Oito fornecedores de reduções de carbono e neutralizações dos Estados Unidos, Reino Unido e Austrália criaram a Aliança Internacional de Redução de Carbono e Compensação (International Carbon Reduction and Offset Alliance – ICROA) para dar mais confiança às neutralizações voluntárias.
A aliança pretende incentivar o setor empresarial e indivíduos a adotarem uma postura de “reduzir e compensar”, ou seja, usarem as neutralizações para complementar as reduções diretas de gases do efeito estufa (GEE) promovidas no dia-a-dia. “Nosso objetivo é simples: garantir que as empresas e indivíduos reduzam suas emissões de GGE”, disse o co-presidente da ICROA no Reino Unido, Jonathan Shopley.
A aliança irá trabalhar também para apoiar os padrões voluntários existentes e definir um código de boas práticas para a indústria. “Esta é uma indústria confiante que está dando um passo adiante dizendo ‘nós’ iremos fazer isto certo e é desta maneira que potenciais clientes e observadores do mercado poderão ter certeza disso”, disse o porta-voz norte-americano Adam Stern, que é vice-presidente para políticas e estratégias da TerraPass, sediada em São Francisco.
As compensações de carbono são créditos gerados por projetos que tem como objetivo reduzir as emissões de GEE. A demanda é grande e os esquemas são financiados por organizações e indivíduos que querem neutralizar o impacto das emissões produzidas pelas suas atividades. Os créditos de compensação são freqüentemente instrumentos financeiros negociáveis chamados Reduções Verificadas de Emissão (VERs - Verified Emission Reductions).
Segundo Stern, apesar de padrões internacionais como o Gold Standard e o Voluntary Carbon já buscarem atender preocupações de confiabilidade, as empresas fundadoras do ICROA acreditam que um código de boas práticas daria maior transparência aos negócios de compensações. “Em uma indústria emergente existe um ponto em que os líderes do ramo formam uma aliança como esta para estabelecer padrões de qualidade do serviço. Isto é o que esperamos que a ICROA faça”, comentou.
Além da TerraPass, integram a aliança as empresas Carbon Clear London, The CarbonNeutral Company, targetneutral, ClimateCare e co2balance do Reino Unido; Climate Friendly, da Australia, e Native Energy, dos Estados Unidos.
De acordo com o código, os membros deverão fornecer relatórios anuais demonstrando estarem dentro dos seus princípios. O código inclui medir a pegada de carbono de acordo com os padrões internacionais, estabelecer metas de redução baseadas em métodos científicos, usar projetos de neutralizações confiáveis, divulgar as estratégias de redução de emissões de maneira transparente, capturar e destruir o metano de aterros sanitários e dos dejetos agrícolas, utilizar medidas de eficiência energética, desenvolver fontes renováveis de energia e plantar ou proteger florestas.
O grupo também espera exercer um papel ativo nas discussões políticas. No início do ano, estas empresas submeteram uma carta ao governo do Reino Unido propondo a regulamentação das neutralizações.
Confira abaixo os principais padrões de qualidade de projetos voluntários:
Gold Standard – O GS foi criado por ongs ambientais (como a WWF) com o objetivo de garantir a qualidade das neutralizações de carbono e aumentar os benefícios extras melhorando e aumentando os processos já estabelecidos pelo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Para projetos de grande escala, os pré-requisitos do GS são iguais ao do MDL. Para projetos de pequena escala, diferentemente do MDL, o GS exige comprovação da adicionalidade.
Preços dos créditos: VERs - €10 a 20 e CERs - acima deo €10
Voluntary Carbon Standard 2007 – O VCS pretende ser um padrão de qualidade universal, com obrigações administrativas e custos reduzidos, e planeja desenvolver testes de desempenho bases para garantir a adicionalidade. Tais ferramentas ainda não foram desenvolvidas. O VCS foi criado por instituições que atuam no mercado de carbono como o Climate Group, a Associação Internacional de Comércio de Emissões (IETA) e o Conselho Mundial de Negócios para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD).
Preços dos créditos: €5 a 15
VER+ – O VER+ , criado por empresas do setor como a TÜV SÜD, oferece uma abordagem similar ao MDL para desenvolvedores de projetos que já estão familiarizados com os procedimentos de projetos que estão fora do escopo do MDL.
Preço dos créditos: €5 a 15
Programa de compensações da Bolsa do Clima de Chicago (CCX) – A CCX foi pioneira em estabelecer um mercado de carbono nos EUA. Este padrão de neutralizações faz parte do programa de ‘cap-and-trade’ (metas e comércio) da bolsa.
Preço dos créditos: €1.2 a 3.1
Voluntary Offset Standard – O VOS foi criado por indústrias financeiras e empresas do setor para diminuir os riscos para os compradores do mercado voluntário, por isso, seque fielmente os requisitos do MDL.
Climate, Community and Biodiversity Standards – O CCBS foi criado por ongs ambientais como a Nature Conservancy e grandes empresas para dar apoio ao desenvolvimento sustentável e conservação da biodiversidade. O CCBS é apenas um Padrão de Desenho de Projetos e não verifica a quantidade de emissões reduzidas.
Preço dos créditos: €5 a 10
Plan Vivo - O Plan Vivo, criado por ongs ambientais e sociais, tem por objetivo promover a sustentabilidade da vida rural através de recursos financeiro ligados ao carbono. A verificação por uma terceira parte não é exigida, mas é recomendada.
Preço dos créditos: €2.5 a 9.5
* Com informações do Carbon Finance
(Envolverde/Carbono Brasil)
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