrias, diminui a quantidade de lixo que precisará ser armazenado e tratado pelos serviços públicos municipais. As cidades evitam, assim, ter que investir adicionalmente na construção de aterros e na infra-estrutura necessária para tratar o lixo de maneira correta, de forma a evitar riscos à saúde e ao meio ambiente. O material que é destinado à reciclagem segue para as centrais de triagem e é fonte de renda para as famílias que trabalham nas cooperativas de catadores, um benefício social importante.

De acordo com a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB-IBGE, 2000), a maior parte dos municípios brasileiros com população de até 50 mil habitantes destina em média 5% de seus orçamentos para a gestão de resíduos sólidos. Segundo Patrícia Leme, doutora em Educação, bióloga e educadora ambiental do Programa USP Recicla, campus de São Carlos, o consumidor pode contribuir, e muito, para diminuir a quantidade de lixo gerado em sua casa ao aplicar no dia a dia o princípio dos 3 R´s – reduzir, reutilizar e reciclar – acrescido de um primeiro e fundamental conceito, também um “R’’, o do repensar seus hábitos de consumo. “O consumidor precisa repensar seu padrão de consumo e antes de comprar se perguntar: eu preciso mesmo disto? E ainda, quanto tempo este produto vai levar para virar lixo?”, explica a educadora.

Assim, após refletir sobre suas necessidades de compra e estar ciente da importância de levar para casa apenas o necessário, é também importante analisar cada opção de consumo e fazer escolhas que tenham o menor impacto socioambiental possível. Para atingir esse objetivo, a dica é evitar lotar o carrinho de supermercado com produtos descartáveis e cheios de embalagens, cujo destino certo é transformarem-se rapidamente em lixo. Nessa linha de raciocínio, o ideal é escolher embalagens retornáveis ou recicláveis, assim como optar por produtos vendidos a granel.

Já em casa, após o uso dos produtos, cuidadosamente escolhidos para causar o menor impacto possível, chega a hora do descarte. É o momento de pensar na coleta seletiva e na reciclagem dos materiais. A coleta seletiva envolve a separação e envio dos materiais usados que poderão ser reaproveitados, evitando jogá-los fora junto ao lixo comum. Por meio desta ação é possível levá-los novamente para a indústria, após o reprocessamento que permite gerar matérias primas com menor gasto de dinheiro, água e energia do que o que seria gasto no ciclo produtivo a partir dos recursos da natureza.

Assim, a reciclagem é o processo de transformação e reaproveitamento desses materiais coletados. Para que possa ocorrer na prática, dependerá de dois fatores básicos: o tecnológico e o de mercado. O primeiro é bastante objetivo, pois pressupõe que exista um jeito de reutilizar e transformar um determinado material na indústria. Já o segundo fator, por sua vez, é bastante mais complexo. Para a educadora do USP Recicla, as questões de mercado são dependentes principalmente da existência ou não de um sistema municipal de coleta seletiva e da distância que o município está das usinas de reciclagem, de cada material específico. “Em São Carlos as embalagens Tetra Pak são recicladas, pois existe uma indústria em uma cidade vizinha. Mas em Manaus, por exemplo, não são”, exemplifica.

Para saber se um determinado material é ou não reciclado em sua região, Patrícia sugere que o consumidor se informe junto a Prefeitura Municipal ou informalmente junto aos catadores locais. “O consumidor tem um enorme poder de influenciar o mercado. Ele pode se organizar e tentar pressionar o município em que mora para que invista no sistema de coleta seletiva e reciclagem. De modo geral, o consumidor, por meio de seu ato de consumo, tem possibilidades de transformar a realidade para melhor”, sugere.

Para ajudar os consumidores a separarem seu lixo em casa, o Akatu mostra a seguir algumas orientações que facilitam a separação dos recicláveis, em casa ou no trabalho. A elaboração dessas recomendações contou com o auxílio de Patrícia Leme, educadora do USP Recicla, e de Eduardo Ferreira de Paula, Diretor Secretário da Coopamare (Cooperativa de Catadores Autônomos de Papel, Papelão, Aparas e Materiais Reaproveitáveis) e do Movimento Nacional de Catadores.

Materiais que devem ser encaminhados para reciclagem

* Embalagens de vidro, garrafas, copos e vidro de janela.
* Cacos de qualquer embalagem de vidro podem ser enviados para reciclagem, mas devem ser protegidos e limpos. “Todo vidro deve estar identificado e ser colocado em caixa de papelão ou embrulhado em jornal, para evitar que alguém se machuque”, ensina Ferreira.
* Jornais, revistas, folhas de caderno, formulários de computador, caixas de papel e papelão em geral, aparas de papel, fotocópias, envelopes, folhas sulfite usadas (dos dois lados) e cartazes velhos.
* Latas de folha de flandres (como lata de óleo, salsicha, leite em pó).
* Latas de alumínio (refrigerante, cerveja)
* Aço (talheres, armações de óculos)
* Embalagem marmitex (limpas)
* Chapas de metal
* Papel alumínio limpo (sem resíduos orgânicos, como restos de comida.
* Materiais feitos em PVC rígido (canos, p.ex.)
* Copos, pratos, potes e embalagens plásticas (como as de detergente, shampoo etc.)
* Tampas plásticas
* Sacos (de leite, arroz etc.)
* Embalagem PET de refrigerante
* CD e DVD são considerados plástico misto, e podem ser enviados para reciclagem.

* Sacolinhas plásticas e o plástico filme, desde que limpos, ainda que “o mercado para esse tipo de material (seja) bem fraco, dificultando o escoamento desse material para a reciclagem”, explica Patrícia.

* Tubos de pasta de dente, assim como outras embalagens de produtos de higiene e beleza. “Use até o final, o máximo que puder e então envie para reciclagem”, diz Patrícia.

* Canetas esferográficas, separe a parte de fora, a “capinha”, feita de plástico e envie para reciclagem. A carga deve ser jogada no lixo comum.

* Pedaços de materiais ou produtos de pequena dimensão (de plástico, papel, etc. ou os de metal, como grampos, pregos, por exemplo), que, como são pequenos devem ser juntados em potes para depois enviá-los para reciclagem – de preferência separando por tipo de material.

* Quanto às pilhas, a educadora Patrícia aponta que é preciso repensar a legislação, pois mesmo as produzidas de modo oficial no país e que pela lei atual podem ser jogadas no lixo comum, têm pequenas quantidades de metais pesados. Ao longo de muitos anos, essas pequenas quantidades também se acumulam na natureza e podem se transformar em um grande problema ambiental.

* Uma dica para o consumidor é repensar se realmente precisa utilizar aparelhos a pilhas. Nos casos indispensáveis, deve-se optar por pilhas recarregáveis. É fundamental enviar as pilhas usadas sempre para reciclagem, mesmo que a legislação não obrigue a isso no Brasil. “Nos países da União Européia inclusive as pilhas comuns não podem ser jogadas no lixo comum, mas devem obrigatoriamente ser enviadas para reciclagem”, conta Patrícia.

* As lâmpadas fluorescentes, da mesma maneira, segundo a legislação brasileira podem ser jogadas no lixo comum, embora contenham mercúrio na forma de vapor, um resíduo perigoso que, no momento em que a lâmpada quebra pode ser liberado para o ar e prejudicar o meio ambiente e a saúde humana. “Muitas empresas e universidades pagam para outras empresas promoverem a descontaminação. Nós , da USP, fazemos isso. Só aqui no campus da USP de São Carlos são encaminhadas para reciclagem 5 mil lâmpadas por ano”, explica Patrícia O ideal, explica a educadora, seria que os fabricantes de lâmpadas ficassem responsáveis pela sua destinação adequada (descontaminação e reciclagem), já que o descarte desses materiais pode ocasionar contaminação ambiental, assim como acontece com as pilhas. Mas preste atenção, apenas as lâmpadas fluorescentes são recicláveis e não as mais comuns (incandescentes), que não são recicláveis.

* Fitas cassete e disquetes têm sua parte exterior feita de plástico, que é reciclável. Mas a fita magnética, interna, ao contrário, não é. Se for possível separá-los e encaminhar o exterior para reciclagem, deve-se fazê-lo.


Materiais que não devem ser encaminhados para a reciclagem.

* Embalagens metalizadas, como as de salgadinho e biscoitos
* Etiquetas adesivas
* Fita crepe e fita adesiva
* Papel higiênico
* Papéis plastificados (geralmente de embalagens)
* Papel de fax
* Guardanapos de papel e lenços de papel sujos (com restos orgânicos, por exemplo, de comida).
* Fraldas descartáveis
* Celofane
* Fotografias
* Lã ou esponjas de aço
* Canos velhos
* Espelhos e vidros planos (como os de automóvel ou box)
* Porcelana (pratos, travessas, xícaras)
* Tubos de imagem de TV
* Lâmpadas comuns (incandescentes)
* Materiais de cerâmica
* Cabos de panela.
* Espuma
* Esponja de cozinha
* Isopor: apesar de existir tecnologia para sua reciclagem, na grande maioria das vezes, ela não acontece. O melhor, por isso, é evitar comprar produtos embalados em isopor, assim como em outras embalagens não recicláveis ou de difícil reciclagem.

* A madeira é um material orgânico, mas que não pode ser reciclado.



A coleta seletiva, que envolve a separação e envio dos recicláveis para reaproveitamento industrial, é a primeira parte de um processo complexo. Patrícia explica que a reciclabilidade dos materiais depende tanto da existência de tecnologia, que permita transformar e reutilizar os materiais coletados, quanto de indústrias dispostas a usarem esse material. Portanto, um determinado material, apesar de ser reciclável, pode não ser reciclado por falta de uma empresa que o utilize. A Pesquisadora recomenda que o consumidor que tiver a oportunidade cheque quais os materiais são reciclados em sua região e continue incentivando a coleta seletiva, para que cada vez mais materiais possam ser efetivamente reciclados em sua cidade.

* No caso das embalagens Longa Vida (como as de leite, suco, tomate) o consumidor que deseja saber se em sua região já existe quem colete ou comercialize este tipo de material, pode acessar o endereço www.rotadareciclagem.com.br. O site foi criado pela Tetra Pak e trás informações sobre a sua reciclagem em todo o país.


Eletroeletrônicos

* O perigo dos eletroeletrônicos.

Segundo o Greenpeace, o lixo eletrônico produzido no mundo em um ano encheria um vagão de carga de um trem capaz de dar uma volta completa no mundo. São 50 milhões de toneladas de lixo eletroeletrônico produzidos a cada ano pela humanidade, composto por computadores, celulares, eletroeletrônicos e eletrodomésticos.

“Na União Européia já existe legislação específica para resíduos eletro eletrônicos que garante que esses materiais terão uma destinação ambientalmente correta. No Brasil, não. Essa legislação européia diz que o consumidor que quiser descartar estes produtos é obrigado a dispô-los em locais específicos que encaminharão o material coletado para destinação correta sem custo adicional para o consumidor”, explica Patrícia.

Algumas entidades que recebem equipamentos e/ou orientam aqueles que querem fazer doações são:

Associação Brasileira de Excedentes: http://www.abre-excedente.org.br

Casas André Luiz: http://www.andreluiz.org.br

Comitê pela Democratização da Informática: http://www.cdi.org.br

Exército de Salvação: http://www.exercitodesalvacao.org.br

Museu do Computador: http://www.museudocomputador.com.br


* Uma saída para diminuir a quantidade gerada desses perigosos resíduos é utilizar os produtos até o final da sua vida útil e só trocá-los quando for realmente necessário.

* Se o aparelho a ser descartado ainda estiver em bom estado, outra possibilidade é doá-lo.

* É importante lembrar que maioria dos eletroeletrônicos possui em sua composição metais pesados, como chumbo, cádmio e mercúrio, entre outros, que se manuseados ou dispostos de maneira inadequada oferecem riscos à saúde humana e ao meio ambiente, com perigo de contaminar o ar, o solo e as águas.

* No Brasil, algumas empresas já aceitam receber de volta os equipamentos usados produzidos por ela. Por isso, antes de jogar qualquer aparelho no lixo, informe-se junto ao respectivo fabricante se ele recebe o produto de volta. E caso não receba, não perca a ocasião de sugerir que o faça.

Orientações em geral

* Todo material que esteve em contato com alimentos ou outros produtos orgânicos deve ser lavado e seco antes de ser separado. Com isso não haverá contaminação dos demais materiais, dificultando seu envio para reciclagem. “O material limpo evita o mau cheiro do lixo e não atrai animais, como ratos e baratas, por exemplo”, explica Ferreira. Claro que existe um gasto de água, mas estima-se que este seja ainda maior para fabricar um produto novo. E a limpeza a ser feita é apenas para tirar o material orgânico e não para “deixar o material brilhando”.

* Usar copos e pratos duráveis ao invés dos descartáveis. Estima-se que se gasta mais água para reciclar ou fabricar um produto descartável do que para lavar um durável. O ideal no caso do copo de água, por exemplo, é optar por um durável e lavá-lo apenas à noite, na sua casa, ou no final do expediente.

* Para diminuir o volume de lixo doméstico, antes de encaminhar para coleta seletiva, amasse as latas de alumínio e, no caso de garrafas Pet, tire a tampa e “enrole” a garrafa, fechando-a em seguida novamente. E corte embalagens longa vida, dobrando os lados destacados.

* Na hora de escolher a forma de separar o lixo, seja em uma única lata de lixo para recicláveis, ou dividindo os diversos materiais recicláveis em diversas latas de lixo, o importante é conhecer antecipadamente o programa de coleta seletiva da sua região. A escolha deve ser aquela que se adeque melhor a este programa e facilite o trabalho de coleta, triagem e envio dos materiais para reciclagem. “Cada consumidor deve analisar como é feita a coleta seletiva em sua região e sabendo para quem vai o material, escolher a melhor forma de separá-lo”, diz Patrícia.

* Ferreira, da Coopamare, recomenda, como mínimo, que se separe o lixo em pelo menos dois sacos plásticos: um para os restos orgânicos (de preferência da cor preta); e outro para os materiais recicláveis (preferencialmente azul).

Se você achou muito longa ou complexa essa lista de dicas, fique apenas com esta: “Na dúvida sobre um material, envie para reciclagem”, afirma Patrícia, mesmo correndo o risco de uma parte desse material acabar mesmo no lixo comum.


Mãos a obra! Repense, reduza, reutilize e recicle o seu lixo!

(Envolverde/Instituto Akatu)

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Resposta para o Aquecimento Global


O alerta dos cientistas sobre o aquecimento global e suas conseqüências, que há poucos anos mobilizava apenas órgãos técnicos de governos e ambientalistas, hoje se tornou um tema onipresente. O combate ao aumento do efeito estufa está na retórica dos políticos e nos planos de negócios dos empresários. Virou ferramenta de marketing na publicidade e de autopromoção entre celebridades. Em todo o mundo, a possibilidade de ocorrerem catástrofes cada vez mais devastadoras por causa da elevação da temperatura no planeta é tema obrigatório nas rodas de conversa. Entenda por que o planeta esquenta, e o que a elevação da temperatura pode fazer com ele.

1. O que é o efeito estufa?

O efeito estufa é o fenômeno natural pelo qual a energia emitida pelo Sol - em forma de luz e radiação - é acumulada na superfície e na atmosfera terrestres, aumentando a temperatura do planeta. De suma importância para a existência de diversas espécies biológicas, o efeito estufa acontece principalmente pela ação de dióxido de carbono (CO2), CFCs, metano, óxido nitroso e vapor de água, que formam uma barreira contra a dissipação da energia solar. A maioria dos cientistas climáticos crê que um aumento na quantidade desses gases provoca uma elevação da temperatura da Terra.


2. A emissão desses gases está aumentando?

Com o desmatamento e a queima de combustíveis fósseis cada vez mais intensos, a concentração desses gases está aumentando, especialmente as de CO2 e metano. Desde 1800, a concentração de dióxido de carbono na atmosfera cresceu 30%, enquanto a de metano aumentou 130%. Analisando camadas de gelo da Antártica, cientistas europeus descobriram que o ritmo de aumento na concentração de CO2 é impressionante: nos últimos 150 anos, o gás propagou-se pela atmosfera do planeta cerca de 200 vezes mais rápido que nos últimos 650.000 anos.


3. Quais são os maiores emissores de gases do efeito estufa?

Os maiores emissores de gases responsáveis pelo efeito estufa são Estados Unidos, União Européia, China, Rússia, Japão e Índia. Entre essas nações, os Estados Unidos - responsáveis por cerca de 36% do total mundial - lideram as emissões tanto em termos absolutos como per capita. Entre 1990 e 2002, os EUA aumentaram em 15% o nível de emissão de gases, chegando a 6 bilhões de toneladas ao ano. Para efeito de comparação, todos os países membros da UE emitiram, juntos, cerca de 3,4 bilhões em 2002. A China, terceira colocada no ranking, emitiu 3,1 bilhões de toneladas.


4. Quais são as evidências do aquecimento do planeta?

Há diversas evidências de que a temperatura global aumentou. Os termômetros subiram 0,6°C entre meados do século XIX e o início do século XXI - desses, 0,5°C apenas nos últimos 50 anos. Outra evidência é a elevação de 10 cm a 20 cm no nível dos oceanos nesse período. Além disso, as regiões glaciais do planeta estão diminuindo: em algumas zonas do Ártico, por exemplo, a cobertura de gelo encolheu até 40% em décadas recentes. Cientistas também consideram prova do aquecimento global a diferença de temperatura entre a superfície terrestre e a troposfera - zona atmosférica mais próxima do solo.

5. Quanto a temperatura pode subir?

Os atuais modelos científicos prevêem que, se nada for feito, a temperatura global pode aumentar entre 1,4°C e 5,8°C até 2100. Cientistas menos otimistas acreditam que a temperatura de certas áreas do globo pode subir até 8°C no período, e que, mesmo com um corte radical na emissão de gases, os efeitos do aquecimento continuarão. Isso porque são necessárias décadas para que as moléculas dos gases que já estão na atmosfera sejam desfeitas e parem de acumular energia solar em excesso.


6. Os atuais modelos de previsão de clima são confiáveis?

Os debates em torno da eficácia e precisão dos atuais modelos de previsão climática são acalorados. Uma minoria científica crê que os sistemas computadorizados são demasiadamente simplificados, incapazes de simular as complexidades do clima real. Porém, a maior parte comunidade científica mundial defende que as atuais análises feitas em computador, apesar de precisarem ser aperfeiçoadas, já são confiáveis para simulações de futuro próximo - intervalos de 25 ou 30 anos.


7. Quais serão os principais efeitos do aquecimento?

Os cientistas climáticos são unânimes em afirmar que o impacto do aquecimento será enorme. A maioria prevê falta de água potável, mudanças drásticas nas condições de produção de alimentos e aumento no número de mortes causadas por inundações, secas, tempestades, ondas de calor e fenômenos naturais como tufões e furacões. Além disso, pesquisadores europeus e americanos estimam que, caso as calotas polares derretam, haverá uma elevação de cerca de 7 metros no nível dos oceanos. Outro impacto provável é a extinção de diversas espécies animais e vegetais.

8. Quais países serão mais afetados?

Apesar de os grandes responsáveis pelo aquecimento global serem as nações desenvolvidas da América do Norte e Europa Ocidental, os chamados países em desenvolvimento serão os que mais sentirão efeitos negativos. Isso acontecerá porque essas nações possuem menos recursos financeiros, tecnológicos e científicos para lidar com os problemas de inundações, secas e, principalmente, com os surtos de doenças decorrentes. A malária, por exemplo, deve passar a matar cerca de 1 milhão de pessoas ao ano com o aquecimento do planeta.


9. Quais espécies animais serão mais afetadas?

Segundo as estimativas da Convenção das Nações Unidas para Mudanças do Clima (UNFCCC), a maioria das espécies atualmente ameaçadas de extinção pode deixar de existir nas próximas décadas. As projeções indicam que 25% das espécies de mamíferos e 12% dos tipos de aves seriam totalmente banidos do planeta com o aumento da temperatura, que provocaria mudanças drásticas principalmente nos frágeis ecossistemas florestais e pantanosos.


10. Como impedir um aquecimento global exagerado?

Cientistas e engenheiros defendem que a solução para o aquecimento global exagerado está no desenvolvimento de tecnologias energéticas que emitam menos dióxido de carbono. Entre as mais pesquisadas atualmente estão a fissão nuclear, células combustíveis de hidrogênio, desenvolvimento de motores elétricos e também o aprimoramento de motores à combustão pela diminuição do consumo e pela diversificação de substâncias combustíveis. No Brasil, ganha destaque o desenvolvimento de matrizes energéticas de origens vegetais, como o etanol, o biodiesel e também o Hbio.

11. Qual a importância do Protocolo de Kioto para conter o aquecimento?

O protocolo de Kioto - que entrou em vigor em fevereiro de 2005 e conta com a participação de 163 nações - prevê que até 2012 seus signatários reduzam as emissões combinadas a níveis 5% abaixo dos índices de 1990. A eficácia do acordo, contudo, é limitada, pois até o momento os Estados Unidos, maior emissor mundial de dióxido de carbono, não ratificaram o pacto. Especialistas acreditam que as resoluções de Kioto apenas combatem a camada mais superficial do problema do aquecimento global.

Fonte: Veja Online

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Guia Interativo das Mudanças Climáticas

O Site da BBCBrasil esta disponibilizando infográficos que explicam os efeitos das mudanças climáticas no mundo.

BBC Brasil.com

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

25 ações contra o aquecimento global - para empresas

Depois do sucesso da nossa primeira lista de 50 ações contra o aquecimento global, compilamos mais algumas dicas simples de sites como o TreeHugger e o 21st Century Citzen, adaptadas para o dia a dia das empresas brasileiras. Que tal circular essa lista para seus colegas de trabalho ou então imprimí-la no mural da empresa? Usando papel reciclado, é claro! :)

  1. Use os dois lados do papel
    Reduza o seu gasto com papel e o acúmulo sobre a sua mesa pela metade imprimindo os dois lados da folha. Algumas impressoras já oferecem essa opção automaticamente.
  2. Guarde as caixas
    Quando receber alguma encomenda, guarde as caixas para reuso posterior.
  3. Recolha o papel da máquina de xerox
    Muitos escritórios têm uma lata de lixo bem ao lado da máquina de xerox. Se alguma cópia saiu com erro, basta jogar no lixo. Elimine essa prática da sua empresa colocando uma caixa para acumular papel que pode ser utilizado como rascunho.
  4. Evite impressões coloridas
    Impressões coloridas gastam mais tinta e raramente são necessárias em documentos. Imprima usando somente o preto sempre que puder.
  5. Reduza as margens, imprima em colunas
    Reduza as margens da sua impressão, ou então escolha imprimir o texto em colunas. Além da leitura ser mais fácil, você aproveita melhor o papel e gasta de 20 a 50% menos material.
  6. Imprima em modo rascunho
    Para economizar ainda mais tinta e também um bom dinheiro, imprima em modo rascunho ou “draft”.
  7. Compre papel reciclado
    Se você é o responsável pelas compras no escritório, que tal incluir uma quantidade de papel reciclável na próxima compra? Ou então converse com seus colegas e chefes do trabalho para implementar a prática.
  8. Recarregue seus cartuchos de tinta e toner
    Ao recarregar seus cartuchos de tinta ou toner em lojas especializadas, você economiza dinheiro, embalagens, combustível do transporte e consequentemente, CO2 na atmosfera. Em muitos casos, a economiza chega a até 70%.
  9. Utilize e-mail
    Parece incrível, mas muita gente ainda distribuiu memorandos e atas de reunião em papel, gerando desperício de material e aumento de custos com limpeza e armazenamento. Que tal utilizar o e-mail? O mesmo vale para manuais, políticas internas e documentos.
  10. Instale secadores de mãos nos banheiros
    Reduza a quantidade de papel desperdiçado e também os custos com limpeza instalando secadores de mãos nos banheiros.
  11. Incentive a carona
    Estabeleça um programa de carona no seu escritório. Muitas vezes as pessoas gostariam de dividir o carro mas não sabem onde as outras moram ou tem vergonha de perguntar.
  12. Crie um bicicletário
    Se possível, crie um espaço no estacionamento dedicado exclusivamente às bicicletas.
  13. Instale lixeiras seletivas
    Não apenas para a empresa, mas também para que os colaboradores possam trazer de casa o lixo reciclável.
  14. Incentive o trabalho remoto
    Graças à Internet, hoje em dia muitas profissões permitem que se trabalhe de casa algumas vezes por semana. É menos estressante, e muito mais econômico em transporte, alimentação e emissões de carbono.
  15. Compre equipamentos de qualidade
    O barato sai caro e gera muitos resíduos na natureza. Ao comprar equipamentos para a sua empresa, considere a durabilidade deles e também as politicas ambientais dos fabricantes.
  16. Desligue a máquina de snacks, café e água
    Muitas vezes esses equipamentos ficam ligados noites, fins de semana e feriados inteiros, consumindo energia e aumentando os custos da empresa.
  17. Desligue os screensavers
    Proteção de tela (screensaver) não economiza energia, ao contrário, gasta. Configure o seu monitor para que ele se desligue após algum tempo sem uso. E é sempre bom lembrar: monitores LCD são muito mais econômicos que os de CRT (tubo) e laptops são muito mais econômicos que os desktops.
  18. Compre material de limpeza ecológico
    Existem várias opções no mercado, como detergentes, sabonetes e desinfetantes que não utilizam derivados de petróleo. A marca Biowash possui produtos de qualidade a preços competitivos.
  19. Leve a sua caneca favorita para o escritório
    Ao invés de utilizar vários copinhos plásticos durante o dia, que tal levar para o escritório sua caneca ou garrafa lavável favorita? Incentive seus colaboradores a fazerem o mesmo.
  20. Compre café, chá e refeições orgânicas
    Ofereça qualidade de vida aos seus colaboradores e reduza seu impacto ambiental de maneira fácil e simples.
  21. Disponibilize açúcar e adoçantes em potes
    Evite o desperdício dos pacotes individuais de açúcar e adoçante que são jogados no lixo a cada cafézinho. O mesmo vale para colherzinhas de plástico para misturar o café.
  22. Envie árvores para seus clientes
    Que tal mandar um presente de final de ano diferente? Você pode enviar mudas de árvores para seus clientes e parceiros, ou ao então plantá-las por eles. Você pode conseguir as mudas facilmente em hortos, chácaras ou entidades como o SOS Mata Atlântica a preços quase simbólicos.
  23. Faça um convênio com um restaurante orgânico
    Procure um restaurante orgânico próximo à sua empresa e faça um convênio para oferecer preços mais em conta para seus colaboradores. É um excelente negócio para os dois lados.
  24. Repense a decoração de natal
    Incorpore o espírito natalino, e ao invés de luzes e desperdício de energia e papel, destine os recursos da decoração de fim de ano da empresa para entidades assistenciais ou para o plantio de árvores.
  25. Repasse essa lista para seus colaboradores e parceiros:
    Distribua livremente essa lista e se possível divulgue a fonte, o www.mudeomundo.com.br. Incorpore aqui as suas sugestões e ajude a construir uma empresa e também um mundo mais sustentável.