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quinta-feira, 15 de abril de 2010

Rachadura no gelo assusta pesquisadores britânicos no Ártico


Martin Hartley

da BBC Brasil

Uma equipe de pesquisadores britânicos foi surpreendida por uma rachadura gigante no gelo logo abaixo de uma das barracas de seu acampamento, no Ártico.

Os três integrantes da equipe Catlin Arctic Survey estão na região para uma pesquisa anual que avalia os efeitos das mudanças climáticas.

Rachadura no gelo assusta pesquisadores britânicos do Catlin Arctic Survey no Ártico


Os pesquisadores Ann Daniels, Martin Hartley e Charlie Paton, estavam acampados no gelo quando ele começou a rachar.

"Ouvimos um estalido, alguns estrondos e, de repente, o gelo começou a se romper. Tudo aconteceu muito rápido", disse Charlie Paton.

A pesquisadora Ann Daniels conta que os pesquisadores já tinham observado o gelo se movimentando. Na manhã seguinte, depois dos barulhos, o gelo começou a se abrir de repente.

"O gelo começou a se romper do lado de fora [do acampamento]. Então o gelo começou a se romper cada vez mais perto das barracas e então, embaixo das barracas. Martin [Hartley] e eu começamos a tirar tudo (das barracas) e empacotar tudo o mais rápido que podíamos."

"Estávamos retirando todo o equipamento quando Charlie [Paton] gritou: 'Saiam agora'", relatou a pesquisadora à BBC.

"Tivemos que decidir rapidamente em lado da rachadura iríamos ficar e resgatar rapidamente todo o equipamento para evitar danos."

Apesar do susto, nenhum dos equipamentos ficou danificado e os pesquisadores não se feriram.

A equipe de pesquisadores britânicos também está tendo que enfrentar outras dificuldades na região, como grandes extensões de águas abertas, gelo se movimentando rapidamente e placas de gelo deslizando umas sobre as outras.

A missão da equipe britânica é coletar dados para investigar qual o impacto do dióxido de carbono no Oceano Ártico. Além de caminhar na região, os pesquisadores estão perfurando o gelo para fazer medições, além de coletar amostras de água do mar de diferentes profundidades. 
 
Fonte: http://www.folha.uol.com.br/

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Mudança climática-Índia: Faça a sua geleira

Por Athar Parvaiz, da IPS 
 

 
Ladakh, Índia, 25/11/2009 – Para enfrentar os efeitos do aquecimento global nas montanhas do Himalaia, um indiano lançou uma ideia original que pode ser aplicada também em outras áreas do mundo: criar glaciais artificiais. Para esta árida região que raramente vê chuva, as geleiras são uma fundamental fonte de água, mas estão diminuindo rapidamente. Os agricultores encontram cada vez mais dificuldades para cultivar suas terras. A água é muito escassa quando mais necessitam dela para irrigar seus campos.

Chwang Norphel, de 74 anos, ex-engenheiro civil do governo indiano, encontrou uma forma singular de enfrentar este problema. Não, não tem o poder de deter o derretimento dos gelos, mas é pioneiro na criação de geleiras artificiais que ajudam os agricultores a superarem a crise de irrigação na temporada de maior necessidade para o cultivo. Em entrevista à IPS, Norphel falou sobre sua invenção, que lhe valeu em seu país o apelido de “Homem glacial”, e também de suas lutas e suas esperanças.

IPS – A ideia de criar geleiras artificiais está lentamente ganhando ampla aceitação. Conte um pouco sobre o conceito geral.

Chewang Norphel – A criação de geleiras artificiais é uma técnica de conservação de água em altitude elevada diante da mudança climática. Os glaciais estão retrocedendo rapidamente, e os invernos ficam cada vez mais curtos e mais quentes. Assim, a pouca neve que cai derrete rapidamente. A água derretida da neve e das geleiras flui para os rios sem que possa ser usada (pelos agricultores) durante a maior parte do ano, e estes não podem encontrar nada de água quando precisam dela durante a temporada de nevadas.

Portanto, a construção de geleiras artificiais é um meio de coletar a água derretida para as necessidades de irrigação dos agricultores. Os glaciais naturais estão bem no alto das montanhas e derretem lentamente no verão. Assim, chegam às aldeias em junho, enquanto as geleiras artificiais começam a derreter na primavera, bem quando ocorre a primeira necessidade de irrigação, chamada “thachus”, que significa “água germinadora”.

IPS – Como são criadas as geleiras artificiais?

CN – Trata-se de uma técnica simples de coletar água, adequada para os desertos frios em elevada altitude que são totalmente dependentes das geleiras. A água derretida em diferentes altitudes é desviada para a parte da montanha que se encontra na sombra, de face para o norte, onde o sol do inverno é bloqueado pela pendente. Quando começa o inverno (boreal, em novembro) a água desviada flui para a parte inclinada da colina através de canais de distribuição desenhados de forma adequada.
São construídos muros de contenção de pedra em intervalos regulares, impedindo o fluxo de água e criando tanques pouco profundos. Nas câmaras de distribuição são instalados canos de 38 milímetros a cada 1,5 metro para haver um fornecimento adequado. A água flui em pequenas quantidades e baixa velocidade através da tubulação e se congela de forma instantânea. O processo de formação do gelo prossegue por três ou quatro meses de inverno, e uma grande quantidade de água congelada acumula-se na pendente da montanha. Isto é acertadamente chamado de “geleira artificial”.

IPS – Quantos agricultores são favorecidos pelas geleiras artificiais?

CN – Já que são construídas perto de uma aldeia, todas as famílias que a habitam se favorecem por igual. Oitenta por cento dos produtores de Leh (capital de Ladakh) dependem do derretimento dos glaciais para irrigar suas terras, onde cultivam verduras, cevada e trigo. Até agora criamos oito glaciais vizinhos a muitas aldeias, ajudando os agricultores que vivem nelas. Quando a instalação se estender a todas as aldeias, todos os produtores serão favorecidos.

IPS – Quais os outros benefícios das geleiras artificiais?

CN – Além de solucionar o problema de irrigação, ajudam a recarregar a água subterrânea e estimulam o rejuvenescimento que se produz na primavera. Permitem que os agricultores tenham duas colheitas ao ano, ajudam a desenvolver pastagens para o gado e conseguem reduzir as disputas entre os fazendeiros pela distribuição da água. Também ajudam a gerar confiança nos produtores de regiões áridas como Ladakh. Os aldeões podem ganhar dinheiro e continuar sendo agricultores.

IPS – Como o senhor teve essa ideia?

CN – Você sabe, nas regiões frias deixamos meio aberta a torneira de nossos banheiros durante as noites de inverno para impedir que a água congele no cano. Uma bela manhã me dei conta de que a água se congelava em nosso jardim. Me ocorreu que se poderia formar pequenas geleiras artificiais da mesma forma. Por ter viajado à maioria dos lugares da região como engenheiro do governo até 1986, conhecia sua completa topografia. Pensei que as áreas sombreadas nas cordilheiras baixas poderiam ser usadas para esse fim. Isso levou, em 1987, à criação da primeira geleira artificial na aldeia de Phuktse Phu usando este método simples.

IPS – Quanto custa criar uma geleira artificial?

CN – Depende do lugar. Geralmente, custa entre US$ 5 mil e US$ 6 mil.

IPS – O que mais é preciso para construir uma estrutura desse tipo?

CN – Os aldeões são os principais atores. Seu envolvimento é crucial para a sustentabilidade do projeto. Uma comunidade contribui para a construção e manutenção dos glaciais, tornando o projeto sustentável e benéfico no longo prazo.

IPS – De onde vem o financiamento para criar as geleiras artificiais?

CN – Os fundos para as geleiras artificiais perto da aldeia de Stakmo procedem do exército da Índia, enquanto para outros chegam dos programas governamentais de desenvolvimento hídrico. Recentemente, o Departamento de Ciência e Tecnologia começou a fornecer fundos para a reabilitação de geleiras artificiais danificadas. O financiamento é da organização não-governamental Projeto pela Nutrição em Leh.

IPS – Quais os desafios para se construir um glacial artificial?

CN – Dinheiro é um problema, porque demora muito para consegui-lo. Por outro lado, o interesse dos habitantes em ajudar começa a diminuir. Antes costumavam se apresentar como voluntários para a criação desses recursos coletivos, mas agora não. Conseguem grãos subsidiados do governo, o que os deixa um tanto indolentes. A falta de acesso das estradas e os altos custos do transporte de materiais são outros problemas que enfrentamos, pois temos de trabalhar a uma altitude de 4.600 metros acima do nível do mar.

IPS – Seu modelo de geleira artificial pode ser aplicado a outras partes?

CN – Como disse, a técnica é fácil e simples, e pode ser aplicada em regiões similares a Ladakh do ponto de vista climático e geográfico, como Spiti, em Hamachal Pradech, na Índia, ou em alguns países da Ásia central, com Cazaquistão e Quirguistão. Esta tecnologia pode ser aplicada em áreas que têm entre 4.666 e 5.333 metros de altitude, temperatura entre 15 e 20 graus negativos durante o inverno e longos períodos invernais de quatro a cinco meses, o que garante maior expansão e formação de geleiras.

IPS – Os líderes do mundo se reunirão em Copenhague em dezembro para uma conferência sobre a mudança climática. Como alguém que ajuda a enfrentar o problema da adaptação, qual sua mensagem para eles?

CN – Minha humilde sugestão aos povos das regiões que já sofreram o impacto da mudança climática ou sofrerão no futuro é que devem agir. Para os líderes mundiais, meu humilde pedido para que trabalhem duro a fim de elaborar um acordo que salvaguarde o futuro e os interesses da população de todo o planeta. (IPS/Envolverde)

Foto
Legenda: Chewang Norphel, o "Homem glacial", explica sua criativa invenção
Crédito: Athar Parvaiz/IPS

(Envolverde/IPS)

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Geleiras estão com os dias contados na América do Sul

Por Marcela Valente, da IPS
Buenos Aires, 03/09/2009 – Associada no imaginário coletivo à Amazônia, a maior selva tropical do mundo, a América do Sul também abriga ao longo de sua área oeste, do Equador à Argentina, geleiras que estão em processo acelerado de degelo devido ao aquecimento global. Em agosto desapareceu a geleira Chacaltaya na cordilheira dos Andes, na Bolívia, que tinha 18 mil anos de existência. Os especialistas esperavam o degelo para 2015, mas ocorreu antes e agora o que foi uma pista de esqui valorizada por ser a mais alta do mundo, com 5.300 metros acima do nível do mar, agora é uma declive de rocha e algumas placas isoladas de gelo.

No Equador, um deslizamento ocorreu este ano na base da geleira Cayambe e matou três turistas e um guia de alta montanha. Pouco antes, em maio, uma inédita enxurrada causou graves danos na região de Pampa Linda, no sul argentino, na base do Monte Tronador, por causa do colapso da geleira nessa montanha. São movimentos isolados que confirmam a tendência ao colapso, afirmam especialistas.

“As geleiras no Equador, Peru e Bolívia estão com os dias contados”, disse à IPS Juan Carlos Villalonga, diretor do capitulo argentino da organização não-governamental Greenpeace. O retrocesso também afeta os gelos da zona de Cuyo, a oeste da Argentina, e os mais vastos da Patagônia tanto do lado argentino quanto chileno, no sudoeste da América do Sul, acrescentou. Para o Greenpeace, este processo tem de servir para abrir os olhos dos líderes mundiais que se reunirão em dezembro em Copenhague, na XV Cúpula Mundial de Mudança Climática. Para a entidade, falta maior compromisso de redução de emissões de gás de efeito estufa, que aquecem a atmosfera.

Em conversa com a IPS, o especialista em geleiras Ricardo Villalba, do Instituto Argentino de Nivologia, Glaciologia e Ciências Ambientais (Ianigla) explicou que a retração das enormes massas de gelo “é um processo global que começou em 1850 e sofreu uma aceleração a partir de 1970%. Porém, alertou que esse processo “não é igual”. No Equador ou na Bolívia, onde as geleiras são menores, é fácil derreterem mais rapidamente”, explicou. Já na Argentina existe algum retrocesso “impressionante” e outros que se mantêm, dependendo da temperatura e das precipitações. No entanto, em média, Villalba disse que houve um retrocesso de 10% a 20% nas geleiras da Patagônia nos últimos 20 anos. “Se for mantida essa tendência, estes gelos desaparecerão entre 60 e 70 anos”, ressaltou.

Em um estudo intitulado “Mudança Climática: futuro negro para as geleiras”, o Greenpeace alertou em agosto sobre a aceleração do degelo na América do Sul. O informe recorda que o Painel Intergovernamental de Especialistas em mudança climática (IPCC) previu esta tendência em 2007. Segundo o IPCC, a média da temperatura global nos últimos cem anos aumentou 0,764 graus e a cobertura de gelos permanente e neve diminuiu em escala global. Também assinala que dos últimos 12 anos, 11 foram mais os mais quentes desde 1850 e que a previsão indica que o aumento continuará neste século.

“Um dos efeitos esperados da mudança climática é o desaparecimento maciço de gelos permanentes da superfície da Terra, tanto em calotas polares quanto nos diversos corpos de gelo sobre os continentes”, destaca o Greenpeace. Este fenômeno terá severas consequências, acrescenta. Em primeiro lugar, provocará o aumento do nível do mar e seus efeitos em forçadas migrações que provocará aumento da mudança climática devido à radiação solar que a superfície da terra absorverá.

Mas, acima de tudo, o derretimento das geleiras implica a perda de imensas reservas de água doce para consumo humano, e também para as bacias hidrográficas que contribuem para a geração de energia hidrelétrica. Estas perdas afetarão particularmente a região andina sul-americana. “Na América do sul existe uma variedade surpreendente de geleiras ao longo da cordilheira dos Andes e as mais extensas estão na Patagônia”, segundo o Greenpeace. O informe diz que no Equador “é iminente seu desaparecimento”, e destaca a importância nesse país ao afirmar que 450% da água utilizada em Quito provêm de degelo das geleiras.

O estudo confirma o que já foi apontado em 2008 pelo Banco Mundial em sua pesquisa intitulada “O impacto da mudança climática na América Latina”. De acordo com o Banco, “70% das geleiras tropicais do mundo estão nas elevadas montanhas da cordilheira dos Andes, no Equador, Peru e na Bolívia”. A instituição acrescenta que só no Peru, onde milhões de pessoas se abastecem de água de degelo, foram perdidos 22% da superfície das geleiras em pouco mais de 30 anos. Quelcaya perdeu 20% de seu volume desde 1963. “Retrocedeu mais rápido no último século do que nos 500 anos anteriores”, afirma o Greenpeace. “O retrocesso aumentou 30 metros ao ano na década de 90”, ressalta, em referência a essa geleira que abaste de água a cidade de Lima.

Na Argentina, na região de Cuyo, com vastas geleiras, “a situação é muito crítica”. A água é um recurso muito escasso ali. Na província de Mendoza, apenas 3% do território é oásis, o restante é deserto e depende fortemente da provisão de água de degelo. Na Patagônia, há cerca de 20 mil quilômetros quadrados de geleiras entre Argentina e Chile. Ficam nos dois países os Campos de Gelo Sul, com 13 mil quilômetros quadrados; os Campos de Gelo Norte no Chile, com 4.200 quilômetros quadrados, e a cordilheira Darwin, também compartilhada pelas duas nações, com 2.500 quilômetros quadrados.

“Muitas das maiores geleiras nestes campos experimentam uma severa redução e um sério retrocesso de vários quilômetros”, com exceção de dois deles, o Perito Moreno na Argentina e o Pio XI no Chile, que se mantêm estáveis ou mesmo avançam, informa o Greenpeace. Para Villalba, a subsistência destes frágeis ecossistemas se relaciona com o balanço que conseguem entre a neve que cai e a temperatura que deve ser mantida baixa para que não derretam. Nesse sentido, o especialista disse que o retrocesso recente está relacionado principalmente com a elevação da temperatura.

A geleira Upsala, por exemplo, está em processo de retração impressionante”, disse o especialista. Este campo de gelo desemboca no Lago Argentino, na província de Santa Cruz, e esse contato com a água o expõe a uma erosão mais acelerada. Algo semelhante ocorre com o Viedma na mesma província. “Enquanto prosseguir a emissão de gases de efeito estufa, este processo se intensificará, por isso exortamos no sentido de se reduzir o uso de combustíveis fósseis e pensar em energias alternativas”, ressaltou. IPS/Envolverde

(Envolverde/IPS)

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Aquecimento global derrete geleiras chilenas, esperança de água doce no futuro

A diminuição das geleiras do Chile, concentradas principalmente em duas grandes massas de gelo na Patagônia, é um efeito patente do aquecimento global e uma ameaça para essas importantes reservas de água doce localizadas no extremo-sul do continente americano.

Um recente estudo da Direção Geral de Águas (DGA), que considerou medições entre 1986 e 2007, determinou que diminuíram de tamanho 20 dos 23 glaciares analisados na zona do Campo de Gelo Sul, a terceira maior concentração de gelo no planeta, atrás de Antártica e Groenlândia.

"A diminuição das precipitações, registrada em diversas estações meteorológicas na Patagônia, e o aumento da temperatura regional perto de 1°C no século passado levaram a um retrocesso frontal dos glaciares que superou, em alguns casos, os 580 metros por ano", alertou o estudo.

"O retrocesso dos glaciares é um dos temas mais relevantes do aquecimento global porque é ali que a mudança climática fica mais evidente", explicou à AFP o glaciologista Andrés Rivera, do Centro de Estudos Científicos de Valdívia (CECS).

Embora esse processo tenha aumentado nas últimas décadas com as paredes de gelo se adelgaçando, a diminuição das geleiras "não é algo novo", esclareceu Rivera, acrescentando que esse processo se iniciou há mais de um século.

Segundo o relatório da DGA, entre os anos 1986 e 2001, os glaciares retrocederam uma média de 67 metros por ano, enquanto que essa taxa foi de 45 metros, no período 2001-2007. A geleira que mais diminuiu de tamanho foi a Jorge Montt, que perdeu 11 km e mais de 40 km2 de superfície em 21 anos, acrescentou o estudo.

Os resultados do informe da DGA, elaborado com base em imagens de satélite, foram classificados como "preocupantes" pelo chefe desse órgão.

"O depósito dos glaciares em água doce representa a forma como se pode continuar existindo até por mais de 100 anos. As cidades e a agricultura vão continuar crescendo e vai chegar uma hora em que (as geleiras) serão as fontes de água doce para a população", completou.

Em contrapartida, sem que haja até agora uma explicação sobre esse fenômeno, o glaciar Pio XI, o maior do Campo de Gelo Sul, é o único que continua crescendo.

"Até o verão (austral) de 2008, o Pio XI está avançando", afirmou Rivera.

O mesmo acontece com o Perito Moreno, do lado argentino.

"Esses dois exemplos são anomalias, as únicas exceções nesse contexto regional de forte retrocesso e afinamento (das paredes de gelo)", insistiu o cientista.
 
Fonte: Yahoo!

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Degelo no Ártico - Aquecimento Global?

Muito tem se falado do aquecimento global e degelo no ártico. Também se fala se as condições são naturais ou causadas pelo homem. Minha opinião é que seja um mix das duas hipóteses. Não acredito muito no estardalhaço da imprensa, mas por outro lado, a atitude humana é a mais irresponsável possível, que só visa maximização dos lucros com a menor responsabilidade social e ambiental possível.

Veja as imagens, tirem suas conclusões mas procurem mais fontes e dados sobre o aquecimento global.

Clique nas imagens para aumentar.

Ártico - 1979

Ártico - 2003

Ártico - 01/08/2007

Ártico - 31/08/2008

Fontes: NASA Earth Observatory, The Cryosphere Today

Encontrado em Idealismo de Buteco

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Nível dos oceanos aumentará 1,5 m até 2100


O derretimento de geleiras, o desaparecimento de placas de gelo e o aquecimento das águas poderiam fazer com que o nível dos oceanos subisse até 1,5 metro até o final deste século, expulsando de suas casas dezenas de milhões de pessoas, afirmou uma nova pesquisa divulgada na terça-feira.

Apresentado em uma conferência da União Européia de Geociências, a pesquisa prevê uma elevação do nível dos oceanos três vezes maior do que o estipulado pelo Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC) no ano passado.
O painel sobre o clima, uma entidade ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), dividiu o Prêmio Nobel da Paz de 2007 com o ex-vice-presidente dos EUA Al Gore. Svetlana Jevrejeva, do Laboratório Oceanográfico Proudman, na Grã-Bretanha, disse que a estimativa baseava-se em um novo modelo matemático que permitiu estabelecer com precisão o nível dos oceanos nos últimos 2.000 anos.

"Durante os últimos 2.000 anos, o nível dos oceanos manteve-se praticamente estável", afirmou a cientista a jornalistas, em meio ao encontro realizado em Viena.
No entanto, o ritmo no qual o nível dos oceanos sobe hoje está ganhando velocidade, e as águas ficarão de 0,8 a 1,5 metro acima de seu patamar atual quando chegar o próximo século, afirmaram pesquisadores, entre os quais Jevrejeva, em um comunicado.

O nível dos oceanos elevou-se 2 centímetros no século 18,6 centímetros no século 19 e 19 centímetros no século passado, disse a cientista, acrescentando: "parece que o rápido aumento do nível dos oceanos no século 20 deveu-se ao derretimento de placas de gelo."
Os pesquisadores debatem acaloradamente a respeito do quanto o nível dos mares vai elevar-se.

O IPCC, por exemplo, diz que tal elevação deve ficar entre 18 e 59 centímetros.
"Os números do IPCC subestimam a realidade", afirmou Simon Holgate, membro também do Laboratório Proudman. Segundo os pesquisadores, o IPCC não havia levado em conta a dinâmica do gelo -- a velocidade maior na movimentação das placas de gelo, velocidade essa alimentada pelo derretimento, é ela também um fator no desaparecimento das placas e na elevação do nível das águas.

Esse efeito, segundo Steve Nerem, da Universidade do Colorado (EUA), deve gerar um terço do futuro aumento do nível dos oceanos.
"Há vários indícios de que vamos ver uma elevação de 1 metro em 2100", afirmou o cientista, acrescentando que esse fenômeno não ocorreria de maneira uniforme no planeta e que mais pesquisas seriam necessárias para determinar os efeitos dele em cada região.

Os cientistas podem estar em desacordo a respeito da magnitude da elevação, mas estão afinados quando se trata de prever quais serão as áreas mais atingidas -- os países em desenvolvimento na África e na Ásia, que não possuem os recursos necessários para construir proteções contra as águas.


Entre esses estão nações como Bangladesh, cujo território situa-se quase totalmente a uma altura de no máximo 1 metro do atual nível do mar. "Se o nível dos oceanos elevar-se 1 metro, 72 milhões de chineses vão perder suas casas, junto com 10 por cento da população vietnamita", afirmou Jevrejeva.

(Reuters)

WWF alerta para baixos níveis de gelo no Ártico

O Fundo Mundial para a Natureza (WWF, em inglês) advertiu nesta segunda-feira (15) para o baixo nível de gelo no Ártico e das conseqüências que isso pode ter.

Segundo uma nota distribuída pela instituição, os últimos dados revelam que este ano a cobertura de gelo no Ártico pode ser igual ou inclusive menor que a do ano passado, quando alcançou um mínimo histórico de apenas 4,13 milhões de quilômetros quadrados.

"Se levarmos em conta a redução da espessura do gelo, em conjunto há menos gelo no Ártico este ano que em qualquer outro ano desde que os controles começaram", disse Martin Sommerkorn, coordenador do programa do Ártico.

"Também é o primeiro ano em que a passagem entre América do Norte e Rússia não tem gelo", acrescentou.

O cientista explicou que a perda contínua de gelo antigo e espesso significa que o Ártico está se cobrindo de gelo cada vez mais fino e mais jovem.

Segundo os cálculos, a área de gelo que tem pelo menos cinco anos diminuiu 56% entre 1985 e 2007, enquanto os tipos de gelo antigo praticamente desapareceram.

"Estamos esperando que 2008 seja o pior ou o segundo pior ano em relação à cobertura de gelo no verão (hemisfério norte)".

"Já há sinais de que espécies como o urso polar estão experimentando efeitos negativos por causa da erosão da plataforma de gelo onde vivem", acrescentou o cientista.

Sommerkorn advertiu de que a perda de gelo afetará a Terra em geral, já que "se o gelo desaparece, as águas absorverão o calor dos raios do sol, o que contribuirá ao aquecimento global. Além disso, esse calor liberará mais gases do efeito estufa que antes estava bloqueado no gelo", alertou. (Fonte: Estadão Online)

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Degelo na Groenlândia: metrópoles como São Paulo são as principais responsáveis

Por Fernanda B Muller, CarbonoBrasil

Os governos devem criar leis, como o estabelecimento de um preço sobre o carbono, para que as empresas se sintam incentivadas a investirem na redução de emissões de gases do efeito estufa, sugere a Confederação das Indústrias Britânicas (CBI) no relatório "Mudanças climáticas: um assunto de todos" divulgado nesta terça-feira em São Paulo.

“Muitas tecnologias já estão disponíveis para alcançarmos as reduções de emissão necessárias, algumas ainda não são comercialmente disponíveis (como o CCS) e precisam de um arcabouço apropriado para o desenvolvimento”, afirmou o presidente da CBI, Martin Broughton.

O relatório avalia os custos e benefícios econômicos para as empresas na construção do que chamam ‘uma sociedade de baixa emissão de carbono’. A CBI é composta por 18 companhias com a petrolífera britânica BP e a maior rede de supermercados do país, o Tesco, além de diversas do setor químico. Em conjunto, elas são responsáveis por 1% da pegada de carbono mundial.

"Somos pessoas da área de negócios e gerenciamos riscos", disse Broughton.

O relatório pede também mais investimentos em pesquisa e desenvolvimento que, na avaliação das empresas, são essenciais. “Cabe ao governo fornecer este arcabouço legal, ao setor privado encontrar e entregar as soluções e ao consumidor a demanda por novas soluções. Essas três esferas precisam trabalhar em conjunto”, comentou o presidente da CBI.

Durante o evento, representantes brasileiros e britânicos comentaram sobre as diferenças na realidade econômica do Reino Unido e do Brasil, ressaltando as principais necessidades para incentivar as empresas brasileiras a reduzir as emissões de gases do efeito estufa (GEE).

“Está claro que no futuro as empresas terão que ser ecológicas para crescer", adicionou Broughton.

Contexto Brasileiro

Citando o princípio da “responsabilidade comum, porém diferenciada”, alguns participantes afirmaram que isto muitas vezes serve como justificativa para a inação do Brasil. Algumas empresas brasileiras respondem às ansiedades da sociedade a tais ações fazendo inventários de emissões, por exemplo.

Segundo o diretor executivo da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) José Augusto Fernandes, a inação não é a estratégia do setor. “A política econômica tem um papel nesta transição para uma economia com baixas emissões de carbono”, disse.

As fontes renováveis atendem 45% das necessidades energéticas do Brasil, enquanto que a média mundial é de 14%, segundo Fernandes. “Há muito tempo já ultrapassamos a meta de 20% que a União Européia deseja atingir em 2020. Assim, a prioridade no Brasil deve ser o desmatamento, responsável por cerca de 75% das emissões do país, e a eficiência energética. Para isso, as tecnologias são elementares”, afirmou.

Com relação à abordagem setorial, Fernandes defendeu o fomento de estudos, estimulando os diferentes setores a compreender seus problemas. “A ciência energética tem recebido grande atenção do setor industrial brasileiro e estão sendo iniciados trabalhos de benchmarking para estimar o potencial de economia de energia nos diferentes setores”, comentou.

Na questão da eficiência energética, Fernandes citou o trabalho da CNI com a indústria de transformadores para reduzir as perdas de energia durante a transmissão.

Abordando novamente a questão das tecnologias já disponíveis, Fernandes utilizou como exemplo o apagão, onde o país conseguiu economizar 20% de energia e as perdas produtivas foram muito menores do que o esperado. "Qualquer empresa pode aumentar a sua eficiência energética em 10 a 15%", concluiu.

A coordenadora do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), Marina Grossi, relembrou o Pacto de ação em defesa do clima assinado em 2007 por empresas como Alcoa, OAB, Petrobrás, Greenpeace e WWF que estabelece metas voluntárias de redução de GEE.

Marina citou também a iniciativa do CEBDS, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas e o Ministério do Meio Ambiente, de trazer o GHG Protocol para a realidade brasileira, adaptando questões como o setor florestal. “Esta ferramenta está ganhando força no Brasil e a adaptação pode ajudar a reduzir os custos dos projetos de carbono”, disse.


(Envolverde/Carbono Brasil)

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Mantos de gelo encolhem 23% em um verão

Pesquisadores anunciaram anteontem que os cinco mantos de gelo que cobrem a ilha Ellesmere, no Ártico canadense, encolheram 23% somente neste verão. As capas glaciais têm 4.000 anos.

A maior delas, de 55 km2, se esfacelou totalmente no mês passado, afirmou Warwick Vincent, da Universidade Laval, em Québec. Segundo ele, a desintegração foi dez vezes maior do que o previsto por ele e colegas.

Segundo o pesquisador, o impacto das temperaturas mais altas neste ano foi "impressionante". "O extraordinário era a grande quantidade de água. Você podia ver água até o horizonte numa área que é tipicamente coberta de gelo o verão todo", afirmou.

"Claramente, a viabilidade do manto de gelo no longo prazo é na verdade no curto prazo", disse Vincent em entrevista. (Fonte: Folha Online)

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Plataformas de gelo no Canadá perderam 23% da área

As plataformas de gelo localizadas na costa norte da ilha Ellesmere, no Ártico canadense, perderam 23% de sua área apenas neste ano, segundo informações da Universidade de Trent, no Canadá.

Os desprendimentos de blocos de gelo que ocorreram neste ano totalizaram uma perda de 214 km² da área das plataformas - mais do que o triplo da área da ilha de Manhattan.

A plataforma de Ward Hunt, a maior do Canadá, perdeu 40% de sua área, enquanto a geleira Markham, de 50km², se desprendeu completamente da ilha e está à deriva no Oceano Ártico. Dois blocos de gelo também se desprenderam da plataforma Serson, reduzindo sua área em 60% (122km²).

Para o pesquisador Derek Mueller, essas perdas ressaltam a rapidez das mudanças que estão ocorrendo no Ártico e alerta para o impacto do clima na região.

"Essas mudanças são irreversíveis nas condições climáticas atuais e indicam que as condições ambientais que mantiveram essas geleiras em equilíbrio durante anos já não estão mais presentes", disse Mueller.

Temperatura
Segundo os pesquisadores, a redução do gelo do mar e as altas temperaturas contribuíram para o desprendimento dos blocos no primeiro semestre deste ano.

As plataformas de gelo da ilha Ellesmere são remanescentes de uma grande área de gelo 10 mil km² que circundava a ilha.

Os registros mostram que esta região do Pólo Norte - a costa norte da Ilha Ellesmere - perdeu 90% de suas plataformas de gelo no último século e no início deste ano cobria uma área de 1 mil km².

A maioria destas perdas ocorreu no período mais quente da década de 40. Nos períodos mais frios das décadas seguintes, parte das plataformas de gelo mostrou sinal de estar se reformando.

A perda de gelo no Ártico tem implicações globais. O "guarda-sol branco" na superfície do planeta reflete a energia do Sol, ajudando a controlar a temperatura da Terra.

Caso ocorram ainda mais perdas, a radiação pode passar a ser absorvida pela água escura do mar e pela terra não coberta pelo gelo, o que poderia acelerar ainda mais o aquecimento do planeta. (Fonte: UOL Notícias)

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

ONU adverte que geleiras podem desaparecer neste século

A maior parte das montanhas do mundo poderá perder suas geleiras até o final do século se o aquecimento global persistir, adverte um relatório da ONU (Organização das Nações Unidas).

Foram registradas variações entre períodos de glaciação e aquecimento na história, mas a tendência atual detectada do Ártico até a América do Sul - passando pela Europa Central - é diferente, segundo o documento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

"A tendência atual de um rápido derretimento das geleiras, que poderá se acelerar durante este século, provavelmente não tem relação com os períodos climáticos naturais e pode levar ao derretimento da maioria delas, até o final do século 21", afirmam os especialistas do PNUMA.

Entre 1996 e 2005, as geleiras perderam em média o equivalente a um metro de água, o que representa o dobro do desgelo ocorrido na década anterior (1986-1995), e mais de quatro vezes a massa perdida entre 1976 e 1985. (Fonte: Folha Online)

terça-feira, 2 de setembro de 2008

IPCC diz que geleiras estão derretendo com velocidade recorde

As geleiras estão derretendo com velocidade recorde desde o início deste século, segundo um relatório apresentado nesta segunda-feira (1º) durante a 29ª Sessão do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, em inglês).

Segundo o documento, o ritmo atual de derretimento das geleiras dobrou, e em 2006, o último ano com dados disponíveis, foram registradas perdas de gelo sem precedentes.

"Se esta tendência continuar e os Governos não entrarem em acordo sobre as novas reduções de gás de efeito estufa em Copenhague em 2009, é possível que as geleiras desapareçam de muitas regiões montanhosas durante este século", adverte o relatório.

Apesar de os fenômenos extraordinários do degelo já estarem acontecendo nas duas últimas décadas do século passado, o ritmo tem se acelerado nos oito primeiros anos do atual.

As perdas de 1998, que foram históricas, já foram superadas três vezes: em 2003, 2004 e 2006.

De fato, o relatório evidencia que o degelo de 2004 e 2006 foram duas vezes maiores em comparação com 1998.

Segundo cálculos dos especialistas, a perda anual registrada na década 1996-2005 foi o dobro da produzida no período 1986-1995 e quatro vezes superior à do período 1976-1985.

Nos Alpes, a cobertura de gelo diminuiu 35% entre 1850 e a década de 1970, em uma diminuição que avançou 22% até 2000.

Em 2003, quando a Europa sofreu uma onda de calor, o derretimento do gelo ficou entre 5% e 10% em apenas um verão.

Os especialistas destacam que, além das conseqüências globais da perda das geleiras, o fornecimento de água de milhões de pessoas está ameaçado.

"É urgente, precisamos desenvolver e utilizar tecnologias modernas e estender a rede de vigilância para as regiões onde ainda não há sistemas de controle eficazes", afirmou o diretor do Serviço Mundial de Controle das Geleiras (WGMS, em inglês), Wilfrid Haeberli.

O estudo foi apresentado paralelamente à 29ª Sessão do IPCC, realizada esta semana em Genebra.

No ano passado, o IPCC dividiu o Prêmio Nobel da Paz com o ex-vice-presidente americano Al Gore "por seus esforços para construir e divulgar maior conhecimento sobre a mudança climática causada pelos seres humanos e sugerir medidas para contra-atacar e modificar o fenômeno."

O IPCC foi criado em 1988 com o objetivo de pesquisar e determinar se realmente estava acontecendo uma mudança climática e as conseqüências que esse fenômeno traria.

O grupo, formado por 400 especialistas de todas as partes do mundo, afirmou que a atividade humana tem provocado a mudança climática, descartando a visão de muitos céticos que negavam a evidência.

O relatório do IPCC também deixou claro que a mudança climática terá conseqüências nefastas para o planeta, como o derretimento das geleiras e das calotas polares, as conseqüentes inundação de terras e falta de abastecimento de água, além dos fenômenos meteorológicos extremos que o aquecimento global provocará.

As negociações mundiais para combater a mudança climática continuam atualmente após vários encontros internacionais, e está previsto que terminem em uma reunião que acontecerá em Copenhague em dezembro de 2009. (Fonte: Estadão Online)

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Cobertura de gelo no Oceano Ártico chega ao 'limite'

A notícia, divulgada da quarta-feira (27) de que a cobertura de gelo sobre o Oceano Ártico está no segundo menor nível dos últimos 30 anos levou vários especialistas a afirmar que a região está chegando "ao limite".

Dados levantados por um órgão do governo americano indicam que o gelo, agora, cobre 5,2 milhões de quilômetros. O ponto mais baixo já registrado desde o início das leituras por satélite, em 1979, foi 4,2 milhões de quilômetros quadrados, em setembro de 2007. O verão ártico ainda durará mais três semanas, o que sugere que o recorde será quebrado neste ano.

O gelo do Ártico sempre derrete no verão e volta a congelar no inverno. Mas, ao longo dos anos, cada vez mais gelo se perde para o oceano e menos volta a congelar depois. Enquanto o gelo reflete o calor do Sol de volta ao espaço, o mar aberto absorve mais calor, acelerando o aquecimento global em outras partes do mundo.

O gelo do mar também é um importante habitat para os ursos polares.

"Podemos muito bem estar rolando ladeira abaixo, rumo ao ponto de virada", disse o cientista Mark Serreze. "Está virando agora. Estamos vendo acontecer".

Dentro de "cinco a menos de dez anos" o ártico poderá estar livre de gelo sobre o mar no verão, disse o cientista Jay Zwally, da Nasa. "Isso também significa que o aquecimento global vai chegar mais depressa e em maior intensidade do que os modelos estão prevendo, e ninguém ainda levou isso em consideração", disse ele.

Cinco cientistas especializados em clima ouvidos pela Associated Press disseram que é correto chamar o que ocorre agora no Ártico de "ponto de virada". (Fonte: Estadão Online)

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Geleira do Ártico atinge 2º menor nível já registrado

Novas medições de satélite apontam que uma importante geleira no Oceano Ártico reduziu seu tamanho para o segundo menor nível já registrado. O Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo anunciou na quarta-feira (27) que o bloco mede 5,2 milhões de quilômetros quadrados. Nas próximas semanas, seu tamanho pode diminuir ainda mais. O menor nível já registrado para essa importante geleira foi de 4,2 milhões de quilômetros quadrados.

O gelo do Ártico sempre derrete no verão e congela novamente no inverno. Porém, nos últimos anos, mais e mais gelo tem sido perdido para o mar e não mais recuperado na estação fria. O fenômeno é importante, pois o Ártico funciona como uma espécie de geladeira do planeta. (Fonte: Estadão Online)

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Aquecimento global ameaça as importantes reservas de água do Himalaia

A mudança climática ameaça seriamente as reservas de água da região do Himalaia, colocando em perigo a subsistência de 1,3 bilhão de pessoas, afirmaram os especialistas reunidos em Estocolmo por ocasião da Semana Internacional da Água.

A região montanhosa do Himalaia, que abriga geleiras, e a zona de permafrost (camada de gelo permanente), as maiores do mundo depois das regiões polares, experimentaram nos últimos anos um degelo progressivo e uma mudança espetacular no que diz respeito a precipitações, lamentaram.

"As geleiras do Himalaia desaparecem mais rápido do que no resto do mundo", afirma Mats Eriksson, do programa de gestão da água do Centro Internacional do Desenvolvimento Integrado das Montanhas.

Apesar das grandes altitudes, da distância e da difícil cooperação entre os países da região complicarem os estudos do fenômeno, Eriksson acha evidente que "a região está sendo especialmente afetada pela mudança climática".

"O retrocesso das geleiras é enorme, de até 70 metros ao ano", precisou.

Xu Kinchu, que dirige o Centro para Estudos do Ecossistema Montanhoso na China, também assegurou que a mudança climática está devastando o Himalaia, enfatizando, por exemplo, que as temperaturas da montanha tibetana aumentaram 0,3 grau por década, "o dobro da média mundial".

É difícil quantificar as repercussões nas reservas de água, mas o impacto é real na região em que as geleiras e a neve fornecem 50% da água que desce pelas montanhas e que alimenta nove dos maiores rios da Ásia.

O Himalaya, conhecido como o "Teto do Mundo", se estende através da China, Índia, Nepal, Paquistão, Mianmar, Butão e Afeganistão. A cordilheira montanhosa representa uma fonte importante de água para uma das regiões mais povoadas do planeta, com cerca de 1,3 bilhão de pessoas segundo um censo oficial.

"A neve e o gelo se fundem proporcionando uma importante fonte de água fresca para a irrigação, energia e o consumo", explica Xu.

As geleiras têm uma capacidade enorme para conservar a água. Desta maneira, se o nível de água aumenta à medida que o gelo se funde, a longo prazo, o desaparecimento das geleiras reduzirá a água disponível.

Paralelamente ao degelo, os cientistas observaram que em muitas zonas do Himalaia há mais chuva no período das monções e menos em épocas secas.

"As regiões mais secas ficam mais secas e as mais úmidas mais úmidas", resume Rakhshan Roohi, cientista do Instituto de Pesquisas de Recursos Água do Paquistão.

Além disso, com as condições climáticas incertas para as colheitas, que provocaram a migração de pessoas em busca de meios de subsistência alternativos, os agricultores enfrentam cada vez mais desastres naturais como cheias de rios e transbordamento de lagos. (Fonte: Yahoo!)

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Satélite mostra destruição de geleira na Groenlândia


Pesquisadores que diariamente monitoram imagens de satélite de geleiras da Groenlândia descobriram rachaduras em duas das maiores massas de gelo no mês passado.

Eles esperam que parte da maior geleira flutuante do hemisfério norte continue a se desintegrar no próximo ano.

Um enorme pedaço de 29 km² da geleira de Petermann, no norte da Groenlândia, se separou entre 10 e 24 de julho. A perda para a geleira é igual a metade da área da ilha de Manhattan. A última grande perda da Petermann ocorreu quando ela perdeu 86 km² de gelo flutuante entre 2000 e 2001.

Petermann tem uma área de gelo flutuante de 16 por 81 quilômetros, que cobre uma área de 1.295 km².

O que mais preocupa Jason Box, professor da Universidade Ohio State, e seus colegas, Russell Benson e David Decker, quanto às últimas imagens é o que parece ser uma grande rachadura longe da margem da geleira.

A rachadura pode sinalizar uma quebra iminente e muito maior.

"Se a Petermann quebrar no alto, a perda seria de cerca de 160 km²", disse Box, representando a perda de um terço de sua massa de gelo.

Enquanto isso, a geleira Jakobshavn, que sofreu uma perda nas últimas semanas de 10 km², tem recuado muito mais que em qualquer outra ocorrência nos 150 anos que está sendo observada. Pesquisadores acreditam que ela não tenha recuado tanto de 4 mil a 6 mil anos. (Fonte: Estadão Online)

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Desprendimento de gelo na Antártida afeta a biodiversidade

O desprendimento de gelo como resultado da mudança climática está dizimando a biodiversidade nas águas pouco profundas da Antártida, afirma um estudo divulgado nesta quinta-feira (17) na revista Science.

Esse problema poderia ter conseqüências graves para as criaturas oceânicas, como os vermes antárticos, aranhas marinhas e ouriços do mar, por causa da redução na plataforma de gelo, assinala o estudo realizado por cientistas do Instituto Antártico Britânico, na península ocidental da Antártida.

Segundo os cientistas, o desprendimento do gelo tem uma estreita ligação com a duração do que qualificam como "o gelo marinho de inverno".

Acrescentam que esse gelo diminuiu drasticamente, tanto em área coberta como em duração, em toda a região durante as últimas décadas, devido à mudança climática.

Este aumento nas mudanças dos icebergs e sua influência sobre o fundo marinho, onde se desenvolve cerca de 80% da vida antártica, poderia ter conseqüências graves para os animais a uma profundidade de cerca de 500 metros, disseram os cientistas no estudo.

Segundo Dan Smale, cientista do Instituto Antártico Britânico, até o momento se acreditava que as alterações poderiam ser controladas pela formação de gelo no inverno, mas ninguém havia feito as medições correspondentes.

O informe do estudo indicou que os mergulhadores do Instituto mantiveram instaladas, durante cinco anos, pequenas redes de concreto no fundo do mar, para determinar a freqüência dos desprendimentos e verificar seu efeito através da análise do impacto que haviam recebido.

Segundo Smale, durante as temporadas com bastante gelo de inverno, a alteração era relativamente baixa.

Ao contrário, em anos de baixa formação de gelo o fundo marinho recebia o impacto dos gelos desprendidos.

O aumento do desprendimento dos icebergs sobre o fundo marinho alterava o tipo e o número das criaturas marinhas e poderia causar mudanças na distribuição de espécies chave, indicou o estudo. (Fonte: Estadão Online)

Geleiras do Peru podem sumir em 25 anos

Cientistas dizem que as geleiras andinas estão derretendo em um ritmo tão acelerado que correm o risco de desaparecer completamente em 25 anos.

Especialistas em glaciologia se reuniram no Peru nesta semana para discutir formas de frear o derretimento das geleiras, que são uma importante fonte de água e hidroenergia para milhões de pessoas.

Um relatório recente da Universidade do Pacífico do Peru prevê que, em 2025, 70% da população andina vai ter grandes dificuldades de acesso a fontes de água limpa por causa do derretimento das geleiras.

O fenômeno também pode levar a perdas de até US$ 30 bilhões por ano. "Se quisermos salvar as geleiras, não podemos ficar sem fazer nada", diz Wilson Suarez, professor da Universidade de Montpellier, na França.

"É um processo global, a temperatura vai aumentar", acrescenta Suarez. "Estudos têm de ser feitos e temos de nos adaptar com base nos resultados destes estudos." (Fonte: Folha Online)

quinta-feira, 27 de março de 2008

Pedaço de plataforma de gelo da Antártida desprende-se

Imagens de satélite mostraram que uma grande fatia da plataforma de gelo Wilkins, da Antártida, começou a entrar em colapso em uma área do continente cujas temperaturas elevam-se com rapidez, disseram cientistas na terça-feira (25).

A fatia que se desprendeu mede cerca de 415 quilômetros quadrados e fazia parte da plataforma de gelo Wilkins, segundo imagens de satélite do Centro Nacional de Dados sobre a Neve e o Gelo da Universidade do Colorado.

A Wilkins consiste em uma imensa camada de gelo permanente formado sobre as águas da Antártida, com um total de 13 mil quilômetros quadrados. A plataforma fica localizada na península Antártida, a cerca de 1.600 quilômetros da América do Sul.

"Pedaço a pedaço, o gelo está caindo e espalhando-se pelo oceano", afirmou Ted Scambos, chefe do Centro Nacional de Dados sobre a Neve e o Gelo, em entrevista concedida por telefone.

"A plataforma não está apenas rachando, de forma que um pedaço dela se afastaria, mas está pulverizando-se totalmente. Esse tipo de acontecimento não se vê com frequência. Mas desejamos compreender isso melhor porque é o tipo de coisa que poderia levar ao total desaparecimento da plataforma de gelo", acrescentou.

Segundo Scambos, uma grande porção da Wilkins sustentava-se agora somente por uma pequena faixa de gelo. Esse último "esteio de gelo" poderia ruir e cerca de metade de toda a área da plataforma se perderia nos próximos anos, afirmou.

O cientista David Vaughan, da British Antarctic Survey, disse em um comunicado: "Essa plataforma está por um fio."

"Um canto dela que se encontra exposto ao oceano está ruindo segundo um padrão que vimos ocorrer em alguns lugares nos últimos 10 a 15 anos. De toda forma, concluímos que isso resulta do aquecimento da Terra", acrescentou Scambos.

Segundo o cientista, a plataforma Wilkins existe há ao menos algumas centenas de anos. No entanto, correntes de ar quente e a exposição às ondas do mar estão provocando seu esfacelamento.

Nos últimos 50 anos, a península Antártida registrou um processo de aquecimento que está entre os mais rápidos do planeta, afirmaram.

"O aquecimento que vem ocorrendo na península tem uma relação bastante clara com o aumento dos gases do efeito estufa e as mudanças que isso provocou na circulação das massas de ar na região da Antártida", afirmou Scambos. (Estadão Online)

Gelo apresenta ligeiro aumento no Ártico mas ainda é vulnerável, diz Nasa

A superfície de gelo do oceano Ártico aumentou ligeiramente em fevereiro em relação ao mesmo período de anos anteriores, graças a um inverno mais rigoroso. Mas essa melhora aparente esconde um contínuo retrocesso das geleiras, anunciou nesta terça-feira (18) a Nasa (agência espacial norte-americana).

"É possível comparar isso a um cenário de cinema. Quando você vê um filme, um edifício parece real, mas por trás da fachada há apenas um vazio", disse Walter Meier, do centro nacional de dados sobre a neve e o gelo da Universidade do Colorado, em Boulder, durante uma coletiva de imprensa conjunta com pesquisadores da Nasa, sobre a observação via satélite do gelo.

"O gelo mais antigo, mais espesso, mais sólido e resistente ao aquecimento global continua diminuindo", explicou Meier.

"A melhora observada se deve a condições climáticas recentes, mas o derretimento do gelo perene reflete uma tendência alarmante para o clima a longo prazo", resumiu.

Há vinte anos, o gelo eterno cobria entre 50 e 60% do Ártico. Em 2008, essa área foi reduzida para menos de 30%, segundo os últimos números do satélite ICESat, da Nasa. (Folha Online)