O tempo não pára! Os governantes têm que levar a reunião de Bali a sério e propor medidas concretas contra a destruição do planeta.
Bonn, Alemanha — Greenpeace critica manobras políticas que marcaram o último dia da Convenção do Clima.
O objetivo da 28° Reunião dos Grupos Subsidiários da Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas, de estabelecer as bases para um compromisso global que deve ser acordado até dezembro de 2009, ficou comprometido pela posição dos países desenvolvidos.
“Os Estados Unidos, Canadá, Japão e Austrália usaram suas velhas e conhecidas táticas durante as discussões em Bonn, sobrecarregando as negociações e inserindo impedimentos técnicos a todo momento”, afirma Stephanie Tunmore, coordenadora da campanha de clima e energia do Greenpeace Internacional. "Propostas concretas são extremamente necessárias nesta fase das negociações. Foi bom ver países como a China, Índia, México e Noruega avançando na discussão, com a clara intenção de realmente
progredir nas negociações. A participação da União Européia, por outro lado, foi decepcionante, nada concreto foi apresentado”, disse Stephanie.
Alguns governos retomaram questões que foram encerradas durante as negociações de Kyoto, há uma década. Os Estados Unidos e França, por exemplo, voltaram a falar sobre energia nuclear no âmbito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Também voltaram ao debate os créditos de emissões para florestas plantadas e ausência de sanções para quem não atingir as metas do protocolo de Kyoto."Entraves resolvidos há uma década foram trazidos de volta por países interessados em embaralhar as discussões para esconder a ausência de uma política interna efetiva”, disse Stephanie.
Outra discussão que voltou à pauta foi a energia nuclear. “Essa é uma discussão sem sentido, já que as usinas nucleares não contribuem para os países atingirem os níveis de redução de emissões necessários até 2020, além de todos os demais motivos pelos quais esse tipo de energia é desnecessário”, afirmou Stephanie.
Muitos governos estão preocupados com a lentidão do processo, especialmente aqueles menos desenvolvidos e mais vulneráveis às mudanças climáticas, pois sabem que o aquecimento global pode comprometer seriamente seu sustento, suas moradias e em muitos casos, suas próprias vidas, caso ações imediatas não sejam tomadas. Infelizmente não houve um desejo real de um progresso efetivo nas negociações em Bonn que foi marcada pelo cinismo e pela aparente falta de preocupação por muitos países desenvolvidos.
“O Brasil demonstrou habilidade e firmeza quando bloqueou a tentativa de países como a Arábia Saudita, de abrir a porta do mecanismo de desenvolvimento limpo para projetos de captura e armazenamento de carbono”, afirmou Luis Piva, coordenador da campanha de clima do Greenpeace Brasil. “Porém, a delegação brasileira ainda tem muito trabalho a fazer nas próximas reuniões. As negociações sobre redução de emissões via desmatamento e degradação estão apenas começando e é no setor florestal que está a grande contribuição do País para o problema das mudanças climáticas”, completou.
O Greenpeace acredita que os governos precisam despertar para a urgência do problema da mudança climática. É preciso remover as barreiras e continuar a trabalhar em um plano de ação destinado a salvar o planeta, enquanto ainda há tempo.
Os governos reunidos em Bali em dezembro passado decidiram por uma negociação de dois anos para chegar a um acordo global. Estamos agora a agora a apenas dezoito meses do prazo final. As próximas conversações estão marcadas para começar em 21 de agosto em Ghana, na África.
(Envolverde/Greenpeace)
terça-feira, 17 de junho de 2008
Greenpeace critica manobras políticas que marcaram o último dia da Convenção do Clima em Bonn
Por Redação do Greenpeace
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