sexta-feira, 16 de março de 2007

Ganhe dinheiro e salve o planeta, dizem traders

16/03/2007

A negociação de permissões de emissão de gases do efeito estufa está crescendo, dobrando para mais de € 20 bilhões (US$ 26 bilhões) em 2006 e focando no papel que as grandes empresas podem interpretar na luta contra as mudanças climáticas. Os mercados de carbono permitem que companhias e países negociem permissões para emitir gases do efeito estufa, como o dióxido de carbono, e estão em voga ao passo que são estabelecidas políticas e metas climáticas cada vez mais rígidas. Esta semana, em Copenhagen, uma feira atraiu cerca de 1600 representantes de mais de 70 países, muito deles bancos e companhias especializadas no mercado de carbono, procurando oportunidades. Mas algumas dúvidas sugiram quanto a esta correria estar ajudando a alcançar as metas de desenvolvimento sustentável do pacto, especialmente na negociação de carbono entre países ricos e pobres sob o Protocolo de Kyoto (MDL- Mecanismo de Desenvolvimento Limpo).“Não quero rotular este como sendo um grande desafio a integridade do sistema (do MDL), mas poderia se tornar caso não seja a intenção, e muitos esforços estão focados nisto,” disse o ex-presidente norte americano Al Gore durante o encontro na terça-feira.

Sob o MDL, países ricos podem se manter dentro dos limites das metas de Kyoto ao financiar projetos de reduções em países em desenvolvimento, recebendo os chamados créditos de carbono. Gore disse que há tempo ele acredita no mercado de carbono. “Você está ajudando, servindo para o bem da civilização”, disse aos negociadores e investidores.

A quantia investida nos mercados de carbono quadruplicou, alcançando € 4 bilhões em 2006, estimou François Joubert da EDF (Electricite de France), e o valor do mercado no ano passado foi equivalente a cerca de cinco vezes este número, segundo analistas da Point Carbon. “Acredito que eles sentem o cheiro de dinheiro a ser ganho,” disse Dusan Ronec, responsável pela negociação de carbono da companhia Húngara de petróleo e gás Mol Group, se referindo aos bancos e investidores. Uma preocupação se refere à redução das emissões em grandes companhias industriais, como na Índia e na China, e se esta é a melhor maneira de utilizar o dinheiro para mitigar o aquecimento global. Um participante da conferência, representante da companhia de petróleo indiana ONGC, disse que a sua empresa utiliza o dinheiro do MDL para investir em tecnologias para bombear o petróleo do subsolo com maior eficiência. Em contraste, a África tem apresentado pouquíssimos projetos de MDL, atraindo menos de 2% dos projetos de MDL até agora, simplesmente por não possuir industrias pesadas nas quais reduzir emissões. Preocupação dos participantes - Participantes da conferência, organizada pela Point Carbon, disseram que a mudança climática é um assunto muito especial, independente dos lucros obtidos por eles. “Não acredito que as pessoas estejam aqui puramente pela oportunidade de negócios, que é enorme,” disse Andrew Ertel, presidente da Evolution Markets, broker no mercado de emissões. “Acredito é que as mudanças climáticas estão acontecendo. Os invernos de Nova York estão muito diferentes da minha juventude. A grande maioria das pessoas aqui presentes sentem que estão fazendo algo bom”, complementou Ertel. “Tenho dois filhos, e estou preocupado,” disse Tristan Fisher, chefe executivo de projetos de MDL da Camco. Algumas companhias (traders) estão neutralizando suas emissões, reconhecendo que possuem acesso a créditos de carbono com um valor especialmente interessante. “Estamos comprando direto dos produtores,” disse Ertel.

A atenção das grandes empresas é tida como uma prova de que o mercado de carbono está funcionando. “Esta conferência demonstra que faz muito sentido para as empresas,” disse o chefe de negociações de carbono da ONU Halldor Thorgeirsson.

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