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quarta-feira, 9 de maio de 2007

Transporte público é questão ambiental para o IPCC

Publicada em 08/05/2007 às 20h33mLuisa Guedes - O Globo Online


Ônibus poluem no trânsito do Rio - Fábio Rossi


RIO - Pela primeira vez o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU incluiu o transporte público em seu relatório, dando à questão o status de problema ambiental. A decisão, tomada durante a última reunião do grupo, na semana passada, em Bangcoc (Tailândia), foi comemorada nesta terça-feira pela professora Suzana da Kahn, que está entre os três pesquisadores da COPPE/UFRJ que participaram da redação do documento. O setor de transporte é o segundo maior responsável pelo aumento da emissão de gases do efeito estufa (GEE) - que provocam o aquecimento global - e é também o que mais cresce nojavascript:void(0)
Publicar mundo, podendo superar a produção de energia, hoje a atividade que gera maior quantidade de emissões.

- Pela primeira vez apareceram no relatório do IPCC a vantagem e a importância do investimento em transporte público. Passaram a constar o planejamento urbano e o transporte não motorizado como alternativa complementar ao transporte convencional. Mas é claro que ninguém vai ter que andar longas distâncias a pé ou de bicicleta - explicou a professora, que

criticiou a pequena participação do Brasil no painel.

Segundo o relatório, se nada for feito, as emissões relacionadas ao transporte serão 80% maiores em 2030. Com as medidas tecnológicas já disponíveis, como investimento na eficiência dos veículos e difusão dos biocombustíveis, é possível cortar 50% das emissões até 2030. Mas há também mudanças de comportamento que permitiriam uma redução de 5% a 20% no mesmo período.

A importância das alterações de hábitos e comportamentos individuais é grande, já que os veículos leves usados no transporte particular são responsáveis por 44% das emissões relacionadas ao setor. Estimular essas mudanças é o objetivo de medidas já adotadas no Brasil, como o rodízio de veículos estabelecido em São Paulo e a inspeção de carros, que podem ser tirados de circulação se estiverem poluindo demais. Mas embora o potencial de redução de emissões do steor seja grande, o professor da COPPE/UFRJ Roberto Schaeffer, que também é autor do relatório, alerta que o setor enfrenta uma grande barreira cultural.

É difícil convencer alguém a largar o conforto do seu carro para pegar um ônibus

- Não há um problema técnico, mas é difícil convencer alguém a largar o conforto do seu carro para pegar um ônibus - diz Schaeffer.

Suzana reconhece que medidas como essas não costumam ser bem recebidas, mas acredita que com a difusão de informações é possível contornar as dificuldades.

- Para dar um exemplo de como as pessoas não tem noção, no caso do carro flex fuel, mesmo nas vezes em que é mais vantajoso usar o álcool que a gasolina, as pessoas optam por usar a gasolina por uma questão de conservadorismo, hábito e falta de conscientização.

De acordo com a professora, a solução para as grandes cidades brasileiras é, "sem dúvida", investir em trens e linhas de metrô. A ampliação da oferta de transporte público deve ser associada a medidas menores, como a manutenção de rodovias. Segundo Suzana, em estradas precárias o consumo é muito maior, já que os veículos não podem manter a velocidade média adequada ao melhor desempenho.

Desmatamento é o ponto crítico do país


Desmatamento no Brasil em 2006 - Arquivo / O Globo


O ponto crítico do país, porém, é o desmatamento. No mundo, três quartos das emissões são conseqüência da produção de energia, e apenas um quarto tem origem no uso da terra. No Brasil, a proporção é inversa, em parte devido à grande quantidade de emissões nas queimadas usadas para desmatar florestas.

Ainda não há consenso, porém, sobre a melhor forma de combater o desmatamento. O assunto deu origem a divergências entre o professor Roberto Schaeffer e o professor Emílio La Rovere, o terceiro brasileiro envolvido na produção do relatório do IPCC. Enquanto Shaeffer defende o estabelecimento de metas para a redução do desmatamento, La Rovere argumenta que a prática deve ser extinta.

- Os níveis de desmatamento são tão altos que sem uma meta não há métrica para medi-los. Estabelecer meta não significa que o país tenha que cumpri-la sozinho, pode pedir ajuda para isso. Há a proposta de criar um fundo internacional para países que reduzam taxas de desmatamento. Seria um mecanismo de compensação para aqueles que conseguirem ficar abaixo da sua média histórica - sugere Schaeffer.

Para La Rovere, é inaceitável que o Brasil ainda conviva com o desmatamento.

- A meta aceitável é zero. Agente sabe das dificuldades do estado brasileiro se fazer presente em uma área como a Amazônia. Então é muito complicado levar alguma meta para negociações internacionais. Isso é uma questão interna. Mas podemos, sim, ter transferência de recursos estrangeiros. Até porque a Amazônia presta um serviço ambiental para o mundo inteiro.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Saiba mais sobre Mudanças Climáticas

O que é aquecimento global?
O aquecimento global é resultadao do lançamento excessivo de gases de efeito estufa (GEEs), sobretudo o dióxido de carbono (CO2), na atmosfera. Esses gases formam uma espécie de cobertor cada dia mais espesso que torna o planeta cada vez mais quente e não permite a saída de radiação solar.

O que é efeito estufa?
O efeito estufa é um fenômeno natural para manter o planeta aquecido. Desta forma é possível a vida na Terra. O problema é que, ao lançar muitos gases de efeito estufa (GEEs) na atmosfera, o planeta se torna quente cada vez mais, podendo levar à extinção da vida na Terra.

Quais as causas das mudanças climáticas?
As mudanças climáticas, outro nome para o aquecimento global, acontecem quando são lançados mais gases de efeito estufa (GEEs) do que as florestas e os oceanos são capazes de absorver.

Como são lançados os gases de efeito estufa?
Isso acontece de diversas maneiras. As principais são: a queima de combustíveis fósseis (como petróleo, carvão e gás natural) e o desmatamento (no Brasil, o desmatamento é o principal responsável por nossas emissões de GEEs).

Quais os efeitos do aquecimento global?
São várias as conseqüências das mudanças climáticas. Algumas delas já podem ser sentidas em diferentes partes do planeta como o aumento da intensidade de eventos de extremos climáticos (furacões, tempestades tropicais, inundações, ondas de calor, seca ou deslizamentos de terra). Além disso, os cientistas hoje já observam o aumento do nível do mar por causa do derretimento das calotas polares e o aumento da temperatura média do planeta em 0,8º C desde a Revolução Industrial. Acima de 2º C, efeitos potencialmente catastróficos poderiam acontecer, comprometendo seriamente os esforços de desenvolvimento dos países. Em alguns casos, países inteiros poderão ser engolidos pelo aumento do nível do mar e comunidades terão que migrar devido ao aumento das regiões áridas.

Como o desmatamento influencia na mudança do clima?
Ao desmatar, muitas pessoas queimam a madeira que não tem valor comercial. O gás carbônico (CO2) contido na fumaça oriunda desse incêndio sobe para a atmosfera e se acumula a outros gases aumentando o efeito estufa. No Brasil, 75% das emissões são provenientes do desmatamento.

Quais as soluções para combater o aumento do efeito estufa?
Existem várias maneiras de reduzir as emissões dos gases de efeito estufa. Diminuir o desmatamento, incentivar o uso de energias renováveis não-convencionais, eficiência energética e a reciclagem de materiais, melhorar o transporte público são algumas das possibilidades.

O que é Convenção do Clima?
É uma reunião anual da Organização das Nações Unidas (ONU) onde os países membros discutem as questões mais importantes sobre mudanças climáticas. A primeira convenção mundial aconteceu em 1992. O nome oficial do evento é Convenção-Quadro da Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (UNFCC, sigla em inglês).

O que é Protocolo de Quioto?
É o único tratado internacional que estipula reduções obrigatórias de emissões causadoras do efeito estufa. O documento foi ratificado por 168 países. Os Estados Unidos, maiores emissores mundiais, e a Austrália não fazem parte do Protocolo de Quioto.

O que é Fundo de Adaptação?
Um mecanismo financiado pelos países desenvolvidos para que os países em desenvolvimento possam lidar com os efeitos das mudanças climáticas. Hoje, cada projeto de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) paga 2% do seu valor para este Fundo, mas o dinheiro ainda não está sendo empregado.

O que é MDL?
Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) é um instrumento criado para reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa. Mas, para compreender melhor o que isso significa é preciso voltar ao ano de 1997, quando a comunidade internacional fechou um acordo para reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa, o Protocolo de Quioto. Neste mecanismo da Convenção do Clima, os países desenvolvidos têm até 2012 para reduzir suas emissões em 5,2% tomando como base o ano de 1990. Além de cortar localmente suas emissões, os países desenvolvidos podem também comprar uma parcela de suas metas em créditos de carbono gerados em projetos em outros países. A Implementação Conjunta garante créditos obtidos de países desenvolvidos e o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) permite que estes créditos venham de países em desenvolvimento, como o Brasil.


http://www.wwf.org.br