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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Índia deve revelar detalhes sobre seu mercado de carbono

Por Fabiano Ávila, da Carbono Brasil 

O governo indiano irá divulgar mais informações sobre um mercado nacional de carbono no dia primeiro de fevereiro.  A princípio, a Índia seguirá o modelo do Esquema de Permissões de Emissão da União Européia (EU ETS) somado às iniciativas adotadas nos anos 1990 nos Estados Unidos para controlar chuvas ácidas.

O projeto piloto do mercado foi desenvolvido por uma equipe de especialistas do MIT em conjunto com a Universidade de Harvard. A intenção é que ele seja implementado nas províncias de Tamil Nadu e Gujarat.

Essas regiões foram escolhidas porque são áreas extremamente poluídas e sedes de grandes setores industriais. Tamil Nadu também se destaca por já possuir um avançado sistema de monitoramento de poluição e qualidade do ar.

Ainda existem muitos pré-requisitos que devem ser cumpridos antes que o mercado saia do papel.  É preciso que o governo estabeleça mecanismos transparentes e regulamentações sólidas para que o esquema receba confiança dos investidores.

(Envolverde/CarbonoBrasil)

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Ucrânia propõe criação de mercado conjunto de carbono com a Rússia

Por Redação CarbonoBrasil 


A Agência de Investimentos Ambientais ucraniana sugeriu a formação de um mercado conjunto de comércio de emissões (joint carbon market) em parceria com a Rússia, Cazaquistão e Bielorússia.

“Esse mercado permitirá o incremento das reduções de emissões. A lista para adesões de outros países ainda está aberta”, afirmou Serhiy Orlenko, presidente da agência.

A Ucrânia possui 12 projetos de Implementação Conjunta (Joint Implementation) já aprovados pelas Nações Unidas.  Porém, o país contaria com 179 projetos registrados e com 50 deles implementados.

Saiba mais sobre Implementação Conjunta

(Envolverde/Carbono Brasil)

IETA alerta para o risco de enfraquecimento do MDL

Por Fabiano Ávila, da Carbono Brasil 


A Associação Internacional de Comércio de Emissões reage à proposta da ONU de responsabilizar as auditoras do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo por possíveis falhas nos projetos aprovados


O Comitê Executivo do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) publicou no começo de setembro uma minuta sugerindo que as Entidades Operacionais Designadas (EODs) sejam responsáveis pela reposição de permissões de emissões se forem confirmados possíveis erros nos processos de validação, verificação e certificação dos projetos. A intenção da medida seria dar mais credibilidade ao MDL e evitar estimativas exageradas de redução das emissões.

Em resposta, a Associação Internacional de Comércio de Emissões (IETA) enviou uma carta para as Nações Unidas alertando que tal medida conseguiria apenas enfraquecer ainda mais o MDL e impedir seu crescimento.

“A IETA está preocupada com o fato de que o risco de operação para as EODs seja tão grande que essas empresas optem por simplesmente abandonar o trabalho com o MDL”, afirma o documento endereçado a Clifford Mahlung, presidente do Comitê Executivo do MDL.

Para a Associação é injusto responsabilizar os auditores sem ter evidências de que eles agiram errado ou então que eles sejam punidos porque os desenvolvedores dos projetos tiveram má fé.

A IETA pede que apenas as EODs que claramente tenham negligenciado suas funções estejam sujeitas a punições.

Além disso, a entidade pede mais esclarecimentos sobre o assunto, que até agora não foi apresentado de maneira objetiva ao mercado.

Má fase

O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo vem atravessando um momento de turbulência já há algum tempo.

Primeiro foram as dúvidas sobre o futuro do esquema se as negociações climáticas não alcançarem um tratado que substitua o Protocolo de Quioto depois de 2012. Em resposta a isso, o Secretariado de Mudanças Climáticas das Nações Unidas (UNFCCC) publicou em seu site uma série de perguntas freqüentes sobre o MDL e deixa claro que sim, o mecanismo continuará a existir.

Em seguida apareceram as denúncias sobre indústrias que utilizam projetos de destruição do gás HFC-23 estarem aumentando suas emissões deliberadamente para assim receberem mais créditos. O número dessas permissões geradas pode estar sendo super estimado em até 90% de acordo com as análises da ONG CDM Watch. Esses casos estão sendo investigados pelo Comitê Executivo do MDL.

Agora é essa ameaça de responsabilizar as EODs por possíveis fraudes. Segundo uma análise da Point Carbon , “qualquer exercício significativo deste poder pode acabar com uma EOD...isto apenas aumentará os atrasos que já são longos no registro e expedição dos projetos”.

Todas essas questões estão tendo efeitos negativos no MDL e a oferta e demanda de créditos poderão ser afetadas muito em breve.

(Envolverde/CarbonoBrasil)

Carbono sem fim

Por Redação Agência Fapesp 


Agência FAPESP – As tecnologias atuais de geração de energia não são suficientes para reduzir as emissões de carbono aos níveis considerados necessários para evitar os riscos ao planeta promovidos pelo aquecimento global.

A afirmação é de um artigo publicado por cientistas dos Estados Unidos e do Canadá na edição desta sexta-feira (10/9) da revista Science. Estima-se que, para evitar os riscos das mudanças climáticas globais, seria preciso evitar que a temperatura média do mundo chegasse a 2º C acima dos níveis anteriores à Revolução Industrial.

Modelos climáticos atuais indicam que, para atingir esse objetivo, será preciso limitar as concentrações de dióxido de carbono na atmosfera em menos de 450 partes por milhão (ppm).

O problema é que permanecer abaixo desse nível implica diminuir substancialmente as emissões de combustíveis fósseis, algo que os países industrializados não estão conseguindo fazer. O nível atual é de aproximadamente 385 pp. Antes da Revolução Industrial, estava abaixo de 280 ppm.

Steven Davis, da Instituição Carnegie, de Washington, e colegas avaliaram o que ocorreria com o planeta se nenhum outro dispositivo emissor de CO2 fosse fabricado.

Nessa situação hipotética sem uma única fábrica ou automóvel novo, a infraestrutura energética atual do mundo emitiria cerca de 496 bilhões de toneladas de CO2 nos próximos 50 anos. Isso seria suficiente para estabilizar os níveis do gás na atmosfera em 430 ppm e deixaria a temperatura média em 1,3º C acima dos níveis pré-industriais.

Os riscos do aquecimento global teriam sido vencidos, mas, segundo os cientistas, o cenário hipotético ilustra bem a situação atual vivida pelo planeta. Somente de veículos automotivos, o mundo ganha a cada dia não um, mas cerca de 170 mil novos – isso segundo dados da International Organization of Motor Vehicle Manufacturers de 2009, que representaram, em meio à crise econômica mundial, queda de 13,5% em relação à produção do ano anterior.

“Até agora, os esforços feitos para diminuir as emissões por meio de regulações e de acordos internacionais não funcionaram. As emissões estão aumentando mais do que nunca e os programas para desenvolver fontes de energia ‘neutras em carbono’ estão, nos melhores casos, ainda muito incipientes”, disse Martin Hoffert, professor emérito do Departamento de Física da Universidade de Nova York, em artigo comentando o estudo de Davis e colegas na mesma edição da Science.

Mas a pior notícia é que a situação tende a se agravar ainda mais. Segundo os pesquisadores, as fontes das emissões mais ameaçadoras ao planeta ainda não foram construídas. Isso porque o mundo e suas economias simplesmente continuarão a crescer. Um exemplo é o carvão.

“À medida que o pico na produção de petróleo e de gás natural se aproxima, a produção de carvão aumenta, com novas usinas movidas a carvão sendo construídas na China, Índia e nos Estados Unidos”, disse Hoffert.

“Investimentos maciços serão cruciais para permitir que a pesquisa básica encontre e desenvolva tecnologias possíveis de serem aplicadas comercialmente e em massa. Mas a introdução de tecnologias neutras em carbono também exige, no mínimo, que sejam revertidos incentivos perversos, como os atualmente existentes para subsidiar a produção de combustíveis fósseis e que se estima serem 12 vezes maiores do que os aplicados para a energia renovável”, afirmou.

(Envolverde/Agência Fapesp)

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

BNDES estuda impactos de tecnologias de baixo carbono

 
Da Agência Ambiente Energia - O Banco Nacional de Desensolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgou, na semana passada, chamada pública para pesquisa que visa identificar os efeitos potenciais sobre a estrutura econômica da indústria brasileira resultantes da adoção de tecnologias de baixo carbono nos países desenvolvidos. Segundo o BNDES, o estudo busca identificar o impacto na indústria brasileira de ações como adoção de tributação sobre o carbono emitido nas exportações brasileiras; impactos das tecnologias de baixo carbono na estrutura de preços; tendências de trajetória tecnológica nos setores da indústria mais intensivos em emissões; vantagens comparativas; e modelos institucionais de inovação nos países líderes em tecnologias de baixo carbono.

A chamada pública contará com recursos do Fundo de Estruturação de Projetos (BNDES FEP). De acordo com o cronograma do edital, o prazo para o recebimento de consultas prévias vai até o dia 8 de outubro de 2010. O banco vai fazer esclarecimentos e tirar dúvidas até o dia 23 de setembro. Veja todas as condições da Chamada Pública nº 01/2010

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  3. Agência dos EUA classifica etanol da cana como renovável de baixo carbono Da Agência Ambiente Energia - O etanol da cana-de-açúcar é um biocombustível renovável de baixo carbono e capaz de contribuir para a redução das emissões de gases do efeito estufa (GEE). A posição é da Agência de Proteção Ambiental dos...
  4. Captura de carbono: desafios e tecnologias Do Planeta Coppe - Um dos maiores desafios no esforço mundial contra o aquecimento global é o desenvolvimento de tecnologias capazes de executar com eficiência a captura e o armazenamento do carbono (CCS – sigla em inglês) do carvão. O...
  5. Baixo carbono: evento recebe resumos Da Agência Ambiente Energia - O prazo para recebimento de resumos de trabalhos para a 10º edição do Encontro Nacional sobre Gestão Empresarial e Meio Ambiente (Engema) vai até o dia 15 de junho. O tema é “Inovação e sustentabilidade...
Fonte: Ambiente Energia

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Divergências seguem prejudicando acordo climático

Por Fernanda B Muller, da Carbono Brasil 


Após a finalização do encontro de Bonn, as chances de se chegar a um tratado global com força de lei para reduzir as emissões de gases do efeito estufa parecem ainda mais remotas com os países recuando em comparação ao texto de Copenhague.

Estados Unidos, China e outros países adicionaram comentários ao texto final do encontro de Bonn, que terminou nesta sexta-feira (6), assim ao invés de reduzir as 17 páginas resultantes de Copenhague a reunião acabou dobrando esse número para 34. Portanto, o objetivo de enxugar as definições para que os delegados da conferência de Cancun no fim do ano possam ter um texto base e chegar a um acordo global não foi nem de perto alcançado.

 O próprio chefe da delegação norte-americana Jonathan Pershing disse estar muito preocupado que alguns países estejam voltando atrás no progresso alcançado desde Copenhague.

 “Se continuarmos assim, não há esperança para um acordo em Cancun. Todas as partes estão recuando”.

 A União Européia também se mostrou muito insatisfeita com o resultado de Bonn. A Comissária Européia para mudanças climáticas, Connie Hedegaard ecoou a declaração norte-americana dizendo que as negociações andaram para trás.

 A grande questão continua sendo as divergências entre países em desenvolvimento e desenvolvidos sobre as metas de corte das emissões de gases do efeito estufa. Os primeiros alegam que precisam crescer e não podem limitar as emissões sem compromissos concretos para a disponibilização de fundos e os mais ricos dizem que os em desenvolvimento precisam ser mais ambiciosos nas suas metas.

 Uma das grandes dúvidas é a fonte internacional de financiamento. Oito meses após ficar decidido em Copenhague sobre o direcionamento de US$ 10 bilhões anuais, subindo para US$ 100 bilhões em 2012, os países mais pobres ainda não tem as garantias de que esse dinheiro será liberado.

 O Banco Mundial estima ser necessário US$ 400 bilhões anuais para a transição para uma economia de baixo carbono no hemisfério Sul. Entretanto, Pershing alega que algumas nações estão exigindo quantias “fora da realidade”.

 Alguns relatórios recentes de ONGs dizem que mesmo as menores quantias não estão se materializando, com promessas envolvendo dinheiro que foi apenas remanejado de outros fundos ou empréstimos ao invés de doações.

Porém, com todas estas complexidades na mesa de negociação, alguns países em desenvolvimento disseram que o texto, que será discutido durante o encontro preparatório final antes de Cancun, em Tianjin, na China, entre 4 e 9 de outubro, agora reflete melhor suas posições.

 Novamente, China e Estados Unidos se desentenderam quando o assunto foi a verificação internacional das ações de mitigação nos países em desenvolvimento.

 “Os negociadores norte-americanos parecem ter enrijecido a sua posição e outros países desenvolvidos estão arrastando os pés. Os compromissos de reduzir as emissões em apenas 12-18% são muito menos do que o necessário”, enfatizou Asad Rehman da Friends of the Earth International de acordo com o The Guardian.

 Até mesmo as discussões sobre a redução das emissões por desmatamento e degradação (REDD), que muitos acreditam terem sido o maior avanço de Copenhague, foram reabertas para discussão da sua abrangência.

 Dúvidas também surgiram no último dia do encontro de Bonn sobre a capacidade dos Estados Unidos cumprirem a sua meta de cortar as emissões em 17% até 2020, com base no nível de 2005, devido ao fracasso do projeto de lei climática no Senado.

 “O presidente deixou perfeitamente claro que continua significativamente comprometido com a meta de aprovar uma legislação climática e energética”, disse o negociador norte-americano Todd Stern.

ONU otimista

Já para as Nações Unidas, o encontro de Bonn foi positivo. Christiana Figueres, secretaria executiva da Convenção Quadro das Nações Unidas para Mudanças do Clima, disse que as negociações estão “muito perto” de uma decisão sobre “qual será a forma do resultado de Cancun”.

 Figueres disse à agência Xinhua que os governos chegaram a uma série de decisões “operacionais”. O aumento no número de páginas do texto final de Bonn foi devido a reinserção das posições nacionais, explicou ela.

“(Em Tianjin, os países) têm que mudar o foco para o conteúdo dessas decisões separadas e começar a avançar em direção a posições comuns”, falou Figueres.

Porém, tendo em vista o ritmo das negociações e a dificuldade em superar divergências entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento, as expectativas de um acordo internacional legalmente compulsório estão cada vez menores.

(Envolverde/Carbono Brasil)

terça-feira, 13 de abril de 2010

Comissão quer impulsionar mercado de crédito de carbono no Brasil

Por Daniel Mello e Elaine Patricia Cruz, da Agência Brasil 


A comissão criada nesta segunda-feira (7/4) para elaborar as normas técnicas a fim de regulamentar o mercado voluntário de carbono do Brasil se reuniu pela primeira vez na sede da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp). Estavam presentes representantes da Associação Brasileira de Normas Técnicas, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e especialistas do setor.

Segundo o coordenador, Marco Antonio Fujihara, a “mecânica da transação” com crédito de carbono é um dos principais assuntos em discussão pelos integrantes da comissão. Ele disse que o objetivo é estabelecer metodologias para certificar os créditos, que deverão deixar o mercado mais transparente. Fujihara prevê que a regulação mais transparente poderá impulsionar o mercado de carbono no Brasil. “Os investidores se sentem mais propelidos a trabalhar em ambientes regulados”, afirmou.

Na avaliação do coordenador da comissão, o mecanismo de financiamento privado, por meio de compra e venda de créditos pode ser a maneira mais eficaz de financiar o desenvolvimento de tecnologias que emitam menos gases causadores de efeito estufa.

Para Fujihara, esse modelo seria mais importante do que os fundos públicos de adaptação climática. “Os países emergentes já têm um mercado que regula esses processos e melhor relação custo benefício, o [modelo] mais barato possível, é por meio do mercado, e não pelos fundos públicos”, disse.

Agência Brasil

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Mata fragmentada absorve menos gás carbônico enquanto cresce


Por Nibberth Silva, da Agência USP


Depois que sofre fragmentação, a mata atlântica passa a absorver menos carbono da atmosfera. A conclusão é de um estudo feito por brasileiros e alemães que simularam a evolução de fragmentos de florestas por até 400 anos e compararam-na com a de áreas florestais mais extensas.

Atualmente, cerca de um terço da mata atlântica está preservada em fragmentos de até 100 hectares. A distância média entre os fragmentos é de 1,4 quilômetros.  Segundo a Fundação SOS Mata Atlântica, o bioma cobria originalmente 1.300.000 quilômetros quadrados (km²), englobando 17 estados brasileiros, mais porções do Paraguai e Argentina. Com a destruição, sobraram cerca de 20% da cobertura original.

A redução da absorção de carbono reflete-se no “peso” da floresta. A mata atlântica intocada contém 250 toneladas de biomassa por hectare (ha). Os pesquisadores descobriram que fragmentos de 100 ha, depois de 100 anos, terão 228 toneladas de biomassa por hectare, 8,8% menos. Já um fragmento de 1 ha tem uma redução de 44%, com apenas 140 toneladas de biomassa por hectare. Fragmentos com biomassa menor também têm menor variedade de espécies, pois possuem menos recursos para alimentar a fauna e menos ambientes onde animais possam habitar.

“A mata fragmentada é como uma criança doente, que não consegue engordar. Se a floresta não está bem, o acúmulo de gás carbônico é incompleto”, compara Jean Paul Metzger, professor do Instituto de Biociências (IB) da USP que cooperou com a pesquisa. O estudo foi feito pelo Centro Helmholtz para Pesquisa Ambiental (UFZ), da Alemanha, em parceria com o IB.

A biomassa diminui nas áreas fragmentadas por que elas sofrem mais com as perturbações que acontecem nas bordas da mata. Nessas regiões, chega mais luz e vento e há maior perturbação externa, como pisoteamento pelo gado e entrada de fogo. As árvores maiores acabam morrendo e são substituídas por espécies que conseguem sobreviver nessas condições. Essas plantas, chamadas pioneiras, absorvem menos carbono, têm menor biomassa e morrem mais rápido.

Outra causa da diminuição da biomassa é que as partes centrais dos fragmentos podem ficar isoladas. Nesta condição, a população de plantas de maior porte desaparece mais facilmente com doenças e catástrofes naturais, como inundações. A perda de espécies acontece, mas o processo é mais lento do que aquele da borda.

Simulação
Para chegar aos resultados, os pesquisadores construíram um programa de computador e simularam como a floresta afetada pela fragmentação se desenvolve durante 100 a 400 anos. Eles alimentaram o programa a partir de um banco de dados da USP com informações sobre árvores em fragmentos de mata atlântica localizados em Ibiúna (SP) e numa área de mata com cerca de 10 mil ha em Cotia (SP), a Reserva Florestal do Morro Grande. O banco de dados detalha as espécies, números de plantas, altura, características ecológicas de mais de 7 mil árvores. O programa consegue determinar a influência de fatores externos e internos na evolução da floresta.

Crédito da imagem: Dr. Henning Steinicke,UFZ

Fonte: Envolverde/Agência USP de Notícias

terça-feira, 6 de abril de 2010

TERRAMÉRICA - Florestas na incerteza climática


Por Stephen Leahy* 


O uso de florestas para combater a mudança climática desperta cada vez mais desconfianças.

Montpellier, França, 5 de abril (Terramérica).- Milhares de milhões de dólares são mobilizados para proteger e multiplicar as florestas do planeta sob a iniciativa REDD (Redução de Emissões de Carbono Causadas pelo Desmatamento e pela Degradação das Florestas) contra a mudança climática. Mas alguns especialistas não crêem que funcione e outros temem que seja um desastre. A REDD “traz consigo muitos riscos”, afirma Anne Larson, que trabalha na Nicarágua como associada do Centro de Pesquisa Florestal Internacional (Cifor), instituto com sede na Indonésia.

“A maioria dos países não está pronta. Não têm políticas para proteger os direitos das populações locais e indígenas, para determinar a posse da terra ou mesmo para decidir de quem são os “créditos de carbono de uma floresta”, disse Larson em uma conferência sobre reflorestamento comunitário realizada em Montpelleir, na França, entre 24 e 26 de março. Mediante a iniciativa REDD, os países mais ricos pagariam para manter florestas tropicais, como forma de compensar suas emissões de carbono, o principal gás entre os responsáveis pelo aquecimento global. Assim, as nações obteriam “créditos de carbono” que os ajudariam a cumprir seu compromisso de redução dos gases-estufa.

O desmatamento é responsável por 20% das emissões mundiais de gases-estufa, mais do que todo o setor de transporte. Na conferência sobre mudança climática realizada em Copenhague, em dezembro do ano passado, seis países – entre eles Estados Unidos e França – anunciaram um fundo de US$ 3,5 bilhões para financiar programas REDD+, que incluem conservação e aumento dos depósitos de carbono de florestas existentes. No final de março, outro US$ 1 bilhão foi acrescentado ao fundo e foi criado um comitê de dez nações para conduzir um programa mundial REDD+, que poderia ser aprovado em novembro, na conferência sobre mudança climática que as Nações Unidas realizarão no México.

Para Larson pode ser muito cedo, segundo um estudo de três anos realizado em dez países tropicais, para documentar a evolução dos direitos agrários das comunidades e de pequenos agricultores nas duas últimas décadas. “Mesmo quando o Estado reconhece o direito de posse, depois não respeita nem apoia”, disse Larson ao Terramérica. O estudo “Forests for people: community rights and forest tenure reform” (Florestas para as pessoas: direitos comunitários e reforma da posse florestal) foi apresentado na conferência de Montpellier, organizada pelo Cifor junto com duas entidades francesas.

Apesar de várias reformas agrárias, que nas últimas décadas reconheceram direitos de posse a populações locais, houve poucas mudanças em muitas regiões devido a vazios legais, descumprimento das leis, corrupção e burocracia, afirma o estudo. “Sim, há novas oportunidades para algumas comunidades, mas não podemos dizer que o reconhecimento de seus direitos resolveu o problema”, afirma Larson. Há questões cruciais no desenho e na aplicação da REDD, insiste. A maior parte dos governos a veem do plano nacional e não levam em conta os impactos nas comunidades locais.

Muitas outras nem mesmo identificam mecanismos para distribuir de maneira justa a renda e os benefícios desses programas. “Quem decidirá para onde vai todo esse dinheiro?”, pergunta Larson. Por outro lado, o desmatamento acabou, na última década, com 13 milhões de hectares por ano. A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) informou, no dia 25 de março, uma ligeira redução: na década de 90 eram 16 milhões de hectares anuais. “Já que nada deteve o desmatamento, talvez a REDD consiga”, admite Larson. É uma grande oportunidade e um grande perigo, afirma.

Há muita especulação, segundo David Bray, professor e presidente-adjunto do departamento da Terra e do Meio Ambiente da Florida International University. A REDD é uma tarefa complexa e “os mercados de carbono exigem créditos verificáveis”, disse Bray ao Terramérica. Verificar quanto carbono há em uma floresta e quanto é retido em 40, 60 ou 80 anos é um assunto técnico muito difícil. “Para as comunidades que vivem nela, será muito árduo”, alerta.

Vários projetos-piloto estão em andamento com o programa ONU-REDD de US$ 50 milhões que as Nações Unidas implementaram para ajudar países em desenvolvimento a conceber como poderia ser garantido o beneficio para a nação, a selva e as comunidades locais. Um deles é aplicado na selva de Budongo, uma floresta tropical chuvosa do noroeste de Uganda.

O economista ambiental Glenn Bush, do norte-americano Woods Hole Research Center, estudou as comunidades próximas a Budongo para determinar se o dinheiro da REDD pode compensar as perdas sofridas para deter o uso tradicional da floresta. “É muito complicado. Depende da situação no lugar e inclusive da época do ano”, disse Bush em Montpellier. “Há momentos do ano, por exemplo, durante as secas, em que nenhum dinheiro pode proporcionar o que as pessoas precisam e obtêm da floresta, como comida e água”, afirmou.

* O autor é correspondente da IPS.

LINKS

Florestas entram no comércio de carbono
http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=port&idnews=1477

Florestas são muito mais que depósitos de carbono
http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=port&idnews=3303&olt=445

Indígenas pressionam por florestas e selvas – 2009, em espanhol
http://ipsnoticias.net/nota.asp?idnews=90717

Centro de Pesquisa Florestal Internacional, em inglês
http://www.cifor.cgiar.org/

Programa ONU-REDD, em inglês
http://www.un-redd.org

Diretrizes operacionais para o Programa ONU-REDD: Participação dos povos indígenas e outras comunidades dependentes das florestas, PDF em espanhol
http://www.un-redd.org/Portals/15/documents/events/20090309Panama/Documents/UN%20REDD%20IP%20Guidelines%20%5BSp%5D%2026Mar09.pdf

Avaliação dos Recursos Florestais Mundiais 2010 da FAO, em inglês, francês e espanhol
http://www.fao.org/forestry/fra/fra2010/es/

Woods Hole Research Center, em inglês
http://www.whrc.org/

Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.

Fonte: Envolverde/Terramérica

Mata fragmentada absorve menos gás carbônico enquanto cresce


Por Nibberth Silva, da Agência USP 


Depois que sofre fragmentação, a mata atlântica passa a absorver menos carbono da atmosfera. A conclusão é de um estudo feito por brasileiros e alemães que simularam a evolução de fragmentos de florestas por até 400 anos e compararam-na com a de áreas florestais mais extensas.

Atualmente, cerca de um terço da mata atlântica está preservada em fragmentos de até 100 hectares. A distância média entre os fragmentos é de 1,4 quilômetros.  Segundo a Fundação SOS Mata Atlântica, o bioma cobria originalmente 1.300.000 quilômetros quadrados (km²), englobando 17 estados brasileiros, mais porções do Paraguai e Argentina. Com a destruição, sobraram cerca de 20% da cobertura original.

A redução da absorção de carbono reflete-se no “peso” da floresta. A mata atlântica intocada contém 250 toneladas de biomassa por hectare (ha). Os pesquisadores descobriram que fragmentos de 100 ha, depois de 100 anos, terão 228 toneladas de biomassa por hectare, 8,8% menos. Já um fragmento de 1 ha tem uma redução de 44%, com apenas 140 toneladas de biomassa por hectare. Fragmentos com biomassa menor também têm menor variedade de espécies, pois possuem menos recursos para alimentar a fauna e menos ambientes onde animais possam habitar.

“A mata fragmentada é como uma criança doente, que não consegue engordar. Se a floresta não está bem, o acúmulo de gás carbônico é incompleto”, compara Jean Paul Metzger, professor do Instituto de Biociências (IB) da USP que cooperou com a pesquisa. O estudo foi feito pelo Centro Helmholtz para Pesquisa Ambiental (UFZ), da Alemanha, em parceria com o IB.

A biomassa diminui nas áreas fragmentadas por que elas sofrem mais com as perturbações que acontecem nas bordas da mata. Nessas regiões, chega mais luz e vento e há maior perturbação externa, como pisoteamento pelo gado e entrada de fogo. As árvores maiores acabam morrendo e são substituídas por espécies que conseguem sobreviver nessas condições. Essas plantas, chamadas pioneiras, absorvem menos carbono, têm menor biomassa e morrem mais rápido.

Outra causa da diminuição da biomassa é que as partes centrais dos fragmentos podem ficar isoladas. Nesta condição, a população de plantas de maior porte desaparece mais facilmente com doenças e catástrofes naturais, como inundações. A perda de espécies acontece, mas o processo é mais lento do que aquele da borda.

Simulação
Para chegar aos resultados, os pesquisadores construíram um programa de computador e simularam como a floresta afetada pela fragmentação se desenvolve durante 100 a 400 anos. Eles alimentaram o programa a partir de um banco de dados da USP com informações sobre árvores em fragmentos de mata atlântica localizados em Ibiúna (SP) e numa área de mata com cerca de 10 mil ha em Cotia (SP), a Reserva Florestal do Morro Grande. O banco de dados detalha as espécies, números de plantas, altura, características ecológicas de mais de 7 mil árvores. O programa consegue determinar a influência de fatores externos e internos na evolução da floresta.

Crédito da imagem: Dr. Henning Steinicke,UFZ

Fonte: Envolverde/Agência USP de Notícias

Acordo de Copenhague reúne mais de 110 países

Por Fabiano Ávila, da Carbono Brasil 


ONU revela que todos os grandes emissores assinaram o tratado que pretende manter o aquecimento global abaixo dos 2°C, porém o próprio Yvo de Boer reconhece que as propostas do documento não são suficientes para esse objetivo.

As Nações Unidas divulgaram nesta quarta-feira (31) a lista oficial dos países que aderiram ao Acordo de Copenhague, documento redigido no último minuto da Conferência do Clima (COP 15) realizada em dezembro de 2009 na Dinamarca. A boa notícia é que todos os grandes emissores mundiais, incluindo Estados Unidos, China e Brasil, assinaram o Tratado. A ruim é que o próprio braço climático da ONU, o UNFCCC, reconhece que as propostas contidas no Acordo não são fortes o bastante.

“Está claro que as medidas na mesa são um passo importante para limitar o crescimento das emissões, porém elas não são suficientes para limitar o aquecimento global a menos de 2°C”, afirma uma nota divulgada nesta quarta-feira por Yvo de Boer, presidente do UNFCCC.

De Boer, que irá deixar o cargo em julho, disse ainda que o Acordo de Copenhague deve ser visto como uma ferramenta para ajudar no avanço das negociações e quem sabe facilitar um resultado positivo na próxima Conferência do Clima no México em novembro.

Porém muitos especialistas, incluindo De Boer, já expressaram dúvidas de que seja possível acontecer ainda neste ano um acordo com poder legal para limitar emissões mundiais. Uma das razões apontadas para isso é a dificuldade que a lei climática dos Estados Unidos está enfrentando para ser aprovada. Muitos temem que, assim como nos EUA, a pressão da sociedade por ações de combate ao aquecimento global tenha perdido as forças em virtude do fraco resultado de Copenhague e dos escândalos recentes envolvendo a ciência climática.

Muito Subjetivo

A Conferência do Clima de Copenhague não foi um fracasso por completo porque na última hora um acordo acabou sendo feito pelo grupo conhecido como BASIC (Brasil, África do Sul, Índia e China) com os Estados Unidos. Porém, o documento não possui força de lei, foi considerado fraco e ainda sofreu criticas por diversos países que se sentiram excluídos das negociações.

O Acordo, por exemplo, não estipula metas obrigatórias de emissões de gases do efeito estufa. Ao invés disso, recomenda que os países busquem “cortes urgentes” sem deixar muito claro os meios para alcançar esse objetivo.  Muitas nações em desenvolvimento brigaram até o fim para que os ricas reduzissem em 40% suas emissões até 2020, isso em relação aos níveis de 1990. Porém, o que países como Estados Unidos e Japão anunciaram é algo em torno dos 16%.

Além disso, os desenvolvidos prometeram novos fundos de cerca de US$ 30 bilhões entre 2010 e 2012 para ajudar os mais pobres a se adaptar às mudanças climáticas. A longo prazo, a promessa é de US$ 100 bilhões até 2020. De onde virão esses recursos ainda não foi definido e segue em discussão.

Com relação a outros temas importantes, como desmatamento e ferramentas de mercado, o texto do Acordo é ainda mais vago.  Sobre as florestas, fala apenas que elas têm um papel crucial para o clima e que por isso o desmatamento deveria ser freado.  Já quando o assunto são os mercados, como o comércio de permissões de emissões, o documento apenas menciona que os países devem procurar incluí-los em suas políticas para reduzir as emissões.

Algumas nações como Venezuela, Nicarágua e Sudão não aderiram até hoje ao Acordo.

Fonte: Envolverde/Carbono Brasil

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

COP-15 - Banco Mundial defende mercado de carbono

Por Raúl Pierri, da IPS



Copenhague, 09/12/2009 – O Banco Mundial defendeu, orgulhoso, ontem na capital dinamarquesa o mercado mundial de carbono e sua “contribuição” aos esforços contra a mudança climática, apesar das críticas da sociedade civil. O Banco apresentou o informe “Dez anos de experiência em finanças do carbono: Olhar sobre o trabalho com mercados de carbono para o desenvolvimento e a mitigação mundial de gases-estufa”, durante a 15ª Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP-15) que começou segunda-feira e vai até o próximo dia 18 em Copenhague.

O estudo apresenta um resumo das experiências da instituição com os instrumentos de flexibilidade do Protocolo de Kyoto, como o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) e opLimpo (MDL) e o programa de Aplicação Conjunta (AC). A AC é um sistema pelo qual os países industrializados podem cumprir parte de suas obrigações de reduzir as emissões gás-estufa pagando projetos que reduzam a contaminação de outras nações do Norte. Na prática, isto supõe a construção de instalações em nações da Europa oriental e da ex-União Soviética financiadas por países da Europa ocidental e da América do Norte.

Enquanto isso, o MDL habilita as nações ricas obrigadas a reduzir sua contaminação climática a compensar parte de suas emissões de gás-estufa financiando projetos para reduzi-las nos países do Sul em desenvolvimento. a nação que reduz dióxido de carbono na nação pobre “vende” a quem pagar por esse projeto desde o país rico créditos de carbono para emitir na mesma proporção. O Banco Mundial considera este mercado, já que calcula que as nações do Sul necessitarão entre US$ 75 bilhões e US$ 100 bilhões por ano até 2050 para enfrentar os efeitos do aquecimento global.

A especialista do Banco Mundial em Financiamento do Carbono, Martina Bosi, destacou aos jornalistas ontem em Copenhague que a entidade criou em 2000, cinco anos antes da entrada em vigor do Protocolo de Kyoto, o Fundo Protótipo do Carbono, de US$ 160 milhões. Hoje, o Banco maneja US 2,5 bilhões em diversos fundos, dos quais os países mais beneficiados são Brasil, China, Índia, México e Colômbia.

Alguns dos fundos mais importantes são BioCarbon, concentrado em projetos de reflorestamento e uso da terra, e o Fundo de Carbono para o Desenvolvimento Comunitário, dedicado a projetos nas nações menos desenvolvidas, “que obtiveram enormes benefícios sociais além de reduzir os gases-estufa”. Segundo o informe, 26% dos projetos financiados por estes fundos do Banco Mundial foram executados na América Latina e no Caribe, 21% na Ásia, 21% na África oriental, 18% na Europa e 13% no sudeste asiático.

Por sua vez, Bosi destacou que a maior parte dos fundos que financiam os projetos do Banco Mundial sob este sistema provém do setor privado, o que demonstra ser uma importante ferramenta para incluí-lo nos esforços contra o aquecimento global. Quarenta e nove por cento dos recursos para os projetos realizados até agora provêm de capital privado, 21% dos mercados do carbono, 17% do investimento estrangeiro público e 13% de fundos públicos locais.

Organizações não-governamentais criticam o MDL por considerá-lo um sistema “corrupto” e “barato” para o Norte, que permite aos países industrializados não adotar verdadeiras medidas para reduzir suas emissões de gases-estufa e, pelo contrário, favorece empresas multinacionais. A organização não-governamental Amigos da Terra disse que os MDLs “devem ser abolidos, já que não incentivam as mudanças estruturais para a transição para uma economia sustentável”, e denunciou que a maioria “tem, inclusive, efeitos ambientais prejudiciais”.

Em um comunicado divulgado durante a COP-15, o grupo exigiu “um compromisso de redução de pelo menos 40% das emissões internas, em relação às de 1990, sem mercados de carbono e sem MDL”. Isso porque entende que “a maioria desses projetos não permite uma redução real e ainda tem consequências catastróficas no meio ambiente e na sociedade do Sul global”.

Também exigiu “o financiamento da parte que justamente cabe às nações do norte para mitigação e adaptação dos mais pobres, sem contar com os fundos destinados à ajuda para o desenvolvimento e administrado pela Organização das Nações Unidas”. “Qualquer outro financiamento externo, como os fundos do Banco Mundial, tampouco devem contar para o cumprimento dos compromissos”, exigiu a organização. (IPS/Envolverde)

(Envolverde/IPS/TerraViva)

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Mudanças climáticas: Compromissos ou metas?

Por Dal Marcondes - Jornalismo e sustentabilidade - dal@envolverde.com.br
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O Brasil assumiu compromissos com a redução das emissões de carbono até 2020. Algo entre 31% e 38% do que emitiria se nenhuma medida de redução fosse tomada. Este é o piso estabelecido pelo governo, não deve ser tomado como teto pela sociedade.

Nos últimos dois anos, em especial desde o início deste ano, o governo brasileiro tem sido pressionado por organizações da sociedade civil e pela oposição política a estabelecer suas metas para a redução das emissões de gases de efeito estufa. Os estudos do governo e de ONGs como Imazon, Greenpeace e outras mostram que os grande vilões do aquecimento global no Brasil são: desmatamento e agronegócio.  Estes dois vetores de emissões, muitas vezes, andam juntos.

Os compromissos que o governo brasileiro aceitou levar para Copenhague são apenas um piso na redução de emissões, não devem e não podem ser vistos como um teto. Ou seja, a sociedade brasileira pode e deve fazer mais do que isso. Não há nenhum motivo pelo qual o Brasil não possa assumir uma vanguarda a partir de suas empresas e de decisões de governos estaduais e municipais. O governo federal tem de negociar com muitos setores, aplacar a birra de uma bancada ruralista egocentrada e mediar as vontades de setores ambientalistas e desenvolvimentistas dentro do próprio aparelho do Estado. É compreensível que o resultado seja conservador. Mas precisamos lembrar que este é (e lutou-se muito para isto) um País livre e cada um pode estabelecer suas próprias metas e compromissos.

Existem mais atores trabalhando pela redução da emissão de gases de efeito estufa além do governo. É o governo federal que levará as metas brasileiras á COP 15, em Copenhague. A equipe de negociadores brasileiros vai enfrentar posições duras de governos como Estados Unidos e China, que ainda não se posicionaram claramente em relação às suas próprias metas e compromissos. O jogo em uma COP é pesado e os governos estão lá para defender soberania, pois uma vez assinados os compromissos, perdem o poder de decisão sobre o tema. Por isso não se espera nenhum resultado, ou algo parecido com um “Protocolo de Copenhague”, antes de março ou abril de 2010, quando o Congresso norte-americano terá aprovado ou recusado as metas que os Estados Unidos irão propor para sua própria sociedade e economia.

No entanto, lá estarão presentes outros importantes protagonistas que representam outras vontades, algumas mais avançadas. Para além das reuniões de governos, a COP é um cenário multicultural, onde ONGs, empresas e governos locais discutem suas próprias agendas, com acordos, metas e compromissos próprios. No caso brasileiro algumas representações merecem destaque, porque tem efetiva capacidade de pressão sobre as negociações principais, e porque tem o poder de tomar decisões setoriais que podem reposicionar o Brasil como liderança em questões climáticas. Estarão em Copenhague representações empresariais, onde vale destacar o Instituto Ethos e o posicionamento marcante de seu presidente Ricardo Young, representações de governos locais, a Prefeitura de Manaus, através do secretário do Meio Ambiente e Sustentabilidade, Marcelo Dutra, que estará representando as cidades da América Latina e Caribe, a convite da própria ONU, e a Força tarefa de Governadores da Amazônia, que terá como representante seu secretário executivo, Virgílio Viana.

Estes três grupos estão se articulando há meses para levar posições caras para Copenhague. O Instituto Ethos, juntamente com o Fórum Amazônia Sustentável, que reúne ONGs e empresas para debaterem políticas públicos sobre a Amazônia, lançou a “Carta Aberta ao Brasil sobre Mudanças Climáticas”, uma iniciativa tão inovadora que foi citada pelo Secretário Geral da ONU, Ban Ki-Moon, como exemplo de participação da sociedade nos processos de construção de uma economia de baixo carbono. A Prefeitura de Manaus realizou em outubro a “Cúpula Amazônica sobre Mudanças Climáticas”, onde prefeitos de toda a Amazônia brasileira e de países vizinhos assinaram a “Carta de Manaus”, que defende a criação de mecanismos que valorizem as iniciativas locais em prol da preservação e dos uso sustentável da floresta. Por fim, a Força Tarefa de Governadores da Amazônia, que lançou no final de outubro o “Relatório I – Força Tarefa sobre REDD e Mudanças Climáticas”. Segundo o governador do Amazonas, Eduardo Braga, as negociações são nacionais, mas são os governos locais que tem a capacidade de transformar as metas em realidade. “No Amazonas estamos desenvolvendo mecanismos de REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação) inovadores, em parceria com empresas privadas”, explica. Em Copenhague a Força Tarefa estará representada pelo diretor geral da Fundação Amazonas Sustentável, Virgilio Viana, que é um dos mais vigorosos defensores de iniciativas de REDD.

Mais além destas representações, organizações não governamentais e empresas estão trabalhando para manter altas as expectativas e conseguir que o mundo aceite uma redução mais drástica das emissões globais de gases estufa. No entanto, é importante compreender que qualquer que seja o resultado em Copenhague, é apenas um fator de balizamento para as sociedades de todos os países. Nenhuma meta precisa ser vista como “teto” para as emissões globais e nada impede que governos locais e empresas assumam compromissos mais abrangentes. Já há exemplos de avanços além do exigido pelas leis e acordos internacionais. Um exemplo a ser destacado é o estado da Califórnia, nos Estados Unidos, governado pelo republicano Arnold Schwarzenegger, que assumiu compromissos de redução de emissões muito mais audaciosos do que o governo Bush, além de liderar um movimento de governadores locais para avançar nas mudanças por uma economia de baixo carbono.

Em uma série de palestras, entrevistas e em seu mais recente livro lançado no Brasil, “A Terceira Margem”, o economista Ignacy Sachs vem defendendo que o Brasil é dos países  mais bem preparados para mudar o eixo de sua economia em direção a uma “economia da biomassa”. Ele acredita que o País detém conhecimentos e capitais que permitem olhar para os recursos naturais de forma inovadora, com a exploração sustentável de matérias primas agroflorestais e sem a necessidade de destruir biomas, mas sim com o manejo inteligente de insumos da biodiversidade. “Além disso o Brasil tem sorte, com os recursos do petróleo pré-sal pode investir grandes volumes de capitais para ser o primeiro país do mundo a ter uma economia pujante e com baixas emissões de carbono”, diz Sachs.

O importante para se refletir é o quanto desta nova economia estaria nas mãos do Estado e o quanto estaria nas mãos de governos locais e de empresas. Os empreendimentos necessários para a transformação desta economia estão muito mais no eixo da iniciativa privada do que do Estado. É importante o apoio e a regulamentação das ações, mas quem vai produzir biocombustíveis e desenvolver tecnologias hoje são empresas, universidades, centros de pesquisas e ONGs. O papel do Estado é importante, mas não limita a expansão do papel de outros setores. Recentemente o governo do estado de São Paulo anunciou metas mais abrangentes do que as do Governo Federal para a redução de emissões. Isto é importante, porque o Estado de São Paulo tem universidades e centros de pesquisa atrelados a ele, o que certamente vai possibilitar mais ações nas áreas de ciência e desenvolvimento tecnológico.

Então, não se deve ficar decepcionado porque o governo não é ambicioso nas reduções de emissões.  Uma sociedade comprometida com a construção de uma nova economia, com empresas focadas em melhorar seus negócios e garantir a perenidade de seus recursos e governos locais mobilizados pode fazer muito mais do que seguir metas tímidas. O Brasil seguirá liderando pelo exemplo de sua sociedade e o governo, qualquer que seja, virá a reboque da sociedade, como aconteceu com as políticas de REDD, que até bem pouco tempo eram completamente ignoradas por Brasília, mas que agora representam o “prato de resistência” dos negociadores do Itamaraty em Copenhague. 
 
Fonte: Envolverde

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Desmatamento na Amazônia e Redução das Emissões de Carbono - Verdades e Mentiras

Por Luiz Prado - Atualidades - www.luizprado.com.br

Enquanto o governo brasileiro – leia-se, Lula e Dilma – patina na tomada de decisões sobre metas de redução de emissões de gases causadores de mudanças climáticas, a China se posiciona oficialmente pela manutenção dos princípios do Protocolo de Kyoto, de acordo com o qual os países desenvolvidos devem assumir as responsabilidades, enquanto os demais – incluindo a própria China e a Índia, que parecem estar de acordo sobre esse ponto – ficam isentos de ter metas obrigatórias até 2020, pelo menos.

Metas obrigatórias no Brasil dependeriam de estudos sobre a viabilidade da redução das emissões por setores de atividades econômicas, e esses estudos simplesmente não existem.  Assim, apenas como exemplo, na área de transportes urbanos, a decisão de impor pelo menos um aumento progressivo e definido de ônibus híbridos – já fabricados no Brasil e exportados -, seria fácil avaliar a redução nas emissões nessa área.  E assim, em muitas outras.  Mas não, o samba de uma nota só reduz-se a compensar emissões com o plantio de florestas.

Enquanto isso, a China investe massivamente em tecnologias de energias renováveis e em eficiência energética.  Os compressores eletrônicos de alta eficiência utilizados nos aparelhos de ar condicionado brasileiros, por exemplo, são todos fabricados na China.

É literalmente impossível falar em desmatamento zero na Amazônia quando até o final de 2010 deverão ser regularizadas 500.000 posses!  Mas, que importa?  Esse é assunto para as próximas administrações.  O que pesa agora é o lero-lero político.

Além disso, vale lembrar que (a) apenas 60% das florestas amazônicas estão em território brasileiro (os 40% restantes estão no Perú, Colômbia, Venezuela, Ecuador, Bolívia, Suriname Guiana e Guiana Francesa), (b) as florestas amazônicas representam apenas 50% das florestas tropicais úmidas remanescentes no mundo (as demais, na Ásia por exemplo, estão sendo rapidamente substituidas por plantações de dendê para a produção de biocombustíveis) e, (c) o que tem sido guardado em segredo, as florestas boreais estocam quase o dobro do carbono contido nas florestas tropicais úmidas!

Aos costumes!

No Canadá, apenas 8% dessas florestas são protegidos, enquanto 50% foram concedidos a empresas florestais para corte raso.   Simples assim!  Cerca de 80% das árvores de florestas boreais nativas cortadas no Canadá são exportados para consumo e processamento nos EUA para fazer desde produtos madeireiros até papel higiênico.  E a maioria dessas empresas concessionárias desse corte raso nas florestas boreais do Canadá exporta madeira “certificada” por organizações impostoras como o Forest Stewardship Council (FSC).

O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC recomendou, em 2007, que as florestas boreais fossem totalmente protegidas e o Canadá nem piscou.  Nele encontram-se a maior extensão de florestas nativas do mundo.  As florestas boreais cobrem 15% da superfície terrestre do planeta e estocam 30% do carbono de todos os biomas.

Uma boa parte dessas florestas está no Alasca – em território dos EUA -, mas os cientistas dos países altamente industrializados e as suas ONGs que tudo sabem e tanto falam sobre as emissões das florestas amazônicas ainda estão “pesquisando” as emissões decorrentes do corte raso das florestas boreais.  Sobre as emissões decorrentes do desmatamento na Amazônia as ONGs tipo WWF enchem o peito para fazer afirmações certeiras, em casas decimais.

Esses “segredinhos” talvez valham como subsídios para as decisões do presidente Lula.  Mas valem, sobretudo, para abrir os olhos dos brasileiros que vivem nas cidades e se alarmam com as manipulações de informações dos Greenpeaces da vida.


Essas informações podem ser encontradas em
http://news.mongabay.com/2009/1112-hance_boreal.html
e em http://www.whrc.org/borealNAmerica/index.htm, em inglês.


Não se defende, aqui, que as florestas amazônicas brasileiras sejam deixadas ao léu.  Apenas, tenta-se esclarecer como atuam os grupos de interesse e com que tipo de responsabilidade moral para com a humanidade outros países se comprometem.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Um estudo realizado na Grã-Bretanha sugere que os ecossistemas e oceanos da terra têm uma capacidade muito maior de absorver gás carbônico do que se imaginava anteriormente


A pesquisa da Universidade de Bristol mostra que o equilíbrio entre a quantidade do gás em suspensão na atmosfera e a que é absorvida se manteve praticamente constante desde 1850, apesar de as emissões terem saltado de 2 bilhões de toneladas anuais naquela época para 35 bilhões de toneladas anuais hoje em dia.

O resultado do estudo, publicado no site especializado Geophysical Research Letters, confronta com várias pesquisas recentes, que previam que a capacidade de absorção pelos ecossistemas e oceanos cairia conforme as emissões aumentassem, fazendo disparar o nível de gases causadores do efeito estufa na atmosfera.

Mas segundo o principal autor do estudo, Wolfgang Knorr, seu ponto forte é que ele se baseia apenas em dados de medidas e estatísticas, e não em modelos de clima computadorizados.

Copenhague

Os pesquisadores de Bristol descobriram que o aumento dos gases em suspensão na atmosfera tem sido um valor entre 0,7% e 1,4% a cada década, desde 1850, o que, para os cientistas é muito perto de zero.

Para os cientistas, o trabalho é extremamente importante no debate de políticas para o controle das mudanças climáticas, já que as metas de emissão que devem ser negociadas em Copenhague, em dezembro, se baseiam em projeções que já levam em conta a capacidade de absorção da Terra.

Mas Knorr alerta que não necessariamente o estudo vai afetar as decisões dos líderes mundiais.

"Como todos os estudos deste tipo, há algumas imprecisões nos dados", admitiu. "Portanto, em vez de confiar na natureza para oferecer um serviço gratuito, absorvendo nosso gás carbônico, precisamos nos certificar dos motivos pelos quais a parcela absorvida não mudou."

O estudo também descobriu que as emissões vindas do desmatamento podem ter sido superestimadas em valores entre 18% e 75%.

Fonte: BBC Brasil

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Minc defende em São Paulo crescimento do País com baixo carbono

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, participou hoje, em São Paulo, da reunião em que o Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas entregou ao presidente Lula sugestões de diversos setores da sociedade para que o Governo Federal incorpore em sua posição a ser apresentada na Convenção das Nações Unidas sobre o Clima, em Copenhague, em dezembro.

O presidente Lula elogiou o trabalho do fórum que classificou de "extraordinário". Segundo ele, "o governo tem em mãos matéria prima necessária" para que possa ser incorporada, até o dia 14, à proposta que o Brasil vai apresentar no encontro de Copenhague.

Ao lado do presidente Lula, da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, e do secretário-executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, Luiz Pinguelli Rosa, Minc defendeu um desenvolvimento sustentável para o país "com a criação de empregos verdes". Segundo Minc, o desenvolvimento não é incompatível com a preservação ambiental e o combate ao aquecimento global. "Podemos crescer com baixo carbono".

O Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, criado em junho de 2000, tem por objetivo conscientizar e mobilizar a sociedade para a discussão e tomada de posição sobre os problemas decorrentes da mudança do clima por gases de efeito estufa, bem como sobre o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). O FBMC deve auxiliar o governo na incorporação das questões sobre mudanças climáticas nas diversas etapas das políticas públicas.

Ele é presidido pelo presidente da República e composto por 12 ministros de Estado, pelo diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA) e por personalidades e representantes da sociedade civil, com notório conhecimento da matéria, ou que sejam agentes com responsabilidade sobre a mudança do clima.



Fonte: ASCOM/MMA


terça-feira, 9 de dezembro de 2008

A mudança climática e os perdedores do amanhã

Por Marcel Claude*

Santiago, 8 de dezembro (Terramérica) - O mundo enfrenta uma crise econômica de envergadura, que diz respeito a práticas financeiras incorretas que canalizam enormes recursos para a especulação. Isto acarretará, entre outras coisas, um relaxamento das medidas para reduzir os nocivos impactos sobre o aquecimento global. Porém, vale fazer presente os efeitos econômicos que este fenômeno global terá na sociedade, para evitar decisões que possam agravar a situação de penúria econômica que sempre está presente na consciência universal.

Uma quantidade crescente de evidência prática e teórica indica que o estado climático global continua perturbado pela expansão econômica, porque desde o começo do século XVIII a sociedade moderna iniciou o uso maciço de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás, que têm grandes quantidades de carbono liberado na atmosfera pelo processo de combustão. A evidência científica indica que a temperatura aumenta e mostra uma tendência ao aquecimento de 0,6 graus. Hoje sabemos que o nível atual de gases causadores do efeito estufa na atmosfera equivale a 430 partes por milhão (ppm) de dióxido de carbono, em comparação com as 280 ppm estimadas para o período anterior à Revolução Industrial.

A União Européia calcula que os rendimentos agrícolas poderiam cair entre 1,9% e 22,4% no horizonte do ano 2080 nos países do sul da Europa, e prevê para então cerca de 86 mil mortes anuais adicionais no conjunto do bloco, devido ao calor. Em Wall Street acredita-se que um furacão tão destrutivo quanto o Andrew, que golpeou Miami em 1992, representaria danos equivalentes a um terço do capital do setor dos seguros contra acidentes. A Organização das Nações Unidas prevê que as secas afetarão principalmente a população desnutrida do mundo, calculada em cerca de 830 milhões de pessoas, composta por pequenos agricultores, pecuaristas e trabalhadores de fazendas.

As projeções para as áreas do leste da África que dependem das chuvas, que já estão sofrendo secas e fome, indicam perdas potenciais de rendimentos de 33% para o milho. Duzentos milhões de pessoas serão deslocadas pelo aumento do nível do mar e estima-se o desaparecimento de um sexto da população mundial, isto é, um bilhão de pessoas. Assim também poderiam desaparecer entre 15% e 40% das espécies, e as populações de peixes se veriam severamente ameaçadas. Os pobres do mundo serão os mais afetados, e a mudança climática constitui uma séria ameaça à possibilidade de reduzir a pobreza.

Segundo o Instituto Alemão de Pesquisa Econômica, as catástrofes naturais dos últimos dez anos causaram prejuízos superiores a US$ 33 bilhões. Esta quantia é seis vezes maior do que os danos causados há 50 anos, e os custos para as seguradoras se multiplicaram por dez nesse período. O Informe sobre a Economia da Mudança Climática, feito por Nicholas Stern, ex-economista-chefe do Banco Mundial, diz que o custo da falta de ação ficaria entre 5% e 20% do produto interno bruto mundial. O aquecimento global seria mais prejudicial do que a Primeira ou a Segunda Guerra Mundial, podendo despertar uma crise equivalente à grande depressão de 1930.

Segundo Stern, são quatro as formas de baixar as emissões de gases de efeito estufa: redução da demanda por bens e serviços intensivos em emissões, aumentar a eficiência energética, evitar o despovoamento florestal e usar tecnologias mais baixas em emissões de carbono. Isto poderia criar novas oportunidades em uma ampla gama de indústrias e serviços já que, até 2050, é provável que os mercados de produtos energéticos baixos em carbono tenham um valor mínimo de US$ 500 bilhões anuais, ou mais.

Por outro lado, a erradicação das ineficiências energéticas abriria oportunidades de economia para as empresas, eliminaria os subsídios que produzem sinais econômicos equívocos e que custam anualmente aos governos do mundo cerca de US$ 250 bilhões, além de reduzir o custo por doenças e mortes devidas à poluição atmosférica. Um dos principais instrumentos econômicos propostos por Stern é o estabelecimento de um preço para o carbono, mediante a imposição de impostos ou regulamentações.

Em termos econômicos, os gases de efeito estufa são uma demonstração externa negativa, isto é, quem produz emissões desses gases contribui para a mudança climática e impõe um custo não menor ao mundo e às futuras gerações, sem que tenha de enfrentar plenamente as conseqüências de suas ações. A destinação de um preço apropriado ao carbono – por meio de um imposto, por exemplo – significaria fazer os emissores de dióxido de carbono pagarem o custo que repassam ao mundo.

Outras medidas propostas por Stern têm relação com políticas que apóiem o desenvolvimento de uma gama de tecnologias altamente eficientes e baixas em carbono, bem como políticas voltadas a eliminar as barreiras à mudança de práticas e costumes, como as que impedem o uso maciço de energias renováveis. O interessante é que, apesar dos enormes custos estimados por Stern, não existe um olhar catastrófico, e afirma que reduzir as emissões de dióxido de carbono agora representaria o custo de apenas 1% do PIB.

O aquecimento global é um problema grave, mas também nos dá a oportunidade para as mudanças necessárias em favor de uma ordem melhor e mais segura, não apenas para os 10% mais ricos da humanidade, mas também para os pobres, que, nas atuais circunstâncias, com ou sem mudança climática, são os perdedores do amanhã.

* O autor é economista da Universidade do Chile. Direitos exclusivos Terramérica.

Crédito de imagem: Fabricio Vanden Broeck

Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.

Fonte: Terramérica

Carbono de floresta põe ONGs em choque

Dois documentos publicados nos últimos dias colocaram lenha na fogueira da discussão sobre o futuro das florestas, com visões muito diferentes sobre a tática de utilizar compensações financeiras para combater o desmatamento, conhecida como Redd (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal, na sigla em inglês).

A discussão é central no debate sobre o aquecimento global porque as mudanças no uso da terra - principalmente o desmatamento tropical - respondem por 20% da emissão anual global de gases-estufa.

De um lado, o grupo ambientalista internacional Amigos da Terra afirma que o Redd não só não cumpre o seu objetivo como pode acabar por ter o efeito contrário, piorando as coisas. De outro, o Global Canopy Programme afirma que a tática é o modo mais eficiente de proteger as florestas.

O Redd é uma das principais propostas para conter o aquecimento global e faz parte das discussões em curso até a próxima semana em Poznan, Polônia, para definir o regime de proteção ao clima após 2012, quando o Protocolo de Kyoto expira. Ontem foi o Dia das Florestas em Poznan.

Uma das propostas para o mecanismo prevê que países ricos comprem créditos de carbono gerados pela manutenção das florestas em pé. O dinheiro serviria para incentivar desmatadores a abandonarem suas atividades; os créditos poderiam ser usados para compensar, em parte, a emissão de gás carbônico por queima de combustíveis fósseis países ricos.

Num relatório divulgado na semana passada, a Amigos da Terra diz que o mercado de carbono de florestas prejudica as comunidades locais, incentiva a corrupção nos países mais pobres, premia os poluidores e não barra as emissões.

O problema é que os países desenvolvidos continuariam a poluir e a consumir, com uma preocupação menor em diminuir suas emissões. "Os países ricos querem comprar sua rota para escapar de parar de poluir", disse um dos autores do relatório, Joseph Zacune.

A iniciativa também acabaria por beneficiar os desmatadores, porque o valor seria pago com base no que essas atividades lucrariam se continuassem a destruir as florestas, incentivando um aumento antes da proibição. Além disso, nações que desmatam mais acabam sendo mais ajudadas do que aquelas que fazem o seu dever e conservam suas florestas.

A visão é combatida por Andrew W. Mitchell, diretor e fundador do Global Canopy Programme, editor de um "Little Redd Book" sobre o tema.

"Trabalho com conservação há 35 anos e tudo o que tentamos até agora não funcionou. Estamos perdendo 13 milhões de hectares de florestas por ano. Acabar com isso é difícil e caro, deve custar entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões por ano. Esse dinheiro não vai surgir da filantropia."

Segundo ele, o Redd nem foi definido ainda, já que o modelo final só será decidido no ano que vem, então as críticas de que premia quem desmata mais são precipitadas. Sobre a "fuga" dos países ricos, ele diz que uma coisa não exclui a outra. "Existe uma consciência nos países desenvolvidos de que não é "ou", mas sim "e'", diz.

"A razão por que as árvores caem é porque as florestas valem mais mortas do que vivas. O serviço que elas produzem não é reconhecido pelos governos nem pelo mercado, então elas têm de ser convertidas em alguma outra coisa que valha dinheiro", afirma Mitchell.

Brasil - O governo do Brasil é contra usar florestas para gerar créditos de carbono, e propõe que o Redd seja alimentado por doações voluntárias.

Governos estaduais, no entanto, são favoráveis ao mercado. O do Amazonas assinou neste ano um acordo com a rede de hotéis Marriott para compensar emissões usando a conservação de uma unidade de conservação estadual.

No mês passado, o governador Eduardo Braga assinou um acordo com seu colega Arnold Schwarzenegger, da Califórnia, que abre a possibilidade de investimentos californianos em Redd no Amazonas.

"A posição do governo brasileiro contra a iniciativa é positiva, mas existe uma preocupação muito grande com a política de "saldo de desmatamento", em que a derrubada de uma parte da floresta é compensada com a conservação ou a expansão de uma outra", diz Zacune.

Já Mitchell diz que o Brasil precisa e deve fazer parte dele. "Ninguém paga o país pelo serviço que ele presta ao mundo, de conservar as florestas e evitar a emissão de gás carbônico. A perda de capital natural é enorme para o mundo."
 
Fonte: Pedro Dias Leite/ Folha Online

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

'Detetives' do carbono rastreiam gases do efeito estufa nos EUA

Enquanto se espremia em um elevador do tamanho de uma cabine telefônica para subir uma torre de 300 metros nas planícies do leste do Colorado, Arlyn Andrews disse, com um sorriso: “Isso me faz querer escalar rochas”.

É bom que ela goste de escalar altas estruturas. Andrews, uma cientista da atmosfera da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, em Inglês) em Boulder, Colorado (EUA), escala a torre periodicamente para assegurar que os finos tubos que ligam a torre a analisadores próximos estejam coletando corretamente amostras de dióxido de carbono, metano e um coquetel de outros gases do efeito estufa.

O elevador rangeu e parou cerca de cinco minutos mais tarde em um posto a 250 metros, onde a delgada sombra da torre avançava sobre um campo de girassóis vizinho nos primeiros raios da manhã. “Somos capazes de detectar toda a mistura de emissões aqui – o que vem do tráfego de automóveis, da indústria, do desenvolvimento residencial e da agricultura”, disse Andrews.

Ela é uma entre muitos 'detetives' do carbono: cientistas que acompanham e analisam de onde vêm os gases do efeito estufa e para onde eles vão com o tempo. Compare isso com suas finanças pessoais. Para planejar um futuro financeiro sadio, é preciso criar um orçamento e acompanhar como o dinheiro está sendo gasto. Da mesma forma, cientistas da atmosfera precisam desenvolver um “orçamento” para gases do efeito estufa.

No entanto, a atmosfera não entrega relatórios mensais sobre a dinâmica dos gases do efeito estufa, então os cientistas precisam retirar a informação de fontes diversas e muitas vezes contraditórias. A tarefa-chave é mensurar as fontes, ou emissões, desses gases que aquecem o planeta, e os “estoques” – florestas, plantações e oceanos que absorvem o elemento. Esse orçamento pode então respaldar uma política inteligente de controle climático, seja gerenciando uma floresta ou desenvolvendo regulamentos nacionais para as emissões.

Meia década de estudo - A jornada para acompanhar o carbono teve início há 50 anos, quando um cientista da atmosfera, David Keeling, através de um analisador, criou o primeiro observatório de medição de dióxido de carbono do mundo, em Mauna Loa, Havaí. Agora, graças a uma crescente combinação de técnicas de medição atmosférica e terrestre, cientistas podem quantificar mais precisamente as fontes e estoques de CO2. Eles também compreendem melhor como os gases que retêm o calor variam de acordo com tempo e espaço, não só globalmente, mas também em escala continental e regional.

Ao aplicar os diversos métodos e compará-los entre si e com modelos de computador, os cientistas também estão distinguindo com mais exatidão certos gases do efeito estufa de causa humana daqueles que derivam de flutuações naturais em ecossistemas terrestres e oceânicos.

As apostas são muito mais altas hoje do que há 50 anos. Globalmente, os estoques de carbono estão sendo ultrapassados pelo aumento de emissões. Instrumentos atmosféricos como a rede de oito torres financiada pela NOAA oferecem aos cientistas do clima uma janela para os processos que controlam as emissões e estoques de gases estufa.

No entanto, a incerteza permanece alta – às vezes tão alta quanto as próprias estimativas. Por exemplo, pesquisadores acreditam que cerca de metade do CO2 emitido na atmosfera é absorvido pelos oceanos e pela terra, mas eles não sabem precisamente de onde vêm os gases e onde eles vão parar. Essa lacuna de conhecimento tem sérias implicações nas políticas públicas; até que fique claro para onde estão indo as emissões, continuará sendo difícil ter créditos verificáveis para seqüestro de carbono.

“Precisamos ter certeza de que os mercados de carbono estejam afetando a mudança do clima, e não apenas colocando dinheiro nas mãos de algumas empresas e pessoas,” disse Lisa Dilling, professora-assistente de ciência ambiental da Universidade do Colorado, Boulder.

Contas que não batem - Um incômodo desafio é que as avaliações de inventário da superfície – baseadas em medições de florestas, campos de agricultura e emissões de chaminés, por exemplo – geralmente não batem com medições atmosféricas.

“Precisamos fechar o orçamento do carbono para saber precisamente o que está indo para onde”, disse Kevin Gurney, professor-assistente de ciências terrestres e atmosféricas da Universidade Purdue, em Indiana.

Com esse objetivo, no último mês de abril, Gurney iniciou o Projeto Vulcan. Com o nome do deus do fogo romano, Vulcan é um banco de dados massivo e um mapagráfico que mostra mudanças de hora em hora em emissões de CO2 derivado da queima de combustíveis fósseis em todos os locais e de todas as fontes, incluindo veículos, usinas e fábricas.

Outra ferramenta que mapeia o orçamento de carbono para cientistas da atmosfera é chamada de CarbonTracker, um sistema de análise de dados iniciado no ano passado por Pieter Tans, um experiente cientista do Laboratório de Pesquisa de Sistemas da Terra e seus colegas da NOAA. O sistema online mostra como o CO2 flui pelos continentes e como isso varia a cada ano.

Tans começou a rede de altas torres em 1992. Ele espera expandi-la das oito estruturas atuais para 30. Os instrumentos mais avançados foram introduzidos no ano passado na Califórnia – um em São Francisco e o outro em San Joaquin Valley, perto de Sacramento.

Neste verão, um estudo continuado em uma torre de medição localizada em campos de milho e soja em West Branch, estado de Iowa, revelou que as plantações sugavam uma quantidade surpreendentemente alta de CO2 da atmosfera durante a estação de cultivo no verão – chegando a 55 partes por milhão, de um nível equivalente de CO2 de 380 partes por milhão.

Todo agricultor sabe que o milho cresce rápido e absorve grandes quantidades de carbono no processo, e mais tarde respira CO2 quando é colhido ou deixado para se decompor. Mas esta foi a primeira vez que os cientistas detectaram uma redução tão grande no inventário de CO2 sobre uma região específica durante a estação de cultivo. O estudo também mostrou uma grande queda na concentração de CO2 desde o verão anterior, provavelmente porque enchentes atrasaram a estação de cultivo deste ano, disse Andrews.

A rede de torres de medição melhorou drasticamente as amostras de ar coletadas por pequenos aviões. E as torres cobrem uma área mais ampla do que instrumentos menores e baseados em terra, como as supostas torres de fluxo, que medem quantas toneladas de CO2 fluem para dentro e para fora de um lote específico de terra, de aproximadamente um quilômetro quadrado.

Do alto - Em janeiro, uma nova fase para os instrumentos atmosféricos de medição de CO2 terá início quando a Nasa lançar o primeiro satélite de rastreamento de carbono, chamado de Observatório de Carbono em Órbita.

Diariamente, o aparelho orbitará a Terra 15 vezes, tomando quase 500 mil medições da “impressão digital” que o CO2 deixa no ar entre o satélite e a superfície terrestre. Os dados serão usados para a criação de um mapa de concentrações de CO2 que ajudará cientistas a determinar precisamente onde estão as fontes e os estoques – mostrando diferenças em gases de menor representatividade com precisão de até uma parte por milhão contra um fundo equivalente de CO2 de 380 partes por milhão.

No final do processo, muitos cientistas esperam que suas descobertas respaldem políticas públicas em relação ao clima, como limites obrigatórios sobre emissões impostos pelo congresso.

“É uma prioridade nacional compreender o orçamento de carbono, de forma que as pessoas possam fazer políticas inteligentes e eficazes”, disse Gurney de Purdue, acrescentando que muitos cientistas se sentem pressionados em expandir as fronteiras do conhecimento deste campo em seus esforços para diminuir o aquecimento global. “É isso o que nos motiva a acordar para trabalhar de manhã.”

Fonte: G1

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Brasil descarta crédito de carbono para proteger Amazônia

O Brasil descartou nesta quinta-feira (4) a possibilidade de deixar os países ricos compensarem suas emissões de gases do efeito estufa com contribuições financeiras para a proteção da Floresta Amazônica, uma idéia que vem sendo discutida ativamente na União Européia.

Povos indígenas que compareceram à conferência de clima da Organização das Nações Unidas (ONU) em Poznan, Polônia, protestaram que não tinham chance de ver esse dinheiro do crédito de carbono e pediram verba para, primeiro, acabar com a corrupção e para a demarcação de terras.

"O Brasil sempre foi contra a compensação na área florestal", disse Sérgio Serra, embaixador brasileiro para mudança climática.

Na semana passada, o governo brasileiro informou que a taxa de desmatamento anual da Amazônia aumentou durante o ano até julho, pela primeira vez em quatro anos.

Mas o país é contra a compensação financeira para proteger a floresta, informaram autoridades brasileiras à Reuters nesta quinta-feira, 4, explicando que tal medida absolveria os países ricos de cortarem suas próprias emissões.

A posição brasileira jogou um balde de água fria nas esperanças da maioria dos outros países que abrigam florestas tropicais, que estão em busca de dinheiro para proteger as matas com um novo tratado sobre o clima. Analistas dizem que Indonésia, México e Índia são favoráveis a essa proposta.

Em vez disso, o Brasil apóia a criação de um fundo público, baseado, por exemplo, na promessa da Noruega de doar 1 bilhão de dólares este ano para o Fundo Amazônico, com o propósito de melhorar a conservação e a aplicação de leis contra o desmatamento.

Com o mercado de carbono global, os países ricos poderiam exceder as metas de emissão de gases do efeito estufa, mas apenas se pagassem por cortes de emissões correspondentes no mundo em desenvolvimento, em um sistema de créditos de carbono.

Países membros da UE debateram o esquema amplamente na quinta-feira, para permitir "créditos da floresta" - pelo qual os países e empresas compensam pelo excesso de emissões de carbono ao financiar a conservação da floresta tropical.

Um esboço de documento francês, obtido pela Reuters na quarta-feira, 3, sugere que o bloco permitiria o crédito da floresta como uma forma de ajudar algumas empresas a cumprirem suas obrigações de carbono de uma maneira menos custosa durante a recessão. Isso marcaria uma reversão nas propostas feitas pela comissão-executiva da UE em outubro.

Um membro da delegação de Guiné Equatorial disse que as duas abordagens poderiam ser combinadas. "Deveria ficar em aberto tanto para os que querem levantar dinheiro público como para aqueles que querem entrar no mercado (de carbono). Mas é preciso haver o aspecto de mercado", disse à Reuters Deogracias Ikaka Nzami.

Em todo o mundo, anualmente, uma área de floresta maior que o tamanho da Grécia é destruída, contribuindo com cerca de um quinto das emissões de gases do efeito estufa, aos quais se atribui o aquecimento global.

A conferência na Polônia segue até o dia 12 e visa preparar o terreno para um novo tratado sobre o clima até o fim de 2009 para substituir o Protocolo de Kyoto.

Fonte: Estadão Online