Mostrando postagens com marcador COP-15. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador COP-15. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Guia traz o estado da arte de projetos de REDD+ na América Latina

Por Redação Carbono Brasil 


Idesam e TNC, com o apoio da GTZ lançam a publicação “Guia de Projetos de REDD na América Latina” na nova versão em português.  O guia é uma versão atualizada da primeira edição, lançada em inglês durante a COP15 em Copenhagen, e traz um panorama da situação atual dos projetos de REDD (Redução de Emissões do Desmatamento e Degradação Florestal) desenvolvidos na América Latina.

O objetivo do guia é apresentar o status atual das negociações de REDD no âmbito da Convenção do Clima (em sua sigla UNFCCC) e descrever de maneira detalhada, porém simplificada e acessível, os projetos que se encontram em estágio mais avançado de desenvolvimento na América Latina.  A difusão de informações sobre os projetos é fundamental para a disseminação de experiências e lições aprendidas, que tem papel relevante não apenas para ajudar o desenho construção metodológica de outros projetos, mas também para a definição de sistemas e regimes nacionais de REDD .

Segundo Mariano Cenamo, secretário executivo do Idesam e coordenador do estudo, “o Guia vem em um momento bastante oportuno quando diversos países da região, inclusive o Brasil, estão discutindo e construindo suas políticas e estratégias nacionais de REDD , nas quais os projetos e programas sub-nacionais tem um papel fundamental”.

O guia apresenta 17 projetos, cujas informações foram obtidas através de questionários aplicados aos proponentes dos projetos, e traz informações específicas sobre os aspectos técnicos e metodológicos, bem como a estratégia financeira adotada por cada um deles.  Destes, 59% estão em fase de desenho e 42% em implementação, dos quais 18% já estão em processo de venda de créditos.

O guia descreve ainda uma análise sobre como a relação entre os custos de implementação e o potencial de geração de reduções de emissões pode influenciar a estratégia financeira do projeto, determinando o preço mínimo pelo qual cada tonelada de CO2 deve ser vendida ou negociada para garantir a sustentabilidade financeira do projeto.  O custo médio de geração de reduções de emissões dos projetos analisados é de US$3,22 por tonelada de CO2 - este valor varia de acordo com diversos fatores como situação fundiária, escopo das atividades previstas, entre outros.

Para Ana Cristina Barros, Representante Nacional da TNC, “conhecer, analisar e disseminar lições das experiências que já estão em andamento é relevante tanto para informar as negociações internacionais quanto as discussões nacionais sobre REDD ”.

O Guia de Projetos de REDD na América Latina está disponível na página do Idesam (http://http://www.idesam.org.br">www.idesam.org.br) e da TNC-Brasil a (http://www.nature.org">http://www.nature.org).

*Obs.: Por algum motivo técnico nosso site não mostra o sinal de positivo, então considere todas as menções ao REDD nessa página como sendo referentes ao REDD-mais ou REDD-Plus.
 
(Envolverde/CarbonoBrasil)

terça-feira, 6 de abril de 2010

Acordo de Copenhague reúne mais de 110 países

Por Fabiano Ávila, da Carbono Brasil 


ONU revela que todos os grandes emissores assinaram o tratado que pretende manter o aquecimento global abaixo dos 2°C, porém o próprio Yvo de Boer reconhece que as propostas do documento não são suficientes para esse objetivo.

As Nações Unidas divulgaram nesta quarta-feira (31) a lista oficial dos países que aderiram ao Acordo de Copenhague, documento redigido no último minuto da Conferência do Clima (COP 15) realizada em dezembro de 2009 na Dinamarca. A boa notícia é que todos os grandes emissores mundiais, incluindo Estados Unidos, China e Brasil, assinaram o Tratado. A ruim é que o próprio braço climático da ONU, o UNFCCC, reconhece que as propostas contidas no Acordo não são fortes o bastante.

“Está claro que as medidas na mesa são um passo importante para limitar o crescimento das emissões, porém elas não são suficientes para limitar o aquecimento global a menos de 2°C”, afirma uma nota divulgada nesta quarta-feira por Yvo de Boer, presidente do UNFCCC.

De Boer, que irá deixar o cargo em julho, disse ainda que o Acordo de Copenhague deve ser visto como uma ferramenta para ajudar no avanço das negociações e quem sabe facilitar um resultado positivo na próxima Conferência do Clima no México em novembro.

Porém muitos especialistas, incluindo De Boer, já expressaram dúvidas de que seja possível acontecer ainda neste ano um acordo com poder legal para limitar emissões mundiais. Uma das razões apontadas para isso é a dificuldade que a lei climática dos Estados Unidos está enfrentando para ser aprovada. Muitos temem que, assim como nos EUA, a pressão da sociedade por ações de combate ao aquecimento global tenha perdido as forças em virtude do fraco resultado de Copenhague e dos escândalos recentes envolvendo a ciência climática.

Muito Subjetivo

A Conferência do Clima de Copenhague não foi um fracasso por completo porque na última hora um acordo acabou sendo feito pelo grupo conhecido como BASIC (Brasil, África do Sul, Índia e China) com os Estados Unidos. Porém, o documento não possui força de lei, foi considerado fraco e ainda sofreu criticas por diversos países que se sentiram excluídos das negociações.

O Acordo, por exemplo, não estipula metas obrigatórias de emissões de gases do efeito estufa. Ao invés disso, recomenda que os países busquem “cortes urgentes” sem deixar muito claro os meios para alcançar esse objetivo.  Muitas nações em desenvolvimento brigaram até o fim para que os ricas reduzissem em 40% suas emissões até 2020, isso em relação aos níveis de 1990. Porém, o que países como Estados Unidos e Japão anunciaram é algo em torno dos 16%.

Além disso, os desenvolvidos prometeram novos fundos de cerca de US$ 30 bilhões entre 2010 e 2012 para ajudar os mais pobres a se adaptar às mudanças climáticas. A longo prazo, a promessa é de US$ 100 bilhões até 2020. De onde virão esses recursos ainda não foi definido e segue em discussão.

Com relação a outros temas importantes, como desmatamento e ferramentas de mercado, o texto do Acordo é ainda mais vago.  Sobre as florestas, fala apenas que elas têm um papel crucial para o clima e que por isso o desmatamento deveria ser freado.  Já quando o assunto são os mercados, como o comércio de permissões de emissões, o documento apenas menciona que os países devem procurar incluí-los em suas políticas para reduzir as emissões.

Algumas nações como Venezuela, Nicarágua e Sudão não aderiram até hoje ao Acordo.

Fonte: Envolverde/Carbono Brasil

O real mérito da questão

Por Henrique Mendes* 


Focando no objetivo principal da necessidade de mudar.

Dificilmente alguém hoje ainda não ouviu falar em mudanças climáticas. Os cuidados com o meio ambiente, o debate sobre sustentabilidade e as ações predatórias do homem degradando o planeta, soluções ecológicas e tragédias inevitáveis. Tudo isso vem sendo apresentado em diversos veículos de mídia. Documentários já foram feitos, noticias publicadas e filmes bateram recordes de bilheteria. Com a COP 15 no final do ano passado, o tema tomou proporções globais, cobertura jornalística intensa, e caiu no domínio público. Mas toda esta exposição acabou atraindo também o lado oposto. Tudo o que vem sendo apresentado como sendo as causas das mudanças climáticas vai de encontro ao nosso estilo de vida, aos nossos meios de produção e consumo e principalmente à nossas tecnologias de obtenção de energia para garantir tudo que acostumados.

Logo, mudança climática significa retirar alguém de sua zona de conforto, um ataque direto ao sistema vigente do capitalismo. Seja este o motivo ou não, diversos artigos e notícias começaram a aparecer questionando os estudos e dados referentes à mudança do clima e seus resultados futuros, e alguns destes argumentos contrários as mudanças climáticas se provaram realmente findados. Cientistas renomados e estudos que tomávamos como bases foram provados incorretos, e serão revistos e avaliados.

Gostaria, no entanto, de esquecer um pouco este duelo. Não quero afirmar que os cientistas estão corretos e precisos em detalhar todos os eventos possíveis que ocorrerão devido as alterações da temperatura da terra, muito menos dizer que estão errados e que isto não passa de uma rotina no ciclo do planeta, algo inevitável que ocorreu e ocorrerá novamente independente da interferência antrópica. Gostaria mesmo de focar na oportunidade que nos foi aberta aos olhos. Todo este debate, todos estes estudos nos mostraram algo muito além das emissões, muito além do aquecimento global. Estes fatos, esta avaliação que esta sendo feita sobre nosso modo de viver nos dá uma lição que estamos aprendendo, ou pelo menos devíamos estar, de que nossa forma de viver é extremamente ineficiente.

Podemos e devemos mudar muito nossa forma de produzir, nossa forma de conviver, nossa forma de aproveitar e não desperdiçar e principalmente mudar nossos conceitos. Temos que aprender a ter uma visão mais holística de nossas ações. “Toda ação tem uma reação”. Devemos parar de reclamar um pouco e repensar nossas atitudes. Se um sofá é jogado na rua durante uma tempestade, não deveria ser surpresa quando o bairro alagasse. Se degradarmos todos nossos recursos naturais e fontes de combustíveis hoje, o que haverá para suprir nossa necessidade amanhã? São pensamentos que nos parecem óbvios, mas gostaria de usá-los para reforçar que independente do clima estar mudando ou não, as oportunidades que estão aparecendo devido a esta possibilidade são enormes e apenas nos trazem resultados positivos, quer a temperatura do globo suba 2º C ou não.

Mudar para tecnologias limpas e renováveis, reaproveitar a água da chuva, reduzir o consumo de modo geral, tudo isso é na verdade uma enorme evolução de pensamento. Um aprendizado fundamental rumo a uma nova consciência ambiental e a uma nova economia, mais racional e sustentável: o capitalismo natural. A questão é, mesmo que daqui a 50 anos, supondo que todos os estudos sobre as mudanças climáticas estejam errados, pode ser que tudo não passou de uma projeção equivocada, a temperatura se estabilize e o business-as-usual fosse realmente uma opção. Mesmo assim nada disso nos impede de mudar nosso estilo de vida, adotar práticas menos impactantes, viver de forma eficiente e em equilíbrio, preservar nossos principais recursos naturais e ainda lucrar com isso.

Todas estas novas opções, todas estas soluções “verdes” nos apontam grandes benefícios. Se os níveis de CO2 não estavam aquecendo o planeta, estavam por outro lado gerando a poluição que mata mais gente que a violência, se o petróleo era realmente um dos combustíveis mais acessíveis, sua escassez gerava guerras e exploração, se as florestas valiam mais degradadas com o desmatamento do que preservadas de pé, é porque nossa noção de lucro era mesmo muito limitada, afinal a oportunidade esta nos olhos de quem a vê.

* Henrique Mendes é MBA em Gestão Ambiental e Coordenador Técnico do Instituto Mais

Fonte: Pauta Social

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Lula critica EUA, mas comemora acordo feito na COP

Por Luana Lourenço , da Agência Brasil 


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a posição dos Estados Unidos na Conferência do Clima (COP-15), em Copenhague, em avaliação que fez sobre a participação brasileira na Conferência nesta segunda-feira (21/12), em seu programa semanal de rádio, Café com o Presidente. Lula, no entanto, considerou que, apesar de um acordo parcial, a conferência conseguiu resolver parte do problema.

Para Lula, a redução de emissões de gases de efeito estufa deve ser encarada como um tema prioritário pelos governantes, principalmente os de países desenvolvidos, que historicamente emitiram mais e são mais responsáveis pelo aquecimento do planeta. O presidente citou os Estados Unidos, que nunca ratificaram o Protocolo de Quioto.

“Os Estados Unidos, ao tomarem essa atitude, fizeram com que muitos países europeus e mais o Japão, que são signatários de Quioto, quisessem acabar com o protocolo, não deixando nada no lugar, para que eles também não tivessem mais os compromissos com metas”.

Apesar das críticas, o presidente considerou um avanço nas negociações climáticas o acordo fechado entre a China, a Índia, a África do Sul, o Brasil e os Estados Unidos no fim da conferência, mas reconheceu que a solução global precisa ser legitimada por todos os países.

“Até o próximo encontro, no México, nós deveremos fazer um acordo e todo mundo concordar para que a gente possa, então, definir uma política mundial para que a gente trabalhe o desaquecimento global”.

O presidente afirmou ainda que as metas brasileiras apresentadas na conferência, de redução das emissões nacionais de gases de efeito estufa entre 36,1% e 38,9% até 2020, serão consolidadas com força de lei.

“Já não é mais a vontade do presidente Lula. Agora, quem quer que governe esse país vai ter que cumprir”. (Edição: Tereza Barbosa)

 
Fonte: Envolverde/Agência Brasil

Marina Silva diz que Brasil deveria ter contribuido com o Fundo Verde

Por Marli Moreira, da Agência Brasil 
 

A senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, pré-candidata do Partido Verde à sucessão presidencial de 2010, classificou de “pífio” o resultado do encontro em Copenhague, na Dinamarca. Na avaliação de Marina, o Brasil perdeu a chance de fazer a diferença contribuindo para o fundo de ajuda aos países pobres.

"Um país que colocou US$ 10 bilhões no FMI pode investir recursos para ter solidariedade com os países que precisam”, disse a parlamentar, considerando ter sido um equívoco o país não ter aderido ao fundo. “Se o Brasil tivesse aderido, mostraria que, se um país em desenvolvimento pode colocar 10% do valor total que está sendo investido, os países ricos poderiam colocar muito mais”.

Essa adesão, segundo ela, seria uma ação simbólica, que poderia dar exemplo aos demais participantes da COP-15. Um total de 192 países participaram da conferência.

Perguntada se o PV saiu fortalecido depois do encontro da ONU, ela respondeu que o ideal seria que todos ganhassem. "O ideal seria que tivéssemos saído de lá com um acordo à altura da quantidade de chefes de Estado que estavam e à altura da importância política dos homens que estavam lá, mas, infelizmente quem teve o maior senso de responsabilidade, mais uma vez, foi a opinião pública.”

Ela afirmou ainda que foi para a COP-15 com a expectativa de que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, apresentasse um reposicionamento sobre as metas de redução das emissões dos gases que provocam o efeito estufa. Esse mesmo comportamento, na opinião dela, deveria ter sido tomado pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

A senadora evitou fazer avaliações sobre o desempenho das autoridades brasileiras que participaram da conferência. Segundo ela, isso seria um ato de prepotência. Ela falou ainda que tem participado do encontro, desde a edição de 2003, porque tem preocupações com as ações em nível mundial para a preservação do meio ambiente.


Fonte: Envolverde/Agência Brasil

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Café com o Presidente: Brasil teve posição de destaque na COP 15

O programa Café com o Presidente, transmitido em cadeia de rádio nesta segunda-feira (21/12,) abordou a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP15), realizada na semana passada, em Copenhague (Dinamarca). Na conversa, o presidente Lula disse que após a reunião "o sentimento que fica é de que os governantes do mundo inteiro vão ter que ter esse tema sempre como prioritário, para que a gente encontre uma solução definitiva e possa garantir a manutenção e a existência do planeta Terra, permitindo que a espécie humana sobreviva”. 


Segundo o presidente Lula, “todo mundo sabe que os maiores culpados são os países mais industrializados, ou seja, eles começaram a poluir muito tempo antes do Brasil, da China, da Índia e de outros países, porque há 200 anos eles já são industrializados. O que se discute agora é quais as medidas que nós vamos tomar para que a gente comece a desaquecer o Planeta e a diminuir as emissões de gases de efeito estufa. Então, eu acho que isso foi uma coisa que ficou clara para todo mundo, mesmo aqueles que concordaram e que não concordaram”.E o Brasil teve uma participação bem destacada na COP15. De acordo com o presidente, o País estabeleceu meta de redução de emsisão de gases de efeito estufa, até 2020, de 36,1% a 38,9%, ao mesmo tempo em que propôs reduzir o desmatamento na Amazônia em 80%, também até 2020. 

“Nós também resolvemos mais três coisas importantes: diminuir o desmatamento no cerrado; o setor siderúrgico nosso, nós vamos trabalhar para que ele utilize carvão vegetal e não carvão mineral, para também diminuir a emissão de gases de efeito estufa; e a nossa matriz energética, que já é a mais limpa do mundo, do ponto de vista da energia elétrica, nós temos 85% de energia elétrica limpa. Portanto, o Brasil estava totalmente à vontade. O Brasil foi considerado, durante todo o encontro, como o país que apresentou a melhor proposta, como o país que trabalhou isso corretamente. E, graças a Deus, a decisão do governo que nós enviamos ao Congresso Nacional foi aprovada, e agora é lei. Portanto, já não é mais a vontade do presidente Lula. Agora, quem quer que governe este país, vai ter que cumprir”, disse. 

Fonte: Blog do Planalto

COP15: sucesso ou fracasso?




A 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, realizada em Copenhague, foi a maior reunião diplomática da história. Resultou em frustrações, visto que as expectativas eram grandes, mas, também, em avanços significativos. Nós do Planeta Sustentável, depois de acompanhar as negociações - no Brasil e em Copenhague -, concluímos que há muitos motivos para otimismo

Caco de Paula e Matthew Shirts


O mundo não será o mesmo depois da COP15. Haverá, é claro, muito para se fazer ainda. Mas há também notícias positivas. A primeira delas é que o mundo todo tomou consciência do problema. A segunda é que os Estados Unidos e a China, os dois maiores emissores de gases de efeito estufa (GEE), concordaram em participar do acordo pela primeira vez, com metas. É um avanço significativo. Dá um claro sinal às empresas daqueles países – e do mundo -- de que o aquecimento deixa de ser uma preocupação ambiental movida por altruísmo e se firma como questão geopolítica e estratégica.

O papel do Brasil merece destaque. O país, que até pouco, mostrasse pouco entusiasmo pela questão pode ser considerado hoje um dos lideres mundiais no que tange ao aquecimento global. Ficou claro, ainda, que o debate sobre o assunto vai estar no centro da próxima campanha para presidente no nosso país. Os três pré-candidatos - José Serra, Dilma Rousseff e Marina Silva - estiveram atuantes no COP15. E a questão do aquecimento esteve, pelo menos durante a conferência, no centro da grande imprensa brasileira, com direito a manchetes nas primeiras páginas dos jornais e revistas.

Saímos de Copenhague com outra certeza, a de que o aquecimento global não será resolvido apenas pelos governos. A tarefa é gigantesca. Todos nós: empresas, mídia, indivíduos e governo precisamos contribuir e muito. Trata-se de uma questão de solidariedade para com as novas gerações. E também de uma importante questão econômica. A luta continua. Vamos trabalhar para, em 2010, darmos outro passo, ainda maior. A questão veio para ficar. A humanidade precisa resolvê-la para poder caminhar tranqüila.

Fonte: Planeta Sustentável

Ministro diz que apesar de a COP-15 ter sido insuficiente, Brasil cumprirá metas

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou nesta segunda-feira (21/12), no Rio de Janeiro, que apesar de a Conferência do Clima (COP-15), em Copenhague, na Dinamarca, não ter sido suficiente para avançar nas questões climáticas global, o Brasil vai cumprir as metas que apresentou na reunião e continuará a cobrar dos países ricos, que são os responsáveis históricos pelo aquecimento, tomem posturas mais fortes na próxima conferência, em 2010, no México.

A COP-15 não resultou de um documento vinculante e sim de um instrumento político para um acordo futuro que garanta que o aquecimento do planeta não ultrapasse 2 graus Celsius. Mas a meta de redução global de 50% das emissões em 50% até 2050 tendo o ano base de 1990, proposta pelo IPCC, não ficou acordada. Em Copenhague os países apenas se disponibilizaram em entregar até 31 de janeiro de 2010 suas metas de redução de emissão e a lista das ações necessárias para sua execução.

Durante coletiva convocada pelo governo para um balanço da COP-15, no hotel Softel, em Copacabana, no Rio, com a presença da ministra chefe da Casa Civil, Dilma Roussef e do diplomata Figueiredo, o ministro ressaltou que a meta apresentada em Copenhague é do Brasil, não só do governo federal. Segundo Minc, ao cumprir a meta o Brasil vai emitir menos 1 bilhão de toneladas de C02 até 2020.

"Se não se fizesse nada seriam emitidos 2,7 bilhões de toneladas de CO²", disse Minc, acrescentando que o Brasil não tem responsabilidade histórica no acúmulo de gases-estufa, responsáveis pela alteração do clima.

Outra ponto importante destacada pelo ministro na reunião de Copenhague foi a inclusão do tema floresta na discussão climática. O mecanismo REDD (Redução de Emissão de Desmatamento e Degradação) tem 19 projetos em andamento no Brasil e depois da COP-15 a expectativa é que aumente o número de projetos. "Agora não existe acordo de clima sem floresta".

A COP 15 não fechou acordo sobre o montante de recursos para financiar as ações de mitigação e adaptação necessários para conter o aquecimento global. Segundo a ministra Dilma, os 30 bilhões de dólares a serem gastos em três anos propostos pelos países ricos são insuficientes.

"Só para se ter uma idéia o projeto de transposição de bacias do rio São Francisco tem um custo de 4,5 bilhões de dólares", disse Dilma, dando um exemplo de ação de adaptação em zonas áridas, quase tornarão mais áridas com o aquecimento global.

Segundo a previsão do G77, seriam necessários de 200 a 210 bilhões por ano até 2030 para ações eficazes de combate aos efeitos do aquecimento global. Dilma falou que só para cumprir as metas brasileira serão necessários 16,6 bilhões de dólares por ano. Segundo a ministra Dilma, o Brasil também estuda a proposta chinesa de criação de um fundo Sul-Sul, por meio do qual os países em desenvolvimento que estão crescendo (Brasil, Índia, China e África do Sul) ajudariam os países mais pobres a conter os efeitos do aquecimento global.
 
Fonte: ASCOM/MMA

Minc considera COP-15 uma frustração

Ao sair na madrugada de sábado (19/12) do plenário da Conferência de Mudança do Clima das Nações Unidas, em Copenhague (Dinamarca), após horas de intensas negociações, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse que estava vivendo "um dos dias mais tristes" de sua vida. Para ele, a chamada COP-15 foi "uma frustração", embora com "alguns poucos avanços".

Após dias e dias de negociações com lideranças de outros governos, Minc saiu convencido de que os Estados Unidos foram os grandes responsáveis "por esse clima ruim", já que, sem "mandato para negociar", pois seu plano de reduções de emissões de gases-estufa sequer fora aprovado pelo Senado dos EUA, apresentaram metas muito tímidas.

Minc passou a noite de sexta-feira e a madrugada deste sábado em intensas negociações em reunião em que ministros de 30 nações acordaram um texto básico que, ao ser levado a plenário, foi rejeitado por alguns países, como Cuba, Nicarágua e Venezuela, o acabou por inviabilizar sua aprovação, já que, nos encontros da ONU, é preciso haver consenso mínimo para aprovação de documentos básicos.

Para o ministro do Meio Ambiente do Brasil, a COP-15 foi marcada por posições egoístas de países, com "cada um olhando para o seu umbigo", e até mesmo ideológicas, como foi o caso de nações com a Venezuela e Cuba que, sem nunca terem se destacado nas lutas ambientais, teriam rejeitado o acordo final apenas para se contrapor ao Estados Unidos - um dos maiores fiadores do documento que foi levado a plenário e acabou rejeitado.

De qualquer forma, Minc acha que algumas poucas, mas importantes questões tiveram algum tipo de avanço, o que viabilizou que sejam melhor discutidas ao longo deste ano, como a questão do pagamento de ações para se manter as florestas em pé, dentro do chamado Mecanismo Redd, e a do financiamentos para ações de adaptação a efeitos do aquecimento global, nos países mais pobres, e de mitigação, nos países emergentes que são grandes emissores de gases de efeito estufa..

Minc lembrou que, apesar do clima de frustração, o Brasil vez sua parte, apresentando "metas ousadas" de emissões evitadas de CO2, entre 36% e 39%, em 2020, e "suando a camisa" para que prevalecesse um acordo legal de alto nível ao final da COP-15, o que infelizmente não ocorreu.

Mas agora, acrescentou, é hora de não se ficar parando, com o Brasil "arregaçando as mangas" para que suas metas de redução de gases-estufas sejam cumpridas, pelo bem do planeta. "Alguns passos foram dados, embora tímidos. Temos que analisar isso agora com muita profundidade, para impedir que isso volte a acontecer. É hora agora de mobilizar a sociedade, para fazermos a nossa parte."
 
Fonte: ASCOM/MMA

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Confrontos em Copenhague

Por Leonardo Boff

Em Copenhague nas discussões sobre as taxas de redução dos gases produtores de mudanças climáticas, duas visões de mundo se confrontam: a da maioria dos que estão fora da Assembléia, vindo de todas as partes do mundo e a dos poucos que estão dentro dela, representando os 192 estados. Estas visões diferentes são prenhes de conseqüências, significando, no seu termo, a garantia ou a destruição de um futuro comum.

Os que estão dentro, fundamentalmente, reafirmam o sistema atual de produção e de consumo mesmo sabendo que implica sacrificação da natureza e criação de desigualdades sociais. Crêem que com algumas regulações e controles a máquina pode continuar produzindo crescimento material e ganhos como ocorria antes da crise.

Mas importa denunciar que exatamente este sistema se constitui no principal causador do aquecimento global emitindo 40 bilhões de toneladas anuais de gases poluentes. Tanto o aquecimento global quanto as perturbações da natureza e a injustiça social mundial são tidas como externalidades, vale dizer, realidades não intencionadas e que por isso não entram na contabilidade geral dos estados e das empresas. Finalmente o que conta mesmo é o lucro e um PIB positivo.

Ocorre que estas externalidades se tornaram tão ameaçadoras que estão desestabilizando o sistema-Terra, mostrando a falência do modelo econômico neoliberal e expondo em grave risco o futuro da espécie humana.

Não passa pela cabeça dos representantes dos povos que a alternativa é a troca de modo de produção que implica uma relação de sinergia com a natureza. Reduzir apenas as emissões de carbono mas mantendo a mesma vontade de pilhagem dos recursos é como se colocássemos um pé no pescoço de alguém e lhe dissésemos: quero sua liberdade mas à condição de continuar com o meu pé em seu pescoço.

Precisamos impugnar a filosofia subjacente a esta cosmovisão. Ela desconhece os limites da Terra, afirma que o ser humano é essencialmente egoista e que por isso não pode ser mudado e que pode dispor da natureza como quiser, que a competição é natural e que pela seleção natural os fracos são engolidos pelos mais fortes e que o mercado é o regulador de toda a vida econômica e social.

Em contraposição reafirmamos que o ser humano é essencialmente cooperativo porque é um ser social. Mas faz-se egoísta quando rompe com sua própria essência. Dando centralidade ao egoísmo, como o faz o sistema do capital, torna impossível uma sociedade de rosto humano. Um fato recente o mostra: em 50 anos os pobres receberam de ajuda dois trilhões de dólares enquanto os bancos em um ano receberam 18 trilhões. Não é a competição que constitui a dinâmica central do universo e da vida mas a cooperação de todos com todos.

Depois que se descobriram os genes, as bactérias e os vírus, como principais fatores da evolução, não se pode mais sustentar a seleção natural como se fazia antes. Esta serviu de base para o darwinismo social. O mercado entregue à sua lógica interna, opõe todos contra todos e assim dilacera o tecido social. Postulamos uma sociedade com mercado mas não de mercado.

A outra visão dos representantes da sociedade civil mundial sustenta: a situação da Terra e da humanidade é tão grave que somente o princípio de cooperação e uma nova relação de sinergia e de respeito para com a natureza nos poderão salvar. Sem isso vamos para o abismo que cavamos.

Essa cooperação não é uma virtude qualquer. É aquela que outrora nos permitiu deixar para trás o mundo animal e inaugurar o mundo humano. Somos essencialmente seres cooperativos e solidários sem o que nos entredevoramos.

Por isso a economia deve dar lugar à ecologia. Ou fazemos esta virada ou Gaia poderá continuar sem nós.

A forma mais imediata de nos salvar é voltar à ética do cuidado, buscando o trabalho sem exploração, a produção sem contaminação, a competência sem arrogância e a solidariedade a partir dos mais fracos. Este é o grande salto que se impõe neste momento. A partir dele Terra e Humanidade podem entrar num acordo que salvará a ambos.


terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Investir em tecnologias limpas é lucrativo

É o que confirma relatório da Rede WWF, divulgado hoje em Copenhague. Relatório lembra que Brasil lidera, por exemplo, a tecnologia de biocombustíveis.

Copenhague, Dinamarca - As tecnologias para a geração de energia limpa estão despontando como um caminho que traz inovação, sustentabilidade e lucratividade. Com isso, está em vias de se tornar o terceiro maior setor industrial mundial, segundo relatório da Rede WWF, divulgado hoje em Copenhague.

A construção de uma indústria forte em tecnologias limpas pode transformar um país em liderança mundial. Já é possível observar o pioneirismo de alguns países neste aspecto, como é o caso da Dinamarca, com a energia eólica, e do Brasil, com o biocombustível, que já lideram o conhecimento sobre essas tecnologias sustentáveis, além da Alemanha, que já vem desenvolvendo com sucesso iniciativas para a produção de energia eólica e solar.

O relatório da Rede WWF prevê que os ganhos das indústrias que desenvolvem essas tecnologias devem movimentar 1.600 bilhões de euros em 2020, atrás apenas da indústria de produtos eletrônicos e automóveis, ocupando o terceiro lugar no ranking industrial. Para se ter uma idéia comparativa, já em 2007, as tecnologias de energia limpa movimentaram 630 bilhões de euros, mais que a indústria farmacêutica.

A receita das vendas de produtos de eficiência energética em 2007 foi mais de cinco vezes a receita dos produtos de energia renovável. Porém, isso deve se alterar significativamente em 2020, com a taxa de crescimento das energias renováveis em 15% ao ano, que representa três vezes mais do que os ainda respeitáveis 5% das vendas de produtos e processos ligados à eficiência energética.

“Avaliando estes dados, chega-se à conclusão óbvia de que os governos e a iniciativa privada devem investir em tecnologias limpas – com subsídios e recursos diretos, respectivamente. Primeiro porque se trata da segurança energética do planeta. Segundo porque é lá, na energia limpa, onde estará o dinheiro. Claramente, a partir de uma perspectiva nacional, há muito a ganhar e nada a perder ao investir em energia limpa“, analisa Denise Hamú, secretária geral do WWF-Brasil.

Os bancos centrais podem ajudar, incentivando a inclusão do "risco carbono" no modelo financeiro. O acesso ao capital de risco também tem sido um fator para o sucesso da energia limpa nos países, que já estão buscando a liderança no desenvolvimento desse tipo de tecnologia. O relatório sublinha, também, a importância de se desenvolver um forte mercado interno para essas tecnologias. Isso permite às empresas experimentar, ganhar experiência e rapidez ao percorrer a curva de aprendizado, dando-lhes uma vantagem competitiva e dotando-as de referências e exemplos de projetos.

Os governos podem apoiar tais mercados domésticos com subsídios, energias renováveis, metas e políticas de contratos. Isso poderia beneficiar muitos países, como o grupo da União Européia, que se classificou em 18º lugar no ranking do PIB, atrás da Alemanha, mesmo em termos absolutos, e do Reino Unido, que ficou com a 19° posição. Ilustrando as oportunidades perdidas, a Austrália, que desperdiçou uma vantagem inicial de seus técnicos em energia solar, está classificada em 28°. A China é o quarto país classificado em termos de vendas absolutas e sexto em vendas relativas ao seu PIB.

Para o WWF-Brasil, renunciar a estas oportunidades por causa do velho hábito de se utilizar combustíveis fósseis poluentes, em razão das fortes pressões do lobby da indústria tradicional é uma demonstração de que se está agindo contra os interesses mundiais.

Sobre o WWF-Brasil

O WWF-Brasil é uma organização não governamental brasileira dedicada à conservação da natureza com os objetivos de harmonizar a atividade humana com a conservação da biodiversidade e de promover o uso racional dos recursos naturais em benefício dos cidadãos de hoje e das futuras gerações. O WWF-Brasil, criado em 1996 e sediado em Brasília, desenvolve projetos em todo o país e integra a Rede WWF, a maior rede independente de conservação da natureza, com atuação em mais de 100 países e o apoio de cerca de 5 milhões de pessoas, incluindo associados e voluntários.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Compromissos e propostas da indústria sobre mudanças climáticas

João Guilherme Sabino Ometto, engenheiro (EESC/USP), é presidente do Grupo São Martinho, vice-presidente da Fiesp e coordenador do Comitê de Mudanças Climáticas da entidade. 
 
O maior desafio da Conferência do Clima (COP 15) de Copenhague é encontrar o ponto de equilíbrio entre a meta do crescimento econômico e a imposição de mitigar as emissões de gases de efeito estufa. Não se pode vislumbrar qualquer solução alheia a esse dualismo, considerando que, em síntese, a humanidade precisar continuar consumindo, respirando e vivendo sob temperaturas adequadas à sua biologia.

Tais premissas já delineiam um fator exponencial a ser negociado na Dinamarca: o meio ambiente não deve servir de pretexto para a adoção de medidas protecionistas. Portanto, contrariando especulações veiculadas na imprensa de todo o mundo, é essencial que as políticas internacionais e nacionais sobre mudanças climáticas sejam consentâneas com as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC).

A segunda condição essencial é a necessidade de se estabelecerem condições mínimas para o fomento socioeconômico dos numerosos países, inclusive os emergentes, ainda não incluídos no rol dos desenvolvidos. Desde a 1ª Revolução Industrial, estes prosperaram, ao longo de 259 anos, com base numa economia radicalmente movida a carbono, enriquecendo antes de o mundo atingir limites insustentáveis de poluição. É justo, agora, que a oportunidade de desenvolvimento seja mais equânime.

Dessa maneira, ao defender suas posições na COP 15, o Brasil não pode abrir mão de um fluxo duradouro de crescimento econômico. Seus compromissos terão de estabelecer como prioridade a inclusão social e a redução das assimetrias regionais. A capacidade de contribuição do País à melhoria do ambiente e à redução dos gases de efeito estufa é imensa, considerando seu potencial hidrelétrico, suas reservas hídricas e florestais, sua imensa biodiversidade e suas excepcionais condições para a produção de biocombustíveis, em especial o etanol. Tudo isso é estratégico para o advento de uma nova economia ancorada em fontes energéticas limpas e renováveis.

Nesse contexto, é inegável o papel primordial da indústria. Por isso, a Fiesp, representante de um dos maiores parques manufatureiros do mundo, reafirma o compromisso de fomentar a economia de baixo carbono nas fábricas. Com esse propósito, a entidade estabeleceu plano de ação voltado a incentivar os distintos segmentos a realizarem inventários de gases de efeito estufa expelidos, visando a diminuir a emissão. Também está previsto o incentivo à transferência de tecnologia de produção limpa às médias, pequenas e microindústrias.

A indústria paulista defende, ainda, regulação jurídica nacional que estruture o desenvolvimento e defina a natureza jurídica dos créditos de carbono. A partir dessas referências legais, será possível criar mecanismos de financiamento hoje não encontrados no Brasil. Ademais, é necessário reavaliar o procedimento de aprovação dos projetos, essencialmente no que diz respeito à validação, e reduzir a burocracia agregada internamente ao já muito complexo protocolo criado pela ONU. Esses problemas oneram os custos dos projetos nacionais.

No tocante à matriz energética brasileira, a hidrelétrica deve ser mantida como a principal componente, por ser uma das mais limpas. Em caráter complementar, é preciso ampliar o uso de fontes com baixo nível de emissão de carbono, como bagaço de cana-de-açúcar e eólica, reduzindo-se a utilização das térmicas. Outras medidas importantes são o incentivo à eficiência energética e ao consumo racional e a expansão do uso de biocombustíveis no transporte de cargas.

Na área de pesquisa e inovação, é preciso incentivar o desenvolvimento do etanol de segunda geração e incrementar a transferência de tecnologias produtivas e de uso dos biocombustiveis oriundas do Brasil. Medida importante é estimular a transferência dos direitos de propriedade intelectual, com a devida proteção e remuneração, facilitando o acesso de países em desenvolvimento a tecnologias que visem a maximizar os esforços globais de mitigação das emissões de gases de efeito estufa.

Como se observa, a indústria é um dos setores protagonistas nessa epopeia em busca de uma civilização com menos contrastes socioeconômicos e vida de melhor qualidade. Para viabilizá-la, é premente que todos façam sua parte e permitam que o diálogo e o entendimento prevaleçam na COP 15.

Fonte: Leandro Vieira

Lembrem bem deste nome - Tuvalu

Sucena Shkrada Resk, Educomunicação - http://www.cidadaodomundo.blogse.com.br

Em três dias de negociações da 15ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, nada foi mais representativo para mim, do que a manifestação do pequeno estado insular do Pacífico - Tuvalu. O seu representante praticamente implorou aos países em desenvolvimento, que as metas a serem implementadas, tenham como objetivo não ultrapassar 1,5 graus na temperatura média do planeta. Não é preciso dizer, que um sonoro não ressoou no encontro. Países, como Índia, China e África do Sul não aceitaram a reivindicação, que na verdade, já havia sido feita na COP14, mas só agora, havia sido colocada para a apreciação das partes.

Acredito, que nem os professores de Geografia sabem onde fica Tuvalu. E é importante marcar bem esse nome, porque literalmente o arquipélago está desaparecendo com o aumento das águas no Pacífico. É um exemplo das mudanças climáticas em ação, entre outras centenas de situações semelhantes no mundo.

Será que é tão difícil compreender que o processo dos refugiados climáticos está aí, bem à nossa frente? A situação é tão crítica, que este arquipélago, a poucos metros acima do nível do mar, onde havia 11 mil pessoas, está sumindo e sofrendo o exôdo de milhares de pessoas. Desde 2002, há um acordo com a Nova Zelândia, para que receba anualmente 75 pessoas de lá, segundo o artigo Sustentabilidade do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, de pós-graduação de Ana Cristina Casa, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) - 2007.

Para dar sustentação à prioridade dos países em prol da adaptação - como ilustra a situação de Tuvalu - durante esses dias, também foram lançados dois estudos importantes. Um deles é a 5ª edição do Global Climate Risk Índex 2010, da organização não-governamental(ONG) Germanwatch - http://www.germanwatch.org/klima/cri2010.pdf. Entre os dados mais impactantes, revela que houve cerca de 600 mil mortes no mundo, entre 1990 e 2008, em decorrência de eventos climáticos extremos. Os países com maior vulnerabilidade, nesse histórico, são Bangladesh, Myanmar e Honduras.

O outro é o estudo Migração, Desenvolvimento e Mudança Climática - Acessando a Evidência, da OIM – Organização Internacional para as Migrações. O levantamento chega à constatação da possibilidade de que 25 milhões a 1 bilhão de pessoas podem ser expulsas das terras onde vivem nas próximas quatro décadas; algo que já ocorre, como o exemplo de Tuvalu... http://publications.iom.int/bookstore/free/migration_and_environment.pdf.

Fonte: Blog Cidadãos do Mundo.

Fome de ar, água e comida

Os donos do mundo e seus sábios reunidos em Copenhague ainda não se entenderam sobre como salvar o planeta. A COP15 já funcionou, porém, como uma martelada na cabeça dos líderes, alertando-os para a superlotação da Terra e a dramática escassez de recursos naturais.
 
Por Ronaldo França, de Copenhague
 
Fotos cortesia Royal Hollway/Universidade de Londres; Lain D. Willians/Reuters

 

ELES DEVORAM MESMO
 
Na fotografia acima, feita no Alasca, um urso-polar arrasta a carcaça de outro. Os ursos-polares costumam matar e devorar seus pares em lutas por dominação sexual e para controle populacional. Os pesquisadores suspeitam que o degelo precoce do Ártico, atribuído ao aquecimento global, tornou o canibalismo mais frequente entre os ursos. O quadro abaixo, do inglês Edwin Landseer, do século XIX, retrata uma cena descrita por sobreviventes de um naufrágio. O urso da direita tem entre as presas um osso humano ainda com carne. Que contraste. A ideia de animais selvagens como vítimas da ação do homem é recentíssima.

Antes que você acabe de ler esta frase, terão nascido no mundo quarenta bebês, enquanto vinte de nós terão deixado o plano material para prestar contas a Deus. O saldo é a chegada, a cada dez segundos, de vinte novos moradores da Terra, prontos para crescer, estudar, trabalhar, namorar, casar e ter filhos. Há dez anos, em 1999, o planeta estava na confortável situação de receber cada novo morador com comida e água na quantidade necessária para que ele conseguisse atingir seus sublimes objetivos na vida. De lá para cá, começou a se delinear um novo e desafiador cenário para a espécie humana. A demanda por comida e outros bens naturais passou a crescer mais rapidamente do que a oferta, como mostram as curvas desenhadas no globo da página anterior. Elas não foram parar ali por acaso. Aquele globo esverdeado e translúcido é, até agora, a imagem que melhor identifica a COP15, a reunião de representantes de 192 países que tem lugar em Copenhague, na Dinamarca. Esses senhores e seus assessores científicos têm como missão chegar a um acordo mundial para conter o ritmo do aquecimento global. Esse fenômeno é normalmente benéfico, mas saiu de controle, aparentemente como resultado da atividade industrial humana, e agora pode desarranjar o clima da Terra a ponto de ameaçar a sobrevivência de inúmeras espécies e impor um modo de vida mais áspero e severo à própria humanidade.

A COP15 acaba no fim da próxima semana, e seu encerramento está sendo esperado com tal ansiedade que muitos nem sequer cogitam, por assustadora, a possibilidade de um fracasso. Talvez se deva começar a pensar com mais realismo nessa possibilidade. Por razões metodológicas e ideológicas, e também para não ampliar em demasia a pauta das discussões, dificultando ainda mais um acordo final, a questão populacional está em plano secundaríssimo em Copenhague. É estranho que ela tenha sumido dos debates sobre as soluções do aquecimento global, quando se sabe que esteve na base do seu diagnóstico desde o primeiro momento em que o aquecimento global foi visto como um perigo potencial. Quando o físico sueco Svante Arrhenius concluiu seus cálculos pioneiros sobre o efeito das moléculas de gás carbônico (CO2) no aumento da temperatura média do planeta, em 1896, a Terra era habitada por cerca de 1 bilhão de pessoas. Arrhenius foi o primeiro a perceber que o aumento na concentração de CO2 poderia aquecer demais o planeta. Pouco mais de um século depois do trabalho do sueco, a Terra tem 6,8 bilhões de habitantes e caminha para os 9,2 bilhões por volta de 2050. Serão 2,5 bilhões de pessoas a mais, e, graças ao sucesso da globalização econômica, a maioria delas atingirá um padrão de consumo de classe média. Isso tem um peso extraordinário não apenas na equação do aquecimento global, mas no frágil equilíbrio que a civilização ainda consegue manter em suas relações de rapina com o mundo natural. É enorme o impacto da explosão populacional aliado à emergência social e econômica de imensas massas humanas antes fadadas à miséria. Seus efeitos já se fazem sentir no aumento da demanda de alimentos em ritmo superior ao da oferta, como mostram as curvas do gráfico sobreposto ao globo-símbolo da COP15 nas páginas de abertura desta reportagem.

Vivo estivesse, o sueco Svante Arrhenius enfatizaria em Copenhague o fator populacional no descontrole aparente em que se encontra o efeito estufa global. A cada dia que passa, o mundo tem de sustentar 213 000 pessoas a mais. Cada ser humano adulto produz, em média, 4,3 toneladas de gás carbônico por ano sem fazer nada de mais - apenas ao acender uma lâmpada, andar de carro ou ônibus, alimentar-se e vestir-se. Esses novos passageiros da espaçonave Terra, em conjunto, passarão a responder, então, por 880 000 toneladas a mais de carbono arremessado na atmosfera. As estimativas de aumento de emissões de gases de efeito estufa contemplam o choque populacional. O documento final do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU diz com clareza que "o crescimento do produto interno bruto per capita e o da população foram os principais determinantes do aumento das emissões globais durante as últimas três décadas do século XX". Outro relatório divulgado há menos de um mês pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) chama a atenção para o equívoco de desprezar o aumento populacional no debate sobre o aquecimento: "Os gases de efeito estufa não estariam se acumulando de modo tão perigoso se o número de habitantes da Terra não aumentasse tão rapidamente, mas permanecesse em 300 milhões de pessoas, a população mundial de 1 000 anos atrás". O intrigante é que, nas ações propostas para os próximos anos, o fator aumento da população desaparece.

O tema é realmente explosivo e tem conotações sombrias, por erros cometidos no passado. Com razão ou não, muitas pessoas encaram qualquer sugestão para conter o ritmo de aumento populacional como uma interferência indevida de forças estranhas no livre-arbítrio de países, famílias e das próprias mães. Razões culturais e socioeconômicas contribuem para tirar qualquer efeito prático das assombrosas constatações do crescimento populacional desenfreado. São dois os motivos principais para isso. O primeiro é que existe uma inegável disparidade no volume de emissões individuais quando se comparam cidadãos de países ricos e pobres. Um americano joga, em média, 19 toneladas de gás carbônico na atmosfera anualmente. Um afegão morador das montanhas de seu belo país contribui com modestíssimos 26 quilos de CO2. Como exigir do montanhês afegão que - quando não foi recrutado pelo Talibã para plantar papoula, matéria-prima do ópio - vive do leite de suas cabras e da hortinha no quintal que refreie seus impulsos reprodutivos usando como argumento o peso que o pobre coitado está colocando sobre o planeta? É ridículo. A maior força moral está em convencer o bem-educado e bem nutrido americano médio a repensar seu modo de vida, optando por uma sobrevivência mais frugal. Vale dizer que, embora as conversões ao naturalismo e à alimentação orgânica se contem aos milhares todos os meses nos Estados Unidos, elas são insignificantes do ponto de vista global.

A segunda razão do encalacramento da questão populacional vem da noção, bastante razoável, diga-se, de que os avanços educacionais e os saltos tecnológicos são muito mais eficientes nesse caso do que qualquer política governamental. O dinamarquês Bjorn Lomborg, estrela no grupo dos cientistas céticos quanto aos efeitos do aquecimento global e à responsabilidade humana nele, está entre os que acreditam que a solução virá do avanço tecnológico. Disse Lomborg a VEJA: "Realmente o tema não é tratado aqui. Pela ordem, eu diria que conter o consumo é um pouco mais prioritário, mas, definitivamente, apressar a busca por novas tecnologias limpas é o mais importante de tudo". O economista carioca Sérgio Besserman, ex-presidente do IBGE, que participa da COP15, descrê de qualquer política centralizada que vise a determinar ou influenciar os casais a respeito do número de filhos que devem ter. Ele lembra que a elevação do padrão cultural e educacional da população sempre coincide com a diminuição da taxa de fecundidade. "Quan-do se torna mais amplo o acesso à educação, à cultura e ao conhecimento, as populações passam a crescer em ritmo menor e até a decrescer", diz.

O caso brasileiro é ilustrativo dessa constatação. Há trinta anos, as mulheres brasileiras apre-sentavam taxas de fecundidade que se contavam entre as maiores do mundo, rivalizando com os padrões africanos. No começo da década de 90, a situação apresentava melhoras, mas ainda era preocupante. As mulheres do Brasil rural tinham então, em média, 4,3 filhos - dois a mais do que as mães urbanas. Uma década mais tarde, a diferença entre o número de filhos de mães rurais e urbanas se reduziu para 1,2. Em 2006, a taxa geral de fecundidade no Brasil havia estacionado em dois filhos por mulher. Um avanço cujo progresso só pode ser explicado pelos fatores apontados por Besserman, uma vez que as campanhas de controle de natalidade há muito foram desativadas no Brasil.

Fenômeno semelhante deve ocorrer na Ásia e na África com as melhorias educacionais e com o aumento da proporção da população urbana em relação à rural. Viver em cidades é um grande fator de diminuição do número de filhos. A ONU calcula que o somatório desses fatores terminará por estabilizar a população do planeta na casa dos 9 bilhões a partir do ano 2050. A questão é como chegar até lá sem grandes traumas. O prognóstico não é bom. Estudos científicos mostram que o mundo natural está sendo testado em seu limite para sustentar os atuais 6,8 bilhões de passageiros da espaçonave Terra. Segundo o OPT, organização inglesa que desenvolveu um indicador confiável de sustentabilidade, nos níveis tecnológicos atuais, o máximo que o planeta comporta sem risco de exaustão são 5,1 bilhões de pessoas. No fim da próxima semana, de Copenhague, virá a sinalização se a humanidade captou o dramático pedido de socorro que a Terra está emitindo.



Muita esperança, poucos resultados

Nem sempre as reuniões de líderes mundiais e seus
sábios chegam a resultados positivos e duradouros

Bettmann/Corbis/Latinstock


Liga das Nações (1919)

O que era: com o fim da I Guerra, 42 países assinaram uma declaração com o objetivo de garantir a paz no mundo. Tentava-se evitar uma nova escalada de desentendimentos como a que levou ao sangrento conflito na Europa. Os países deveriam submeter à arbitragem da Liga qualquer desavença internacional.
 
Em que resultou: foi um fracasso. A Liga das Nações não se mexeu para tentar evitar os movimentos expansionistas da Itália, do Japão e da Alemanha que tiveram como desfecho a II Guerra. Aperfeiçoado, o modelo da Liga resultou, em 1945, na criação da Organização das Nações Unidas (ONU). 
 
Bettmann/Corbis/Latinstock


Conferência de Bretton Woods (1944)

O que foi: representantes de 44 governos se reuniram com o objetivo de estabelecer as bases para a reconstrução econômica da Europa devastada pela II Guerra. Adotou-se o câmbio fixo entre o dólar e as demais moedas.
 
Em que resultou: os acordos costurados em Bretton Woods deram origem à criação do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, organismos que lançaram as sementes da globalização. Mas as medidas tomadas para estabilizar o câmbio foram abandonadas no início dos anos 70. 
 
Sergio Zalis


Eco 92 (1992)

O que foi: Representantes de 179 países se reuniram no Rio de Janeiro a fim de estabelecer metas para combater os males causados pelo uso predatório dos recursos naturais.
 
Em que resultou: O encontro produziu um documento aplaudido por todos, mas que, na prática, ficou restrito ao terreno das boas intenções. O crescimento da economia global, desde então, foi proporcional à degradação causada ao ambiente.

Fonte: VEJA


sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Publicação divulga na COP-15 ações do governo contra o desmatamento

A política de controle e prevenção do desmatamento na Amazônia, empreendida pelo governo federal desde 2004, é tema principal de uma publicação que o Ministério do Meio Ambiente leva à COP-15, iniciada esta semana em Copenhague (Dinamarca).

Em 28 páginas, a publicação detalha os esforços bem-sucedidos empreendidos pelo governo brasileiro para enfrentar as causas do desmatamento na região, o que propiciou ao país alcançar a menor taxa de desmatamento anual da história no período de agosto de 2008 a julho de 2009, de 7 mil km2.

A publicação também destaca outras iniciativas, como o Plano Nacional de Mudança do Clima (PNMC), a meta voluntária de reduzir em 80% o desmamento do bioma Amazônia até 2020 e a implementação do Fundo Amazônia que, juntos, compõem a estratégia brasileira para mitigar as emissões de gases de efeito estufa oriundas da mudança do uso do solo.
 
ASCOM/MMA

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

“Texto dinamarquês” levanta polêmica

Segundo o The Guardian, os países em desenvolvimento “reagiram furiosamente” a um texto divulgado na terça-feira, supostamente escrito pelo país anfitrião da conferência da ONU.

Por mais de uma semana circulou um boato de que a Dinamarca, anfitrião da conferência da ONU sobre mudanças climáticas, foi elaboradora de  um texto de compromisso. Na tarde do segundo dia da conferência, o The Guardian publicou o que alegou ser este texto. O jornal britânico afirma também ter lido “uma análise confidencial do texto por parte dos países em desenvolvimento”, que “mostraram profundo mal-estar”.

“Você precisa ouvir todos os países. É disso que se trata a democracia e é isso que tem sido esperado na Dinamarca. Qual o seu primeiro-ministro (Lars Løkke Rasmussen) não é contrária ao espírito da ajuda de desenvolvimento, que a Dinamarca tem prestado para a África através de muitos anos, “Lumumba Estanislau Di-Aping (foto acima), presidente do Grupo dos 77, em sua maioria constituída dos países em desenvolvimento, diz dinamarquês Politiken.

O projeto no site The Guardian, é intitulado “O Acordo de Copenhague no âmbito do Quadro das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas”. Dá 2020 como o ano em que as emissões globais devem atingir um pico, enquanto que “reconhecendo que os países desenvolvidos coletivamente atingiram este pico e que o prazo será maior para os países em desenvolvimento.” O texto especifica que as emissões dos países desenvolvidos deve ser reduzidas em 80 por cento até 2050 em comparação aos níveis de 1990. Propõe também que uma meta de redução provisória para os países desenvolvidos até 2020, seja definida – uma  das principais exigências dos países em desenvolvimento. Contudo, até agora o valor é dado apenas como “X” – o que significa que não será indicado antes das negociações de alto escalão na próxima semana.
 
Uma questão crucial nas negociações da ONU é se certos países em desenvolvimento devem assumir compromissos ou não. Nos termos do presente acordo, o Protocolo de Quioto, os países em desenvolvimento estão isentos de obrigações, mas os países industrializados têm enfatizado que isso não é viável no futuro. Sobre esta questão, o texto “dinamarquês” diz que os países em desenvolvimento, exceto os menos desenvolvidos, comprometam-se com ações de mitigação apropriadas as suas realidades. “Esses compromissos são sugeridos para ser dado como um percentual – a ser negociado na próxima semana – que deve ser alcançados até 2020. No entanto, o percentual não deve ser comparado com os níveis atuais.

Segundo fontes do The Guardian, os países em desenvolvimento estão descontentes com a nova proposta de divisão entre os “menos desenvolvidos” e outras nações em desenvolvimento. Outro ponto de preocupação é a sugestão da proposta de transferir mais controle sobre a aplicação do acordo de Copenhague da administração da ONU – que desempenham um papel fundamental no Protocolo de Quioto – para o Banco Mundial. Este movimento, indiretamente, daria mais controle sobre as questões de mudança climática para o mundo industrializado.

Segundo o diário dinamarquês Berlingske, o vazamento do projeto nesta fase inicial da conferência é visto como infeliz por negociadores europeus:

“É extremamente inadequado ter este documento circulando neste momento. Não deveria ter saído até a próxima semana”, segundo uma fonte não identificada na delegação de um país europeu diz o Berlingske.

De acordo com o jornal dinamarquês Jyllands-Posten, um comunicado de imprensa o Ministério do Clima dinamarquês nega que o texto publicado pelo The Guardian é uma proposta oficial dinamarquês para um texto de compromisso.

Secretário Executivo da UNFCCC, Yvo de Boer comenta em um comunicado à imprensa: “Este foi um trabalho informal antes da conferência dada a um número de pessoas para fins de consultas. Os textos formal no processo da ONU são apenas os apresentadas pelos presidentes desta conferência de Copenhague a pedido das partes”.

AmbienteBrasil

Dinamarca está pronta para pagar a sua parte

A Dinamarca é um dos primeiros países do mundo a  destinar verbas para que os países em desenvolvimento fortaleçam suas capacidades de combater as mudanças climáticas a curto prazo, disse o governo dinamarquês.

Dinamarca – o país hospedeiro da corrente conferência da ONU sobre mudanças climáticas- colocou dinheiro na mesa para a adaptação dos países em desenvolvimento às mudanças climáticas.

Desde que haja um acordo climático global e os outros países paguem as suas parte também, a Dinamarca irá  destinar  0,16 bilhões de euro para ajudar países em desenvolvimento a fortalecer suas capacidades de combater as mudanças climáticas à curto prazo (2010-2012).

Os fundos que a Dinamarca irá destinar está de acordo com a opinião da União Européia de que necessita-se de um acordo imediato que financie os países em desenvolvimento de  2010 à 2012, seguido de um aumento proporcional significante proveniente do  fluxo de caixa publico e privado para os países em desenvolvimento a partir de 2013. A UE estimou que são necessários ( para 2010-2012) entre 5 à 7 bilhões de euros.

Em um press release, o governo dinamarquês alegou que a Dinamarca quer contribuir à ação imediata nos países em desenvolvimento, logo após a conferência sobre mudanças climáticas.

“Nós queremos mandar um sinal claro para os outros países de que dinheiro é necessário nas mesas de negociação em Copenhague.  Sem financiamento dos países mais pobres, que serão os mais afetados pelas mudanças climáticas, não haverá um acordo climático,” diz  Ulla Tørnæs, o Ministro dinamarquês de Cooperação ao Desenvolvimento.

AmbienteBrasil

China: Os EUA e a UE devem apresentar cortes maiores de emissões

O oficial chinês do clima culpa o Japão, os Estados Unidos e a União Européia de  apresentarem uma ambição muito pequena em se tratando de cortes de emissões.

A delegação chinesa espera que os Estados Unidos e a União Européia (UE) apresentem metas de redução de emissões mais notáveis aos debates sobre clima, em Copenhague.

Em uma conferência para a imprensa, terça feira, O deputado, Su Wei, líder da delegação chinesa, disse que nem os EUA e tampouco a União Européia ou o Japão, ofereceram cortes nas emissões de gases causadores do efeito estufa suficientes até  2020.

De acordo com Su Wei, a meta americana de redução  e o apoio financeiro dos EUA à nações em desenvolvimento são a chave do sucesso da corrente conferencia sobre mudanças climática.


Su Wei rejeitou uma proposta da União Européia onde os países em desenvolvimento economicamente avançados se comprometeriam a uma redução de emissões, e pagariam parte do custo publico da adaptação e mitigação das mudanças climáticas, nos países em desenvolvimento.

As metas que a China propôs estavam de acordo com os padrões do IPCC, Su Wei disse, de acordo com o jornal  “Nigerian daily”  de hoje,  e acrescentou : “A posição da UE nao pode ser justificada…. O protocolo  [ de Kyoto] entre outros acordos do IPCC estipulam claramente o que as nações desenvolvidas e em desenvolvimento devem fazer.”

De acordo com o Protocolo de Kyoto, as nações em desenvolvimento não precisam se comprometer em cortar emissões ou financiar mitigação e adaptação das partes pobres do mundo.

AmbienteBrasil

Dirigente das Nações Unidas otimista com forte acordo climático

“De todos os cantos do globo vemos acelerações nunca vista para um acordo “,  disse o Secretário Geral da ONU Ban Ki-moon aos repórteres, na sede da ONU. “Estou animado e estou otimista”.


Ban disse que para a conferência de Copenhague ser um sucesso, o acordo deve incluir reduções ambiciosas das emissões de carbono pelos países desenvolvidos, bem como ações ambiciosas por países em desenvolvimento a reduzir as emissões. As nações ricas também devem fornecer apoio financeiro e assistência tecnológica para ajudar os países em desenvolvimento a limitarem as suas emissões e na adaptação aos efeitos das mudanças climáticas, como inundações e secas, disse ele.

“Esse tratado terá um efeito imediato operacional logo que for acordado”, disse Ban.

O secretário-geral indicou que a ONU quer que as disposições do acordo político que venha a ser alcançado em Copenhague seja implementado rapidamente, sem esperar por um tratado legalmente obrigatório a ser negociado no próximo ano.

O chefe da ONU disse que é provável um acordo entre países desenvolvidos e em desenvolvimento em 10 bilhões de dólares em “curto prazo, curso rápido” de financiamento para ajudar os países mais pobres até 2012. Apoio financeiro além do que será discutido em Copenhague, e não só esse, disse ele.

Ban disse que vai abrir o segmento de alto nível da conferência de Copenhague em 15 de dezembro e espera que 105 líderes mundiais assistam às sessões final em 17-18 dezembro para pressionar por um acordo. Ele destacou o presidente Barack Obama, o premiê chinês Wen Jiabao eo primeiro-ministro indiano Manmohan Singh.

“Nunca tantas nações diferentes de todas as dimensões e condição econômica garantiram, juntos, compromissos firmes”, disse ele. “Devemos aproveitar este momento e continuar pressionando por pretensão ainda maior.”

“Isto terá uma importância crucial para o futuro da humanidade, e mesmo para o planeta Terra”, disse Ban.

Fonte: http://en.cop15.dk

Fundo Amazônia é tema de painel em Copenhague

Para a agenda climática brasileira, a proteção das florestas da Amazônia é ação prioritária. Por isso, no caminho para contribuir com a estratégia global de combater os efeitos das mudanças do clima, o Brasil se empenha em diversas frentes para reduzir o desmatamento na região.


Uma das iniciativas mais importantes é o Fundo Amazônia, tema da apresentação do Banco Nacional para o Desenvolvimento, que será realizada nesta quarta-feira, 09/12, às 16h.

O Painel “Fundo Amazônia – uma aplicação prática de iniciativas de REDD”, vai apresentar como esse fundo está sendo gerido e como os projetos contemplados irã contribuir para a redução do desmatamento. Recentemente, o Banco Nacional de Desenvolvimento anunciou os três primeiros projetos do Fundo. Leia matéria aqui.

A Noruega foi a primeira nação doadora e contribuiu no ano de 2008, com o repasse de 110 milhões, de um total de até US$ 1 bilhão a ser investido até 2015, condicionados aos resultados do combate ao desmatamento. Atualmente, estão em fase adiantada negociações com outros países para a realização de novos aportes. A Alemanha também deve contribuir com uma quantia que deve chegar a 18 milhões de euros, o que equivale a cerca deUS$ 30 milhões.

Fonte: www.cop15brazil.gov.br