quinta-feira, 8 de março de 2007

Terra está ´em estado terminal´, diz pai da Teoria de Gaia

O aquecimento global faz com que a Terra encontre-se em "estado terminal", e combater essa situação com energias renováveis é como tratar um doente grave com "medicina alternativa", disse, em entrevista à agência Efe, o cientista britânico James Lovelock, pai da Teoria de Gaia.

Na entrevista, concedida antes da apresentação, em Madri, de seu livro A vingança da Terra, Lovelock admitiu que a obra não diz nada que não conste do recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), mas traduz a linguagem científica para o público em geral, e "fala de suas possíveis conseqüências para a humanidade".

A Teoria de Gaia, que o cientista apresentou no começo dos anos 70, argumenta que a Terra se comporta como um grande organismo vivo capaz de se regular e reagir às mudanças.Fazendo uma analogia com a saúde do ser humano, Lovelock, de 87 anos, alertou que nosso planeta encontra-se em "estado terminal", similar ao de uma pessoa que sofra de doença no coração ou nos rins.

Em 2040, afirmou, serão normais os verões como o que castigou a Europa há quatro anos, deixando cerca de 15.000 mortos na França.O calor "poderia ser combatido com aparelhos de ar condicionado", pois seria similar, por exemplo, ao de Bagdá, mas uma alta tão drástica das temperaturas impediria a sobrevivência dos cultivos no sul da Europa e provocaria migrações rumo aos países mais frios.Portanto, Lovelock considera que os governos deveriam concentrar seus esforços na adaptação à mudança, construindo casas adequadas, hospitais e infra-estrutura para os deslocados, "em vez de perder o tempo lutando contra a mudança climática com as energias renováveis".

"Não é que eu queira atirar pedras contra (o Protocolo de) Kyoto, mas a situação é mais urgente do que quando ele foi planejado, há dez anos", afirmou.Defensor da energia nuclear, o cientista considera que esta é "a única fonte de energia bem conhecida, em escala planetária, e quase sem efeitos negativos".

"Enquanto 40 anos de resíduos de uma usina nuclear podem ser armazenados em um pequeno edifício, o CO2 (dióxido de carbono) emitido anualmente pela queima de combustíveis fósseis formaria, em estado sólido, uma montanha de 1.600 metros de altura e 20 quilômetros de área", acrescentou. (Efe/ Estadão Online)

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