quinta-feira, 10 de maio de 2007

Marina Silva fala sobre efeitos das mudanças climáticas

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, disse nesta quarta-feira (9) que os efeitos das mudanças climáticas podem levar prejuízos para o mundo em vários níveis, desde o econômico aos ambientais. Segundo ela, a humanidade não estava preparada para conviver com essa realidade, e por isso terá que refletir sobre uma nova forma de ser para garantir a própria sobrevivência. "Nós estamos vivendo a era dos limites. Todos esses aspectos estão contribuindo para uma reflexão sobre uma nova maneira de ser, um novo 'ethos' e um novo procedimento do homem na relação com ele próprio e com a natureza", disse, ao abrir o seminário sobre Créditos de Carbono e Mudanças Climáticas -Propostas e desafios para a sustentabilidade ambiental, promovido pelo jornal Valor conômico, em São Paulo.

Durante sua palestra, Marina Silva lembrou o tema em destaque na ordem do dia: "a aparente oposição meio ambiente e desenvolvimento" e reforçou a necessidade de se discutir o assunto. "Vamos atravessar esse tempo discutindo meio ambiente e desenvolvimento. Estamos inaugurando a era dos limites, e a capacidade de suporte da natureza precisa ser respeitada para que os ecossistemas continuem prestando seus serviços ambientais", disse. Para ela, o Brasil é o único país que não pode ter essa dicotomia "porque 50% do PIB brasileiro depende da nossa biodiversidade".

De acordo com a ministra, o Brasil pode contribuir para a mitigação dos efeitos climáticos utilizando o biocombustível como processo de adaptação de impactos. "Podemos produzir biocombustíveis sem derrubar mais 'uma moita', recuperando áreas de preservação permanente, nascentes, fazendo eficiência com o uso da água, etc". No seu entendimento, a produção de etanol é viável em todas as partes do mundo onde ela possa acontecer com os devidos cuidados éticos. "Essa dimensão ética vai permitir fazer a inserção correta na economia global.

A ministra informou, ainda, que para o Brasil chegar em 2013 produzindo 30 bilhões de litros de etanol precisará "tão-somente" de mais de 3 milhões de hectares de terra para produção do produto. "Nós temos 51 milhões de hectares em repouso dos pouco mais de 300 milhões de hectares de área agricultável do país", disse. Por isso, acrescentou, "não tem sentido sacrificar os recursos de milhares de anos pelo lucro de apenas algumas décadas, de forma desnecessária". Sobre a Amazônia, informou existir 165 mil Km2 de área desflorestada, mas que não serão utilizados para produção de etanol.

Para a ministra, o Brasil como potência ambiental e natural pode ser capaz de criar uma marca de produtos para consumo associada à sustentabilidade ambiental e social. "Por isso não podemos desperdiçar esses valores. Se nós formos capazes de ter uma nova 'práxis' econômica e um novo paradigma de desenvolvimento, criaremos uma nova narrativa para nossos produtos". Como exemplo, citou a indústria florestal brasileira que já produz papel e celulose "sem derrubar uma árvore de floresta nativa". Informou que nos últimos quatro anos o País plantou 3 bilhões de árvores. "São 600 mil hectares de árvores plantadas em 2006, significando um bilhão de árvores por ano". Por tudo isso, disse, o "Brasil pode fazer diferente".

Segundo ela, para os países ricos é muito difícil mudar suas economias carbonizadas, sua matriz energética para renovável e limpa, lembrando que esses países têm 6% de matriz energética renovável, enquanto o Brasil possui 45% e outras nações em desenvolvimento, 13%. "Uma vantagem diferencial para o Brasil", destacou.

Marina Silva finalizou sua palestra mencionando as políticas estruturantes implementadas pelo Ministério do Meio Ambiente. Entre elas, lembrou o programa do biocombustível iniciado em 2004, os oito estudos técnico-científicos sobre os efeitos das mudanças climáticas na biodiversidade na Amazônia, no Pantanal, na Zona Costeira e na Caatinga - divulgado em fevereiro deste ano - e o Plano Nacional de Prevenção e de Combate ao Desmatamento, que conseguiu reduzir nos últimos dois anos em 52% o índice de desmatamento na Amazônia. "Isso significou a redução de 430 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera e representa 15% de tudo que teria que ser reduzido pelos países ricos nos últimos dois anos".

(Gerusa Barbosa/ MMA)

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