quinta-feira, 8 de março de 2007

Desastre Climático e Midiático

Marcelo Leite

Uma coisa é produzir dados, outra é torná-los inteligíveis.

Terça-feira foi um dia de notícias ruins. Na primeira página da Folha do dia seguinte: China derruba bolsas no mundo; Avanço do mar põe 42 milhões em risco; Pernambuco lidera taxa de homicídios. Fiquemos pelo Brasil, deixando de lado suas teleconexões com a China. A exportação de soja tem relação com o desmatamento na Amazônia, por exemplo, mas isso já foi comentado aqui (6 de agosto de 2006). A sensação da semana foi mesmo a projeção de impactos do aquecimento global em território brasileiro.

A previsão catastrófica sobre a elevação do nível do oceano, que afetaria um quarto da população nacional na região costeira, saiu de um estudo divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA). Um desastre, sob todos os aspectos -inclusive de comunicação. Nada a ver com o quarto relatório do Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC) divulgado há um mês. Não que o trabalho, "Mudanças Climáticas Globais e seus Efeitos sobre a Biodiversidade", seja obra de gente pouco séria. José A. Marengo, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), tem reputação internacional. Uma coisa, porém, é produzir dados e projeções; empacotá-los e torná-los inteligíveis pelo público leigo (jornalistas inclusive) são outros 500.

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