sexta-feira, 26 de outubro de 2007

"Era como estar no meio do inferno", conta brasileira

da BBC Brasil

Na madrugada de segunda-feira (22), quando a brasileira Marcia Versari deixou sua casa no bairro de Rancho Bernardo, na cidade americana de San Diego, o local, segundo seu relato, parecia um pedaço do inferno.

San Diego foi uma das cidades mais atingidas pelos incêndios que desde domingo já deixaram mais de 500 mil pessoas desabrigadas no sul da Califórnia. E Rancho Bernardo foi um dos bairros mais afetados pelas chamas na cidade.

"Havia fogo por todo os lados, era difícil respirar, aquela escuridão e um vento muito forte. Várias casas perto da nossa pegaram fogo, queimaram total. E estava todo mundo desnorteado, sem saber para onde ir. Era como se você estivesse no meio do inferno".

As chamas chegaram a um bairro vizinho a San Bernardo ainda no domingo. Na segunda-feira, o 911, o serviço de emergências americano, ligou para os moradores do bairro informando que eles teriam de se retirar de suas casas.

Pouco depois, helicópteros começaram a sobrevoar a região com canhões de luz, anunciando que os moradores teriam de evacuar a área. Na madrugada de segunda, a eletricidade das casas foi cortada. Em seguida, carros de polícia bateram nas portas dos moradores, avisando que era chegada a hora de ir embora.

Marcia, que trabalha em San Diego como enfermeira, mora em uma casa que divide com o marido, sua mãe e a filha de 8 anos. Juntamente com a família e uma amiga idosa, a brasileira pegou alguns poucos pertences, como casacos, alimentos e garrafas de água, entrou em uma minivan e rumou para a região da cidade próxima à praia, que foi poupada pelas chamas.

"Ficamos muito assustados. Tivemos de usar máscaras, por causa da fumaça densa. Todas as ruas estavam congestionadas, porque todo mundo estava tentando sair ao mesmo tempo".

Estádio

Ao contrário de Marcia e sua família, que estão em um hotel, muitos dos que deixaram suas casas foram parar no estádio de futebol americano Qualcomm, situado próximo ao centro de San Diego.

"Mais de 12 mil pessoas estão naquele estádio. É muito complicado ficar lá. Por uma semana, a gente consegue ficar no hotel. Depois, a gente não sabe. É muita despesa, com hotel e comida".

Marcia e sua família estão pagando um total de US$ 218 diários por dois quartos.

Segundo a brasileira, as autoridades locais não ofereceram qualquer ajuda de custo e nem falaram em uma possível compensação para quem está tendo de pagar por acomodação.

"Estamos pagando do nosso bolso. Não deram nem uma tarifa melhor, nenhum desconto. Pelo que sei, não vai haver nenhuma ajuda do governo nem nada".

O pior, afirma, é nem saber se sua casa ainda está de pé. "A estrada está fechada. E não temos como chegar lá. Ficamos olhando as notícias na TV para saber quando poderemos voltar. Mas nem sabemos se ainda temos uma casa para onde voltar".

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