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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Além da meta de dois graus

Por Oliver Gedenis* 

Nos círculos internacionais de políticas climáticas existe um amplo consenso sobre a meta de limitar o aquecimento global a um máximo de dois graus acima dos níveis pré-industriais. Ainda assim, atingir essa meta é quase impossível.

Mas se os líderes mundiais abandonarem esse alvo, terão de tomar uma decisão estratégica fundamental em relação à estrutura e aos níveis de exigência de um novo objetivo climático. Portanto, é preciso uma mudança de paradigma. A abordagem científica da tradução da temperatura global em orçamentos nacionais de emissões precisos é politicamente inviável. Em vez disso, países com uma forte agenda de política climática devem defender fórmulas dinâmicas para fixação de metas.

O alvo dos dois graus é o ponto primário de referência para o debate atual. Um aumento correspondente na temperatura média global é normalmente visto como o limite além do qual os efeitos das mudanças climáticas começam a ficar perigosos. Mas, ao contrário da crença generalizada, o último relatório de avaliação do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC) não ligou para a meta dos dois graus, o que, desde o final dos anos 90, tem surgido como um símbolo e um ponto de orientação para uma ambiciosa, porém realista, agenda climática global.

A União Europeia foi a primeira força a impulsionar o alvo dos dois graus internacionalmente. Os ministros do ambiente europeus têm defendido a meta desde 1996. À frente da Conferência de Copenhagen, em 2009, a União Europeia conseguiu fazer com que todos os parceiros relevantes no âmbito das negociações incluindo até China, Índia, Rússia e Estados Unidos se comprometessem com a meta.

Dado que a quantidade de gases de efeito estufa (GEE) emitida até agora vai aumentar as temperaturas em 1,5°C em comparação com a época pré-industrial, decisões políticas maiores são necessárias para garantir o cumprimento da meta de dois graus. A ciência climática pressupõe que o pico das emissões globais deve ocorrer dentro dos próximos anos. Atualmente, entretanto, há poucos indícios de que uma reversão de tendências será mesmo visível no horizonte.

Então, até certo ponto no futuro próximo, um crescente número de vozes da comunidade científica deve definitivamente rejeitar a possibilidade de manter essa meta. Quando isso acontecer, simplesmente defender um alvo mais suave, de 2,5°C ou 3°C, não será suficiente.

De acordo com o paradigma atual, a meta global é definida por categorias científicas e entendida como um limite máximo absoluto. Dada essa abordagem, todos os esforços iniciais têm buscado criar um acordo climático global, levando a um forte foco em negociações globais, negligenciando os esforços concretos de descarbonização por países industrializados e em industrialização.

O resultado é um empate, porque os governos podem sempre culpar pelas falhas a falta de ação dos outros. Mesmo os EUA têm usado esse argumento para justificar sua recusa para aumentar a redução de emissão de GEE de 20% para 30% até 2020.

Um paradigma alternativo teria que combinar realismo com uma visão global positiva. Uma possibilidade é estabilizar uma neutralidade climática como um objetivo global de longo prazo, trabalhar para reduzir em rede as emissões de GEE. Mesmo que esse objetivo fosse inicialmente ligado a um calendário definido de forma ampla, ele estabeleceria o padrão para a ação, segundo o qual todos os países teriam de se basear.

Dentro desse quadro, ambiciosos atores da política climática como EUA, Suíça ou Japão enfrentariam a tarefa de se comprometer com medidas exatas de descarbonização. Eles teriam de reunir provas de que a transição para uma economia de baixo carbono é tecnicamente viável e rentável, gerando efeitos positivos não só para o clima, mas também para os preços da energia e para a segurança do abastecimento. O sucesso estimularia outros países do G-20, atuando fora do auto-interesse, a seguir os passos dos líderes do clima.

Esse tipo de abordagem, de baixo para cima, levaria a significativas reduções de emissões. Para ter certeza, seria impossível de prever, com base no princípio favorecido atualmente, de cima para baixo, quanto de aumento da temperatura o mundo suportaria. Dado que a exploração a um limite de temperatura estrito não é uma opção politicamente viável, focalizando a política do clima em benchmarks flexíveis, tais como a neutralidade do clima , seria mais eficaz no curto prazo e mais promissora no longo prazo.

*Oliver Gedenis é pesquisador sênior no SWP, o maior centro de estudos alemão de política de segurança e relações exteriores.

(Envolverde/Zero Hora)

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (guia)

  

Além de contextualizar o tema, Guia de Orientação – 2009, coordenado por Isaura Maria de Rezende Lopes Frondizi, aborda detalhe estrutura institucional, conceitos fundamentais, ciclo do projeto, registro, monitoramento, verificação e certificação, emissão das RCEs e procedimentos para submissão de projetos de MDL no Brasil.

Guia Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (149)
 
Fonte: http://www.matrizlimpa.com.br/

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Conheça o resumo do Inventário de Emissões de GEE do Rio de Janeiro

 
Rio é o primeiro município a atualizar o Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa/Foto: Phillie Casablanca

Em 15 de agosto, você viu aqui no EcoD, que a Prefeitura do Rio de Janeiro apresentou o segundo Inventário de Emissões de Gases do Efeito Estufa elaborado pela Coppe/UFRJ, durante lançamento do Fórum Carioca de Mudanças Climáticas. A segunda maior capital do país é o primeiro município brasileiro a atualizar o relatório, cuja primeira edição tem por base o ano de 1998 - o documento atual conta com dados referentes a 2005. Nesta segunda-feira (30), disponibilizamos o resumo executivo do documento.

Segundo o novo inventário, o município apresenta uma pequena redução no volume per capita de dióxido de carbono (CO2), que passou de 2,3 toneladas por habitante ao ano para 2,17 ton/hab/ano. Este índice será o ponto de partida para a cidade atingir a primeira meta do Protocolo Rio Sustentável, que prevê a redução em 8% dos gases poluentes até 2012. O protocolo, que estabelece a política carioca sobre o clima, tem o movimento Rio Como Vamos (RCV) como co-signatário.


Participação dos setores da economia nas emissões totais do segmento energético/Imagem: Reprodução

O novo relatório mostra uma pequena redução do índice per capita de CO2 equivalente ao ano em relação a 1998. Na época do primeiro relatório, o Rio emitia 2,3 toneladas de CO2/hab ao ano. Em 2005, o índice era de 2,17. Na comparação com outras metrópoles do mundo, a cidade do Rio de Janeiro apresenta um dos menores índices de emissões per capita de carbono, como podemos ver na listagem abaixo:
Washington (EUA): 19,7 ton/hab/ano;
Nova York (EUA): 7,1 ton/hab/ano;
Pequim (China): 6,9 ton/hab/ano;
Londres (Inglaterra): 6,2 ton/hab/ano;
Roma (Itália): 5,2 ton/hab/ano;
Tóquio (Japão): 4,8 ton/hab/ano.

Entre os estados brasileiros, o Rio de Janeiro tem índice de 4,5; e Minas Gerais, de 6,38. A taxa média no Brasil é de 9,4 ton/hab/ano.

Para a elaboração do inventário da cidade do Rio de Janeiro, utilizou-se a metodologia para elaboração de inventários do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC – 2006), adaptada para a escala municipal. Adicionalmente foram revisitados os valores do Primeiro Inventário da Cidade, referentes aos anos de 1996 e 1998, atualizando-se a metodologia para a utilizada no ano de 2005, com o intuito de permitir a comparação do perfil de emissões entre os períodos dos dois inventários. A coordenação técnica dos estudos foi dos professores da Coppe Emílio Lèbre La Rovere e Cláudia do Valle Costa.

Com informações do movimento Rio Como Vamos


segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Mudanças climáticas em multimídia

 
Da Agência Ambiente Energia – !Isso Não é Normal, site multimídia sobre mudanças climáticas, está no ar, com reportagens, vídeos, entrevistas e mapas interativos sobre o tema no Brasil. Neste primeira etapa, o projeto tem como base a cidade de São Paulo. Depois, a iniciativa vai tratar da questão climática em Santa Catarina e, na última fase, destacará a região Nordeste do país.

A página São Paulo Vulnerável traz gráficos e mapas extraídos do estudo “Vulnerabilidade das Megacidades Brasileiras às Mudanças Climáticas: Região Metropolitana de São Paulo”, divulgado em junho por uma equipe multidisciplinar de pesquisadores, coordenada por Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

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Fonte: Ambiente Energia