quarta-feira, 24 de outubro de 2007

CO2 acumula-se na atmosfera mais depressa que o esperado

A economia mundial está injetando cada vez mais dióxido de carbono na atmosfera, e a eficiência dos mecanismos naturais para retirar o gás causador do efeito estufa do ar vêm diminuindo. As duas más notícias aparecem em estudo realizado por uma equipe internacional e publicado pelo periódico PNAS - Proceedings of the National Academy os Sciences.

Segundo o trabalho, a taxa de aumento das emissões de CO2 passou de 1,3% ao ano, nos anos 90, para 3,3% ao ano, entre 2000 e 2006. Os pesquisadores atribuem o fato à recente aceleração do crescimento econômico mundial, ao aumento da intensidade de carbono da economia - isto é, do consumo de recursos que liberam CO2 - e a uma tendência, verificada nos últimos 50 anos, de perda de eficiência dos chamados "ralos" por onde a natureza elimina os excessos do gás, que assim acumula-se em taxas maiores na atmosfera.

O estudo estima que, desde 2000, 65% da aceleração do aumento da taxa de carbono no ar foi causada pelo crescimento econômico, 17% ao aumento do consumo de carbono pela economia e 18%, pela perda da eficiência dos mecanismos naturais de reciclagem. Os autores do trabalho notam que o acúmulo de maiores quantidades de CO2 na atmosfera já era esperado, mas que "a magnitude dos sinais observados parece maior que a estimada pelos modelos".

Ao analisar o aumento da intensidade de carbono da economia mundial, os autores do trabalho notam que taxa de emissões de CO2 necessária para produzir US$ 1 do PMB - Produto Mundial Bruto caiu de 0,35 LG de carbono por dólar, em 1970, para 0,24 kg/dólar em 2000, mas que desde então a relação voltou a aumentar, o que vem fazendo a um ritmo de 0,3% ao ano.

O trabalho nota ainda que existe um aumento na fração de dióxido de carbono presente do ar, em comparação com o que é absorvido pela terra e pelos oceanos, o que sinaliza um enfraquecimento dos "ralos" naturais do gás. Os autores notam que a fração oscilou entre 0% e 80% desde 1959, e esteve em 46% entre 2000 e 2006. Ela vem aumentando a uma taxa de até 0,46% ao ano. "A elevação da fração implica que as emissões de carbono vêm crescendo mais depressa que a estocagem em terra e nos oceanos", diz o artigo.

"Todas essas mudanças caracterizam um ciclo do carbono que gera uma pressão sobre o clima mais forte e mais rápida que o esperado", afirma o texto publicado pela PNAS. (Estadão Online)

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