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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Biomassa evita emissão de 63 mil toneladas de C02 em 2009

 
Da Agência Ambiente Energia - O setor sucroenergético produziu, em 2009, 292 megawatts médios (MW médios) ou aproximadamente 2,6 terawatt/hora (TWh), evitando a emissão de 63 mil toneladas de CO2 equivalentes, segundo dados do boletim Análise de Conjuntura dos Biocombustíveis, relativo ao período janeiro de 2009 a março de 2010, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). No caso do uso de combustíveis renováveis, o nível de emissões evitadas chegou a 48 milhões de CO2 equivalentes.

“O uso de biocombustíveis na matriz energética nacional proporciona uma significativa redução nas emissões de gases de efeito estufa. Com a entrada expressiva de veículos flex fuel na frota brasileira, houve uma consolidação do uso do etanol hidratado como combustível”, destaca o documento.
 

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Eucalipto no páreo

“O eucalipto pode ser tão bom e eventualmente até melhor do que a cana-de-açúcar para a produção de biocombustíveis a partir da biomassa gerada na plantação dessas culturas.”

A afirmação de Carlos Alberto Labate, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), foi feita aos pesquisadores presentes na primeira edição do Simpósio sobre Etanol de Celulose, cujas atividades foram concluídas na tarde de quarta-feira (10) na sede da Fapesp.

“O eucalipto é uma árvore incrível e, o Brasil, um país de muita sorte por ter todas as condições necessárias para a alta produtividade da cultura. A indústria florestal brasileira, uma das melhores do mundo e que serve de referência para vários países, está interessada em entender como a biomassa do eucalipto pode ser usada para a produção de etanol. Trata-se de uma nova revolução da química verde”, disse no evento realizado no âmbito do Programa Fapesp de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN).

Sem deixar de reconhecer que a cana-de-açúcar é uma das principais fontes de biomassa para a geração de energia, Labate, que é professor do Departamento de Genética da Esalq, destacou a importância das cascas do eucalipto.

Atualmente, esses resíduos permanecem no solo das plantações após a extração do tronco da árvore, que normalmente é destinada à indústria de papel e celulose. “Uma quantidade razoável de casca é dispensada no solo com o corte da madeira, algo em torno de 20 toneladas por hectare. Ao ser fermentado ao longo dos anos, esse material libera gases do efeito estufa”, disse Labate à Agência Fapesp.

“Sabendo que as indústrias do setor florestal estão preocupadas com as questões dos impactos ambientais, uma forma de despertar ainda mais o interesse é mostrar o valor econômico dos resíduos desperdiçados, que podem tanto ser usados para produzir bioetanol como biopolímeros. A casca do eucalipto é uma ótima fonte de carbono de baixo custo”, explica.

Em sua palestra, intitulada The eucalypt as a source of cellulosic ethanol, Labate mostrou estudos conduzidos por sua equipe no Laboratório Max Feffer de Genética de Plantas, que comprovam que a composição da casca do eucalipto é mais favorável do que o bagaço da cana em termos de açúcares fermentáveis: a quantidade de pentoses (monossacarídeos de cinco carbonos) inibitórias ao processo de fermentação está presente, segundo ele, em menor quantidade na casca do eucalipto.

“Além disso o eucalipto possui o dobro de hexoses, que são açúcares fermentáveis como sacarose, glicose, frutose e galactose, em relação ao bagaço da cana. Isso significa que, teoricamente, o potencial do eucalipto para a fermentação é maior do que o da cana. O problema é que ainda não temos o hidrolisado tanto da casca como do bagaço para fermentar e estudar. O potencial do eucalipto existe, mas ele precisa ser melhor pesquisado”, apontou Labate.

Segundo ele, atualmente existe apenas uma empresa no mundo, localizada no Canadá, que acaba de ser inaugurada para a produção de etanol a partir da celulose de madeira. “Como, de modo geral, o custo de produção de papel aumentou muito, as indústrias no hemisfério Norte estão tentando buscar novas alternativas econômicas para a floresta”, disse.

Ele também comparou a quantidade de biomassa anual gerada pela cana-de-açúcar e pelo eucalipto no Estado de São Paulo. Enquanto a cana produz em torno de 10,6 toneladas de bagaço por hectare em um ano, o eucalipto chega a gerar de 23 a 25 toneladas de biomassa por hectare, no mesmo período, com alto potencial para serem transformadas em energia.

Para Labate, outro fator de interesse pelo eucalipto se relaciona com a área total da floresta plantada no Brasil, que gira em torno de 5,6 milhões de hectares, sendo pelo menos 3,5 milhões de eucalipto, o que insere o país entre os três maiores fornecedores mundiais de papel para impressão.

“A previsão para 2015 é que essa área plantada de eucalipto cresça para 4,3 milhões de hectares. Uma das razões desse crescimento é a forte demanda da China por papel e o Brasil deve aproveitar essa oportunidade de crescimento da plantação para a extração de energia da biomassa”, disse. (Fonte: Thiago Romero/ Agência Fapesp)

terça-feira, 3 de junho de 2008

Geografia da biomassa será redesenhada pelo novo clima

As mudanças climáticas previstas para este século, especificamente dentro das fronteiras do Brasil, vão redefinir a geografia da produção da biomassa. Este processo, portanto, terá um impacto significativo sobre a produção dos biocombustíveis, uma das grandes bandeiras do governo federal.

"O mercado da produção de cana-de-açúcar (incluído também o que vai para os alimentos) deverá movimentar, em 2020, R$ 47,5 bilhões por ano", afirma Hilton Pinto, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), à Folha. Isso significa, em relação aos números da produção de cana de 2007, um aumento de 95,5%.

O prejuízo, entretanto, deverá ser debitado diretamente na conta dos produtores de soja, o principal grão usado para a produção de biodiesel. "Aqui, pode haver uma perda, no mercado nacional, de até R$ 6 bilhões". Em comparação com o mercado de 2007 deste grão, seria uma redução de 19,5%.

O cientista de Campinas é um dos autores de um estudo ainda inédito sobre o impacto das mudanças do clima sobre a agricultura. "Infelizmente, pelo resultado que nós temos, dá para perceber que o Nordeste do Brasil será a área mais afetada (pelo clima)", afirma Pinto.

Segundo ele, os cálculos do mercado da cana e da soja para 2020 também vão constar desse novo trabalho. "Nós fizemos uma análise minuciosa para todos os 5.172 municípios brasileiros", diz o agrônomo. Ao todo, dez culturas ainda estão sendo analisadas.

Enquanto a produção de cana ficará prejudicada em Estados como Pará, Piauí e Tocantins (em todos existem planos para a ampliação desta cultura), a soja deverá perder terreno, além do Nordeste (no oeste da Bahia já existem algumas plantações), também no Centro-Oeste, diz o estudo. "Mas, em compensação, ela deve ganhar mais áreas nos Estados da região Sul do país", diz Pinto.

Mamona em falta - O drama nordestino, em termos de produção de biomassa, deve provocar outra conseqüência. Deve ser o fim de um dos programas sociais do governo federal na área da energia. Com um aumento de até 3C nos termômetros da região, segundo Pinto, a produção da mamona - feita pelo pequeno produtor com incentivos públicos - vai ficar totalmente inviável.

Apesar de as condições climáticas ficarem favoráveis para a cana-de-açúcar em quase todo o país, segundo tanto os dados paulistas quanto os da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), que também fez as suas próprias estimativas, o problema disso, no caso específico do semi-árido, é aumentar a pressão sobre a biodiversidade da região.

Várias espécies que vivem no bioma caatinga, por exemplo, correm o risco de extinção. É exatamente sobre essa região brasileira, entre outras, que os estudos que projetam o crescimento de áreas de cana-de-açúcar mostram que essa cultura será muito bem-vinda. "É uma cultura que adora bastante o calor e o carbono", diz o pesquisador da Unicamp. (Fonte: Folha Online)

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Governo regulamenta coleta de energia de biomassa

O governo publicou na terça-feira (20) no "Diário Oficial da União" decreto regulamentando as chamadas "estações coletoras", que são centrais de captação de energia que conectarão usinas de biomassa, pequenas centrais hidrelétricas e parques eólicos ao sistema de linhas de transmissão de energia do País.

A criação dessas centrais coletoras, batizadas pelo governo de "Instalações de Interesse Exclusivo de Centrais de Geração para Conexão Compartilhada", é um dos fatores que vêm sendo apontados como decisivos para que as usinas de álcool possam entrar no mercado de venda de energia, a partir do processamento do bagaço de cana. O governo marcou para o dia 30 de julho o primeiro leilão de energia voltado exclusivamente para usinas de biomassa.

Apesar do potencial de geração de energia elétrica dessas usinas, faltava-lhes - principalmente em Estados como Mato Grosso do Sul e Goiás - acesso ao sistema de transmissão. Ou seja, elas têm como produzir a energia, mas não podem escoá-la.

Segundo o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, caberá agora à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) fazer uma chamada pública para catalogar as usinas que têm interesse em contratar o serviço das estações coletoras. "A partir daí, a EPE vai dimensionar os projetos para a quantidade de usinas cadastradas. Depois, mandamos os projetos para a Aneel, que leiloará essas novas linhas", explicou Tolmasquim. (Fonte: Estadão Online)

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Aneel aprova edital do leilão de energia que tem biomassa como fonte

O edital de licitação para a contratação de energia de empreendimentos que usam a biomassa como fonte foi aprovado na terça-feira (22) pela diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

O leilão, segundo nota divulgada pela agência reguladora, está previsto para os dias 20 e 21 de maio e negociará via internet contratos de compra dessa chamada energia de reserva com prazo de 15 anos e início de suprimento em 2009 e 2010.

Depois de receber 82 contribuições durante o processo de audiência pública, entre os dias 5 e 20 de março, a minuta do edital e as normas técnicas aprovadas poderão ser consultados a partir de quarta-feira (23) no endereço eletrônico www.aneel.gov.br.

Será oferecida, ao preço-teto de R$ 56 o megawatt-hora, a energia produzida em termelétricas movidas a bagaço de cana já habilitadas pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que tem 118 dessas centrais geradoras inscritas, acrescenta a nota. (Fonte: Agência Brasil)

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Governo vai detalhar leilão de biomassa em uma semana

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, anunciou na quinta-feira (14) que o governo vai detalhar na semana que vem as condições do leilão de energia elétrica gerada a partir da biomassa. "Já temos todos os estudos de engenharia. Agora faltam as definições contratuais, inclusive quem vai pagar a conta, se os geradores, os distribuidores ou os consumidores", disse Tolmasquim, em entrevista à imprensa.

Tolmasquim não quis adiantar dados quanto ao volume de energia que o governo pretende contratar de biomassa e nem os investimentos envolvidos. O objetivo, segundo ele, é aproveitar o grande acréscimo na produção de cana-de-açúcar, especialmente em Goiás e Mato Grosso do Sul, para a geração de energia térmica a partir do bagaço. Para isso o governo vai autorizar a construção de miniestações de distribuição (ou estações coletoras) que facilitarão a transmissão da energia das usinas para a rede básica. Como a potência de cada usina é relativamente baixa, há divergências sobre quem arcará com os custos de transmissão.

Devido ao impasse, o governo está tendo de criar novas figuras jurídicas para o leilão, disse Tolmasquim. "Não está claro quem é o responsável pelas novas obras; se a responsabilidade é da rede básica (empresas de transmissão) ou dos sistemas de distribuição (distribuidoras de energia)", disse Tolmasquim. A minuta do edital de leilão permanecerá em audiência pública até a próxima segunda-feira, segundo Tolmasquim. As empresas interessadas em vender energia no leilão terão até amanhã para cadastrar as suas ofertas junto à EPE. (Estadão Online)

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Governo fará leilão para contratação de energia proveniente da biomassa, diz Dilma Rousseff

A ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, informou nesta terça-feira (18) que no próximo ano será realizado leilão para contratação de energia cuja fonte é a biomassa.

“Vai ser importante para o governo introduzir biomassa na matriz energética brasileira”, garantiu a ministra

De acordo com calendário divulgado pelo Ministério de Minas e Energia, o leilão será realizado no dia 15 de abril, e a entrega da energia será realizada a partir de 2010.

Ainda para o próximo ano, a ministra estima a realização de leilão para construção da Usina de Jirau, em Rondônia.

“Queremos fazê-lo no prazo breve”, disse a mininistra evitando fazer previsões sobre datas.

A ministra comentou ainda sobre o leilão da Usina de Santo Antonio que foi realizado na semana passada. Ela afirmou que a preocupação do governo era a de “garantir a qualidade do empreendimento” e também que o projeto fosse ambientalmente sustentável.

Dilma Rousseff participa de audiência pública na Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados para falar sobre os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a concessão de rodovias e o abastecimento de gás no sudeste do país. (MMA)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

MME: leilão de energia de biomassa será em 15 de abril

O Ministério de Minas e Energia (MME) divulgou na terça-feira (04) calendário com as datas previstas para os leilões de energia nova em 2008. Segundo o ministério, apenas a data da licitação da hidrelétrica Jirau, no rio Madeira, será divulgada separadamente.

O primeiro leilão de energia proveniente exclusivamente de fontes de biomassa está marcado para o dia 15 de abril, e não em maio, como chegou a anunciar hoje o presidente da Empresa Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim.

Este leilão, classificado pelo governo como de energia de reserva, negociará contratos para entrega a partir de 2010. A portaria que será publicada amanhã pelo governo com as datas dos leilões informa que a realização da licitação de energia de biomassa ainda depende de regulamentação.

O documento também estabelece o dia 17 de junho de 2008 para realização do leilão de energia nova para fornecimento a partir de 2011 (A-3). Outro leilão de energia nova, para fornecimento a partir de 2013 (A-5) está marcado para 16 de julho. (Estadão Online)

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Governo deve anunciar leilão de energia de biomassa

O governo pretende fazer um leilão especial de energia elétrica para o segmento de biomassa, especialmente da cana-de-açúcar, segundo o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp. De acordo com ele, até há poucas semanas a possibilidade desse leilão especial "era praticamente igual a zero", mas agora ele não se surpreenderá se o leilão for anunciado ainda este mês para ser realizado no início de 2008.

O objetivo, segundo ele, é ter essa energia disponível já a partir de 2009. Ele estima que será possível contratar cerca de 1.200 megawatts (MW) médios para 2009 "e alguma coisa a mais" a partir de 2010. A intenção do governo é aproveitar melhor o excesso de bagaço que está sendo gerado devido ao aumento da produção de açúcar e álcool.

Para o diretor do ONS, o maior problema para a contratação dessa energia era o preço, já que os usineiros encaminharam proposta ao governo prevendo uma tarifa de R$ 220,00 por MWh. "Tanto o governo quanto as usinas estão trabalhando para reduzir esses preços, que estão muito acima do que o governo previa", comentou.

O ONS, por exemplo, está avaliando formas alternativas para a interligação dessas usinas às linhas de transmissão da rede básica (redes de alta tensão). O problema básico é que as usinas geradoras são de pequeno porte, o que não justifica a construção de subestações especiais, o que encareceria os custos. Outro ponto que o governo está analisando, segundo Chipp, é a possibilidade de reduzir os impostos incidentes sobre a energia gerada a partir da biomassa.

Chipp disse que o ONS está trabalhando para aumentar a oferta de energia elétrica a curto prazo através da utilização do gás natural liquefeito (GNL). Segundo Chipp, a Petrobras assumiu o compromisso com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de disponibilizar o GNL na Região Nordeste já no primeiro semestre de 2008. Para a Região Sudeste, a previsão é de que o GNL esteja disponível no final do primeiro semestre de 2009, segundo o executivo. A Petrobras prevê ofertar 6 milhões de metros cúbicos de gás no Nordeste e outros 14 milhões de metros cúbicos no Sudeste e o ONS prevê utilizar o combustível para a geração de energia elétrica. (Estadão Online)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Para a ONS, biomassa da cana é fundamental à energia do País

Os projetos de geração de energia através da biomassa de cana-de-açúcar e os de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) são fundamentais para a segurança energética do País até 2012, quando está prevista a conclusão das usinas do Rio Madeira. Esta análise é do diretor geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp. A ONS é responsável pela coordenação e pelo controle da operação das instalações de geração e transmissão de energia elétrica no Brasil.

Para Hermes Chipp, o próximo ano seguirá sem problemas, mas a partir de 2009 o sistema necessitará de incremento. Ele informa que em breve poderá ocorrer um leilão de energia de biomassa e que os marcos regulatórios avançam neste sentido.O diretor da ONS diz que de maneira geral os níveis dos reservatórios são satisfatórios, com exceção dos da região Nordeste, que merecem mais atenção, embora tenham ocorrido chuvas nos últimos dias. Ele participou do comitê estratégico de Energia da Amcham-São Paulo, e sua entrevista foi publicada no site da entidade (www.amcham.com.br).

O administrador do ONS disse que o próximo ano de 2008 seguirá com tranqüilidade. "Em 2009, não deve ocorrer problema e agilizar os projetos de biomassa e de pequenas centrais hidrelétricas será melhor ainda porque haverá maior garantia. Se tivermos uma deficiência entre oferta e demanda conjuntural e a hidrologia for boa, não haverá problema nenhum. Mas não podemos contar com isso totalmente. Trabalhamos com medidas preventivas na operação no curto prazo e com o dimensionamento da oferta da forma mais adequada que for possível", disse. (Paraná Online)

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

EPE: leilão de coletoras de biomassa deve ser em 2008

O presidente da EPE - Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim, afirmou que o governo pretende realizar no fim de 2008 um leilão para concessão de projetos de "estações coletoras" que serão construídas para transportar a energia fabricada por usinas que processam biomassa até o sistema de transmissão.

A maior parte do potencial brasileiro de produção de energia elétrica por meio da biomassa está na utilização do bagaço da cana de açúcar. Os produtores de álcool, entretanto, vinham se queixando que não tinham como entrar no mercado de venda de energia elétrica, porque não conseguiam conexão com o sistema interligado de transmissão.

É para resolver esse problema que o governo aposta nessas futuras estações coletoras, que consistem em espécies de ramais que sairão de uma linha principal e chegarão próximas a uma região de usina de biomassa.

Neste ponto será construída uma subestação que captará a energia produzia pelas diferentes usinas instaladas naquela região. Segundo Tolmasquim, essas estações coletoras deverão futuramente viabilizar a produção de um potencial total estimado em 2.600 megawatts, principalmente em Goiás e Mato Grosso do Sul.

Tolmasquim disse que com a realização do leilão o ano que vem a expectativa é que as estações coletoras já estarão operando no início de 2010. Com isso, Tolmasquim acredita que pelo menos 2.000 megawatts de energia já poderão ser produzidos em 2010. (Estadão Online)

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Capim elefante, novo campeão em biomassa no Brasil

Por Mario Osava, da IPS

Rio de Janeiro, 09/10/2007 – A cana-de-açúcar pouco a pouco perde sua liderança em eficiência energética. Estudos do Centro de Agrobiologia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apontam o capim elefante como uma espécie de potencial imensamente superior. Sua biomassa seca pode gerar 25 unidades de energia para cada uma de origem fóssil consumida em sua produção. Por sua vez, a cana, convertida em etanol, alcança uma relação de apenas nove por uma. Mas esses dois líderes em balanço energético enfrentam desafios e caminhos distintos antes que possam competir, por exemplo, em geração de eletricidade.

O capim elefante, cujo nome científico é Pennisetum pupureum, só recentemente despertou o interesse dos grandes consumidores e empresários de energia, após décadas de pesquisa científica. Trata-se de uma gramínea semelhante à cana, trazida da África há pelo menos um século e usada como alimento para o gado. O interesse energético por está espécie foi despertado por sua alta produtividade. Enquanto o eucalipto, árvore mais no Brasil para produzir celulose e carvão vegetal, fornece 7,5 toneladas de biomassa seca por hectare ao ano, em média, e até 20 toneladas nas melhores condições, o capim alcança de 30 a 40 toneladas, afirmou à IPS o técnico Vicente Mazzarella, que estuda esta espécie desde 1991 no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), do governo do Estado de São Paulo.

Além disso, o eucalipto necessita de sete anos para atingir um tamanho conveniente para o corte, enquanto o capim oferece duas a quatro colheitas anuais, devido ao seu rápido crescimento. E sua produtividade pode ser ampliada, já que se trata de uma espécie pouco estudada e sem melhoramento genético. Tem cerca de 200 variedades e demora identificar as que se desenvolvem melhor nas diferentes condições de clima e solo, disse Mazzarella. A Embrapa Agrobiologia identificou, após 10 anos de estudos, três variedades interessantes para fins energéticos, por sua boa produtividade sem fertilização nitrogenada. A pesquisa nessa caso busca o capim menos nutritivo possível, o oposto do que se fez tradicionalmente com a intenção de alimentar o gado.

É que a presença de muitos nutrientes, como sais minerais, gera cinzas que podem danificar os fornos siderúrgicos, explicou à IPS Bruno Alves, agrônomo que participa da equipe de pesquisa do capim elefante na Embrapa Agrobiologia, liderado por Segundo Urquiaga. Por essa razão os testes foram feitos com variedades que podem crescer m solos pobres, procurando usar o mínimo de fertilizantes, mas sem sacrificar a produtividade de biomassa. O balanço energético da gramínea pode melhorar com a fixação biológica de nitrogênio disponível no ar, área em que o centro agrobiologico da Embrapa acumulou muito conhecimento nas últimas décadas, inoculando bactérias em leguminosas e na cana-de-açúcar.

A fixação limita-se ao nitrogênio que a planta precisa, eliminando-s o risco do excesso, explicou Alves, lembrando que esse fertilizante é o que mais exige energia fóssil em sua produção. Eliminando sua aplicação nas plantações evita-se a emissão de gases causadores do efeito estufa. Mas, o capim elefante também apresenta dificuldades. “Gosta de muita água”, por isso deve-se estudar sua tolerância às longas estiagens do cerrado, onde ficam as maiores extensões de terras disponíveis para o cultivo, e se mantém a produtividade com menos umidade, reconheceu Alves. Secar e compactar sua biomassa são outros desafios, admitiu Mazzarella.

O capim elefante verde contém 80% de água e não seca no meio ambiente, como o eucalipto, porque se for amontoado pode apodrecer. Sua secagem exige que seja cortado em pedacinhos e algum tipo de energia. Além disso, a compactação é indispensável para a armazenagem e o transporte, diante do grande volume do pasto seco. Por essas razões, a indústria de cerâmica aparece como o setor inicial que impulsionará o novo insumo energético. Suas fabricas medias demandam menos de 100 hectares cultivados nas proximidades, dispensando o transporte e compactação, e podem usar o capim diretamente em substituição à lenha ou ao gás natural. Outras atividades que apenas precisam de calor ou vapor também poderão aderir a essa alternativa em breve.

Entretanto, uma empresa média de eletricidade, Sykue Bioenergia, adiantou o processo e contratou a construção da primeira central termelétrica que será alimentada com capim elefante. A usina será erguida em São Desidério, no interior da Bahia, segundo informou em julho a Dedini, a empresa industrial mais conhecida por produzir centrais açucareiras e destilarias de álcool. A central da Sykue custará R$ 80 milhões e deverá iniciar suas operações em dezembro de 2008. Sua capacidade será de 30 megawatts e se abastecerá de capim elefante cultivado em quatro mil hectares. A companhia pensa em fazer 10 dessas centrais e obter créditos de carbono.

Produzir carvão a partir do capim elefante, para substituir o coque mineral ou o carvão vegetal tradicional, feito da madeira, ainda exigirá muita pesquisa. Mas a pressão ambiental e a ameaça de déficit energético no Brasil podem reduzir o tempo de seu desenvolvimento, estimulando investimentos de grandes empresas siderúrgicas e energéticas. A demanda potencial para essa alternativa de energia é imensa, segundo Mazzarella, que apontou cinco grandes mercados. Além da siderurgia interessada em um novo carvão vegetal que não cause desmatamento, estão o grupo de grandes consumidores de energia, como as indústrias de alumínio, química e de cimento, além das distribuidoras de eletricidade.

Para estes últimos setores, a energia de biomassa representa uma economia-chave, porque se trata de suprir o consumo nas horas de maior demanda, o que mais encarece seus gastos. Para a mineração, que importa carvão para transformar o ferro em pellets, especialmente para exportação, também seria uma solução econômica e ambiental. Além disso, na Europa está em franca expansão o consumo de biomassa seca e compactada, na forma de pequenos pedaços, por exemplo. Considerado a sério, pode abrir, para o Brasil, exportações comparável à do etanol, disse Mazzarella.

(Envolverde/ IPS)