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quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Desmatamento anula benefício climático do etanol

Em cinco anos, desde que a tecnologia Flex Fuel chegou ao mercado de automóveis, o Brasil "economizou" 42,5 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2), que deixaram de ser emitidas para a atmosfera graças à substituição de gasolina por álcool combustível, segundo cálculos da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). Isso equivale a três anos e meio de emissões de CO2 da cidade de São Paulo, como se todos os veículos e fábricas da metrópole tivessem parado de funcionar durante esse período.

Segundo o físico José Goldemberg, do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo, os 42,5 milhões de toneladas poupados representam quase 20% das emissões brasileiras do gás - excluindo o que é emitido via desmatamento e queimadas. "É um número muito significativo", afirma Goldemberg. Essa é a boa notícia.

A má notícia é que, quando se leva em conta as emissões por desmatamento e queimadas na Amazônia, essa economia do álcool se desvaloriza quase que instantaneamente na atmosfera. Em um único mês, a combustão da floresta tropical lança na atmosfera a mesma quantidade de gás carbônico que deixou de ser emitida nos cinco anos de tecnologia Flex Fuel. A comparação foi feita pelo Estado, com base em informações fornecidas por especialistas da academia e da indústria.

Pesquisadores estimam que cada quilômetro quadrado de floresta derrubada e queimada na Amazônia libera para a atmosfera, em média, 44 mil toneladas de CO2. Em 2007, por exemplo, foram derrubados 11.532 km2 de floresta amazônica, segundo dados oficiais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Pelos cálculos dos cientistas, isso implicou na emissão de 507,4 milhões de toneladas de CO2, o que dá uma média de 42,3 milhões de toneladas por mês - quase o mesmo que os 42,5 milhões de toneladas evitadas pelo uso de álcool em motores Flex Fuel em cinco anos.

2007 foi o ano de desmatamento mais baixo no período. Se a comparação for feita com a média de anos anteriores, quando o desmatamento foi maior, o benefício climático do etanol desaparece ainda mais rapidamente. Em 2004, quando foram derrubados 27.423 km2 de floresta, a emissão média chegou a 100,5 milhões de toneladas de CO2/mês, ou 3,3 milhões de toneladas de CO2/dia. Ou seja: a economia de carbono dos motores Flex Fuel foi zerada naquele ano em menos de duas semanas.

"Os números mostram que não há saída para o Brasil. Se o País quiser mesmo contribuir para reduzir as mudanças climáticas, a única maneira de fazer isso é reduzir o desmatamento", diz Paulo Moutinho, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), uma organização não-governamental.

Tendência de Alta

Após três anos em queda, o desmatamento voltou a crescer este ano na Amazônia. O cálculo oficial de área está sendo feito pelo Inpe, que deverá publicar as estatísticas no mês que vem.

A especialista Suzana Kahn, secretária de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente (MMA), reconhece que o desmatamento é um problema seríssimo e que ainda está longe de ser resolvido, mas acredita que isso não invalida os resultados positivos obtidos com os esforços ambientais de conservação da floresta e na área energética, com o etanol.

Segundo ela, é importante olhar os dois lados da moeda. Além de contar o carbono que é emitido pela destruição da floresta, diz, é preciso contabilizar o que deixou de ser emitido pela redução do desmatamento.

"O esforço que o Brasil fez para reduzir o desmatamento é mais do que qualquer país conseguiu fazer até hoje para reduzir emissões", afirma Suzana, que também é pesquisadora da Coordenação dos Programas de Pós-graduação de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Segundo um cálculo que deverá ser apresentado pelo Brasil na próxima conferência de mudanças climáticas da Organização das Nações Unidas (mais informações nesta pág.), a redução das taxas anuais de desmatamento da Amazônia nos últimos anos evitou a emissão de mais toneladas de CO2 do que a soma de todas as reduções propostas pelo Protocolo de Kyoto nos países desenvolvidos.

Alguns ambientalistas e pesquisadores, porém, questionam o mérito do governo sobre a redução dos últimos anos, que teria sido fortemente influenciada pela redução momentânea dos preços de carne e soja no mercado internacional.

"Evidentemente, não há como o uso do etanol compensar o desmatamento da Amazônia em termos de gases do efeito-estufa e creio que esse propósito não está na cabeça do governo federal nem tampouco do setor produtivo, pois há o reconhecimento de que o desmatamento criminoso e descontrolado deve ser eliminado", avalia o consultor de emissões e tecnologias da Unica, Alfred Szwarc. "O que deve ser considerado é que sem o uso do etanol, nas condições atuais de desmatamento, a emissão do Brasil seria ainda maior."

Fonte: Herton Escobar / O Estado de S. Paulo

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

EUA produzem quase 50% mais etanol

A produção média de etanol nos Estados Unidos (EUA) alcançou o recorde de 614 mil barris diários, segundo apontou ontem um relatório do Departamento de Energia do governo americano. Segundo essa projeção, a produção do combustível deste ano já está 46% maior do que a registrada há um ano. Inventários subiram 33%, chegando a 13,2 milhões de barris, informou o relatório mensal do Departamento de Energia.

Estes números "mostram que a capacidade da produção doméstica americana pode atender à demanda", afirmou Logan Caldwell, presidente da Houston Biofuels Consultants LLC. "Os princípios econômicos estão conduzindo este processo e o RFS o está apoiando", completa Caldwell.

O chamado RFS (sigla em inglês para padrões de combustível renovável) requer que os EUA utilizem nove bilhões de galões (34 bilhões de litros) de etanol este ano. O etanol é misturado com gasolina para aumentar o rendimento das reservas de abastecimento e respeitar as resoluções federais.

Existem 173 refinarias de etanol em solo americano com capacidade para produzir 10,1 bilhões de galões (37,8 bilhões de litros) a cada ano, é o que informa a Associação de Combustíveis Renováveis.

A Poet em Sioux Falls, no estado de South Dakota, é a maior produtora de etanol, seguida pela VeraSun Energy, com sede em Brookings, também em South Dakota.

(Gazeta Mercantil)

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Cientistas modificam bactéria para fazer etanol a partir de qualquer planta

Cientistas americanos continuam na corrida para desenvolver uma forma de produzir etanol que seja competitiva. Sua última criação é uma bactéria, capaz de comer celulose e excretar etanol, com alta produtividade.

O microrganismo é uma versão "adaptada" da bactéria Thermoanaerobacterium saccharolyticum. Trata-se de uma criatura termofílica (ou seja, que gosta de altas temperaturas) e anaeróbica (ou seja, que não usa oxigênio). Os cientistas, liderados por Joe Shaw e Lee Lynd, do Dartmouth College, nos EUA, modificaram geneticamente o bichinho (rebatizado de ALK2) para que ele produzisse mais e melhor o etanol. Deu certo: além do alto rendimento, acabou que o etanol foi praticamente o único produto gerado pela bactéria.

Os resultados foram publicados na última edição da "PNAS", revista da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, e trazem novo alento à busca dos americanos de uma forma mais eficiente de produzir etanol. Hoje, a única forma viável nos EUA é com a fermentação de milho. Ocorre que o rendimento é baixo, e o desvio da produção de milho para a geração de combustível agrava a crise dos alimentos. Naquele país, a forma mais eficiente de produzir etanol, a partir da cana-de-açúcar, é inviável - o clima não é propício a essa cultura.

Daí a expectativa de obter um meio de produção que consiga lidar com a celulose diretamente. Trata-se de um açucar complexo que as plantas usam para fortalecer sua estrutura. Caso uma bactéria possa processá-la, praticamente qualquer tipo de planta poderia ser usado para produzir etanol.

Ainda assim, os cientistas alertam que pode levar anos até que o organismo possa ser aplicado com sucesso na produção de etanol em larga escala a partir de celulose. "Independentemente das capacidades notáveis da linhagem ALK2, mais trabalho precisa ser feito antes que o organismo seja utilizável para aplicação industrial", escreveram os cientistas. (Fonte: G1)

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Mudança climática ajuda álcool e prejudica alimento

Mesmo sem uma política contundente de adaptação e mitigação às mudanças climáticas globais, o governo brasileiro deve ter sucesso na sua política de biocombustíveis, mostra um estudo a ser divulgado oficialmente na segunda-feira (11) em São Paulo. O aquecimento global, porém, pode colocar em risco a segurança alimentar da população brasileira, diz a pesquisa.

"Em termos de produção de alimentos, os nossos dados mostram que ficaremos na corda bamba. Mas não é uma visão catastrofista, as soluções existem", disse à Folha o pesquisador Eduardo Assad, da Embrapa Informática Agropecuária. Ele é um dos coordenadores do estudo que estima os impactos da alteração global do clima sobre a agricultura brasileira.

O trabalho também teve participação de Hilton Pinto, pesquisador da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Segundo o estudo da dupla, as áreas potenciais para a cultura da cana-de-açúcar vão crescer 139% até 2050, caso a temperatura aumente em média 3C. Esse crescimento significará R$ 23,5 bilhões a mais no PIB (Produto Interno Bruto) do agronegócio nacional.

"A política de biocombustíveis, por causa disso, continuará muito bem", diz Assad. A cana-de-açúcar é um vegetal que gosta de calor. Com o aquecimento global, algumas áreas que hoje não são adequadas ao cultivo dessa planta passarão a ser. Contudo, diz Pinto, no Centro-Oeste, a cultura vai ter problemas com a falta d'água. "A irrigação terá de ser maior", afirma o cientista.

A boa notícia para a indústria sucro-alcooleira, porém, é uma exceção à regra. Assad e Pinto analisaram o impacto da mudança climática para o cultivo de nove vegetais no Brasil. A cana-de-açúcar e a mandioca foram os únicos para os quais houve uma projeção de melhora com o aumento da temperatura média. A área para a mandioca, diz o estudo, deverá crescer 13% até 2050.

Segundo Assad, apesar do aumento do potencial para o setor sucro-alcooleiro, o estudo não indica que a fronteira da cana deva avançar sobre a floresta amazônica. "Cultivar cana na floresta [pelo menos em áreas centrais da Amazônia] não tem lógica do ponto de vista do clima e nem da logística". Essa é a conclusão de um outro estudo dos pesquisadores, ainda inédito, encomendado pela Casa Civil, de Brasília.

Menos soja - O maior prejuízo ocorrerá nas plantações de soja, aponta o novo estudo. A área adequada ao grão diminuirá 34% até 2050. Em termos financeiros, isso significa uma queda na produção da ordem de R$ 6,3 bilhões. "Em termos geográficos, a soja deverá sumir, por exemplo, de grande parte do Rio Grande do Sul", diz Pinto.

O aquecimento global também vai reduzir a área ótima para lavouras de café (queda de 17% na área de potencial cultivo), de girassol (-16%), de milho (-15%), de algodão (-16%), de arroz (-12%) e de feijão (-10%). Pelos cálculos feitos a preços de hoje, em 42 anos o clima vai causar, em todo o Brasil, um prejuízo de R$ 10,7 bilhões, referente às culturas que perderão territórios adequados.

"Na conta geral, por causa da cana-de-açúcar, haverá até um saldo positivo, mas o importante é olhar para cada uma das culturas", afirma Pinto. O estudo fez projeções também para 2070. As tendências para cada cultura são as mesmas, mas os números são maiores. (Fonte: Eduardo Geraque/ Folha Online)

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Empresa britânica anuncia etanol 'feito de lixo'

Uma empresa britânica anunciou nesta segunda-feira (21) ter tecnologia para começar a produzir etanol a partir de lixo biodegradável em escala industrial dentro de dois anos.

A química Ineos Bio afirma que será possível usar lixo biodegradável municipal, lixo orgânico comercial e resíduos de agricultura, entre outros, para a produção do combustível.

Segundo a empresa, a tecnologia já foi testada em um projeto piloto nos Estados Unidos.

"Planejamos produzir quantidades comerciais de combustível de bioetanol de lixo para ser usado como combustível para carros dentro de dois anos", afirmou Peter Williams, diretor executivo da Ineos Bio.

A transformação se opera em três estágios. Primeiro, o lixo é superaquecido para a obtenção de gás.

Este gás é usado para alimentar bactérias anaeróbicas (biocatalizadoras) que produzem o etanol.

No estágio final, o etanol é purificado para ser usado como combustível puro ou misturado à gasolina.

Produção de alimentos - A empresa alega que esta tecnologia tem a vantagem de não afetar a produção de alimentos. Uma tonelada de lixo seco pode ser transformada em cerca de 400 litros de etanol, informou a empresa.

"O fato de termos conseguido separar a segunda geração de biocombustíveis dos alimentos é um grande passo. Esperamos que a tecnologia garanta combustíveis renováveis e sustentáveis a um custo competitivo", disse Williams.

A empresa, no entanto, precisará da cooperação dos governos locais para ter acesso ao lixo.

A Ineos ainda não anunciou a localização da primeira usina comercial de produção do etanol do lixo.

O processo foi desenvolvido em Fayetteville, no Estado americano do Arkansas. As pesquisas começaram em 1989 e a primeira usina foi montada depois de 20 anos de trabalho.

A fábrica está operando continuamente desde 2003, usando diferentes dejetos. (Fonte: Estadão Online)

Biocombustíveis privam mundo de 100 milhões de toneladas de cereais, diz FAO

A produção de biocombustíveis privam o mundo de quase 100 milhões de toneladas de cereais como milho e trigo, que poderiam ser destinados à alimentação, afirmou na segunda-feira (21) em Havana o diretor-geral da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação), o senegalês Jacques Diouf. Durante a palestra, ele não mencionou o álcool feito de cana-de-açúcar, produzido no Brasil.

"O aumento dos preços do petróleo" e as barreiras comerciais "foram a causa de que uma proporção crescente da produção agrícola se transformasse em matéria-prima competitiva para o setor energético", disse Diouf, durante aula magna na Universidade de Havana.

"O resultado é que quase 100 milhões de toneladas de cereais foram subtraídas aos mercados de alimentos para destinar-se à satisfação de necessidades energéticas", acrescentou Diouf, que visita Cuba para conhecer as medidas impulsionadas pelo governo de Raúl Castro ante a crise mundial de alimentos.

Ele advertiu que "o mercado energético é tão grande e a demanda tão elevada que poderiam modificar radicalmente os sistemas agrícolas tradicionais", com "o uso de recursos agrícolas para o mercado energético introduzindo um paradigma completamente novo na agricultura mundial".

Segundo o Banco Mundial (Bird), os preços dos alimentos praticamente duplicaram em três anos. Seu presidente, Robert Zoellick, sustenta que 2 bilhões de pessoas estão afetadas pela crise, e que mais 100 milhões nos países pobres podem passar a viver abaixo do umbral de pobreza extrema. (Fonte: Folha Online)

Etanol brasileiro é o que mais reduz emissões, diz OCDE

Um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) afirma que o etanol brasileiro contribui mais na redução das emissões de gases que provocam o efeito estufa do que os biocombustíveis produzidos nos Estados Unidos e na Europa

Intitulado Avaliação Econômica das Políticas de Apoio aos Biocombustíveis, o estudo afirma que o etanol de cana-de-açúcar produzido no Brasil permite reduzir as emissões em até 90%. O documento foi divulgado nesta quarta-feira (16) em Paris.

Já os biocombustíveis produzidos a partir do milho, como nos Estados Unidos, permitem reduzir as emissões apenas entre 20% e 50%, segundo o estudo da OCDE.

No caso do etanol à base de trigo, produzido em alguns países da Europa, a diminuição das emissões de dióxido de carbono em relação aos combustíveis fósseis são de 30% a 60% e, em relação ao etanol de beterraba açucareira, a redução de CO2 varia entre 30% e 50%.

"Apesar da redução das emissões de gases que provocam o efeito estufa serem a razão principal das políticas voltadas para os biocombustíveis, os resultados são limitados", diz o relatório.

"O etanol de cana-de-açúcar do Brasil permite diminuir as emissões em pelo menos 80%. No entanto, os percentuais são muito mais baixos para os biocombustíveis realizados com as matérias-primas utilizadas na Europa e na América do Norte", afirma a Direção de Agricultura da OCDE, que realizou o estudo.

Recomendações - Segundo a organização, "o apoio governamental à produção de biocombustíveis nos países da OCDE custa caro, mal consegue reduzir as emissões de gases com efeito estufa e melhorar a segurança energética e repercute fortemente sobre os preços mundiais dos produtos alimentares."

A OCDE reúne 30 economias, entre elas, algumas das mais industrializadas do mundo. O Brasil não integra a organização.

Para melhorar a eficácia econômica, ambiental e social dos biocombustíveis, a OCDE sugere que sejam estabelecidos patamares mínimos para a redução de gases que provocam o efeito estufa.

A organização recomenda também a eliminação de barreiras alfandegárias sobre o produto, além do reforço das pesquisas tecnológicas.

Além do fim das barreiras sobre o produto final, a OCDE recomenda ainda a eliminação de barreiras alfandegárias sobre as matérias-primas utilizadas em sua produção.

De acordo com a organização, essa medida "deve permitir a redução dos custos e melhorar sua eficácia energética".

O documento afirma ainda que na maior parte dos países, os biocombustíveis dependem fortemente de subvenções públicas, sobretudo nos Estados Unidos, Canadá e Europa.

"Nesses países, os subsídios atingiram US$ 11 bilhões em 2006 e devem chegar a US$ 25 bilhões por ano em 2015", diz o documento.

Segundo estimativas da OCDE, as medidas de apoio à produção de biocombustíveis custam entre U$ 900 e U$ 1,7 mil por cada tonelada de dióxido de carbono que deixa de ser emitida na atmosfera.

A organização afirma que a produção de biocombustíveis deve dobrar nos próximos dez anos.

Os Estados Unidos são os maiores produtores de etanol, totalizando 48% da produção mundial, enquanto o Brasil representa 31%. A Europa totaliza 60% da produção mundial de biodiesel. (Fonte: Estadão Online)

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Três perguntas sobre etanol de cana e sua parcela contra o aquecimento global

Mônica Pinto / AmbienteBrasil

Dessa segunda-feira até ontem, foi realizado em Curitiba (PR) o I Seminário Internacional de Aquecimento Global nas Cidades, promovido pelo Instituto Superior de Administração e Economia da Fundação Getulio Vargas (ISAE/FGV), em parceria com a Prefeitura da capital paranaense e o Global Compact - iniciativa desenvolvida pela Organização das Nações Unidas (ONU), com o objetivo de mobilizar a comunidade empresarial internacional “para a promoção de valores fundamentais nas áreas de direitos humanos, trabalho e meio ambiente”.

No evento, palestrantes do Brasil, Estados Unidos, França e Alemanha analisaram como o planejamento urbano poderá minimizar o efeito do aquecimento global nas cidades.

Um dos debatedores no Seminário foi o cientista José Roberto Moreira, professor da Universidade de São Paulo (USP) e presidente do Centro Nacional de Referência em Biomassa, organização que trouxe para o Brasil o primeiro ônibus movido a etanol.

AmbienteBrasil fez a ele três perguntas.

AmbienteBrasil - O senhor afirmou no evento em Curitiba que “Uma cidade pode ficar despoluída 30% a 40% com biodiesel, mas 100% com o etanol”. De que maneira esse propósito pode se tornar realidade?

José Roberto Moreira - No caso de uso de biodiesel, a expectativa é usar sempre uma mistura biodiesel/diesel. Fala-se em misturas até B20, ou seja 20% biodiesel – 80% diesel. Isso é um limite por problemas técnicos nos motores e pela enorme área agrícola para produzir óleo de soja - para o programa atual B2 precisamos de um milhão de hectares.

No caso do etanol com aditivo, substituímos todo o diesel. A poluição com o biodiesel decorre da presença de diesel. No nosso produto, não temos diesel e assim reduzimos o SOx (enxofre) em 100%. Outros poluentes como os particulados se reduzem em 80%. Como o etanol é renovável e consome pouca energia na sua produção, as emissões de CO2 se reduzem em 84%.

AmbienteBrasil – Como se chegou ao primeiro ônibus movido a etanol do Brasil? Ele está circulando onde? Após quanto tempo se poderá verificar a total eficiência do veículo?

José Roberto - Eu não desenvolvi o ônibus. Ele foi desenvolvido na Suécia há 16 anos e roda lá há 15 anos. Hoje existem 600 ônibus na Suécia. O que eu fiz foi arrumar recursos da União Européia e de parceiros brasileiros para trazer e montar um ônibus em São Paulo. Ele está rodando numa linha de transporte coletivo desde dezembro de 2007.

Nossa única motivação é chamar a atenção das autoridades do Brasil sobre o produto. Ele é tecnicamente viável e economicamente viável no período de safra da cana, quando o preço dela abaixa bastante, pelo menos no Estado de São Paulo.

Na entressafra, precisamos de subsídio, mas o produto é mais barato que o biodiesel. Vamos rodar em São Paulo por mais 18 meses só para demonstrar que a tecnologia é confiável.

AmbienteBrasil – A preocupação de muitos é que o crescimento da demanda acabe tendo impactos sobre os ecossistemas brasileiros e na produção de alimentos, sob a lógica do bom lucro dos plantios de cana num futuro próximo. O senhor admite esse risco? Como minimizá-lo?

José Roberto - Num mundo capitalista, os produtores sempre se interessam pelos produtos que dão mais lucro. O que pode ser feito é o zoneamento agrícola que limita as áreas para alimento e energia. Também o Governo pode criar impostos sobre o combustível e transferir esses recursos para subsidiar o plantador de alimentos. Portanto, há risco, mas o Governo tem as ferramentas para evitá-los.

Fonte: AmbienteBrasil

terça-feira, 17 de junho de 2008

Sucesso do etanol do Brasil revela 'segredo sujo', diz 'LA Times'

Irregularidades nas plantações de cana-de-açúcar - principalmente relacionadas a condições degradantes de trabalho denunciadas pela Anistia Internacional, serviram de tema para uma reportagem na edição dessa segunda-feira (16) do Los Angeles Times.

Na matéria publicada no jornal norte-americano, a ascensão da economia brasileira, impulsionada pelo combustível obtido a partir da cana-de-açúcar, traz à tona "o segredo sujo do etanol": condições primitivas de trabalho às quais são submetidos os cortadores da cana.

O jornal afirma que o Brasil, "a Arábia Saudita dos biocombustíveis", tem mais de 300 mil trabalhadores temporários na indústria da cana vivendo sob condições que variam de "deploráveis à completa servidão".

Fontes do Ministério Público ouvidas pelo LA Times afirmam que "pelo menos 18 cortadores de cana morreram nos últimos anos, vítimas de desidratação, ataques cardíacos ou outros fatores ligados à exaustão em regiões onde a floresta passou a dar lugar à agricultura". "Isto não inclui um número desconhecido de outros que morreram em acidentes, por excesso de trabalho. Até prisioneiros têm melhores condições de vida", disse o promotor Luis Henrique Rafael ao diário americano.

"A única forma de lazer deles é a cachaça", acrescentou ele. O jornal cita o relatório divulgado no mês passado pela Anistia Internacional em que a organização denunciou que mais de mil cortadores de cana foram resgatados em junho de 2007 após serem submetidos a trabalho escravo por um grande produtor de etanol, Pagrisa, no Pará.

O Los Angeles Times afirma que as crescentes críticas internacionais provocaram a reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que afirmou que o governo e produtores querem melhorar as condições de trabalho na indústria da cana. O jornal destaca uma parte do discurso do presidente durante a conferência da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentos (FAO), em Roma, em que ele diz que "o trabalho nas lavouras de cana não é mais difícil do que nas minas, que foram a base para o desenvolvimento da Europa". (Fonte: O Tempo Online/MG)

Cana-de-açúcar avança na Amazônia com recursos públicos

A cana-de-açúcar, matéria-prima utilizada na produção de etanol no Brasil, já está sendo plantada na Amazônia, diferentemente do que afirmou o presidente Lula no início de junho, na abertura da Conferência da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Segundo o presidente, o Brasil não plantaria cana na região, mas segundo pesquisadores e promotores do Acre, os canaviais já chegaram à Amazônia.

De acordo com o doutor em Desenvolvimento Sustentável e professor da Universidade Federal do Acre (Ufac), Écio Rodrigues, a cana não só está sendo plantada na Amazônia como inclusive tem sido fomentada com recursos públicos. "O caso do Acre é emblemático. Uma usina construída com recursos do Banco do Brasil com investimentos superiores a R$ 200 milhões e abandonada após fracasso total do projeto nos idos de 1990 foi retomada agora em 2003, com recursos do governo estadual e federal, ambos do mesmo partido e, o mais interessante, com o acordo até do Ministério do Meio Ambiente", explica.

Rodrigues explica que a cana alterou a paisagem ao longo da Rodovia do Pacífico, que até então era dominada por pastagens, e que põe a floresta em risco devido a três fatores: o ganho financeiro a curto prazo, o bom momento nacional e internacional dos biocombustíveis e a fragilidade normativa e institucional na Amazônia. "A cana destrói a floresta pelo seu elevado potencial de mercado e, por outro lado, pela fragilidade institucional presente na região".

Além dessa fragilidade, existe também o interesse em se aprovar leis que facilitem a entrada da cana na região. "No Acre, aumentou-se na área da cana o desmatamento legalizado de 20% para 50% da área das propriedades, duplicando o território da cana", diz Rodrigues.

Álcool Verde - Devido à ausência de itens relevantes sobre impactos ambientais que a produção de álcool na Amazônia pode causar, o Ministério Público Estadual do Acre rejeitou os estudos da usina Álcool Verde. Segundo a promotora de justiça do Acre Meri Cristina Amaral Gonçalves, o Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) apresentados eram frágeis. "Não era um estudo, parecia mais uma compilação, com uma série de falhas e aspectos não abordados, como o balanço hídrico", explica.

De acordo com a promotora, só foram apresentados estudos sobre o impacto da usina, e não de impactos das plantações ou do uso da água. Meri Cristina explica que a usina não funciona por si só. "Tem que plantar, e isso é impactante. Não há menção sobre onde essa cana será plantada", diz.

Para alimentar a usina, serão plantados 39 mil hectares de cana-de-açúcar no município de Capixaba (distante 77 quilômetros de Rio Branco) e arredores. Para empreendimentos de mais de mil hectares é necessário estudo de impacto ambiental, que até o momento não foi feito. Além disso, encontra-se nessa área um importante sítio arqueológico, conhecido como Geoglifos, mas também não existem estudos sobre os impactos do avanço da cana em áreas de importância arqueológica.

Meri Cristina reitera que o próprio governo do Acre é acionista do empreendimento, o que acaba fazendo com que o órgão ambiental (no caso, o Instituto do Meio Ambiente do Acre, Imac) acabe refletindo uma posição de interesse. A procuradora diz que o argumento predominante é que o Ministério Público estaria impedindo o desenvolvimento do Acre, quando na verdade o que a procuradoria quer é que empreendimentos não causem impacto ambiental. "Com certeza com um estudo de impacto mais robusto teríamos mais segurança com o empreendimento", explica.

Modelo agrícola - O etanol e a cana-de-açúcar estão sendo defendidos por poluir menos do que o petróleo, sendo assim uma alternativa energética contra o fenômeno conhecido como aquecimento global. O pesquisador Écio Rodrigues concorda que o etanol é preferível ao petróleo. "O petróleo um dia vai acabar e a fumaça por ele gerada não é recuperada por ele mesmo. A cana, soja ou outro vegetal tira da atmosfera a fumaça que esse mesmo combustível joga, então a equação é zerada e por isso é melhor", analisa. Rodrigues, no entanto, alerta para os perigos do monocultivo. "Note-se que se essa contribuição dos monocultivos ocorrer à custa dos desmatamentos, essa equação se complica e se inverte. O carbono da destruição da floresta não será recuperado pelo plantio da cana. É por isso que o mundo fica muito preocupado com a transformação do Brasil em potencia dos biocombustíveis", explica.

Rodrigues acredita não ser possível conciliar o atual modelo agrícola do país com a conservação da Amazônia e atenta para a vocação florestal da região. "A exploração sustentável da floresta parece ser a alternativa possível. Tecnologias de Manejo Florestal de Uso Múltiplo foram desenvolvidas na década de 1990 e permitem uma exploração com elevado grau de diversificação e agregação de valor". Para o pesquisador, o pagamento por serviços florestais é uma maneira de conservar a Amazônia e evitar que a floresta entre em competição com a cana-de-açúcar. "Se o mundo se dispuser a pagar pelos bens materiais e pelos serviços, como de produção e limpeza do ar e da água que a floresta na Amazônia oferece, o problema da competitividade com cana, boi e soja estará resolvido, e o futuro do ecossistema florestal garantido", conclui. (Fonte: Bruno Calixto/ Amazônia.org)

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Minc afirma que "Amazônia não é lugar para etanol"

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou nesta terça-feira (10) que a Amazônia não é adequada para o cultivo do biocombustível. "Achamos que a Amazônia não é lugar para etanol. Nem é adequado, porque está longe dos grandes centros, nem o solo é adequado", disse ele.

Minc voltou a falar no chamado ZEE (Zoneamento Econômico e Ecológico), para definir a ocupação das áreas da região. "Com o apoio do Ministério, dois Estados já concluíram: Acre e Rondônia. E três vão concluir agora: Maranhão, Mato Grosso e Pará", disse o ministro, durante passagem pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

O ministro disse que o ZEE deve ser concluído até 2009 e que será um "bom canal de negociação com agronegócio que quer regras claras e definidas. O que pode, onde pode e como pode".

Em sua defesa dos biocombustíveis, as as autoridades brasileiras têm insistido em rebater as preocupações dos críticos sobre o desmatamento da Amazônia em razão das plantações intensivas para a produção do etanol. Na sexta-feira (6), o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, assegurou que a produção deste biocombustível no Brasil é feita fora das regiões de floresta tropical, durante um encontro internacional na Eslovênia. (Fonte: Estadão Online)

terça-feira, 10 de junho de 2008

Estatal indiana quer investir US$ 600 mi em etanol no Brasil

A estatal indiana Bharat Petroleum Corp. está diversificando a produção de energia renovável e estuda um projeto de etanol no Brasil com outras refinarias do país avaliado em US$ 600 milhões, segundo o presidente e diretor gerente, Ashok Sinhá.

A empresa também planeja construir um complexo de produção de biodiesel de pinhão manso na província indiana de Uttar Pradesh. (Fonte: Estadão Online)

Contra crítica a etanol, Lula quer mecanização do corte da cana

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no seu programa de rádio, Café com o Presidente, afirmou que existe "uma verdadeira guerra comercial" entre os países que são capazes de produzir biocombustíveis e aqueles que não são. O presidente afirmou que o governo estuda junto com os empresários do setor de álcool e açúcar um contrato de trabalho que melhore a situação dos cortadores, por meio da mecanização da colheita, visando acabar com as acusações de más condições de trabalho nas plantações. Lula disse ainda que as críticas aos biocombustíveis vêm das empresas de petróleo.

"Eu acredito que os principais ataques aos biocombustíveis vêm das empresas de petróleo. Porque não existe nenhuma explicação, por exemplo, lá fora, dizer que a cana-de-açúcar está invadindo a Amazônia é um absurdo muito grande, ou seja, nós mostramos para eles que de toda a cana que nós temos, apenas 21 mil hectares de cana estão plantados perto da Amazônia", afirmou o presidente.

"Nós sabemos os interesses dos países que não produzem etanol, ou produzem etanol do trigo, ou produzem etanol do milho, que não é competitivo, é mais caro, diferentemente da cana. O Brasil tem o combustível, tem a matéria-prima e nós fomos mostrar para eles: olha não tenho medo", disse.

O presidente também revelou que o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Soares Dulci está negociando com os empresários um contrato de trabalho para melhorar a situação dos cortadores de cana-de-açúcar. Lula reconheceu que o trabalho nas plantações de cana é "muito pesado".

"Em São Paulo nós já temos 50% do corte de cana mecanizado. E nós estamos tratando de fazer um acordo porque nós precisamos cuidar de formar esse trabalhador que trabalha no corte de cana agora, e que vai ser substituído por uma máquina que vai cortar, e cada máquina substitui quase que 80, 90 trabalhadores, para que esse trabalhador possa ter possibilidade de que, com uma boa formação profissional, ter emprego em outro lugar".

"Nós não queremos substituir o homem pela máquina, nós queremos que a máquina corte cana, mas queremos que o ser humano que hoje corta a cana tenha a possibilidade de ter um trabalho melhor, um trabalho digno. Ou seja, é criar as condições para que ele possa trabalhar com dignidade até que ele se forme em outra coisa e a gente possa então ter uma máquina substituindo o homem, explicou o presidente da República", disse. (Fonte: Estadão Online)

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Lula defende etanol e culpa petróleo e subsídios por crise dos alimentos

Em discurso na Conferência das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), nesta terça-feira (3) em Roma, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender a produção brasileira de etanol e criticou os países que atribuem ao Brasil e às plantações de cana-de-açúcar a responsabilidade pela crise nos alimentos no mundo.

"Esse comportamento não é neutro nem desinteressado. Os biocombustíveis não são os vilões. Vejo com indignação que muitos dos dedos que apontam contra a energia limpa dos biocombustíveis estão sujos de óleo e carvão. muitos dos que responsabilizam o etanol – inclusive o etanol da cana-de-açúcar – pelo alto preço dos alimentos são os mesmos que há décadas mantêm políticas protecionistas, em prejuízo dos agricultores dos países mais pobres e dos consumidores de todo o mundo", criticou o presidente.

Diante de vários chefes de Estado e de Governo presentes ao evento, o presidente criticou o "intolerável protecionismo que atrofia e desorganiza" a produção agrícola dos países pobres.

"Os subsídios criam dependência, desmantelam estruturas produtivas inteiras, geram fome e pobreza onde poderia haver prosperidade. Já passou da hora de eliminá-los", disse, segundo a Agência Brasil. "É indispensável afastar a cortina de fumaça lançada por lobbies poderosos que pretendem atribuir à produção do etanol a responsabilidade pela recente inflação do preço dos alimentos", completou.

'Etanol é como colesterol' - Lula selecionou fatos brasileiros para responder às acusações de que o programa de etanol brasileiro diminuiu a produção de grãos e pode invadir as áreas de mata da Amazônia. Lembrou dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, para não usar dados brasileiros, mostrando que toda a cana-de-açúcar brasileira está concentrada em apenas 2% da sua área agrícola e apenas a metade disse é usado para etanol. O restante é usado em açúcar.

"Há críticos ainda que apelam para um argumento sem pé nem cabeça: os canaviais no Brasil estariam invadindo a Amazônia. Quem fala uma bobagem dessas não conhece o Brasil", criticou.

"A Região Norte, onde fica quase toda a Floresta Amazônica, tem apenas 21 mil hectares de cana, o equivalente a 0,3% da área total dos canaviais do Brasil. Ou seja, 99,7% da cana está a pelo menos 2 mil quilômetros da Floresta Amazônica. Isso é, a distância entre nossos canaviais e a Amazônia é a mesma que existe entre o Vaticano e o Kremlin. Em suma, o etanol de cana no Brasil não agride a Amazônia, não tira terra da produção de alimentos, nem diminui a oferta de comida na mesa dos brasileiros e dos povos do mundo".

Lula, no entanto, se uniu às críticas ao etanol americano, feito de milho, e que tem sido apontado como o possível maior vilão da alta de preços, já que tem sido desviado da produção alimentar para os combustíveis. "É evidente que o etanol do milho só consegue competir com o etanol de cana quando é anabolizado por subsídios e protegido por barreiras tarifárias", disse.

"O etanol da cana gera 8,3 vezes mais energia renovável do que a energia fóssil empregada na sua produção. Já o etanol do milho gera apenas uma vez e meia a energia que consome. É por isso que há quem diga que o etanol é como o colesterol. Há o bom etanol e o mau etanol. O bom etanol ajuda a despoluir o planeta e é competitivo. O mau etanol depende das gorduras dos subsídios".

Petróleo - Lula também disse que considera que entre os fatores que influenciam a alta espetacular dos preços dos alimentos está o elevado preço do petróleo, que passou de US$ 30 a US$ 130 em pouco tempo.

O presidente reclamou daqueles que falam da alta dos alimentos, mas não discutem o preço do petróleo, que seria responsável por 30% do custo final da produção de alimentos no Brasil. "O petróleo pesa muito no custo das lavouras brasileiras. Aí, eu me pergunto: e quanto não pesa o petróleo no custo de produção de alimentos de outros países que dele dependem muito mais do que nós?".

O presidente referiu-se aos países que criticam a produção de biocombustíveis brasileira, mas se recusam a admitir que o preço do petróleo tem influência direta na alta dos alimentos. "É curioso: são poucos os que mencionam o impacto negativo do aumento dos preços do petróleo sobre os custos de produção e transporte dos alimentos", disse.

Ele voltou a pedir a revisão da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) que "permita aos países mais pobres gerar renda com sua produção e exportação". (Fonte: G1)

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Lula diz que travará 'guerra necessária' pelo etanol

Ingrediente dominante da agenda internacional recente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a defesa do etanol ganhou dramaticidade. Recorrendo a uma metáfora bélica, Lula disse que será "uma guerra necessária" a briga que vai travar no cenário internacional em defesa do biocombustível. Lula reconheceu que o etanol brasileiro está sob uma campanha difamatória que, por vezes, acontece dentro do próprio País. "Mas é uma guerra necessária e o Brasil tem de entrar nela preparado", afirmou.

"Essa difamação é de todo mundo, inclusive nossa, no Brasil. Eu tenho dito que cada vez que falarmos qualquer coisa agora precisamos saber como isso vai ser usado contra nós na OMC (Organização Mundial do Comércio). O Brasil hoje não é um coadjuvante na política comercial mundial. É hoje um exportador principal de vários produtos. Na medida em que começa a ser um artista principal, começa também a ser muito mais visado e as pessoas começam a bater. Não temos que ficar nervosos", disse.

Em Roma desde sábado (31), o presidente recebeu a imprensa brasileira para uma conversa na embaixada brasileira e, mais uma vez, fez a defesa do que tem sido um de seus assuntos preferidos. O presidente abre nesta segunda-feira (1°), com seu discurso, a Conferência de Cúpula do Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), na sigla em inglês, onde a questão da inflação mundial dos alimentos será debatida e, mais uma vez, os biocombustíveis deverão ficar sob o fogo cerrado das acusações de serem responsáveis por boa parte da subida nos preços. Lula será, provavelmente, a voz dissonante na defesa do etanol, já que nem países interessados diretamente, como os africanos ou caribenhos, empenharam-se em entrar na briga.

"O que não podemos é nos curvar diante das críticas que alguns fazem quando por trás há interesses eminentemente econômicos e comerciais. Eu acho importante abrir o debate nesse momento que o Brasil é auto-suficiente em petróleo. Se a gente não fosse, era porque o Brasil não tinha, mas nós agora temos, e temos de sobra. É nesse momento que o mundo tem que ser responsável", cobrou. "Não quero paixão, emoção. Quero razão, quero que tenhamos chance de mostrar que estamos certos e eles errados e que então adotem o que estamos fazendo. Esse é o debate do momento e o Brasil tem que fazê-lo com a grandeza de conhecimento que tem. Nesse assunto o Brasil não é pequeno, é muito grande", afirmou. (Fonte: Estadão Online)

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Apesar das críticas, Brasil ainda aposta no álcool, diz "Guardian"

Apesar das crescentes críticas internacionais à produção e uso de biocombustíveis por conta do impacto ambiental e social, o Brasil ainda espera se tornar um grande jogador mundial no setor, segundo reportagem publicada nesta quarta-feira (28) pelo jornal britânico "The Guardian".

Em artigo de página inteira, o diário afirma que "os ambiciosos planos do Brasil de suprir o mundo com álcool de cana-de-açúcar - fonte de energia renovável - foram suspensos temporariamente com as crescentes críticas ao biocombustível".

O jornal comenta que as exportações brasileiras caíram no ano passado e o trabalho em dois oleodutos para transportar álcool de Goiás para os portos de Paranaguá e São Sebastião foram suspensos "e a grande pergunta levantada é se os biocombustíveis já acabaram antes de começar".

"A visão do Brasil, que tem vasto espaço, uma economia em rápido crescimento e uma crescente população com fome de desenvolvimento, é bem diferente da européia. Com o preço do barril de petróleo a mais de US$ 120, eles afirmam que a resposta só pode ser 'não'."

O álcool custa apenas US$ 35 por barril e o argumento econômico é importante, diz o Guardian, principalmente em países da África, onde a alta do petróleo já teve impacto sobre a renda dos moradores.

Segundo o jornal, mesmo a indústria automobilística já admite a necessidade dos biocombustíveis para suprir a crescente demanda por combustível, mas ainda assim, o álcool é responsabilizado por tudo, desde a fome até as mudanças climáticas.

O "Guardian" afirma que as pesquisas sobre o impacto do álcool de cana-de-açúcar na emissão de gases causadores do efeito estufa são conflitantes, com algumas afirmando que o processo em alguns países emite mais gases do que o economizado com o uso do combustível "limpo".

"Em compensação, a empresa de pesquisas brasileira Embrapa concluiu que quando a plantação de cana-de-açúcar substitui a de soja ou pasto para gado, ela absorve muito mais gás carbônico porque tem maior capacidade que outras culturas de converter o gás em biomassa."

O jornal ainda cita um especialista do Banco Mundial, que afirma que o álcool de cana-de-açúcar do Brasil se sai bem em termos de impacto ambiental em comparação com o álcool de milho, dos Estados Unidos, ou com o óleo de dendê, da Malásia, quando levados em conta outros fatores da produção.

"Mas, acima de tudo, o álcool é visto como uma ameaça às florestas tropicais e à produção de alimentos. Na Indonésia, as plantações de dendê substituíram a floresta tropical e teme-se que a cana de açúcar invada a região da Amazônia, ou provoque um efeito dominó, empurrando a soja e o gado para a floresta virgem, causando mais desmatamento."

Segundo o jornal, o governo brasileiro nega o risco de desmatamento pela cana-de-açúcar, argumentando que ainda há 90 milhões de hectares de terras aráveis no país, sem que seja necessário o desmatamento, e que a produção de cana ocupa apenas 5% das terras do país.

"Mas a sustentabilidade social é muito mais difícil de defender. Em 2007, mais da metade dos quase 6 mil trabalhadores encontrados por inspetores do governo em condições escravas eram cortadores de cana, a maior parte nas tradicionais plantações do nordeste. Em outra grande área de produção de cana, Mato Grosso do Sul, índios guaranis, que perderam a maioria de suas terras para criadores de gado, garantem mão-de-obra barata e explorada."

Segundo o "Guardian", os impactos indiretos dos biocombustíveis - como mudanças no uso da terra, degradação do ecossistema, impacto sobre a pobreza e futuro dos pequenos produtores - têm que ser levados em conta na equação.

"Se conseguir suprir a demanda por sustentabilidade, o Brasil, que já tem grande vantagem competitiva por causa de sua terra abundante, bom clima e tecnologia avançada, pode se tornar um dos grandes jogadores no novo mundo da energia renovável", afirma a reportagem. (Fonte: Folha Online)

terça-feira, 27 de maio de 2008

Estudo do WWF defende benefício ambiental do etanol

A produção de etanol a partir de cana-de-açúcar tem efeitos benéficos do ponto de vista ambiental, afirma um estudo divulgado nesta segunda-feira (26) pela organização ambientalista WWF-Brasil.

"O estudo conclui que existem benefícios ambientais confirmados e consolidados no que diz respeito à produção de etanol (a partir de cana-de-açúcar)", disse à BBC Brasil o coordenador do programa de Agricultura e Meio Ambiente da ONG, Luis Fernando Laranja, um dos autores do relatório.

"Do ponto de vista ambiental, é um bom negócio substituir gasolina por etanol", afirmou Laranja.

O governo brasileiro vem defendendo o etanol à base de cana-de-açúcar e rejeitando críticas de que essa produção traria riscos ambientais à Amazônia e contribuiria para a atual crise mundial dos alimentos.

"(O estudo) referenda a posição defendida pelo governo brasileiro", disse Laranja, ao ser questionado sobre essa posição.

Conforme Laranja, os benefícios do etanol brasileiro são verificados particularmente na redução de gases causadores do efeito estufa.

Segudo ele, o etanol brasileiro tem um balanço energético mais positivo (ou seja, é mais eficiente) do que, por exemplo, o etanol à base de milho, produzido nos Estados Unidos.

"Mitos" - O estudo do WWF-Brasil analisou o que Laranja definiu como "alguns mitos que envolvem a produção de etanol".

O primeiro seria sobre a eventual expansão de plantações de cana-de-açúcar na Amazônia.

"Não temos risco imediato e real de expansão da produção de cana-de-açúcar na Amazônia. O que existe é irrisório", disse Laranja.

Segundo ele, há em torno de 200 mil hectares de cana-de-açúcar na Amazônia. "Isso não significa nada no universo da Amazônia. Só de pastagens, há 50 milhões de hectares", afirmou.

O segundo ponto analisado é o quanto a produção de cana-de-açúcar compete com outras culturas alimentares, considerando-se o atual cenário de crise mundial dos alimentos.

De acordo com Laranja, esse risco é baixo. "Compete pouco com as culturas alimentares, especialmente porque ocupa pouca área. São 7 milhões de hectares de cana-de-açúcar, sendo que metade vai para a produção de açúcar, e a outra metade para o etanol", disse.

Riscos - O estudo, porém, alerta para alguns riscos ambientais da produção de etanol em escala regional.

"É uma cultura muito concentrada, quase toda no Estado de São Paulo e em regiões vizinhas. Muita cana-de-açúcar em uma área pequena", disse Laranja.

De acordo com ele, isso representa um risco em potencial sobre a biodiversidade. "Pode ter efeitos sobre recursos hídricos, efeitos diretos sobre o solo."

"Precisamos fazer essa ocupação das novas áreas de forma mais estratégica, da maneira mais racional possível", disse.

De acordo com Laranja, é necessário, por exemplo, "obediência irrestrita" às áreas de preservação permanente, além de observar o código florestal.

"Precisamos pensar, por exemplo, na construção de novas unidades de conservação no Cerrado", afirmou.

Posição oficial - O relatório divulgado nesta segunda-feira não representa ainda a posição oficial da ONG. Segundo Laranja, as conclusões do estudo servirão para "subsidiar uma decisão sobre o tema", que deverá ser divulgada "nas próximas semanas".

"A rede WWF mundial tem uma posição genérica sobre biocombustíveis mais ou menos alinhada com o estudo", afirmou Laranja.

O estudo foi encomendado há três anos e é parte de um projeto maior, financiado pelo Ministério de Assuntos Internacionais da Holanda.

O objetivo inicial, de acordo com Laranja, era avaliar os efeitos da expansão do setor de cana-de-açúcar no Brasil em razão da suposta liberalização do comércio mundial dentro da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC).

A Rodada de Doha ainda não foi concluída mas, segundo Laranja, no decorrer desses três anos, uma série de transformações conjunturais em todo o mundo, especialmente no que diz respeito ao aquecimento global, colocaram o etanol em posição de destaque na agenda global.

"Direcionamos o projeto para analisar a expansão do setor sucroalcooleiro no Brasil e suas conseqüências socioambientais", disse Laranja.


(Fonte: Estadão Online)

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Comissão Européia aprova fim dos subsídios ao etanol

A Comissão Européia aprovou nesta terça-feira (20) o fim dos subsídios ao etanol, criado em 2003. A comissária de Agricultura da UE, Mariann Fischer Boel, conseguiu que sua proposta para acabar com a ajuda de 45 euros por hectare plantado fosse aceita pelo braço executivo do bloco. Agora, precisará ter o voto dos 27 países membros da UE para que a decisão seja implementada.

No total, o bloco gastou pelo menos 90 milhões de euros apenas nesse programa. Na avaliação da comissária, o etanol é parte da solução energética da Europa. O dinheiro liberado agora será utilizado para financiar pesquisas no desenvolvimento da segunda geração de biocombustíveis, que teriam um impacto ambiental menor.

Para a UE, um motivo estratégico para o uso do etanol é acabar com a dependência na importação do petróleo. "Biocombustíveis são uma política de seguro contra nossos futuros problemas de abastecimento", afirmou a comissária. Segundo ela, 98% do petróleo na UE é importado. "Teremos um problema sério quando as torneiras fecharem um dia e o biocombustível é parte da resposta a isso", alertou.

Impacto no preço dos alimentos - "Não haverá volta atrás", garantiu, em relação ao uso do biocombustível na Europa. Há cerca de dois anos, a UE anunciou a opção do etanol como solução para vários de seus problemas. Mas, em uma mensagem ao Brasil e Estados Unidos, o bloco deixou claro que irá insistir em critérios duros para a entrada de biocombustíveis que não respeitem o meio ambiente e aspectos sociais.

A UE ainda quer evitar importar etanol que esteja contribuindo para uma distorção no fornecimento de alimentos. Nesta terça, Bruxelas voltou a defender o etanol e isentou o combustível de estar causando a inflação.

Segundo o bloco, apenas 1% do cereal produzido no bloco vai para o biocombustível, o que não explicaria as altas. Os europeus, porém, alertam que os incentivos dados nos Estados Unidos para o etanol de milho teve um papel na alta dos preços do produto.

Já o cumprimento da meta de ter 10% dos carros movidos a etanol até 2020 teria um impacto também na Europa. Os preços dos cereais aumentariam entre 3% e 6% e outros produtos poderiam aumentar e até 15%.

Por isso, a UE pede que a expansão do etanol tanto na Europa como no resto do mundo ocorra com o uso "responsáveis de terras". Segundo os europeus, a previsão é de que até 2016, 43% da produção de milho nos Estados Unidos vá para os combustíveis. Isso afetaria a oferta de alimentos.

Não por acaso, a UE quer ter certeza de que critérios de sustentabilidade ambiental e social serão seguidos para qualquer empresa que pretenda exportar etanol ao mercado europeu. (Fonte: Estadão Online)

domingo, 18 de maio de 2008

Etanol atrai líderes europeus para Brasil, diz jornal argentino

Etanol atrai líderes europeus para Brasil, diz jornal argentino

Em sua edição desta sexta-feira (16), o diário argentino Página/12 destaca a vista de quatro premiês europeus ao Brasil, a caminho da Cúpula de Lima, afirmando que o "Brasil é o destino latino-americano mais desejado para os mandatários europeus".

Nos últimos dias, os líderes da Áustria, Finlândia, Alemanha e Espanha estiveram no país. Segundo o jornal, "os europeus estavam interessados somente em uma coisa: biocombustíveis".

Segundo o diário, enquanto a relação com a Espanha, e especialmente com Zapatero, já data de algum tempo, o interesse do resto da Europa é mais recente.

"A conjunção das tragédias dos últimos meses e a crise alimentar parecem ter posto o Brasil no centro da cena política mundial", afirma o diário argentino.

"Suas amplas pradarias, perfeitas para semear soja, arroz e feijão, e os extraordinários recursos petroleiros descobertos recentemente tornaram o país a área mais cobiçada pelas grandes potências."

O Página/12 destaca o número de carros bicombustíveis vendidos no Brasil, além da inclusão de etanol em toda a gasolina vendida nos postos.

"Como se o pacote não fosse suficientemente tentador", afirma o jornal, "o país mais extenso da América Latina conta com uma das tecnologias mais avançadas do mundo para produzir etanol e biodiesel, os dois combustíveis mais desenvolvidos até o momento."

O Página/12 destaca que, assim que chegou ao Brasil, a chanceler alemã, Ângela Merkel - que foi ministra do Meio Ambiente e impulsionou a meta de 20% de etanol para todos os carros da comunidade européia - foi discutir os avanços na produção local e assinar quatro convênios de cooperação.

"Mas a visita de Merkel teve seus momentos incômodos para Lula", diz o jornal. "Durante a entrevista coletiva dada pelos dois mandatários antes do fim da visita, a premiê alemã tocou no delicado tema da preservação da Amazônia e na recente renúncia da ministra do Meio Ambiente Marina Silva."

Segundo o Página/12, fontes da comitiva de Angela Merkel confirmaram que não estão contentes com a saída da ministra, que era admirada pela chanceler. (Fonte: Estadão Online)

UE evita polêmica sobre etanol em cúpula no Peru

Os participantes da V Cúpula de Chefes de Estado da América Latina, Caribe e União Européia, que está sendo realizada na capital peruana, evitam, até o momento, entrar na polêmica sobre a produção do etanol. Durante a abertura do encontro, o presidente da União Européia, José Manoel Durão Barroso, e o presidente do Peru, Alan García, não fizeram referências ao assunto que divide os lideres latino-americanos e europeus.

Durão Barroso apenas propôs "ações conjuntas" para enfrentar o problema do aumento dos preços dos alimentos. "A União Européia considera fundamental uma reação urgente de ajuda humanitária", afirmou. "A inflação dos preços causa um desequilíbrio entre oferta e demanda.", acrescentou. Já o presidente Alan García afirmou que os países precisam ter "responsabilidade" para resolver a crise dos alimentos.

A União Européia quer estabelecer exigências e metas sociais e ambientais para os produtores de biocombustíveis. Essa proposta é criticada pelo governo brasileiro, que não aceita regras para a venda do etanol. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não fez discurso na primeira parte do encontro, já disse não aceitar que o biocombustível seja responsabilizado pela falta de alimentos no mercado internacional. (Fonte: Estadão Online)