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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Aquecimento global pode causar escassez de arroz, alerta FAO

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Terra destinada a produção de arroz no Vietnã (Ásia). FAO prevê ameaça das mudanças climaticas/Foto: Icrf

Um estudo feito com a participação da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) revela que a produção de arroz no mundo está sendo ameaçada pelas alterações climáticas extremas.
Segundo a agência da ONU, cerca de 3 bilhões de pessoas consomem arroz diariamente em todo o mundo. O alimento é importante para garantir segurança alimentar e combater a pobreza.

A pesquisa, que levou seis anos para ser concluída, sugere que a subida constante de temperaturas vai enfraquecer a produção nos arrozais na Ásia.

O estudo é baseado no acompanhamento da produção em 227 arrozais nos maiores produtores asiáticos, que geram mais de 90% do arroz consumido no mundo.

Os organizadores da pesquisa acreditam que a queda na produção de arroz possa levar um maior número de pessoas à pobreza e a passar fome.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Agricultura é responsável por mais de 50% das emissões de gases no Brasil

Reinhold Stephanes, ministro da Agricultura, admitiu nesta quarta-feira, 11, que o cultivo agrário emite mais da metade dos gases de efeito estufa produzidos no País. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O ministro também afirmou que o setor conseguirá economizar mais de 160 milhões de toneladas desses gases por ano com adoção de práticas, como o plantio direto, desde que haja fontes de financiamento para os produtores.

Fonte: Amazônia.org.br

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Agricultura gera 30% de emissões de CO2, diz FAO

Por Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, informou que os setores de agricultura e florestas podem desempenhar um papel maior no combate ao aquecimento global.

Segundo um estudo da FAO, 30% das emissões que causam o efeito estufa são produzidos por florestas e atividades agrícolas como o uso de fertilizantes e a liberação de gás metano.

Desmatamento

O diretor-geral assistente da FAO, Alexander Mueller, disse que o desmatamento e o setor agrícola são um dos maiores responsáveis pela mudança climática.

Mas segundo ele, com a ajuda de agricultores e de trabalhadores que se utilizam da floresta, a tendência pode ser revertida.

No estudo, a FAO pede mais investimentos nos países em desenvolvimento para treinamento de pescadores, pequenos produtores e agricultores.

Biomassa

A agência da ONU afirma que 42% da biomassa terrestre são gerenciados por agricultores e pastores de rebanhos.

Mueller afirmou que o aquecimento global já está afetando a vida de comunidades rurais em várias partes do mundo com redução de rebanhos, perda de plantações e escassez de recursos marinhos

Fonte: Envolverde/Rádio ONU

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Produtividade na agricultura é saída para preservar o clima

Por Sabrina Domingos, do CarbonoBrasil

A demanda por alimentos e biocombustíveis faz com que a fronteira agrícola se expanda pressionando áreas de preservação ambiental. A solução para essa questão é aumentar a produtividade no campo, afirmam especialistas.

A produção de alimento, a geração de energia e a preservação do clima do planeta são temas que entram em conflito quando o assunto é o uso da terra. O problema se apresenta em uma cadeia: o crescimento populacional impulsiona o consumo de grãos, que também são fonte para a geração de bicombustíveis. A necessidade cada vez maior de plantio força a expansão das barreiras agrícolas, que avançam em direção às áreas de proteção ambiental, como a Amazônia. Com o desmatamento, crescem as emissões de gases do efeito estufa, acelerando o processo de aquecimento global.

Um relatório produzido pela ONG The Nature Conservancy (TNC) e pela consultoria LMC International afirma que, até 2014, serão necessários entre 12 milhões e 54 milhões de hectares de terra para atender a demanda por biocombustível em todo o mundo. Deste total, a maior parte - entre 7 milhões e 50 milhões de hectares - virá da América do Sul.

O coordenador do Programa Agricultura e Meio Ambiente da WWF-Brasil, Luis Fernando Laranja, afirma que 33% da superfície da Terra já é utilizada para agricultura e pecuária (o que representa 55% da área habitável do planeta). “Em todo o mundo, mais áreas de terra foram convertidas em lavouras de 1945 até hoje do que nos séculos 18 e 19 somados”, avalia.

No entanto, ele não vê a necessidade de expansão agrícola como um empecilho ao desenvolvimento sustentável do agronegócio no mundo. Laranja explica que o desafio de atender a demanda se resume em produzir mais e melhor, levando em consideração a conservação dos recursos hídricos, dos solos e da biodiversidade.

“A terra ainda é utilizada de forma extremamente ineficiente no Brasil, com 75% da área destinados à pecuária bovina. Se aumentarmos em 20% a produtividade da pecuária no Brasil teremos um excedente de 40 milhões de hectares”, enfatiza.

Esse também é o caminho defendido pelo relatório da TNC e LMC. David Cleary, diretor de Estratégias de Conservação para a América do Sul da TNC e co-autor do estudo, diz que é preciso canalizar a expansão agrícola para áreas já abertas para pastagens e saber conciliar agricultura a uma pecuária mais intensiva.

“O que está em jogo é muito crítico, pois dezenas de milhares de hectares a serem desmatados para biocombustíveis representam um desastre ambiental em termos de biodiversidade e emissões de carbono para a atmosfera”, afirma.

Para que a expansão aconteça em áreas já desmatadas e não em matas nativas, os pesquisadores sugerem aumentar a densidade dos rebanhos na criação de gado e integrar melhor a pecuária e a agricultura, gerando, desta forma, mais valor para as terras já abertas. Assim, é possível evitar possíveis desmatamentos com o deslocamento da pecuária para a Amazônia, por exemplo, fixando os pecuaristas dentro do Cerrado.

“O monitoramento do uso da terra é barato e tecnicamente viável, e se torna uma base para sistemas de certificação que será estratégica para abrir fronteiras no mercado de etanol internacional”, explica Carlos Klink, coordenador da equipe de Agricultura do Programa das Savanas Centrais da TNC e co-autor do estudo.

Pressão

Neste momento a regulamentação para a importação do etanol na União Européia está em debate, e a demanda para certificação da ausência de desmatamento e impactos positivos de carbono está cada vez mais concreta.

A exigência internacional tem motivado os mercados a se adequarem a normas mais rígidas quanto à procedência dos produtos. O chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Meio Ambiente, Ariovaldo Luchiari Júnior, explica que hoje há muitos requisitos para que se consiga exportar para Europa e outros países. “É preciso cumprir exigências de práticas agrícolas, de legislação ambiental, social e trabalhista para conseguir exportar e entrar em certos mercados”, informa.

Isso faz com que os produtores adotem melhores práticas no campo para atender às exigências dos clientes, que são cada vez maiores. Luchiari diz que a conscientização tem aumentado em todo o mundo e que no Brasil várias redes de supermercados já exigem cumprimento de protocolos pelos fornecedores, que precisam ser credenciados e detalhar a identidade de origem dos produtos que comercializam.

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Agricultura e os desafios ambientais

Por Paula Scheidt, do CarbonoBrasil

A FAO fez hoje um alerta sobre as emissões de gases do efeito estufa vindas da agricultura e, a CarbonoBrasil aproveita a ocasião para lançar um especial que faz uma radiografia do problema no mundo e no Brasil.

Justamente na semana de abertura da Conferência de Mudanças Climáticas, na Polônia, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) chama a atenção do mundo para um setor responsável por 13,5% das emissões de gases do efeito estufa (GEE) e que pressiona fortemente áreas de preservação ambiental como a Amazônia.

“A agricultura e o desmatamento são os grandes contribuintes para as mudanças climáticas, mas os mesmos fazendeiros e usuários da floresta poderiam ser os principais agentes para reduzir as emissões de gases do efeito estufa”, disse hoje o assistente do Diretor Geral da FAO, Alexander Müller.

Para mostrar a real dimensão do problema no mundo e no Brasil, a CarbonoBrasil lança hoje o especial “Agricultura e os desafios ambientais”, que será publicado no decorrer do mês de dezembro.

Os GEE das florestas e agricultura somam 30% das emissões anuais totais, com o desmatamento e a degradação florestal respondendo por 17,4%, segundo dados da FAO. A agricultura responde ainda por 50% das emissões mundiais de metano, vindas dos rebanhos de animais e plantações de arroz, e mais de 75% das emissões de óxido nitroso, vindas principalmente da aplicação de fertilizantes.

O crescimento populacional impulsiona o consumo de grãos, que também são fonte para a geração de bicombustíveis. A necessidade cada vez maior de plantio força a expansão das barreiras agrícolas, que avançam em direção às áreas de proteção ambiental, como a Amazônia. Com o desmatamento, crescem as emissões de gases do efeito estufa, acelerando o processo de aquecimento global.

Müller afirmou que são necessários mecanismos financeiros para promover o potencial de mitigação de mudanças climáticas que existe nestes setores, particularmente com usuários de terra de pequena escala em países em desenvolvimento.

Algumas medidas citadas pela FAO são o uso mais eficiente de variedades nas plantações, um melhor controle de queimadas, melhorias no gerenciamento de recursos naturais, captura de biogás em granjas, restauração de terras, gerenciamento de solo orgânico e a promoção de sistemas agro-florestais.


Fonte: CarbonoBrasil

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Uma mudança contra a mudança climática

Por Emilio Godoy*

México, 1º de dezembro (Terramérica) - Os países da América Latina não conseguem definir políticas para controlar o processo de mudanças no uso dos solos, uma das causas do agravamento da mudança climática. A América Latina gera 12% das emissões mundiais de gases causadores do efeito estufa, responsáveis pelo aumento da temperatura e pela alteração do clima no planeta. Metade dessas emissões decorre do desmatamento, com México e Brasil na liderança dos poluidores da região. ‘A América Latina deve ter uma integração regional para combater o desmatamento”, disse ao Terramérica o senador brasileiro Renato Casagrande.

A mudança no uso do solo foi um dos temas centrais abordados por 77 legisladores da região, em uma reunião da Organização Global de Legisladores para o Equilíbrio Ambiental (Globe), que terminou no dia 23, na capital mexicana. O encontro, patrocinado pelo Congresso do México, Banco Mundial e as não-governamentais Aliança de Comunicadores para o Desenvolvimento Sustentável e União Internacional para a Conservação da Natureza, deu um passo concreto com a implementação da Comissão Internacional sobre Mudanças no Uso da Terra e dos Ecossistemas.

“Espero que a Comissão apresente um conjunto claro de medidas que os parlamentares possam adotar por meio de regulamentações, incentivos fiscais ou leis”, disse Casagrande. “Assim avançaremos para um sistema econômico que incentive um uso sustentável da terra”, acrescentou. Em sua declaração de 16 pontos, os parlamentares reconhecem que o desmatamento deve ocupar um lugar prioritário nos planos de ação, em especial se forem consideradas as oportunidades efetivas e de baixo custo associadas às medidas que forem adotadas a respeito e os importantes benefícios paralelos para as comunidades locais e a biodiversidade.

América Latina e Caribe possuem mais de 33% da biomassa florestal do mundo, 50% das selvas e 65% da biomassa florestal tropical. “Devemos estar mais ativos em pesquisa, instrução, capacitação e educação, especialmente das pessoas que sobrevivem do campo e do meio ambiente”, disse ao Terramérica a deputada hondurenha Mary Flores. A Comissão tem como propósito atrair a atenção internacional para os dois principais problemas que surgem com a mudança de uso do solo: a perda de biodiversidade e a degradação dos ecossistemas. Em suas primeiras deliberações, os integrantes da Comissão analisaram o estado dos ecossistemas e as causas de sua degradação.

O México, por exemplo, perde anualmente cerca de 500 mil hectares de florestas e a Nicarágua outros 75 mil. A Avaliação dos Ecossistemas do Milênio, elaborada por 1.360 especialistas de 95 países, indicou, em 2005, que nas três décadas transcorridas entre 1950 e 1980 destinou-se mais terras à agricultura do que entre 1700 e 1850. Hoje, os sistemas de cultivo incluem um quarto da superfície terrestre. Segundo esse estudo, até 1990 havia sido alterada a metade da área de seis dos14 biomas analisados, ecossistemas que ocupam grandes extensões planetárias.

Os mais afetados foram os das florestas tropicais e subtropicais. “Alteramos os ecossistemas nos últimos 50 anos mais do que em qualquer fase anterior da história humana”, disse Jonathan Baillie, chefe de Programas de Conservação da britânica Sociedade de Zoologia. “A Comissão pode ser uma proposta global que respeite as características especiais de cada região. Além disso, pode representar um compromisso dos países de reduzir as emissões devido ao desmatamento”, enfatizou Casagrande.

A declaração da reunião da Globe, primeira realizada na América Latina, será apresentada na Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática, que acontecerá nos dias 9 e 10 de dezembro, na cidade polonesa de Poznan. A Comissão funcionará inicialmente com financiamento de US$ 1 milhão procedentes do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e do Fundo para o Meio Ambiente Mundial.

“Podemos ter uma postura regional (sobre desmatamento), mas são necessárias medidas muito rígidas, alternativas viáveis para desenvolver no curto prazo, para que haja alguma efetividade”, disse Flores, vice-presidente do Congresso hondurenho. Até 2050, a região poderia perder 11% das áreas naturais existentes devido à agricultura, ao crescimento da infra-estrutura e à mudança climática.

* O autor é correspondente da IPS.

LINKS

Mudança climática-América Latina: Números que assustam
http://www.ipsnoticias.net/nota.asp?idnews=90559

Ambiente-América Latina: Legislar entre duas tempestades
http://www.ipsnoticias.net/nota.asp?idnews=90555

Agricultura brasileira redesenhada
http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=port&idnews=141

Terras indígenas se transformam em desertos
http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=port&idnews=638

Organização Global de Legisladores para o Equilíbrio Ambiental, em inglês
http://www.globeinternational.org/

Congresso legislativo do México
http://www.congreso.gob.mx/

Banco Mundial
http://www.bancomundial.org/

União Internacional para a Conservação da Natureza, em inglês
http://www.iucn.org/

Avaliação dos Ecossstemas do Milênio
http://www.millenniumassessment.org/es/index.aspx

Crédito de imagem: Olbinski - The Arbitrary Change Of The Season

Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.


Fonte: Terramérica

Mudança climática: Carbono por alimentos

Por Busani Bafana, da IPS

Nairóbi, 01/12/2008 – O comércio de carbono pode se converter em uma garantia de segurança alimentar na África, se a comunidade internacional reconhecer que a agricultura sustentável e a preservação das selvas contribuem para minimizar a mudança climática. Não há dúvidas de que a mudança climática é uma ameaça. A África é responsável por apenas 3,8% da concentração de gases causadores do efeito estufa, mas será a região mais prejudicada do planeta. A maioria dos cientistas atribui a esses gases, como o dióxido de carbono, óxido nitroso e metano, o atual ciclo de aquecimento da atmosfera, que produz grandes alterações climáticas.

O continente tem mecanismos e recursos limitados para minimizar e adaptar-se às mudanças causadas por esse fenômeno. Entre as atividades paliativas figura o cultivo de diferentes vegetais que compensem as expressões locais da mudança climática e a proteção de zonas costeiras diante da elevação do mar. A delegação do Mercado comum da África Oriental e Austral (Comesa) exigirá mudanças no funcionamento do mercado de carbono na conferência da Organização das Nações Unidas sobre mudança climática, aberta hoje na cidade polonesa de Poznan.

Os mercados de carbono são um mecanismo previsto no Protocolo de Kyoto da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança Climática, segundo o qual países e empresas, especialmente do setor de energia, podem adquirir o direito de emitir gases de efeito estufa em troca de financiamento de projetos que minimizem o fenômeno. “Mais de quatro bilhões de pessoas nos países em desenvolvimento, que dependem da agricultura, estão excluídas desse mecanismo. A África deve utilizar o comércio de carbono para conseguir a segurança alimentar, em risco”, ressaltou o secretário-geral da Comesa, Sindiso Ngwenya, em uma conferência do bloco realizada no mês passado na capital do Quênia.

No contexto do mercado de carbono estabelecido no Protocolo de Kyoto, as empresas que superam seus limites de emissões de gases de efeito estufa podem investir em projetos limpos no Sul, enquanto ganham tempo para reduzir sua própria contaminação. É aí que entram os pequenos agricultores africanos. Se forem reconhecidas a importância do cultivo sustentável e a preservação das selvas, os contaminantes dos países ricos poderão comprar créditos de carbono dos camponeses deste continente. O mercado global de carbono cresce. O volume de 2007 é estimado em cerca de US$ 30 bilhões, duas vezes e meia a ajuda que a África recebe.

Os participantes da reunião de Nairóbi exortaram a União Européia a rever seu Plano de Comércio de Emissões, que apenas permite às companhias dos 27 países do bloco comprar créditos de carbono de empreendimentos industriais, não de projetos florestais, agrícolas ou agro-florestais. A África ficou fora do mecanismo porque a UE considera que a indústria deste continente é muito pequena (e com escassas emissões de dióxido de carbono) para poder ter direito aos créditos de carbono. A diretora-geral da Rede de Análise de Políticas de Agricultura e Recursos Naturais (Fanrpan), Lindiwe Majele Sibanda, cobrou da África que pressione para que a agricultura sustentável seja incluída no comércio de carbono.

“A menos que o convênio que suceder o Protocolo de Kyoto valorize a contribuição da agricultura sustentável pode dar para o mercado de carbono, a África continuará marginalizada”, disse Sibanda. No contexto acordado em Kyoto, no Japão, em 1997, vigente desde 2005, 36 países industrializados (menos os Estados Unidos, que retiraram sua assinatura do tratado em 2001) se comprometeram a reduzir sua emissão de gases de efeito estufa em pelo menos 5,2% até 2012, em relação às concentrações registradas em 1990.

A Comesa deu mandato à Fanrpan para que coordene a Iniciativa sobre a Mudança Climática da Sociedade Civil Africana por uma Política de Diálogo (ACCID). O projeto prepara governos e organizações para que trabalhem no sentido de o convênio que substituir o Protocolo de Kyoto inclua a agricultura sustentável e a preservação das florestas. Se continuarem excluídas – disseram os delegados – os esforços para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e combater a mudança climática podem ser estéreis. É preciso pagar às nações em desenvolvimento para que cuidem de suas florestas, acrescentaram.

Os créditos de carbono podem triplicar o valor das florestas existentes, bem como converter-se em uma boa iniciativa para incluir mais terras nos programas de reflorestamento, insistiu Eric Bettelheim, diretor-executivo da organização britânica Sustainable Forestrey Management (Gestão Florestal Sustentável). A África poderia receber cerca de US$ 10 bilhões pela venda de aproximadamente 500 mil toneladas de carbono, a US$ 20 a unidade, acrescentou Bettelheim.

“Essa quantia pode transformar a economia dos países africanos porque é comércio, não ajuda”, insistiu o especialista. “Os agricultores pobres devem receber mais dinheiro e conseguir maior produtividade ou não serão uma solução para o aquecimento do planeta, e não funcionarão o próximo convênio internacional nem os ecossistemas florestais até o final do século”, concluiu Bettelheim. (IPS/Envolverde)


Fonte: IPS

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Estudo prevê menos áreas para plantio e saúde pior no Nordeste em função de mudanças do clima

Por Alana Gandra, da Agência Brasil

Rio de Janeiro - A escassez ou limitação da disponibilidade de terras para a agricultura, com repercussão negativa sobre a saúde da população, é um dos cenários traçados para o Nordeste brasileiro por um estudo elaborado para a Embaixada Britânica pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e pelo Centro de Pesquisas René Rachou, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Segundo informou o coordenador da equipe do Cedeplar/UFMG, Alisson Barbieri, a pesquisa Migrações e Saúde: Cenários para o Nordeste Brasileiro-2000-2050 mostra que “a escassez de alimentos vai depender da capacidade de resposta do governo e das instituições de transferir renda para os habitantes do Nordeste”.

Esse é o primeiro estudo realizado no mundo que envolve em uma visão integrada as variáveis demográfica, econômica e climática para explicar cenários futuros, disse o professor. As mudanças climáticas em curso no planeta tendem a afetar com maior intensidade, no Brasil, as populações mais vulneráveis a esses fatores, que estão localizadas sobretudo no Nordeste do país, incluindo os migrantes.

Daí, o estudo sinalizar para a urgência de que se comece a pensar em programas ou políticas de adaptação que atendam essas populações mais vulneráveis e minimizem os impactos das mudanças do clima, disse Barbieri. Essas adaptações abrangeriam várias vertentes. Uma delas seria o investimento em tecnologia para adaptação dos cultivos agrícolas à nova realidade. Outro mecanismo diz respeito ao papel do estado, através dos programas de transferência de renda. Outras alternativas teriam cunho econômico local.

“Basicamente, essas seriam três respostas em termos de adaptação muito forte nesse cenário futuro até 2050”, enfatizou Barbieri. Os mecanismos, além de garantir a subsistência da população, poderiam dar condições para sua manutenção na própria região, evitando, ou pelo menos minimizando, a migração dos nordestinos, sobretudo para o Sudeste do país.

O coordenador da pesquisa destacou que a limitação do potencial de produção agrícola nessas regiões teria, eventualmente, impacto sobre a renda e o nível de emprego. E, em conseqüência, sobre a disponibilidade de aquisição de alimentos. No mque diz respeito à saúde, o estudo demonstra que deve aumentar a vulnerabilidade de algumas populações em função da ressurgimento de algumas doenças transmitidas por vetores, como a leishimaniose, e doenças que afetam principalmente crianças, pela contaminação de água e a falta de saneamento.


Fonte: Envolverde/Agência Brasil

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Mudança climática pode alterar área cultivo agrícola do Brasil

Por Redação da Agência Brasil

Brasília - As mudanças climáticas causadas pelo aquecimento global podem forçar a migração de culturas agrícolas típicas de determinadas regiões do Brasil. O Alerta do especialista em mudanças climáticas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Carlos Nobre ao falar no Painel Intergovernamental da ONU para a Mudança Climática (IPCC).

"O Brasil é uma potência agrícola, que tem um potencial muito grande a ser explorado, talvez o maior do mundo. E as mudanças climáticas diretamente afetam a agricultura", disse Nobre a jornalistas após apresentação na sede do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em Brasília. Com a elevação de temperuatura será possível produzir café até mesmo em estados dos Sul, como Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Além da agricultura, segundo o pesquisador, a saúde da população também deve ser impactada pelas mudanças no clima. "Os Estados mais frios, que não tem um problema muito grave ainda de doenças transmitidas por vetores --insetos como os de malária, dengue e outras--, vão ter um clima adequado em 50 anos", comentou.

O desmatamento é o principal responsável pelas emissões brasileiras dos gases do efeito estufa e, nesta quarta-feira, dados do Inpe apontaram queda no desmatamento da Amazônia, para 587 quilômetros quadrados em setembro, contra os 756 quilômetros quadrados do mês anterior.

"Tenho dois recados sérios: precisamos reduzir muito as emissões e precisamos reduzir já", disse Martin Parry, um dos coordenadores do painel, para quem um atraso de 10 anos na tomada de providências contra as emissões resultará no aumento de 0,5 grau Celsius na temperatura média do planeta.

Fonte: Envolverde/Agência Brasil

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Aquecimento global vai afetar a agricultura brasileira, segundo Unicamp e Embrapa

Por Gilberto Costa, da Agência Brasil

Brasília - Estudo científico publicado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) projeta que a mudança climática da Terra poderá afetar o mapa agrícola do Brasil. O aquecimento global poderá forçar a migração de culturas, a diminuição de área de cultivo e maior pressão sobre a chamada área de “fronteira agrícola” entre o Cerrado e a Amazônia.

As regiões mais afetadas são Sul, Sudeste e Nordeste do país, o que pode resultar na transferência de culturas para as áreas agricultáveis da Amazônia Legal e no aumento do fluxo migratório para a região. Segundo o coordenador do estudo, Hilton Silveiro Pinto, áreas agricultáveis da Amazônia “não deverão sofrer qualquer problema”.

A Embrapa Informática Agropecuária e o Cepagri (Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas da Unicamp) fizeram projeções para 2020, 2050 e 2070 e construíram dois cenários para as culturas de algodão, arroz, café arábica, cana-de-açúcar, feijão, girassol, mandioca, milho e soja.

No cenário mais pessimista, as temperaturas vão subir em diferentes regiões de 2 a 5,4 graus célsius. No cenário menos negativo, a variação é de 1,4 a 3,8 graus célsius.

À exceção da cana-de-açúcar e da mandioca, as projeções prevêem que todas as demais culturas estudadas sofrerão impactos negativos com o aquecimento da temperatura no planeta. Segundo o estudo “Aquecimento Global e Cenários Futuros da Agricultura Brasileira”, algumas plantas podem até continuar crescendo com a mudança climática, mas sem florescer e gerar frutos.

O estudo contabiliza que, se nada for feito para reverter o aquecimento, a agricultura brasileira poderá perder até R$ 7,4 bilhões ao ano, a partir de 2020, com a diminuição da safra de grãos. Em 2070, o prejuízo poderá contabilizar até o dobro e chegar a R$ 14 bilhões/ano. Nessa hipótese, a soja (que, na safra 2007/2008, colheu 61 milhões de toneladas de grãos) é a cultura mais prejudicada: os pesquisadores estimam uma perda de área agricultável de até 40%.

No caso da cana-de-açúcar e da mandioca, o efeito é o contrário: o aquecimento aumenta o volume de terras com clima adequado para a plantação.

O presidente da Comissão Nacional do Meio Ambiente da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Assuero Doca Veronez, criticou projeções feitas com pesquisas climáticas e opinou que o cálculo está distorcido. “Eles analisam só as culturas que têm prejuízo, mas avaliando só as culturas que terão prejuízo não avaliam, por exemplo, o impacto positivo no caso da cana”, pondera.

O coordenador do estudo, Hilton Silveiro Pinto, afirmou que a pesquisa quer evitar qualquer “terrorismo climático” e associou a preservação com a agricultura como forma de combate ao aquecimento global. “Nós temos grandes processos de mitigação e adaptação que hoje se mostram práticas totalmente viáveis de seqüestro de carbono e que evitam danos à agricultura, fazendo arborização e cultivo, integrando pecuária, lavoura e floresta”, defendeu.

Para o pesquisador sênior do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), Paulo Barreto,o estudo mostra que é “melhor prevenir do que remediar” o aquecimento global, e uma forma de fazer isso é resolvendo o problema fundiário da Amazônia. “A principal medida é reduzir o desmatamento na Amazônia. O estudo reconhece que já tem tecnologia para melhorar a qualidade da pastagem, ou seja, criar mais gado nas pastagens que já foram abertas”.

Além do combate ao desmatamento e às queimadas; os pesquisadores da Unicamp e da Embrapa assinalam que medidas como o plantio direto na palha (sem aragem) podem mitigar os efeitos do aquecimento. Outra possibilidade, criticada por ambientalistas, é a produção de sementes geneticamente modificadas, que gerem plantas mais resistentes ao aumento das temperaturas.

Não há unanimidade na comunidade científica sobre as causas do aquecimento global. O painel intergovernamental das Nações Unidas atribui o aumento de temperatura à emissão de gases que eliminam a camada de ozônio que protege a Terra de raios solares. O Brasil é considerado um grande emissor desses gases por causa do desmatamento das florestas.

Outros cientistas não vêem na ação do homem razões suficientes para o aumento do aquecimento, e explicam o fenômeno com base no aumento da intensidade dos raios solares e dos ciclos da Terra, entre outros fatores. Para alguns, o aquecimento pode até aumentar a quantidade de chuvas em algumas áreas.

Para fazer as projeções, os pesquisadores da Unicamp e da Embrapa produziram mapas climáticos dividindo o território nacional em áreas de 50 quilômetros quadrados. O estudo levou 10 meses e custou R$ 530 mil financiados pela Embaixada Britânica.


(Envolverde/Agência Brasil)

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Aquecimento global vai provocar queda na produção agrícola brasileira

Por Alana Gandra, da Agência Brasil

Perdas nas safras com aquecimento global podem superar R$ 7 bilhões em 2020, alerta estudo.

Rio de Janeiro - O aumento da temperatura global vai provocar crescimento menor da agricultura brasileira nos próximos anos. Essa é uma das conclusões do estudo “Aquecimento Global e Cenários Futuros da Agricultura Brasileira”, elaborado em parceria pela Universidade de Campinas (Unicamp) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

O engenheiro agrônomo Hilton Silveira Pinto, diretor do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), da Unicamp, um dos coordenadores da pesquisa, disse à Agência Brasil que o estudo detectou a possibilidade de quebra da produção agrícola, principalmente de grãos.

“Das culturas que nós vimos até agora, apenas a cana-de-açúcar é que sai ganhando, pelo menos até 2050. Nas outras culturas, a área [plantada] diminui e a produtividade diminui”. Ao contrário do que muitos poderiam pensar, essa expansão projetada para a cana não se deve à produção de etanol. “O etanol é conseqüência”, afirmou Hilton Silveira.

Ele esclareceu que a produção de cana vai aumentar porque a modificação climática continua sendo adequada a essa cultura. “O etanol vai sair ganhando porque o clima vai favorecer a produção de cana”.

A mandioca é outro produto que não sairá perdendo com o aquecimento global, segundo o engenheiro agrônomo. Embora o Nordeste deixe de produzir mandioca, também conhecida como aipim ou macaxeira, essa raiz poderá ser cultivada na Amazônia, ainda que não imediatamente.

Isso ocorrerá “acima de um limite de anos em que a diminuição das chuvas na região permita [que se cultive] a mandioca”. Hilton Silveira estima que depois de 2020 e até 2050 serão criadas condições mais propícias para o cultivo de mandioca na Amazônia.

O estudo da Unicamp/Embrapa será divulgado hoje (11) à tarde no 7º Congresso Brasileiro do Agribusiness, em São Paulo e, segundo Silveria, não tem o objetivo de criar “terrorismo climático”.

“O que a gente está querendo é mostrar que tecnologias a serem desenvolvidas podem fazer com que o fantasma do aquecimento global na agricultura não seja tão ruim. A gente pode adaptar culturas, pode perder plantio ou produção de soja no Sul, por exemplo, e ganhar em cana-de-açúcar”.

O engenheiro agrônomo destacou também a necessidade de que as mudanças do clima preparem as autoridades para outro problema da maior relevância no Brasil, que são as migrações sociais e as dificuldades que isso representará na área da saúde.

Outro problema apontado pelo pesquisador da Unicamp é o fato de que “o Brasil tem uma mania muito grande de deixar acontecer para depois correr atrás”. Daí o alerta que está sendo feito para que o governo e a sociedade possam adotar medidas preventivas com bastante antecedência.

Silveira ressaltou que a única instituição que liberou recursos para trabalhos de pesquisa na área da agricultura e mudanças climáticas foi a Embrapa. Nas demais, “fala-se muito e age-se pouco”, criticou. Ele enfatizou que é preciso que o Brasil atue da mesma forma que países desenvolvidos, como Estados Unidos e Inglaterra, e passe a agir imediatamente para minimizar os efeitos do aquecimento global.

Ele criticou também o fato de os dados climáticos existentes não serem disponibilizados pelos órgãos oficiais do setor, como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e a Secretaria Estadual de Agricultura de São Paulo, o que prejudica os trabalhos dos pesquisadores.

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Perdas nas safras com aquecimento global podem superar R$ 7 bilhões em 2020, alerta estudo


Rio de Janeiro - As perdas nas safras de grãos, causadas pelas mudanças climáticas, poderão chegar a R$ 7,4 bilhões em 2020, dobrando para R$ 14 bilhões em 2070, de acordo com o estudo “Aquecimento Global e Cenários Futuros da Agricultura Brasileira”.

A pesquisa foi realizada pela Universidade de Campinas (Unicamp) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Os resultados serão divulgados hoje (11) pelas instituições na abertura do 7º Congresso Brasileiro do Agribusiness, em São Paulo.

Segundo informou à à Agência Brasil o engenheiro agrônomo Hilton Silveira Pinto, da Unicamp, esse valor foi estimado em função da diminuição da área de produção e da produtividade.

O café, por exemplo, apresenta tendência de sair das áreas tradicionais, que são os estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná e passar a ser cultivado no Sul da Bahia, em 2050. A diferenciação é obtida na comparação das extensões que são perdidas com as novas áreas de produção.

A agricultura brasileira já vem experimentando queda da produção de algumas culturas. Hilton Silveira chamou a atenção para o fato de que a compensação tecnológica pode minimizar os efeitos do aquecimento global, projetado já para o ano de 2020.

Ele explicou que um pequeno aumento da área de cultivo, acompanhado do grande aumento da produtividade promove essa compensação. “Se você aplicar técnicas corretas e desenvolver novas variedades, certamente pode compensar [os efeitos do]aquecimento global com novas tecnologias. Esse é o caminho que nós indicamos”.

As projeções mostram que as perdas serão de até R$ 8 bilhões para a soja em 2070. Esse valor corresponde à metade das perdas previstas para a agricultura na ocasião.

No cenário mais otimista estabelecido pelo estudo, as culturas analisadas, excluindo cana e mandioca, devem experimentar um prejuízo anual de produção que varia de R$ 6,7 bilhões, em 2020, até R$ 12,2 bilhões, em 2070. Em contrapartida, o país “poderá ganhar entre R$ 17 bilhões e R$ 18 bilhões com a cana-de-açúcar”, disse Silveira. (AG)

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Mudanças do clima poderão afetar exportações de carne do Brasil

Rio de Janeiro - A exportação de carne brasileira poderá sofrer retração por efeito das mudanças climáticas, afirmou em entrevista à Agência Brasil o diretor do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Universidade de Campinas (Unicamp), Hilton Silveira Pinto. Em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), ele coordenou estudo sobre o aquecimento global e os impactos sobre a agricultura nacional.

Hilton Silveira afirmou que o aumento das temperaturas poderá afetar as condições das pastagens para desenvolvimento do gado de corte. “Esse é um grande problema. A produção de alimento animal tende a diminuir”.

Com o aumento da seca, o custo de produção de carne deve subir de 20% para 45%, relata a pesquisa. Com isso, o custo médio de produção da carne no Brasil, que hoje é de cerca de US$ 1,60 o quilo, poderá passar para US$ 2,88, no melhor cenário de aquecimento global. Em cenário mais pessimista, o custo poderá chegar a US$ 4,16 o quilo.

De acordo com o estudo da Unicamp/Embrapa, nessas condições o pecuarista brasileiro perderá competitividade para os produtores de outros países, como os Estados Unidos, onde a tendência é que as mudanças de clima surtam efeitos mais moderados nas pastagens.

A pesquisa será divulgada nesta segunda-feira (11), em São Paulo, na abertura do 7º Congresso Brasileiro do Agribusiness, promovido pela Associação Brasileira de Agribusiness (ABAG). O tema central do evento é Agronegócio e Sustentabilidade. (AG)


(Envolverde/Agência Brasil)

Estudo avalia impacto do aquecimento global na agricultura

O aquecimento global poderá provocar uma mudança significativa no mapa da agricultura brasileira, gerando a redução de áreas produtoras e prejuízos econômicos de cerca de R$ 7,4 bilhões em 2020 e de R$ 14 bilhões em 2070.

Os resultados fazem parte do estudo “Aquecimento Global e Cenários Futuros da Agricultura Brasileira”, que avalia o impacto do aumento da temperatura sobre a agricultura em 2020, 2050 e 2070. A pesquisa avaliou as seguintes culturas: algodão, arroz, feijão, café, cana-de-açúcar, girassol, mandioca, milho e soja.

Coordenado por Hilton Silveira Pinto, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Universidade de Campinas (Unicamp), e Eduardo Delgado Assad, da Embrapa Informática Agropecuária, o trabalho contou com a colaboração de 19 pesquisadores e com o apoio da Embaixada do Reino Unido.

O estudo avalia que, se nada for feito para mitigar os efeitos das mudanças climáticas ou adaptar as culturas para a nova situação, deve ocorrer uma migração da produção agrícola para regiões que hoje não são de sua ocorrência em busca de condições climáticas melhores. Os autores, todavia, lembram que a agricultura pode ter um papel importante na mitigacão e na adaptação aos impactos das mudanças climáticas.

Metodologia do trabalho

O trabalho foi feito com base na tecnologia de Zoneamento de Riscos Climáticos, uma política pública que orienta toda a estrutura de crédito agrícola do Brasil, uma vez que informa qual o nível de risco de mais de 5.000 municípios brasileiros para as culturas mais comuns do país.

A partir do zoneamento de 2007 para essas culturas, foram simulados os cenários agrícolas do Brasil para 2010 (representação mais próxima das condições atuais), 2020, 2050 e 2070, diante das perspectivas de aquecimento global. Para isso, foram consideradas as projeções de aumento de temperatura do quarto relatório de avaliação do IPCC divulgado no ano passado. Para realizar o estudo, os pesquisadores adotaram os cenários A2 - o mais pessimista, que estima um aumento de temperatura entre 2°C e 5,4ºC até 2100 - e o B2 - um pouco mais otimista, que prevê um aumento de temperatura entre 1,4°C e 3,8ºC em 2100.

Com essas temperaturas, os pesquisadores do CPTEC (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos), órgão ligado ao INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), simularam os cenários climáticos futuros no Brasil. Ou seja, como estará o clima de cada município do país em 2020, 2050 e 2070 nos dois cenários.

Nova geografia da produção

Nesta nova geografia prevista para a agricultura brasileira, o Nordeste sofrerá um forte impacto com o aumento das temperaturas. Toda a área correspondente ao agreste nordestino, hoje responsável pela maior parte da produção regional de milho, e a região dos cerrados nordestino – sul do Maranhão, sul do Piauí e oeste da Bahia, onde predomina o cultivo da soja – poderão ser as mais atingidas, enquanto a mandioca corre o risco de desaparecer do Semi-Árido nordestino.

No Sudeste, o aquecimento do clima vai afetar principalmente o café, que terá poucas condições de sobrevivência nesta área. Por outro lado, a região Sul, que hoje é mais restrita às culturas adaptadas ao clima tropical por causa do alto risco de geadas, deverá se tornar propícia ao plantio da mandioca, de café e de cana de açúcar, mas não mais de soja.

Já alguns locais do Centro-Oeste, que apresentam um alto potencial produtivo, devem permanecer como áreas de baixo risco, porém cada vez mais dependentes de irrigação complementar no período mais seco.

A soja, principal produto agrícola exportado pelo país, com produção de cerca de 52 milhões de toneladas/ano e valor de produção de R$ 18,4 bilhões, conforme dados de 2006 do IBGE, poderá sofrer uma perda econômica de R$ 4 bilhões em 2020, resultado de uma redução de quase 24% da área apta para plantio no Brasil. As perdas podem chegar a R$ 7,6 bilhões em 2070, decorrente de uma diminuição de 40% da área apta para o plantio. A região que mais deve sofrer os impactos é a região Sul.

Tomando como base a produção brasileira de café, de cerca de 2,5 milhões de toneladas e valor de produção de R$ 9,3 bilhões, segundo dados de 2006 do IBGE, o aquecimento global deve trazer prejuízos para a cultura de pelo menos R$ 882 milhões em 2020, com uma queda de área apta ao plantio de 9,48%. No cenário mais pessimista (A2) – a queda de área de baixo risco atinge 33% em 2070, o que representa um prejuízo de R$ 3 bilhões.

Atualmente, o Estado de maior produção de café no Brasil é Minas Gerais, seguido pelo Espírito Santo, Bahia, São Paulo e Paraná. Entretanto, com as mudança climáticas previstas, é possível que o café não tenha muita chance de sobreviver no Sudeste, migrando para a região Sul.

A previsão para a mandioca é que o aumento da temperatura não será vantajoso para a cultura em todo o país. Em torno de 2020, o Semi-Árido nordestino deverá deixar de ser um local de baixo risco e outras regiões ainda não estarão quentes o suficiente para seu cultivo.

A perda de área da mandioca deve ser de 3,1%, com um prejuízo de R$ 137 milhões. Nas décadas seguintes, a situação melhora para a raiz, que encontrará áreas mais favoráveis no Sul do país por conta da redução do risco de geada e na Amazônia, pela diminuição do excedente hídrico. O aumento da área apta começa com 7,29% em 2050, chegando a 16,61% em 2070, no cenário B2. No cenário A2, o avanço da área chega a 13,49% a mais em 2050 e 21,26% em 2070, com ganhos de R$ 589 milhões a R$ 929 milhões.

Com produção de cerca de 11,5 milhões de toneladas registrada em 2006 pelo IBGE, o arroz é considerado uma cultura de alto risco devido à extrema sensibilidade às variações climáticas. Atualmente, a maior produção do arroz se encontra em regiões com níveis de chuvas mais propícios, em especial no centro-norte do Mato Grosso.

Para 2020, o arroz poderá ter um prejuízo de R$ 417 milhões e uma redução em sua área apta para o plantio de quase 10% nas áreas produtoras. Em 2070, as perdas deverão estar em torno de R$ 600 milhões nos dois cenários.

Segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a safra brasileira de feijão em 2006/2007 foi de 3,52 milhões de toneladas, praticamente estável em relação à safra anterior. Usando esses dados como referência, a perda prevista deverá ser de R$ R$ 155 milhões, em decorrência de uma redução de 4,3% de área apta ao plantio em 2020, podendo chegar a prejuízos de R$ 473 milhões, com redução da área de baixo risco de até 13,3%. A queda deverá ser maior na região Nordeste.

Área potencial da cana pode aumentar

Das culturas avaliadas, a cana de açúcar deverá ser a mais favorecida até o final do século XXI. A cultura, que hoje conta com uma área plantada de cerca de 6 milhões de hectares, terá uma área potencial de 17 milhões de hectares em 2020 no cenário B2 Com essa expansão, o valor da produção, que em 2006 era de quase R$ 17 bilhões, poderá subir para R$ 29 bilhões em 2020 no B2.

Áreas do Sul do Brasil, hoje com restrições ao cultivo da cana, podem se transformar em regiões de potencial produtivo dentro de 10 a 20 anos. Locais do Centro-Oeste, que hoje apresentam um alto potencial produtivo, devem permanecer como áreas de baixo risco, porém serão cada vez mais dependentes de irrigação complementar no período mais seco. Com o aumento da temperatura nas décadas seguintes, a cultura precisará mais de irrigação, e a área total deve cair para 15 milhões de hectares até 2070 no cenário B2, diminuindo o rendimento para R$ 24 bilhões.

Já no A2, a cana deverá ter uma área potencial de 16 milhões de hectares, decrescendo para 13 milhões até 2070. Neste cenário, o valor da produção pode subir para R$ 27 bilhões em 2020, regredindo para R$ 20 bilhões em 2070.

Soluções


De acordo com o professor Eduardo Assad, “o estudo permitiu identificar de que maneira a agricultura brasileira poderá ser atingida pelas mudanças climáticas. No primeiro momento, a situação poderá ser muito difícil de ser contornada. Entretanto, em função do grande conhecimento que o país tem hoje em relação às tecnologias em agricultura tropical, soluções biotecnológicas poderão ser adotadas para contornar os impactos nos próximos 20 anos”.

Para os pesquisadores da Embrapa e da Unicamp, métodos alternativos de lidar com a agricultura e a pecuária podem reduzir as emissões do setor e ajudar até mesmo a tirar da atmosfera os gases de efeito estufa, ajudando a diminuir o problema.

“Paralelamente a isso, e visando reduzir as emissões de gases de efeitos estufa, ações de mitigação podem ser imediatamente adotadas, como a redução das queimadas e do desmatamento, adoção de práticas agrícolas altamente eficientes no seqüestro de carbono como o plantio direto, e a integração lavoura e pecuária”, comentou o professor Hilton Silveira Pinto. Essas ações de mitigação, segundo ele, são talvez o maior diferencial que o Brasil tem hoje face as questões das mudanças climáticas. “O Brasil é um dos poucos, senão o único país do mundo com área e tecnologia capazes de ter escala na redução das emissões de gases de efeito estufa”, complementou.


Entevista coletiva:
Divulgação do estudo “Aquecimento Global e Cenários Futuros da Agricultura Brasileira”
Dia: 11/ 8 /2008
Hora: 13 h
Local: Hotel WTC – Av. das Nações Unidas, 12.559 – São Paulo


(Envolverde/Embrapa)

Agricultura pode se transformar em solução, diante das mudanças do clima

Por Alana Gandra, da Agência Brasil

Rio de Janeiro - Apesar de ser considerada uma das vilãs do aquecimento global, a agricultura pode passar a ser vista como uma solução, diz a pesquisa “Aquecimento Global e Cenários Futuros da Agricultura Brasileira”.

O estudo será divulgad nesta segunda-feira (11) pelos pesquisadores Hilton Silveira Pinto e Eduardo Delgado Assad, da Universidade de Campinas (Unicamp) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), no 7º Congresso Brasileiro do Agribusiness, em São Paulo.

Em entrevista à Agência Brasil, Hilton Silveira destacou que há cerca de dois anos, a pior vilã agrícola no Brasil era a cana-de-açúcar, porque estava vinculada às queimadas, que aumentam as emissões de gás carbônico (CO2) na atmosfera.

“Hoje, com a tecnologia que temos, a cana-de-açúcar é, vamos dizer, a menina mais boazinha da agricultura. Ela consegue seqüestrar [capturar] em todo o ciclo industrial quase um terço da energia fornecida em carbono”, afirmou o pesquisador.

Isso significa que a cana está fazendo com que a taxa de carbono atmosférica caia, apesar de todo o processo agro-industrial. Outras culturas também ajudam a incorporar muito mais CO2 ao solo.

“Então, a agricultura não é mais a bandida. Ela passa a ser a mocinha da história”. Graças às modernas tecnologias, as coisas que eram analisadas anteriormente como ruins ganham uma nova percepção.

Hilton Silveira é diretor do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), da Unicamp. Segundio ele, o plantio direto evita a queimada e faz com que a área cultivada com milho ou soja, por exemplo, absorva durante um ano cerca de 500 quilos de CO2 por hectare. Antigamente, isso não ocorria. “Você queimava a mata para fazer agricultura. Aí, sim, estava causando aumento de CO2. Hoje, não mais”.

O estudo traça dois cenários para a agricultura, diante da perspectiva de mudanças climáticas, um mais pessimista e outro mais otimista. Hilton Silveira analisou que o mundo todo vai ser forçado a caminhar para o cenário mais otimista.

“Porque, se caminhar para [o cenário pessimista], há indicações muito seguras hoje de que o pior cenário já está pior do que se imaginava. Ou seja, os modelos que foram feitos, como os que nós seguimos, já estão um pouco atrasados. Porque o aumento de CO2 atualmente medido já fugiu da curva original traçada. Já está mais do que se esperava”. Por isso, ele recomenda que sejam adotadas ações para minimizar esses efeitos.

O setor do agronegócio cresceu 7,89% no ano passado, superando o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma das riquezas produzidas no Brasil. Para isso contribuíram os altos preços das commodities (produtos agrícolas e minerais negociados no mercado externo) e a safra recorde de 133,3 milhões de toneladas de grãos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2007, o PIB evoluiu 5,4%. O agronegócio representou 24% da economia brasileira no ano passado.

O estudo da Unicamp/Embrapa acentua, porém, que as mudanças climáticas podem interferir de forma negativa nesse processo de crescimento. Em relação à soja, a pesquisa analisa que o aquecimento global pode diminuir a área de baixo risco ao cultivo no país em, pelo menos, 21% até 2020.


(Envolverde/Agência Brasil)

Aquecimento global vai afetar a agricultura brasileira, segundo Unicamp e Embrapa

Estudo científico publicado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) projeta que a mudança climática da Terra poderá afetar o mapa agrícola do Brasil. O aquecimento global poderá forçar a migração de culturas, a diminuição de área de cultivo e maior pressão sobre a chamada área de “fronteira agrícola” entre o Cerrado e a Amazônia.

As regiões mais afetadas são Sul, Sudeste e Nordeste do país, o que pode resultar na transferência de culturas para as áreas agricultáveis da Amazônia Legal e no aumento do fluxo migratório para a região. Segundo o coordenador do estudo, Hilton Silveiro Pinto, áreas agricultáveis da Amazônia “não deverão sofrer qualquer problema”.

A Embrapa Informática Agropecuária e o Cepagri (Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas da Unicamp) fizeram projeções para 2020, 2050 e 2070 e construíram dois cenários para as culturas de algodão, arroz, café arábica, cana-de-açúcar, feijão, girassol, mandioca, milho e soja.

No cenário mais pessimista, as temperaturas vão subir em diferentes regiões de 2 a 5,4 graus célsius. No cenário menos negativo, a variação é de 1,4 a 3,8 graus célsius.

À exceção da cana-de-açúcar e da mandioca, as projeções prevêem que todas as demais culturas estudadas sofrerão impactos negativos com o aquecimento da temperatura no planeta. Segundo o estudo “Aquecimento Global e Cenários Futuros da Agricultura Brasileira”, algumas plantas podem até continuar crescendo com a mudança climática, mas sem florescer e gerar frutos.

O estudo contabiliza que, se nada for feito para reverter o aquecimento, a agricultura brasileira poderá perder até R$ 7,4 bilhões ao ano, a partir de 2020, com a diminuição da safra de grãos. Em 2070, o prejuízo poderá contabilizar até o dobro e chegar a R$ 14 bilhões/ano. Nessa hipótese, a soja (que, na safra 2007/2008, colheu 61 milhões de toneladas de grãos) é a cultura mais prejudicada: os pesquisadores estimam uma perda de área agricultável de até 40%.

No caso da cana-de-açúcar e da mandioca, o efeito é o contrário: o aquecimento aumenta o volume de terras com clima adequado para a plantação.

O presidente da Comissão Nacional do Meio Ambiente da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Assuero Doca Veronez, criticou projeções feitas com pesquisas climáticas e opinou que o cálculo está distorcido. “Eles analisam só as culturas que têm prejuízo, mas avaliando só as culturas que terão prejuízo não avaliam, por exemplo, o impacto positivo no caso da cana”, pondera.

O coordenador do estudo, Hilton Silveiro Pinto, afirmou que a pesquisa quer evitar qualquer “terrorismo climático” e associou a preservação com a agricultura como forma de combate ao aquecimento global. “Nós temos grandes processos de mitigação e adaptação que hoje se mostram práticas totalmente viáveis de seqüestro de carbono e que evitam danos à agricultura, fazendo arborização e cultivo, integrando pecuária, lavoura e floresta”, defendeu.

Para o pesquisador sênior do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), Paulo Barreto,o estudo mostra que é “melhor prevenir do que remediar” o aquecimento global, e uma forma de fazer isso é resolvendo o problema fundiário da Amazônia. “A principal medida é reduzir o desmatamento na Amazônia. O estudo reconhece que já tem tecnologia para melhorar a qualidade da pastagem, ou seja, criar mais gado nas pastagens que já foram abertas”.

Além do combate ao desmatamento e às queimadas; os pesquisadores da Unicamp e da Embrapa assinalam que medidas como o plantio direto na palha (sem aragem) podem mitigar os efeitos do aquecimento. Outra possibilidade, criticada por ambientalistas, é a produção de sementes geneticamente modificadas, que gerem plantas mais resistentes ao aumento das temperaturas.

Não há unanimidade na comunidade científica sobre as causas do aquecimento global. O painel intergovernamental das Nações Unidas atribui o aumento de temperatura à emissão de gases que eliminam a camada de ozônio que protege a Terra de raios solares. O Brasil é considerado um grande emissor desses gases por causa do desmatamento das florestas.

Outros cientistas não vêem na ação do homem razões suficientes para o aumento do aquecimento, e explicam o fenômeno com base no aumento da intensidade dos raios solares e dos ciclos da Terra, entre outros fatores. Para alguns, o aquecimento pode até aumentar a quantidade de chuvas em algumas áreas.

Para fazer as projeções, os pesquisadores da Unicamp e da Embrapa produziram mapas climáticos dividindo o território nacional em áreas de 50 quilômetros quadrados. O estudo levou 10 meses e custou R$ 530 mil financiados pela Embaixada Britânica.
(Fonte: Gilberto Costa / Rádio Nacional da Amazônia)