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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Documento sobre adaptações a mudanças climáticas para Dilma

O Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea), formado por membros da sociedade civil e do governo, deverá formular, até março do próximo ano, uma minuta com diagnósticos e sugestões sobre como enfrentar os efeitos das mudanças climáticas nas populações mais vulneráveis.

O documento será entregue ao governo da presidenta eleita, Dilma Rousseff, e terá como base as discussões do seminário Mudanças Climáticas: Adaptações e Vulnerabilidades, que encerrou ontem (12) na sede do conselho, em Brasília.

Segundo a coordenadora do grupo de trabalho Mudança Climática, Pobreza e Desigualdade, do Consea, Gleyse Peiter, o objetivo dessas discussões é criar uma ação paralela ao debate global sobre a alteração do clima, que vise o atendimento direto à população que já está sofrendo os efeitos.

“A gente está falando que quem precisa se adaptar são as populações vulneráveis. Então, se adaptar é mudar a condição delas para que elas não sofram esses efeitos. Não estamos falando de se acostumar e, sim, de mudar visando a nova condição climática”, explica a coordenadora.

Segundo ela, a minuta que será entregue à Casa Civil do próximo governo trará diagnósticos, diretrizes e objetivos, com sugestões concretas de como atender a população. Ao todo, nove setores foram discutidos no seminário e serão abordados no documento: desenvolvimentos agrário, social e urbano, segurança alimentar e hídrica, trabalho, educação, saúde e prevenção de desastres.

“No caso das enchentes, por exemplo, a gente já sabe que virão doenças em seguida, como leptospirose. Então, se preparar para elas é estar adaptado. Assim como promover uma boa educação ambiental”, esclarece Gleyse.

Além da adaptação, a minuta tratará também de ações de prevenção e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. As políticas públicas sugeridas pelo Consea devem fazer parte, no futuro, de um Plano Nacional de Adaptação às Mudanças Climáticas, que tratará do assunto de forma mais profunda e ampla.

Fonte: Agência Brasil

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Sul da Ásia é a região mais vulnerável a mudanças climáticas, revela estudo

PARIS, França — O sul da Ásia é a região do mundo mais vulnerável às mudanças no clima, com sua crescente população superexposta a inundações, secas, tempestades e elevação do nível do mar, segundo uma consulta feita com 170 países, publicada esta quarta-feira.

Dos 16 países listados como em risco "extremo" devido às mudanças climáticas nos próximos 30 anos, cinco são do sul da Ásia, com Bangladesh e Índia no primeiro e segundo lugares, Nepal em quarto, Afeganistão em oitavo e Paquistão em 16º. O Brasil (81º), a China (49º) e o Japão (86º) estão na categoria de "alto risco".

O Índice de Vulnerabilidade pelas Mudanças Climáticas, compilado pela britânica Maplecroft, uma empresa global de aconselhamento de riscos, pretende ser um guia para o investimento estratégico e a adoção de políticas.

O barômetro é baseado em 42 fatores sociais, econômicos e ambientais, inclusive a capacidade de resposta do governo, de forma a avaliar o risco para a população, os ecossistemas e os negócios em função das mudanças climáticas.

O Sul da Ásia é especialmente vulnerável por causa de mudanças em padrões climáticos que resultam em desastres naturais, inundações no Paquistão e Bangladesh, este ano, e afetou mais de 20 milhões de pessoas, disse Maplecroft.

"Há evidências crescentes de que as mudanças climáticas aumentam a intensidade e a frequência de eventos climáticos", disse a analista ambiental da empresa, Anna Moss.

"Mudanças muito pequenas de temperatura podem ter impactos maiores no ambiente humano, incluindo mudanças na disponibilidade hídrica e na produtividade agrícola, a perda de terra por causa da elevação do nível do mar, bem como a disseminação de doenças", acrescentou.

Bangladesh aparece na primeira posição devido a uma dupla má sorte. O país tem o mais alto risco de seca e o maior risco de fome. Também luta contra a pobreza extrema, a alta dependência na agricultura - o setor econômico mais afetado pela mudança climática - e um governo que é o menos capaz de responder aos impactos climáticos.

Quanto à Índia, "quase todo (o país) tem um alto nível ou nível extremo de sensibilidade às mudanças climáticas, devido à severa pressão populacional e ao consequente abuso de recursos naturais", reforçou a Maplecroft.

"A isto se soma um alto nível de pobreza, baixa qualidade da saúde em geral e dependência agrícola de grande parte da população", acrescentou.

Entre os países da categoria de "médio risco" estão a Rússia (117º), os Estados Unidos (129º), a Alemanha (131º), a França (133º) e a Grã-Bretanha (138º).

A Noruega lidera o pequeno grupo de 11 países considerados em baixo risco, dominado pelos escandinavos e pelos holandeses, que têm trabalhado para defender seu território, abaixo do nível do mar, da elevação das águas dos mares.

A Maplecroft já tinha publicado em 2009 um índice de vulnerabilidade às mudanças climáticas, situando 28 países entre aqueles que correm "risco extremo", liderado por Somália, Haiti, Serra Leoa e Burundi.

No entanto, os índices de 2009 e 2010 não são comparáveis, afirmou Fiona Place, da Maplecroft.

O novo índice, amplamente reconfigurado, usou três "subíndices" que se focam especialmente na habilidade de um país em responder ao estresse climático.

"As vulnerabilidades mais sérias à mudança climática foram encontradas no grupo de países em desenvolvimento com sistemas socioeconômicos mal equipados para responder a desafios como a segurança alimentar e hídrica, além de sofrerem com economias instáveis e instituições fracas", ressaltou Place em um e-mail enviado à AFP.

"Este é o caso de um grande número de países, estando o sul da Ásia e a África no centro das preocupações", concluiu.

sábado, 11 de setembro de 2010

Encontro entre países debate futuro da Bacia do Rio Paraguai

Pesquisadores do Brasil, da Argentina, da Bolívia e do Paraguai estão reunidos em Assunção, capital do Paraguai, desde segunda-feira, 06, com o objetivo de buscar caminhos para identificar as áreas mais vulneráveis às mudanças climáticas nos quatro países e elaborar medidas para minimizar os impactos destas alterações em pontos importantes como a Bacia do Rio Paraguai. O encontro, que vai até esta sexta-feira (10), é uma iniciativa do projeto Sinergia, que é financiado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e gerenciado pelo Centro de Pesquisas do Pantanal - CPP, com sede em Cuiabá.


Na segunda, 06, as palestras e mesas de debate abordaram entre outros temas, os reflexos do clima na saúde das pessoas.

A pesquisadora do Centro para o Desenvolvimento da Investigação Científica do Paraguai, Dra. Antonieta Rojas de Arias, phD em zoologia aplicada, apresentou um estudo realizado há dez anos em várias regiões do país, que indica uma tendência de aumento dos casos de malária e dengue, principalmente nos períodos de temperaturas mais altas e de maior precipitação pluviométrica. Segundo ela, é preciso intensificar as ações de combate aos mosquitos aedes aegypty, que tem encontrado ambientes favoráveis para se reproduzir, e já representam uma ameaça significativa para a saúde da população. “As áreas mais pobres são as mais atingidas e merecem atenção especial das autoridades”, alerta a pesquisadora.

O assunto também preocupa pesquisadores brasileiros. O pesquisador da Fundação Fiocruz, Ullisses Confalonieri, disse que não basta investir no combate ao mosquito transmissor da dengue e no tratamento de doenças endêmicas, é preciso também investir pesado em saneamento básico, que segundo ele é uma forma eficaz de prevenção.

Seguindo a tendência mundial de elevação das temperaturas, a região da Bacia do Rio Paraguai vai ficar mais quente nos próximos anos. É o que garante o pesquisador do INPE, Instituto Nacional de Pesquisas Espacial, Gilvan Sampaio.

De acordo com o pesquisador, os estudos levam em conta diferentes cenários. “Se a emissão de gases de efeito estufa como o CO2 for alta, a previsão é de que a temperatura aumente em até 4 graus até o ano de 2.100. Se a emissão de gases for pequena, o que é pouco provável, o aumento da temperatura vai ser de no mínimo 2 graus”, calcula.

Para os leigos este aumento parece pouco, mas os pesquisadores dizem que vai exigir uma mudança em todas as áreas. “Na agricultura, por exemplo, vai ser necessário desenvolver e utilizar sementes mais resistentes a condições climáticas adversas. Também vai ser preciso mudar a matriz energética, com a busca de fontes alternativas que provoquem menos impactos”, pondera o pesquisador.

Fonte: Redação - TA